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Memórias de um Sargento de Milícias

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Kaline Grilo

on 10 April 2016

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Transcript of Memórias de um Sargento de Milícias

Memórias de um Sargento de Milícias
Sobre a Obra
Memórias de um Sargento de Milícias
nasce como um romance de folhetim, publicado anonimamente no jornal
Correio Mercantil
, no Rio de Janeiro. A história saiu em livro entre 1855 e com autoria creditada a “Um Brasileiro”. O nome de Manuel Antônio de Almeida aparece apenas na terceira edição, já póstuma, em 1863.
Enredo
Personagens
Tempo e Espaço
“Era no tempo do Rei”
A narrativa retrata os arredores do Rio de Janeiro.

Neste trecho, o autor descreve um acampamento cigano:

"Moravam ordinariamente um pouco arredados das ruas populares, e viviam em plena liberdade. As mulheres trajavam com certo luxo relativo aos seus haveres: usavam muito de rendas e fitas; davam preferência a tudo quanto era encarnado, e nenhuma delas dispensava pelo menos um cordão de ouro ao pescoço; os homens não tinham outra distinção mais do que alguns traços fisionômicos particulares que os faziam conhecidos". (ALMEIDA, pg. 14)
de
Manuel Antonio de Almeida

Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes
Departamento de Letras
Literatura Brasileira II
ADRIANO MARQUES DA SILVA
KALINE SAYONNARA GRILO DA SILVA
RAFAEL SOUZA DA CRUZ

Sobre o Autor
Foi médico, escritor e professor. Concluiu a Faculdade de Medicina em 1855, mas nunca exerceu a profissão. Devido à dificuldades financeiras o levaram ao jornalismo e as letras.
Foi redator do jornal
Correio Mercantil
e professor do
Liceu de Artes e Ofícios
do Rio de Janeiro. Em 1858, foi nomeado diretor da
Tipografia Nacional
e lá conheceu o jovem aprendiz de tipógrafo
Machado de Assis
.
Manuel Antônio de Almeida
(Rio de Janeiro, 17 de novembro de 1831 — Macaé, 28 de novembro de 1861)
UMA NARRATIVA REPLETA DE IDAS E VINDAS
ROMANTISMO, REALISMO, DETERMINISMO OU O QUE?
-Idas e vindas da narrativa e do personagem principal;
-Narrador em 3ª pessoa (heterodiegético), observador e interventivo;
-Proximidade com o leitor; uso de flash-backs e desenvolvimento de anticlímax.

“Os leitores devem estar lembrados de que o nosso antigo conhecido, de quem por algum tempo nos temos esquecido, o Leonardo-Pataca, apertara-se em laços amorosos com a filha da comadre, e que com ela vivia em santa e honesta paz.” (ALMEIDA, 1996, p. 87)
Apesar de o narrador ser, em quase toda a narrativa, heterodiegético (onisciente), em alguns momentos, dependendo da personagem e da situação em que está o foco narrativo, o narrador opta por não penetrar na consciência da(s) personagen(s).

“Como é que a sobrinha de D. Maria, que a principio tanto desafiara a sua hilaridade por esquisita e feia, lhe viera depois a inspirar amor, é isso segredo do coração do rapaz que nos não é dado penetrar: o fato é que ele a amava, e isto nos basta.” (p. 79/80)

“Luisinha e Leonardo conversavam, ou antes cochichavam, como se diz vulgarmente. O que eles se diziam não posso dizê-lo ao leitor, porque o não sei; sem dúvida a rapariga consolava o rapaz da perda que acabava de sofrer na pessoa do seu amado padrinho.” (p. 103)
CARACTERÍSTICAS DA NARRATIVA: PRIMEIRA E SEGUNDA PARTE
Primeira parte como crônica: descrição de costumes e cenas;
Comparação contínua entre o tempo da história e o tempo em que se insere o narrador;
A segunda parte funciona mais como romance: encadeia os níveis das relações humanas.

“(...) quem olhasse para a cara do Sr. José Manuel assinava-lhe logo um lugar distinto na família dos velhacos de quilate. E quem tal fizesse não se enganava de modo algum; o homem era o que parecia ser. Se tinha alguma virtude, era a de não enganar pela cara. Entre todas as suas qualidades possuía uma que infelizmente caracterizava naquele tempo, e talvez que ainda hoje, positiva e claramente o fluminense, era a maledicência”. (ALMEIRA, 1996, p.80-81)
UMA LINGUAGEM PRÓXIMA DA ORALIDADE
O núcleo da história são as travessuras do Leonardo. Quando ele se torna sargento de milícias e se casa, termina a histórias, porque só interessa ao narrador contar as travessuras. Quando acaba as travessuras, acaba a história.

