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Apresentação Teorias Críticas da Educação

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Miriane Zanetti Giordan

on 3 November 2013

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Transcript of Apresentação Teorias Críticas da Educação

Andréia Heiderscheidt Fuck
Cleide A. Hoffmann Bernardes
Miriane Zanetti Giordan
Valdicléa Machado da Silva

TEORIAS CRÍTICAS DA EDUCAÇÃO ESCOLAR E EDUCAÇÃO POPULAR: A CONTRIBUIÇÃO DE AUTORES BRASILEIROS
Organização do trabalho
Caminho das abordagens teóricas na Educação Brasileira

Principais autores/educadores brasileiros

Educação Popular do Brasil

Paulo Freire

Referências
Principais autores/educadores Brasileirios
EDUCAÇÃO POPULAR NO BRASIL
Dermeval Saviani
Nasceu
em 25 de dezembro de 1943 (69 anos) em Santo Antônio de Posse/ SP.
Formação:
Formou-se em Filosofia pela PUC-SP em 1966.
Doutor em filosofia da educação na mesma instituição.
Ocupação:
É um filósofo e pedagogo brasileiro.
Lecionou na PUC-SP e na Universidade Federal de São Carlos.
Leciona desde 1980 na Unicamp, da qual tornou-se professor emérito.
Premiações:
Medalha do mérito educacional do Ministério da Educação.
Prêmio Zeferino Vaz de produção científica.
Prêmio Jabuti de 2008 na categoria Educação, Psicologia e Psicanálise com História das Ideias Pedagógicas no Brasil.
Fundador de uma pedagogia dialética, que denominou
Pedagogia Histórico-Crítica.
Principais obras de Saviani
Em sua obra Escola e Democracia (1987), o autor traz as teorias da educação e seus problemas, e apresenta a crítica da Pedagogia Nova (escolanovismo) a Pedagogia Tradicional, onde:
" Segundo essa nova teoria, a marginalidade deixa de ser vista predominantemente sob o ângulo da ignorância, isto é, o não domínio de conhecimentos. O marginalizado já não é, propriamente, o ignorante, mas o rejeitado. Alguém está integrado não quando é ilustrado, mas quando se sente aceito pelo grupo e, por meio dele, pela sociedade em seu conjunto." (p. 07)
Capítulo II: A Teoria da Curvatura da Vara
Saviani justifica um processo de tentativa de ajustes da educação, com base nesta metáfora:
A escola deve ser o local que prepara a criança, futuro cidadão, para a vida, e deve transmitir valores éticos e morais aos estudantes, e para que cumpra com seu papel deve acolher os alunos com empenho para, em um espaço de interação e socialização, verdadeiramente transformar suas vidas.
“quando a vara está torta, ela fica curva de um lado e se você quiser endireitá-la, não basta colocá-la na posição correta. É preciso curvá-la para o lado oposto”.
Esta metáfora foi enunciada por Lênin (Revolucionário do partido russo bolchevics)
Neste sentido, afirma Saviani que
“quando mais se falou em democracia no interior da escola, menos democrática foi a escola; e de como, quando menos se falou em democracia, mais a escola esteve articulada com a construção de uma ordem democrática" (p. 34)
Saviani parece que puxa propositadamente a vara para o lado oposto, na esperança desta vir para o centro, que não é nem a Escola Tradicional , nem a Escola Nova, mas sim na valorização dos conteúdos, que remetem a uma pedagogia revolucionária.
A teoria pedagógica Histórico-Crítica foi criada por Saviani partindo do pressuposto de que é viável, mesmo numa sociedade capitalista, uma educação que não seja, necessariamente, reprodutora da situação vigente, e sim adequada aos interesses da maioria, aos interesses daquele grande contingente da sociedade brasileira, explorado pela classe dominante.
Pedagogia Histórico-Crítica
Em relação a opção política assumida por nós, é bom lembrar que na Pedagogia Histórico-Crítica a questão educacional é sempre referida ao problema do desenvolvimento social e das classes. A vinculação entre interesses populares e educação é explícita. Os defensores da proposta desejam a transformação da sociedade. Se este marco não está presente, não é da pedagogia histórico-crítica que se trata". (p. 87)
A Pedagogia Histórico-Crítica, embora consciente da determinação exercida pela sociedade sobre a educação, fato que a torna crítica, acredita que a educação também interfere sobre a sociedade, podendo contribuir para a sua própria transformação, fato que a torna histórica.
José Carlos Libâneo
Nasceu
em Angatuba/São Paulo, no ano de 1945
Formação:
Cursou o ensino fundamental e médio no Seminário Diocesano de Sorocaba (SP).
Graduou-se em filosofia na PUC/SP em 1966.
Em 1984 tornou-se “MESTRE” da educação escolar brasileira e “DOUTOR” em educação, posteriormente.
Ocupação:
1973- Fundou o centro de treinamento e Formação de professores;
1975- Lecionou na Universidade Federal de Goias na faculdade de educação;
1976-1980- Foi afastado da UFG por ter direitos políticos cassados pelo regime militar;
1980- Recebeu benefício da anistia e retornou como professor na UFG;
1996- Aposentou-se e desde 1997 leciona na Universidade Católica de Goiás e é vice–coordenador do mestrado em educação.
Libâneo é bastante conhecido no meio educacional pelas profundas contribuições teóricas que produz na área. Articula uma reflexão crítica sobre a natureza histórico-social dos conteúdos de ensino e a própria didática de transmissão destes conhecimentos.
Principais obras de Libâneo
José Carlos Libâneo defende um modelo de escola mais concentrada nas classes populares, onde os métodos de ensino fossem principalmente pautados no estímulo do desenvolvimento da consciência crítica de cada indivíduo, a fim de despertá-lo para a sua condição de oprimido e proporcionar a ele subsídios para que venha a se tornar um agente transformador da sociedade. Essa educação deve servir como um instrumento de luta para a compreensão e transformação dos conceitos sociais.
Ele propõe quatro pilares básicos para a escola de hoje:
Educação
Preparar os alunos para o processo produtivo e para a vida na sociedade atual
Auxiliar os alunos nas competências do pensar autônomo, crítico e criativo
Formação para a cidadania crítica e participativa
Formação ética
A Didática é tratada neste livro como ramo de estudo da pedagogia partindo dos vínculos entre finalidades socio-políticas e técnicas da direção do processo de ensino e aprendizagem. José Carlos Líbano propõe o estudo sistemático da Didática como teoria do processo de ensino, de modo a unir a preparação teórica e prática na formação profissional do professor. Para o autor a didática é entendida como:
Para o autor, a Didática constitui-se como disciplina integradora que, ao buscar os conhecimentos teóricos e práticos da Teoria da Educação, Psicologia, Sociologia e Metodologias específicas das matérias de ensino, generaliza princípios, condições e meios que são comuns e básicos para a docência de todas as matérias escolares
"A escola é o lugar de ensino e difusão do conhecimento, é instrumento para o acesso das camadas populares ao saber elaborado; é, simultaneamente, meio educativo de socialização do aluno no mundo social adulto. O ensino, como mediação técnica, deve dar a todos uma formação cultural e científica de alto nível; a socialização, como mediação sociopolítica, deve cuidar da formação da personalidade social em face de uma nova cultura." (p. 75)
Escola
Saviani (1991) afirma que a tarefa a que se propõe a Pedagogia Histórico-Crítica em relação à educação escolar implica :
Pedagogia Histórico-Crítica
a) Identificação das formas mais desenvolvidas em que se expressa o saber objetivo produzido historicamente, reconhecendo as condições de sua produção e compreendendo as suas principais manifestações bem como as tendências atuais de transformação.

