Loading presentation...

Present Remotely

Send the link below via email or IM

Copy

Present to your audience

Start remote presentation

  • Invited audience members will follow you as you navigate and present
  • People invited to a presentation do not need a Prezi account
  • This link expires 10 minutes after you close the presentation
  • A maximum of 30 users can follow your presentation
  • Learn more about this feature in our knowledge base article

Do you really want to delete this prezi?

Neither you, nor the coeditors you shared it with will be able to recover it again.

DeleteCancel

A ESCRAVIDÃO E A QUESTÃO RACIAL

No description
by

Paulo Stumpf

on 23 June 2016

Comments (0)

Please log in to add your comment.

Report abuse

Transcript of A ESCRAVIDÃO E A QUESTÃO RACIAL

A ESCRAVIDÃO E A QUESTÃO RACIAL
A herança escravista e a questão racial , temas abordados por vários sociólogos durante o século XX, permanecem extremamente relevantes no século XXI.
Florestan Fernandes observa que as estruturas de dominação social do período colonial são preservadas no processo de modernização capitalista no Brasil na medida em que, já no século XX, a dependência em relação a metrópole é transferida, de forma mais ampla, para o mercado capitalista europeu.

A escravidão projeta-se assim, como um fenômeno social que tem ressonância na organização social da sociedade brasileira até nossos dias.

Segundo esse autor, essa ideologia propaga até hoje no Brasil o racismo, preconceitos e discriminações.

Exemplos disso são afirmações do senso comum que garantem que o negro não tem problema de integração social, que a “índole brasileira” não permite distinções raciais, que as oportunidades sociais, de toda natureza, estão abertas a todos os brasileiros de forma igualitária, que o negro esta satisfeito com sua condição social e seu estilo de vida.
Nos últimos anos essa questão vem sendo trabalhada por outro ângulo.
O mito da democracia racial não seria simplesmente um mecanismo de acobertamento das desigualdades e descriminações, mas também reproduziria a ideologia da identidade nacional que impede a construção da igualdade entre os brasileiros.

A questão da democracia racial foi discutida também por Gilberto Freyre em seu livro Casa-grande & senzala, que considera como característica específica da cultura brasileira o encontro racial entre negros africanos, brancos europeus e indígenas brasileiros.

Freyre via esse encontro com bons olhos, na medida em que o convívio entre as raças teria se tornado democrático e fortificou nossa sociedade como um todo.

A desigualdade social, por exemplo, tem relação direta com a escravidão e mais particularmente com o modo como os negros foram incorporados a uma sociedade de classe, depois da abolição (1808).

Ou seja, mesmo considerado o fim da escravidão como um marco histórico importante, é fundamental questionar em que medida as desigualdades sociais baseadas em diferenças de cor se reproduzem e se manifestam após a abolição.

Um dos temas centrais para se entender esse processo tem relação com o mito da democracia racial.

Em seu livro A integração do negro na sociedade de classes, Florestan Fernandes observa que a democracia racial, na verdade, serviu para difundir a ideia de que não existem distinções sociais entre negros e brancos e afirmar uma suposta convivência pacífica e harmônica entre brancos e não brancos.

Essas ideias levariam a supor que as oportunidades econômicas, sociais e políticas estariam aberta a todos os brasileiros de forma igualitária.
Para Fernandes, a escravidão no Brasil toma formas distintas e se conecta direta e indiretamente com os ciclos econômicos que teriam demarcado a história do Brasil durante o período colonial.
O Brasil colônia se estruturou como uma economia exportadora de produtos tropicais e que essa organização foi imposta pela metrópole portuguesa.

A economia colonial foi marcada pela especialização em determinados ramos produtivos, especialização que se manteve após a emancipação da colônia com a vinda da família imperial portuguesa para o Brasil (1808).

O autor Florestan Fernandes, além de tratar da discussão acerca da escravidão e da questão racial, a obra desse autor aborda temas como a metodologia sociológica , o subdesenvolvimento, as classes sociais e a questão indígena, tornando-se assim, uma das referências centrais para a sociologia contemporânea.
Professor
Paulo
Stumpf

QUESTÕES (pg. 173)
1) COMO O BRASIL COLONIAL SE ESTRUTUROU ECONÔMICAMENTE?

2)QUAL A INFLUÊNCIA DA ESCRAVIDÃO NA ESTRUTURA SOCIAL BRASILEIRA?

3)O QUE SERIA A DEMOCRACIA RACIAL BRASILEIRA?

4)COMO FLORESTAN FERNANDES OBSERVA A DEMOCRACIA RACIAL NO BRASIL?

5)COMO GILBERTO FREYRE VIA A MESTIÇAGEM BRASILEIRA?
Para Florestan Fernandes, de um lado o mito da democracia racial acabou por consolidar, por exemplo, a crença de que a situação do negro se deve por sua própria incapacidade de superar dificuldades sociais, tais como o desemprego e a pobreza.

Por outro lado, o mito desresponsabiliza o branco e o isenta dos efeitos da abolição e a degradação da situação da comunidade negra no Brasil.

Fernandes sugere, entretanto, que o mito da democracia racial pode ser usado como ponto de partida para a melhoria da condição do negro na sociedade de classes, desde que o pressuposto democrático seja realmente alcançado. Saliente que a luta em torno dessa questão deve ser levada a cabo por negros e mulatos.
Full transcript