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Variação Linguística

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on 11 August 2014

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Transcript of Variação Linguística

Variação Linguística
(exercícios de análise)
Na semana passada, o site IG noticiou que o Ministério da Educação comprou e distribuiu, para 4.236 mil escolas públicas, um livro que “ensina o aluno a falar errado”. Os jornalistas Jorge Felix e Tales Faria - do Blog Poder On Line, hospedado no portal - se basearam em exemplos de um capítulo do livro Por Uma Vida Melhor para afirmar que, segundo os autores da coleção organizada pela ONG Ação Educativa, não há nenhum problema em se falar “nós pega o peixe” ou “os menino pega o peixe”. Calçaram sua tese no seguinte trecho de um capítulo que diferencia o uso da língua culta e da falada:"Você pode estar se perguntando: "Mas eu posso falar os livro?". Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico". O fato de haver outros capítulos, no mesmo livro, que propõem a leitura e discussão de obras de autores como Cervantes, Machado de Assis e Clarice Lispector e ensina modos de leitura, produção e revisão de textos não foi citado. Mas a discussão sobre como registrar as diferenças entre o discurso oral e o escrito esquentou, principalmente após o colunista da Folha de S. Paulo Clóvis Rossi vociferar, no último domingo, que tal livro é “criminoso”.

BAGNO, Marcos. "Polêmica ou ignorância?".
Carta Capital.
17 de maio de 2011. Disponível em http://www.cartacapital.com.br/politica/polemica-ou-ignorancia, acesso em 04 de agosto de 2014.
EVOCAÇÃO DO RECIFE
Manuel Bandeira
Rio de Janeiro, 1925
Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois —
Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância

(...)

A gente brincava no meio da rua
Os meninos gritavam:

Coelho sai!
Não sai!

A distância as vozes macias das meninas politonavam:

Roseira dá-me uma rosa
Craveiro dá-me um botão
(Dessas rosas muita rosa
Terá morrido em botão...)

(...)

Capiberibe
— Capiberibe
Lá longe o sertãozinho de Caxangá
Banheiros de palha
Um dia eu vi uma moça nuinha no banho
Fiquei parado o coração batendo
Ela se riu
Foi o meu primeiro alumbramento

(...)

Capiberibe
— Capiberibe

Rua da União onde todas as tardes passava a preta das
[bananas com o xale vistoso de pano da Costa
E o vendedor de roletes de cana
O de amendoim
que se chamava midubim e não era torrado era
[cozido
Me lembro de todos os pregões:
Ovos frescos e baratos
Dez ovos por uma pataca
Foi há muito tempo...

A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada
A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem
Terras que não sabia onde ficavam
Recife...
Rua da União...
A casa de meu avô...
Nunca pensei que ela acabasse!
Tudo lá parecia impregnado de eternidade
Recife...
Meu avô morto.
Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro como a
[casa de meu avô.

(DESCREVE O QUE ERA NAQUELE TEMPO A CIDADE DA BAHIA)
Gregório de Matos
Salvador, Bahia - século XVII

A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha;
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.

Em cada porta um bem freqüente olheiro,
Que a vida do vizinho e da vizinha
Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,
Para o levar à praça e ao terreiro.

Muitos mulatos desavergonhados,
Trazidos sob os pés os nomes nobres,
Posta nas palmas toda a picardia,

Estupendas usuras nos mercados,
Todos os que não furtam muitos pobres:
E eis aqui a cidade da Bahia.
LEIA E ESCUTE UM CONTO DE JOSÉ EDUARDO AGUALUSA:

http://www.berlinda.org/BERLINDA.ORG/Leituras/Eintrage/2011/8/10_De_aos_seus_filho_um_passado_melhor_-_Jose_Eduardo_Agualusa.html
José Eduardo Agualusa nasceu em 1960 no Huambo, Angola. Viveu em Lisboa e no Rio de Janeiro. A sua obra compreende até à data oito romances, várias coletâneas de contos e um livro de poemas. Escreve crónicas para a revista portuguesa Ler e para o jornal angolanoA Capital. Realiza o programa de rádio “A Hora das Cigarras”, na RDP África. O português com que escreve é para Agualusa não a língua dos antigos colonizadores, mas uma língua africana, que incorpora termos, expressões, ritmos e sentimentos do povo angolano.
POEMACTO II
Herberto Helder

Minha cabeça estremece com todo o esquecimento.
Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.
Falo, penso.
Sonho sobre os tremendos ossos dos pés.
É sempre outra coisa,
uma só coisa coberta de nomes.
E a morte passa de boca em boca com a leve saliva,
com o terror que há sempre
no fundo informulado de uma vida.

