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Libertação e Hegemonia

Seminário de Pós graduação para a disciplina de Paulo Freire - FEUSP
by

Osvaldo de Souza

on 18 October 2012

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Transcript of Libertação e Hegemonia

Libertação e
Hegemonia em Gramsci;
Paulo Freire;
Memmi e
Semeraro. Contextualização Memmi Freire Semeraro Gramsci MEMMI, Albert. Retrato do Colonizado precedido pelo retrato do colonizador. Tradução de Roland Corbusier e Mariza Pinto Coelho, 2ª edição. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1977. Diálogos entre Paulo Freire e Albert Memmi, a partir do Pedagogia do Oprimido (1968) Libertação e Hegemonia I.Libertação (1960-1970) o grito contra as versões de “Casa Grande e Senzala” rompendo com o passado colonial II.Hegemonia (1980-1990)catarse da libertação :o ponto de partida para a Filosofia da Práxis e a conquista da autonomia “um livro que nos fala do colonialismo, isto é, de uma realidade, de uma situação humana, de um fenômeno histórico que, longe de ter desaparecido, permanece, sofrendo apenas superficiais metamorfoses”? Como escreve Memmi: “em plena revolta, o colonizado continua a pensar como o colonizador e a colonização e, portanto, em relação a ambos”. “A experiência biográfica interpretada e iluminada por uma ideologia revolucionária, converte a peripécia individual em instrumento de pesquisa e de conhecimento sociológico, pois, se ‘as dilacerações da alma’ são ‘puras interiorizações dos conflitos sociais’- como diz Sartre – ‘é possível esclarecer os outros falando de si mesmo’”. Reconstruir a Dialética do processo colonial/categorias de análise para apreender e interpretar adequadamente o colonialismo?
A nosso ver, a apreensão do que há de essencial nesse fenômeno, nesse processo histórico, requer o emprego das categorias de totalidade, contradição, alienação e dialética.
O primeiro pressuposto, portanto, que devemos admitir, é o de que a situação colonial é um fenômeno social global. (...) Totalidade orgânica, contexto das regiões colonizadas. (...)Essa totalidade é constituída por interesses antagônicos e inconciliáveis, contraditórios, portanto. (...) Convencido da superioridade do colonizador e por ele fascinado, o colonizado, além de submeter-se, faz do colonizador seu modelo, procura imitá-lo, coincidir, identificar-se com ele, deixar-se por ele assimilar. É o momento que poderíamos chamar de alienação. Ocupado, invadido (...) O colonizado se perde no outro se aliena. Tentará, pois, de acordo com a lógica desse movimento, levar a alienação às últimas consequências, tornando-se ele próprio um colonialista, casando-se entre os representantes da metrópole, por exemplo. “A ideologia do colonialismo, tentativa de justificação, a posteriori, em termos racionais, do domínio e da espoliação a que submete o povo conquistado. “Admitindo essa ideologia – escreve Memmi- as classes dominadas (ou os povos) confirmam, de certo modo, o papel que lhes foi atribuído .O que explica, também, a relativa estabilidade das sociedades, nas quais a opressão é, bem ou mal, tolerada pelos próprios oprimidos”. Assimilação e Totalidade:
“Em que êxito aparente de algumas tentativas de assimilação alteraria a situação como totalidade?”
Mesmo essas tentativas individuais nunca são plenamente bem sucedidas, pela simples razão de que o colonizador é francês e o colonizado árabe, e o árabe jamais poderá deixar de ser o que é, quer dizer árabe, para tornar-se o que não é, quer dizer francês. O “convertido” ou “assimilado” sofrem um processo que se poderia chamar de pseudomorfose, isto é, de aquisição de uma falsa nova forma que não exprime nem representa adequadamente o antigo conteúdo. O colonizador, enquanto tal é, pois, necessariamente conservador, quer dizer, não pode deixar de querer a conservação do estatuto colonial de que é único beneficiário, o colonizador, que pode ter sido democrata ou socialista na metrópole, está sempre exposto à tentação fascista, pois – como observa Memmi – para que ‘possa subsistir como colonizador, é necessário que a metrópole permaneça eternamente uma metrópole’”. (...) que essa totalidade parcial, esse ‘mundo’, que é a colônia além de incluir as contradições internas que a caracterizam, situa-se ou insere-se em uma totalidade maior, que é o mundo, por sua vez também contraditório. A observação é importante, embora nada nos revele de novo, porque essas contradições mundiais , como veremos, afetando a colônia poderão criar as condições que permitam a eclosão das suas contradições internas. ”(...) a totalidade , em que a situação colonial consiste, além de contraditória, é um todo em movimento, cujo processo, por isso mesmo que é contraditório, só pode ser apreendido e compreendido dialeticamente.” (...) instalado em insanável ambiguidade, perde a confiança dos colonizadores que lhe permitam conquistar a confiança do colonizado (...) um suspeito, que, por isso mesmo, jamais poderá ser um dos seus líderes. Que pretende afinal? Ser colonizador e negar, ao mesmo tempo, a colonização? Como se vê, a posição é contraditória e insustentável. (...) Em que termos poderia estabelecer a convivência de colonizadores e de colonizados no complexo colonial.
1. A princípio o conformismo, a aceitação passiva a tentativa de coincidência com o grupo colonizador, a alienação.
2. Em seguida, a tomada da consciência da impossibilidade, do malogro da assimilação. Sob a pressão das contradições externas, a emergência das contradições internas, tanto objetivas como subjetivas, e a ruptura com a fase anterior, de inconsciência e submissão.
(...) a luta das classes oprimidas, dos povos oprimidos, acaba penetrando a consciência das populações colonizadas.
(...)as contradições objetivas existiam, sem duvida , e a muito empo, pois são a própria condição de existência do fato colonial, e no entanto, permaneciam latentes, em equilíbrio, sem funcionar, sem operar como fator de transformação da estrutura social. O colonizador não permite nem a assimilação, nem a transformação pacífica da colônia, mediante a participação dos colonizados na gestão do próprio destino. O colonizador representa a negação do colonizado e vice-versa, o colonizado representa a negação do colonizador. Os termos da antítese, ou da contradição não podem ser absorvidos e superados em uma síntese superior pela simples razão de que, ao mesmo tempo, se implicam e excluem reciprocamente, quer dizer, a negação de um acarretando necessariamente a negação do outro.
“o esmagamento do colonizado está incluído entre os valores do colonialismo” e o colonizador (...) sonha com o extermínio total do colonizado. (...) Destruindo sua antítese, polo oposto dessa relação dialética em que o processo colonial consiste, o colonizador destruiria, ao mesmo tempo (...) sua posição de domínio e de espoliação, pois teria negado e feito desaparecer o objeto desse domínio. A partir do momento em que, por força das contradições internas e externas, tanto no plano objetivo, real, quanto no plano subjetivo, da consciência, as populações colonizadas despertam, (...) a partir desse momento a totalidade contraditória, que é o mundo colonial, é arrancada da estagnação e colocada em movimento.
“A mesma paixão que o fazia admirar e absorver a Europa – escreve Memmi- o fará afirmar suas diferenças: uma vez que essas diferenças o constituem, constituem propriamente sua essência”.
No processo dialético da emancipação, no entanto, esse momento é necessário, pois torna possível o momento seguinte, em que da negação da negação, se passa à plena positividade da afirmação se si. Concepção de “colonizadores” e “colonizados” e de “opressores” e “oprimidos”.

