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O Sentido dos Sentidos

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Giuliano coan

on 16 October 2012

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Transcript of O Sentido dos Sentidos

Sentido dos Sentidos Giuliano Paulino Coan Paulo Roberto Lourenço Paulo Roberto Lourenco José Antonio Seabra da Costa Maior sensibilidade Uma educação do sensível, da sensibilidade inerente à vida humana, por certo constitui o lastro suficiente para que as naus do conhecimento possam singrar os mares mais distantes de nossas terras cotidianas, como os oceanos da matemática ou da mecânica quântica. Contribuição Libertadora A contribuição libertadora da razão: esta só será possível na medida em que por razão não se tome mais aquela maneira restrita de atuação do pensamento que viemos denominando razão instrumental. Razão precisa significar mais, bem mais: precisa abranger todo o saber proporcionado pela estesia humana, pela apreensão sensível do mundo, a qual, revela-se também como construção do sentido. Mitificação da Ciência Moderna Essa insensibilidade presente nos dias que correm deve-se muito à mitificação da ciência moderna, a qual, com sua atitude epistemológica de distanciamento e neutralidade, veio a se tornar a construtora por excelência das verdades de que dispomos A beleza, ou o seu sentimento, origina-se nos domínios do sensível, esse vasto reino sobre o qual se assenta a existência de todos nós, humanos. Reino, contudo, desprezado e
até negado pela forma reducionista de atuação da razão, segundo os preceitos do conhecimento moderno. A EDUCAÇÃO (DO) SENSÍVEL
(SABOREAR) Nosso Ambiente A sensibilidade para com o nosso ambiente imediato e a atenção voltada para antigos saberes, assim, parecem constituir também um sólido ponto de partida para pesquisas científicas especializadas, sendo que a valorização desse contato com o saber comum, histórico, tradicional, precisa ser considerada uma urgente missão da educação, não só com vistas à sua preservação, mas ainda para que tal saber possa ser aperfeiçoado e sofrer aprimoramentos. O ocidente é um acidente, de Roger Garaudy Surge como uma denúncia do quanto a pretensa superioridade do homem branco destruiu e fez com que se perdessem inúmeros conhecimentos e saberes detidos por povos de outras paragens e etnias. Maior Sensibilidade Maior sensibilidade; vale dizer: menor anestesia perante a profusão de maravilhas que este mundo nos permite usufruir e saborear. Uma vida mais plena, prazerosa e sabedora de suas capacidades e deveres face a consciência de nossa interligação com os outros e as demais espécies do planeta. Este, talvez consista hoje no objetivo mais básico e elementar de todo e qualquer processo educacional, por mais especializado que ele possa parecer. “pequeno saber” Saber este que, quando não é simplesmente ignorado, chega mesmo a ser ridicularizado e execrado por aqueles que se consideram portadores das luzes de uma razão absoluta, representados, numa primeira instância, pelos professores da educação formal. “pílulas miraculosas”. Caixas de medicamentos que o fazem esquecer a angústia fundamental de se saber humano, para, assim, poder operar como peça dessa imensa maquinaria produtiva que vêm se tornando as nossas sociedades contemporâneas. Definitivamente, a morte do sujeito não começa pelo pensamento, mas por sua sensibilidade! Sem dúvida nenhuma, sentir-me eu mesmo revela-se anterior e determinante de qualquer “pensar em mim” subsequente. Raciocínio Lógico e Sensibilidade Raciocínio lógico e sensibilidade (ou percepção estética) nem sempre estiveram separados como agora ocorre, ao menos da maneira expressa nos discursos cientificistas e nos métodos para a obtenção do conhecimento segundo ensinados em nossas escolas e assumidos publicamente pelos doutores na matéria Harmonia das Esferas Seria o caso de perguntar, era a “Harmonia das Esferas” um conceito poético ou científico? Uma hipótese operante ou sonho sonhado através dos ouvidos de um místico?
Lado poético da ciência: “dança de criação e destruição” e “dança de energia” Sociedade Industrial (O Especialista) Decorrentes de nossa sociedade industrial, as condições de mercado influenciam o tipo de educação a que estamos submetidos, a qual contribui, sem contestação, para a formação desse tipo de pessoa que, compartimentada, movimenta-se entre uma vida profissional e um cotidiano sensível, cotidiano para o qual parece não possuir o menor treinamento com base no desenvolvimento e refinamento de sua sensibilidade. Fernando Pessoa: “Sábio é aquele que monotoniza a vida, pois o menor incidente adquire então a faculdade de maravilhar” (O Livro do Desassossego). Reencantamento do Mundo Saberes Sensíveis Movemo-nos entre as qualidades do mundo, constituídas por cores, odores, gostos e formas, interpretando-as e delas nos valendo para nossas ações, ainda que não cheguemos a pensar sobre isto Prof. Dr. João Francisco Duarte Júnior

