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Analise comparativa entre Adamastor e Mostrengo

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Patrícia Silva Lopes

on 30 January 2015

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Transcript of Analise comparativa entre Adamastor e Mostrengo

Tempo:
Vasco da Gama está a contar a história do Adamastor ao Rei de Melinde (No tempo do discurso utiliza analepse). O tempo no episódio é cronológico desde a altura que o Adamastor entra numa nuvem de agua até que ele se vai.
Espaço:
A acção decorre quando os navegadores se encontram a meio da sua viagem (a passar pelo Cabo das Tormentas). Eles estão no vasto oceano e Camões faz questão de isto destacar.
O QUE REPRESENTA O EPISÓDIO?

Geograficamente
: representa o Cabo da Boa Esperança.

Simbolicamente:
O Adamastor representa a vitória sobre o medo do desconhecido e todos os obstáculos e perigos enfrentados.
Canto V,episódio do Gigante Adamastor
Trabalho realizado por:
Joana Costa nº 12

Patrícia Lopes nº 18
Adamastor e "O Mostrengo"
CONSTRUCÃO DO HERÓI ÉPICO
A figura do Adamastor surge, como um símbolo dos perigos terríveis que os portugueses tiveram que enfrentar e ultrapassar com coragem e audácia. Representa o maior de todos os obstáculos, na realização de qualquer viagem, seja qual for a natureza dessa viagem. Ele é o símbolo das forças cósmicas que continuamente limitam o homem.

Este episódio é fundamental na construção do herói épico que, vencendo o medo do desconhecido, se ultrapassa a si mesmo.

Depois de cinco dias de bom tempo, os navegadores estão "descuidados". Entretanto aparece uma nuvem "Tão temerosa vinha e carregada" que põe os navegadores com tanto medo que leva Vasco da Gama a apelar a Deus.
Parte:
Narração
Plano :
Plano da viagem de Vasco da Gama
Categoria:
Simbólico ( O gigante Adamastor simboliza o Cabo das Tormentas e todos os perigos e obstáculos enfrentados pelos navegantes.
CARACTERIZAÇÃO DAS PERSONAGENS
Narrador:
Vasco da Gama (narra a história na primeira pessoa ).
Narratário:
Rei de Melinde
Adamastor é um titã,
medonho
,
disforme
,
carrancudo
e
ameaçador
. Tinha uma
barba imunda
e bastante danificada,
cabelos secos e maltratados
e quando surge, surge diante de uma nuvem imensa.
(ex. «Arrepiam-se as carnes e o cabelo/ A mi e a todos só de ouvi-lo e vê-lo»)
.Também se revela bastante
emotivo
ao recordar-se do seu drama amoroso.
ADAMASTOR
VASCO DA GAMA
Vasco da Gama, no início, revela-se
amedrontado
e diz “arrepiam-se as carnes e o cabelo/ a mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo”.Gama prova ser
destemido e curioso
, ao perguntar-lhe “Quem és tu?”. Além do mais, Vasco da Gama é
crente
, “Eu, levantando as mãos ao santo coro/Dos Anjos […]/ A Deus pedi que removesse os duros casos”.

ESPAÇO E TEMPO
Porém já cinco sóis eram passados
Que dali nos partíramos, cortando
Os mares nunca doutrem navegados, Prosperamente os ventos assoprando, Quando uma noite, estando descuidados Na cortadora proa vigiando,
Uma nuvem, que os ares escurece,
Sobre nossas cabeças aparece.
Tão temerosa vinha e carregada,
Que pôs nos corações um grande medo;
Bramindo, o negro mar de longe brada,
Como se desse em vão nalgum rochedo.
"Ó Potestade (disse) sublimada:
Que ameaço divino ou que segredo
Este clima e este mar nos apresenta,
Que mor cousa parece que tormenta?"
37
38
Vasco da Gama não havia terminado de falar quando surgiu uma figura enorme, de rosto fechado, de olhos encovados, de postura má, de cabelos crespos e cheios de terra, de boca negra e de dentes amarelos.Esta passagem é meramente descritiva.
Não acabava, quando uma figura
Se nos mostra no ar, robusta e válida,
De disforme e grandíssima estatura;
O rosto carregado, a barba esquálida,
Os olhos encovados, e a postura
Medonha e má e a cor terrena e pálida;
Cheios de terra e crespos os cabelos,
A boca negra, os dentes amarelos.
39
Surge no quarto verso a introdução da fala do Gigante, cuja voz fazia arrepiar os cabelos e a carne dos navegantes.
Tão grande era de membros, que bem posso
Certificar-te que este era o segundo
De Rodes estranhíssimo Colosso,
Que um dos sete milagres foi do mundo.
Cum tom de voz nos fala, horrendo e grosso,
Que pareceu sair do mar profundo.
Arrepiam-se as carnes e o cabelo,
A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo!
40
O gigante chama os portugueses de ousados e afirma que nunca repousam e que tem por meta a glória particular, pois chegaram aos confins do mundo.
" O MOSTRENGO"
«monstro + engo»
O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou trez vezes,
Voou trez vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-rei D. João Segundo!»
«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou trez vezes,
Trez vezes rodou immundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-rei D. João Segundo!»
Trez vezes do leme as mãos ergueu,
Trez vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer trez vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quere o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
D' El-rei D. João Segundo!»
-Refere-se à viagem de Bartolomeu Dias, em 1487, quando foi dobrado o Cabo da Boa Esperança;