Relação de dominação e de medo:
“O medo da liberdade, de que se fazem objetos os oprimidos, que tanto pode conduzi-los a pretender ser também opressores quanto pode mantê-los atados ao status de oprimidos” (p.36).

Consciência colonizada:
“É interessante observar como Memmi (...) refere-se à repulsa do colonizado em relação ao colonizador mesclada de apaixonada atração por ele” (p.56).
“A autodesvalia é outra característica dos oprimidos. Resulta da introjeção que fazem eles da visão que deles têm os opressores” (p.56).
“De tanto ouvirem que são incapazes, que não sabem nada, que são enfermos, indolentes (...) terminam por se convencer da sua incapacidade” (p.56). Libertação

Ato de expulsar o opressor de dentro do oprimido;
A adaptação à situação de opressão mantém os opressores em paz enquanto os oprimidos estiverem adequados ao sistema e preocupados se começarem a surgir questionamentos;
Quanto mais as minorias prescrevem as finalidades de vida às maiorias, mais prescreverão;
A educação é um momento fundamental no processo de libertação para a postura de autonomia dos envolvidos:
“pretender a libertação sem a sua reflexão nesse ato é transformar os oprimidos em objetos que se devesse salvar de um incêndio” (p.59).
O risco maior na luta política é cair na sloganização, nos depósitos, no dirigismo inautêntico, enquanto a consciência não é algo “em si”, mas “caminho para”. Críticas ao “colonizador de boa vontade” e aos “sectários de esquerda”

Dilema: reproduzir os preconceitos do colonialista e do sectário de direita;
Implicações: Considerar o oprimido ser inferior, passivo, não digno de auto representar-se ou de falar/agir por si, reproduzir a “invasão cultural”;
Segundo Freire, a própria esquerda é sectária quando concebe a:
“consciência como se fosse alguma seção ‘dentro’ dos homens, mecanicistamente compartimentada, passivamente aberta ao mundo que irá ‘enchendo’ de realidade” (p.72).
Em Memmi, nas lutas de libertação do colonizado,
“o colonizador de esquerda em vão se esforçava, certos atos (políticos, como o terrorismo) lhes pareceram incompreensíveis, escandalosos e politicamente absurdos” (p.42). Afinidades eletivas entre Freire e Gramsci: a criação de hegemonia; as críticas ao “centralismo democrático” e ao dirigismo; a valorização do aspecto cultural na luta política; as imbricações entre educação e política Hegemonia

A Pedagogia do Oprimido deve ser realizada antes da revolução – por trabalhos educativos – desvelamento do mundo; expulsão de mitos criados na esfera opressora.
“(...) reconhecerem-se limitados pela situação concreta de opressão, de que o falso sujeito, o falso ‘ser para si’ é o opressor, não significa ainda a sua libertação. (...) Somente superam a contradição em que se acham quando se o ‘reconhecerem-se oprimidos’ os engajarem na luta por libertarem-se” (p.39).
“Aprofundando a tomada de consciência da situação, os homens se apropriam dela como realidade histórica, capaz de ser transformada por eles” (p.85).
“O fatalismo cede então lugar ao ímpeto de transformação e de busca de que os homens se sentem sujeitos” (p.85).
“Seria uma violência, e de fato é, que os homens, seres históricos e necessariamente inseridos num movimento de busca com outros homens, não fossem o sujeito de seu próprio movimento” (p.85/86). Cautela no uso de modelos de revolução – centralismo, dirigismo, vanguardismo, dicotomias.

“A ação só é humana quando, mais que um puro fazer, é um quefazer, isto é, quando também não se dicotomiza da reflexão. Esta, necessária à ação, está implícita na exigência que faz Lukács da ‘explicação às massas de sua própria ação’ (...). Para nós, contudo, a questão não está propriamente em explicar às massas, mas em dialogar com elas sobre sua ação” (p.44).
“No momento em que o novo poder se enrijece em ‘burocracia’ dominadora, se perde a dimensão humanista da luta e já não se pode falar em libertação” (p.49).
“(o pensar crítico) é um pensar que, não aceitando a dicotomia mundo-homens, reconhece entre eles uma inquebrantável solidariedade. Este é um pensar que percebe a realidade como processo, que a capta em constante devenir e não como algo estático. Não se dicotomiza a si mesmo na ação. ‘Banha-se’ permanentemente de temporalidade cujos riscos não teme” (p.95) Educação, cultura e política – a construção da hegemonia e dos intelectuais orgânicos.

Nenhuma realidade transforma-se a si mesma. Precisa-se de pessoas. “Os oprimidos hão de ser o exemplo para si mesmo na luta por sua redenção” (p.45). Educação como momento da luta – conscientização como processo de aprendizagem e não um “plug”.
J.P. Sartre: A educação não deve ser digestiva – como se o saber fosse um alimento a ser ingerido pelos educandos famintos (p.72).
Não podemos entregar o conhecimento ao camponês/operário – “levar-lhes uma mensagem salvadora” (p.99).
Educação e política – dialogo, troca
Terceira tese sobre Feuerbach, Marx - O próprio educador precisa ser educado. O educador crítico, problematizador desvela nos oprimidos os intelectuais orgânicos, sujeitos de sua libertação a partir da proposição de situações-problema retiradas da sua realidade; o educador tem que ser desafiador, propositor, interferidor no seu trabalho.
A educação e a cultura são momentos da tomada de consciência em processo da humanidade nos oprimidos para eles próprios atuarem na sua luta. A pura identificação com líderes gera falsa participação:
“Por essa participação simbólica na vida de outra pessoa, o homem tem a ilusão de que atua, quando em realidade, não faz mais que se submeter aos que atuam e converter-se em parte deles” – Eric Fromm (p.75). Fechamento (capitulo 8) Intelectual Orgânico Construção da Hegemonia Pg. 59
Pg. 71

