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Virtudes sociais - PUC

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Alexandre Meyer Luz

on 18 October 2013

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Transcript of Virtudes sociais - PUC

Virtudes Intelectuais: Individuais e Sociais
Alexandre Meyer Luz
meyerluz@terra.com.br
UFSC

estabelecendo o ponto geral: Qual a natureza da justificação epistêmica?
internalismo
externalismo
virtudes
"há problemas subjacentes ao conceito de justificação que conduziram ao impasse entre internalismo e externalismo. Ao considerarmos a justificação como uma propriedade de uma crença, torna-se muito difícil julgarmos as disputas sobre este conceito se a crença é tratada como o objeto máximo da avaliação. Se, ao contrário, nós nos concentramos sobre o conceito mais profundo de virtude intelectual e tratamos a justificabilidade de uma crença como algo derivado, podemos descobrir que a justificabilidade é apenas uma dentre outras propriedades normativas das crenças e que as intuições competidoras de internalistas e externalistas requerem a análise de mais do que uma propriedade das crenças, cada uma das quais está baseada de certo modo no conceito de virtude."
Zagzebski: "há problemas subjacentes ao conceito de justificação que conduziram ao impasse entre internalismo e externalismo. Ao considerarmos a justificação como uma propriedade de uma crença, torna-se muito difícil julgarmos as disputas sobre este conceito se a crença é tratada como o objeto máximo da avaliação. Se, ao contrário, nós nos concentramos sobre o conceito mais profundo de virtude intelectual e tratamos a justificabilidade de uma crença como algo derivado, podemos descobrir que a justificabilidade é apenas uma dentre outras propriedades normativas das crenças e que as intuições competidoras de internalistas e externalistas requerem a análise de mais do que uma propriedade das crenças, cada uma das quais está baseada de certo modo no conceito de virtude."
O que é uma virtude intelectual?
qual o lugar da noção de virtude no
debate epistemológico
antecedentes:

S sabe que p sse (def.) S possui uma crença verdadeira justificada e não-gettierizável de que P
justificação epistêmica
Fundamentos éticos do conhecimento?
Zagzebski pretende desenvolver “uma teoria da virtude suficientemente ampla para lidar tanto com as virtudes intelectuais quanto com as morais sob uma teoria única”, e mostrar que esta teoria “pode ser utilizada para a análise de alguns dos conceitos principais da epistemologia normativa, incluindo os conceitos de conhecimento e de crença justificada”

1. superar o debate entre internalistas e externalistas
Algumas alegadas vantagens do
Projeto Zagzebskiano
algumas supostas vantagens
3. captar mais apropriadamente os aspectos de nossas avaliações epistêmicas cotidianas:

"a reação das pessoas comuns à impropriedade epistêmica não consiste apenas em dizer que a crença de uma pessoa é injustificada, mas em direcionar a avaliação para a pessoa mesma, denominando-a de [possuir uma]
“mente estreita”, “descuidado”, “intelectualmente covarde”, “rasteiro”, “desatento”, “preconceituoso”, “ rígido” ou “obtuso
” (...). É claro que as crenças formadas como resultado destes defeitos são avaliadas negativamente, mas quaisquer termos para esta avaliação negativa, tais como
“injustificado” ou “irracional”, falham em informar qualquer outra coisa além da avaliação negativa isolada
(...). Conceitos como aqueles apresentados mais acima têm um conteúdo mais rico. Eles não são apenas termos normativos, avaliando negativamente, mas eles indicam o modo pelo qual o crente está a agir de modo impróprio."
2. integrar as avaliações epistêmicas às avaliações morais, permitindo uma avaliação global do caráter do sujeito epistêmico.
4. ligar a posse do conhecimento ao interesse de longo prazo no conhecimento: o valor do conheccimento virtudes sociais
para além do confiabilismo: o que é digno de louvor não é apenas nem prioritariamente o que pode nos conectar à verdade.

