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Acaso, Tempo e Repetição

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Antonio G Peixoto

on 11 May 2016

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Transcript of Acaso, Tempo e Repetição


Acaso,
Tempo e
Repetição


O
desamparo
fundamental:
o acaso


O
encontro
com o
impossível


A
função dos
deuses na
tragédia grega
A Filosofia Trágica
Clément Rosset
(1939 – )
Lógica do pior. Espaço Tempo, Rio de Janeiro, 1989
A aniquilação das noções de acaso, de desordem, de caos
A função da filosofia ocidental:
“arrumar a desordem aparente”


A
impossibilidade
filosófica

A
negação
da
filosofia
trágica
“Enfim, ora filósofos, ora trágicos: nunca filósofos trágicos”
(op. cit. p. 18)
Lógica do Pior
Lógica do trágico

Trágico
≠ ≠
pessimismo

“O pessimista fala após ter visto; o terrorista trágico fala para dizer a impossibilidade de ver”
(op. cit. p. 19/20)
O determinismo do mundo pessimista

X

A não constituição do mundo trágico
O “pior” da lógica pessimista

X

O “pior”da lógica trágica
“O pior pessimista designa uma lógica do mundo, o pior trágico, uma lógica do pensamento (descobrindo-se incapaz de pensar um mundo)”
A filosofia trágica
“não busca nem uma sabedoria ao abrigo da ilusão, nem uma felicidade ao abrigo
do otimismo”
A lógica do pior do masoquismo filosófico
“A incapacidade de suportar a dor parece ser disso, como pensou Nietzsche, a principal motivação: eu não suportaria não ser feliz senão com a condição de demonstrar que ninguém pode sê-lo”
“O elemento democrático do masoquismo ("Se eu sofro, só pode ser como todo mundo; logo todo mundo sofre") reduz o prazer de sofrer ao prazer tão-somente, quer dizer, ao prazer de saber que não se sofre mais que um outro”
“O pessimista concede um benefício: afirmando a dor, ele afirma sempre alguma coisa. Benefício que se recusa o pensamento trágico: para ele o ser é impensável, ou melhor, nenhum ser "é". Nesse sentido, podem-se distinguir duas formas antitéticas de lógica do pior: uma (paranóica) cuja lógica é afirmar (o pior), a outra (trágica) cujo "pior" é nada afirmar”
A caráter paranóico da filosofia
Paranóica: lógica para afirmar o pior
Trágica: lógica do "pior" é nada afirmar