Sei que os campos imaginam as suas próprias rosas.
As pessoas imaginam os seus próprios campos de rosas.
E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente eu pudesse acordar.

Por vezes tudo se ilumina.
Por vezes sangra e canta.
Eu digo que ninguém se perdoa no tempo.
Que a loucura tem espinhos como uma garganta.
Eu digo: roda ao longe o outono,
e o que é o outono?
As pálpebras batem contra o grande dia masculino do pensamento.

Deito coisas vivas e mortas no espírito da obra.
Minha vida extasia-se como uma câmara de tochas.

- Era uma casa – como direi? – absoluta.

Eu jogo, eu juro.
Era uma casinfância.
Sei como era uma casa louca.
Eu metia as mãos na água: adormecia,
relembrava.
Os espelhos rachavam-se contra a nossa mocidade.

Apalpo agora o girar das brutais,
líricas rodas da vida.
Há no esquecimento, ou na lembrança total das coisas,
uma rosa como uma alta cabeça,
um peixe como um movimento rápido e severo.
Uma rosapeixe dentro da minha ideia desvairada.
Há copos, garfos inebriados dentro de mim.
– Porque o amor das coisas no seu tempo futuro
é terrivelmente profundo, é suave,
devastador.

As cadeiras ardiam nos lugares.
Minhas irmãs habitavam ao cimo do movimento
como seres pasmados.
Às vezes riam alto. Teciam-se
em seu escuro terrífico.
A menstruação sonhava podre dentro delas,
à boca da noite.
Cantava muito baixo.
Parecia fluir.
Rodear as mesas, as penumbras fulminadas.
Chovia nas noites terrestres.
Eu quero gritar paralém da loucura terrestre.
— Era húmido, destilado, inspirado.

Havia rigor. Oh, exemplo extremo.
Havia uma essência de oficina.
Uma matéria sensacional no segredo das fruteiras,
com as suas maçãs centrípetas
e as uvas pendidas sobre a maturidade.
Havia a magnólia quente de um gato.
Gato que entrava pelas mãos, ou magnólia
que saía da mão para o rosto da mãe sombriamente pura.
Ah, mãe louca à volta, sentadamente completa.
As mãos tocavam por cima do ardor
a carne como um pedaço extasiado.

Era uma casabsoluta – como direi? -
um sentimento onde algumas pessoas morreriam.
Demência para sorrir elevadamente.
Ter amoras, folhas verdes, espinhos
com pequena treva por todos os cantos.
Nome no espírito como uma rosapeixe.

- Prefiro enlouquecer nos corredores arqueados
agora nas palavras.
Prefiro cantar nas varandas interiores.
Porque havia escadas e mulheres que paravam
minadas de inteligência.
O corpo sem rosáceas, a linguagem para amar e ruminar.
O leite cantante.

Eu agora mergulho e ascendo como um copo.
Trago para cima essa imagem de água interna.
– Caneta do poema dissolvida no sentido primacial do poema.
Ou o poema subindo pela caneta,
atravessando seu próprio impulso,
poema regressando.
Tudo se levanta como um cravo,
uma faca levantada.
Tudo morre o seu nome noutro nome.

Poema não saindo do poder da loucura.
Poema como base inconcreta de criação.
Ah, pensar com delicadeza,
imaginar com ferocidade.
Porque eu sou uma vida com furibunda melancolia,
com furibunda concepção.
Com alguma ironia furibunda.

Sou uma devastação inteligente.
Com malmequeres fabulosos.
Ouro por cima.
A madrugada ou a noite triste tocadas
em trompete.
Sou alguma coisa audível, sensível.
Um movimento.
Cadeira congeminando-se na bacia,
feita o sentar-se.
Ou flores bebendo a jarra.
O silêncio estrutural das flores.
E a mesa por baixo.
A sonhar.

