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Trovadorismo e Humanismo

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Clara Lacerda

on 1 November 2012

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Transcript of Trovadorismo e Humanismo

Trovadorismo O que foi? O Trovadorismo é conhecido por ser a primeira escola literária, iniciada por volta de 1200, ainda no período da Idade Média. A produção literária desta época era feita para ser acompanhada de instrumentos musicais e cantada, por isso eram chamadas de cantigas. Surgido na França, disseminou-se por toda Europa, onde Portugal teve grande produção neste período. Contexto Histórico O perído conhecido por Idade Média, do século V ao XV, pode ser divido em duas fases: Alta Idade Média e Baixa Idade Média. Durante esta primeira fase, todo sistema político, econômico e social regia-se conforme o Feudalismo.
Os feudos eram enormes porções de terras, caracterizadas por serem unidades produtivas básicas, isto é, a subsistência de um feudo e daqueles que vivam lá dependia, quase que unicamente, do que era produzido naquelas terras, não havia a noção de comércio como se tem nos dias de hoje. A sociedade era basicamente dividida em dois grandes grupos: servos e nobres. Os nobres eram aqueles que detinham os meios de produção, ou seja, as terras. Assim, permitiam com que os servos e até mesmo trabalhadores livres, como artesões, utilizassem suas terras. Em troca deste favor, os trabalhadores deveriam pagar em troca grande parte daquilo que produziam.
Foi um período em que o poder esteve descentralizado, não havia Estado. O poder máximo realizava-se dentro de cada feudo, sendo seu representante o senhor feudal, dono da porção de terras. O Rei representava mais o poder da religião, que ainda tinha grande importância na sociedade, do que um poder político na Europa. A partir do século XII, Baixa Idade Média, o sistema feudal começa e entrar em decadência, principalmente pela reativação do comércio. Neste período, com o surgimento de um novo comércio, surge não só a possibilidade de troca de mercadorias, mas também a troca de informações, de produções culturais. É neste momento, aproximadamente, que o trovadorismo surge e logo, se espalha por grande parte da Europa. A produção literária No Trovadorismo, as canções eram cantadas de castelo em castelo com o intuito de entreter a corte, ou seja, a produção artística da época era apenas disseminada entre as mais altas camadas da sociedade. As canções interpretadas pelos chamados menestréis, enquanto os trovadores ocupavam-se de escrevê-las, eram acompanhadas por instrumentos como harpa, flauta, piano e etc.
Além disso, a escola literária sofre muito a intervenção do pensamento Teocêntrico da época, ainda predominante neste período.
Deste modo, pode-se dizer que a produção literária dessa época molda-se conforme uma sociedade de estruturas sociais rígidas e também conforme uma sociedade extremamente religiosa. Cantigas Como dito, no trovadorismo
eram produzidas cantigas.
Porém haviam três diferentes
tipos de cantigas: Cantigas de Amor Neste tipo de cantiga, o eu lírico sofre uma angústia passional diante do amor que sente a uma dama. A mulher é retratada de modo idealizado, como sendo um ser puro e perfeito, superior ao poeta.
A enorme angústia se deve ao fato de que este é um amor inacessível, que não poderá se realizar devido as grandes diferenças entre o eu lírico, que costumava ser plebeu, ou no máximo um fidalgo, e a dama, pertencente à nobreza, reproduzindo a relação de superioridade social que existia na época, já explicada anteriormente. Cantigas de Amigo O eu lírico, neste tipo de cantiga, é feminino, por mais que não houvesse poetas mulheres. O tema central também é o amor, porém é um amor já realizado, consumado. O eu lírico é motivado pelo sofrimento devido a ausência de seu amigo, que no caso significa amante, esposo. Nestas cantigas, era comum uma espécie de monólogo da mulher, ou uma cantiga na forma de diálogo entre a mulher apaixonada e suas amigas.