Teoria da dependencia? Pg. 80

Inimigo principal e inimigo imediato – pg. 83 Afirmação das resistências:
Libertação  Revolução No Brasil:
Efervescência pré 64
Golpe desmantelou muitos grupo e organizações.
Pós 64 – Gritos de libertação não apenas contra a ditadura, mas contra “todas as versões de Casa Grande e Senzala pelas sucessivas invasões e formas de dominação” (SEMERARO, 2007) Movimentos Sociais “Só quando os oprimidos descobrem nitidamente o opressor e se engajam na luta organizada para a própria libertação, começam a crer em si mesmos, superando assim a própria “conivência” com o regime opressor.” (Freire, 1970) Conscientização Mudança na configuração geopolítica. EUA considerando a AL como quintal de casa e apoio aos golpes militares:

Equador 1961
Peru 1962
Guatemala 1963
República Dominicana 1963
Bolívia 1964
Brasil 1964
Uruguai 1968
Chile 1973
Argentina 1976 Processo histórico recente da América Latina “As reflexções anteriores nos levam a considerar que mais do que o “operário” e o “proletário” – arregimentados pelas fábricas e pelas cidades industrializadas dos países centrais – o conceito de Oprimido, ressignificado na América Latina pelas teorias da dependência e da libertação, evoca a toda a carga de desumanização e de alienação provocadas pela selvageria do capitalismo nas colônias.”

“(…) Existe portanto, uma distância entre determinados conceitos cronstruídos nos “países centrais” e os que se elaboram no hemisfério Sul. O que acontece na AL não é simplesmente uma reprodução ou uma paródia dos modelos estabelecidos na Europa” (LANDER, 1991)

“Para mudar o presente é preciso resgatar o passado.”
(Semerado, 2009 – pg. 22) O Conceito de classes na América Latina “Não se trata da escravidão indireta, a escravidão do proletariado; trata-se da escravidão direta, (…). A escravidão direta é o sustentáculo do nosso atual industrialismo (…). É a escravidão que conferiu valor às colônias que têm criado o comércio mundial, e o comércio mundial é a condição necessária da grande industria mecanizada.”
(Marx, 1846 – pg. 599) O Conceito de classes na América Latina Fazer uma breve apresentação do conceito tradicional de classes sociais.

(talvez colocar que é um jogo/disputa de interesses, muito claro. Não se trata de ter pessoas que estão em duas classes ao mesmo tempo. Tal como a ideia de que “todos temos oprimidos e opressores dentro de nós”) O Conceito clássico de Classes Realizar a América Latina pelos movimentos populares

Giovanni Semeraro Libertação e Hegemonia “Torna-se, portanto, inevitável a ruptura. Não necessariamente por meio da violência, da negação absoluta do mundo existente, mas pela crítica, pela educação e pela construção de uma sociedade alternativa, em conflito com os antagônicos e em diálogo com os diferentes pontos de vista.” (Semeraro, 2009 – pg. 87)
Contudo eu (osvaldo) imagino que em alguns casos seja difícil diferenciar os antagônicos de alguns “diferentes pontos de vista”. Afirmação das resistências:
Libertação  Revolução Significado diferente do ego cogito, do EU entendido como consciência individual (Descartes), da Razão transcendental (Kant), do Sujeito absoluto (Fichte) ou do Espírito Absoluto (Hegel), ou seja, diferente do “dentro de si”. Na AL, conscientização trata-se de dar-se conta de ser subjulgado e organizar-se politicamente para se libertar do colonialismo.
Politização da consciência
Sujeitos históricos Conscientização na América Latina Dados PNUD:

20% da população concentra 80% da renda mundial.
0,2% da população mundial concentra 50% da riqueza.
80.10^6 de famintos em 1960 - 950.10^6 hoje.

Banco Mundial:

54,7% da humanidade vivem em condições de extrema pobreza.
Na AL 300 milhões vivem nestas condições.

Semerado, 2009 - Pg. 38 Processo histórico recente da América Latina Expressa a experiência dos oprimidos deste continente com a bagagem histórica de 500 anos de exploração.
Sistema colonial & Formação da sociedade capitalista. Exploração das principais fontes de riqueza: terra e trabalhador.
(Semerado, 2009 – pg. 20)
(Marx, 1998 – pg. 360-361) O Conceito de classes na América Latina Para nós (do Sul) é preciso menos Nortear e mais Sulear.
Significa ter um olhar crítico da história e perceber que a posição que ocupam hoje todos os países do hemisfério Sul não é uma mera contingência do destino ou incompetência destes países e sim obra de toda a exploração sofrida nos últimos 500 anos (primeiro pelos países ibérios, depois por boa parte da Europa e em seguida, como quintal dos EUA). Nas Américas (principalmente Central e do Sul) tivemos a exploração de riquezas, de terras, de pessoas, de culturas, de tradições, etc. (SEMERARO, 2009). Na África a exploração de pessoas, famílias inteiras destruídas, vilas e povos inteiros dilacerados. Do Leste-Oeste para o Norte-Sul El Sur – Joaquin T. Garcia Ligação entre o Leste-Oeste de Gramsci e o norte-Sul atual. Do Leste-Oeste para o Norte-Sul Construção da Hegemonia Fechamento (capitulo 8) Foco na postura ativa, atuante; na atitude audaciosa pela qual os movimentos populares assumem seu papel de sujeitos da história.

“(...)narrar sinteticamente a parábola da Am. Latina, que da condição de colonialidade busca a própria libertação, constrói a sua identidade e se apresenta ao mundo com um ambicioso projeto alternativo de sociedade” (p11) Afirmação das resistências: ambição geral do livro Significado diferente do ego cogito, do EU entendido como consciência individual (Descartes), da Razão transcendental (Kant), do Sujeito absoluto (Fichte) ou do Espírito Absoluto (Hegel), ou seja, diferente do “dentro de si”. Na AL, conscientização trata-se de dar-se conta de ser subjulgado e organizar-se politicamente para se libertar do colonialismo.

Politização da consciência

Sujeitos históricos Conscientização na América Latina “Só quando os oprimidos descobrem nitidamente o opressor e se engajam na luta organizada para a própria libertação, começam a crer em si mesmos, superando assim a própria “conivência” com o regime opressor.” (Freire, 1970) Conscientização “As reflexções anteriores nos levam a considerar que mais do que o “operário” e o “proletário” – arregimentados pelas fábricas e pelas cidades industrializadas dos países centrais – o conceito de Oprimido, ressignificado na América Latina pelas teorias da dependência e da libertação, evoca a toda a carga de desumanização e de alienação provocadas pela selvageria do capitalismo nas colônias.”