b) Conversão do saber objetivo em saber escolar de modo a torná-lo assimilável pelos alunos no espaço e tempo escolares.

c) Provimento dos meios necessários para que os alunos não apenas assimilem o saber objetivo enquanto resultado, mas apreendam o processo de sua produção bem como as tendências de sua transformação (p. 17)
O autor ainda aponta que esta concepção pedagógica surgiu em decorrência de necessidades postas pelas práticas dos educadores em relação a realidade escolar da época, e que é nesta realidade que se enraíza a Pedagogia Histórico-Crítica. (década de 80).
"direção de aprendizagem", considerando o aluno como sujeito. O que o professor tem a fazer é colocar o aluno em condições propícias para que, partindo das suas necessidades e estimulando os seus interesses, possa buscar por si mesmo conhecimentos e experiências. [...] O centro da atividade escolar não nem o professor nem a matéria, é o aluno ativo e investigador. O professor incentiva, orienta, organiza as situações de aprendizagem, adequando-as a capacidade de características individuais dos aluno. [...] o professor não ensina, ajuda o aluno a aprender. (p. 65 - 66)
Miguel González Arroyo
Nasceu
em Burgos/Espanha em 1935.
Formação:
1960 veio para o Brasil.
1970 Graduação em Ciências Sociais pela UFMG
1974 Mestrado em Ciência Política pela mesma universidade
1981 Doutorado (Phd Em Educação) pela Stanford University
1991 Pós-doutorado pela Universidad Complutense de Madrid.
Ocupação:
Professor da Faculdade de Educação na UFMG
2002 Recebe título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte.
2003 Recebe título de Professor Emérito da UFMG.
2003 - atual Participa da elaboração e implementação dos cursos de Pedagogia da Terra e de Educadores do Campo, em que leciona.
Arroyo defende as condições de tradalho dos professores e é bastante crítico com relação a formação docente, segundo ele distante das realidades escolares.
Carlos Roberto Jamil Cury
Nasceu
em São José do Rio Preto/São Paulo, no ano de 1945
Formação:
Graduou-se em filosofia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Nossa Senhora Medianeira em 1971.
Em 1977 tornou-se mestre, e em 1979 doutor, ambos pela PUC-SP e em Educação.
Ocupação:
1968-1978 Professor de Filosofia no Colégio Sacré-Coeur de Marie (São Paulo).
1972-1978 Professor da PUC-SP1982-1986 Coordenador do programa de pós-graduação da FaE/UFMG
1986-1989 Presidente da Área de Educação da CAPES
1991 Professor titular da FaE/UFMG
2000 Professor PUC Minas
2003 Presidente da CAPES
Atualmente Coordenador do programa de pós-graduação em Educação da PUC Minas
É um dos maiores especialistas em políticas públicas na área de Educação no Brasil. Participou do processo de transição da antiga Lei de Diretrizes e Bases (LDB),para a atual na condição de presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, além de ser notório seu interesse por estudos relacionados ao direito à escola.
Principais obras de Arroyo
Arroyo defende as condições de trabalho dos professores e aponta que:
Para ele, os ideais do trabalho docente devem estar estreitamente atrelados à vivência docente, com a proposta de realizar um diálogo entre a realidade e os modelos que se impõem.
“saber mais sobre a docência para a qual se prepara seria um dos saberes mais formadores; seria o norteador para a conformação do currículo de formação” (ARROYO, 2007, p. 194)
O livro oferece aos professores e estudiosos da área da educação não apenas reflexões pertinentes sobre ela, mas também questionamentos preciosos relacionados à constituição da imagem, da identidade dos que já foram educados e agora, professores, cumprem a missão de tornar seus alunos capazes de relacionar de maneira eficiente o conhecimento adquirido na escola à realidade, por vezes dura, de suas vidas.
"A categoria tem colocado todos os seus esforços em melhorar as condições materiais e de trabalho nas escolas [...] para que cheguem a ser espaços mais humanos. O grave das condições materiais e de trabalho das escolas não é apenas que é difícil ensinar sem condições, sem materiais, sem salários, o grave é que nessas condições nos desumanizamos todos. Não apenas torna-se difícil ensinar e aprender os conteúdos, torna-se impossível ensinar-aprender a ser gente."