-O Mostrengo, semelhante a um animal, voa e chia e surge na noite escura;

-Inspira medo através de movimentos circulares, ameaçadores e opressivos; mais tarde, esse medo irá ser superado;

- Reconhece a coragem do marinheiro, representante da vontade do Rei e do povo português;

-Simboliza todos os perigos que advêm da navegação por mares desconhecidos.
E disse: "Ó gente ousada, mais que quantas
No mundo cometeram grandes cousas,
Tu, que por guerras cruas, tais e tantas,
E por trabalhos vãos nunca repousas,
Pois os vedados términos quebrantas
E navegar nos longos mares ousas,
Que eu tanto tempo há já que guardo e tenho, Nunca arados d’estranho ou próprio lenho
41
Já que os portugueses descobriram os segredos do mar, o gigante ordena-lhes que ouçam os sofrimentos futuros, consequências do atrevimento de cruzar os mares.
Pois vens ver os segredos escondidos
Da natureza e do úmido elemento,
A nenhum grande humano concedidos
De nobre ou de imortal merecimento,
Ouve os danos de mi que apercebidos
Estão a teu sobejo atrevimento,
Por todo largo mar e pola terra
Que inda hás de sojugar com dura guerra.
42
O gigante afirma que os navios que fizerem a viagem que Vasco da Gama está a fazer terão aquele cabo como inimigo. A primeira armada a que se refere Adamastor é a de Pedro Álvares Cabral, que perdeu ali quatro de suas naus.
Sabe que quantas naus esta viagem
Que tu fazes, fizerem, de atrevidas, Inimiga terão esta paragem,
Com ventos e tormentas desmedidas!
E da primeira armada, que passagem Fizer por estas ondas insufridas,
Eu farei d’improviso tal castigo,
Que seja mor o dano que o perigo!
43
O gigante afirma que se vingará ali mesmo de seu descobridor, Bartolomeu Dias, e que outras embarcações portuguesas serão destruídas por ele.
Aqui espero tomar, se não me engano,
De quem me descobriu suma vingança.
E não se acabará só nisto o dano
De vossa pertinace confiança:
Antes, em vossas naus verei, cada ano,
Se é verdade o que meu juízo alcança, Naufrágios, perdições de toda sorte,
Que o menor mal de todos seja a morte!
44
É citado D. Francisco de Almeida, primeiro vice-rei da Índia, e sua vitória sobre os turcos. O gigante continua ameaçador: junto a ele continua a haver perigo.
E do primeiro ilustre, que a ventura
Com fama alta fizer tocar os céus,
Serei eterna e nova sepultura,
Por juízos incógnitos de Deus.
Aqui porá a turca armada dura
Os soberbos e prósperos troféus;
Comigo de seus danos o ameaça
A destruída Quíloa com Mombaça.
45
Nesta estrofe o gigante cita a desgraça da família de Manuel de Sousa Sepúlveda, cujo destino será tenebroso.
Outro também virá, de honrada fama, Liberal, cavaleiro, enamorado,
E consigo trará a fermosa dama
Que Amor por grão mercê lhe terá dado. Triste ventura e negro fado os chama Neste terreno meu, que, duro e irado,
Os deixará dum cru naufrágio vivos, Pera verem trabalhos excessivos.
46
O gigante diz que os filhos queridos de Manuel de Sousa Sepúlveda morrerão de fome e sua esposa será violentada pelos habitantes da África, depois de caminhar pela areia do deserto.
Verão morrer com fome os filhos caros,
Em tanto amor gerados e nascidos;
Verão os Cafres, ásperos e avaros,
Tirar à linda dama seus vestidos;
Os cristalinos membros e preclaros
À calma, ao frio, ao ar verão despidos, Despois de ter pisada longamente
Cos delicados pés a areia ardente
Os sobreviventes do naufrágio verão Manuel de Sousa Sepúlveda e sua esposa, que morrerão juntos,ficarem no mato quente e inóspito
E verão mais os olhos que escaparem De tanto mal, de tanta desventura,