“(…) Existe portanto, uma distância entre determinados conceitos cronstruídos nos “países centrais” e os que se elaboram no hemisfério Sul. O que acontece na AL não é simplesmente uma reprodução ou uma paródia dos modelos estabelecidos na Europa” (LANDER, 1991)

“Para mudar o presente é preciso resgatar o passado.”
(Semerado, 2009 – pg. 22) O Conceito de classes na América Latina “Não se trata da escravidão indireta, a escravidão do proletariado; trata-se da escravidão direta, (…). A escravidão direta é o sustentáculo do nosso atual industrialismo (…). É a escravidão que conferiu valor às colônias que têm criado o comércio mundial, e o comércio mundial é a condição necessária da grande industria mecanizada.”
(Marx, 1846 – pg. 599) O Conceito de classes na América Latina Fazer uma breve apresentação do conceito tradicional de classes sociais.

(talvez colocar que é um jogo/disputa de interesses, muito claro. Não se trata de ter pessoas que estão em duas classes ao mesmo tempo. Tal como a ideia de que “todos temos oprimidos e opressores dentro de nós”) O Conceito clássico de Classes Para nós (do Sul) é preciso menos Nortear e mais Sulear.
Significa ter um olhar crítico da história e perceber que a posição que ocupam hoje todos os países do hemisfério Sul não é uma mera contingência do destino ou incompetência destes países e sim obra de toda a exploração sofrida nos últimos 500 anos (primeiro pelos países ibérios, depois por boa parte da Europa e em seguida, como quintal dos EUA). Nas Américas (principalmente Central e do Sul) tivemos a exploração de riquezas, de terras, de pessoas, de culturas, de tradições, etc. (SEMERARO, 2009). Na África a exploração de pessoas, famílias inteiras destruídas, vilas e povos inteiros dilacerados. Do Leste-Oeste para o Norte-Sul “Torna-se, portanto, inevitável a ruptura. Não necessariamente por meio da violência, da negação absoluta do mundo existente, mas pela crítica, pela educação e pela construção de uma sociedade alternativa, em conflito com os antagônicos e em diálogo com os diferentes pontos de vista.” (Semeraro, 2009 – pg. 87) Afirmação das resistências:
Libertação  Revolução No Brasil:
Efervescência pré 64
Golpe desmantelou muitos grupo e organizações.

Pós 64 – Gritos de libertação não apenas contra a ditadura, mas contra “todas as versões de Casa Grande e Senzala pelas sucessivas invasões e formas de dominação” (SEMERARO, 2007) Movimentos Sociais Dados PNUD:
20% da população concentra 80% da renda mundial.
0,2% da população mundial concentra 50% da riqueza.
80.10^6 de famintos em 1960 - 950.10^6 hoje.

Dados Banco Mundial:
54,7% da humanidade vivem em condições de extrema pobreza.
Na AL 300 milhões vivem nestas condições.

Semerado, 2009 - Pg. 38 Processo histórico recente da América Latina Mudança na configuração geopolítica. EUA considerando a AL como quintal de casa e apoio aos golpes militares:

Equador 1961
Peru 1962
Guatemala 1963
República Dominicana 1963
Bolívia 1964
Brasil 1964
Uruguai 1968
Chile 1973
Argentina 1976 Processo histórico recente da América Latina Expressa a experiência dos oprimidos deste continente com a bagagem histórica de 500 anos de exploração.
Sistema colonial & Formação da sociedade capitalista. Exploração das principais fontes de riqueza: terra e trabalhador.
(Semerado, 2009 – pg. 20)
(Marx, 1998 – pg. 360-361) “CLASSE: ampliação e especificidade na América Latina” El Sur – Joaquin T. Garcia Ligação entre o Leste-Oeste de Gramsci e o norte-Sul atual. Do Leste-Oeste para o Norte-Sul A partir do momento em que, por força das contradições internas e externas, tanto no plano objetivo, real, quanto no plano subjetivo, da consciência, as populações colonizadas despertam, (...) a partir desse momento a totalidade contraditória, que é o mundo colonial, é arrancada da estagnação e colocada em movimento.

“A mesma paixão que o fazia admirar e absorver a Europa – escreve Memmi- o fará afirmar suas diferenças: uma vez que essas diferenças o constituem, constituem propriamente sua essência”.

No processo dialético da emancipação, no entanto, esse momento é necessário, pois torna possível o momento seguinte, em que da negação da negação, se passa à plena positividade da afirmação se si. Em que termos poderia estabelecer a convivência de colonizadores e de colonizados no complexo colonial.
A princípio o conformismo, a aceitação passiva a tentativa de coincidência com o grupo colonizador, a alienação.
Em seguida, a tomada da consciência da impossibilidade, do malogro da assimilação. Sob a pressão das contradições externas, a emergência das contradições internas, tanto objetivas como subjetivas, e a ruptura com a fase anterior, de inconsciência e submissão.
(...) a luta das classes oprimidas, dos povos oprimidos, acaba penetrando a consciência das populações colonizadas.
(...)as contradições objetivas existiam, sem dúvida , e a muito tempo, pois são a própria condição de existência do fato colonial, e no entanto, permaneciam latentes, em equilíbrio, sem funcionar, sem operar como fator de transformação da estrutura social. (...) que essa totalidade parcial, esse ‘mundo’, que é a colônia além de incluir as contradições internas que a caracterizam, situa-se ou insere-se em uma totalidade maior, que é o mundo, por sua vez também contraditório. A observação é importante, embora nada nos revele de novo, porque essas contradições mundiais , como veremos, afetando a colônia poderão criar as condições que permitam a eclosão das suas contradições internas. “(...) a totalidade , em que a situação colonial consiste, além de contraditória, é um todo em movimento, cujo processo, por isso mesmo que é contraditório, só pode ser apreendido e compreendido dialeticamente.” O colonizador, enquanto tal é, pois, necessariamente conservador, quer dizer, não pode deixar de querer a conservação do estatuto colonial de que é único beneficiário, o colonizador, que pode ter sido democrata ou socialista na metrópole, está sempre exposto à tentação fascista, pois – como observa Memmi – para que ‘possa subsistir como colonizador, é necessário que a metrópole permaneça eternamente uma metrópole’”. Reconstruir a Dialética do processo colonial