Neste livro Miguel G. Arroyo traz à luz das discussões um conjunto de reflexões, no mínimo necessárias, acerca das imagens e auto-imagens cultivadas por e sobre aqueles que exercem o chamado ofício de mestre nos tempos atuais: os professores. Segundo Arroyo (2000, p.64), apesar dos obstáculos, estes devem exercer, junto ao aluno, um papel muito maior do que apenas o de meros transmissores de conteúdos:
Principais obras de Carlos Cury
Nesta obra Cury faz críticas a dois grupos ideológicos da educação brasileira da época (década de 30): o dos “católicos”, que partiam da necessidade de dar a educação um conteúdo espiritual consciente, e o dos “pioneiros”, que pretendiam imprimir a educação nacional um sentido liberal e democrático, que até então lhe faltara.
"O confronto que se estabeleceu em vários níveis, ao menos no discurso lingüístico,
posicionava dois grupos contraditórios e relativamente antagônicos. A visão católica
nitidamente intelectualista e espiritualista (talvez um “espiritualismo intelectualista”) se
choca com um pragmatismo funcionalista assumido pelos reformadores. Tal confronto
básico, mediatizado pelo Estado, trouxe discussões de toda a ordem. No fundo, ambos os grupos, no objetivo de inserir seus princípios na Constituição, entendiam ser aí a melhor estratégia a fim de continuar a pugnar por seus interesses". (p. 169).
Resumo do que Cury defende, a partir da leitura de artigos em que o autor é citado, sendo uma educação voltada para a transformação da sociedade e não atendendo uma ideologia dominante.
Desde os primórdios, a função social da educação esteve mais comprometida com os interesses dos grupos dominantes do que com os interesses e valores das classes subalternas, isto não é uma fatalidade, é uma educação de classes. Se coopera com a reprodução das estruturas vigentes, colabora para a organização capitalista de produção. E para tanto, é preciso pensar para a prática educativa uma teoria mais elaborada que revele, no caráter hegemônico, mediador e contraditório dessa prática, os elementos decisivos de sua superação, com uma ação social transformadora mediante a aceleração da consciência de classe.
Moacir Gadotti
Nasceu
em 21 de outubro de 1941, Rodeio/SC
Formação:
Licenciado em Pedagogia e em Filosofia. Fez Mestrado em Filosofia da Educação na PUC (SP, 1973), Doutorado em Ciências da Educação na Universidade de Genebra (Suíça, 1977) e Livre Docência na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP, 1986)
Ocupações:
Foi professor de História e Filosofia da Educação em cursos de graduação e pós-graduação em Educação e Filosofia de diversas instituições, entre elas a PUC- SP, a UNICAMP e a PUC de Campinas. Desde 1988 é professor na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.
Principais obras de Gadotti
Possui um grande número de publicações em que desenvolve uma proposta educacional, cujos eixos são a formação crítica do educador e a construção da Escola Cidadã, numa perspectiva dialética integradora da educação e orientada pelo paradigma da planetariedade.
Foi assessor técnico da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo (1983-1984) e Chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura de São Paulo (1989-1990), na gestão de Paulo Freire. Atualmente é Professor Titular da USP e diretor do Instituto Paulo Freire.
Este livro é um roteiro básico sobre as várias sistematizações teóricas existentes que tecem o pensamento pedagógico brasileiro.
Quais os valores, objetivos e ideologias que permeiam o ato de educar? O que se entende por democratização da educação?
"1. Introdução: a teoria da educação brasileira

Classifica as “tendências pedagógicas da prática escolar” em “liberais” e “progressistas”. Entre as primeiras, inclui a tendência “tradicional”, a “renovada progressista”, a “renovada não diretiva” e a “tecnicista”. No segundo grupo inclui a tendência “libertadora”, a tendência “libertária” e a tendência “crítico-social dos conteúdos”. José Carlos Libâneo (1985)

2. A educação como ato político: a pedagogia do oprimido
A consciência do oprimido encontra-se “imersa” no mundo preparado pelo opressor. Paulo Freire denuncia, por isso, a “postura de aderência ao opressor” (p.33). Existe uma dualidade que envolve a consciência do dominador (seus valores, sua ideologia, seus interesses); enfim, o “medo da liberdade”; de outro, o desejo e a necessidade de libertar-se, trava-se no oprimido uma luta interna.


3. Educação da classe, educação popular, educação do sistema.
“Se o educador não tem o poder de dirigir o leme do barco onde embarca a sua educação, deve, ao menos, saber se está na direção e que um dia deverá estar, ou seja, com os trabalhadores a quem serve. O educador pode aprender a cada dia qual a verdadeira direção para onde o seu barco-mundo deve seguir. Deve ajudá-lo a soprar as velas naquela direção, até quando, afinal perto do porto, o povo assume de uma vez o leme e a direção do barco”. Carlos Rodrigues Brandão (1982, p.21)

4. O (des)prazer de ensinar e aprender
“Educar é desinstalar. O educador não é aquele que reproduz os sermões prontos e acabados, mas aquele que desperta consciência, motiva para a existência”

"Para que as ideias triunfem é necessário que elas estabeleçam uma aliança com um impulso”. A educação não é qualquer ação, é “uma atividade criadora que traz à existência aquilo que ainda não existe”(p.61).

5. A paixão de conhecer o mundo
O ato de conhecer é tão vital como comer ou dormir, e eu não posso comer ou dormir por alguém. A escola em geral tem esta prática, a de que o conhecimento pode ser doado, impedindo que a criança e, também, os professores o construam. Só assim a busca do conhecimento não é preparação para nada, e sim a VIDA, aqui e agora. E é a vida que precisa ser resgatada pela escola. Madalena Freire (1983, p.15).


