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Sociologia da Doença e da Medicina

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Alisson Soares

on 21 May 2014

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Sociologia da Doença e da Medicina
Discovery Science - As 100 Maiores Descobertas da História - Medicina
Cap 2. O surgimento da medicina moderna e seu papel no cuidado das doenças.
32. A longa batalha contra a doença
O lento desenvolvimento da medicina científica ocidental
Progressos constantes.
A “profissão” de médico. O status de uma “profissão”
44. Hoje: uma sociedade medicalizada
Cuidar do corpo é um direito e também um prazer. Temos de ir ao médico mesmo quando não estamos doentes. Tal comportamento foi se impondo ao longo dos últimos 50 anos. Antes da segunda guerra, o médico era procurado somente em situações graves. A sociedade medicalizada foi produto de longo processo e pressupõe a rejeição da visão da doença como mal incontornável [racionalização, mundo é previsível] (31).
.
  Em muitos locais sentia-se impotente em relação às doenças.
Na antiguidade estava ligada ao destino ao fatum.
No Ocidente Cristão a idéia do mal substitui a idéia do destino: doença advêm do pecado e é uma ocasião de redenção
[sífilis e os navegadores. E não é só antigamente: AIDS como castigo].
  Mas nunca houve fatalismo absoluto em nenhuma sociedade. O combate à doença é uma constante.
  
Galeno realiza grandes progressos, principalmente na área da anatomia, baseado nas ideias hipocráticas (34).

Criação de universidades em 1220 e 1253, dá ao médico um novo papel social, por pertencer a uma universidade, ele é considerado um privilegiado.

Criação do título de doutor em 1140. o médico não intervém fisicamente, isto é coisa de cirurgiões e barbeiros (eles não sabem latim).

Mas o médico se limitava a anunciar a morte iminente e sua presença era rara fora das grandes cidades.


Até a segunda guerra houveram progressos constantes, embora menos espetaculares.
Raio x em 1895,
a anestesia,
insulina, e
também vitaminas, sulfamidas, primeiros medicamentos capazes de tratar doenças infecciosas.37.

Milagre dos antibióticos na segunda guerra. Durante anos predominou a sensação um poderio ilimitado, reforçado pelo primeiro transplante de coração, realizado em 1967.
   Medicina adquiriu monopólio.
E o estabelecimento da “profissão” é algo característico das sociedades modernas e a medicina é o protótipo da profissão.
   Profissionais distinguem-se dos outros ofícios pelo alto nível de formação teórica e especializada e uma “orientação de serviço’ para a população, além de deterem (39) o monopólio da atividade, e de serem auto-regulados (são os próprios médicos que estabelecem o currículo e distribuem diplomas).
São consideráveis as consequências da dupla evolução da medicina e da proteção social
No séc XX, estudos sobre alcoolismo, homossexualidade, prostituição, doenças mentais, drogas transferiu-se da condenação religiosa ou criminal para o registro médico. O que era condenável (badness), tornou-se doença.
46. As causas de uma crise.
Aumento dos custos da saúde maior do que o aumento da riqueza nacional. [problema da previdência]; a medicina já não se mostra tão eficaz no combate à certas moléstias.
  Na frança da idade média não haviam médicos nos vilarejos e a morte imperava, junto à adivinhos benzedeiros e seus remédios empíricos, rituais mágicos. Ex. (32). Mais ex. quase sempre o terapeuta é também um sacerdote. A Igreja condenava a feitiçaria, mas tinha seus santos curadores
  Em sociedades tradicionais, a representação da doença está ligada a concepções mais gerais: do universo, deuses, da relação dentro da linhagem. O terapeuta é quase sempre feiticeiro e sacerdote.
Ativismo médico mais eficácia das terapias foi colocando a saúde em primeiro lugar e criou leis assegurando direito aos tratamentos