categorias de análise para apreender e interpretar adequadamente o colonialismo: totalidade, contradição, alienação e dialética.
O primeiro pressuposto, portanto, que devemos admitir, é o de que a situação colonial é um fenômeno social global. (...) Totalidade orgânica, contexto das regiões colonizadas. (...)
Essa totalidade é constituída por interesses antagônicos e inconciliáveis, contraditórios, portanto.
(...) Convencido da superioridade do colonizador e por ele fascinado, o colonizado, além de submeter-se, faz do colonizador seu modelo, procura imitá-lo, coincidir, identificar-se com ele, deixar-se por ele assimilar. É o momento que poderíamos chamar de alienação. Ocupado, invadido (...) O colonizado se perde no outro se aliena. Tentará, pois, de acordo com a lógica desse movimento, levar a alienação às últimas consequências, tornando-se ele próprio um colonialista. “A experiência biográfica interpretada e iluminada por uma ideologia revolucionária, converte a peripécia individual em instrumento de pesquisa e de conhecimento sociológico, pois, se ‘as dilacerações da alma’ são ‘puras interiorizações dos conflitos sociais’- como diz Sartre – ‘é possível esclarecer os outros falando de si mesmo’”. MEMMI, Albert. Retrato do Colonizado precedido pelo retrato do colonizador. Tradução de Roland Corbusier e Mariza Pinto Coelho, 2ª edição. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1977. O colonizador não permite nem a assimilação, nem a transformação pacífica da colônia, mediante a participação dos colonizados na gestão do próprio destino. O colonizador representa a negação do colonizado e vice-versa, o colonizado representa a negação do colonizador. Os termos da antítese, ou da contradição não podem ser absorvidos e superados em uma síntese superior pela simples razão de que, ao mesmo tempo, se implicam e excluem reciprocamente, quer dizer, a negação de um acarretando necessariamente a negação do outro.

“o esmagamento do colonizado está incluído entre os valores do colonialismo” e o colonizador (...) sonha com o extermínio total do colonizado. (...) Destruindo sua antítese, polo oposto dessa relação dialética em que o processo colonial consiste, o colonizador destruiria, ao mesmo tempo (...) sua posição de domínio e de espoliação, pois teria negado e feito desaparecer o objeto desse domínio. Memmi nasceu em 15 de dezembro de 1920, na cidade de Túnis (colônia francesa no norte da África) em uma família judaica tradicional, essa região marcada por antigas tensões entre judeus do país e sua maioria muçulmana, promoveu a que os judeus concentrassem seus esforços na assimilação à cultura colonial francesa da região.
Retrato do colonizado precedido do retrato do colonizador, foi publicado em 1957, figura entre as obras clássicas para pensar o colonialismo. Pedagogia da Autonomia Autonomia –

“É libertar o ser humano das cadeias do determinismo neoliberal, reconhecendo que a historia é um tempo de possibilidades. Não de certezas prontas e acabadas como faz pensar a lógica neoliberal e dos fatalistas, de que não mais nada a fazer, a não ser esperar a vontade do mercado”.

“É ter a capacidade de assumir essa dependência radical derivada de nossa finitude, estando assim livres para deixar cair às barreiras que não permitem que os outros sejam outros e não um espelho de nós mesmos”

“É a autoridade do não eu, o do tu, que me faz assumir a radicalidade de meu eu” (Freire, 1997, p.46).
(Rita C. Machado, 2008, p.57) “Questão central da formação docente ao lado da reflexão sobre a prática educativo-progressiva em favor da autonomia do ser dos educandos.” (p.13)

Reforça a ideia do inacabamento, de processo, de um esforço individual e ao mesmo tempo coletivo – mediatizado pelo mundo.

Reforça a ideia de que me movo como educando, primeiro, me movo como gente”

Autonomia é um Princípio pedagógico para educadores que se dizem progressista P. Freire

“De me perceber no mundo, com o mundo e com os outros me põe numa posição em face do mundo que não é de quem nada tem a ver com ele” (1996, p.54)

“É a posição de quem luta para não ser apenas objeto, mas sujeito também da história” (1996, p.54)

“Não sou esperançoso por pura teimosia, mas por exigência ontológica” (1996, p.59) Começa dizendo,

“...da crítica permanentemente presente em mim à malvadez neoliberal, ao cinismo de sua ideologia fatalista e a sua recusa inflexível ao sonho e à utopia” (1996, p.14) P. Freire >>>

“Ninguém é autônomo primeiro para depois decidir. A autonomia vai se construindo na experiência de várias, inúmeras decisões, que vão sendo tomadas” (1996, p. 107)

“Ninguém é sujeito da autonomia de ninguém. Por outro lado, ninguém amadurece de repente” (1996, p.107)

“Autonomia, enquanto amadurecimento do ser para si, é processo, é vir a ser” (1996, p.107) P. Freire –

Autonomia está no cerne da tão questionada modernidade. Acontece que Freire nos propõe essa discussão a partir de um paradoxo, o paradoxo da autonomia – dependência. (Rita C. Machado, 2008, p.57)

“Por sermos seres de cultura, nós, homens e mulheres, somos necessariamente dependentes” (Rita C. Machado, 2008, p.57)  P. Freire

“Não podemos nos assumir como sujeitos da procura, da decisão, da ruptura, da opção, como sujeitos históricos, transformadores, a não ser assumindo-nos como sujeitos éticos.”


“Me movo como educador porque, primeiro, me movo como gente” (1996, p.94)  Chama atenção à rigorosidade ética:

“É preciso deixar claro que a ética de que falo não é a ética menor, restrita, do mercado...” da "nova ordem mundial, como naturais e inevitáveis”
 
“Mas da ética universal do ser humano da mesma forma como falo de sua vocação ontológica para o ser mais, como falo de sua natureza constituindo-se social e historicamente não como um "a priori" da Historia” (1996, p.18) Significa,

“renunciar à responsabilidade ética, histórica, política e social” (1996, p.54)

não ser sujeito da história - adaptar ao mundo PAULO FREIRE escreve "Pedagogia da Autonomia" num contexto político, onde a Reforma do Aparelho do Estado com base nos argumentos do FMI e BIRD/Banco Mundial - Consenso de Washington era a única alternativa a crise financeira, de que não há mais nada a fazer, a não ser render-se aos encantos e a ética do MERCADO. Teoria critica, tempo, solidariedade, sociedade, ser mais, saber, riscos, rigor, resistência, realidade, querer bem, o fazer, professor, práxis, possibilidade, política, participação, ouvir, neoliberalismo, natureza humana, mudança/transformação social, militância, mediação, liderança, licenciosidade, liberdade, instrução, inacabamento, igreja, identidade cultural, humildade, humanização, história, globalização, futuro, fatalismos, extensão, ética, esperança, escutar, escola, emancipação, educador/educando, educação popular, educação bancária, dicência/docência, diferença, decência, cultura do silêncio, criticidade, conscientização, coletivo, cidadania, avaliação, autoritarismo, autoridade, autonomia, amorosidade e alegria. Freire,
“semeador e um cultivador de palavras” Saberes necessários à prática educativa

PAULO FREIRE PEDAGOGIA DA AUTONOMIA Intelectuais para Gramsci

2 díades = intelectual tradicional e intelectual orgânico
e intelectual cosmopolita e intelectual nacional-popular

Intelectual orgânico -
“Conscientes de seus vínculos de classe, manifestam sua atividade intelectual de diversas formas: no trabalho, como técnicos e especialistas dos conhecimentos mais avançados; no interior da sociedade civil, para construir o consenso em torno do projeto da classe que defendem; na sociedade política, para garantir as funções jurídico-administrativas e a manutenção do poder de seu grupo social” (SEMERARO, 2006, p.378).
INTELECTUAL

É todo sujeito histórico-crítico, que influi de alguma maneira no trato com outros sujeitos na sociedade, propagando ou combatendo uma visão de mundo.

