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Memorial do Convento - Amor contratual vs. Amor verdadeiro

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by

Filipa Santos

on 19 May 2014

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Transcript of Memorial do Convento - Amor contratual vs. Amor verdadeiro

Plano
A (re)contrução do amor (o contrato matrimonial - rei e a rainha versus o amor construído - Baltazar e Blimunda)
Personagens;

O amor;

Excertos da relação rei/rainha vs. Baltasar/Blimunda;

O amor na atualidade;

Conclusão

D. Maria Ana Josefa
Trabalho realizado por:
Bárbara Custódio, nº1. 12ºJ
Eveline Borges, nº5, 12ºJ
Cerisa Correia, nº7, 12ºJ
Filipa Santos, nº9, 12ºJ

Personagens

Personagens históricas
Rei de Portugal de 1706 a 1750;

É símbolo do monarca absoluto por direito divino, arrogante, vaidoso, egocêntrico e megalómano (daí o seu cognome), infiel e adúltero;

Pretende deixar como marca do seu reinado uma obra ímpar – O Convento de Mafra.

D. João V
Nascida na Áustria, casa com o rei português em 1708;

Tem como única missão dar herdeiros ao rei e satisfazer os seus desejos e caprichos;

Simboliza, por isso, a mulher submissa ao homem, sem vontade própria nem autoridade;

É passiva, dedicada, obediente, respeitadora, apática, recalcada sexualmente, devota, piedosa, frequentadora assídua de confrarias e igrejas, tem complexo de culpa (atração por D. Francisco). Não ama D. João V, e está consciente da infidelidade do marido. É uma mulher infeliz...

Personagens fictícias
Baltasar Sete-Sois
Homem do povo, nascido em Mafra tem 26 anos;

Filho de Marta Maria e João Francisco;

Foi baleado na Guerra da Sucessão Espanhola (1704 – 1712) ,ficando sem a mão esquerda;

Conhece Blimunda no auto de fé em 26 de julho de 1711;

Trabalha no açougue do Terreiro do Paço;

Trabalha nas obras do convento de mafra;

Constrói a sonhada “ máquina de voar”, a passarola;

Mártir da inquisição, morre na fogueira no dia 18 de outubro de 1739;

Baltasar concretiza o sonho e é destruído por esse sonho.

Blimunda Sete-Luas
Filha de Sebastiana Maria de Jesus, que é condenada pela Inquisição ao degredo, em Angola, acusada de ser visionária e cristã-nova;

Tem 19 anos, é alta e magra, cabelos espessos e pesados cor de mel sombrio;

Mulher misteriosa de olhos fascinantes, de cor indefinida;

Mulher sensual, inteligente, decidida, perspicaz, intuitiva, forte, ativa, fiel e vive sem regras que a escravizem;

Perceciona a hipocrisia e a mentira;

Com o poder extraordinário de ver o interior dos corpos e da terra, dotada de vidência;

Dedica-se por inteiro a Baltasar. Acompanha-o em todos os seus trabalhos e em todas as suas decisões;

Participa na construção da passarola. Aceita recolher as vontades que farão voar a passarola;

Quando Baltasar desaparece em 1730, procura-o percorrendo o país de lés a lés;

Encontra finalmente Baltasar em 1739, a arder num auto de fé em Lisboa;

Recolhe a sua vontade, que considera pertencer-lhe.
 
O amor
Riqueza (vida opulenta e luxuosa);

Casamento religioso por procuração;

Amor contratual estabelecido entre casas régias;

Relações com intuito da procriação (tiveram 6 filhos);

Desconhecimento do casal (não há envolvimento afetivo, ausência de amor, vida sexual desinteressante, vestidos nos encontros amorosos com o «trajo da função e do estilo», dormindo em quartos separados, juntavam-se apenas para o ato sexual;

Excesso de formalidades e artificialismo;

Autoridade/Submissão (Grande distinção entre marido e mulher );

Infidelidade/Adultério;

Infelicidade;

Insatisfação (frustração pessoal).

Relação rei / rainha - O amor contratual

Relação Baltasar / Blimunda - O amor construído

Pobreza;

Desinteresse pelo casamento e regras religiosas (relação à margem das normas sociais);

Amor inesperado, verdadeiro, puro, carnal, espiritual e eterno;

Relações com intuito do prazer (não tiveram filhos);

Conhecimento mútuo (vivem um amor sem regras, sem limites, instintivo e natural). Existe cumplicidade, paixão, gozo, respeito, complementaridade, entendimento perfeito;

Os encontros amorosos ocorrem em espaços múltiplos e variados;

Igualdade de Direitos;

Fidelidade;

Felicidade;

Plena Realização pessoal.
 