6. Crítica à escola capitalista e democratização do ensino
Os autores mostram o papel desempenhado pela educação capitalista enquanto “instrumento de ampliação da capacidade de produção da força de trabalho, geradora de excedentes crescente para os dominadores”, desmistificando assim, as propostas “liberais” de democratização da educação. [...] Quando o capitalista amplia as oportunidades escolares, em nome da “democratização de oportunidades”, o que ele tem em mente, são adicionais de excedentes, dos quais se apropriará. Rossi (1978, p.149)


7. A preocupação com a especificidade da educação: a “pedagogia dos conteúdos”
A “pedagogia dos conteúdos” tem como preocupação central a “transmissão e assimilação dos conteúdos” (p.71) do “saber escolar”. Por “saber escolar” o autor entende “a seleção e organização do saber objetivo disponível na cultura social numa etapa histórica determinada para fins de transmissão-assimilação ao longo da escolarização formal (LIBÂNEO, 1985, p.90)
8. Educação e poder: a “pedagogia do conflito”
A formação do educador para uma nova realidade brasileira

A educação permanente é profundamente conservadora e reacionária, na medida em que prolonga o mito de que a educação e a formação são pressupostos de toda ação, e que basta um “suplemento de educação” para mudar a ordem das coisas: a ilusão de que a educação é a alavanca da transformação social. (p.122)

9. Pensamento pedagógico brasileiro: unidade e diversidade
A produção intelectual, o pensamento pedagógico brasileiro de orientação crítica e progressista ganhou espaço nesses últimos anos, pelo menos nas universidades, apesar de encontrar, na prática pedagógica, muita resistência, pelo enraizamento histórico de conservadorismo que ainda é predominante: a nossa escola ainda é tradicional em suas práticas. Cresceu a produção científica em ciências da educação, mas ainda é um pensamento em construção. (GADOTTI, 2009, p. 136)

Rubem Alves
Premiações:
Cidadão-honorário de Campinas, onde recebeu a medalha Carlos Gomes de contribuição à cultura.
Nasceu
em 15 de setembro de 1933, em Boa Esperança, sul de Minas Gerais.
Formação:
Mestre em teologia, doutor em filosofia (Ph.D.) pelo Seminário Teológico de Princeton (EUA) e psicanalista.
Ocupação:
Lecionou no Instituto Presbiteriano Gammon na cidade de Lavras - MG, no Seminário Presbiteriano de Campinas, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro.
Membro da Academia Campinense de Letras, professor-emérito da UNICAMP.
Tornou-se autor de inúmeros livros, é colaborador em diversos jornais e revistas com crônicas de grande sucesso, em especial entre os vestibulandos.
Rubem Alves é um crítico do sistema de ensino brasileiro. Mas suas opiniões não carregam rancor contra quem quer que seja. Para o educador, o problema da escola é que ela não leva em consideração o desejo de aprender das crianças e está respondendo às perguntas que somente os adultos acham importantes.
Principais obras de Rubem Alves
Convidado a falar sobre a formação do educador, o autor, faz uma excursão por diversas profissões, mas que agora estão extintas ou em extinção, onde cita os tropeiros, os caixeiros, os boticários, etc... Mas, que foram esmagados pelo advento da industrialização e dos progressos da modernidade.
Quanto ao seu tema formação do educador, primeiramente, recorre a distinção entre o professor e o educador, sendo o professor ligado mais a questão técnica ou da profissão. Enquanto o educador teria uma ligação com a vocação, pois é definida pelo amor.
Profissões e vocações são como plantas. Vicejam e florescem em nichos ecológicos, naquele conjunto precário de situações que as tornam possíveis e – quem sabe? – necessárias. Destruído esse habitat, a vida vai-se encolhendo, murchando, fica triste, mirra, entra para o fundo da terra, até sumir. (ALVES, 1987, p.17)

Sobre Jequitibás e Eucaliptos – Amar
Uma vez cortada a floresta virgem, tudo muda. É bem verdade que é possível plantar eucaliptos, essa raça sem vergonha que cresce depressa, para substituir as velhas árvores seculares que ninguém viu nascer nem plantou. Para certos gostos, fica até mais bonito: todos enfileirados, em permanente posição de sentido, preparados para o corte. E para o lucro. Acima de tudo, vão-se os mistérios, as sombras não penetradas e desconhecidas, os silêncios, os lugares ainda não visitados. O espaço racionaliza-se sob a exigência da organização. Os ventos não mais serão cavalgados por espíritos misteriosos, porque todos eles só falarão de cifras, financiamentos e negócios. (ALVES, 1987)

Sobre Jequitibás e Eucaliptos – Amar
Gaudêncio Frigotto
Nasceu
em Paim Filho /Rs, em 1947(interior)
Formação
Filosofia, pedagogia (FIDENE-UNIJUI), mestre em Adm. Sistemas Educacionais (1977 - FGV-RJ) e Doutorado em Educação (PUC-SP)
Ocupações:
Professor titular aposentado da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde permanece como colaborador.
Frigotto hoje é professor adjunto e ministra a disciplina Economia Política da Educação no curso de Graduação de Pedagogia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Ministra, ainda, as disciplinas de Epistemologia da Educação e Teoria da Educação no Programa de Pós-Graduação (mestrado e doutorado) em Políticas Públicas e Formação Humana, também da UERJ. Membro, representando o Brasil, no Comitê Diretivo do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (CLACSO) ( 2003-2007).
Frigotto afirma que o papel específico da escola capitalista não é a preparação profissional, como pretende a teoria do capital humano. Sua especificidade situa-se na produção de um conhecimento geral, articulado com a formação especificamente profissional.
É um dos coordenadores do GT Educação, Políticas e Movimentos Sociais do CLACSO. Faz parte do Conselho Acadêmico do Instituto e Pensamento e Cultura Latino-americano (IPECAL).
É sócio-fundador da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em educação (ANPED)
Principais obras de Frigotto
Na teoria do capital humano, diz Frigotto, a educação “é recebida como produtora de capacidade de trabalho, potenciadora do fator trabalho” (p.40). O autor denuncia o “caráter de classe” dessa teoria calcada “sobre o mito da objetividade e racionalidade do indivíduo”: “ ao pautar-se por um método positivista de análise, concebendo as relações sociais da sociedade do capital como dadas, produtos naturais, ou simplesmente como relações técnicas, a teoria do capital humano acaba por se constituir numa análise a-histórica” (FRIGOTTO, 1984, p.19)

Paolo Nosella
Nasceu
: na Itália (1942).
Veio para o Brasil em 1967 para trabalhar em educação popular no estado do Espírito Santo, criando as primeiras escolas da família Agrícola (EFAs).
Formação
Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia. Fez Mestrado (1977) e Doutorado em Filosofia da educação (1981) na PUC/SP.
Ocupações:
Foi professor de filosofia da Educação na Universidade Federal de São Carlos/SP, onde trabalhou (exercendo vários cargos) de 1979 a 2007, quando se aposentou.