“Todos os homens são intelectuais, se pode dizer; mas nem todos os homens tem na sociedade a função de intelectuais (assim, como se pode entender que qualquer um que em qualquer momento frita dois ovos e costura um rasgo de uma blusa, não se dirá que são cozinheiros e alfaiates). Se formam, assim, historicamente as categorias especializadas para o exercício da função intelectual, se formam em conexão com todos os grupos sociais mais importantes e sofrem elaborações mais amplas e complexas em conexão com o grupo social dominante”. (GRAMSCI, 2007, 1516) FILOSOFIA
“(...) todos os homens são filósofos, definindo os limites e o caráter dessa filosofia (“espontânea”) de “todo o mundo”, isto é o senso comum e a religião. Demonstrado que todos são filósofos, ao seu modo, que não existe um homem normal e são intelectualmente, que não participe de uma determinada concepção de mundo, mesmo que seja inconsciente, porque cada “linguagem” é uma filosofia, se passa ao segundo momento, ao momento da crítica e da consciência. (GRAMSCI, 2007,p.1063). HEGEMONIA

É a dirigência de uma classe, pautada na primazia do consenso e não na coerção, pela difusão de valores que a maioria aceita como consensuais.


controle da sociedade civil através da difusão de sua concepção de mundo. IDEOLOGIA

“(...) o significado mais alto de uma concepção do mundo, que se manifesta implicitamente na arte, no direito, na atividade econômica, em todas as manifestações de vida individuais e coletivas (...)”. (GRAMSCI, 1986, p.16)
Ocidente
Hegemonia
Transformismo
Ideologia
Intelectual CONCEITOS E FORMULAÇÕES

Estrutura
Superestrutura
Sociedade civil
Sociedade política
Ampliação do conceito de Estado
Bloco- histórico
Guerra de posição
Guerra de movimento
Oriente SUA OBRA...

Artigos para revistas e jornais socialistas
L ´Ordine Nuovo L´Unità
Avanti! Il grido del popolo

33 cadernos escritos na prisão
(publicação temática organizada por Palmiro Toagliatti e publicação crítica editada por Valentino Gerratana em 1975)
428 cartas 1891 – 1937
Viveu transformações e problemáticas definidoras do séc. XX:

Primeira Guerra Mundial
Revolução Socialista na Rússia
Surgimento de partidos comunistas em diversos países
Protagonizou a criação do Partido Comunista Italiano
Fracasso das tentativas socialistas no Ocidente
Ascensão e repressão fascista, que determinou sua prisão por 20 anos nos cárceres de Mussolini Partido – intelectual coletivo
(sem corporativismos)
“O moderno príncipe, o mito-príncipe não pode ser uma pessoa real, um indivíduo concreto, pode ser somente um organismo; um elemento da sociedade complexa no qual já tenha início o concretizar-se de uma vontade coletiva reconhecida e afirmada parcialmente na ação. Esse organismo já foi dado pelo desenvolvimento histórico e é o partido político, a primeira célula na qual se reassumem os germes da vontade coletiva que tendem a tornar-se universais e totais.” (GRAMSCI, 2007, p.1558) Considerações sobre uma concepção político-pedagógica ANTONIO GRAMSCI “O advento da escola unitária significa o início de novas relações entre trabalho intelectual e trabalho industrial não só na escola, mas em toda a vida social. O princípio unitário se refletirá por isso em todos os organismos de cultura transformando-os e dando a eles um novo conteúdo.” (GRAMSCI, 2007, p. 1538). Crítica a exames:

“o discente não é um disco de gramofone, não é um recipiente passivamente mecânico, também se a convencionalidade litúrgica dos exames, às vezes, assim o fazem parecer”. (GRAMSCI, 2007, p.1549).

“[...] dar um exame, ora, deve ser mais terrivelmente ‘jogo de azar’, de uma vez. Uma data é sempre uma data, qualquer professor examina, e uma ‘definição’ é sempre uma definição; mas um juízo, uma análise estética e filosófica?” (GRAMSCI,2007, p.1543). Conformismo - Apreensão de hábitos e aspectos culturais, sociais e históricos imprescindíveis para a formação dos homens:

Conformismo significa, pois, nada mais que “sociabilidade”, mas agrada empregar a palavra “conformismo” justo para chocar os imbecis. Isto não tolhe a possibilidade de formar-se uma personalidade e de ser originais, mas torna mais difícil a coisa. É muito fácil ser original fazendo o contrário daquilo que fazem todos; é uma coisa mecânica. É muito fácil falar diferentemente dos outros, [...] o difícil é distinguir-se dos outros sem para isso fazer acrobacias. [...] As prisões e os manicômios são cheios de homens originais e de forte personalidade. Insistir sobre a disciplina, sobre sociabilidade, e, todavia, pretender sinceridade, espontaneidade, originalidade, personalidade: eis o que é verdadeiramente difícil e árduo. (GRAMSCI, 2007,p.1720). Quaderno 14 Escola
Provocadora
desafiadora
enriquecimento da vida
“Escola única inicial de cultura geral, humanística, formativa, que modere justamente o desenvolvimento da capacidade de trabalhar manualmente (tecnicamente, industrialmente) e o desenvolvimento da capacidade do trabalho intelectual.”(GRAMSCI, 2007, p. 1531).
Participação ativa dos alunos
Atividade de pesquisa e a exposição investigativa como um artifício, além de vivificador, enriquecedor do processo educativo. (...)Isto não seria possível se, nesses operários, o desejo de aprender não brotasse de uma concepção de mundo que a vida mesma lhes ensinou e eles sentem a necessidade de tornar clara, para possuí-la completamente, para poder realizá-la plenamente. É uma unidade que preexiste e que o ensino pretende consolidar, é uma unidade viva que, nas escolas burguesas, em vão se procura criar. A nossa escola é viva porque vocês, operários, trazem para ela sua melhor parte, aquela que o cansaço da fábrica não pode enfraquecer: a vontade de se tornarem melhores. Neste momento tumultuado e tempestuoso, vemos toda a superioridade da sua classe expressa no desejo que anima uma parte cada vez maior de vocês, o desejo de adquirir conhecimento, de se tornarem capazes, donos do seu pensamento e da sua ação, artífices diretos da história da sua classe. A nossa escola continuará e trará os frutos que lhe for possível trazer: ela está aberta a todos os acontecimentos.” (GRAMSCI, 1987, p.361-362 apud NOSELLA, 2005, p.1). Experiências educativas de Gramsci