“Faculdades naturais, capacidades e talentos podem ser louvadas da mesma maneira que louvamos a beleza natural ou a força, mas não censuramos a falta deles. Virtudes são qualidades que merecem louvor por sua presença e censura por sua ausência. Virtudes são qualidades que merecem elogio por sua presença e censura por sua ausência. Uma censura ainda maior se deve a uma pessoa que possui o contrário de uma virtude, ou seja, um vício, mas nós não censuramos uma pessoa por ter o contrário de inteligência ou de boa aparência.”

Alguém pode, por exemplo, possuir a habilidade de consertar equipamentos eletrônicos, mas escolher não executa-la quando uma situação do tipo se apresenta. Entretanto, não agir de forma justa ou corajosa quando uma ocasião demanda tais excelências, é demonstrar que não possui as virtudes da justiça e da coragem, respectivamente.
Virtudes X Habilidades:
"ter uma vida interior rica"
HABILIDADES

• Habilidades verbais: habilidades de escrever e falar;

• Habilidades de acuidade perceptual, por exemplo, habilidades para a descoberta de informações; estas são as habilidades do detetive ou do jornalista;

• Habilidades lógicas: habilidades de realizar deduções e induções; habilidade de pensar em contra-exemplos;

• Habilidades explicativas, p.ex., a habilidade de pensar em analogias esclarecedoras;

• Habilidades matemáticas e habilidades de raciocínio quantitativo;

• Habilidades de pensamento espacial, p.ex., a habilidade de pensar sobre problemas;

• Habilidades mecânicas, por exemplo, saber como operar e manipular máquinas e outros objetos físicos.

VIRTUDES

• A capacidade para reconhecer os fatos relevantes; sensibilidade aos detalhes

• Manter a mente aberta durante a coleta e avaliação de evidências

• Justiça durante a avaliação dos argumentos dos outros

• Humildade intelectual

• Perseverança intelectual, diligência, cuidado e profundidade

• Adaptabilidade do intelecto

• As virtudes dos detetives: pensar sobre explicações coerentes dos fatos

• Ser capaz de reconhecer autoridade confiável

• Análise detalhada sobre pessoas, problemas e teorias

• As virtudes para o ensino: as virtudes sociais de ser comunicativo, incluindo aí a franqueza intelectual e reconhecimento da platéia e de suas reações.
virtudes são caracterizadas por sua associação à
motivação
:

"(...) vamos definir uma motivação como uma tendência persistente para ser movido por um motivo de certo tipo. Eu proponho que uma virtude tem um componente de motivação que é específico para a virtude em questão. (...) Um motivo é uma emoção direcionadora-da-ação. Mesmo que uma emoção possa ser possuída sem ser sentida, uma pessoa que está inclinada a ter uma emoção a sente de tempos em tempos, e quando ela atua como um motivo, a pessoa deseja atingir certo fim."
uma primeira aproximação da noção de "
virtude
":

"Uma virtude pode ser definida como uma
excelência profunda
e adquirida de uma pessoa, envolvendo uma motivação característica para produzir certo fim desejado e sucesso confiável em realizar este fim"
virtudes intelectuais e virtudes morais
"as virtudes intelectuais devem ser tratadas como um subconjunto das virtudes morais, no sentido aristotélico desta noção. (...) Eu argumentarei que uma virtude intelectual não difere de certas virtudes morais mais do que uma virtude moral difere de outra virtude moral, que os processos relacionados aos dois tipos de virtudes não funcionam independentemente, e que a tentativa de analisá-las em dois campos distintos da filosofia acaba por distorcer fortemente a natureza de ambas. Virtudes intelectuais são mais bem compreendidas como formas de virtudes morais."

As virtudes são integradas por uma virtudede ordem superior, a phronesis, e a busca por este caráter integrado é um dever moral.
Virtude e Conhecimento
a despeito da riqueza do vocabulário aretaico e da importância da busca de um caráter virtuoso, parece que nós avaliamos epistemicamente os indivíduos por conta da sua relação com uma dada crença em particular, com freqüência, e que uma teoria qualquer deve dar conta deste tipo de avaliação.