Ambos os tipos de cantigas possuem como tema uma crítica, uma sátira a alguém. Porém, nas cantigas de maldizer, esta crítica é direta, podendo ser citado até mesmo o nome da pessoa a quem é escrita. É comum a agressão verbal.
Já as cantigas de Escárnio, também possuem como tema críticas, porém estas são feitas mais indiretamente, através de um jogo semântico, ambiguidade, trocadilhos e etc. O leque de motivos a estas críticas é muito variado neste tipo de cantiga, assim, o eu lírico pode ser feminino e masculino, porém predomina o último. Cantigas de Escárnio e Maldizer


Afonso Fernandes

Senhora minha, desde que vos vi,
lutei para ocultar esta paixão
que me tomou inteiro o coração;
mas não o posso mais e decidi
que saibam todos o meu grande amor,
a tristeza que tenho, a imensa dor
que sofro desde o dia em que vos vi.

Quando souberem que por vós sofri
Tamanha pena, pesa-me, senhora,
que diga alguém, vendo-me triste agora,
que por vossa crueza padeci,
eu, que sempre vos quis mais que ninguém,
e nunca me quiseste fazer bem, nem ao menos saber o que eu sofri.

E quando eu vir, senhora, que o pesar
que me causais me vai levar à morte,
direi, chorando minha triste sorte:
"Senhor, porque me vão assim matar?"
E, vendo-me tão triste e sem prazer,
todos, senhora, irão compreender
que só de vós me vem este pesar.

Já que assim é, eu venho-vos rogar
que queirais pelo menos consentir
que passe a minha vida a vos servir,
e que possa dizer em meu cantar
que esta mulher, que em seu poder me tem,
sois vós, senhora minha, vós, meu bem;
graça maior não ousarei rogar. Senhora Minha Análise - Luta pela ocultação da paixão: amor que não pode ser realizado - Trechos como "a tristeza que tenho, a imensa dor" mostram a paixão passional sofrida pelo eu lírico
- A mulher é sempre tratada por "senhora", mostrando certa idealização
- "Que passe a minha vida a vos servir" demonstra o homem na posição de servo da mulher, do amor que sente por ela Martim Cordax