Doutorado em Filosofia da Educação
Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, 2000
Mestrado em Psicologia Educacional
Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, 1981

Graduação em Psicologia
PUC-CAMPINAS, 1975 Áreas de Interesse

Educação Estética.
Educação dos Sentidos.
Arte-Educação.
Teorias do Conhecimento.
Modernidade.
Projetos de Pesquisa

1) "A Comida Enquanto Experiência Estética."

2) "A Poesia, o Poético e o Poema na Educação Estética."

Publicações

1) Fundamentos Estéticos da Educação (Campinas, Papirus Ed.)

2) O Que é Realidade (São Paulo, Ed. Brasiliense).

3) O Que é Beleza (São Paulo, Ed. Brasiliense).

4) Itinerário de Uma Crise: A Modernidade (Curitiba, Ed.UFPR)

5) O Sentido dos Sentidos: A Educação (do) Sensível (Curitiba, Criar Edições). Atividades Docentes

1) Fundamentos Filosóficos da Arte-Educação (AR-101 / Graduação).

2) Teoria das Artes: Estesia e Estética na Crise Contemporânea (AT-306 / Pós-Graduação).

Informações Pessoais

Professor do ensino superior desde 1976.
Foi chefe do Departamento de Artes Plásticas do Instituto de Artes da Unicamp entre 2002 e 2003.
Foi Diretor Associado do Instituto de Artes da Unicamp entre 2003 e 2007.
Pelas pistas que possuímos do mundo que espera nossos jovens, só sabemos que será muito diferente do presente, com inevitável paradigma(s).

Se melhor ou pior, impossível prever.

Precisamos tomar nas mãos o desafio de construir o novo.

Se não podemos prever, pelo menos temos noções sobre o que não queremos: com tantas incertezas, seríamos capazes de construir um mundo mais humano.” (ARANHA, 1996)
SABER VIVER OS SENTIDOS...

“Inconclusão” ainda a ser explorado por outros...

“Aprendemos a sobreviver no mesmo processo e medida em que deixamos de saber viver”. (Boaventura do Amaral citando Wittgenstein)

Precisamos da sensibilidade, esteio de todos os conhecimentos construídos por nós.

O educador deve considerar as maravilhas dos signos estéticos que arte nos provê, tocando a nossa sensibilidade . EXPERIMENTAÇÕES DOS SENTIDOS

Sobre a arte contemporânea parece mesmo refletir a insatisfação do ser humano com seu presente e sua acentuada dose de desesperança com relação ao futuro que o aguarda se as coisas mantiverem neste curso.

“Perdemos os padrões de pensamento e ação da modernidade e ainda não encontramos seus substitutos equivalentes para estabilizar e organizar a nossa vida”.

A arte contemporânea evidencia o empobrecimento da vida – especialmente no que toca a seu anestesiamento.

“Experimentações” - toldam as percepções e obnubilam seus sentidos do que lhes abrem novas maneiras de sentir o mundo ao redor. PÓS-MODERNIDADE

Os pressupostos e fundamentos da modernidade a uma exacerbação, a uma hipertrofia, ao invés de ter rompido com eles e inaugurado um novo tempo, uma nova forma de viver, uma nova concepção acerca da vida e da existência.

O pós moderno exige a ruptura com o moderno, com o espírito da modernidade. Já começou, mas não passa de uma tendência. Outras formas de distribuição de bens e saberes.

Nesse sentido, talvez a valorização do sensível e a busca de sua integração com o inteligível possa consistir num pequeno e primordial passo rumo menos brutais e permeados de maior equilíbrio entre as muitas formas de vidas conhecidas. EMOÇÕES BRUTAIS

Nossa sociedade se defronta atualmente, entre elas a educação e a violência.

A exposição excessiva das crianças à violência na vida real, nos noticiários e na ficção audiovisual desvirtua o valor das emoções na aquisição e desenvolvimento de comportamentos sociais adaptativos...

Violência gratuita: ação dessensibilizadora - anestésica.