Conclusão
O amor na atualidade
As uniões de facto são cada vez mais comuns. Os casais não pensam tanto no casamento.

Não há a preocupação com a conservação da virgindade e esta já não é tão importante.

As relações sexuais no primeiro encontro são consideradas normais.

A mulher e o homem são semelhantes e no casal não há diferença. O homem já realiza trabalhos em casa.

Marido e mulher têm os mesmos direitos e deveres.

Homem e mulher podem desempenhar os mesmos trabalhos (exceto raras exceções).

Trabalho realizado por:
Bárbara Custódio, nº1. 12ºJ
Eveline Borges, nº5, 12ºJ
Cerisa Correia, nº7, 12ºJ
Filipa Santos, nº9, 12ºJ

O romance Memorial do Convento não é somente um relato histórico da construção do convento de Mafra, mas sim a mistura de realidade e ficção, que permite a descoberta de aspetos que não se encontram em livros oficiais da época e fá-lo com um humor audaz, ironia afiada e criatividade.

Um dos aspetos reais do romance é a relação do rei e da rainha, um casamento contratual, sem amor com uma vida sexual desinteressante (apesar dos 6 filhos) e que é tratada de forma sarcástica e cómica pelo Saramago.

Muito diferente é a relação entre Baltasar e Blimunda, as duas personagens apresentam grande riqueza de detalhes e uma forma de amor singular e distinta do que se observava na sociedade da época, tendo bastantes características comuns com o amor na atualidade.




“Então Blimunda disse, Vem. Desprendeu-se a vontade de Baltasar Sete-Sois, mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia e a Blimunda.”

José Saramago, “Memorial do Convento”
Excertos da relação entre Baltasar e Blimunda
Excertos da relação entre rei e rainha
Sobrevalorização do homem em relação à mulher; casamento por procuração; relações adúlteras por parte do rei (infidelidade).

“D. Maria Ana Josefa, que chegou há mais de dois anos da Áustria para dar infantes à coroa portuguesa e até hoje ainda não emprenhou.”
- Página 3

“(...) pois, com certeza que a culpa não é do rei, primeiro porque a esterilidade não é mal dos homens, das mulheres sim e também porque abundam no reino bastardos da real semente e ainda a procissão vai na praça.”
- Página 3
Cumprimento do dever real – D. João V e D. Maria Ana não se amam; A rainha limita-se a obedecer e a respeitar as suas regras e deveres, havendo excesso de formalidades, despidos de qualquer envolvimento erótico ou afetivo.

“Mas nem a persistência do rei, que, (…) duas vezes por semana cumpre vigorosamente o seu dever real e conjugal.” -
Página 3

“Vestem a rainha e o rei camisas compridas, (…) D. João V conduz D. Maria Ana ao leito, leva-a pela mão como no baile o cavaleiro à dama, e antes de subirem os degrauzinhos, cada um de seu lado, ajoelham-se e dizem as orações .”
- Página 6

Relação infiel

“São meandros do inconsciente real, como aqueles outros sonhos que sempre D. Maria Ana tem, vá lá explica-los (…) o infante D. Francisco, seu cunhado.” -
Página 7

Profunda ironia de Saramago que remete para a desconfiança de que D. Nuno da Cunha (bispo inquisidor-mor), através do confessor de D. Maria Ana (frei António de S. José), terá sabido da gravidez da rainha muito antes do rei.

“Agora não se vá dizer que, por segredos de confissão divulgados, souberam os arrábidos que a rainha estava grávida antes mesmo que ela o participasse ao rei.” -
Página 13

Segundo a tradição, a Quaresma era a única época do ano em que as mulheres podiam percorrer as igrejas sozinhas. Porém, frequentemente, desviavam-se do seu trajeto de fé para ir ao encontro dos seus amantes.

“De tais desafogamentos se veem privadas as rainhas, principalmente se já estão grávidas, e do seu legítimo senhor, que por nove meses não voltará a aproximar-se delas…”
- Página 18

A rainha é vista como uma fonte de procriação e de garantia de herdeiros à coroa portuguesa.

"é o caso da rainha, devota parideira que veio ao mundo só para isso, ao todo dará seis filhos…”-
Página 70

D. Maria Ana sente-se perdida numa vida que não desejou que fosse assim.

“é uma triste e enganada rainha que só de rezar não se desengana, (...), pelo marido leviano,(...) pelo horror de ser rainha, pelo dó de ser mulher, pelas duas mágoas juntas, por esta vida que vai, por essa morte que vem.”
- Página 71

Relação sem confiança e sem partilha

“Dizem que vai agastada por não querer D. João V confiar-lhe o governo do reino, realmente não está bem desconfiar assim um marido de sua mulher.”
- Página 72

D. João V encontra-se bastante doente. Já não é o homem de outrora que traía a esposa ao “derreter corações”, tanto de freiras como de outras mulheres; reconhecimento das relações adúlteras de D. João
V.