“Escola de cultura e propaganda socialista”, realizada com os trabalhadores em Turim:
“O primeiro curso da escola de cultura e propaganda socialista iniciou-se na semana passada, com a primeira aula de teoria e o primeiro exercício prático, e de um modo que não deixou de nos dar plena satisfação. Por este início, sentimo-nos autorizados a nutrir as melhores esperanças de êxito. Por que negar que alguns de nós duvidavam? Duvidavam que, encontrando-nos apenas uma ou duas vezes por semana, todos cansados do trabalho, nos fosse possível encontrar em cada um aquela vivacidade sem a qual as mentes não podem comunicar, os ânimos não podem aderir e a escola não pode se realizar como uma série de atos educativos vividos e sentidos em comum.
(...) Artigo “Socialismo e cultura” 29/01/16:

“É necessário perder o hábito e deixar de conceber a cultura como saber enciclopédico, no qual o homem é visto sob a forma de recipiente para encher e amontoar com dados empíricos, com fatos brutos e desconexos, que ele depois deverá arrumar no seu cérebro como nas colunas de um dicionário para poder então, em qualquer ocasião, responder aos vários estímulos do mundo externo. Esta forma de cultura é verdadeiramente nociva especialmente para o proletariado.” (GRAMSCI,1975, p.22-26 apud SCHLESENER, 2002, p.44-45).
EDUCAÇÃO E CULTURA

Estratégia política de ação em prol de uma transformação social

Pautava uma reforma intelectual e moral:

Círculos de cultura
Escola única
Escola criativa – também compõe concepção educativa gramsciana

“A escola criativa é o coroamento da escola ativa (...) tende-se a expandir a personalidade, tornando-a autônoma e responsável, mas com uma consciência moral e social sólida e homogênea. Assim a escola criativa não significa uma escola de ‘inventores e descobridores’; indica uma fase e um método de pesquisa e de conhecimento, e não um ‘programa’ predeterminado com a obrigação da originariedade e da inovação a todos os custos.” (GRAMSCI, 2007, p.1537). Contrário a disciplina mecânica

“De fato, a escola unitária deveria ser organizada como internato, com vida coletiva diurna e noturna, liberada das atuais formas de disciplina hipócrita e mecânica, e o estudo deveria ocorrer coletivamente, com a assistência dos mestres...”. (GRAMSCI, 2007, p.1536).

“Criticar os programas e a organização disciplinar da escola, quer dizer menos que nada, se não se leva em conta tais condições. Assim se retorna a participação realmente ativa do aluno na escola, que pode existir somente se a escola é ligada a vida”. (GRAMSCI, 2007, p.1543).
Disciplina e responsabilidade


“A disciplina não anula, contudo, a personalidade em sentido orgânico, mas apenas limita o arbítrio e a impulsividade irresponsáveis, para não falar da fátua vaidade de aparecer. [...] A disciplina, portanto, não anula a personalidade e a liberdade: A questão ‘personalidade e liberdade’ é suscitada não pelo fato da disciplina, mas pela ‘origem do poder que ordena a disciplina’. Se esta origem é ‘democrática’, isto é, se a autoridade é uma função técnica especializada e não ‘arbítrio’ ou imposição extrínseca e exterior, a disciplina é elemento necessário de ordem democrática, de liberdade.” (GRAMSCI, 2007, p.1706-1707). Importância de hábitos disciplinares de estudo:
certa dose de disciplina – condição necessária a aprendizagem

Carta ao irmão Carlo – 25/8/1930

“Antes da puberdade, a personalidade do menino ainda não se formou e é mais fácil guiar sua vida e fazê-lo adquirir determinados hábitos de ordem, de disciplina, de trabalho: depois da puberdade a personalidade se forma de modo impetuoso e toda intervenção estranha torna-se odiosa, tirânica, insuportável. Ora, ocorre justamente que os pais sentem a responsabilidade pelos filhos neste segundo período, quando é tarde: então entra naturalmente em cena a palmatória e a violência, que além do mais dão muito poucos frutos. Por que, ao contrário, não se ocupar da criança no primeiro período? Parece pouco, mas o hábito de estar sentado diante da carteira 5, 8 horas por dia é uma coisa importante, que se pode fazer com bons modos até os 14 anos, mas em seguida não se pode mais.” (GRAMSCI, 1987, p.246).
Carta destinada à mulher Giulia 1/8/1932

“Digo-te, na verdade, que não creio nessas inclinações genéricas assim precoces e que tenho pouca confiança em tua capacidade de observar as suas tendências quanto a uma orientação profissional. Creio que em cada um deles subsistem todas as tendências, como em todas as crianças, seja em relação à prática, seja em relação à teoria ou à fantasia e que antes seria justo guiá-los, neste sentido, para um equilíbrio harmônico de todas as faculdades intelectuais e práticas, as quais terão como especializar-se no devido tempo, com base numa personalidade vigorosamente formada em sentido global e integral.” (GRAMSCI, 1987, p. 130-131). Carta destinada à cunhada Tatiana 15/12/1930:

“Eu penso que é bom tratar as crianças como seres que já raciocinam e com os quais se fala seriamente mesmo sobre os assuntos mais sérios; isto causa neles uma impressão muito profunda, reforça o caráter, mas especialmente evita que a formação da criança seja deixada ao sabor das impressões do ambiente e à mecânica dos achados fortuitos.” (GRAMSCI, 1987, p. 263).
Cuidado com o caráter subjetivo da formação:

