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burnout

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sara madeira

on 16 October 2013

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Transcript of burnout

Abordagens teóricas do Burnout
Burnout em profissionais da área da Emergência
Burnout em Psicologos
Burnout em Psicologos de Emergência - Psicologos que intervêm em crise
Referências Bibliográficas
•Modelo de Garden
•Modelo de Hobfoll
Abordagem Individual
•Modelo de Edliwich e Brodsky
•Modelo de Meier
•Modelo de Schaufeli
Abordagem Interpessoal
•Modelo de Maslach
•Modelo de Harrison
•Modelo de Demerouti, Bakker, Nachreiner & Schaufeli
•Modelo de Maslach e Leiter
Abordagem Organizacional
•Modelo de Cherniss
•Modelo de de Golembiewski e colaboradores
Modelo de Sarason
Modelo de Handy
Abordagem Societal
•Modelo de Meyerson
•Modelo de Karger
O burnout é entendido como um processo dinâmico de desilusão progresiva, resultante do desajustamento entre as expectativas iniciais dos profissionais de ajuda e a realidade nua e crua das suas vidas profissionais.
Entusiasmo Inicial
Estagnação
Frustração
Apatia
Meier (1983) considera que o burnout é o resultado de um desajustamento entre as expectativas de reforço, de resultado e de eficácia pessoal, construídas pelo indivíduo e a situação de trabalho real.
O burnout é definido como um estado em que os indivíduos “esperam pouca recompensa e considerável punição do trabalho dada a falta de reforços válidos, de resultados controláveis ou de um sentido de competência pessoal” (Meier, 1983).
Com base na teoria psicodinâmica de Jung, que atribui o burnout a um desiquilibrio entre o funcionamento psíquico consciente e inconsciente.
Este modelo considera que o burnout ocorre quando as pessoas vivem situações no seu trabalho que levam à perda de recursos ou à ameaça dessa perda e são levadas a investir recursos importantes para se protegerem dessa situação. Quando esse investimento falha, pode entrar numa situação de escalada de perdas, no qual cada perda leva a um novo investimento para recuperar essa perda, resultando numa perda ainda maior, e assim sucessivamente.
O burnout surge como função inversa da competência profissional percebida.
O modelo de Maslach e colaboradores define este fenómeno como uma síndrome tridimensional, constituído por exaustão emocional, despersonalização e perda de realização no trabalho, que afecta os profissionais de ajuda.
Processo sequencial em que se sucedem: a exaustão emocional decorrente das exigências da relação de ajuda; a despersonalização enquanto tentativa disfuncional de lidar com a exaustão emocional, e um sentimento de perda de realização profissional no trabalho resultante da avaliação de desempenho.
O modelo de Schaufeli e colaboradores (Schaufeli, 2006) considera que a relação entre as pessoas se baseia na troca de recursos e o burnout resulta da existência entre um desiquilibrio entre os investimentos feitos pela pessoa e os resultados obtidos.
Este modelo processual conceptualiza o burnout como um resultado da experiencia de stress profissional e das tentativas de coping levadas a cabo pelo indivíduo.

- O primeiro estádio envolve um desequilíbrio entre os recursos e as exigências (stress);
- O segundo estádio consiste na tensão emocional, fadiga e exaustão imediata, a curto prazo (strain);
-O terceiro estádio consiste num conjunto de mudanças de atitude e comportamento tais como a tendência para tratar os clientes de forma distanciada e mecânica, ou a preocupação cínica com a satisfação das necessidades pessoais (coping depensivo)” (Cherniss, 1980)
Consideram que a estrutura e o clima da organização ou as disfunções de papel são variáveis fundamentais na etiologia do burnout e, por outro lado, que entre as suas consequências se encontram as quebras no desempenho e a baixa de produtividade, ambas prejudiciais para a organização.
Destacam o desajustamento pessoa-trabalho como a sobrecarga de trabalho, a falta de controlo, de recompensas, de um sentido de comunidade e de justiça, e o conflito de valores, na etiologia do burnout;
Estes autores reposicionam ainda o burnout num contínuo mais extenso, em que o engagement, envolvimento enérgico e eficaz no trabalho, é tido como o seu polo oposto, e defendem uma nova filosofia de prevenção e de promoção da saúde em contexto profissional.
O modelo das exigências-recursos do trabalho (JD-R) desenvolvido por estes autores (2001) é um modelo que não só procurou responder a algumas das limitações dos modelos anteriores, como desenvolveu uma visão integrada do bem-estar dos trabalhadores, procurando explicar não só o burnout mas também o engagement.
Desilusão progressiva
Expectativas Desajustadas
Conservação dos recursos
Desiquilibrio funções conscientes/inconscientes
Sobrecarga emocional na relação de ajuda
Falta de competências sociais
Falta de reciprocidade
Choque da realidade
Processo virulento
Desajuste pessoa/trabalho
O modelo das exigências e dos recurso
s
Construção cultural e social
Alienação social
Individualismo
Desajuste funções manifestas/latentes das organizações
O burnout é referido como uma doença específica que pode afectar um indivíduo saudável através da deterioração da sua saúde física e psíquica e que está especificamente relacionada com a sua função profissional (Malash, 1993, citado por Jesus, 2009). Pode ter repercussões sobre a sua qualidade de vida, quer de uma forma transitória breve e reversível, quer de forma duradoura podendo constituir um dano irreversível. Esta é uma doença que ameaça todos os profissionais envolvidos numa relação de ajuda e que pode inclusivamente constituir uma porta aberta à patologia (Delbroucck, 2003, citado por Jesus, 2009).
É constituído pelas seguintes dimensões:

