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O poder da música

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by

Michelson Borges

on 7 October 2015

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Transcript of O poder da música

O poder da
MÚSICA
michelson borges
Minha influência musical
No fim dos anos 1980 e começo dos anos 1990,
eu apreciava o chamado
rock
progressivo, estilo
de
rock
que surgiu no fim da década de 1960,
na Inglaterra. Minha preferência musical era,
de fato, o
rock
brasileiro dos anos 1980.
Minhas bandas prediletas eram
Legião Urbana, Engenheiros
do Hawaii, Paralamas do Sucesso,
Capital Inicial, entre outras.
Vivia de rádio ligado (os CDs
ainda não estavam popularizados).
Hoje a preferência geral parece ser outra. Segundo pesquisa publicada no site da revista M
undo Estranho
, pagode e sertanejo “tomaram conta do pedaço” em nosso país.
Se nos anos 1980/1990 a voz de Renato Russo era ouvida cantando “se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre, sem saber que o pra sempre sempre acaba”, agora é a voz de Leonardo que entoa:
“Eu deixaria tudo se
você ficasse; meus
sonhos, meu passado,
minha religião
.”
Isso sem contar o tal “sertanejo universitário”, com letras que mostram que a
degradação
é um fato na música brasileira. Exemplo: “Ai, ai, ai, sexta-feira chegou! Quem não guenta bebe leite e quem guenta vem comigo. Na sexta-feira, o bar virou uma micareta. Mulherada foi solteira e os meus amigos loucos pra beber. Da faculdade eu fui pra festa tomar todas com a galera. E fiz amor até amanhecer. Toquei direto, fui à praia com as gatinhas na gandaia. Minha galera bota
é pra ferver. Segunda de madrugada, travado, cheguei em casa. Sete horas acordei com
uma ressaca, tinha prova pra fazer.”
Música no Céu e no Éden
É interessante notar que antes mesmo de o ser humano ser criado a música já fazia parte da vida no Céu. Pelo menos é o que afirma Moisés no livro de Jó: “Quando as estrelas da alva [anjos], juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus” (38:7).
Depois, quando o primeiro par humano foi criado neste planeta, a música também estava lá: “Os anjos associaram-se a Adão e Eva em santos acordes
de harmoniosa música, e como seus cânticos ressoassem cheios de alegria pelo Éden, Satanás ouviu o som de suas melodias de adoração ao Pai e ao Filho. E quando Satanás o ouviu, sua inveja, ódio e malignidade aumentaram, e ele expressou a seus seguidores a sua ansiedade por incitá-los [Adão
e Eva] a desobedecer, atraindo assim sobre eles
a ira de Deus e
mudando os seus cânticos
de louvor em ódio e maldições ao seu Criador
.”
Ellen G. White,
História da Redenção
, p. 24, 29, 30
Por que Satanás ficou com toda essa raiva ao ouvir os puros cânticos? Simples: podemos concluir, com base em textos bíblicos como Ezequiel 28:13-15 e Jó 38:4-7, que, antes de se rebelar contra Deus e ser expulso do Céu,
Lúcifer participava do coral dos anjos
. Assim, com todo o conhecimento de que dispõe e motivado por ira insana, o inimigo de Deus procura usar a música para desonrar o Criador, pervertendo-lhe
o propósito original de louvar o Senhor.
Música secular e profana
Isso quer dizer que somente a música
sacra que louva a Deus pode ser ouvida? Não, necessariamente, mas
é preciso fazer distinção
entre a boa música secular
e a música profana.
Certa ocasião, numa viagem de navio, Ellen White registrou: “Os músicos [no navio] [...] entretinham os impacientes passageiros com música bem apresentada e bem selecionada. Ela não feria os sentidos [...], era suave e realmente gratificante aos sentidos porque era harmoniosa.”
Música: Sua influência na vida do cristão
, p. 56