Sendo assim, a primeira observação a ser feita é a de que indivíduos claramente não-virtuosos podem ser candidatos apropriados ao conhecimento. A estratégia para dar conta disto consiste em conceder estatuto apropriado para o indivíduo que, mesmo não sendo virtuoso, é motivado de modo equivalente a uma pessoa virtuosa.
Uma característica das nossas avaliações cotidianas é a tentativa de captarmos o sucesso do agente (no caso da avaliação epistemológica, a consecução da verdade):

“[...] mesmo quando o componente motivacional de uma virtude é comumente associado ao sucesso, nós não dizemos que uma pessoa é virtuosa se ela não é confiavelmente bem sucedida, independente de se a maioria das pessoas que possuem tal traço é bem sucedida em alcançar os objetivos da virtude em questão. Desta forma, se ela realmente possui a virtude de ter a mente aberta, ela precisa ser, de fato, receptiva a novas ideias, examina-las de uma maneira imparcial e não descarta-las pelo fato de serem ideias alheias; simplesmente estar motivado neste sentido não é suficiente.”

E, claro, a motivação das virtudes intelectuais deve ser, em última instância, a verdade
como contraparte de um ato de virtude, podemos agora apresentar a noção de "crença justificada":

“Uma crença justificada é o que uma pessoa que é motivada por virtude intelectual, e que tem a compreensão de sua situação cognitiva que uma pessoa virtuosa teria, poderia acreditar em circunstâncias semelhantes.”

Uma crença injustificada é o que uma pessoa que é motivada por virtude intelectual, e que tem a compreensão de sua situação cognitiva que uma pessoa virtuosa teria, não acreditaria em circunstâncias semelhantes.

e, daí, podemos chegar, agora, uma definição de conhecimento:
Def 1: Conhecimento é o estado de contato cognitivo com a realidade resultante de atos de virtude intelectual.

ou, de modo alternativo,

Def 2: Conhecimento é um estado de crença verdadeira resultante de atos de virtude intelectual.

Ou ainda

Def 3: Conhecimento é um estado de crença resultante de atos de virtude intelectual. (para dar conta do neófito)
algumas críticas à uma teoria puramente aretaica do conhecimento


1. É plausível imaginar que as crenças de um sujeito possam ser avaliadas sob conceitos que parecem demandar alto grau de controle sobre a crença? O sujeito epistêmico suposto por Zagzebski não parece ser excessivamente sofisticado?
2. O que significa "agir do modo como um sujeito virtuoso agiria"?

Jonathan Kvanvig: não está claro, logo de partida, se há um tipo característico de entendimento da situação cognitiva por parte de um sujeito virtuoso. Segundo ele, "existe uma variedade de tipos de entendimento que uma pessoa virtuosa poderia ter". No entanto, a exigência de Zagzebski parece ser a de que um dado sujeito em particular, S, responsável pela justificação adequada de suas crenças, tenha um entendimento peculiar, de tipo X, digamos. O problema central desta suposição consiste em avaliar uma situação epistêmica atual tomando como base a posição epistêmica de outra pessoa, que pode ter um entendimento completamente diferente do sujeito S.
(Egocentrismo)
3. principalmente: a definição zagzebskiana de virtude, que supõe que uma virtude “é bem sucedida em seu fim”, parece realizar uma petição de princípio, já que nada há, na própria posse da virtude, que indique a satisfação da condição de V.
podemos dar um bom uso à
linguagem areteica?