Síndrome de Exaustão Emocional, que se traduz no esgotamento da energia dos recursos emocionais do profissional, no sentido em que este se sente emocionalmente esgotado e ultrapassado pelas exigências do trabalho;
Despersonalização pode ser definido como o desenvolvimento de sentimentos, atitudes negativas para com as pessoas que constituem o objecto de trabalho;
Diminuição da realização pessoal, entendida como o declínio dos sentimentos de competência, de obtenção de sucesso e realização através da profissão.
No decorrer da investigação sobre o burnout, Maslach, Leiter & Schaufeli, 2000 (citados por Jesus 2009) focaram o seu interesse no estudo de um fenómeno considerado no pólo oposto que foi designado pelos autores como engagement. De acordo com os autores, o pólo oposto do burnout não seria um estado neutro mas sim um estado de saúde mental positivo de bem-estar relacionado com o contexto ocupacional e que implica mais do que a ausência do burnout

O engagement é constituído pelas seguintes dimensões:

- Vigor representa elevado nível de energia e resiliência mental no decorrer do trabalho, a determinação de investir esforço e capacidade de persistir face às dificuldades
- Dedicação consiste na atribuição de significado ao trabalho desenvolvido, no entusiasmo, na inspiração, no orgulho e no facto de o trabalho constituir um desafio.
- Absorção traduz-se no estado de felicidade e imersão no trabalho ao ponto de ser difícil o distanciamento deste
É possível distinguir dois grandes tipos de definições cientificas do burnout: as definições do burnout como um estado, e as definições do burnout como um processo dinâmico (Pinto & Chambel, 2008).

As definições de burnout como estado seguem a tradição médica na medida em que procuram uma constelação de sintomas centrais que ocorrem conjuntamente e que representando uma condição negativa permitem identificar o burnout como um síndrome (Schaufeli & Enzmann, 1998, citado por Pinto & Chambel, 2008). Algumas das definições de burnout como estado especificam ainda a sua etiologia e domínio.

As definições de burnout como estado apresentam, segundo diversos autores (Maslach & Schaufeli, 1993; Schaufeli & Buunk, 1996 e 2003; Schaufeli & Enzmann, 1998, citados por Pinto e Chamel, 2008), um conjunto de asserções comuns relativamente às manifestações e etiologia deste síndrome:
1.O burnout manifesta-se essencialmente por sintomas disfóricos, sobretudo do foro emocional, mental e comportamental, e não tanto físico, e em que predomina a exaustão. As manifestações do burnout relacionam-se com o trabalho e incluem ainda atitudes e comportamentos negativos face a aspectos do trabalho e uma diminuição do desempenho e eficácia profissionais.
2.O burnout afecta indivíduos “normais”, isto é, que anteriormente funcionavam a níveis adequados e que não manifestavam qualquer psicopatologia. Sendo um síndrome relacionado com o trabalho, na sua etiologia participam de forma marcada expectativas desajustadas e elevadas exigências do trabalho.
As primeiras definições de burnout como processo devem-se a autores como Edelwich (1980) e Cherniss (1989). Veja-se, a título de exemplo, a proposta de conceptualização feita por este último, a qual, diríamos, encara o burnout como uma forma particular de stress profissional, envolvendo mecanismos defensivos de coping:

“O primeiro estágio envolve um desequilíbrio entre os recursos e as exigências (stress). O segundo estádio consiste na tensão emocional, fadiga e exaustão imediata, a curto prazo (strain). O terceiro estádio consiste num conjunto de mudanças de atitude e comportamento tais como a tendência para tratar os clientes de forma distanciada e mecânica, ou a preocupação cínica com a satisfação das necessidades pessoais (coping defensivo)…” (Cherniss, 1980).
Critérios de distinção dos conceitos de stress e burnout
1.Enquanto o stress é um fenómeno de adaptação temporária, o burnout representa um processo de quebra de adaptação resultante da exposição prolongada a stress profissional, e um estado final de disfuncionamento crónico (Brill, 1984). Desta forma, o burnout pode ser distinguido do stress com base numa conceptualização processual (Maslach, 1993 e 1999) e numa perspectiva de adaptação (Bartlett, 1998).

2.Sendo o stress entendido como um processo de adaptação temporária, as estratégias de coping que se lhe associam tendem geralmente a diminuir os sintomas, ao passo que no processo de burnout a despersonalização/cinismo se configura como uma estratégia de coping disfuncional e perversa no sentido em que contribui para o agravamento e cronicidade do burnout (Maslach, 1993 e 1999).

3.O burnout, ao contrário do stress profissional (Lazarus, 1999), é um síndrome multidimensional e que para além do desgaste de energia inclui o desenvolvimento de atitudes e comportamentos negativos. Assim, e como saliente Maslach (1993 e 1999), embora a exaustão emocional se assemelhe a uma experiência subjectiva de stress, o fenómeno de burnout transcende-o na medida em que acrescenta duas novas dimensões, relativas às concepções e atitudes do indivíduo face aos outros (despersonalização/cinismo) e face a si próprio (perda de realização/eficácia).

4.O stress é uma experiência vital, vivida por todos os seres humanos, e tanto pode ter efeitos negativos como positivos (Nelson & Simmons, 2003), ao passo que o burnout apenas ocorre em indivíduos motivados, apresentando inicialmente elevadas expectativas e objectivos e muito envolvidos no seu trabalho (Brill, 1984; Pines, 1993), e só tem efeitos negativos (farber, 1984, citado por Gil-Monte & Peiró, 997).

5.Finalmente, o burnout, medido através do MBI (Maslach et al., 1996) e sobretudo as suas dimensões de despersonalização/cinismo e falta de realização/eficácia profissional, apresenta uma boa validade discriminante relativamente a sintomas genéricos de stress profissional (Maslach et al., 1996).
Como refere Kilburg (1986), citado por Gomes & Cruz (2004), os profissionais de Psicologia podem ser os seus piores inimigos, quando resistem em admitir que se encontram em dificuldades e que necessitam de ajuda.

Apesar de os profissionais poderem trabalhar numa vasta gama de contextos, um aspecto parece ser comum a todos eles: o aumento das exigencias e do stress ocupacional (Kilburg, 1984; Stapp & Fulcher, 1983, citado por Gomes & Cruz, 2004).

Diferenças de género: as mulheres tendem a referir uma maior intensidade de stress nas situações potencialmente geradoras de mal-estar do que os seus colegas homens.
O que mais parece provocar stress aos homens são aspectos relacionados com a incompetência, a inflexibilidade e a pouca experiência dos seus superiores hierarquicos bem como aspectos relacionados com a execução das suas tarefas e funções profissionais.
Relativamente às mulheres, para além de partilharem um conjunto de preocupações dos seus colegas, apresentam um conjunto de inquietações mais relacionadas com as decisões que devem tomar e eventuaus erros que daí possam advir bem como alguma apreensão relativamente à falta de perspectivas de desenvolvimento e de promoção na carreira profissional.
Os estudos sugerem que uma percentagem assinalável de profissionais de Psicologia experiencia elevados níveis de Burnout - uma percentagem média de 15% de psicólogos que parecem encontrar-se claramente em estado de Burnout (Gomes & Cruz, 2004).