Note que a música que ela elogia
era
suave
e
harmoniosa
.
E quanto à música profana? É aquela
que desonra a Deus, ofende Suas criaturas e rebaixa os princípios que devem reger
a vida humana.
“A música associada ao mundo entorpece
a mente apelando à natureza carnal
e, portanto, evoca reações físicas que
minimizam a contemplação
intelectual que é necessária
para discernir e entender
preceitos espirituais.”
Eurydice Osterman,
O Que Deus Diz Sobre
a Música
, p. 13
Desse tipo de música
é melhor manter distância!
A influência da música
Música + volante –
Na pesquisa realizada
pela empresa fabricante de peças de automóveis Halfords (e publicada na
revista
Rolling Stone
),
60% dos participantes
responderam que
a música os afeta
enquanto dirigem.
A análise continuou para saber quais faixas afetavam esse comportamento e o resultado foi o seguinte: Beastie Boys (“Sabotage”) e The Prodigy (“Firestarter”) são um perigo! Dão vontade de acelerar além da conta. Foi feita também uma lista de músicas tranquilas, encabeçada por
“As Quatro Estações”, de Vivaldi, entre outras.
Música e álcool –
Músicas agitadas e com batidas fortes fazem com que as pessoas consumam mais álcool em bares e boates. Além disso, ambientes ruidosos colaboram para que as pessoas percam
o bom senso e bebam mais do que o “normal”.
É bom lembrar que pesquisas devem ser analisadas com cautela, levando-se em conta vários fatores envolvidos. Dependendo das premissas adotadas ou do viés do pesquisador, é possível relacionar
heavy metal
com inteligência, e até mesmo o crescimento de plantas com músicas do Black Sabbath ou com música clássica.
Rock’n’Roll
Em seu livro
História Social do Rock and Roll
, Paul Friendlander afirma
que o
rock
teria surgido no
meio-oeste americano,
sendo uma mistura de
country
e
rythm and blues
,
tendo se baseado também
no gospel.
Já o samba, segundo alguns estudiosos, como o antropólogo Antonio Risério (autor do livro
Lendo Música
), tem origem na música dos cultos de matriz africana e na música de diversão dos escravos, sendo que os tambores proporcionam a rítmica peculiar que pode
ser ouvida nos rituais
afro-brasileiros.
Independentemente de qual tenha sido
a origem do
rock
, uma coisa é certa:
seu uso no contexto cristão
é no mínimo contraditório.
Vejamos por quê.
Elvis Presley
(1935-1977) é conhecido
como o “rei do
rock
”. Ele era leitor de Helena Blavatsky, co-fundadora da Sociedade Teosófica, uma das fundadoras
do movimento Nova Era
e contemporânea
das irmãs Fox.
Quando Elvis cantava hinos, chorava provavelmente por saber que havia se vendido ao sucesso. Com ele, o
rock
deixa
de ser apenas música
para se tornar
uma “febre”.
Fenômeno semelhante ocorreu com os
Beatles
(1960). A banda inglesa revolucionou não apenas a música, mas o estilo de vida das pessoas.
Os músicos passaram a ser considerados
“ídolos” e seu público é chamado “fã”
(de fanático). A moda e o comportamento igualmente sofreram
a influência
desses “ídolos”.
Os Beatles também promoveram, de certa forma, uma
revolução espiritual
: estiveram no Oriente
e trouxeram de lá toda a influência do budismo, hinduísmo e Hare Krishna e a disseminaram
no Ocidente.
Para alguns, o melhor e mais influente álbum da história
do
rock
é
Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band
, de 1967.
Na capa, os Beatles homenagearam 70 celebridades históricas, como Sigmund Freud, Bob Dylan, James Dean, Marlon Brando, Oscar Wilde,
o Gordo e o Magro e líderes espirituais.
Na música tema, eles afirmam: “Hoje faz 20 anos que o Sargento Pimenta ensinou a banda a tocar.” E quem morreu 20 anos antes disso, em 1947?
Aleister Crowley
(1875-1947), o pai do satanismo moderno. Coincidência?
Crowley
dizia falar diretamente com Satanás e ter recebido dele a missão de preparar o mundo para a chegada do anticristo por meio de cinco revoluções: social, sexual, das drogas, espiritual e satanista. O
slogan
dele era: “Do what thou wilt” (“Faze o que tu queres”).
O satanista foi influenciado
por Alice Bailey (1880-1949)
e Helena Blavatsky.
Um amigo dos meus tempos de adolescente,
grande fã dos Beatles, acabou, graças a eles,
tendo contato com as ideias
de Crowley. Sabia
tudo sobre ele.
As revoluções libertárias dos anos
1960
foram em grande parte promovidas por seguidores de Crowley. Ele dizia que “qualquer um pode se tornar um gênio
da música se se entregar ao satanismo”.
“Sexo, drogas e
rock’n’roll
” é o conhecido
slogan
dessa “geração libertária”, e a frase
“o diabo é o pai do
rock
”, de
Raul Seixas
, também garantiu seu lugar na história.
Detalhe: Seixas ajudou
a divulgar a obra de
Crowley no Brasil.