Ondas do mar de Vigo,
se vistes meu amigo?
E ai Deus!, se verrá cedo?
Ondas do mar levado,
se vistes meu amado?
E ai Deus!, se verrá cedo?
Se vistes meu amigo,
o por que eu sospiro?
E ai Deus!, se verrá cedo?
Se vistes meu amado,
por que hei gram cuidado?
E ai Deus!, se verrá cedo? Ondas do mar de vigo Análise - Eu lírico feminino
- Perguntas como "se vistes meu amado?" demonstram a ausência da pessoa amada
- Eu lírico dialoga com Deus, com as ondas, numa espécie de conversa Assinale a alternativa INCORRETA a respeito das cantigas de amor.
a) O ambiente é rural ou familiar.
b) O trovador assume o eu-lírico masculino: é o homem quem fala.
c) Têm origem provençal.
d) Expressam a "coita" amorosa do trovador, por amar uma dama inacessível.
e) A mulher é um ser superior, normalmente pertencente a uma categoria social mais elevada que a do trovador. Resposta: A (Fuvest-SP) "Coube ao século XIX a descoberta surpreendente da nossa primeira época lírica. Em 1904, com a edição crítica e comentada do Cancioneiro da Ajuda, por Carolina Michaëlis de Vasconcelos, tivemos a primeira grande visão de conjunto do valiosíssimo espólio descoberto" (Costa Pimpão)
a) Qual é essa primeira época lírica portuguesa?
b) Que tipos de composições poéticas se cultivavam nessa época? Teste seus conhecimentos Humanismo O que foi? Contexto Histórico O humanismo pode ser entendido como movimento literário e cultural que marcou a sociedade européia no fim da idade média, ou seja, por volta de 1400-1500. Esse movimento é caracterizado por profundas transformações na produção artística. Dentre estas transformações, estão às transformações na literatura, que caminhou do teocentrismo medieval para o antropocentrismo renascentista. O humanismo representa a transição da Idade Média para o Renascentismo, quando o Feudalismo entra em crise. Aconteceu primeiramente na Itália, no século XV, mas se espalhou rapidamente pela Europa.
A crise do feudalismo se resume na substituição da economia de subsistência para uma economia baseada no comércio, o mercantilismo.
Neste contexto, a burguesia aparece como uma nova classe social em ascensão enquanto o poder da igreja romana é gradualmente substituído pelas vontades dos reis, no chamado Absolutismo. A burguesia também ameaça o poder da igreja, pois, com o tempo, interessa aos reis atender ás demandas dessa nova classe em ascensão. Cidades começam a surgir por toda a Europa e os feudos começam a desaparecer. São nessas cidades que o humanismo encontra campo fértil.
As preocupações humanas agora eram outras: a fé ainda era algo fundamental para a sociedade europeia, mas o status e a mobilidade social que vieram com a burguesia passam a por próprio homem em evidência, em contraposição a deus. O desenvolvimento científico, como a invenção da imprensa e de instrumentos relacionados á expansão ultramarina (grandes navegações), foi fundamental para o fortalecimento de uma visão humanista, pois o homem passa a ter confiança em sua capacidade descobrir e colonizar o mundo. Produção Literária A produção artística característica do humanismo pode ser dividida em três principais segmentos: A prosa, a poesia e o teatro. Prosa A prosa humanista foi constituída principalmente pelas crônicas. Dentre os cronistas mais importantes da época está o historiador Fernão Lopes.
Fernão foi o primeiro cronista que considerou a importância do povo na construção da história, pois, antes de suas publicações, somente a nobreza era representada na literatura. É por essas e outras que Fernão Lopes é considerado o “Pai da história de Portugal”. Entre suas principais atribuições estão a de guarda-mor da Torre do Tombo, tabelião geral do reino e cronista dos reis de Portugal. Infelizmente, grande parte da narrativa histórica feita por Fernão se perdeu. Sobraram apenas 3 crônicas: ‘A Crônica del-Rei D. Pedro I`, `A Crônica del-Rei D. Fernando`, e `A crônica del-Rei D. João I`. Poesia A poesia humanista também pode ser chamada de ‘Poesia Palaciana’, pois eram produzidas no ambiente dos palácios. A poesia era feita exclusivamente por membros da nobreza e somente tratava de temas relacionados a esta. A poesia palaciana apresenta rupturas importantes em relação às cantigas trovadorescas: a separação entre texto e música, ou seja, a poesia destina-se somente à leitura, deste modo, a figura do travador ao poucos deixa de existir, o que dá lugar ao poeta. Outra característica própria da poesia palaciana é a utilização de redondilhos, versos compostos por cindo (redondilhos menores) ou sete sílabas poéticas (redondilhos maiores). Além disso, a temática começa a ser mais variada, portanto os poemas se desprendem dos temas recorrentes do trovadorismo. As poesias palacianas conhecidas, cerca de 880, foram reunidas por Garcia Resende em ‘cancioneiro geral’ no ano de 1516. Teatro O teatro humanista foi constituído por inúmeros autores, mas Gil Vicente ficou conhecido como o mais importe. Gil Vicente reinventou o teatro, substituindo a manifestação teatral característica da idade média por uma nova forma de fazer teatro. Suas peças criticavam a sociedade da época e os indivíduos dos mais diversos grupos sociais, desde os membros da família real até o mais simples artesão. O moralismo gilvicentiano não ia contra as instituições sociais, mas sim contra os indivíduos que a corrompiam. Basta lembrar que ele mantinha uma intima relação com a corte e que ele também compartilhava de uma visão teocêntrica do mundo.
Suas peças inovaram com uma grande variedade de temas, personagens, lugares, variações lingüísticas e de amplitudes temporais. A utilização de alegorias também é uma característica muito forte de seu modo de produção artística. É por meio delas que Gil Vicente consegue representar de forma indireta os agentes sociais ou componentes da sociedade como um todo. Estas inovações fizeram de Gil Vicente o fundador do teatro português e o principal representante do humanismo. Três fases da produção teatral de Gil Vicente Primeira Fase – marcada pelos traços medievais e pela influência espanhola de Juan del Encina. São desta fase: O Monólogo do Vaqueiro, o Auto Pastoril Castelhano, o Auto dos Reis Magos, entre outros.
Segunda Fase – aparecem a sátira dos costumes e a forte crítica social. São desta fase: ‘Quem tem farelos?’, O Velho da Horta, o Auto da Índia e a Exortação da Guerra.
Terceira Fase – aprofundamento da crítica social através da tragicomédia alegórica, da variedade temática e lingüística, é o período da maturidade expressiva. “São desta fase: A Trilogia das Barcas, a Farsa de Inês Pereira, o Auto da Lusitânia.” Rupturas e Permanências entre Trovadorismo e Humanismo Sobre o Humanismo, identifique a alternativa falsa:

a) Em sentido amplo, designa a atitude de valorização do homem, de seus atributos e realizações.
b) Configura-se na máxima de Protágoras: “O homem é a medida de todas as coisas”.
c) Rejeita a noção do homem regido por leis sobrenaturais e opõe-se ao misticismo.
d) Designa tanto uma atitude filosófica intemporal quanto um período especifico da evolução da cultura ocidental.
e) Fundamenta-se na noção bíblica de que o homem é pó e ao pó retornará, e de que só a transcendência liberta o homem de seu insignificância terrena. Teste seus conhecimentos (FUVEST) Caracteriza o teatro de Gil Vicente:

a) A revolta contra o cristianismo.
b) A obra escrita em prosa.
c) A elaboração requintada dos quadros e cenários apresentados.
d) A preocupação com o homem e com a religião.
e) A busca de conceitos universais. Joan Garcia de Guilhade

Ai, dona fea, fostes-vos queixar
que vos nunca louv[o] em meu cantar;
mais ora quero fazer um cantar
em que vos loarei toda via;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea, se Deus mi pardom,
pois avedes [a]tam gram coraçom
que vos eu loe, em esta razom
vos quero ja loar toda via;
e vedes qual sera a loaçom:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea, nunca vos eu loei
em meu trobar, pero muito trobei;
mais ora ja um bom cantrar farei,
em que vos loarei toda via;
e direi-vos como vos loarei:
dona fea, velha e sandia! Análise Cantiga de Escárnio

- Críticas indiretas: "dona fea"
- Uso da sátira: "mais ora quero fazer um cantar em que vos loarei toda via" - já que a mulher reclamava por nunca ter sido citada em uma das cantigas do poeta Marinha, o teu folgar tenho eu por desacertado,
e ando maravilhado
de te não ver rebentar;
pois tapo com esta minha
boca, a tua boca, Marinha;
e com este nariz meu,
tapo eu, Marinha, o teu;
com as mãos tapo as orelhas,os olhos e as sobrancelhas,
tapo-te ao primeiro sono;
com a minha piça o teu cono;
e como o não faz nenhum,
com os colhões te tapo o cu.
E não rebentas, Marinha? Afonso Eanes de Coton Análise - Crítica mais direta: cita o nome da pessoa criticada
- Uso de xingamentos: "com os colhões te tapo o cu" Fontes Apostila de Literatura - Anglo Vestibulares
Guia do Estudante 2012 - Português no Vestibular

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No Humanismo, o contexto de decadência do feudalismo e também de dogmas da religião, imprimiam nas obras novas visões de mundo. As crenças religiosas já não são vistas mais como garantia para o paraíso cristão. O homem é responsável por suas atitudes, assim Deus ainda comanda o destino dos homens, mas não mais suas escolhas. Esta é uma das principais rupturas entre estas duas escolas literárias, já que no Trovadorismo a visão Teocêntrica, onde as escolhas assim como o destino dos homens era determinado por Deus, predominante nesta escola. Além disso, outra grande diferença relaciona-se ao tipo de produção literária. Enquanto no Trovadorismo eram apenas escritas cantigas musicadas, no Humanismo a produção de prosa, poesia e teatro era representativa.
Se por um lado o Humanismo apresenta aspectos inovadores, como a ascensão do Antropocentrismo, críticas a sociedade, apresenta também certas permanências aos ideais da Alta Idade Média. A defesa da moral cristã, diversas vezes reafirmadas na peça o Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, por exemplo, é um valor que representa esta esta permanência.
Na obra, diversas pessoas são julgadas, numa espécie de purgatório, e ao final do julgamento, são destinadas ao paraíso ou ao inferno. A crença de vida após a morte, recompensa das virtudes e punições demonstram essa visão cristã ainda presente na sociedade.
Assim, apesar de admitir novos pensamentos, como Antropocentrismo, o poder de escolha dos homens, o Humanismo ainda não se desvenciliou dos costumes e dogmas da religião.
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