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O Fantastico da Ilha de Santa Catarina

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by

Helena Mota

on 6 July 2015

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Transcript of O Fantastico da Ilha de Santa Catarina

Discurso
Direto com uso de dialogo por meio de travessões.
Momento Literário:
A literatura contemporânea apresenta grande variedade de estilos. Contos e crônicas aparecem em grande número e são os gêneros mais lidos pelos brasileiros.
A literatura tem fortes representantes em Santa Catarina, mas talvez não seja correto rotular a literatura produzida aqui como catarinense. Em muitas instituições de ensino de Santa Catarina, a literatura catarinense foi diluída em períodos nacionais da literatura como: barroco, realismo, romantismo, pré-modernismo e contemporâneo.
O livro O Fantástico na Ilha de Santa Catarina, de Franklin Cascaes (1908 – 1983) pode ser caracterizado como um conto fantástico que está inserido no momento contemporâneo da literatura brasileira.

Autor:
Franklin Joaquim Cascaes nasceu em 16 de outubro de 1908, na praia de Itaguaçu, no continente. Aprendeu desde pequeno os afazeres que garantiam o sustento da família. Franklin beirava os 20 anos e nunca havia entrado em uma sala de aula. Seu pai achava que estudar era algo delicado demais e que o homem de verdade tinha que trabalhar na roça. O talento de Cascaes foi descoberto na Semana Santa na década de 20, vencendo a resistência paterna, Franklin aproveitou o incentivo para recuperar o atraso e iniciar seus estudos, até que em 1941 tornou-se professor da antiga Escola Industrial de Florianópolis. Franklin Cascaes faleceu no dia 15 de março, no final de 1983.
Gênero
Contos
Narrativa
a) Introdução no discurso do autor, com linguagem padrão e em primeira pessoa.
b) A narrativa em si, em que os personagens, através do discurso direto revelam o dialeto “manezês”.
c) Um epílogo em que o autor retoma a palavra, exaltando as belezas e mistérios da ilha, evidenciando uma relação afetiva do narrador com o espaço.
Linguagem
Sempre atento ao falar popular dos descendentes açorianos, Franklin procurou transcrevê-lo em sua obra, adotando uma escrita fonética quando dá voz às personagens.

"A imortal madama Tradição é, no meu entender, um monumento de belezas que o homem errante, habitante do globo terráqueo, guarda carinhosamente no baus do seu pensamento e, na maioria das vezes, ofere por via oral aos descentes imortalzando-a."
o livro conta com um total de 24 contos nos dois volumes, e com ilustrações em nanquim sobre papel.
-Deus 'teja com vances todo- desejou a Luisa para os parentes.
-Ó minha cunhada Luisa, como vás?- indagou o Silvério.
-A gente, mo fiio, vai indo ansim como Deus Nosso Sinhôri é servido!
-O te marido e os te fiios 'tão bãos?- reprisou o Silvério.
-'Tão sim, tão tudo di saude, c'a graça di Deus!- brindou a Luisa
[...]
"- Primo Nicolau! Vossa mecê acardita memo de vredade naquelas istória que o nosso povo lá das ihias dos Açôri contavo prá nóis como vredaderas?
- Ah!... Sim, acardito de vredade, sim, minha prima! E inté agora me veio uma delas, no bestunto da minha cabeça e que eu acho ela memo munto inzata. Como tu bem sabes e vancês todos que tão aqui me osvindo, aquelas ihia dos Açôri, de ondi os nosso avó, foram sempre munto infestada por muhié bruxa que roubam embarcação prá móde fazê viagem inté a Índia em quatro horas; que dão nóis nos rabo e crinas dos cavalo; chupo sangue de criancinha; intico com as pessoa grande e pratico mil malas-arte."
"Querida Ilha de Nossa Senhora do Desterro, a madame Estoia Popular, que veio nos camarotes culturais junto com os ilheus açorianos e madeirenses que te colonizaram, legou aos descendentes deles potências divinatorias do saber humano quimerico."
Franklin Cacaes
Durante 40 anos, ele pesquisou diversos temas envolvendo o homem do litoral catarinense e as comunidades pesqueiras da Ilha de Santa Catarina, registrando tudo num trabalho quase arqueológico. De forma detalhada, Cascaes registrou costumes, crenças e tradições e características populares referentes à vida dos colonos que habitaram a Ilha de Santa Catarina. Sua arte e sua genialidade são uma das maiores contribuições para o resgate e preservação da identidade cultural do município de Florianópolis. O acervo deixado pelo artista encontra-se hoje no Museu Universitário Professor Oswaldo Rodrigues Cabral.

Literatura Contemporânea ou Literatura Catarinense Contemporânea

Marcas do Autor na Obra

Marcada por um forte traço de oralidade, a escrita fonética de Cascaes traduz o linguajar do manezês – o estilo de falar do manezinho da ilha cuja principal ocupação nas narrativas é a pescaria.
No uso da palavra Desterro, uma atitude política e, ao mesmo tempo, religiosa, Cascaes projeta na escrita um espaço ocupado por humanos e não-humanos (as bruxas e o diabo), inserindo o leitor numa ilha onde o imaginário dos pescadores entra em conflito com a razão dos cidadãos urbanos (dinheiro, política, etc)). Isso denota uma tentativa política de sobrevivência por parte de um pensamento não-urbano.
Nas narrativas de Cascaes, percebe-se o enaltecimento da natureza e outros traços da cultura popular que misturam o lúdico, o profano e o religioso, tais como informações sobre as atividades de subsistência, a religião, os hábitos alimentares, entre outros costumes trazidos pelos colonizadores açorianos.

