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Avé-Marias

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by

Tiago Rechau

on 9 October 2011

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Transcript of Avé-Marias

Trabalho realizado por:
Guilherme Talefe nº9
João Nunes nº12
Tiago Coelho nº22
Tiago Rechau nº24 AVE-MARIAS

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem os carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista, exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinir de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.

Num trem de praça arengam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas!

Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vêm sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera os focos de infecção! Refere-se ao gás dos candeeiros. Na época de Cesário Verde, a iluminação da cidade era feita com candeeiros a gás. multidão Homens que trabalhavam na calafetagem dos barcos, técnica que é usada para tapar as fendas, o que pode ser feito com alcatrão, daí estes estarem "enfarruscados" Rua ou travessa que vai dar ao cais de um rio ou canal Pequenos barcos que fazem a ligação entre o navio e a margem, uma vez que os grandes barcos nem sempre ficam atracados ao cais, mas ao largo Anregar significa conversar Um arlequim é uma personagem da antiga comédia italiana, com trajes de várias cores, que a tornavam vistosa e atraíam o olhar. Esta figura andava normalmente baloinçando devido às andas, tropegando, para chamar à atenção. Anjos Colunas Estrutura Interna Estrutura Externa Rima Emparelhada nos 2º e 3ºversos
Interpolada nos 1º e 4º versos

Esquema rimatico abba

Exemplo:
“Batem os carros de aluguer, ao fundo, A
Levando à via férrea os que se vão. Felizes! B
Ocorrem-me em revista, exposições, países: B
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!” A 3ª estrofe Tipo de Composição Poética 11 quadras, onde o primeiro é decassílabo (10 sílabas métricas) e os outros três são alexandrinos (12 sílabas métricas) Nas/ no/ssas/ ru/as/, ao/ a/noi/te/cer, 10 sílabas métricas

Há/ tal/ so/tur/ni/da/de, há/ tal/ me/lan/co/li/a, 12 sílabas métricas

Que as/ som/bras/, o/ bu/lí/cio, o/ Te/jo, a /ma/re/si/a 12 sílabas métricas

Des/per/tam-/me um/ de/se/jo ab/sur/do/ de/ so/frer. 12 sílabas métricas 2ª estrofe Divisão em Partes:
Primeira Parte:estrofes 1 a 3
Segunda Parte:estrofes 4 a 6
Terceira Parte:estrofes 7 a 11 Segunda parte Terceira parte Características gerais da poesia de Cesário Verde Aspectos específicos:
Carácter deambulatório.
Aspecto cinético e visualismo:
o poeta faz a apresentação de aspectos genéricos e globalizantes, descendo depois aos aspectos particulares que descreve pormenorizadamente.
Aspecto pictórico:
influência dos movimentos e técnicas pictóricas da época (Realismo, Impressionismo).

Presença do quotidiano citadino e campestre.
Binómio campo( vida, pureza, felicidade, saúde, alegria, liberdade, luz) e cidade( morte, tristeza, doença, infelicidade, prisão, sombra).

Nova imagem da mulher:
Mulher do povo, sofredora e doente – “Contrariedades” e “Num BairroModerno”;
Mulher leviana– “Sentimento dum Ocidental”;
Mulher sedutora e bela– “De tarde” e “De Verão”.

Intenção críticae a questão social.
O Mito de Anteu – o contacto com a terra, com a realidade, confere força e vitalidade.
As fugas imaginativas e a pretensa objectividade. A poesia de Cesário Verde contem muitas características comuns a Eça de Queirós e Antero de Quental.

Aspectos comuns:
descrição objectiva do real (Realismo);
presença de figuras do povo;
preocupação social;
expressão de solidariedade social. A linguagem:
Vocabulário preciso, conciso e pragmático;
Escassez de palavras eruditas;
Valor expressivo dos diminutivos;
Emprego de verbos sensoriais;
Sinestesias;
Estrangeirismos;
Regularidade estrófica;
Regularidade da métrica (o decassílabo e o alexandrino). Primeira parte Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem os carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista, exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo! Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edificações somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu não verei jamais! Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vêm sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.

Descalças! Nas descargas de carvão,
Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;
E apinham-se num bairro aonde miam gatas,
E o peixe podre gera os focos de infecção! E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!
De um couraçado inglês vogam os escaleres;
E em terra num tinir de louças e talheres
Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.

Num trem de praça arengam dois dentistas;
Um trôpego arlequim braceja numas andas;
Os querubins do lar flutuam nas varandas;
Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas! Linguagem e estilo Recursos expressivos Designado por Ave-Marias que significa seis da tarde, esta primeira parte de Sentimento Dum Ocidental, retrata uma sugestão irónica da organização da vida segundo os ritmos bem ordenados de uma sociedade ligada pela devoção religiosa. Esta inicia-se descrevendo a reacção psicológica angustiada ao impacto das várias sensações do anoitecer nas ruas de Lisboa. Relação título-tema Enumeração – “Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia” (est.1 verso 3)
“Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, no mundo!” (est.3 verso 4)


Dupla e Tripla Adjectivação – “De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;” (est. 5 verso 2)
“E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,” (est.9 verso 3)

Assíndeto – “Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia” (est.1 verso 3) Fim
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