O trabalho do psicologo é caracterizado pelo alto investimento subjectivo nos afazeres profissionais e pelo contacto muito próximo com outros indivíduos que normalmente estão em sofrimento. Enfrentam diaramente situações stressantes durante quase todo o tempo das suas actividades, sendo comum para esses profissionais, além dos aspectos constitutivos e desgastantes do trabalho, o pluriemprego como forma de organização profissional. (Biehl, 2009).

Como stressor principal foi encontrada a sobrecarga de trabalho.
Em referência às estratégias para conviver com o stress, Colovan (citado por Biehl, 2009), encontrou:
1) Dar atenção ao stress, procurando controlá-lo;
2) Procurar apoio de terceiros;
3) Recorrer a entretenhimento

Em 2005, Rupert & Morgan (citado por Biehl, 2009), pesquisaram as actividades profissionais, o ambiente de trabalho e o burnout entre 571 psicologos de doutoramento. Foi observado que profissionais em consultório ou clínicas privadas tinham mais sentimentos de realização pessoal do que profissionais em serviços públicos. Maior exaustão profissional foi associada com menor controle sobre o trabalho, mais horas trabalhadas, mais tempo dispendido em actividades administrativas ou registos e mais atendimento de pacientes com comportamentos negativos
IBP - Inventário de Burnout em Psicólogos
Utiliza vocabulário apropriado ao trabalho e à formação do psicólogo e serve para examinar a mesma estrutura do burnout analizada no MBI: Despersonalização (DE), Exaustão Emocional (EE), e Realização Pessoal (RP);
Contém 30 questões elaboradas em 6 possibilidades, tipo Lickert, com extenção entre nunca (1) e sempre (6).

- Associação entre a variável Faixa Etária e as dimensões do Inventário de Burnout em Psicólogos
- Associação entre a variável Estado Civil e as dimensões do Inventário de
Burnout em Psicólogos
- Associação entre a variável Número de filhos e as dimensões do Inventário
de Burnout em Psicólogos
- Associação entre a variável Tempo de Formado e as dimensões do Inventário de Burnout em Psicólogos






- Associação entre variáveis relativas à Atividade Profissional e as dimensões do Inventário de Burnout em Psicólogos
- Associação entre atividades que consideram estressantes e as dimensões do
Inventário de Burnout em Psicólogos
A ocupação em psicologia possui várias aspectos que fazem desta actividade um oficio propenso ao stress e ao burnout, a começar pelo próprio estudo desta ciencia que, com diversas abordagens e técnicas, muitas vezes complexas e com perspectivas distintas, exigem anos de preparação e constante actualização, provocando eventualmente um sentimento de insegurança e ansiedade, que se pode manifestar já durante o periodo de formação (Cushway, 1992; Sampson, 1990, citados por Gulap, karcuoglu, Sari & Koseoglu, 2008).

A maioria dos trabalhos realizados com psicólogos (que são poucos, no geral), estudam exclusivamente psicologos clínicos e educacionais, com escassas referências a outras actividades profissionais.
No exercício profissional da psicologia existem elementos comuns com outras profissões onde ocorrem stress e burnout, tais como o excesso de trabalho, o rotina, a renumeração insuficiente, a pressão constante. O mesmo ocorre com as consequências habituais do stress organizacional: escotamento físico e emocional, irritabilidade e distanciamento físico e mental.

Além disso, os psicólogos têm dificuldades próprias da sua actividade profissional. Por vezes, as actividades desenvolvidas no trabalho podem estender-se e generalizar-se a outras situaçõs, levando ao distanciamento das pessoas, à observação e interpretação generalizada, o que pode produzir uma profissionalização da vida e uma irrupção excessiva do papel profissional na sua própria identidade pessoal (Greben, 1975; Farber, 1983; Guy & Liaboa, 1986, citados por Gulap, Karcioglu, Sari & Koseoglu, 2008).
Outro problema específico proveniente do feito frequente de que os psicólogos são objecto de uma visão idealizada por parte dos pacientes e das pessoas em geral (Greben, 1975; Leme, 1989; Cardoso, 1985; Dare, 1997, citados por Gulap, Karcioglu, Sari & Koseoglu, 2008), o que pode facilitar a que estes se sintam impelidos a corresponder e confirmar as expectativas. Com frequência, o psicologo considera que a sua função é a de manter uma capacidade de resposta contante e estar sempre predisposto a atender e, se possível, solucionar os problemas dos seus clientes.
Por outro lado, não existe dúvidas, de que os psicólogos estão submetidos a riscos psicossociais importantes que podem afecta-lo profissional e pessoalmente, mas também parece que pode dispor de mecanismos e estratégias de afrontamento que permitem lidar de forma adequada com as suas situações de stress e dos factores de burnout proprios da sua actividade profissional.
Para os psicólogos, a intervenção em crise tem características diferentes que tornam o trabalho stressante. Estas características estão relacionadas com o trabalho em si, com o papel dos psicólogos, a contratrasferência, e o impacto da organização onde a crise ocorre (Talbot, Manton & Dunn, 1992).

