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Leitura visual - Aula II

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by

Jefferson Cardoso

on 19 September 2016

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Transcript of Leitura visual - Aula II

Leitura Visual
(Aula 2)

design by Dóri Sirály for Prezi
A construção arquitetônica é orientada pela leitura do projeto gráfico, que representa a ideia do arquiteto projetista. Isso estabelece a dinâmica arquitetônica como interação semiótica, porque o projetista e o construtor devem dominar e fazer interagir a linguagem projetiva com a linguagem construtiva.

O processo projetivo tem início na mente do arquiteto projetista, que deve ser o intérprete de suas próprias ideias. Posteriormente, é necessário o domínio da linguagem gráfica, para a representação das ideias como projeto.
Por outro lado, o processo construtivo tem início com a leitura do projeto gráfico, porque é assim que o construtor entra em contato com as ideias do projetista. Além de interpretar ou decodificar o projeto gráfico, o construtor deve recodificar as ideias apreendidas, em processos que serão desenvolvidos na construção da obra arquitetônica.

São diversos os processos semióticos de codificação e decodificação de linguagens, como a linguagem interna do pensamento, a linguagem projetiva, a linguagem gráfico-representativa e a linguagem construtiva. Os estudos de codificação e decodificação são desenvolvidos em Semiótica, que “é a ciência dos signos, a ciência de investigação de todas as linguagens” (SANTAELLA, 1983).
Interpretação semiótica
Em seguida, o
interpretante
(associação), que caracteriza o
representamen
(sensação) como o desenho da ponte, apresenta-se à mente como um novo representamen, implicando também um novo referente (lembrança). A relação proposta por último considera agora a associação entre o desenho e uma lembrança mais específica, representada pela imagem fotográfica. Essa imagem fotográfica representa
Tower Bridge
ponte localizada em Londres, Inglaterra e um de seus cartões postais mais famosos.

Considerando-se o desenho e a imagem fotográfica de uma ponte (
Tower Bridge, Londres
), indica-se que o desenho é o
representamen
, que traz à mente do observador a lembrança dessa ponte, representada pela imagem fotográfica. Isso é necessário porque não há como mostrar diretamente uma lembrança, sendo exigida uma forma de representação.
A percepção ou sensação provocada pelo desenho de parte da ponte é considerada o
representamen
do signo, na medida em que aciona na mente a lembrança da imagem da ponte, aqui representada pela imagem fotográfica.
Assim, o pensamento desenvolve-se e vai adiante. Ao compor um interpretante, outra tríade se forma no devir do pensamento, relacionando lembranças e estabelecendo conjecturas. Busca-se um interpretante final, que nunca se instaura definitivamente.

O modelo e a reflexão propostos esclarecem o processo interpretativo de um desenho, com base no conceito de semiose. Mas também servem para ilustrar o devir do projeto arquitetônico, desde a representação gráfica (desenho) até a existência histórica da obra (ponte antiga).
As categorias do signo
A condição de objeto estético é atribuída à
Tower

Bridge
devido às sensações e sentimentos que sua imagem promove no observador. A história da edificação influencia os observadores, proporcionando sentimentos nostálgicos, especialmente, em quem conviveu por longo tempo com a edificação, considerando-a parte de sua vida.
Trata-se, contudo, agora de destacar as impressões diretas do observador, antes que sejam acionadas suas reminiscências. Essas sensações e sentimentos, que são despertados de imediato, surpreendendo o observador, são elementos típicos da categoria fenomenológica de
primeiridade
.


Semiótica e arquitetura
Ao buscar a relação entre a representação arquitetônica e a obra final, como resultado do processo de construção, percebe-se que os desenhos em planta ou em perspectiva são signos ou representações do produto final que é esperado. É, entretanto, interessante observar que, nesse caso, o referente ou o objeto do signo ainda não existe materialmente, sendo apenas um objeto ideal na consciência do arquiteto.
A teoria semiótica foi desenvolvida por Charles Sanders Peirce (1839-1914), cientista e filósofo. Peirce considerou signo qualquer coisa, de qualquer espécie, que representa uma outra coisa, diferente de si mesma (SANTAELLA, 2005).

O signo é sempre composto, em uma consciência ou mente, por três elementos: (1) representamen, (2) referente e (3) interpretante (SANTAELLA, 2005).