No século XVIl a medicina empírica e racional começa a se desenvolver.
Flamengo Vésale faz dissecações e denuncia a ignorância dos médicos e defende a renovação do conhecimento do corpo humano.
Outros ex (35).
Francastor enuncia as primeiras teorias sobre forma de contágio.
Harvey elabora a teoria da circulação do sangue.
Leeuwenhoek observou espermatozoides e glóbulos vermelhos em 1673.
Malpighi

   36. O nascimento da medicina clínica.
   No séc XIX uma virada anatomo-clínica da escola de Paris. Cabanis, Pinel, Corvisart, Laennec, Bichat e Bretonneau. E repousa sobre 3 princípios: 1) aproximação entre médicos e cirurgiões e à prática sistemática da autópsia. Doença começa a ser entendida como resultado de lesões orgânicas. 2) desenvolvimento da observação junto ao leito do paciente;3) novas técnicas de exame. Doenças (tuberculose, febre tifoide, asma, difteria) passam a serem descritas com maior precisão.
   Medicina experimental de Claude Bernard: doença e lesão são explicadas por alterações funcionais cujos mecanismos e efeitos em cadeia podem ser determinados. Mais tarde Pasteur e Koch estabelecem as causas de doenças infecciosas.

   Os motivos para isso divergem. Para os estrutural-funcionalistas, isto decorre da nova organização do trabalho nas sociedades industriais: alta divisão do trabalho impossíveis de serem encontrados no ambiente familiar. Já autores da Escola de Chicago e do interacionismo, atribuem tal ascensão à ampliação do saber (39), trata-se de luta política: obtêm o estatuto profissional, aqueles que convencem os outros do caráter insubstituível de sua competência e de seus serviços.
   40. As razões de uma ascensão.
   Na frança do século XIX, situação dos médicos é frágil: a população é pobre e são poucos os que podem recorrer a seus serviços. Há muitos concorrentes. (40).
   O aperfeiçoamento do conhecimento médico durante o século XIX é incontestável, mas as reivindicações por estatuto o precedem.
   41.Higienismo, preocupações com o saneamento básico e o desenvolvimento da proteção social.
   Preocupação do Estado com a saúde no final do século XIX baseia-se nos trabalhos de uma corrente médica em expansão: o higienismo. 41
   Lutam por mostrar a importância social do médico, também dentro do estado, e se dedicarão a mostrar as importância dos ambientes físico e social e exigir remordas: qualidade do ar, da água, problemas dos esgotos, dos detritos, das condições de trabalho nas fábricas; influenciando o nascimento da sociologia. 42
   A aliança dos políticos e dos higienistas é também o motor do desenvolvimento das primeiras leis antecipadoras do que chamamos de proteção social. 43
[também contra a eugenia e teorias da degenerescência]
  [Equilíbrio hormonal tentou recuperá-la].
  34. A medicina hipocrática [460 a.c.]
Se ele é o pai da medicina científica, não o é por sua teoria dos humores, mas por ter procurado compreendê-la em função das observações realizadas sobre o estado do doente.
 Antes dele, determinadas moléstias eram decorrentes da vontade divina e funcionavam como punição moral.
 Medicina moderna: orientação crescentemente empírica, especialização do papel do médico e da busca do saber racional sofisticado. Mas se a medicina científica moderna é crescentemente empírica, mas outras também o eram, e há remanescentes religiosos: realiza um profissio aquele que afirma sua fé e emite os votos ao assumir o estado eclesiástico ou monacal (33).