Na música “Sociedade Alternativa”, ele convidava: “Faz o que tu queres, pois é tudo da lei! Da lei! Viva! Viva! Viva
a sociedade alternativa.”
Evidentemente que existem vários tipos de
rock
, desde o
heavy
ao
soft
. Mas uma coisa
é certa: “Muitos dos valores representados pela cultura do
rock
estão em flagrante contradição com os valores da adoração
e da aceitação reverente de Deus como
o eterno Criador de todos os seres vivos.”
Lilianne Doukhan,
In Tune With God
, p. 246
Sagrado
versus
profano
Levando em conta essa origem, digamos, “nebulosa” do
rock
e a flagrante contradição de boa parte dessa cultura musical com a adoração, há quem questione a adequação desse estilo musical ao louvor cristão. Passagens bíblicas são apresentadas para expor essa inadequação:
“Que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?”
2 Coríntios 6:14



“Quem não é por Mim é contra Mim; e quem comigo não ajunta espalha.”
Mateus 12:30

De minha parte, considerando-se minhas preferências musicais anteriores à minha conversão, quando ouço certas músicas ditas sacras, lembro-me do
rock
que eu “curtia”.
E isso me soa como
mistura do sagrado
com o profano.
Água e óleo.
É claro que pessoas que cresceram ouvindo “
rock
cristão” não fazem associações com uma experiência secular que não tiveram. Por isso eles não veem problemas com
o “
rock
cristão/gospel”, o que não significa que essa mistura seja apropriada.
Minha insistência no
rock
, aqui, se deve ao fato de que aparentemente é esse estilo (e assemelhados) que tem tomado conta das composições sacras nas igrejas cristãs. Espero que não cheguemos ao ponto de ter que um dia analisar o uso do
funk
carioca no louvor...
Testemunho de Ivor Myers
Ivor Myers,
Novo Ritmo:
A história de um ex-artista
de hip-hop
(CPB)

Myers nasceu na Jamaica e, ainda criança, se mudou com a família para os Estados Unidos. Mais tarde, criou uma banda de hip-hop chamada
The Boogie Monsters
. ...
Chegaram ao estrelato e assinaram
um contrato superlucrativo de oito anos
com a gravadora EMI Records.
No capítulo 10, Myers conta
a compreensão que
seu irmão Sean
(em processo de
conversão) alcançou:
“– Rapazes, ando estudando um pouco, e acho que precisamos
tirar a bateria da nossa música.

“Silêncio. Olhamos para Sean
como se ele fosse de Netuno.

“– Acho que a percussão, a maneira como a usamos, pode não estar certa. Já li que o modo como se toca a bateria pode exercer um efeito negativo sobre as pessoas. Não sei direito como,
mas acredito nisso.

“Silêncio. Olhamos fixamente para ele, tentando assimilar essa ideia bizarra.

“Finalmente, um de nós se manifestou:

“– Nada de bateria? Nada de bateria? Você está maluco? A percussão
é o sangue vital da nossa música.
Sem bateria, não mexemos
com a multidão!

[Grifo meu.]