Música de Rodrigo Leão
Poema dito por Herberto Helder.
Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990
CUNHA, C. Nova gramática do português contemporâneo / Celso Cunha, Luís F. Lindley Cintra. - 5.ed. - Rio de Janeiro: Lexicon, 2008. p. xxix
http://dicionariodacopa.com.br/tutorial/pt
Geraldinho é um contador de causos de Goiás. Suas histórias são retiradas do cotidiano rural e a narrativa, oral, se caracteriza pelo uso de expressões específicas desse contexto, causando humor pelo estranhamento e pela ocorrência de algum fato inesperado.

Escute e observe como a forma de narrar e o uso de sua variante diatópica são fundamentais na construção da história e seu efeito de humor.
Na escrita literária, também observamos diferentes registros, que variam segundo o período em que foi produzido e o interlocutor para o qual foi escrito o texto, característica própria da
variação diafásica
, baseada no contexto de fala/escrita.
O primeiro texto exposto é do século XVII, um poema escrito por Gregório de Matos, autor do barroco brasileiro. A linguagem aqui empregada é de tom formal, próprio da escola barroca, mas também dedicada aos leitores do texto, uma elite com poder econômico e de letramento. O propósito do texto é o da crítica à estrutura social fundada no nordeste brasileiro após a colonização portuguesa, efeito de ironia construído pelo entrelaçamento da linguagem oficial e da crítica ao poder estabelecido.
O segundo poema, de Manuel Bandeira, foi escrito já no século XX, em meio às mudanças literárias propostas pelo movimento modernista. A marca desta corrente literária era a ruptura com a tradição, incluindo a possibilidade do reconhecimento da beleza das variantes da língua falada. Durante a leitura desse fragmento, é possível encontrar o uso de elementos do registro popular na construção da imagem da infância do narrador. Releia o texto com atenção.
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 é um tratado internacional cujo objetivo é unificar a ortografia do português, para uso de todos os países que têm o português como língua oficial. O acordo foi assinado por representates de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990, ao fim de uma negociação iniciada em 1980 entre a Academia de Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras. Depois de obter a sua independência, Timor-Leste aderiu ao Acordo em 2004. O acordo teve ainda a presença de uma delegação de observadores da Galícia.

O Acordo Ortográfico de 1990 institui uma ortografia oficial única da língua portuguesa e com isso interrompe a existência de duas normas ortográficas oficiais diferentes: uma no Brasil e outra nos restantes países de língua portuguesa. Os proponentes do Acordo dão como exemplo motivador a língua espanhola (o castelhano), que apresenta grande variação, quer na pronúncia quer no vocabulário, entre a Espanha e a América hispânica, mas sujeita a uma só forma de escrita, regulada pela Associação de Academias da Língua Espanhola.
A variação diatópica pode ser analisada segundo o espaço geográfico micro ou macro. No segundo caso, podemos apontar as variações nas falas entre os diferentes países de língua portuguesa. Nos últimos anos, muito se tem discutido sobre o Novo Acordo Ortográfico, que prevê a unificação na escrita entre tais países, mas não em sua fala, seu modo de expressão e seus termo regionais. No Brasil, teremos até o ano de 2016 para adequarmos nossos livros e outras publicações às novas normas.
Em 2011, tivemos no país uma grande polêmica em torno das variantes linguísticas. Um livro didático adotado pelo Governo, para uso nas escolas públicas, afirmava que não havia problema em usar expressões como "os menino pega o peixe", expressões distantes das regras estabelecidas pela gramática normativa, pela
língua padrão
. O livro discutia, no trecho destacado, justamente o tema da variação linguística, mas o discurso foi mal interpretado pela mídia, que reforçando o
preconceito linguístico
, passou a associar a ideia de
erro
ao partido e representantes do governo.
Quando discutimos variação diastrática, referente às diferenças socioculturais, o tema do
preconceito linguístico
é levantado com bastante frequência. Neste bloco, apresentamos diferentes registros de fala, por meio de músicas, que se utilizam de variantes de pouco
prestígio
, com muitas gírias e estruturas distantes da norma culta, mas que tratam das diferenças sociais com profundidade e embasamento.
Na variação diastrática, além de uma variação sociocultural que se distancia da língua padrão, temos também um registro que destaca o acesso à educação formal. O jargão é um exemplo deste processo, visto que se trata de uma linguagem técnica, pertencente a um determinado grupo profissional.

No texto de Nelson Rodrigues, vemos o jornalista se apropriar do jargão futebolístico para trabalhar a realidade brasileira em sua crônica.
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