Prezi por: Alisson Soares
Título:
Sociologia da doença e da Medicina
Autor:
Philippe Adam e Claudine Herzlich
Editora:
EDUSC
páginas:
44
Ano:
2001
Leeuwenhoek
William Harvey
Galeno
de Pérgamo
Pérgamo, c. 129 - provavelmente Sicília, ca. 217)
Johann Peter Frank
(19 março 1745 – 24 Abril 1821)
Higienismo
http://www.ub.edu/geocrit/sn-50.htm
LA INTRODUCCIÓN Y EL DESARROLLO DEL HIGIENISMO EN ESPAÑA DURANTE EL SIGLO XIX. PRECURSORES, CONTINUADORES Y MARCO LEGAL DE UN PROYECTO CIENTÍFICO Y SOCIAL.
Cap 3. Os estados de saúde e seus determinantes sociais
Antes na França morria-se de fome e das epidemias, hoje por doenças circulatórias, câncer e acidentes.
Mas registrou-se aumento da expectativa de vida
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0011-52581998000400004&script=sci_arttext
Fontes: 1930-1980: Bayer e Góes (1989): Ministério da Saúde (1994). Causas Externas 1989: Monteiro (1995:258)
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0011-52581998000400004&script=sci_arttext
Fonte: Datasus < http://www.fiocruz.br >
Fontes: IBGE.
Para os EUA, The State of Humanity (Simon, 1995).
Fontes: IBGE, Anuário Estatístico do Brasil, Séries Históricas do Brasil.
* CEPAL, Anuario Estadístico de América.
http://www.mec.ita.br/~clarissa/_private/envelhec.htm
Gráfico 2 – Expectativa de vida vs. Media de Anos de Estudos por Unidade Federativa do Brasil - 2004
Dados: IBGE/Síntese dos Indicadores Sociais
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0011-52581998000400004&script=sci_arttext
http://www.mec.ita.br/~clarissa/_private/envelhec.htm
Fontes externas ao livro de Adam Herzlich
1. Variabilidade dos estados de saúde....51
[2.] As explicações dos diferentes estados de saúde. ...54
[2.1.] A seleção social .....55
[2.2.] A causalidade social....56
[2.3.] Os modelos psicológicos e sociais ...60
[3.] O apoio social.....64
[4.] Quais políticas de saúde?....65
[2.3.1.] Os trabalhos sobre o estresse e os fatores estressantes....61.
[2.3.2.] Os tipos de personalidade...62
[2.3.3.] A capacidade de enfrentar as situações...63
A partir do estudo de deonças crônicas - coronárias principalmente, câncer e patologias mentais - atribuem pouca importância a categorias sócio-profissionais [60], mas estudam as variáveis individuais:
Há muito dizia-se da interferência de fatores sociais. Perdeu a importância com Pasteur e a "etiologia específica" (cada doença é causada por uma bactéria), provocando um desvio de enforque sobre as cauas sociais.
Saúde transformou-se em valor central nas sociedades desenvolvidas. Desde o séc. XIX higienistas tem mostrado a interferência de fatores sociais nas taxas de mortalidade. (p.50)
Expectativa de vida
Tipos de doença
Saúde
Classe social
nível educacional (anos de estudo)
gênero
tipo de profissão,
estar empregado ou não
Condicionantes
sociais
Não é substituir uma explicação biológica por uma social, mas uma "causalidade em série" de imbricações entre biologia e social.
Em certos tipos de países a mortalidade de mulheres é inferior à de homens, em outros, é maior. Isto sugere que não só fatores biológicos, mas também fatores sociais explicam o evento.