Nosella já orientou 36 dissertações de mestrado e 16 teses de doutorado. Hoje integra o corpo docente do Programa de Mestrado e Doutorado em Educação da Universidade Nove de julho de São Paulo (UNINOVE) em três linhas de pesquisa: Trabalho e educação; instituições escolares; História e Teoria do Trabalho Docente e do Educador Social.

Principais obras de Nosella
Busca compreender a nova forma de compromisso político que o educador e o intelectual em geral precisam praticar, dizendo, por exemplo, que é preciso resgatar o valor da dúvida como método; compreender o processo de amadurecimento da cultura democrática; voltar a refletir sobre o próprio conceito de política “desinteressada” e reafirmar que todo ato pedagógico em si já possui uma implícita dimensão ético-política, questionando, assim, a vinculação burocrática com os partidos.

A Nova República, infelizmente, não garantiu a realização dos sonhos de muitos, e a distinção entre direita e esquerda já não era tão nítida. Era a crise das utopias e dos paradigmas, mas também O período que vem de 1985 até hoje, historicamente configurado pela volta da democracia, é marcado pela consolidação e expansão da pós-graduação no Brasil.
Caminho das abordagens teóricas da Educação Brasileira
Educação popular
Definição

Histórico

Características

Movimentos Sociais

Discussões

Referências

Moacir Gadotti

Danilo Streck

Raymond A. Morrow e Carlos Alberto Torres

Paulo Freire


Definição


“A educação popular postula, o esforço de mobilizar e organizar as classes populares com o objetivo de conceber o poder popular” (FREIRE)

História da Educação Popular
- Início do Século XX
- Principalmente o começo dos anos 1960
- Surgiu na América Latina em meio às ditaduras militares.
- Expansão em 1980 com as experiências e projetos de educação de adultos (associações de moradores, sindicatos, comunidades religiosas, e a Constituição de 1988 estende o direito à educação aos que ainda não haviam frequentado ou concluído o ensino fundamental)
- Em 1980 começam parcerias das ONGs com o Estado.

- Em sua origem está: o anarquismo do proletariado industrial do início do século passado, o socialismo autogestionário, os movimentos populares, as teorias da libertação e a pedagogia dialética.
A Educação popular representou um papel-chave ao tornar visíveis os atropelos e buscar caminhos para a resistência e a geração de uma consciência crítica, por meio de um método fundamentalmente dialógico e de espírito crítico. (NAHMÍAS, 2006, p.123)
Trata-se de um paradigma teórico, nascido no calor das lutas populares que passou por vários momentos epistemológicos e organizativos, visando não só à construção de saberes, mas também ao fortalecimento das organizações sociais. (GADOTTI, 2012)
- História é possibilidade e não determinação – (FREIRE apud Gadotti, p.2)

- Acompanhar o movimento da sociedade;

A educação popular tem como uma de suas marcas acompanhar o movimento das classes, grupos e setores da sociedade que entendem que o seu lugar na história não corresponde aos níveis de dignidade a que teriam direito. (STRECK, 2009, p.2)

- Trabalhar a liberdade, gerar uma consciência coletiva da capacidade transformadora e libertadora a fim de quebrar as cadeias de opressão.

- Ligação da educação à política.
“Aprender a ler a palavra e o mundo” (Paulo Freire)

“Visão dialética não permite construir um novo a menos que seja a partir da sistematização e reflexão crítica de sua prática histórica.” (HURTADO, 2006)
“Aos esfarrapados do mundo e aos que neles se descobrem e, assim descobrindo-se, com eles sofrem, mas sobretudo, com eles lutam”

Características da Educação Popular
- O que marca a educação popular não é idade dos educandos, mas a prática política entendida e assumida como prática educativa.

- Não compõem esta educação, e seus movimentos sociais apenas os mais empobrecidos e marginalizados.

- Paulo Freire na dedicatória de seu livro: A pedagogia do Oprimido esclarece:
A educação popular vem se reinventando hoje, incorporando as conquistas das novas tecnologias, retomando velhos temas e incorporando outros: o tema das migrações, da diversidade, lúdico, a sustentabilidade, a interdisciplinaridade, a intertransculturalidade, a questão de gênero, idade, etnia, sexualidade, desenvolvimento local, emprego, renda... mantendo-se sempre fiel à leitura do mundo das novas conjunturas. (TORRES, apud GADOTTI, 2012, p.10)

A Educação Popular Hoje
Existe uma imagem preconceituosa ainda bastante dominante em relação à Educação Popular. Imagem de um campo indefinido. Aberto a todo o tipo de propostas, de intervenções das mais desencontradas, marcado pelo amadorismo e pela descontinuidade. (ARROYO, apud Pinheiro s.d.)