“Não se quer repetir o usual lugar comum que todos os sábios são autodidatas, como a educação é autonomia e não impressão de fora. Lugar comum tendencioso que permite não organizar nenhum aparato de cultura e de negar aos pobres o tempo para dedicar-se ao estudo, unindo a vergonha ao blefe, isto é, a demonstração teórica que se não são sábios a culpa é deles porque etc. etc.” (GRAMSCI, 2007, p.1730). Experiência no cárcere
Carta para Piero Sraffa 2 de janeiro de 1927:
“Somos já uns sessenta, dos quais 36 amigos de localidades diferentes; predominam relativamente os romanos. Já iniciamos uma escola, dividida em vários cursos: 1º curso (1ª e 2ª elementar), 2º c. (3ª elem.), 3º. c. (4ª-5ª elem.), curso complementar, dois cursos de francês (inferior e superior), um de alemão. Os cursos são estabelecidos em relação ao conhecimento das matérias que se podem reduzir a uma certa bagagem de noções exatamente determináveis (gramática e matemática); por isso os alunos dos cursos elementares frequentam as aulas de história e geografia do curso complementar, por exemplo. Em suma, procuramos compensar a necessidade de uma ordem escolar gradual com o fato de que os alunos, ainda quando às vezes semianalfabetos, são intelectualmente desenvolvidos. Os cursos são acompanhados com grande diligência e atenção. Com a escola, que é frequentada também por alguns funcionários e habitantes da ilha, evitamos os perigos da desmoralização que são enormes. Você não pode imaginar a quais condições de embrutecimento físico e moral reduzem-se os presos comuns”. (GRAMSCI, 1987, p.45) (...)Talvez estivéssemos céticos pela experiência das escolas burguesas, a tediosa experiência dos alunos e a dura experiência dos professores: o ambiente frio, opaco a qualquer luz, resistente a todo e qualquer esforço de unificação ideal, os jovens reunidos naquelas salas não pelo desejo de se tornarem melhores e de compreender, mas pelo objetivo, talvez não expresso mas claro e comum a todos, de se destacarem, de conquistar um ‘título’, de expor a própria vaidade e a própria preguiça, de hoje se enganarem a si mesmos e amanhã aos outros. E vimos, em torno de nós, numerosos, espremendo-se uns aos outros em bancos desconfortáveis e no espaço restrito, esses alunos insólitos – na maior parte, não mais jovens, fora, portanto, da idade em que aprender é algo simples e natural, e
ainda por cima todos cansados depois de um dia de trabalho na fábrica ou no escritório – seguir com a máxima atenção a seqüência da aula, esforçarem-se para registrá-la no papel, expressar concretamente que, entre quem fala e quem escuta, se estabelecera uma viva corrente de inteligência e simpatia. (...)
ESCOLA ÚNICA
Formação integral para todos
Atrelamento de uma formação técnica e intelectual e humanística.
A formação deve ser encarada como artigo de importância primeira dentro das estratégias voltadas a construção de uma nova ordem social e ocorrerá nos mais diferentes espaços da sociedade civil destinados à interlocução entre os sujeitos, à difusão de ideias e comunicação entre os indivíduos.

Crítica a escola profissional:

“A escola profissional não deve tornar-se uma incubadora de pequenos monstros,
aridamente instruídos num ofício, sem idéias gerais, sem cultura geral, sem alma,
mas apenas com olhos infalíveis e uma mão firme... É também através da cultura
profissional que se pode fazer com que do menino brote o homem, desde que essa
seja uma cultura educativa e não apenas informativa” (GRAMSCI, 1958, p.59 apud
MANACORDA, 1990, p.29).


Artigo “La scuola del lavoro”
“A escola do trabalho tem sido sacrificada à escola do emprego”. (GRAMSCI, 1980, p.401 apud SCHLESENER, 2002,p.67).

Trabalho como princípio educativo Centro de educação e cultura

Trabalho editorial como um veículo de organização cultural
Revistas – comprometida com a mais ampla e profunda formação dos sujeitos
“Revistas-tipo” –
1º tipo: “Teórico” – “La Critica”; “Nuova Rivista Storica”; “Politica”;
2º tipo:“Crítico-histórico-bibliográfico” – “L´Únitá”; “La Voce”; “Leonardo”;
3º tipo: “Cultura geral” – elementos da revista crítico – histórico- bibliográfico – “Osservatore” “Criar uma nova cultura não significa só fazer individualmente as descobertas ‘originais’, significa também e especialmente difundir criticamente as verdades já descobertas, ‘socializá-las’ para assim dizer e fazê-las tornar-se base das ações vitais, elemento de coordenação e de ordem intelectual e moral. Que uma massa de homens seja conduzida a pensar coerentemente e de modo unitário o real presente é fato ‘filosófico’ mais importante e ‘original' que a descoberta da parte de um ‘gênio’ filosófico de uma nova verdade que permanece patrimônio de pequenos grupos intelectuais.” (GRAMSCI, 2007, p. 1377-1378).
Caderno 11 Artigo “Filantropia, boa vontade e organização” 24/12/1917:

“Dou à cultura este significado: exercício do pensamento, aquisição de ideias gerais, hábito de conectar causa e efeito. Para mim, todos já são cultos, porque todos pensam, todos conectam causas e efeitos. Mas o são empiricamente, primordialmente, não organicamente. Portanto, oscilam, dispersam-se, abrandam-se ou se tornam violentos, intolerantes, briguentos, ao sabor dos acasos e das contingências. Para que se entenda melhor, tenho um conceito socrático de cultura: creio que seja um pensar bem, qualquer coisa que se pense, e, portanto, executar bem qualquer coisa que se faça.” (GRAMSCI, 1975, p.145 apud SCHLESENER,2002, p. 47). CULTURA – sinal da intervenção inteligente e criativa humana no mundo “(...) o Brasil e a América Latina têm sido submetidos em um primeiro momento ao capitalismo mercantil (prevalentemente espanhol e português) e em seguida manufatureiro (holandês e francês), para chegar ao capitalismo industrial (americano) nos inícios do século XX e ao financeiro no pós-guerra. Depois de um longo período de colonialismo explícito, no hemisfério ocidental são aplicadas novas formas de dependência, de subalternidade política e de menoridade econômica em relação às potências do Norte. “ (p. 74) “REVOLUÇÃO”: necessária ressignificação de seus conceitos usuais

Valorização do acúmulo histórico de pequenas conquistas e avanços no campo dos direitos; dos processos moleculares de transformação das estruturas de dominação e exclusão
“(...) não pode ser entendida apenas no sentido clássico de evento excepcional e explosivo que muda abruptamente a história” (p188)
Simultaneamente, crítica à insuficiência dos “reformismos”, das pretensas “reformas do capitalismo”: foco necessário na conquista hegemônica pelo poder popular “América Latina: permanente colonialidade” Especificidades do socialismo latino-americano: síntese fundante das teorias de libertação
“Portanto, qdo se procura entender a construção do ´socialismo latino-americano`, não se pode prescindir da compenetração de elementos indígenas, étnicos, religiosos, culturais e nacionais com as teorias marxistas e as ideias iluministas” (p128), cujo entrelaçamento “deu origem a criações de consideráveis dimensões e originalidade” (p125)
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