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Ensaio Sobre a Cegueira

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by

João Figueiredo

on 22 February 2013

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Transcript of Ensaio Sobre a Cegueira

Introdução Ensaio sobre a Cegueira Ensaio sobre a Cegueira é um romance português, publicado em 1995 e traduzido em diversas línguas. Resumo A cegueira começa num único homem, durante a sua rotina habitual e é aí que uma cadeia sucessiva de cegueira se forma. Uma cegueira, branca, desconhecida, sem qualquer causa aparente, alastra-se rapidamente em forma de epidemia. O governo decide agir e as pessoas infectadas são colocadas numa quarentena, com recursos limitados que irá desvendar aos poucos as características primitivas do ser humano. Personagens José Saramago não faz a distinção de personagens pelos seus nomes, mas sim pelas suas características e particularidades. O objectivo disto é aproximar-nos ainda mais da narrativa; num mundo cego, não há estética e as pessoas conhecem as outras pelo que elas são ou o que eram. Linguagem Nesta obra, Saramago utiliza o tipo de escrita pelo qual ficou conhecido mundialmente. Este tipo de escrita pauta-se por uma descrição fluida, onde o discurso directo se mistura com o indirecto, sendo normal a ausência de recursos típicos do discurso directo, apresentando o discurso directo entre vírgulas e começando por maiúsculas, para o leitor fazer a distinção entre este e o restante tipo de discurso. Outras características e simbologia da obra "Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso." - José Saramago Saramago - escritor, argumentista, ensaísta, jornalista, dramaturgo, contista, romancista e poeta. Nasceu: vila de Azinhaga, a 16 de Novembro de 1922/ morreu - dia 18 de Junho de 2010, casa em Lanzarote. Foi galardoado com o prémio Nobel de Literatura de 1998 e ganhou, em 1995, o prémio Camões, o mais importante prémio da literatura portuguesa. A força da epidemia não diminui com as atitudes tomadas pelo governo e depressa o mundo parece tornar-se cego, onde apenas uma mulher, misteriosamente manterá a sua visão, enfrentando todos os horrores que serão causados, presenciando visualmente todos os sentimentos que se desenrolam na obra. Nesta quarentena esses sentimentos irão desenvolver-se sob diversas formas: lutas entre grupos pela pouca comida disponibilizada, compaixão pelos doentes e os mais necessitados, como idosos ou crianças, embaraço por atitudes que antes nunca seriam cometidas, actos de violência e abuso sexual, mortes... Ao conseguir finalmente sair do antigo hospício onde o governo os pusera em quarentena, a mulher que vê depara-se com a ausência de guarda na cidade: “a cidade estava toda infectada”; cadáveres, lixo, detritos, todo o tipo de sujidade e horror instalara-se pela cidade. Os cegos passaram a seguir os seus instintos animais para sobreviver A obra acaba quando as pessoas do grupo da mulher começam a ganhar a visão e o último diálogo é: “Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem” Personagens principais - o primeiro cego, a mulher do primeiro cego, o médico, a mulher do médico (que vê), a rapariga dos óculos escuros, o velho com a venda no olho e o rapazinho estrábico. Ao contrário do ditado “Em terra de cego, quem tem um olho é rei”, ela é quem mais sofre. Internada no manicómio juntamente com os cegos, sente a culpa por guardar o segredo da sua visão, isto porque ela acredita que, se contasse o segredo, tornar-se-ia escrava dos cegos. Ela vai além de qualquer herói fictício - é a primeira a compreender o significado da cegueira branca. Nunca é justificada a razão dela não ter ficado cega, todavia é possível deduzir a importância de alguém assim para nos fazer compreender a situação. Por vezes, ela até mostra desejos de ficar cega. A mulher que vê Saramago mostra, através desta obra intensa e sofrida, as reacções do ser humano às necessidades, à incapacidade, à impotência, ao desprezo e ao abandono. Leva-nos também a reflectir sobre a moral, costumes, ética e preconceito através dos olhos da personagem principal, a mulher do médico, que se depara ao longo da narrativa com situações inadmissíveis. A obra faz-nos questionar imensas coisas e é impossível lê-la sem nos imaginarmos na pele das personagens. A cegueira, acima de tudo, é uma metáfora para a hipocrisia da sociedade, orgulhosa dos seus aparentes bons modos. Apresentando comportamentos extremamente realistas ao longo da narrativa, José Saramago constrói uma metáfora afiada sobre o comportamento humano através de uma visão aguçada da responsabilidade e da humanidade. Ao colocar um país ou um mundo inteiro com a cegueira, Saramago molda um retrato no qual se questiona até que ponto o homem ainda é capaz de se sentir humano. O provérbio que introduz esta obra é “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”; isto pode ser, se quisermos, a explicação para todo o livro. Tendo a capacidade de ver, o homem deveria olhar o mundo de uma forma lúcida, reparar em todos os seus detalhes, no entanto, os homens desperdiçam esse dom de observar. E se não conseguem observar, mais vale não verem, ou seja, eram cegos pela sua própria visão, pela sua própria incapacidade de reparar e olhar. Esta ideia de ver o mundo de forma lúcida leva-nos, assim, ao livro que continua a história – Ensaio sobre a Lucidez, o qual também li e é tão interessante como o primeiro, continuando com a visão crua e terrível de Saramago e a sua crítica à humanidade. Provérbio Ao longo da sua vida, Saramago resistira em ceder os direitos sobre seus livros para o cinema. No entanto, em 2008, uma adaptação do Ensaio sobre a Cegueira foi lançada, dirigida pelo brasileiro Fernando Meirelles. O filme obteve mundialmente críticas mistas, dividindo opiniões. No entanto, a longa-metragem agradou Saramago imensamente. O escritor disse a Meirelles que "estava tão feliz de ter visto o filme como estava quando acabou de escrever o livro" Noutra declaração, Saramago disse que "agora conhecia a cara das suas personagens". Adaptação para cinema Embora a leitura desta obra possa não ser fácil e, por vezes, realmente chocante e violenta, recomendo que todos a leiam, pois, a melhor definição que posso dar para este livro é que foi escrito para os seres humanos, foi escrito para os cegos que têm olhos para o lerem. Ensaio sobre a Cegueira marcou-me bastante, e é um livro que vou sempre apreciar e recordar. Conclusão
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