Testemunho de Karl Tsatalbasidis
Karl Tsatalbasidis, ex-baterista de banda de
jazz
, estudou com os maiores músicos do Canadá e hoje, assim como
Myers, é cristão adventista.
Eis aqui algumas conclusões
do autor, publicadas no livro
Drums, Rock and Worship:
Modern music in today’s church
:
1.
Alguns confundem tambores e instrumentos de percussão com bateria e esse erro leva à conclusão falsa
de que, como a Bíblia menciona alguns instrumentos de percussão e tambores, então a bateria seria
aceitável na adoração.
2.
A Bíblia relata que tambores foram usados apenas em ocasiões festivas e não em cultos ou adoração. Eles foram sistematicamente excluídos do Templo e não fazem parte da música celestial descrita no Apocalipse. Além disso, é errado pensar que os instrumentos
de percussão citados na adoração bíblica poderiam ser tocados da mesma forma que a bateria é tocada hoje. [Também não significa que possamos usar a percussão como era usada no Antigo Israel. Além disso, é bom lembrar que o piano igualmente não faz parte da música celestial descrita no Apocalipse.]
3.
Existe grande diferença no modo como os tambores (bumbo, tarol, tímpano) são tocados numa orquestra e na bateria numa banda de
rock
.
4.
A bateria foi inventada para o único propósito de fortalecer o
jazz
,
blues
e todas as variedades de
rock’n’roll
. Por isso, não pode ser separada da origem do
rock
e do
jazz
.
5.
O
rock
e o
jazz
estão associados a sexo,
drogas, ocultismo e rebelião, por isso são
formas de música inadequadas para a adoração.
Bateria:
Em seu livro
Cristãos em Busca do Êxtase
, o jornalista
Vanderlei Dorneles
sustenta que “a exclusão do tambor no templo
pode
indicar que Deus não quis o instrumento na música de adoração por causa de sua influência” (p. 193).
Mais enfático é
Samuele Bacchiocchi
,
em seu livro
O Cristão e a Música Rock
,
ao afirmar que “nenhum instrumento
de percussão foi permitido no Templo.
O canto e a música
instrumental no Templo
deveriam diferir daqueles
usados na vida social
do povo” (p. 209).
(Cf. 2 Crônicas 29:25.)
E a “gospelização” do adventismo
terreno pantanoso
Dorneles cita Helen Grauman, segundo a qual a
flauta
também foi excluída da lista de instrumentos
do templo. Então
o silêncio sobre um
tópico quer dizer
a confirmação de
uma hipótese?
Talvez não.
No livro
In Tune With God
, nas páginas 113 e 114, Lilianne Doukhan diz que se alguém argumentar que os tambores têm que ser excluídos da igreja com base em práticas bíblicas do Templo hebraico, então as mulheres deveriam ser excluídas
do serviço musical da igreja (ou de
qualquer outra atividade na igreja).
Se as flautas não foram aceitas na
disposição litúrgica do Templo, não
haveria lugar para o órgão hoje,
pois este é nada mais que um “grupo
de flautas” (os tubos de um órgão
têm a função de flautas).
O
piano
, o
órgão
e o
violão
passaram por debate semelhante. Mas isso não significa que o uso desses instrumentos não deva ser alvo de estudos e motivo de oração. Além disso, é sempre bom lembrar
que, na adoração, não é o meu gosto que
deve prevalecer, do contrário, estarei
reproduzindo a atitude de Caim.
“É preciso verificar se determinada comunidade religiosa, com diferentes grupos etários e culturais, reunida num templo se sente à vontade com mudanças litúrgicas mais radicais e ‘emergentes’. Uma comunidade poderá se sentir pronta para certas mudanças e outra nem tanto. Porém, se esse debate não cessa, que ao menos fique livre de tradicionalismos obscurantistas
e inovações irrefletidas”.
Joêzer Mendonça, “Música sacra, controle religioso e fetiche cultural” (doutor em musicologia na Unesp)
“Todas as coisas são permitidas, mas nem todas são proveitosas. Todas as coisas são permitidas, mas nem todas são edificantes. Ninguém busque seu próprio bem, e sim o dos outros. [...] Não vos torneis motivo de tropeço nem para judeus, nem para gregos, nem à igreja de Deus, assim como em tudo eu também procuro agradar a todos. Pois não busco meu próprio bem, mas o de muitos, para que sejam salvos.”
1 Coríntios 10:23, 24, 33
“Deve haver um cuidado especial para não utilizar músicas que apenas agradem os sentidos, tenham ligação com o carismatismo, ou tenham predominância de ritmo.”
Voto 2005-116 (5/5/2005), da Divisão
Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia
Hiperestimulação
1965
A música ficaria fora dessa tendência?
A hiperestimulação, no que diz respeito à música, consiste em supervalorizar
o
ritmo
e o
volume
em detrimento
da
melodia
e da
harmonia
,
e no uso da interpretação
histriônica, com notas
agudas e sustentadas.
Note como Ellen White
define o bom cântico:
“O bom cântico é como a música
dos pássaros –
suave
e
melodioso
.”
Música
, p. 26