“Enfim, el-rei abriu os olhos, escapou, não foi desta,(...) nem parece aquele galante homem que derruba freiras com um gesto, e quem diz freiras diz as que não o são…” -
Página 72
Primeiro contacto entre Blimunda e Baltasar. Relação fiel.

”(...) Que nome é o seu, e o homem disse, naturalmente, assim reconhecendo o direito de esta mulher lhe fazer perguntas, Baltasar Mateus, também me chamam Sete- Sóis.” -
Página 31

“Veio a esta casa não porque lhe dissessem que viesse, (...) e quando Blimunda chegou a casa deixou a porta aberta para que Baltasar entrasse…” -
Página 32

“só tem olhos para os olhos de Blimunda.” -
Página 32

Deitaram-se. Blimunda era virgem (...) Blimunda persignou-se e fez uma cruz no peito de Baltasar, sobre o coração. Estavam ambos nus…,” Nunca te olharei por dentro.” -
Página 34
 

Este casal, despido de preconceitos, não vê na igreja a confirmação e a solidez do seu amor, mas sim no respeito e na compreensão entre ambos.

“este casal, ilegítimo por sua própria vontade, não sacramentado pela igreja, cuida pouco de regras e respeitos, e se a ele apeteceu, a ela apetecerá, e se ela quis, quererá ele.” -
Página 45

Relação de amor, assente na igualdade, em que são um só. Confirmação do amor sem limites entre Baltasar e Blimunda.

“decidiu Blimunda que deixaria a casa para estar onde estivesse Sete-Sóis." -
Página 54

“já sabemos que destes dois se amam as almas, os corpos e as vontades.” -
Página 89
Verifica-se a pobreza em que o casal vive, mas tal facto não afeta a relação que têm.

“estavam deitados na cozinha, sobre duas mantas dobradas, e silenciosamente, para não acordarem os pais que dormiam na casa de fora, deram-se um ao outro.” -
Página 66
Relação de cumplicidade e partilha.

“não falou Blimunda, não lhe falou Baltasar, apenas se olharam, olharem-se era a casa de ambos.” -
Página 70
Blimunda está doente. Baltasar cuida dela e protege-a; sentimento de carinho e de proteção pela amada.

“Mas Sete-Sóis, a essa hora, já estava deitado, cobria Sete-Luas com o braço são e murmurava, Blimunda (…) para reencontrar o riso de Blimunda, que seria de nós se não sonhássemos.” -
Página 121

Amor natural , puro, instintivo, espiritual e carnal. Aproveitando o tempo que têm juntos sem olharem a datas, lugares ou limites.

“Em profunda escuridão se procuraram, nus, sôfrego entrou ele nela, ela o recebeu ansiosa, depois a sofreguidão dela, a ânsia dele, enfim os corpos encontrados...” -
Página 183

“(...)Blimunda foge da água rindo, ele agarra-a pela cintura, ambos caem, qual de baixo, qual de cima, nem parecem pessoas deste século… Baltasar levanta Blimunda ao colo…” -
Página 184

“Para dentro da barraca o levou Blimunda…” -
Página 227

Baltasar desapareceu. Blimunda espera todo o dia e toda a noite por ele; atrevimento de alguns homens que passam por Blimunda; Seriedade, fidelidade e respeito de Blimunda por Baltasar.
 
“Em toda essa noite, Blimunda não dormiu. Pusera-se a esperar que Baltasar regressasse ao cair do dia (…) Ao ver aquela mulher ali sentada (...) com oferecidas facilidades, e atiravam-lhe chufas obscenas, logo engolidas diante do rosto de pedra que os fitava.” -
Página 230

Blimunda procura, incessantemente, Baltasar.

“Por estes caminhos já próximos de Mafra corria Blimunda como doida, tão extenuada por fora, duas noites dormir, tão resplandecendo por dentro, duas noites batalhando…” -
Página 237

Amor devoto de Blimunda por Baltasar.

“Durante nove anos, Blimunda procurou Baltasar.” -
Página 241

Após nove anos a procurar Baltasar, Blimunda encontra-o num auto de fé a ser condenado à fogueira.
 
“Naquele extremo arde um homem a quem falta a mão esquerda.(...) Então Blimunda disse, Vem. Desprendeu-se a vontade de Baltasar Sete-Sóis, mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia e a Blimunda.” -
Página 244
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