Esses elementos são resultantes de uma sensação (representamen), de uma lembrança (referente) e de uma relação ou associação (interpretante) estabelecida entre a sensação e a lembrança.
interpretante
representamen
referente ou
objeto
signo
interpretante
representamen
referente ou
objeto
signo
Dessa forma, o arquiteto é responsável pelas aparências arquitetônicas que estabelecem as possibilidades de organização, uso e construção do espaço. Assim, “o ambiente construído é, por si só, um sistema de comunicação, uma vez que através dele são veiculadas diversas manifestações do imaginário coletivo”
(MALARD, 2006, p. 39).
A
primeiridade
é o campo das sensações, aqui denominadas ícones. Nessa condição, o percebido manifesta-se como sensação e, portanto, é um fenômeno fundamentalmente interno à mente. O desenho da ponte apresentado anteriormente é relacionado com a imagem fotográfica ou com a lembrança da própria ponte em decorrência de uma semelhança de sensações. Portanto, o desenho da ponte é um signo icônico com relação a seu referente, porque se estabelece por semelhança de sensações no âmbito da
primeiridade
.

Quem não conviveu com a ponte e chega à cidade de Londres pode receber informações sobre o tempo de existência e sobre a participação da ponte nos acontecimentos da cidade.
Além das impressões causadas pela visão da edificação (ícone de primeiridade) e do reconhecimento de que é um objeto antigo do local (índice de secundidade), o observador é informado de maneira lógica e convencional sobre o papel histórico-convencional da ponte como símbolo de terceiridade.
Assim, a
terceiridade
abriga os fenômenos tipicamente simbólicos, nos quais as sensações são nomeadas e relacionadas como símbolos. Há uma interposição interpretativa entre a consciência-mente e a coisa que foi percebida, promovendo a mediação entre essa consciência e os fenômenos. Assim, os símbolos são mediadores com os quais representamos e interpretamos o mundo.

Na relação associativa, a imagem da ponte na mente do observador, como parte do interpretante formado com base no índice fotográfico, é primeiramente percebida como signo icônico (ícone), que, de modo geral, pode ser associado e comparado, por analogia, a outras pontes, sendo mais especificamente relacionado com a antiga ponte da cidade de Londres, que recebeu esse nome por ter sido construída nas proximidades do
Palácio Real e Fortaleza de Sua Majestade A Torre de Londres
. O reconhecimento do caráter fotográfico da imagem a qualifica como signo indicial ou índice de realidade e, também, estabelece, em parte, seu caráter documental. A imagem propõe, ainda, uma associação convencional com a palavra ponte e com o nome
Tower
(torre), entre outras associações convencionais, que assinalam seu valor como símbolo ou metáfora visual.
A simbologia da imagem
Devido a suas formas e aos usos recorrentes, a ideia de ponte também simboliza o ato de atravessar, definida como uma “obra construída para estabelecer comunicação entre dois pontos separados por um curso de água ou qualquer depressão do terreno” (HOUAISS, 2009).
O movimento que é comum nos elementos de passagem não é representado de modo figurativo na imagem da ponte em estudo, uma vez que não são percebidos automóveis, pessoas ou animais, porque a imagem mostra a ponte de baixo para cima. A imagem analisada também não permite a sensação de movimento, que ocorre nas pontes suspensas simples, projetadas para o uso de pedestres ou rebanho de animais, em que a composição de cordas e madeiras é instável e balança de acordo com a dinâmica do transeunte. Ponte também é símbolo de progresso, e essa aqui trabalhada, especificamente, é símbolo de progresso industrial, porque representa o pleno domínio da tecnologia do aço, material que marcou significativamente a cultura de uma época importante na história recente da civilização.
Do ponto de vista da arquitetura, Pignatari (2004, p. 154) esclarece que “o signo arquitetônico é um signo icônico tridimensional, habitável e vivível, através de relações interespaciais e intraespaciais”. Com isso, a imagem em estudo simboliza uma ponte pênsil que também é associada à ideia de ponte em geral e ao conjunto de elementos que apresentam formas e funções semelhantes para servir de via ao usuário. E, complementando a significação metafórica, além de progresso, a ideia e a imagem de ponte representam passagem, união, realização, comunicação e encontro, entre outras significações.