“Toda
interpretação
é um
delírio”
“O ser: quer dizer, alguma coisa que não existe por acaso. A afirmação do ser é a negação do acaso”
A filosofia trágica:
“uma arte dos venenos”
Objetivo da filosofia trágica:
“fazer passar o trágico do silêncio
à fala”
Falar o que é recusado falar
O
impossível
de dizer
“‘O que existe’ não constitui, aos olhos do pensador trágico, uma ‘natureza’, mas um acaso; o termo ‘natureza’ não tem sentido senão na medida em que define um acaso, ou seja uma não-natureza, no sentido clássico do termo”
“Ainda uma vez, o que constitui a visão trágica não é a afirmação do caráter inacessível da solução, mas a afirmação do caráter absurdo da noção mesma de solução”
(op. cit. p. 52)
“Não são mais somente as respostas, são as questões que vêm faltar (...). Aqui, não se questiona mais. Nenhum socorro à vista, pois que mais nenhum apelo é concebível: trata-se de uma parada definitiva, de uma pane irreparável, de uma perdição.
É trágico o que deixa mudo todo discurso, o que se furta a toda tentativa de interpretação: particularmente a interpretação racional (ordem das causas e dos fins), religiosa ou moral (ordem das justificações de toda natureza ). O trágico é então o silêncio. Se as interpretações são sempre segundas, se, lá mesmo onde elas são atuantes (psicanálise, marxismo), elas não esgotam, (o) que interpretam”
“As forças ‘exteriores’, ‘cósmicas’, ‘naturais’ estão também em nós, (...) Um homem sozinho contra tudo não é necessariamente trágico. Ele se torna trágico quando o ‘inimigo’ está também no interior dele mesmo. (...) Não há tragédia a não ser que o herói seja o artífice de sua própria perda ”
(Jules Monnerot, citado por C. Rosset)
“Se a idéia de exterioridade designa o não-trágico, a idéia de interioridade basta talvez, em contrapartida, para designar o campo específico do trágico, assim como as ligações que unem a tragédia grega às perspectivas modernas abertas pela psicanálise. Situar a fonte do horror, não alhures, mas em si mesmo, é um programa comum a Sófocles e a Freud”
(op.cit. p. 68)
“Nada mais trágico, nada mais terrificante para o homem do que aquilo que provém de sua própria profundeza. Nada mais estranho, mais desconhecido: aqui, nesse horror primeiro ante si mesmo, se origina aquilo que Freud descreveu sob o nome de "recalcamento". A idéia de que o que está mais próximo é também o que está mais longe, o mais conhecido é o mais desconhecido, o mais familiar o mais estranho, é um tema que alimenta ao mesmo tempo a tragédia grega, a técnica do enigma policial e o pensamento psicanalítico"
(ibidem)
"Qual é o desconhecido x igualmente buscado pelo herói trágico, pelo inspetor de polícia e pelo psicanalista? Tu mesmo, diz a tragédia; o inocente número um, descrito desde o início como o personagem demasiado familiar para ser suspeito, diz o romance policial; a força desconhecida de ti que em ti recalca, diz a psicanálise”
(op. cit. p. 68)
A Carta Roubada: a invisibilidade do visível
O terror e a proximidade
“o caráter constitutivamente impensável da proximidade”
“Ver de súbito e demasiado tarde — o presente, o próximo, o familiar, como ausente, longínquo e estranho, é a experiência trágica por excelência”
(Clément Rosset, op .cit, p. 69)
O esquecimento e o recalcamento a revelia
”O que faz de Édipo um herói tanto psicanalítico quanto trágico, não é que ele seja incestuoso e parricida, mas que ele interrogue uma exterioridade acerca de um tema que não concerne senão à interioridade” 
(Lógica do Pior p. 70)
“O que afirmam assim conjuntamente os Trágicos gregos e a psicanálise de Freud é a proximidade do silêncio: que — e contrariamente, nesse ponto, à teoria de Lacan — o que no homem é força eficaz não fala, não está ‘estruturado como uma linguagem’”
(op. cit. p. 71)
“A repetição trágica em estado puro revelaria assim o acontecimento enquanto repetição de um No. 1 desconhecido: não é mais, propriamente falando, um "No. 1", mas uma incógnita x que repete o No. 1, como se fosse um No. 1 que repetisse”
(op. cit. p. 74)
“Este elemento x fora do tempo, razão de toda presença, a partir do que foram possíveis tanto esses elementos quanto suas repetições — tal como, mais uma vez, o Navio de Teseu . Poder-se-ia pois definir o temível como a aparição no tempo de um acontecimento que repete um primeiro termo desconhecido, alheio ao tempo”
“A diferença é o trágico mesmo: no fato de que porta em si a razão do não-interpretável, ou seja, o princípio de silêncio”
(Op. cit. p. 79)
“Fazer falar mais o silêncio suporia que se dispusesse de uma palavra mágica, que soubesse falar sem nada dizer, pensar sem nada conceber, recusar toda ideologia sem se engajar em qualquer ideologia”
“Ora, uma tal palavra talvez exista: o acaso”

O
que é
temível
e trágico

1 - Acontecimento não previsível nem previsto: novidade radical, um puro No. 1. Não temível.
2 – Acontecimento previsto. Puro No. 2. Não temível
3 – O No. 1 é revelado ao mesmo
tempo que o No. 2 repetidor
“A repetição trágica dá de uma só vez o repetido e o original. Videntes e profetisas procedem assim: repetindo desejos e terrores já presentes no consulentes"
"Wo es war, soll ich werden"
(Onde isso estava, devo advir)
“Não ‘o eu deveria conquistar o
isso’, o lugar das pulsõe inconscientes, mas ‘Eu deveria ousar me aproximar do lugar de minha verdade’. O que me espera ‘ali’ não é uma Verdade profunda com a qual devo me identificar, mas uma verdade insuportável com a qual devo aprender a viver”
Slavoj Zizek
“Para ele (Lacan) a psicanálise não é uma teoria e técnica de tratamento de distúrbios psíquicos, mas uma teoria e prática que põe os indivíduos diante da dimensão mais radical da existência humana”
(Op. cit.)
(p. 72)
(1949 - )
A interpretação
psicanalítica é
histórica
Em função da sobredeterminação não existe uma interpretação psicanalítica única, verdadeira
Do ponto de vista da psicanálise a fala se opõe ao real

A
repetição
fundamental
do Real

“O acaso... é um Deus e um diabo ao mesmo tempo”
Joaquim Maria Machado de Assis
Como Ler Lacan. Rio, Zahar, 2010
21/06/1839 - 29/09/1908
O "fora"
e o
"dentro"
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