“Sentir antes de tudo é sentir alguma coisa ou alguém que não somos nós”. Sentir com alguém. Até para se sentir a si mesmo, o corpo busca outro corpo. Sentimos através dos outros.
SENTIDO DA VIDA

A vida humana faz do mundo algo sobretudo sentido.

Tudo aquilo que é sentido por nós faz sentido, ao mesmo tempo que nos indica um sentido a seguir.

Os sentimentos não são nem intangíveis nem ilusórios, são resultados de uma curiosa organização fisiológica que transformou o cérebro no público cativo das atividades teatrais do corpo. DICOTOMIA CORPO/MENTE

No dizer de Frei Beto, “pretender separar mente e corpo é o mesmo que cortar uma laranja em duas e chamar de abacate uma parte e, de manga, a outra”.

Os processos sensíveis à disposição de nosso corpo, os que engendram um sentimento de existência e de estar no mundo, consistem , portanto, no saber primeiro.

Se o cérebro evoluiu, antes de mais nada, para garantir a sobrevivência do corpo, quando surgiram os cérebros “mentalizados”, eles começaram por ocupar-se do corpo.

(Damásio, cit. O erro de Descartes) INCONCLUSÕES:
Indicação de um dos caminhos passíveis de serem seguidos.

Como a ciência ou a razão instrumental... os educadores
possam realizar suas reflexões em bases amplas.

A concepção do mundo como uma construção exclusiva
da ciência e da tecnologia .

Treinar a sensibilidade e a reflexão acerca da ciência,
regida pela racionalidade instrumental .(Weber)

Razão cujo ponto de partida situa-se exatamente em
nosso corpo, apodado de Grande Razão por Neitzsche.

- Eu sou corpo, por inteiro corpo e nada mais... PROPOSTA DE UMA EDUCAÇÃO DO SENSÍVEL

O autor, Dr. João Francisco, ao longo de sua tese defende:

- Suplantar os limites de nossa educação conhecida arte-educação (ou ensino de arte).

- “alfabetização” da sensibilidade feito um passo adiante na educação mais básica dos sentidos.

- Uma educação primeira dos sentidos, um desenvolvimento a partir da vida cotidiana de todos nós.

- Sentidos aprimorados se reconhecem e se descobrem nos signos estéticos da arte.

- Educação do sensível e arte-educação constituem , pois duas estâncias do mesmo processo.

- A educação estésica e a estética devem interagir no modo da complementaridade.

- Despertar a visão dos alunos para a beleza das plantas, seu olfato para o aroma das flores, seu paladar para o sabor das frutas e sua sensibilidade humana afigurando-se algo até sem sentido... uma disciplina específica. INTELIGÍVEL OU SENSÍVEL

... tendência esquizóide de nossa civilização moderna.


...que já produziu entre outros, o terrificante fenômeno do nazismo.

Capacidade de combinar o comportamento bárbaro com sofisticada sensibilidade estética: o prazer do torturador do campo de concentração em tocar quartetos de “Schubert”.


“Arquitetura da Destruição”. Documentário cinematográfico dirigido por Peter
Cohen. (“raça ariana” como um acabado modelo de beleza). Projeto estético. A IMPORTÂNCIA DA ARTE NA EDUCAÇÃO

Ele retruca, com sua verve costumeira:
“se a arte fosse, em si mesma, tão importante assim, não haveria tanto artista canalha...”

“Barbárie tecnológica”: comportamentos brutais e violentos das tecnologias cada vez mais sofisticadas.

Um mundo de especialistas insensíveis à realidade cotidiana.

Regados de técnicas e conhecimentos colocados à disposição de massas anestesiadas que necessitam de emoções e "des-graça" para os seres humanos com padrões de barbarismo.
UM FUTURO RECONHECÍVEL

Fracasso na tentativa de construir o terceiro milênio.

Preço do fracasso

A alternativa para uma nova mudança da sociedade, é a escuridão

Eric Hobsbawn - A Era dos Extremos Educação do Sensível
“Inconclusões” Crise Histórica

O futuro não pode ser uma continuação do passado

Sinais externos e internos.

Nosso mundo corre risco de explosão e implosão.
Tem que mudar.

Eric Hobsbawn - A Era dos Extremos



Tudo começa no corpo, Grande Razão, e a ele tem de voltar, se quisermos reverter essa situação de crise em que nos metemos em nome de uma modernidade já exaurida.