1. A escola não é o único espaço educativo;
2. A politicidade inerente ao ato educativo;
3. A recusa ao pensamento neoliberal fatalista;
4. A pedagogia comprometida com a cidadania ativa;
5. A ética como referencial central da busca pela radicalização da democracia.
Teses freirianas de grande atualidade segundo Gadotti, 2012
- São ações coletivas, com certo nível de organização.
- São portadores de uma rebeldia que impulsiona às mudanças na sociedade.
- Responde aos desafios específicos de uma classe, de um grupo social, de uma questão social emergente.
- São ao mesmo tempo portadores de uma preocupação essencial, de caráter universal, que no caso seria a busca de humanização.
- São lugares de constituição do homem e da mulher como sujeitos.
- Indicam a ultrapassagem de uma visão antropocêntrica em direção a uma visão antropológica.
Compreensão de Paulo Freire em relação aos Movimentos Sociais
Os movimentos sociais sempre estiveram comprometidos com a educação das classes populares e com a superação das diferentes formas de exclusão e discriminação existentes em nossa sociedade.
- Ao mesmo tempo como prática e como uma teoria, isto é, como uma concepção educativa.

- Prática: vinculada ao ato de educar, a uma multiplicidade de ações ou práticas educativas plurais, com diferentes características e bastante diversas, orientadas, entretanto, por uma intencionalidade transformadora.

- Teoria: é resgatada como uma pedagogia, como uma Teoria da Educação, que está sempre em processo de revisão e (re)elaboração e que se alimenta da reflexão sobre o ato de educar visando (re)orientá-lo.

Educação Popular
- Educação com escolarização,

- Pedagogia com didática,

- Qualidade da educação com testes de aprendizagem,

- O saber escolar com todo o saber

- E por isso, tem concebido a escola como único espaço educativo.

(GADOTTI, 2012, p.14)
O modelo escolar vigente tem confundido:
Para que, a favor de quem, contra o que educamos, para que projeto de sociedade? Não podemos nos perder no debate sobre o local da educação, se é na escola ou fora dela (educação escolar X educação não-escolar), sobre a modalidade da educação (se deve ser presencial ou à distância), se a educação deve ser formal, não-formal ou informal, profissional ou acadêmica. Não podemos nos desviar do foco, da causa que nos une.
Para pensar !
Antes de mais nada, devemos discutir a educação que queremos para a sociedade que queremos.
(GADOTTI, 2012, p.15)
Educação:
crítica, reflexiva e emancipatória;

Professor:
problematizador;

Estudante:
sujeito de ação – participativo

Com isso, o educador progressista, apoiará o processo de construção do conhecimento e entendimento crítico da realidade, de maneira a promover a prática humanizante, recusando-se ao fatalismo e conformismo diante das situações e entendendo a história como uma possibilidade, ou seja, sendo construída e não apenas vivida como determinismo, abrindo lugar para a decisão humana.
1549-----------------1759
Educação Jesuíta
1759-----------------1900
1900----------------1929
Influência da Escola Nova
1930----------------1935
Pedagogia Nova X Pedagogia tradicional
(Pioneiros) (Católicos)
1936----------------1960
Predominância do escolanovismo
1960----------------1978
Pedagogia Tecnicista
1979----------------atual
Pedagogia Histórico-Crítica
SAVIANI, 1991, p. 90 - 96
Portanto, existe uma relação entre os movimentos sociais no contexto internacional com o surgimento da educação popular e praticamente a educação encontra-se fundida com os movimentos sociais populares.
- A referência marcante deste movimento pedagógico-político-cultural é projeto de Paulo Freire em:
- Angicos, no Rio Grande do Norte, 1963;
- Movimentos implantados no Nordeste todos na década de 60;
- Movimento de cultura popular (MPC) – Prefeitura de Recife;
- Campanha “De Pé no Chão Também se Aprende a Ler” – Prefeitura de Natal
- Movimento de Educação de Base (MEB) – CNBB em convênio com o governo federal.
PAULO FREIRE
Principais Obras de Paulo Freire
Paulo Reglus Neves Freire, conhecido como Paulo Freire
Nasceu
: em Recife, PE, em 19 de setembro de 1921, filho de Joaquim Temístocles Freire e Edeltrudes Neves Freire.

Formação
: Freire entrou para a Universidade do Recife em 1943, para cursar a Faculdade de Direito, mas também se dedicou aos estudos de filosofia da linguagem. Apesar disso, nunca exerceu a profissão, e preferiu trabalhar como professor numa escola de segundo grau lecionando língua portuguesa.

Em 1944, casou com Elza Maia Costa de Oliveira, uma colega de trabalho com quem teve cinco filhos : Maria Madalena, Maria Cristina, Joaquim e Lutgardes.
Ainda nesta época tornou-se professor de língua Portuguesa do Colégio Oswaldo Cruz.:

Principais Obras de Paulo Freire
Diretor do Departamento de Educação e Cultura do Serviço Social no Estado de Pernambuco, onde iniciou o trabalho com analfabetos pobres.
Membro do Conselho Colsultivo de Educação do Recife.
Prestou concurso e obteve título de Doutor em Flilosofia e História da Educação, defendendo a Tese “ Educação e atualidade Brasileira”. Com este concursos anos depois foi nomeado livre docente da cadeira de História e Filosofia da Educação da Escola de Belas Artes.
Enganjou-se nos movimentos de Educação Popular foi um dos fundadores do Movimento de Cultura Popular do Recife.
Nomeado professor efetivo de filosofia e história da educação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Recife.
Diretor do Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife e, no mesmo ano , realizou junto com sua equipe as primeiras experiências de alfabetização popular que levariam à constituição do Método Paulo Freire.
Fez parte do Conselho Estadual de Educação de Pernambuco, “Conselheiros Pioneiros” ( Escolhidos pelo governador Miguel Arraes).
Paulo Freire de 1947 a 1964:
Paulo Freire pós 1964:
Em 1964,Freire foi encarcerado como traidor por 70 dias. Em seguida passou por um breve exílio na Bolívia e trabalhou no Chile por cinco anos para o Movimento de Reforma Agrária da Democracia Cristã e para a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação.

Em 1967, durante o exílio chileno, seu primeiro livro, Educação como Prática da Liberdade, baseado fundamentalmente na tese Educação e Atualidade Brasileira, com a qual concorrera, em 1959, à cadeira de História e Filosofia da Educação na Escola de Belas Artes da Universidade do Recife.