Primeiro, existe a urgência e a imediaticidade da resposta. A resposta à crise é normalmente de uma natureza fora de alcance, o que significa que os psicólogos não têm controlo de muitos aspectos da situação - quando acontece, como será o ambiente, quem estará lá, e que tarefas terá de realizar a cada instante.
Frequentemente, não existe um aviso prévio (de eventos súbitos), não há tempo para preparação, existe uma quantidade de tempo limitada para as intervenções individuais, falta de espaço, e contextos desconhecidos. Numa crise, o psicólogo precisa de ser capaz de trabalhar rapidamente e eficazmente para estabilizar a situação. O volume de trabalho, tanto em termos do número de pessoas que requerem atenção e em termos das numerosas crises sucessivas pode ter um efeito debilitador (Rogers, 1987, citado por Talbot, Manton & Dunn, 1992). Além disso, a intensidade das emoções presente é alta, e é necessária uma grande quantidade de energia por parte do psicólogo para as conter.
Na literatura, há inúmeras referências acerca dos efeitos de trabalhar na intervenção em crise. Mitchel (1983), citado por Talbot, Manton & Dunn (1992), cita falta de descanso, irritabilidade, fadiga excessiva, distúrbios do sono, ansiedade, alterações de humor, tremores musculares, dificuldades de concentração, pesadelos, vómitos, etc. como respostas ou reacções psicológicas a incidentes críticos. Estas reacções, apesar de normais, são potencialmente perigosas para os trabalhadores do serviço de emergência.

Berah e tal, (1984), citado por Talbot, Manton & Dunn (1992), estudou os efeitos de trabalhar com o desastre e com a crise em profissionais de saúde mental e encontrou evidencias de que tanto a sua saúde emocional como física são afectadas. Uma grande maioria sentiu-se em choque, confusa, triste, e muito cansada. Mesmo aqueles com um treino extenso e experiência em trauma psicológico ficam consideravelmente stressados.
Segundo Talbot, Manton & Dunn (1992), e nos seus trabalhos com vítimas, estes autores revelam ter experienciado (eles próprios e os seus colegas) sentimentos, pensamentos e comportamentos que são várias vezes citados na literatura como indicadores de Burnout.
Quer o termo particular seja usado ou não, as experiencias reportadas por estes mesmos autores, apontam claramente para pressão ou stress, e indicam a necessidade de algum tipo de intervenção para minimizar os seus efeitos.
Muitas vezes, estes autores referem, tal como frequentemente reportado na literatura sobre Burnout, considerar os problemas dos seus clientes como insuperáveis ou insignificantes e foram incapazes ou tendiam a identificar-se excessivamente com as vítimas.
Os psicólogos que intervêm em emergência e catástrofe são descritos por Taylor (1983), citado por Berah, Jones & Valent (1984), como Vítimas Terciárias. As vítimas terciárias são aquelas cujas ocupações e deveres requerem que respondam a um alerta na comunidade e assistam as vitimas no sentido de um trabalho de restauraçao e reabilitação (Berah, Jones & Valent, 1984).
•Benevidos-Pereira, A. & Moreno-Jiménez, B. (2003). O Burnout e o profissional de Psicologia. Revista Electrônica InterAção Psy, 1(1), 68-75.
•Berah, E., Jones, H. & Valent, P. (1984). The experience of a mental health team involved in the early phase of a disaster. Australian and New Zealand Journal of Psychiatry, 18, 354-358.
•Biehl, K. (2009). Burnout em Psicólogos. Tese de Doutoramento não publicada, Faculdade de Psicologia, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.
•Gomes, A. & Cruz, J. (2004). A experiência de stress “Burnout” em psicólogos portugueses: um estudo sobre as diferenças de género. Psicologia: Teoria, investigação e prática, 2, 193-212.
•Manton, M, & Talbot, A. (1990). Crisis Intervention After an Armed Hold-up: Guidelines for Counsellors. Journal of Traumatic Stress, 3(4), 507-522.
•Jesus, T. (2009). Burnout e Engagement dos Técnicos de Ambulância de Emergência Médica do Instituto Nacional de Emergência Médica. Dissertação de Mestrado não publicada, Faculdade de Psicologia, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal.
•Kahill, S. (1988). Intervention for Burnout in the Helping Professions: A Review of the Empirical Evidence. Canadian Journal of Counselling, 22(3), 162-169.
•Pereira, A., Moreno-Jiménez, B., Hernandez, E. & Gutiérrez, K. (2002). Clinica y Salud, 13(3), 257-283.
•Pinto, A. & Chambel, M. (2008). Burnout e Engagement em Contexto Organizacional – Estudos em Amostras Portuguesas. Livros Horizonte, Lisboa.
•Talbot, A., Manton, M., Dunn, P. (1992). Debriefing the Debriefers: An Intervention Strategy to Assist Psychologists After a Crisis. Journal of Traumatic Stress, 5(1), 45-62.
A crença de que os profissionais de saúde estão imunes à doença pelo facto de deterem conhecimentos neste campo encontra-se na base de muitas crenças e, relação à capacidade de resistência desses profissionais. Contudo, o conhecimento não substitui a necessidade de apoio, principalmente no que se trata de lidarem com emoções, com sofrimento, e inclusive com a morte (Mclntyre., 1994, citado por Jesus, 2009).