É preciso constituir-se algo novo e diverso, e, para tanto, como já afirmou o poeta (Carlos Drumond de Andrade) o que temos, primordialmente são “...duas mãos e sentimento do mundo” SABER VIVER OS SENTIDOS... Captamos o mundo através dos nossos sentidos Sonhos da Menina


Cecília Meireles
A flor com que a menina sonha está no sonho?
ou na fronha?
Sonho risonho:
O vento sozinho no seu carrinho.
De que tamanho seria o rebanho?
A vizinha apanha a sombrinha de teia de aranha . . . Na lua há um ninho de passarinho.
A lua com que a menina sonha é o linho do sonho
ou a lua da fronha? Antes de esta razão criar as normas para a sua atuação dentro de um rigor científico que ela mesma engendra, há que se construir um entendimento mais amplo do mundo, no qual os dados sensíveis da realidade não sejam elididos.

O conceito de transdisciplinaridade deve, pois, começar na atitude humana perante a vida, em que estejam presentes tanto a abstração generalizante quanto a percepção concreta de particularidades. Deste modo, será “possível integrar à progressão do conhecimento uma dimensão sensível. Integrar os sentidos e a teoria...”

Esta, então, a proposta do presente trabalho: investir-se numa educação do sensível
significa não somente o desenvolvimento de pessoas mais plenas e inteiras em seu contato (pessoal e profissional) com o mundo, mas também a criação daquelas bases humanas sobre as quais poder-se-á erigir novos parâmetros do conhecimento, sejam eles chamados de transdisciplinares ou holísticos.

E ainda a educação do sensível deverá, de maneira reflexa, implicar numa educação mais sensível em si própria, isto é, menos interessada na quantidade de informação a ser transmitida do que na qualidade de formação daqueles a ela submetidos. Por agora basta anotar a existência dessa espécie de “contracorrente” brotando no coração mesmo do saber instituído; ou, talvez, melhor seria dizer na mente do conhecimento estabelecido, já que, metaforicamente, tal conhecimento sempre prescindiu do coração e de suas manifestações sensíveis.

Construir uma nova razão, em que se unam conceito e particularidade, abstração e concretitude, espírito e corpo, pensamento e sentimento, eis o esforço; “ora, direis, ouvir estrelas / certo perdeste o senso”, retrucariam os empedernidos avatares do rigor científico, discorrendo a seguir sobre a inviabilidade de
tal projeto.

A argumentação seguinte, porém, caberia a Maffesoli:

“o projeto é ambicioso, mas realizável. Contudo, requer que se saiba superar as categorias de análise que foram elaboradas ao longo da modernidade. Não se deve negá-las, mas, em vez disso, alargá-las, conferir-lhes um campo de ação mais vasto, dar-lhes os meios de acesso a domínios que lhes eram até então vetados: por exemplo, os do não-racional ou do não-lógico.
Assim fazendo, dá-se à progressão epistemológica aquela “iluminação” que pode ser, que ainda é, apanágio do poeta, do romancista, do místico, do homem de gênio, em suas ações e seus pensamentos específicos.” E nesse percurso chega-se então ao tema da transdisciplinaridade, termo elegido por muitos pensadores contemporâneos, filósofos e cientistas, para designar novas formas do conhecimento humano, a serem construídas com a superação de antigos parâmetros metodológicos e daqueles limites rigidamente demarcados entre disciplinas isoladas.

Porém, não se trata da velha interdisciplinaridade, cujo objetivo consiste apenas em cruzar dados e procedimentos de vários ramos do saber moderno, de modo a produzir um discurso sobre o objeto de estudo a partir de vários ângulos ou diversos pontos de vista. A tentativa, neste caso, revela-se bem mais ambiciosa, significando a construção de grandes blocos de conhecimento nos quais estejam fundidas nossas diversas maneiras de aproximação à realidade.

Segundo Basarab Nicolescu foi Jean Piaget o primeiro a usar o termo “transdisciplinar”. Piaget nos deu uma definição bastante clara e essencial. Disse ele:

“... enfim, no estágio das relações interdisciplinares, podemos esperar o aparecimento
de um estágio superior que seria ‘transdisciplinar’, que não se contentaria em atingir
as interações ou reciprocidades entre pesquisas especializadas, mas situaria essas
ligações no interior de um sistema total sem fronteiras estáveis entre as disciplinas.” É fundamental que o futuro profissional desse ramo das artes saiba o que são e de onde provêm essas ferramentas e materiais dos quais se utiliza, bem como aprenda a confeccioná-los a partir dos elementos naturais presentes na realidade onde vive.

Estar atento (vale dizer, sensível) para uma terra roxa ou amarelada naquele terreno baldio pelo qual passa diariamente pode significar-lhe a confecção de tintas violetas ou amarelas passíveis de emprego em seu trabalho.

