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Copy of Uma análise de "Negrinha" de Monteiro Lobato e "Férias para crianças pobres" de Olavo Bilac

Uma pequena análise do conto e da crônica sob a perspectiva introdutória de teóricos sobre as questões envolventes.
by

HERBERT NUNES

on 29 October 2014

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Transcript of Copy of Uma análise de "Negrinha" de Monteiro Lobato e "Férias para crianças pobres" de Olavo Bilac

Introdução:

Em 1920, Monteiro Lobato (1882-1948), publicava o conto Negrinha no livro do mesmo nome. Embora distante três décadas da proclamação da República e da extinção da escravidão, o Brasil ainda vivia efeitos da transição da Monarquia para a República e do trabalho escravo para o trabalho livre.

A personagem Negrinha, quando da apresentação, logo é adjetivada como uma órfã, preta, na verdade, posta pelo narrador como um misto de fusca, mulatinha-escura, de cabelos ruços e olhos assustados (p.19).

Deve-se ainda a notação de que nascera na senzala, de mãe escrava, e seus primeiros anos vivera-os pelos cantos escuros da cozinha, sobre velha esteira e trapos imundos (p.19). Vale observar que vivera sempre escondida, que a patroa não gostava de crianças.

O riso na face era libertador, e o narrador usa-se dessa construção, para trazer ao texto um humor capaz de desfazer um clima tenso existente na narrativa. Não tinha conta o número de apelidos com que a mimoseavam [...] foi bubônica [...] achou linda a palavra. Perceberam-no e suprimiram-na da lista (p.20).

É a insensibilidade de Dona Inácia que acompanha e ornamenta, o tempo todo, esse riso, com indiferenças, incompaixões e rispidez. O narrador dita como necessária essa falta de sentimentalismo, ao construir-se o texto, pois, somente assim, essa sociedade teria a notação necessária de um riso posto como uma busca pela correção moral.
Concluo lembrando que

Nesse direcionamento, os estudos comparados das tensões em “Negrinha” e os enfretamentos da representação de alteridades, suas implicações das identidades político-culturais, suas múltiplas histórias no contexto da diversidade nos processos textuais e históricos que constituem as literaturas nacionais; permitiu-me dialogar com questões que definem a literatura comparada como uma área singular e privilegiada para observação e análise crítica, principalmente entre as interações plurais das literaturas.

De todo constructo, é preciso sempre estar atento, desconfiar das aparências e das personagens postas em qualquer texto. Porém, é necessário perceber o que as aparências podem e desejam-nos revelar. Distinguir principalmente o essencial, o interno, na narrativa e, no caso do narrador, sobretudo, certo desejo político e ideológico de “afirmação” ou mera “denúncia”.
Profº. Dr. Herbert Nunes de Almeida/IFAL
A discussão analítica do conto, precocemente, já nos direciona para o ambiente hostil e inóspito ocupado pela personagem “cantos da cozinha”- perfil animalizado - com a imagem da “patroa que não gostava de crianças”.

Observo:
. subalternidade cultural;

[...] diante de uma sociedade que praticava, no tempo do Império e da escravidão, as mesmas tiranias com crianças ilegítimas, ou seja, jogá-las e criá-las nos cantos mais espessos das cozinhas.

.
o indefeso;
[...] choro inocente transforma-a em uma “peste criminosa” (grifos meus), sentenciada por beliscões e mudez intensa. Animalizada, a personagem é criada pelos cantos, sem apego ou zelo, ornamentada de adjetivações diminutivas, “mulatinha” e fadada à fome, ao frio e condicionada a um aspecto de magra, atrofiada, desaguando em olhos eternamente assustados; e desprezada como um “cão sem dono” [...]

.

O riso satírico;
[...] posto no conto apresenta-se inicialmente montado em uma proposital contradição entre essa “excelente Dona Inácia” e a posição animalesca vivida por Negrinha, quando postada nos cantos escuros da cozinha, sobre velha esteira e trapos imundos (p.19)

[...] imobilizava-se no canto, horas e horas. [...] Cruzava os braçinhos - tom de piedade do narrador - a tremer, sempre com o susto nos olhos.

E é esse acento cômico que também veste a personagem no conto, sobretudo, na utilização de diminutivos “pestinha, cachorrinha”, que provocam uma importante marcação social e de posição hierárquica ocupada pela personagem. Ri-se da subalternidade que, nesse caso, se associa às classes sociais populares e menos favorecidas, como a da indefesa personagem.
[...]
A criação literária traz como condição necessária uma carga de liberdade que a torna independente sob muitos aspectos, de tal maneira que a explicação dos seus produtos é encontrada, sobretudo neles mesmos. [...] E sendo um sistema de produtos que são também instrumentos de comunicação entre os homens, possui tantas ligações com a vida social, que vale a pena estudar a correspondência e a interação entre ambas (CANDIDO, 1989, p.163).

É por isso que, nessa criação literária, é permitido o diálogo a respeito da conjunção cor e criação artística em Monteiro Lobato, pois seu texto aborda, em um primeiro sentido, o universo submisso e conflitante, possuído pelo negro, em detrimento ao branco sentido que se justifica, quando da construção, por exemplo, do trecho "A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças". [...] Vinha da escravidão, fora senhora de escravo – e daquelas ferozes [...] Nunca se afizera ao regime novo – essa incidência de negro igual a branco – [...]
A animalização, o riso e a crítica caminham juntos na voz do narrador até a morte seca e metafísica da personagem. Animalizada, morre nos extremos limites da simplicidade e da aniquilação em uma esteirinha rota, abandonada de todos, como um gato sem dono (p.25), no lugar onde Michelet (1965, p.199) vai observar como a hierarquia do simples, abaixo das camadas populares, ou seja, onde se localizavam os animais e as crianças como Negrinha. O desaparecimento dos sentidos da personagem leva-a à tontura; e a uma névoa que a envolve. E que a faz regirar em seguida, confusamente, num disco (p.25), indicando que, nesse momento, se esvaia em trevas (grifos meus) a impossibilidade de revolta diante da convivência com os “humanos”.
DOIS TONS AO NEGRO: A ANIMALIZAÇÃO E A IRONIA PRESENTES NO CONTO “NEGRINHA”, DE MONTEIRO LOBATO
Obrigado!!!
herbertnunes@yahoo.com.br

DOIS TONS AO NEGRO: A ANIMALIZAÇÃO E A IRONIA PRESENTES NO CONTO “NEGRINHA”, DE MONTEIRO LOBATO
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