O síndrome de Burnout tornou-se uma doença frequente entre os profissionais da área da saúde, e nomedamente, da relação de ajuda. Tal como outros profissionais, estes não se encontram imunes aos custos e às consequencias do stress no exercicio da sua actividade profissional, apresentando implicações não só a nível mental mas também a nível de satisfação, rendimento e sucesso profissional (Cruz, Gomes & Melo, 2000, citado por Jesus, 2009).
Segundo Naudé e Rothmann (2006), citado por Jesus (2009), o trabalho desenvolvido ao nível da emergência médica pré-hospitalar é univesalmente reconhecido como indutor de stress no sentido em que os técnicos de emergência sao confrontados frequentemente com situações de extrema exigencia e factores de stress crónicos.

A natureza deste trabalho implica a necessidade de manter um contacto directo com outras pessoas, sendo por excelência um contexto onde se pode manifestar stress emocional, pois existe empenho, envolvimento, devoção a uma causa específica e, em conjunção, um trabalho sob condições dificeis (Vara e Queiróz, n.d).

Além disto, os profissionais envolvidos em emergência podem lidar com condições de vida ameraçadoras.
Estes profissionais podem experienciar burnout por várias razoes:
- Departamentos superlotados (Gulap, Karcioglu, Sari & Koseoglu, 2008);
- Dificuldade dos casos (Gulap, Karcioglu, Sari & Koseoglu, 2008);
- Medo de serem expostos a doenças infecciosas (Lloyd & Chief, 2004);
- Horários de trabalho; (Gulap, Karcioglu, Sari & Koseoglu, 2008);
- Alta intensidade de carga de trabalho (Escriba-Aguir, Martin-Baena & Pérez-hoyos, 2006);
- Exposição a condições e ritmos de trabalho extenuantes (Ritter, Fernandes Stumm, Kirchner, Rosanelli & Ubesso, 2012);
- Expectativa de ter uma performance sem erros em situações de emergência potencialmente esgotantes (Lloyd & Chief, 2004);
- Desorganização (Gulap, Karcioglu, Sari & Koseoglu, 2008);
- Número em défice de membros da equipa (Gulap, Karcioglu, Sari & Koseoglu, 2008);
- Lidam directamente com a imprevisibilidade, o sofrimento e a morte Ritter, Fernandes Stumm, Kirchner, Rosanelli & Ubesso, 2012);
- Falta de tempo livre (Escriba-Aguir, Martin-Baena & Pérez-hoyos, 2006);
- Falta de suporte social (Escriba-Aguir, Martin-Baena & Pérez-hoyos, 2006);
- Sentido de limitação pelos procedimentos standart da ouganização ou por não terem autoridade para usar técnicas ou procedimentos que iriam servir melhor o cliente ou paciente (Lloyd & Chief, 2004);
- Sentimento de não serem apreciados (Lloyd & Chief, 2004);
Burnout
Elaborado por: Sara Madeira
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