Em síntese, o que se pretende discutir por essa via é o quanto uma educação voltada para o sensível pode, pela recuperação de velhas técnicas populares, contribuir para um melhor aproveitamento daquilo que se tem à volta, com a conseqüente diminuição desse desmedido desperdício tão corriqueiro em nossa sociedade contemporânea. Por exemplo, em que medida a maioria das nossas escolas, faculdades e universidades hoje não consistem, em termos mesmo de espaço, construções e cuidados com o ambiente interno, num retrato da falta de sensibilidade daqueles que ali convivem. Sujeira, lixo atirado ao chão, depredações e outras mazelas promovem um ambiente hostil que fere os sentidos de visitantes ocasionais, mas parece pouco importar àqueles (des)educados em tal situação.

Muitas vezes os próprios cursos de artes que, teoricamente, deveriam estar educando para a sensibilidade estética, dão-se em meio a esse estado de coisas, numa evidente contradição:

como falar-se em beleza junto à degradação ambiental e à fealdade dos detritos
amontoados? Mas é preciso atentar-se ainda para a concepção arquitetônica daquelas nossas escolas de construção recente — relevando-se, por ora, sua improvisação em barracões e até em containers de carga feito vem ocorrendo em muitas cidades brasileiras. Contudo, o único caminho apontado pelo pensador inglês para que tal educação se processasse era “através da arte”: esperava ele aprimorar a sensibilidade de crianças e adolescentes por meio do contato intensivo com a arte, contato do qual surgiriam também a curiosidade e a motivação para o desvendar racional e reflexivo do mundo, por intermédio da ciência e da filosofia. Vivendo em outros tempos, quando os sentidos não estavam ininterruptamente bombardeados pela mídia e as cidades eram menos poluídas e mais amigáveis, além de o contato com a natureza ser praticamente diário, afora sabores artificiais e padronizados
não haverem ainda invadido a mesa da maioria, parece evidente que o contato com a arte poderia então possibilitar um refinamento daquela sensibilidade já exercida cotidianamente. Assim, não será demais insistir que a educação do sensível, antes de significar um desfile de obras de arte consagradas e de discussões históricas e técnicas perante os olhos e ouvidos dos educandos, deve se voltar primeiramente para o seu cotidiano mais próximo, para a cidade onde vive, as ruas e praças pelas quais circula e os produtos que consome, na intenção de despertar sua sensibilidade para com a vida mesma, consoante levada no dia-a-dia.

A educação do sensível é, sobretudo e primeiramente, a educação de nossos sentidos perante os estímulos mais corriqueiros e até comezinhos que a realidade do mundo moderno nos oferece em profusão.

Para tanto, convém retomar a proposta já cinqüentenária de Herbert Read de uma “educação através da arte”, não só para resgatar seu espírito original como também para tentar ampliar um pouco sua abrangência. Em 1943 quando publicou o seu livro, este autor dizia:

“deve-se compreender desde o começo que o que tenho presente não é simplesmente a “educação artística” como tal, que deveria denominar-se mais apropriadamente educação visual ou plástica: a teoria que enunciarei abarca todos os modos de expressão individual, literária e poética (verbal) não menos que musical ou auditiva, e forma um enfoque integral da realidade que deveria denominar-se educação estética, a educação desses sentidos sobre os quais se fundam a consciência e, em última instância, a inteligência e o juízo do indivíduo humano. Somente na medida em que esses sentidos estabelecem uma relação harmoniosa e habitual com o mundo exterior, é possível construir-se uma personalidade integrada.” Contudo, será necessário deter-nos um pouco na atual situação mundial das artes, face não só a indústria cultural, com sua padronização e “pasteurização” dos objetos estéticos, como principalmente pela crise do mundo moderno que, evidentemente, reflete-se na produção artística contemporânea.

De acordo com Eduardo Subirats

“as vanguardas realizaram a monumental síntese dos valores econômicos, tecnológicos e epistemológicos do maquinismo moderno com valores culturais de signo utópico, em alguns casos espiritualistas ou funcionalistas, como sucede no construtivismo ou na Bauhaus. Nesta tarefa, os pioneiros do Movimento Moderno comprometeram a autonomia da arte e da arquitetura, assim como seus conteúdos semânticos e simbólicos, transformando-as em um meio real para conferir à nova tecnologia uma dimensão universal e absoluta. O maquinismo foi elevado a valor cultural supremo ao longo deste processo.” Formas regionais de sentir e expressar a existência humana estarão, pois, condenadas ao desaparecimento?