E Paulo escreveu: “Cantarei com
o
espírito
, mas também cantarei com a
mente
.”
1 Coríntios 14:15

O que a hiperestimulação faz
é justamente dificultar o pensamento racional. E viciar.
De acordo com
Norman Weinberger
,
o ritmo repetitivo sincopado e marcado aumenta os níveis de neurotransmissores (noradrenalina, serotonina e dopamina) e de adrenalina no sistema nervoso central, gerando prazer. A música com esse tipo de ritmo ativa alguns dos mesmos sistemas de recompensa estimulados por comida, sexo e drogas.
“Mente e cérebro: segredos dos sentidos”,
Scientific American Brasil
, Edição Especial nº 12, p. 53
“No estilo musical em que um
dos elementos [da música] torna-se dominante em detrimento dos outros através de uma presença monolítica, sustentada e acentuada, o princípio do equilíbrio é destruído e o efeito holístico da música que deve caracterizar nossa música
de adoração, em particular, fica perdido.”
Lilianne Doukhan,
In Tune With God
, p. 27, 28
“Satanás sabe que órgãos excitar [hiperestimular] para animar, monopolizar e atrair a mente de modo que Cristo não seja desejado. Os desejos espirituais do coração [...] ficam por esperar.”
Ellen G. White,
O Lar Adventista
, p. 407
“Se trabalharmos para criar excitação do sentimento, teremos tudo quanto queremos, e mais do que possivelmente podemos saber como manejar. [...] Devemos não considerar nossa obra criar excitação. Unicamente o Espírito de Deus pode criar um entusiasmo são.”
Ellen G. White,
Mensagens Escolhidas
, v. 2, p. 16, 17
Por isso o
Manual da Igreja
(edição 2010) aconselha: devemos “exercer grande cuidado na escolha da música no lar, nos encontros sociais, nas escolas e igrejas. Toda melodia que partilhe da natureza do
jazz
,
rock
ou formas híbridas relacionadas e toda linguagem que expresse sentimentos tolos ou triviais, serão evitadas” (p. 151).
Isso significa que a Igreja Adventista do Sétimo Dia desaprova qualquer tipo de música que faça lembrar os estilos musicais mencionados acima.
“Gospelização”
“Muitos cristãos do nosso tempo têm usado o adjetivo ‘gospel’ para ‘santificar’ atitudes, posturas, comportamentos, condutas e eventos que outrora estavam relacionados a pessoas que não conhecem o Evangelho. Parte-se da premissa de que o crente tem liberdade para fazer o que quiser e se divertir do jeito que bem entender – mesmo que imite o mundo –, e ninguém tem nada a ver com isso. ...
“Os líderes e membros das igrejas ‘gospelizadas’ se conformaram com o mundo. Seus cantores se inspiram em astros mundanos, como declarou, há algum tempo, o integrante de uma famosa banda gospel:
‘A gente ouve Bob Marley, mas só para
se informar.’ A tônica das mensagens ‘evangelísticas’ pregadas nessas igrejas é: ‘Venha como está e fique como quiser.’”
Ciro Sanches Zibordi é pastor
da Assembleia de Deus
Bíblia não fala de
rock
, nem poderia, é óbvio. Ela também não fala sobre sexo virtual, maconha, baladas e MMA. Mas, para quem a conhece bem e a estuda constantemente, seus princípios gerais são suficientes para mostrar que certos estilos de vida, modismos e comportamentos não são apropriados para quem quer manter
a mente pura e a comunhão com Deus.
Questão cultural, apenas?
Se tudo se trata de uma “questão cultural”,
o que determina a adoção de algo é apenas sua aceitação geral e o gosto do “freguês”. E basta que não haja uma proibição explícita na Bíblia para que o uso seja “sacralizado”.
“Se encararmos a adoração como um reconhecimento do caráter amoroso de Deus e uma homenagem sincera a Seus atributos, seremos levados a reconhecer que a adoração tem de agradar-Lhe. É dever do adorador apresentar algo agradável ao ser adorado.”
Daniel Plenc, “O culto como adoração: uma perspectiva de Ellen White” (
Dialogue
, 20[2], 15, 16)
“O que faz uma música sagrada é a sua mensagem [letra]. A música não é nada mais do que um arranjo de notas e ritmo. […] Não existe música cristã, mas, sim, letras cristãs. Se fosse tocada uma música sem palavras, você não saberia se é cristã ou não.”
Rick Waren,
Uma Igreja com Propósito
, p. 272, 273
“Quando Ellen White comenta os efeitos danosos que a ‘música popular’ de seus dias causava sobre os jovens, desviando-lhes ‘a mente da verdade’ [
Testemunhos
, v. 1, p. 496, 497], temos que entender sua orientação dentro de uma ‘época em que o
jazz
começava a se generalizar’. Daí se pode constatar que Ellen White era uma crítica social, não alguém que recomendasse
o uso indiscriminado de influências culturais com objetivos evangelísticos.”
Douglas Reis,
Explosão Y: Adventismo, pós-modernidade
e gerações emergentes
Conselhos inspirados
“Como parte do culto, o canto é um ato de adoração tanto como a oração.”
Ellen White,
Música
, p. 11
Conselhos inspirados
“Às vezes é mais difícil disciplinar os cantores e fazê-los atuar de forma adequada, do que desenvolver hábitos de oração e exortação. Muitos querem fazer as coisas
à sua maneira. Não concordam com as regras, e ficam impacientes sob a liderança de alguém.”
Ibidem, p. 25

