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O GAROTO SELVAGEM (1970)

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by

Diego Novais Souza

on 7 October 2014

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Transcript of O GAROTO SELVAGEM (1970)

Sinopse
Baseado em relatos de um caso real, o filme retrata a história
de uma criança encontrada em uma floresta francesa no ano de 1798. Aparentemente abandonado e vivendo isolado nesse ambiente há vários anos, o garoto é levado para Paris, onde é observado por especialistas que o consideram irrecuperável. O jovem médico Itard, por outro lado, considera que seu comportamento, semelhante ao de um animal selvagem, deve-se ao isolamento total. O agora professor Itard, com auxílio de sua governanta, Madame Guérin, inicia um processo educacional e de socialização na criança, que passa a ser chamada de Victor.
Educando um selvagem

Ao mostrar a tentativa do médico Itard de educar um menino "selvagem", o filme nos oferece uma oportunidade de compreender a pedagogia da época.

Helena Chamlian (2001), ao falar sobre a questão da disciplina na didática, também resgata a pedagogia da época, até chegar nos dias de hoje.
"A disciplina para a formação do caráter tem como objetivo primordial colocar a criança em contato com as regras morais, desenraizá-la do que caracterizaria a infância" (p. 79)
Ficha Técnica

educação, disciplina e socialização no filme "O GAROTO SELVAGEM (1970)"
Título:
“L’enfant sauvage”
Diretor:
François Truffaut
Argumento e diálogos:
François Truffaut e Jean
Gruault baseado em "Mémorie et Rapport
sur Victor d’Aveyron de Jean Itard (1806)"
Gravação/Filmagem:
Julho/Agosto 1969
Duração:
86 minutos
Prêmios:
Palma de Ouro do Festival Valladolid, Christopher Award, Fémina Belge.