O Autor procurou verificar o grau de regressão sensível demonstrado pelo homem médio de nossas atuais sociedades ditas “de consumo”, regressão esta produzida e estimulada industrialmente em favor da ampliação do mercado de bens tão dispensáveis quanto pobres esteticamente.

No terceiro capítulo discute mais aprofundadamente sobre o saber sensível e suas relações com o conhecimento conceitual.

Não nos esqueçamos que estesia e estética originam-se da mesma palavra grega.
Ou seja: é através da arte que o ser humano simboliza mais de perto o seu encontro primeiro, sensível, com o mundo. Situando-se a meio caminho entre a vida vivida e a abstração conceitual, as formas artísticas visam a significar esse nosso contato carnal com a realidade, e a sua apreensão opera-se bem mais através de nossa sensibilidade do que via o intelecto. Após essa constatação do quão deseducados e embrutecidos estão os sentidos dos
habitantes de nossa modernidade em crise, em decorrência de um ambiente social
degradado, de um espaço urbano rude e de uma crescente deterioração ambiental.

É de se notar, pois, que o próprio corpo humano vem sendo hoje objeto da intervenção de um mercado que visa a produzir padrões idealizados de saúde e beleza, a fim de que se consumam produtos e mercadorias, os quais, pretensamente, consistiriam no caminho para se atingir esse “corpo perfeito” incessantemente propalado. E a grande questão que tal fato sugere diz respeito ao poder detido por essa massiva rede de comunicações que nos rodeiam.

No comentário de Eduardo Subirats

“a dimensão fundamental da reprodução da realidade pela mídia não reside nem em
seu caráter instrumental, como extensão dos sentidos e da experiência, nem em sua
capacidade manipulatória, como fator condicionador da consciência, mas sim em seu
valor ontológico, como princípio gerador do real. Reagimos a seus estímulos com
maior intensidade do que diante da experiência imediata.” Para o psicanalista James Hillman (que, em sua atividade, além de enfatizar a
corporeidade humana, também reputa fundamental a noção grega de aisthesis), seus pacientes que mais demonstram sofrer são justamente aqueles dotados de maior sensibilidade e capacidade de indignação face um mundo doente, feio e hostil. Em seus próprios termos.

“hoje, o reprimido está fora de nós, e somos anestesiados e tranqüilizados com relação ao mundo que habitamos, o que foi chamado de “entorpecimento psíquico”, que se refere não apenas a uma possível catástrofe nuclear, mas a cada detalhe da falta de alma, desde nossas xícaras de café até os sons, as luzes e o ar, o gosto da água e as roupas praticamente descartáveis que colocamos sobre nossas peles, desconfortáveis porém fáceis de manter. Ao reprimirmos nossas reações aos detalhes básicos e simples, como os tetos, ao negarmos nosso desgosto e nosso ultraje, na verdade mantemos uma inconsciência que aliena e desorienta a alma interior.”

E acrescenta ele, citando seu colega Robert Sardello:

“um indivíduo apresentava-se para a terapia no século XIX; já no século XX, o paciente
em crise é o próprio mundo... Os novos sintomas são fragmentação, especialização,
hiperespecialização, depressão, inflação, perda de energia, jargões e violência.
Nossos prédios são anoréxicos; nossos negócios, paranóicos; nossa tecnologia,
maníaca” O que se pretende é tornar evidente o quanto o mundo hoje desestimula qualquer refinamento dos sentidos humanos e até promove a sua deseducação, regredindo-os a níveis toscos e grosseiros. Nossas casas não expressam mais afeto e aconchego, temerosa e apressadamente nossos passos cruzam os perigosos espaços de cidades poluídas, nossas conversas são estritamente profissionais e, na maioria das vezes, mediadas por equipamentos eletrônicos, nossa alimentação, feita às pressas e de modo automático, entope-nos de alimentos insossos, contaminados e modificados industrialmente, nossas mãos já não manipulam elementos da natureza, espigões de concreto ocultam horizontes, os odores que comumente sentimos provêm de canos de descarga automotivos, chaminés de fábricas e depósitos de lixo, e, em meio a isso tudo, trabalhamos de maneira mecânica e desprazerosa até o estresse. No segundo capítulo, todo reflexão irá se desenvolver em torno de nosso corpo, mais especificamente, de seus cinco sentidos e de sua capacidade comunicativa. Assim é que as discussões estarão inicialmente pautadas pelas nossas corriqueiras atividades de morar, caminhar, conversar, comer, tocar, ver, cheirar e trabalhar, ações estas comuns a todos nós e cuja qualidade vem se deteriorando a olhos
vistos. Preferiu-se, neste texto, o emprego da expressão saber sensível em lugar de
conhecimento sensível por se acreditar o verbo saber possua uma denotação mais ampla que o seu congênere conhecer. Enquanto o conhecimento parece dizer respeito à posse de certas habilidades específicas, bem como limitar-se à esfera mental da abstração, a sabedoria implica numa gama maior de habilidades, as quais se evidenciam articuladas entre si e ao viver cotidiano de seu detentor — estão, em suma, incorporadas a ele.