Ex. Em todos países industrializados homens morrem mais do que mulheres. Durante séculos, as “vantagens” biológicas das mulheres ficaram neutralizadas (51) A diferença da taxa de mortalidade é zero na Índia e Paquistão, e maior no Bangladesh, Nepal e Butão.
Casados tem taxas de mortalidade inferiores às dos solteiros, principalmente entre homens .53
Seleção Social promove individuos em melhores condições de saúde a categorias sociais superiores.
Jacques Vallin descreve o processo de seleção social:
"O acesso à determinada categoria sócio-profissional depende, entre outros fatores, da saúde. Para conseguir os melhores lugares na sociedade, é necessário provar que possui qualidades o que fica mais facilitado para os indivíduos mais saudáveis física e mentalmente. Assim, desde o princípio... as camadas mais elevadas têm todas as chances de possuir indivíduos que, em média, têm melhor saúde que outros"
já um estudo inglês feito por Michael Wadsworth mostrou relações entre a (54) posição alcançada na vida adulta e seu estado de saúde na infância, apresentando trajetória social descendente.
Devido à dificuldade de se apreender a noção de causalidade, alguns, como os epidemiologistas, falam em "fatores de risco" no nível individual: característica de um indivíduo ou sua exposição a uma condição ambiental e a sobrevinda de uma doença.
Em nível coletivo fala-se em termos "determinantes da saúde" e sua relação com classe social ou categoria profissional
http://www.administradores.com.br/noticias/administracao-e-negocios/selecao-genetica-de-trabalhadores/39882/
Seleção genética de trabalhadores?
"...Não mais se selecionava apenas na admissão. Exames periódicos e constantes análises de rendimento foram tomando espaço e importância. A empresa sempre quis a máxima eficiência, com os melhores trabalhadores e os menores custos.

...
Durante o século XX, as empresas fizeram a triagem através de métodos especializados, mediante criteriosa avaliação médica e psicológica, exames de aptidão etc. Atualmente, devido ao avanço tecnológico e da ciência genética, a seleção de trabalhadores passa por testes mais complexos, que avaliam a capacidade e até a predisposição (genética) para o desenvolvimento de doenças ocupacionais ou não, bem como a hipersensibilidade a certos tipos de riscos. Uma medicina prognóstica se avulta, enquanto cresce o monitoramento biológico.
... A seleção genética de trabalhadores gera pelo menos dois problemas éticos: o primeiro envolve os limites sobre o que a empresa pode saber a respeito de seus trabalhadores; e o segundo, até que ponto pode a empresa influenciar o comportamento de seus empregados fora do ambiente de trabalho?

...Além disso, a seleção genética identificaria os trabalhadores resistentes a certos agentes tóxicos, expondo-os aos riscos em vez de evitá-los, ou seja, adaptando o homem ao meio, ..."
Somente a análise através da causalidade em cadeia ou em rede - um elemento de uma situação provoca outro de natureza diferente - facilita uma melhor compreensão.
Ex.: Estudo da influência do desemprego na saúde.
Foi mais postulado que estudado. Desemprego pode ser benéfico, ao colocar os indivíduos fora do alcance dos riscos profissionais e do desgaste físico e mental.
São muitos os acidentes na mão de obra não qualificada e os serventes de construção.
Não obstante cria angústia devido à perca de status social e pauperização
Mas uma pesquisa feita por M.Bungener e J. Pierret mostra que desempregados são os que afirmam estar em melhores condicões de saúde.
[Franceses utilizam sistematicamente do seguro desemprego. Muitas vezes intencionalmente.]
A posição social pode estar associada diretamente com a saúde.
Álcool e tabaco são mais consumidos em certos grupos.
Ex. Camponeses e operários no consumo de álcool e tabaco e o câncer.
A hieraquia social não é respeitada aqui. Não há muita diferença quantitativa no consumo e acesso à saúde.
classes populares
: busca é do tipo curativo: motivos mais graves e hospitalização mais frequente
classes superiores:
consulta preventiva, vão direto ao especialista.
Consumo
de serviços médicos:
E o acesso à saúde no Brasil?
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pnad_panorama_saude_brasil.pdf
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
Um Panorama da Saúde no Brasil: Acesso e utilização dos serviços, condições de saúde e fatores de risco e proteção à saúde
2008
ver p.44
Fatores de causalidade direta podem ser cumulativos. Com saúde deficiente desde o início, qualquer doença pode ser grave.
Estudo de Whitehall.
Hans Seyle
. "Por 'estresse' entende-se o conjunto das reações orgânicas em cadeia frente a pressões excessivas que ameaçam seu equilíbrio. O estresse debilita o organismo, tornando-o vulnerável a outros agentes agressores"
Inicialmente, procurou-se nestes estudos comprovar que a deterioração do estado de saúde como resultado do "acúmulo de `ocorrências-fonte de estresse`":
perda de emprego morte de familiares, nascimento de um filho,
--> havia ligação, mas fraca
Entretanto, problemas metodológicos destes estudos:
pessoas doentes tenderão a fazer
a posteriori
associação acontecimento de sua vida e estado de saúde.
alguns indivíduos nas mesmas condições estressantes continuam em boas condições de saúde.