Ao buscar a relação entre a representação arquitetônica e a obra final, como resultado do processo de construção, percebe-se que os desenhos em planta ou em perspectiva são signos ou representações do produto final que é esperado. É, entretanto, interessante observar que, nesse caso, o referente ou o objeto do signo ainda não existe materialmente, sendo apenas um objeto ideal na consciência do arquiteto. Esse caráter ideal do referente reveste o projeto de importância, uma vez que, sem algum tipo de representação, não há como o arquiteto comunicar a obra proposta ao cliente e ao construtor, porque essa ainda não existe no mundo material.
Assim, o projeto gráfico como representação arquitetônica é o signo que deve gerar um interpretante coerente e convincente na mente de clientes e construtores. Isso envolve um complexo processo representativo e interpretativo, que foi desenvolvido na tradição arquitetônica e aguçado depois da divisão de especialidades do trabalho na área da construção.
Um projeto desenvolvido e representado pelo arquiteto é um signo que prevê e expressa a obra arquitetônica. A ideia ou o projeto mental é o objeto do signo que, primeiramente, foi imaginado e desejado pelo cliente. “Pode-se dizer, então, que o espaço arquitetônico é a espacialização do desejo” (MALARD, 2006, p. 37).
O objeto de desejo é transmitido por palavras e diversas outras expressões ao arquiteto. De posse dessa informação, o profissional recria o objeto mental, mas codificando-o de acordo com uma ordem arquitetônica. “A obra não é apenas manual: também a imaginação é uma técnica, é geradora de imagens que povoam o espaço da mente antes do espaço do mundo” (ARGAN, 2004, p. 18). Em seguida, é feita a representação gráfica do projeto. Assim, compõe-se um signo gráfico, que visa a configurar um interpretante na mente do cliente. Essa imagem deve corresponder a seu objeto de desejo, sendo ainda um edifício possível de ser técnica e financeiramente executado pelo construtor. Esse último é o próximo intérprete e realizador material do projeto proposto na representação gráfica.
Para tanto, também, é necessário o domínio da linguagem construtiva, porque as ideias representadas no projeto devem ser arquitetonicamente exequíveis.

“Quando se projeta, trata-se primeiramente com ideias, com abstrações, em vez de números. É vital que se desenvolva e aplique a imaginação para visualizar, realisticamente, a futura concepção do produto” (BACK et al., 2008, p. 4).
Semiótica peirciana
Esta lembrança é indicada como
objeto ou referente
do signo. E, por fim, a relação ou associação entre a sensação gráfica percebida (
representamen
) e a lembrança fotográfica (
referente
) determina o
interpretante do signo
, como indica a dinâmica proposta na imagem a seguir:
Há, portanto, a lembrança de um objeto material que está ausente, mas que representa outros signos associados, incluindo um nome e um espaço de localização. Uma vez que teve início, o processo de semiose tende ao infinito, porque a imagem é, também, associada como objeto histórico e possui funções específicas.
A fenomenologia proposta por Peirce indica três categorias da consciência:

1.
primeiridade;

2.
secundidade;
3.
terceiridade
.

Sensações e sentimentos são elementos de primeiridade.

Relações de contiguidade entre as sensações e a realidade são elementos de secundidade.

Ideias e convenções são elementos de terceiridade.
Por outro lado,
Tower Bridge
é um signo da cidade de Londres, porque está situada na cidade, sendo parte dela. A relação física entre a parte e o todo é um fenômeno de secundidade, de acordo com as categorias fenomenológicas definidas por Peirce.

A
secundidade
é marcada pela consciência dos estímulos que propiciaram as sensações, implicando o reconhecimento de elementos de uma realidade externa, cuja existência resiste à vontade da mente, como índices ou indícios de realidade. Do mesmo modo, a imagem fotográfica é um índice da ponte material, como registro da luz que refletiu da edificação em um determinado instante de tempo.
Pignatari (2004) considera a espontaneidade a qualidade do primeiro, o real, a do segundo, que é o aqui e agora das coisas, que provoca uma reação de significância do primeiro, e que é contestado pelo o terceiro, o interpretante, o qual recaptura o signo e o objeto em função do repertório e configura o chamado significado. Esse, por sua vez, reinicia o processo, voltando novamente à primeiridade, mas agora com relações de comparação, e, dessa forma, os três conceitos podem ser associados ao passado (primeiridade), presente (secundidade) e futuro (terceiridade).
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