“Deus não Se agrada de barulho
e desarmonia.”
Ibidem, p. 32

“A música, quando bem utilizada, é uma grande bênção, mas, quando mal-usada, uma terrível maldição.”
Ibidem, p. 48
Dividir para conquistar
“Quando nossa discussão sobre esses temas nos desvia de focalizar nossa atenção em Deus, esteja certo de que o inimigo plantou sua semente de discórdia com sucesso de modo que ele pode dividir e conquistar, e, afinal, conduzir seus cativos à perdição.”
Eurydice Osterman,
O Que Deus
Diz Sobre a Música
, p. 24
Adoração
“Quando todos os povos ouviram o som da trombeta, do pífaro, da harpa, da cítara,
do saltério e de toda sorte de música, se prostraram os povos, as nações e homens
de todas as línguas
e adoraram a imagem
de ouro.”
Daniel 3:7
Apenas três jovens hebreus leais a Deus não se deixaram envolver pelas músicas e pelo clima do culto pagão.
A história deixa claro que Satanás aceita
e promove “toda sorte de música” e a usa com objetivos espúrios, a fim de escravizar as pessoas e afastá-las do Criador e do verdadeiro “culto racional” (Romanos 12:1). Entretanto, Deus aceita somente a adoração e o louvor conscientes de Seus filhos fiéis.
Devemos sempre escolher com critérios as músicas que vamos permitir influenciar nossa mente e louvar com reverência e alegria
o Deus que nos criou e redimiu. Louvar
do melhor modo que pudermos,
sem nos esquecer de
que o louvor pode
e deve ser aprimorado
sempre:
Busque a capacitação – especialmente aquela que vem do Alto.
“Quenanias, chefe dos levitas, estava encarregado dos cânticos e os dirigia, porque era capacitado.”
1 Crônicas 15:22
Uma breve história do
“Frequentemente, pelas palavras de um canto sagrado, são liberadas as fontes do arrependimento e da fé.”
Ibidem, p. 12
“Não é o cantar forte que é necessário, mas a entonação clara, a pronúncia correta e a expressão vocal distinta. [...] Que o louvor a Deus seja entoado em tons claros e suaves, sem estridências
que ofendam o ouvido.”
Ibidem, p. 24
Floreios e contorcionismos vocais
“Tenho ouvido em algumas de nossas igrejas solos completamente inadequados ao culto
na casa do Senhor. As notas prolongadas e os floreios, comuns nas óperas, não agradam aos anjos. Eles se deleitam em ouvir os
simples cânticos de louvor entoados em tom natural
. Unem-se a nós nos cânticos em que
cada palavra é pronunciada claramente
, em tom harmonioso. Eles combinam o coro, entoado
de coração, com o
espírito
e o
entendimento
.”
Ellen G. White,
Evangelismo
, p. 510
Por que será que os anjos não se agradam das “notas prolongadas” e dos “floreios comuns nas óperas”, quando usados na igreja? A expressão a seguir, sua definição e aplicação é um forte auxílio para que compreendamos os motivos para a orientação recebida do Céu, segundo Aurélio Ludvig, professor de Educação Musical no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam):
