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Poema sétime de Alberto Caeiro

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Catarina Martinho

on 27 March 2014

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Transcript of Poema sétime de Alberto Caeiro

Breve introdução ao poeta;
Declamação do poema selecionado;
Informação sobre a datação do poema selecionado;
Análise do poema:
Compreensão e interpretação do poema; 
Tema;
Estrutura interna;
Estrutura externa;
Recursos estilísticos;
Valor simbólico de elementos.
Conclusão.

Plano de exposição
Mestre de Pessoa e dos outros heterónimos, Caeiro dá especial importância ao ato de ver, mas é sobretudo inteligência que discorre sobre as sensações, num discurso em verso livre, em estilo coloquial e espontâneo.

Vê o mundo sem necessidade de explicações, sem princípio nem fim, e confessa que existir é um facto maravilhoso, por isso, crê “na eterna novidade do mundo”.

Para Caeiro o mundo é sempre diferente, sempre múltiplo, aproveitando assim cada momento da vida e cada sensação na sua originalidade e simplicidade.

Na sua opinião, fazer poesia é uma atitude involuntária, espontânea, pois vive no presente, não querendo saber de outros tempos, e de impressões, sobretudo visuais, e porque recusa a introspeção, a subjetividade, sendo o poeta do real objetivo.

Alberto Caeiro
Caeiro nasceu em Lisboa em 1889. Viveu quase toda a sua vida no campo e não teve educação nem profissão. Louro, de olhos azuis, estatura média e com uma aparência muito diferente dos outros dois heterónimos. Escrevia por inspiração, usando uma linguagem simples e um vocabulário limitado. É anti-religião, anti-metafísico e anti-filosofia.

Apresenta-se como um simples “guardador de rebanhos” que só se importa em ver de forma objetiva e natural a realidade.


Poema sétimo de Alberto Caeiro
Canta o viver sem dor, o envelhecer sem angústia, o morrer sem desespero, o fazer coincidir o ser com o estar, o combate ao vício de pensar, o ser um ser uno, e não fragmentado.


Poema sétimo
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo…
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura…

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

A temporalidade psíquica de Caeiro é estática: não recorda, não faz planos, nunca constrói. Passa e cada instante é feito de uma duração igual à dos relâmpagos, ou à das flores, ou à das árvores, ou à do sol. É sempre um tempo objectivo que coincide exactamente com a sucessão do curso normal dos dias, das noites e das estações e com a diferenciação dos estados atmosféricos ou da paisagem. Faz da Natureza uma verdade absoluta, realidade com que se deve identificar na sua passagem à materialização ou à circunstância temporal. Nela, «as cousas não têm significação: têm existência».

Informação sobre a datação
Alberto Caeiro não poderia evocar um passado sob pena de se contradizer. Nem deveria falar de um futuro. Querendo viver no instante, não tinha o direito de desejar a vida na permanência entre os instantes.

Maria da Glória Padrão, A Metáfora em Fernando Pessoa, Porto, Inova, 1973

S.D.
Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos".
Compreensão e interpretação
Neste poema, a importância do ato de ver é notória, como em muitos outros poemas de Alberto Caeiro. A seu ver, tudo nos chega pelas sensações. Logo, somos da medida dessas sensações, sobretudo das visuais.

Esta relevância manifesta-se, desde logo, na utilização de formas do verbo ver (“vejo” vv.1-3 ; “ver” vv.1,10) e de palavras com ele semanticamente relacionadas (“vista” v.7 ; “olhar” v.8 ; “olhos” v.9).

Compreensão e interpretação
Segundo o texto, a visão é um modo de conhecimento privilegiado, pois permite percecionar a imensidão do mundo, superando a dimensão física limitada do sujeito (vv.3-4).

Compreensão e interpretação
Com efeito, é o olhar que determina a configuração do mundo e do próprio ser, na medida em que existe uma relação entre:
A extensão do campo de visão e a do espaço em que o “eu” se situa (vv.1-2);
O que o sujeito vê e a perceção que tem de si (v.3);
A possibilidade de visão e o valor da existência humana (“as grandes casas fecham a vista à chave”, “Tornam-nos pequenos”, “tornam-nos pobres”, “a nossa única riqueza é ver” – vv.7, 9 e 10).

Análise do poema: tema
Ao longo do poema, é evidente o contraste estabelecido entre a aldeia e a cidade.

A “minha aldeia” é apresentada como lugar de eleição, na medida em que permite ao sujeito poético o grau máximo de visibilidade do “quanto da terra se pode ver no Universo…” (v.1).

Por esse motivo, a aldeia supera o estatuto de povoação diminuta que, por definição é o seu, tornando-se “tão grande como outra terra qualquer”.