Os dous amantes míseros ficarem
Na férvida e implacábil espessura.
Ali, despois que as pedras abrandarem Com lágrimas de dor, de mágoa pura, Abraçados, as almas soltarão
Da fermosa e misérrima prisão.
47
48
O gigante continuaria a fazer as previsões se Vasco da Gama não o interrompesse perguntando quem era aquela figura maravilhosa. O monstro responde com voz pesada porque relembraria o seu triste passado.
Mais ia por diante o monstro horrendo Dizendo nossos fados, quando, alçado,
Lhe disse eu: - Que és tu? Que esse estupendo Corpo certo me tem maravilhado!
A boca e os olhos negros retorcendo
E dando um espantoso e grande brado,
Me respondeu, com voz pesada e amara, Como quem da pergunta lhe pesara:
49
O gigante apresenta-se dizendo que é o Cabo Tormentoso, nunca conhecido pelos geógrafos da Antiguidade.
Eu sou aquele oculto e grande Cabo
A quem chamais vós outros Tormentório,
Que nunca a Ptolomeu, Pompônio, Estrabo, Plínio e quantos passaram fui notório.
Aqui toda a africana costa acabo
Neste meu nunca visto promontório,
Que pera o Pólo Antártico se estende,
A quem vossa ousadia tanto ofende
50
Adamastor diz que era um dos Titãs que lutavam contra Júpiter e que sobrepunham montes para alcançar o Olimpo. Ele, no entanto, buscava a armada de Neptuno, nos mares.
Fui dos filhos aspérrimos da Terra,
Qual Encélado, Egeu e Centimano;
Chamei-me Adamastor e fui na guerra Contra o que vibra os raios de Vulcano;
Não que pusesse serra sobre serra,
Mas conquistando as ondas do Oceano,
Fui capitão do mar, por onde andava
A armada de Neptuno, que eu buscava.
51
Adamastor cometeu a loucura de lutar contra neptuno por amor a Tétis, por quem desprezou todas as Deusas. Um dia a viu nua na praia e apaixonou-se por ela, e ainda não há algo que deseje mais do que ela.
Amores da alta esposa de Peleu
Me fizeram tomar tamanha empresa;
Todas as Deusas desprezei do Céu,
Só por amar das águas a princesa;
Um dia a vi, coas filhas de Nereu,
Sair nua na praia e logo presa
A vontade senti de tal maneira,
Que inda não sinto cousa que mais queira.
52
Como jamais conquistaria Tétis porque era muito feio, Adamastor resolveu conquistá-la por meio da guerra e manifestou a sua intenção a Dóris, mãe de Tétis.
Como fosse impossíbel alcançá-la
Pola grandeza feia de meu gesto, Determinei por armas de tomá-la
E a Dóris meu caso manifesto.
De medo a Deusa então por mi lhe fala. Mas ela, cum fermoso riso honesto, Respondeu: - Qual será o amor bastante
De ninfa, que sustente o dum Gigante
53
Continua a resposta de Tétis, ela para livrar o Oceano da guerra, tentará solucionar o problema com dignidade. O gigante afirma que, já que estava cego de amor, não percebeu que as promessas que Dóris e Tétis lhe faziam eram mentirosas.
Contudo, por livrarmos o Oceano
De tanta guerra, eu buscarei maneira
Com que, com minha honra, escuse o dano.
Tal resposta me torna a mensageira.
Eu, que cair não pude neste engano
(Que é grande dos amantes a cegueira),
Encheram-me, com grandes abondanças,
O peito de desejos e esperanças.
54
Uma noite, louco de amor e desistindo da guerra, aparece-lhe o lindo rosto de Tétis, única e nua. Como louco, o gigante correu abrindo os braços para aquela que era a vida de seu corpo e começou a beijá-la.
Já néscio, já da guerra desistindo,
Uma noite, de Dóris prometida,
Me aparece de longe o gesto lindo
Da branca Tétis, única, despida.
Como doudo corri de longe, abrindo
Os braços pera aquela que era a vida
Deste corpo e começo os olhos belos
A lhe beijar, as faces e os cabelos.
