Loading presentation...

Present Remotely

Send the link below via email or IM

Copy

Present to your audience

Start remote presentation

  • Invited audience members will follow you as you navigate and present
  • People invited to a presentation do not need a Prezi account
  • This link expires 10 minutes after you close the presentation
  • A maximum of 30 users can follow your presentation
  • Learn more about this feature in our knowledge base article

Do you really want to delete this prezi?

Neither you, nor the coeditors you shared it with will be able to recover it again.

DeleteCancel

Make your likes visible on Facebook?

Connect your Facebook account to Prezi and let your likes appear on your timeline.
You can change this under Settings & Account at any time.

No, thanks

O trabalho como ontologia do ser social

No description
by

Fernando Heck

on 8 November 2014

Comments (0)

Please log in to add your comment.

Report abuse

Transcript of O trabalho como ontologia do ser social

O trabalho como ontologia do ser social
Fernando Mendonça Heck
Centralidade Ontológica do Trabalho

O significado de ontologia está relacionado ao específico, aquilo que diferencia e especifica determinada relação;

Para Lukács existe uma ontologia do trabalho, pois essa categoria além de fundar o
ser social
e significar o modelo de toda práxis social, permite a superação da condição de animalidade o que ele chama de processo de
humanização do homem
;

É essa centralidade ontológica do trabalho que Lukács percebe a partir da obra marxiana e por isso para ele há uma discussão ontológica em Marx que nos apresenta o fato ontológico fundante do ser social: o trabalho;
O trabalho

"(...) como Marx demonstrou, é um
pôr teleológico conscientemente realizado
, que, quando parte de fatos corretamente reconhecidos no sentido prático e os avalia corretamente, é capaz de trazer à vida processos causais, de modificar processos, objetos, etc. do ser que normalmente só funcionam espontaneamente, e transformar entes em objetividades que sequer existiam antes do trabalho"
(LUKÁCS, 2010, p.43-44)
.

A diferença que Marx pontua no livro primeiro do Capital entre o pior arquiteto e a melhor abelha é exemplar do trabalho enquanto pôr teleológico.

A teleologia entendida como capacidade consciente de prévia-ideação inexiste em outros animais. Essa capacidade de idealizar conscientemente o produto do trabalho é uma categoria que pertence somente ao mundo dos homens.
"Entre os homens a transformação da natureza é um processo muito diferente das ações das abelhas e formigas. Em primeiro lugar, porque a ação e seu resultado são sempre projetados na consciência antes de serem construídos na prática. É essa capacidade de idear (isto é, de criar idéias) antes de objetivar (isto é, de construir objetiva e materialmente) que funda, para Marx, a diferença do homem em relação à natureza, a evolução humana" (LESSA e TONET, 2011, p.18).

Por isso o trabalho funda uma especificidade: o ser social
"Somente o trabalho tem, como sua essência ontológica, um claro caráter de transição: ele é ontologicamente, uma inter-relação entre homem (sociedade) e natureza, tanto inorgânica (ferramenta, matéria-prima, objeto do trabalho etc.) como orgânica, inter-relação que pode figurar em pontos determinados da cadeia a que nos referimos, mas antes de tudo assinala a transição, no homem que trabalha, do ser meramente biológico ao ser social" (LUKÁCS, 2013, p.44).
A ontologia do trabalho por ser fundante do ser social caracteriza-se na eterna necessidade dos homens.


"
Como criador de valores de uso, como trabalho útil, é o trabalho por isso, uma
condição de existência do homem, independente de todas as formas de sociedade
, eterna necessidade natural de mediação do metabolismo entre homem e natureza e, portanto da vida humana
" (MARX, 1985, p.50).
Inorgânica
Social
Organica
Estrutura do ser para Lukács:
Todas elas em conexão e com especificidades próprias
"Na natureza inorgânica, a consciência animal jamais vai além de um melhor serviço à existencia biológica e à produção e por isso, de um ponto de vista ontológico é um epifenômeno do ser orgânico. Somente no trabalho, no pôr do fim e de seus meios, como um ato dirigido por ela mesma, com o pôr teleológico, a consciência ultrapassa a simples adaptação ao ambiente" (LUKÁCS, 2013, p.63)

"(...) a consciência do animal está determinada num sentido unívoco: é um epifenômeno, jamais uma alternativa" (Idem, p.71)

No entanto o ser social, apesar das diferenciações com os demais animais, apenas consegue um maior afastamento das barreiras naturais jamais um completo desaparecimento das mesmas, por isso mulheres e homens são ao mesmo tempo ser biológico e ser social (este último tendo referência no trabalho a categoria que o funda e pertence somente ao mundo dos homens). Isso deriva a ideia de Marx na qual os homens são sujeitos da sua própria história.
Trabalho concreto
Trabalho Abstrato
Valor de Uso
Valor de Troca
Categorias fundamentais para compreensão da ontologia do trabalho
Mediações de Primeira Ordem
(Eterna Necessidade)
Mediações de Segunda Ordem
(Histórica)
István Mészáros, nos ajuda com essa diferenciação entre trabalho concreto (mediações de primeira ordem) e trabalho abstrato (mediações de segunda ordem), pois permite o entendimento do caráter ontológico do trabalho (eterna necessidade) e sua diferenciação já evidente nas sociedades de classe como no capitalismo onde o trabalho é reduzido à mera mercadoria vendável, necessidade meramente histórica e de determinada formação econômico-social.

O reconhecimento dessas categorias permite entender o conteúdo revolucionário do trabalho e como a sociedade de classes complexa do capitalismo contemporâneo jamais pode ser entendida como algo eterno e imutável.

Nesse sentido, a ontologia do trabalho lukácsiana tem um objetivo claro, expressar o desafio histórico de superação do trabalho estranhado, argumento base da obra marxiana e da tarefa dos revolucionários.


Eis a tese central:

"Em suma, o reconhecimento do caráter fundante do trabalho para o ser social não inviabiliza a crítica radical de suas formas historicamente concretas. Pelo contrário, esse reconhecimento está na base da proposta marxiana da superação do trabalho
abstrato
por uma sociedade de 'produtores livremente associados'. Marx pôde postular a necessidade da superação do trabalho abstrato, forma historicamente particular de exploração do homem pelo homem. Nesse preciso sentido, a análise ontológica do trabalho tal como realizada por Lukács em nenhum momento vela os graves problemas oriundos, para nossa sociedade, da vigência quase universal do trabalho abstrato. Pelo contrário, ao desvelar as conexões ontológicas mais genéricas que articulam trabalho e totalidade social, possibilita uma base teórica sólida para a mais radical crítica ao trabalho abstrato" (LESSA, 2002, p.34).
Referências bibliográficas

LESSA, S. Mundo dos homens: trabalho e ser social. São Paulo: Boitempo, 2002.

LESSA, S. TONET, I. Introdução à filosofia de Marx. 2. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2011.

MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política. 2. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1985.

MÉSZÁROS, I. Para Além do Capital: rumo a uma teoria da transição. 1. ed. São Paulo: Boitempo Editorial, 2002.
Full transcript