Análise do poema: tema
A cidade revela-se limitativa, pois “as grandes casas” enclausuram o olhar, ocultam o céu ao poeta e afastam-no da natureza (vv.7-8), ou, por outras palavras, privam-nos de “nossa única riqueza” que “é ver” (v.10).

Análise do poema: tema
A caracterização contrastiva da “minha aldeia” e da “cidade” é marcada pela presença de construções causais com uma intenção explicativa:

Por isso
a minha aldeia é tão grande” (v.2);

Porque
eu sou do tamanho do que vejo” (v.3);

porque
nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar” (v.9);

porque
a nossa única riqueza é ver” (v.10).

Estrutura interna
1º momento - primazia do sentido da visão uma vez que faz superar a dimensão física daquele que observa (v.3).

2º momento - a separação da natureza limita a capacidade do olhar.

Estrutura externa
Estrutura estrófica:
O poema é composto por duas estrofes, uma quadra e uma sextilha.

Estrutura métrica:
Os versos são de métrica irregular, heterométricos.

Estrutura rimática:
Ausência de rima, versos soltos.

Repetições
- "Da minha
aldeia
vejo quanto da terra se pode ver no Universo…/Por isso a minha
aldeia
é tão grande como outra terra qualquer" (vv. 1-2)
"Porque eu sou do
tamanho
do que vejo/ E não, do
tamanho
da minha altura…" (vv. 3-4)
"
Tornam-nos
pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,/ E
tornam-nos
pobres porque a nossa única riqueza é ver." (vv. 9-10);

Frases Elípticas
- "Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo…" (v.1)
"E não, do tamanho da minha altura…" (v.4);

Comparação
- "Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer" (v.2);

Hipérbole
- "Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo…" (v.1);




Recursos estilísticos
Metáfora
- "Porque eu sou do tamanho do que vejo" (v.3)
"Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave/ Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu" (vv. 7-8)
"E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver." (v.10);

Antítese
- relação de contrariedade que existe entre a aldeia e a cidade.



Recursos estilísticos
Poema sétimo
O poema evidencia, assim, alguns dos traços representativos da poética de Caeiro:
Apologia da visão como valor essencial;
Relação de harmonia com a natureza;
Aparente simplicidade e natureza argumentativa do discurso poético, visível no recurso a uma linguagem corrente e a construções causais.

Análise do poema: tema
Informação sobre a datação
Elementos simbólicos
Cidade
- a construção das cidades, primitivamente imputada a Caim (Génesis, 4, 17), é o sinal da sedentarização dos povos nómadas, partindo de uma verdadeira cristalização cíclica. As cidades são tradicionalmente quadradas, símbolo da estabilidade.


Elementos simbólicos
Babilónia, a Grande, nome simbólico de Roma, é descrita como a antítese, o oposto da Jerusalém de cima. Era o símbolo invertido da cidade, a anticidade, isto é, a mãe corrompida e corruptora que, em vez de dar vida e benção, atraía a morte e as maldições.
Casa
- está associada ao centro do mundo, sendo uma espécie de redoma dos próprios indivíduos que se movimentam e organizam a sua vida a partir do lar. É também uma espécie de reflexo do Universo, pois constitui um todo, um conceito espacial, físico, emocional e psicológico.

Elementos simbólicos
É considerada o ser interior e as suas várias divisões correspondem aos vários estados de alma, sendo as divisões próximas do solo símbolos do inconsciente e as partes mais próximas do céu representam a elevação espiritual. É também associada ao corpo, à alma e ao espírito. O exterior da casa é o aspeto físico e uma espécie de máscara protetora, enquanto que o interior diz respeito aos seres humanos e à sua evolução pessoal. Pode-se considerar também um símbolo feminino por excelência, de refúgio e proteção.
Elementos simbólicos
Montanha
- lugar por excelência de manifestação do sagrado e do profano.
Em quase todas as histórias de deuses, as montanhas assumem-se como os lugares mais próximos da perfeição divina.
A circularidade em espiral expressa na conceção figurativa da montanha é também uma representação da vida humana. No topo está a virtude, a paz.
Elementos simbólicos
Conclusão
Este poema é tipicamente de Caeiro, pois tem nele inserido todos os aspetos defendidos pelo mesmo. Remete-me para a profundidade do ver para além do óbvio. Dar espaço ao tempo para aprofundar as vistas, no canto e silêncio da simplicidade figurados na aldeia, ir mais longe com o que se aprende, com o que se vive e com o que se sente.Este poema torna-se um convite para a entrada do Verão, onde os dias são maiores e com mais visibilidade. Assim, o horizonte não fica confinado à rua, ou ao prédio, mas à imensidão da planície que rasga, permitindo a ampla visão do Universo.

Alberto Caeiro
Alberto Caeiro
Alberto Caeiro
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