Robert Merton (1964): O ethos da ciência "é o complexo de valores e normas efetivamente temperadas que se consideram obrigatórias para o homem de ciência" (Social Theory and Social Structure)
estas normas e valores "são transmitidas pelo preceito e pelo exemplo"

"[a ciência é] um meio de produção com uma modalidade ética bem precisa: não pode haver ciência desonesta". [Ela é guiada por] "hábitos ou atitudes morais". "São virtudes que o ofício de conhecer exige". (M. Bunge, Ética y Ciencia)
universalismo
comunismo
desinteresse
ceticismo organizado
originalidade
individualismo
neutralidade emocional
"a norma conforme a qual as reinvindicações de verdade devem ser submetidas a critérios impessoais e previamente estabelecidos".
como pensar sobre virtudes disseminadas por grupos?
como pensar sobre "virtudes sociais"?
considerando o dito em 7:
virtudes intelectuais sociais são virtudes do grupo
são virtudes de cada indivíduo em um grupo?
abordagem individualista
IND
.: As virtudes são do indivíduo, e foram adquiridas de um modo que é
ind
ependente de fatores sociais
REL
: A justificação de uma prop pode ser reconstruída pelo sujeito inteiramente com suas próprias virtudes individuais (tudo que é
rel
evante para que S esteja J em crer que P está ao alcance de S).
(mesmo que o caso de crença justificada se dê por um caminho social (uma teoria científica, por exemplo), S está em posição de reconstruir a J da crença, sozinho.
REL + IND = abordagem individualista FORTE
contra REL: argumentos anti-redicionistas no debate sobre o testemunho, já que nos caos sugeridos S se fia em virtudes
do informante
(e a demanda de que S possua tais virtudes parece ser extremamente exagerada).
porém, poderia ser dito em favor de REL que S, em tais casos, não usa as mesmas virtudes do informante, mas ele se fia no conjunto de suas virtudes para avaliar o informante
contra isto nós consideramos a seguinte tréplica: assim como Zagzebski considerava que não é preciso que S seja virtuoso para o conhecimento, bastando apenas que ele esteja motivado de modo análogo a alguém virtuoso, S não precisa sequer possuir as virtudes, mas deve ser adequadamente motivado
precisamos, de um lado, eliminar a credulidade, mas do outro lado captar a divisão de trabalho cognitivo, que é típica das ciências e de nossas experiências cotidianas.
REL - fraco: S tem (ou teria, se fosse consultado)
interesse em tudo que é relevante para a J de P
"virtudes de um grupo" é algo que pode ser imaginado para além de IND?

existe alguma competência cognitiva que seja diferente da soma das competências dos indivíduos membros do grupo?
note que esta questão é diferente de questões como:

pessoas em grupos tendem a estar mais atentas a detalhes do que quando sozinhas e, por isto, o grupo tem mais informação do que teriam os indivíduos, se isolados e depois somados. (o que é uma tese psicológica, não epistêmica)
IND
.: As virtudes são do indivíduo, e foram adquiridas de um modo que é
ind
ependente de fatores sociais
um programa para uma
teoria das virtudes sociais

1. construir casos em favor da existência de
virtudes puramente sociais, negando IND

VS - abordagem forte
existem virtudes "sociais"?
"Virtudes", sem IND
VS Fraca - aceitar IND numa
versão enfraquecida:

não há sequer um indivíduo virtuoso
no grupo, mas o grupo é
apropriadamente motivado
aqui parece haver uma especificidade que emerge do grupo:
estar adequadamente motivado, para um indivíduo, é algo digno de louvor epistêmico apenas se a motivação está ligada a um empreendimento de longo prazo ao qual o indivíduo se vincula. A posse da virtude é melhor, porém, que a motivação, já que ela gera uma estabilidade na consecução do fim que a motivação não gera
1. um grupo pode estar apropriadamente motivado , em t, mesmo que muitos indivíduos do grupo não o estejam.
2. os indivíduos apropriadamente motivados podem variar ao longo do tempo, dentro do grupo.
3. a sucessão de atos de virtudes que resultam do grupo podem gerar o tipo de estabilidade na consecução do fim que é típica de um caráter virtuoso
porém, para um grupo:
assim, se o ponto procede, haveria uma qualidade que o grupo tem, mas que nenhum indivíduo tem, uma qualidade que é tipicamente associada à noção de virtude:
a estabilidade
that's all folks
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