Adamastor não consegue expressar a mágoa que sentiu, porque, ao achar que beijava e abraçava Tétis, encontrou-se abraçado a um duro monte. Sem palavras e imóvel, sentiu-se como uma rocha diante de outra rocha.
Oh! Que não sei de nojo como o conte!
Que, crendo ter nos braços quem amava,
Abraçado me achei cum duro monte
De áspero mato e de espessura brava.
Estando cum penedo fronte a fronte,
Que eu polo rosto angélico apertava,
Não fiquei homem, não; mas mudo e quedo
E junto dum penedo outro penedo!
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Adamastor invoca Tétis, perguntando porque, se ela não amava, não o manteve com a ilusão de abraçá-la. Dali ele partiu quase louco pela mágoa e pela desonra procurando outro lugar em que não houvesse quem risse de sua tristeza.
Ó Ninfa, a mais fermosa do Oceano,
Já que minha presença não te agrada,
Que te custava ter-me neste engano,
Ou fosse monte, nuvem, sonho ou nada? Daqui me parto, irado e quase insano
Da mágoa e da desonra ali passada,
A buscar outro mundo, onde não visse
Quem de meu pranto e de meu mal se risse.
Os Titãs já foram vencidos e soterrados para maior segurança dos deuses, contra quem não é possível lutar. Adamastor anuncia, então, o seu triste destino.
Eram já neste tempo meus Irmãos
Vencidos e em miséria extrema postos,
E, por mais segurar-se Deuses vãos,
Alguns a vários montes sotopostos.
E, como contra o Céu não valem mãos,
Eu, que chorando andava meus desgostos, Comecei a sentir do fado imigo,
Por meus atrevimentos, o castigo:
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A carne do gigante se transformou em terra e os ossos em pedra; seus membros e sua figura alongaram-se pelo mar; os Deus fizeram dele um Cabo. Para que sofra o dobro, Tétis costuma banhar-se nas águas próximas.
Converte-se-me a carne em terra dura;
Em penedos os ossos se fizeram;
Estes membros que vês e esta figura
Por estas longas águas se estenderam;
Enfim, minha grandíssima estatura
Neste remoto Cabo converteram
Os Deuses; e, por mais dobradas mágoas,
Me anda Tétis cercando destas águas.
O gigante desapareceu chorando e o mar soou longínquo. Vasco da Gama ergue os braços ao céu e pede aos anjos que os casos futuros contados por Adamastor não se realizem.
Assi contava; e, cum medonho choro,
Súbito d’ante os olhos se apartou.
Desfez-se a nuvem negra e cum sonoro Bramido muito longe o mar soou.
Eu, levantando as mãos ao santo coro
Dos Anjos, que tão longe nos guiou,
A Deus pedi que removesse os duros
Casos que Adamastor contou futuros.
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Prof.: Conceição Margaça
12º A
Disciplina: Português
Três foram os heterónimos principais, três são as estrofes do poema e três um número que paira sobre o poema
, como uma sombra de misticismo, como que dizendo que mesmo nas puras ações de coragem há a presença do divino ou pelo menos do conhecimento oculto. Isto significa que mesmo na mais simples das ações há destino, que nunca pode ser negado, quer no homem, quer na natureza. O pobre homem do leme e o Mostrengo são armas de um poder maior do que eles mesmos, ou até do que o destino de ambos.
SUPERAÇÃO INDIVIDUAL
"O que o Gigante Adamastor é para
Os Lusíadas
é para a mensagem o "O Mostrengo".
Ambos, cardeais, axiais; ambos de tal imporância, que foram colocados, pelos seus autores, exactamente, pensadamente, mesmo materialmente, no meio do grande poema. No caso da Mensagem, o rigor e exactidão são matemáticos: 21 poemas antes, 21 poemas depois de "O Mostrengo". »
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