R.: personalidade
Iniciado pelos estudos de M.Friedman e R.H.Rosenman. Types of Behaviour and your heart. (1974).
Diferenciaram dois tipos de personalidade
Tipo A. homens agressivos e competitivos, que se dedicam inteiramente ao trabalho e nunca ficavam satisfeitos com resultados obtidos. 2x chances de alguma moléstica cardíaca.
Tipo B. menos predispostos.
Origem na noção de '
locus of control
' ou
locais de controle
de Jerome B. Rotter de 1966,
1)
interno:
quando a pessoa sente ter certo controle sobre seu destino e ser responsável pelo que lhe ocorre.
2)
externo:
acredita que seu destino é dirigido pelo acaso ou por forças incontroláveis.

1 sofreria menos ansiedade, menos hipertensão e menos doenças cardíacas.
É possível que fatores socias interfiram nas definições do "local de controle"
Há mais de um século sabe-se que indivíduos solteiros, viúvos ou divorciados tem mais problemas de saúde que casados. Inicialmente focada em "redes sociais", posteriormente voltou-se para "apoio social",
resultante da integração do indivíduo em diferentes redes.
fornecem apoio material, cognitivo, normativo, afetivo.
Durkheim e o estudo do Suicídio
http://prezi.com/i8hhm_tdjvja/durkheim-emile-o-suicidio/
Relação entre os laços sociais e suicídios
O exame destes resultados pode levar a pensar que só transformações globais poderiam reduzir as desigualdades em matéria de saúde.

J.Vallin escreve: "a desigualdade social diante da morte significa... simplesmente a desigualdade social".

Mas isto ultrapassa as políticas públicas.
1) crescimento das tecnologias médicas cada vez mais complexas. Mas alguns estudos mostram que seu impacto global é fraco.
2) difusão da informação: difundiu-se que o comportamento dos indivíduos era a causa de numerosos estados mórbidos. Busca-se disseminar informacão em matéria de alimentação, consumo de álcool e cigarro.
[só informação é suficiente?]
Há certo tipo de comunicação social que procura culpar os indivíduos pelos comportamentos prejudiciais à sua saúde.
Proposta: investir na consolidação dos vínculos sociais.
Cap.6 O Hospital como organização e lugar da produção do trabalho médico...105
6.1. Reflexões sobre a função terapêutica do hospital psiquiátrico...107
6.2. O Hospital como organização...110
"Maison-Dieu"
História do Hospital Colônia de Barbacena - Planeta - Parte 1
Holocausto Brasileiro Manicômio de Barbacena
[Fouc. A medicina era uma prática não hospitalar.
“Antes do século XVIII, o hospital era essencialmente uma instituição de assistência aos pobres. Instituição de assistência, como também de separação e exclusão. O pobre como pobre tem necessidade de assistência e, como doente, portador de doença e de possível contágio, é perigoso. Por estas razões, o hospital deve estar presente tanto para recolhê−lo, quanto para proteger os outros do perigo que ele encarna.
O personagem ideal do hospital, até o século XVIII, não é o doente que é preciso curar, mas o pobre que está morrendo. E alguém que deve ser assistido material e espiritualmente, alguém a quem se deve dar os últimos cuidados e o último sacramento. Esta é a função essencial do hospital. Dizia−se correntemente, nesta época, que o hospital era um morredouro, um lugar onde morrer. E o pessoal hospitalar não era fundamentalmente destinado a realizar a cura do doente, mas a conseguir sua própria salvação. Era um pessoal caritativo − religioso ou leigo − que estava no hospital para fazer uma obra de] Função: assegurar a transição vida-morte, oferecer salvação para os pobres e para o pessoal hospitalar; e separação de indivíduos perigosos para a saúde geral da população.