Em 1969, foi convidado para ser professor visitante da Universidade de Harvard. No ano anterior, ele havia concluído a redação de seu mais famoso livro, Pedagogia do Oprimido, que foi publicado em várias línguas como o espanhol, o inglês (em 1970) e até o hebraico (em 1981). Em razão da rixa política entre a ditadura militar e o socialismo cristão de Paulo Freire, ele não foi publicado no Brasil. Sua publicação no Brasil ocorreu somente em 1974, quando o general Geisel assumiu a presidência do país e iniciou o processo de abertura política.

Em 1970, mudou-se para Genebra, na Suíça, trabalhando como consultor educacional do Conselho Mundial de Igrejas. Durante esse tempo, atuou como consultor em reforma educacional em colônias portuguesas na África, particularmente na Guiné-Bissau e em Moçambique.
Em 1979, com a Anistia Freire pôde retornar ao Brasil, mas só o fez em 1980. Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores na cidade de São Paulo, e atuou como supervisor para o programa do partido para alfabetização de adultos de 1980 até 1986. Quando o PT venceu as eleições municipais paulistanas de 1988, iniciando-se a gestão de Luiza Erundina (1989-1993).

Em 1989 a 1991, foi nomeado secretário de Educação da cidade de São Paulo. Dentre as marcas de sua passagem pela secretaria municipal de Educação está a criação do MOVA - Movimento de Alfabetização, um modelo de programa público de apoio a salas comunitárias de Educação de Jovens e Adultos.
Em 1991, foi fundado em São Paulo o Instituto Paulo Freire, para estender e elaborar as ideias de Freire. O instituto mantém até hoje os arquivos do educador, além de realizar numerosas atividades relacionadas com o legado do pensador e a atuação em temas da educação brasileira e mundial.

Em 1994, homenageado com a Medalha Comenius em Genebra pela República Tcheca e pela UNESCO.

Em 1997, Freire morreu de um ataque cardíaco em 2 de maio, às 6h53, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, devido a complicações em uma operação de desobstrução de artérias.

Foi o brasileiro mais homenageado da história: ganhou 41 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades como Harvard, Cambridge e Oxford. Freire recebeu prêmios como: Educação para a Paz (das Nações Unidas, 1986) e Educador dos Continentes (da Organização dos Estados Americanos, 1992).
É a primeira das grandes obras de Paulo Freire na qual desenvolve de forma mais completa as idéias anteriormente propostas em sua tese intitulada “Educação e a atualidade brasileira”. A obra propõe uma prática dialógica e anti-autoritária. Enfatiza que a primeira é uma ação pedagógica para a liberdade, mas sua viabilização só é possível em uma sociedade em que as condições sociais, políticas e econômicas lhes sejam favoráveis. É o primeiro livro de Freire publicado no Brasil e nele já se percebe o compromisso com uma pedagogia do oprimido. Lançam-se as bases de uma filosofia da educação que nos conduz a pensar com o oprimido e não para.
A liberdade é concebida como o modo de ser o destino do homem, mas por isto mesmo só pode ter sentido na história que os homens vivem.
• Educador humanista e militante
• Contexto
• Processo
• Superação
• Política
• Lutas populares
• Mudança
• Conscientização
• Consciência transitiva crítica
• Transformação
• Diálogo crítico
• Convivência
• Humildade
• Esperança
• Fé
• Confiança
• Respeito
• Autoridade
• Liberdade
• Emancipação
Autoridade X Liberdade
Tomemos a palavra TIJOLO, usada como a primeira palavra em Brasília, nos anos 60, escolhida por ser uma cidade em construção.
1º.) Apresenta-se a palavra geradora “tijolo” inserida na representação de uma situação concreta: homens trabalhando numa construção;
2º.) Escreve-se simplesmente a palavra: TIJOLO
3º.) Escreve-se a mesma palavra com as sílabas separadas: TI - JO - LO
4º.) Apresenta-se a “família fonêmica” da primeira sílaba: TA - TE - TI - TO - TU
5º.) Apresenta-se a “família fonêmica” da segunda sílaba: JA - JE - JI - JO - JU
6º.) Apresenta-se a “família fonêmica” da terceira sílaba: LA - LE - LI - LO - LU
7º.) Apresentam-se as “famílias fonêmicas” da palavra que está sendo decodificada:
TA - TE - TI - TO - TU
JA - JE - JI - JO - JU
LA - LE - LI - LO - LU
Este conjunto das “famílias fonêmicas” da palavra geradora foi denominado de “ficha de descoberta” pois ele propicia ao alfabetizando juntar os “pedaços”, isto é, fazer dessas sílabas novas combinações fonêmicas que necessariamente devem formar palavras da língua portuguesa.
8º.) Apresentam-se as vogais: A - E - I - O - U
MÉTODO PAULO FREIRE
De maneira esquemática, podemos dizer que o “Método Paulo Freire” consiste de três momentos dialética e interdisciplinarmente entrelaçados:

A
investigação temática
, pela qual aluno e professor buscam, no universo vocabular do aluno e da sociedade onde ele vive, as palavras e temas centrais de sua biografia;
A
tematização
, pela qual eles codificam e decodificam esses temas; ambos buscam o seu significado social, tomando assim consciência do mundo vivido; e
A
problematização
, na qual eles buscam superar uma primeira visão mágica por uma visão crítica, partindo para a transformação do contexto
vivido.

Paulo Freire esteve no exílio por quase dezesseis anos, exatamente porque lutou para que um grande número de brasileiros e brasileiras tivesse acesso a este bem a eles negado secularmente: o ato de ler a palavra lendo o mundo.

