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Datilografia

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by

Estela Beatriz Santos

on 1 December 2015

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Transcript of Datilografia

Datilografia
Álvaro de Campos

Índice
Análise Interna
Análise do título
Análise do poema
Sujeito poético
Recursos expressivos
Análise Externa
Constituição do poema
Tipo de rima
Escanção
Vida do autor
Traço, sozinho, no meu cubículo de engenheiro, o plano, ​
Firmo o projeto, aqui isolado, ​
Remoto até de quem eu sou. ​
Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro, ​
O tique-taque estalado das máquinas de escrever. ​
Que náusea da vida! ​
Que abjeção esta regularidade! ​
Que sono este ser assim! ​
Outrora, quando fui outro, eram castelos e cavaleiros ​
(Ilustrações, talvez, de qualquer livro de infância), ​
Outrora, quando fui verdadeiro ao meu sonho, ​
Eram grandes paisagens do Norte, explícitas de neve, ​
Eram grandes palmares do Sul, opulentos de verdes.​

Outrora. ​
Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro, ​
O tique-taque estalado das máquinas de escrever. ​
Temos todos duas vidas: ​
A verdadeira, que é a que sonhamos na infância, ​
E que continuamos sonhando, adultos, num substrato de névoa; ​
A falsa, que é a que vivemos em convivência com outros, 
Que é a prática, a útil, ​
Aquela em que acabam por nos meter num caixão. ​
Na outra não há caixões, nem mortes, ​
Há só ilustrações de infância: ​
Grandes livros coloridos, para ver mas não ler; ​
Grandes páginas de cores para recordar mais tarde.

Na outra somos nós, ​
Na outra vivemos; ​
Nesta morremos, que é o que viver quer dizer; ​
Neste momento, pela náusea, vivo na outra... ​
Mas ao lado, acompanhamento banalmente sinistro, ​
Ergue a voz o tique-taque estalado das máquinas de escrever.​
Vida do autor
Análise do título
Datilografia

(DATILO + -GRAFIA)

Arte de escrever à máquina

Análise do poema
Sujeito poético
Recursos expressivos
Este poema foi escrito para salientar que o sujeito poético encontra-se no seu gabinete de engenheiro (“
no meu cubículo de engenheiro
”) onde exprime a náusea, (
Que náusea da vida!
) o tédio, as sensações que o envolvem, neste caso a monotonia agressiva do “
tique-taque
” das máquinas de escrever. (“
O tique-taque estalado das máquinas de escrever.
” ) Este cansaço do presente fá-lo querer regressar ao tempo da sua infância, (“s
onhamos na infância
”) da sua felicidade inconsciente, mas o ruído do presente interpõe-se, deixando-o sem desespero.​

Nasceu em Tavira a 15 de Outubro de 1890 (às 13:30);
Teve uma educação vulgar de liceu;
Foi para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval (Glasgow);
Numas férias fez uma viagem ao Oriente de onde resultou o “Opiário”;
Um tio beirão que era padre ensinou-lhe Latim;
Inactivo em Lisboa;
Banalmente
: vulgaridade quotidiana
O tique-taque acorda o sujeito poético para a reflexão depois de ele se ter refugiado na lembrança do passado. Este mesmo tique-taque acaba por se impôr a qualquer memória ou reflexão do sujeito poético.
Relação direta do poema com a biografia de Álvaro de Campos:
o sujeito poético que se sente sozinho no seu cubículo com o seu tédio, cansado da banalidade do seu quotidiano que lhe é insuportável. O tique-taque das máquinas de escrever faz advinhas a presença dos outros a que ele é alheio “Remoto até de quem eu sou”, sente-se a viver uma vida falsa e então refugia-se no sonho".

Outrora:
palavra mágica que abre portas à memória da infância, uma espécie de “era uma vez…” em que o sujeito poético se refugia para fugir ao tédio insuportável do presente, pois nesse passado perdido, ele era outro, era verdadeiro na coincidência entre o sonho e a vida.
“Temos todos duas vidas”
- verso que inicia a reflexão do sujeito poético, segundo qual a vida verdadeira é do passado/ a do sonho/ aquela em que existe apenas a felicidade imaginária; pelo contrário a vida que vivemos na realidade é banal e quotidiana e o sujeito poético vive no seu presente de engenheiro e considera esta vida falsa.
A vida que o eu poético considerava real era traduzida pelo campo lexical –
sonho
, enquanto a vida considerada falsa é traduzida pelo campo lexical-
morte
.