Ad libitum
.
Essa expressão aparece na partitura de algumas óperas e outras formas musicais. Refere-se principalmente às partes dos solistas, nas quais eles têm liberdade de interpretação, a parte da contagem rítmica. As notas musicais (sons definidos, com nome e altura) podem ser identificadas nesse tipo de recurso vocal, a coloratura. Em geral, isso faz com que o solista seja exaltado pela plateia porque ele pode mostrar ali todo o seu virtuosismo. Traduzindo:
show
.
O louvor dos anjos passa longe disso: “Os serafins ao redor do trono acham-se tão cheios de solene reverência ao contemplar a glória de Deus, que nem por um instante se olham a si mesmos com admiração. Seu louvor é para o Senhor dos Exércitos. Ao contemplarem o futuro, quando
toda a Terra será cheia de Sua glória, o triunfante cântico ecoa de um a outro em melodioso acento: ‘Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos’ (Isaías 6:3). Acham-se plenamente satisfeitos de glorificar a Deus; permanecendo em Sua presença, sob Seu sorriso de aprovação, nada mais desejam.”
Ellen White,
Obreiros Evangélicos
, p. 21
Para Ludvig, o
Ad libitum
se assemelha ao famoso
melisma
. “Nesse recurso, não há a possibilidade de identificação das notas musicais. Muitas vezes, as pessoas não conseguem alcançar notas mais agudas, por isso fazem uma pequena curvatura nelas, até as definirem. Mas se não alcançam, por que não experimentam cantar aquelas músicas que sabem que não precisarão de um ‘jeitinho’? Se cada palavra deve ser pronunciada claramente, em tom harmonioso, para que serve o melisma?”
É claro que a música judaica, por exemplo, é cheia de melismas. O canto gregoriano é também um canto melismático. No contexto da adoração cristã, o que se recomenda é que
não se exagere nesse recurso
e que ele não seja transformado em exibição vocal ou maneirismo chato e abusivo. Quando o melisma é mais virtuosístico, serve para demonstrar o potencial do cantor, que alcança agudos e graves com igual precisão.
Aí temos de novo o
show
, não louvor.
Por que mudei de “estação”?
“Anjos estão observando uma casa distante. Jovens se reúnem ali. Há som de música vocal e instrumental. Cristãos estão reunidos, mas o que se ouve? É uma canção, uma música leviana, própria para o salão de dança. Veja, os puros anjos recolhem a luz para si, e as trevas envolvem os que estão naquela casa. Os anjos se afastam da cena. Estão tristes.”
Ellen G. White,
Mensagens aos Jovens
, p. 295
Exemplo de relativismo
Full transcript