As primeiras experiências do método começaram na cidade de Angicos (RN), em 1963, onde 300 trabalhadores rurais foram alfabetizados em 45 dias. No ano seguinte, Paulo Freire foi convidado pelo Presidente João Goulart e pelo Ministro da Educação, Paulo de Tarso C. Santos, para repensar a alfabetização de adultos em âmbito nacional. Em 1964, estava prevista a instalação de 20 mil círculos de cultura para 2 milhões de analfabetos. O golpe militar, no entanto, interrompeu os trabalhos bem no início e reprimiu toda a mobilização já conquistada.
Sua obra Pedagogia do oprimido completa suas concepções pedagógicas acerca das diferenças entre a pedagogia do colonizador e a pedagogia do oprimido. Nela, sua ótica de classe aparece mais nitidamente: a pedagogia burguesa do colonizador seria a pedagogia “bancária”. A consciência do oprimido, diz ele, encontra-se “imersa” no mundo preparado pelo opressor; daí existir uma dualidade que envolve a consciência do oprimido: de um lado, essa aderência ao opressor, essa “hospedagem” da consciência do dominador – seus valores, sua ideologia, seus interesses – e o medo de ser livre e, de outro, o desejo e a necessidade de libertar-se.
Aos esfarrapados do mundo e aos que neles se descobrem e, assim descobrindo-se, com eles sofrem, mas sobretudo, com eles lutam.
“Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão”.
A partir da tese sobre a relação entre a educação e o processo de humanização, Paulo Freire caracteriza duas concepções opostas de educação: a concepção “bancária” e a concepção “problematizadora”.
A educação bancária tem por finalidade manter a divisão entre os que sabem e os que não sabem, entre oprimidos e opressores. Ela nega a dialogicidade...
...ao passo que a educação problematizadora funda-se justamente na relação dialógico-dialética entre educador e educando; ambos aprendem juntos.
Educar-se é impregnar de sentido cada ato cotidiano!
Paulo Freire


PAULO FREIRE amou profundamente as pessoas, os bichos, a água, a VIDA. (GADOTTI)

Como seria Paulo Freire nos dias atuais...
REFERÊNCIAS
ALVES, Rubem. Conversas com quem gosta de ensinar. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1985.

______Estórias de quem gosta de ensinar. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 2001.

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação. São Paulo: Editora Moderna, 1996.

ARROYO, Miguel González. Condição docente, trabalho e formação. In: SOUZA, João Valdir (org.). Formação de professores para a Educação Básica: 10 anos de LDB. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. P. 191 a 209.

BRASIL, Ministério da Educação e UNESCO. Educação Popular na América Latina: diálogos, perspectivas. Pedro Pontual, Timothy Ireland (org.). Brasília, 2006

CURY, Carlos Roberto Jamil. Ideologia e Educação Brasileira: católicos e liberais. São Paulo: Cortez & Moraes, 1978
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________________. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. ( Coleção Leitura)

________________. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Ed. Paz e Terra,2003

GADOTTI, Moacir. Educação popular, educação social, educação comunitária: conceitos e práticas diversas, cimentadas por uma causa comum. IV Congresso Intracional de Pedagogia Social. Campinas, 25 – 27 de Julho 2012.

___________________. Pensamento pedagógico brasileiro. São Paulo: Ática, 2009.

___________________. Concepção dialética da educação: um estudo introdutório. 7ª ed. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1990.
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_______________________. Didática. São Paulo: Editora Cortez, 1991.

MENDES, Durmeval Trigueiro (org). Filosofia da Educação Brasileira. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983.

MORROW, Raymond A., TORRES, Carlos Alberto. Gramsci e a educação popular na América Latina: percepções do debate brasileiro. Currículo sem fronteiras, v.4, n.2, p.33 – 50, Jul/Dez 2004.


SAVIANI, Dermeval. Escola e Democracia. 41ª ed revisada, Campinas/SP: Autores Associados, 2009.

____________________. Pedagogia Histórico-Crítica: primeiras aproximações. São Paulo: Autores Associados, 1991.
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______Territórios de resistência e criatividade: reflexões sobre os lugares da educação popular. Currículo sem Fronteiras, v.12, n.1, pp.185-198, Jan/Abr 2012.

Paulo Freire Contemporâneo – Documentário. Produção. Coordenação, local: PRODUTORA, 2012. 1 DVD (minutos), DVD, son,. color.

Educadores do Brasil: Paulo Freire – Documentário.Produção. Coordenação, local:PRODUTORA, 2008. 1 DVD (minutos), DVD, son,. color.

___________ (org.). Paulo Freire: uma biobibliografia. São Paulo, Cortez, 1996.

UNESCO, Instituto Paulo Freire. Paulo Freire: uma biobibliografia. Ed. Cortez. São Paulo, Ano, 1996
Como a escola e os processos formativos não são apêndices da sociedade, mas parte constituída e constituinte dela, a desigualdade social se reflete na desigualdade educacional. O estigma colonizador e escravocrata da classe dominante brasileira produziu uma burguesia que não completou, em termos clássicos, a revolução burguesa e, como tal, não é nacionalista, mas associada ao grande capital. (FRIGOTTO, 2013)
Ensino Médio e técnico profissional: disputa de concepções e precariedade
Como nos últimos cinquenta anos avançamos de forma pífia no aumento quantitativo e na qualidade dos jovens que cursam o ensino médio na idade adequada, e as políticas de formação profissional para a grande massa de jovens e adultos estão na lógica da improvisação, da precarização e do adestramento
Um dos contrastes que se reitera historicamente em nossa sociedade é a absurda concentração de renda e propriedade na mão de uma minoria e, como consequência, uma grande massa de pobres ou miseráveis
Pedagogia Tradicional
- Pilares fundadores: ético, político, epistemológico, metodológico e pedagógico;

- Educação social, cívica e comunitária;

- Participação e poder popular (MARROW e TORRES, 2004);

- Campo democrático e popular; (GADOTTI, 2012)

- Diversidade, marca desse movimento.

Uma educação que se abre à diversidade cultural pode ser uma ferramenta em nossos esforços de compreender a complexidade do mundo (NAHMÍAS, 2006, p.126)

Características da Educação Popular
O respeito e a valorização da diversidade cultural, a vontade para fazer do mundo um lugar igualitário e sustentável, são entre outros, elementos que deveriam caracterizar a educação globalizante. (NAHMÍAS, 2006, p.125)
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