"Nesse conjunto de pressuposições, fica claro que a criança é sujeito da educação pelas suas fraquezas. A todo momento é apresentada por expressões como: instabilidade, irregularidade, incapacidade de se dominar, tendência a todos os excessos. Daí porque é natural que o professor intervenha, já que ele, por estar mais próximo dos modelos a serem inculcados, poderá ser capaz de conduzi-las até eles. O professor desempenha um papel que permanece a uma certa distância de seus alunos. Ele é, de certo modo, o representante dos ‘homens superiores’ aos quais serve de apresentador” (p. 81).
Seguindo os argumentos da autora, de acordo com a pedagogia da época: "concebida como ser selvagem, a criança deveria ser afastada o mais rápido possível desse estado por intermédio da Educação: 'O estado selvagem é a independência em relação às leis. A disciplina submete o homem às leis da humanidade e comeca a fazê-lo sentir a pressão das leis' [Kant, 1960]" (pp. 79-80).
A criança representaria, desse modo, tudo o que no homem é insuficiência e negatividade. Ela estaria distante do ideal, do inteligível, da pureza. Nesse sentido, o mestre, representante dessas virtudes, teria naturalmente o poder e a autoridade para agir sobre ela, para encaminhá-la no longo e penoso caminho da sabedoria e da virtude” (p. 80)."
Fotografia original de Itard com o menino.
De acordo com a autora, na França do século XVII os princípios de eficiência e ordem foram utilizados pelos jesuítas. “A ação dos jesuítas não se limitou apenas a estabelecer um padrão de trabalho escolar. Para Durkheim, ela chegou a determinar a própria concepção de educação intelectual. Segundo ele, na Antiguidade, a educação intelectual tinha como objetivo comunicar à criança um certo número de talentos determinados, instrumentos necessários ao exercício de um papel na sociedade. O Cristianismo, ao contrário, assumiu rapidamente a perspectiva de que formar um homem não era ornamentar seu espírito com certas ideias, nem lhe fazer contrair certos hábitos em particular, mas criar nele uma certa disposição geral do espírito e da vontade, que lhe fizesse ver as coisas em geral sob uma perspectiva determinada” (p. 77).
“Nos dois argumentos [tanto o de Guimarães, quanto o de Claparède], fica claro que o critério para eficácia da disciplinas não se deve basear no comportamento atual da criança, no momento em que o professor esteja próximo dela para discipliná-la, e sim no comportamento futuro que a disciplina encorajará, no que acontecerá quando a mão coatora do professor tiver sido afastada, no padrão permanente de autocontrole que a criança seja ajudada a desenvolver” (p. 82)
Em alguns trechos do filme podemos perceber esta dimensão enfatizada pela autora. Na primeira imagem, Victor pede o leite de um modo considerado mais "rudimentar" por Itard, apenas segurando o recipiente e mostrando-o. Após muitas tentativas de fazer com que Victor aprendesse a pedir o leite de forma mais "elaborada", o menino, longe dos olhos e do auxílio de Itard, finalmente organiza as letras com as quais vinha lidando, de modo a formar a palavra "leite", momento representado na segunda imagem.
44 min 30 seg do filme
1 h 05 min do filme
No trecho que começa aos 25 min e 13 seg do filme, há uma discussão entre o Dr. Itard e o professor Philippe Pinel que bota em dúvida os motivos do garoto se portar de modo tão selvagem. Enquando Pinel acha que o garoto é retardado, Itard tem a tese de que o isolamento causou este comportamento. Este se coloca à disposição para "ensinar" o menino a se portar em sociedade. Esse "ensinar" aparece como um imperativo inexorável para a formação do garoto que parece não ter algo que as outras crianças tem. Isto reforça a ideia de uma "estado de natureza" inerente à criança, e uma necessidade de reeducá-lo de acordo com formas específicas de agir e se portar moralmente aceitas e compartilhadas neste novo ambiente social.
Outra característica disciplinar que fica explícita no filme é a da disciplina do corpo, junto aos hábitos. Em duas diferentes cenas, representadas abaixo, o que está em desenvolvimento é o que chama a atenção Marcel Mauss em "As técnicas do corpo" (1974): quando aprendemos uma técnica, ela está sendo corporificada. Não se trata apenas daquilo que aprendemos "formalmente", mas tudo no corpo é aprendido culturalmente, através de determinadas técnicas, por mais que aquilo nos pareça "natural".
Na primeira imagem, o menino aprende a se locomover como um bípede, já que até então se locomovia como quadrúpede. Na segunda, aprende a abrir a maçaneta da porta.
Em diversos momentos do filme a figura do Doutor é afirmada como aquela que intervem diante das instabilidades do menino no processo de socialização. Há sempre a preocupação em frear certos impulsos ou comportamentos repreensíveis, como quebrar pratos ou se tornar agressivo diante de alguma frustração. Há um comportamento ideal e o Dr. Itard, neste caso, é o responsável por garantir este aprendizado.
É curioso como até os sons que discernimos se mostram, assim, como produtos de uma socialização precoce, que Victor não teve. Daí sua incapacidade inicial de reagir a sons que não existiam no ambiente em que cresceu.
Há dois mundos opostos retratados no filme, na figura do professor e do aluno, com o primeiro - completamente inserido em sua sociedade, membro de uma classe social abastada, ao que parece, e detentor de uma educação elevada - lidando com alguém que não dispõe de nenhuma bagagem social, que não sabe sequer usar o sentido da audição da maneira "correta", socialmente convencionada.
Bourdieu (1998) diz que é necessário haver uma reflexão (e autorreflexão) da parte do educador, para desmembrar os preconceitos e os pré-conceitos do processo educativo. No filme, vemos Itard tentando diversos métodos para ensinar a Victor , e seguidos fracassos, até que o menino inicia a compreensão dos conceitos de palavra escrita, falada e sua associação com objetos do mundo.
Damaris Faria nº 7618099
Diego Novais Souza nº 6836087
Fernanda Kalianny Martins Sousa nº 6836390
Gabriela Trindade de Almeida nº 6836834
Izabela Nalio Ramos nº 6836813
José Roberto Ferreira Militão Junior nº 6836692
Desse modo, o pensamento do século XVII destacado por Helena Chamlian estabelece diversas similaridades com o que é demonstrado no filme. Embora em L'enfant sauvage não se fale sobre a socialização inicial da criança, como no texto, o entendimento da criança como um ser "selvagem" a ser "educado", e os meios disciplinares para tal educação, encarnados no papel de alguém que desempenha o papel de professor - o doutor Itard, no caso do filme - estão presentes na socialização do já crescido "menino selvagem".
Os questionamentos e as escolhas dos métodos através dos quais o doutor Itard considera mais adequados para educar e socializar a criança demonstram como o processo de socialização é uma construção/educação social, desde o ato de andar até a fala ou escrita.
Trabalho apresentado para a disciplina de Didática ministra pela Professora Doutora Paula Perin Vicentini no 1º semestre de 2014
Referências bibliográficas
BOURDIEU, Pierre & SAINT-MARTIN, Monique. As categorias do juízo professoral. CATANI, Afrânio & NOGUEIRA, Maria Alice (orgs.) Escritos de Educação. Petrópolis: Vozes, 1998, p. 185-216.

CASTRO, AD de, and AMP de CARVALHO. "Ensinar a ensinar." São Paulo: Pioneira (2001).

MAUSS, Marcel. "As técnicas corporais." Sociologia e antropologia. (1974).
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