E é bem este o termo, na medida em que incorporar significa precisamente trazer ao corpo, fundir-se nele: o saber constitui parte integrante do corpo de quem o possui, torna-se uma qualidade sua.

não é apenas a separação entre mente e cérebro que é um mito. É provável que a separação mente e corpo não seja menos fictícia. A mente encontra-se incorporada, na plena acepção da palavra, e não apenas “cerebralizada”.

António Damásio, pesquisador do Departamento de Neurologia da
Faculdade de Medicina da Universidade de Iowa que, através de suas pesquisas e publicações, vem buscando superar o que ele mesmo denomina “o erro de Descartes” De pronto e ao longo da vida aprenderemos sempre com o “mundo vivido”, através
de nossa sensibilidade e nossa percepção, que permitem nos alimentemos dessas espantosas qualidades do real que nos cerca: sons, cores, sabores, texturas e odores, numa miríade de impressões que o corpo ordena, na construção do sentido primeiro.

O mundo, antes de ser tomado como matéria inteligível, surge a nós como objeto sensível. E, de acordo com Nicola Abbagnano, o sensível é “aquilo que pode ser percebido pelos sentidos.

A educação do sensível nada mais significa do que dirigir nossa atenção de educadores para aquele saber primeiro que veio sendo sistematicamente preterido em favor do conhecimento intelectivo, não apenas no interior das escolas mas ainda e principalmente no âmbito familiar de nossa vida cotidiana. Existe primordialmente um sentido no sentido.

Ou seja: tudo aquilo que é imediatamente acessível a nós através dos órgãos dos sentidos, tudo aquilo captado de maneira sensível pelo corpo, já carrega em si uma organização, um significado, um sentido.

Sem dúvida, há um saber sensível, inelutável, primitivo, fundador de todos os demais conhecimentos, por mais abstratos que estes sejam; um saber direto, corporal, anterior às representações simbólicas que permitemos nossos processos de raciocínio e reflexão.

“tudo o que sei do mundo, mesmo devido à ciência, o sei a partir de minha visão
pessoal ou de uma experiência do mundo sem a qual os símbolos da ciência nada
significariam. Todo o universo da ciência é construído sobre o mundo vivido, e se
quisermos pensar na própria ciência com rigor, apreciar exatamente o seu sentido e
seu alcance, convém despertarmos primeiramente esta experiência do mundo da qual
ela é expressão segunda. (...) Retornar às coisas mesmas é retornar a este mundo
antes do conhecimento cujo conhecimento fala sempre, e com respeito ao qual toda
determinação científica é abstrata, representativa e dependente, como a geografia
com relação à paisagem onde aprendemos primeiramente o que é uma floresta, um
campo, um rio.”
Maurice Merleau-Ponty, Fenomenologia da percepção, p.6-7.
denotar consciência
“perdi os sentidos”









razão de ser:
“qual o sentido disso?” SUMÁRIO

INTRODUÇÃO
I – O SENTIDO DE NOSSA CRISE (MODERNIDADE)
II — A CRISE DE NOSSOS SENTIDOS (ANESTESIA)
III – O SABER SENSÍVEL (ESTESIA)
IV — A EDUCAÇÃO (DO) SENSÍVEL (SABOREAR)
CONSIDERAÇÕES FINAIS (INCONCLUSÕES)
BIBLIOGRAFIA RESUMO