Por ser uma história longa, por vezes o narrador apela para uma possível experiência do leitor, comentando aspectos da vida corriqueira para exemplificar a situação:

“Quem já teve um namoro, por menos sério que seja, e (...) se viu obrigado a aturar por muito tempo a conversação de uma velha, tendo de concordar com ela em tudo (...) só com o fim de trocar com alguém um olhar rápido, um sorriso disfarçado ou outra coisa assim, e que por fim de contas nem isso mesmo conseguiu, há de concordar que o Leonardo tinha toda a razão de estar ardendo com o que lhe sucedera, e o desculparia de qualquer arrebatamento que na ocasião o acometesse.” (p. 105)
É uma obra literária que marca a transição do Romantismo para o Realismo, pois não se encaixa totalmente em nenhum dos dois, antes, há uma mestiçagem das tendências. Em certo momento, o autor até menciona os ultrarromânticos.

“(...) não foram de modo algum mal recebidas as primeiras finezas do Leonardo, que desta vez se tornou muito mais desembaraçado, quer porque já o negócio com Luisinha o tivesse desasnado, quer porque agora fosse a paixão mais forte, embora esta última hipótese vá de encontro à opinião dos ultra-românticos, que põem todos os bofes pela boca, pelo tal primeiro-amor: no exemplo que nos dá o Leonardo aprendam o quanto ele tem de duradouro.”
Leonardo pai e Leonardo Filho. (determinismo biológico hereditário, tendência da cientificidade da época)

Os personagens são tipos simples, da vida comum da época: Teotônio (o “palhaço” imitador de vozes e de trejeitos, fazedor de caretas, etc.); as vizinhas, os soldados, os moleques, os malandros, o barbeiro, o padre, o sacristão, a cigana, as velhas, os amores de Leonardo, etc.

A quebra do sentimentalismo e do patriotismo: o anti-herói

- Fuga da idealização romântica
- Surge a figura do malandro, aquele que está sempre à margem da sociedade; faz sempre o contrário; às vezes faz travessuras e se dá bem; outras vezes pratica boas ações e se dá mal.
Zé Carioca

O típico malandro e a estranha sorte do anti-herói; às vezes faz uma diabrura e acaba tendo até uma recompensa.

Referências
ALMEIDA, Manuel Antônio de. Memórias de um sargento de milícias. 25. ed. São Paulo: Ática, 1996.

COUTINHO, Afrânio. Biografia e Introdução. Memórias de um sargento de milícias [Ed. Especial]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011.
Crítica
Precursor da ficção realista;
"Na verdade, essa alegação é um esforço de supervalorização a partir de um nacionalismo mal-entendido, que procura emprestar ao romantista brasileiro uma posição de antecipador do realismo à francesa, segundo uma influência que se ligaria sobretudo a Balzac [...]" (COUTINHO, 2011)

Inadequação a atmosfera romântica;
Com o Naturalismo, o romance consegue se encaixar nos moldes perante a crítica e ganha pleno reconhecimento;



Leonardo
ou
Leonardinho
: o anti-herói ou herói do romance. Era uma criança que adorava criar problemas. Um adulto mulherengo e inconsequente.
Luisinha:
moça com a qual Leonardo se casa. Entretando, casa-se com José Manuel, por influência da tia e depois fica viúva.
Vidinha:
mulata jovem, bonita e animada, toca viola e canta modinhas.
O Compadre:
barbeiro de profissão, cria Leonardo.
A Comadre:
defende e acompanha Leonardo.
D. Maria:
trabalha com demanda judicial, ganha a guarda de Luisinha quando ela perde os pais.
José Manuel:
salafrário e calculista, casa-se com Luisinha por dinheiro.
Major Vidigal:
militar que persegue Leonardo.
Leonardo Pataca:
pai de Leonardo, casa-se com Chiquinha.
Maria da Hortaliça:
mãe do personagem, portuguesa, trai o Pataca.
Chiquinha:
casa-se com Leonardo Pataca. É filha da Comadre.
Há ainda os personagens:

O toma-largura, a moça do caldo, Maria Regalada, as viúvas, o sacristão, o menino cigano e a cigana, o mestre de reza...
A obra conta a história de Leonardo, filho de Maria da Hortaliça e Leornardo Pataca. Após descobrir uma traição, Leonardo se separa de Maria e Leonardinho é criado pelo padrinho, um barbeiro e pela madrinha, uma parteira.

Leonardinho vai à escola, frequenta as missas, vai ao acampamento de ciganos, acompanha procissões. Desde sempre esteve metido em travessuras. Quando adolescente apaixona-se por Luisinha, mas namora Vidinha. A primeira decide, então, casar-se com outro.

Sempre perseguido pelo Major Vidigal, enfrenta diversos problemas e acaba sendo preso. Após Luisinha tornar-se viúva e os dois se reaproximarem, Leonardo precisa ser um sargento de milícias para conseguir casar-se com sua amada.

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