◦ [ver Foucault “História do Hospital Geral” in História da Loucura e O “Nascimento do Hospital” em Microfísica do poder.

◦ Foucault: Hospital como lugar terapêutico data do final do século XVIII. Há viagens na Europa a fim de montarem inquéritos acerca de qual modelo ideal. Tais descrições deixam de ser meramente descrições sobre o exterior e passam a ser descrições funcionais.
◦ “XVII e XVIII, mas descrições funcionais. Howard e Tenon dão a cifra de doentes por hospital, a relação entre o número de doentes, o número de leitos e a área útil do hospital, a extensão e altura das salas, a cubagem de ar de que cada doente dispõe e a taxa de mortalidade e de cura.” Fouc. Estabelecem-se correlações, “nociva para os feridos. Explica também que, se parturientes são colocadas em uma sala acima de onde estão os feridos, a taxa de mortalidade das parturientes aumenta. Não deve haver, portanto, feridos embaixo de mulheres grávidas.”

• A experiência hospitalar estava excluída da formação ritual do médico. O que o qualificava era a transmissão de receitas e não o campo de experiências que ele teria atravessado, assimilado e integrado.

• Quanto á intervenção do médico na doença, ela era organizada em torno da noção de crise. O médico devia observar o doente e a doença, desde seus primeiros sinais, para descobrir o momento em que a crise apareceria. A crise era o momento em que se afrontavam, no doente, a natureza sadia do indivíduo e o mal que o atacava. Nesta luta entre a natureza e a doença, o médico devia observar os sinais, prever a evolução, ver de que lado estaria a vitória e favorecer, na medida do possível, a vitória da saúde e da natureza sobre a doença. A cura era um jogo entre a natureza, a doença e o médico. Nesta luta o médico desempenhava o papel de prognosticador, árbitro e aliado da natureza contra a doença.”

◦ Fouc: causa da mudança: “O primeiro fator da transformação foi não a busca de uma ação positiva do hospital sobre o doente ou a doença, mas simplesmente a anulação dos efeitos negativos do hospital”
▪ Ex.: “fato da primeira grande organização hospitalar da Europa se situar, no século XVII, essencialmente nos hospitais marítimos e militares. O ponto de partida da reforma hospitalar foi, não o hospital civil, mas o hospital marítimo. A razão é que o hospital marítimo era um lugar de desordem econômica. Através dele se fazia, na França, tráfico de mercadorias, objetos preciosos, matérias raras, especiarias, etc., trazidos das colônias. O traficante fazia−se doente e era levado para o hospital no momento do desembarque, ai escondendo objetos que escapavam, assim, do controle econômico da alfândega. Os grandes hospitais marítimos de Londres, Marseille ou La Rochelle eram lugares de um tráfico imenso,contra o que as autoridades financeiras protestavam. O primeiro regulamento de hospital, que aparece no século XVII, é sobre a inspeção dos cofres que os marinheiros, médicos e boticários detinham nos hospitais. A partir de então, se poderá fazer a inspeção desses cofres e registrar o que eles contêm. Se são encontradas mercadorias destinadas a contrabando, os donos serão punidos. Surge, assim, neste regulamento, um primeiro esquadrinhamento econômico. Aparece também, nesses hospitais marítimos e militares, o problema da quarentena, isto é, da doença epidêmica que as pessoas que desembarcam podem trazer. Os lazaretos estabelecidos em Marseille e La Rochelle, por exemplo, são a programação de uma espécie de hospital perfeito. Mas trata−se, essencialmente, de um tipo de hospitalização que não procura fazer do hospital um instrumento de cura, mas impedir que seja foco de desordem econômica ou médica.
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