Personagens
Açorianos: Descendentes de açorianos que mantém as crenças de seus pais e avós, levando a sério a existência de seres “sobrenaturais”.
Na sua maioria vivem da agricultura nas terras da ilha, e ainda distantes da urbanização.

Bruxas: Tomadas como culpadas pelos males que acometiam os açorianos, possuem uma grande variedade de poderes para fazerem suas maldades.
Reúnem-se em noites de sexta-feira e possuem até uma hierarquia. (Conto 1)
Seguem esse caminho por escolha própria. (Conto 2)
A modernização dos costumes é tomada como bruxaria.
Diferencia-se bruxas de feiticeiras.

A obra baseia-se em narrativas orais folclóricas dos moradores da Ilha de Santa Catarina.
Contextualização com outras obras
Caracteristicas e criticas da sociedade presentes na obra
Franklin Cascaes retrata não só as crenças em custumes trazidos pelos açorianos, sua obra pode ser entendida como uma força de resistência da tradição, da memória e da paisagem natural, denunciando os males do “progresso” e da urbanização. As referências ao jogo político das elites são constantes em “O Fantástico na Ilha de Santa Catarina”, desnudando as promessas ilusórias feitas pelos poderosos e o descaso com os mais humildes. A ignorância dos manezinhos, a esperança nos curandeiros para sanar doenças, pois não haviam médicos na região e a ganância até mesmo por parte do povo (como o curandeiro que não termina a benção por não ter recebido todo o pagamento e o menino acaba morrendo por embruxamento) fizeram parte da realidade de muitos 'manezinho' e ainda faz em várias comunidades.
Espaço
Florianópolis tem sua identidade fortemente marcada pela presença açoriana. Os açorianos, portugueses provindos das ilhas que compõe o arquipélago de Açores, desembarcaram em Florianópolis, conhecida na época como Ilha de Nossa Senhora do Desterro, em meados de 1750. Antes da chegada das famílias açorianas, Desterro era uma ilha que atendia apenas à necessidades militares. Situava-se numa localização estratégica e por isso, nela foram construídas tantas fortificações.
Em 1893 com o avanço da revolução federalista, Desterro foi utilizada pela armada e pelos maragatos como base militar para se reorganizar na luta contra Floriano Peixoto. Quando Floriano retomou a ilha ele foi homenageado com a renomeação da ilha para Florianópolis.
Contexto Histórico
1954
Getúlio Vargas comete suicídio
1955
Guerra vietnã
1956
Juscelino Kubitschek assume
1957
Sputnik foi lançado
1957
URSS ança seus egundo satelite tripulado pela cachorra Laika
1961
Janio Quadros renuncia a presidencia da republica e seu vice João Goulart, também conhecido como Jango, assume.
1961
homem chega ao espaço
1961
construção muro de Berlim
1962
Auge da guerra fria
1963
assassinato de Kennedy
1964
Marcha da familia em nome de Deus
1964
Golpe militar

Curiosidades
O nome da Fundação Cultural de Florianópolis é uma justa homenagem a esse artista catarinense, pesquisador, ecologista, e folclorista, que dedicou parte de sua vida ao registro das tradições, lendas, usos e costumes dos moradores da Ilha de Santa Catarina. Franklin Cascaes faleceu no dia 15 de março, no final de 1983.

No segundo conto o autor faz uma crítica a escravização dos índios
No ano de 2011, a Grande Rio usou a obra de Franklin Cascaes para o criar o samba-enredo para o carnaval, que dizia "Meu Rio te abraça ... Floripa tão bela, a tua história virou carnaval. Essa ponte é a luz na passarela, é obra-prima... Esse cartão postal."
Numa tarde de vento sul muito agitado, o Serafim Calimeiro encontrou-se com o Vicente Laureano, que estava sentado em riba de um banco de madeira, debaixo de um ipê coberto de flores amarelo-ouro, fazendo uma gaiola de cana-do-reino "pra mo' de vendê pro Chico da Venda" lá da Praia de Pontas das Canas.
-O sinhôri falô, no caminho, da vossa cunversa qu'o Vicênti é tistimunha de osvido de tudo o que os home rico da cidade, mági o vosso primo dotôri, primitero pra um pudê de gente daqui. As cosa qu'o Vicênti me contô que els primitero aqui neste mundo não inzeste, e eu nunca memo osvi falá de táli cosa. O shinhôri soiulindo, não acha, cum' é que elesvão dá essas cosa que primitero pro povo se ganhá as inlecção? eu 'to um home veio, magi de oitenta ano por riba das costa, e afirmo pro sinhôri, so Diulindo, que isso não passa de gabuliça deles pra mo'd'aeeanjá voto.
"A cultura popular dos povos é a verdadeira joia preciosa. A ilha de Santa Catarina é um autentico e vivo relicario de cultura popular tradicional reflorida. [Esta foi] colonizada, a patir do ano de 1748 [ até 175], por colonos açorianos que habitavam aquelas ilhotas que vivem bem lá em riba de careca do oceano, açoitados diariamente pelas ondas bravias encarneiradas do mar e pelas bocas infernais de vulcões seculares que vomitam fogo e gemem furor incontido sobre as pobres poulações [do Arquipeogo doas Açores]. Seu povo é mesclado, inteligente, audacioso, de espirito arguto e sobretudo, religioso e arraigado em crendices mitologicas.
Grande parte dos descendentes desse povo nobre e ordeiro habita a Ilha de Santa Catarina, [cuja capital foi chamada até 1894] Nossa Senhora do Desterro, e [a faixa continental litorânea] do estado de Santa Catarina de Alexandria, onde vivem, em seu ambiente cultural, estórias como a que vou narrar"
Contos 1 ao 6
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