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Noturno à Janela

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Maíra Marquez

on 27 April 2013

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Transcript of Noturno à Janela

Noturno à janela do apartamento Silencioso cubo de treva:
um salto, e seria a morte.
Mas é apenas, sob o vento,
a integração na noite.

Nenhum pensamento de infância,
nem saudade nem vão propósito.
Somente a contemplação
de um mundo enorme e parado.

A soma da vida é nula.
Mas a vida tem tal poder:
na escuridão absoluta,
como líquido, circula.

Suicídio, riqueza, ciência...
A alma severa se interroga
e logo se cala. E não sabe
se é noite, mar ou distância.

Triste farol da Ilha Rasa.

Expressão do estado de alma do eu-lírico = nulidade do eu, solidão, atitude cismada, melancolia e tristeza. Conjugação entre o dentro e o fora. Tensão entre o eu e o mundo Forma Quatro quartetos e um verso final isolado. Versos de 6, 7 ou 8 sílabras métricas (ritmo bem demarcado e homogêneo). Palavras de um mesmo campo semântico -
Noite, treva, escuridão, noturno, contemplação, "mundo enorme e parado" O eu-lírico acha-se à janela de seu apartamento, na noite, e, como que naufragado na escuridão, em forma de um sentimento destrutivo (que o levaria ao suicídio), ele recorre ao farol de uma ilha próxima. Característica da lírica - absoluta impossiblidade de recompor as tensões do poema em linguagem prosaica. TENSÕES TOM INTIMISTA X ELEMENTOS EXTERIORES Peça musical melancólica e sonhadora Reflexão Moldura que enquadra a realidade social Imobilidade Distância social Espaço interno
x
Espaço externo (noite) Apartamento Niilismo Vivências intensas
Brevidade
Momento privilegidado
Sentimento intenso Não existe nenhum eixo linear que se possa tomar como guia. Sistema de relativizações: "Algo se afirma mas logo é negado, de tal maneira que o centro do poema está nos elementos banais de ligação - conectivos e advérbios." Murilo Marcondes de Moura Atmosfera silenciosa: incidência da fricativa S Representação sonora do vento ou sussuro. Coisas que se anulam. Síntese de perplexidade. Imagem final -
Não é uma iluminação, mas sim um vasto ponto de interrogação na noite. Imobilidade (efeito paradoxal) Indivíduo fica atomizado no tempo Impedir o suicídio DO EU X Vida- corpo - sangue- circulação "O poema parece instaurar um 'ponto morto do tempo, um presente absoluto, e também momento de travesia perigosa, em que forças poderosas e contrárias se enfrentam. Os elementos da natureza - vento, noite, mar - envolvem o eu lírico numa atmosfera sombria mas também propiciadora. Trata-se da integração com algo difuso, que anula e inclui a um só tempo. Nesse sentido, o farol pode agora ser visto como autêntica referência para aquela travessia ou 'circulação', já que ele é um ponto fixo num instante em que tudo vacila" Murilo Marconde de Moura Farol = Sujeito (perfeita simetria)
*triste
*imóvel Resistência Paráfrase Comentário Tradução prévia / preparar o terreno para a análise.

Suicídio, riqueza, ciência...
A alma severa se interroga
e logo se cala. E não sabe
se é noite, mar ou distância.

Triste farol da Ilha Rasa. Análise Silencioso cubo de treva:
um salto, e seria a morte.
Mas é apenas, sob o vento,
a integração na noite. Suicídio Nenhum pensamento de infância,
nem saudade nem vão propósito.
Somente a contemplação
de um mundo enorme e parado. A soma da vida é nula.
Mas a vida tem tal poder:
na escuridão absoluta,
como líquido, circula. Imobilidade do sujeito integração do sujeito com o mundo externo; SONORIDADE Silencioso cubo de treva:
um salto, e seria a morte.
Mas é apenas, sob o vento,
a integração na noite.

Nenhum pensamento de infância,
nem saudade nem vão propósito.
Somente a contemplação
de um mundo enorme e parado.

A soma da vida é nula.
Mas a vida tem tal poder:
na escuridão absoluta,
como líquido, circula.

Suicídio, riqueza, ciência...
A alma severa se interroga
e logo se cala. E não sabe
se é noite, mar ou distância.

Triste farol da Ilha Rasa. Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres: Trouxeste a chave? Interpretação Como o farol, é preciso resistir, manter-se como centro, ainda que diante do naufrágio e da escuridão absoluta. Transposto ao plano individual, trata-se, provavelmente, de uma consciência dolorosa mas perseverante, capaz de incorporar a pura destruição na afirmação da vida. è do poder de algo que circula, mesmo sendo nada, que se deve extrair qualquer sabedoria. Imagem Bibliografia MOURA, M. M. . Noturno à janela do apartamento. Análise do poema homônimo de Carlos Drummond de Andrade. Inimigo Humor, Rio de Janeiro, n. 1, p. 89-98, 1997. “Toda a imagem aproxima ou conjuga realidades opostas, indiferentes ou distanciadas entre si. Isto é, submete à unidade a pluralidade do real. Imagem é uma frase em que a pluralidade de significados não desaparece. A imagem recolhe e exalta todos os valores das palavras, sem excluir os significados primários e secundários. ” Octavio Paz
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