A Idade Moderna tem, como uma de suas características fundamentais, a
constituição de um tipo de conhecimento centrado na “razão pura”, isto é, livre de interferências dos sentidos e sentimentos humanos. Tal razão hipertrofiou-se e hoje se pretende que ela responda pelos mais íntimos e pessoais setores de nossa vida, acarretando uma desconsideração para com o saber sensível detido pelo corpo humano e mesmo um embotamento e não desenvolvimento da sensibilidade dos indivíduos. Essa “anestesia”, que
pode ser verificada no mais simples cotidiano de todos nós, precisa ser revertida através de uma educação da sensibilidade, dos sentidos que nos colocam em contato com o mundo. Com isso poder-se-á chegar à criação de uma razão mais ampla, na qual os dados sensíveis sejam levados em conta, o que nos possibilitaria conhecimentos e saberes mais abrangentes. Amor, beleza, encantamento: quantas palavras proibidas em nosso rigoroso meio
acadêmico, sempre cioso por definir seus objetos de estudo em termos de qualidades objetiváveis, isto é, mensuráveis — coisa que, definitivamente, não parece possível com estas três, dentre tantas outras aqui empregadas.

Contudo, é preciso ousar; é preciso furar a crosta cientificista que vem tornando as reflexões acadêmicas impermeáveis à vida que realmente importa: aquela levada a efeito em nosso dia-a-dia, semelhante às dos cientistas e luminares de conhecimentos parciais — na verdade, a única vida que se tem, em que pese as abstrações conceituais com as quais se escrevem teorias, tratados e teses.

A vida é exercida, antes de tudo, valendo-se desses saberes sensíveis e conhecimentos que o arrogante intelectual apressa-se logo em classificar como “não-científicos” ou próprios do “senso comum”, feito este não contivesse qualquer verdade ou validade prática.

No âmbito das artes plásticas, por exemplo, em que ao lado das reflexões teóricas os alunos devem desenvolver habilidades técnicas em pintura e escultura, tudo se passa como se os materiais necessários a tanto (tintas, papéis, telas, pincéis, etc.) miraculosamente surgissem em prateleiras de lojas especializadas.
Entendamo-nos: a educação do sensível não prescinde da arte — pelo contrário, mas deve atuar num nível anterior ao da simbolização estética. Mais do que nunca, é preciso possibilitar ao educando a descoberta de cores, formas, sabores, texturas, odores, etc. diversos daqueles que a vida moderna lhe proporciona. Ou, com mais propriedade, é preciso educar o seu olhar, a sua audição, seu tato, paladar e olfato para perceberem de modo acurado a realidade em volta e aquelas outras não acessíveis em seu cotidiano.

O que se consegue de inúmeras maneiras, incluído aí o contato com obras de arte. Não nos esqueçamos, portanto, da arte culinária, dos perfumes e cheiros, das paisagens e noites estreladas, das frutas colhidas e saboreadas “no pé”, das caminhadas por trilhas e bosques, enfim disso tudo de que a vida moderna nos vem afastando. orientação, a uma direção:
“em que sentido devo seguir?”









quinto remetem à nossa percepção do mundo, numa referência aos
“órgãos dos sentidos” Segundo o Novo Dicionário
Aurélio da Língua Portuguesa, são dezoito as significações:

Quando alguém ficou magoado
(“fulano ficou sentido com o fato”)







imperativa voz de comando militar dirigida aos subalternos pelo oficial
(sentido!) O sociólogo Alain Touraine, por exemplo, que não hesitam em denominar a sociedade contemporânea de “programada”, uma sociedade na qual todos os interstícios de nossa vida recebem a atenção de ávidos produtores e vendedores de mercadorias. O que consumir, como nos vestirmos, em que acreditar, como nos comportarmos em tais e tais ambientes, etc., tudo é devidamente “ensinado” pelos meios de comunicação, aliados a poderosas corporações industriais.

Razão pela qual Christopher Lasch defende a tese de que, em tal sociedade programada, resta-nos apenas desenvolver um “mínimo eu”, sem grandes apegos a valores e crenças e flexível o suficiente para mudar de opinião e de estilo ao sabor das alterações da moda.

O que, segundo ele, não gera tranqüilidade, mas apreensão e um alerta constante para não se ficar “por fora”. Em seus próprios termos: o estado de espírito promovido pelo consumismo é melhor descrito como um estado de desconforto e de ansiedade crônica. O lançamento de mercadorias depende, como a moderna produção em massa, de desestimular o indivíduo quanto à confiança em seus próprios recursos e julgamentos: neste caso, o discernimento do que ele necessita para ser saudável e feliz. Cardápio dos Sentidos - Quinta-feira dia 21/06/2012

Rosas
Mousse de Maracujá com Brigadeiro
Vídeo - A Maior Flor do Mundo - José Saramago
Música - Eu te desejo - Flavia Wenceslau
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