A solidão e o isolamento
- "Traço, sozinho, no meu cubículo de engenheiro, o plano, / (...) Remoto até de quem eu sou"; ​
A monotonia e a náusea existenciais
- "Que náusea da vida! / Que abjecção esta regularidade!";​
A referência às duas vidas
- "Temos todos duas vidas"; ​
A vida verdadeira, a da felicidade possível e sonhada
- "A verdadeira, que é a que sonhámos na infância, / (...) Há só ilustrações de infância: / Grandes livros coloridos, (...) / Grandes páginas de cores para recordar mais tarde." - e a vida falsa, a do sofrimento e da morte - "A falsa, que é a que vivemos em convivência com outros, / (...) Aquela em que acabam por nos meter num caixão"; ​


As relações entre realidade/ sonho, passado/ presente, vida verdadeira/ vida falsa.​
"O que há em mim é sobretudo cansaço" - Campos exprime, de um modo repetitivo, a sua incapacidade de ultrapassar o cansaço que o domina. Sublinhe-se:​
A incapacidade inicial de determinar a origem do cansaço
- "Não disto nem daquilo, / Nem sequer de tudo ou de nada"; ​
A constatação de que a origem do cansaço é múltipla
- 2.ª estrofe.​
A oposição entre o "eu" e os outros
- 3.ª estrofe.​
A aceitação da infelicidade e do cansaço
- "E o resultado? / (...) Para mim só um grande, um profundo, / E, ah com que felicidade infecundo, cansaço".
Constituição do poema
O poema é constituído por 32 versos e 3 estrofes.
A primeira e a segunda estrofe é livre (13 versos) a terceira estrofe é uma sextilha (6 versos).
Este poema não pertence a nenhum esquema rimático.

Anáfora:
"Que náusea da vida! / Que abjeção esta regularidade! / Que sono este ser assim!";
"Outrora, quando fui outro, eram castelos e cavaleiros / [...] / Outrora, quando fui verdadeiro ao meu sonho,";
"Eram grandes paisagens do Norte, explícitas de neve, / Eram grandes palmares do Sul, opulentos de verdes.";
"Na outra somos nós, / Na outra vivemos;".
Antítese:
"A verdadeira, que é a que sonhamos na infância, / [...] / A falsa, que é a que vivemos em convivência com outros,";
Aliteração:
"Eram grandes palmares do Sul, opulentos de verdes."
Eufemismo
"
Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro, ​".
Tra / ço, / so / zi / nho, / no / meu / cu/ bí /cu / lo /de / en / ge/ nhei / ro, o / pla / (no), ​
Firmo o projeto, aqui isolado, ​
Remoto até de quem eu sou. ​
Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro, ​
O tique-taque estalado das máquinas de escrever. ​
Que náusea da vida! ​
Que abjeção esta regularidade! ​
Que sono este ser assim! ​
Outrora, quando fui outro, eram castelos e cavaleiros ​
(Ilustrações, talvez, de qualquer livro de infância), ​
Outrora, quando fui verdadeiro ao meu sonho, ​
Eram grandes paisagens do Norte, explícitas de neve, ​
Eram grandes palmares do Sul, opulentos de verdes.​

Outrora. ​
Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro, ​
O tique-taque estalado das máquinas de escrever. ​
Temos todos duas vidas: ​
A verdadeira, que é a que sonhamos na infância, ​
E que continuamos sonhando, adultos, num substrato de névoa; ​
A falsa, que é a que vivemos em convivência com outros, 
Que é a prática, a útil, ​
Aquela em que acabam por nos meter num caixão. ​
Na outra não há caixões, nem mortes, ​
Há só ilustrações de infância: ​
Grandes livros coloridos, para ver mas não ler; ​
Grandes páginas de cores para recordar mais tarde.

Na outra somos nós, ​
Na outra vivemos; ​
Nesta morremos, que é o que viver quer dizer; ​
Neste momento, pela náusea, vivo na outra... ​
Mas ao lado, acompanhamento banalmente sinistro, ​
Ergue a voz o tique-taque estalado das máquinas de escrever.​
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