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Sem. T e M

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by

Thiago Gomes

on 30 September 2016

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Transcript of Sem. T e M

A TRADIÇÃO DA RUPTURA
→ Octavio Paz [1914 — 1998 na Cidade do México];

→ Morou em Paris, testemunhou e viveu o movimento surrealista, sofrendo grande influência de André Breton, de quem foi amigo;

→ Seus principais livros de ensaios traduzidos no Brasil são: O arco e a lira,
Os filhos do barro
e Labirintos da solidão.


Três momentos marcantes da poesia moderna:
1)
nascimento
: românticos ingleses e alemães
2)
metamorfoses
: simbolismo francês e modernismo hispano-americano
3)
apogeu e fim
: vanguardas do século XX

"Desde sua origem, a poesia moderna foi uma reação diante da, dirigida à e contra a modernidade: o Iluminismo, a razão crítica, o liberalismo, o positivismo e o marxismo" (Prefácio de
Os filhos do barro
)
A moderna ruptura da tradição em "O grande Gatsby"

→ Ruptura com a tradicional linearidade e da ordem cronológica da narrativa (analepses)

→ Tradicional narrador onisciente em terceira pessoa substituído por narrador-personagem, relatando os eventos em primeira pessoa
“Tudo isto ele só me contou muito mais tarde, mas incluí nesse ponto da narrativa com a intenção de detonar todos aqueles rumores extravagantes que corriam a seu respeito e que não tinham o menor traço de verdade. Além do mais, ele me contou essa história toda em uma ocasião em que se achava muito confuso, em um período no qual eu estava pronto para ao mesmo tempo acreditar em tudo e em nada que se dizia a respeito dele. Assim, aproveito essa breve pausa, enquanto Gatsby, por assim dizer, recuperava o fôlego, para limpar o caminho de todas essas invencionices” (FITZGERALD, 2011, p. 74)
→ [...] o
moderno
é uma tradição. Uma tradição feita de interrupções e na qual cada ruptura é um começo. (PAZ, 2014, p.15)


Problema:
Se a ruptura é uma destruição do vínculo que nos une ao passado, uma negação da continuidade entre uma geração e outra, será que podemos chamar de tradição aquilo que rompe o vínculo e interrompe a continuidade? (idem)

→ Ao invés de dizer que a modernidade é uma tradição, Octavio Paz sugere que a reinterpretemos da seguinte forma, isto é, como:
outra
tradição
→ A modernidade caracteriza-se pela polêmica, a qual desaloja a tradição imperante, seja ela qual for

→ O efeito criado pelo simples fato de desalojar (perturbar, desequilibrar) faz com que, na sucessão dos signos e dos valores, uma
outra
tradição seja instaurada

→ Para Octavio Paz, este “desalojar”, nada mais seria, que uma manifestação momentânea da atualidade



Diferenças entre a tradição e o moderno (p. 19)

Tradição:
é sempre a mesma; postula a unidade entre o passado e o hoje; o agora repete o ontem; o tempo é visto e sentido como uma regularidade, como um processo em que as variações e as exceções são realmente variações e exceções da regra

Moderno:
é pluralidade e heterogeneide; é sempre diferente. Além disto, afirma que o passado não é, ou, nunca foi, uno, e sim plural. O Moderno nega o ontem; tal processo é uma trama de irregularidades porque a variação e a exceção são a regra

Aspectos do moderno:

→ A Modernidade tem início quando a consciência da oposição entre Deus e ser, razão e revelação, se mostra realmente insolúvel

→ Amor pelo grotesco e pelo estranho, gosto pelo sacrilégio e blasfêmia, aliança entre o cotidiano e o sobrenatural

→ A modernidade não é, tão somente, filha da idade crítica, mas também é uma crítica de si mesma

→ O novo só é moderno se vier carregado de negação e de afirmação de ser algo diferente. Caso contrário, o novo não significa ser, exatamente, moderno
→ O moderno em outras épocas: não que houvesse uma negação do estilo antigo, até se afirmava a continuidade de uma época, porém, o diferencial se encontrava na capacidade de oferecer novas e surpreendentes combinações dos mesmos elementos. (estética da surpresa)

→ Não basta ser diferente, o Moderno deve opor-se aos gostos tradicionais: estranheza polêmica, oposição ativa

→ O novo nos seduz não por ser novo, mas por ser diferente; e o diferente é a negação, a faca que corta o tempo em dois: antes e agora (PAZ, p17)

→ A paixão contraditória: um dos fundamentos modernos que tem a capacidade de ressuscitar, de reanimar o antiquíssimo e transformá-lo em nosso contemporâneo
→ Para Octavio Paz, tudo que é velho pode ter acesso à modernidade: “basta que se apresente como uma negação da tradição e que nos proponha outra” (2014, p.17)

→ A tradição moderna apaga as oposições entre o antigo e o contemporâneo e entre o distante e o próximo. O ácido que dissolve todas essas oposições é a crítica; a paixão em criticar

→ A Modernidade concentra um amor imoderado, isto é, uma crítica apaixonada por aquilo mesmo que nega

→ A oposição entre passado, presente e futuro se evapora, uma vez que, um dos elementos cruciais do Moderno seria a celeridade temporal

→ Sensação vertiginosa: o que acabou de acontecer já pertence ao mundo do imensamente distante e, ao mesmo tempo, a antiguidade milenar está infinitamente perto

→ A época Moderna é a época da aceleração do tempo histórico

→ Aceleração é fusão: todos os tempos e todos os espaços confluem num aqui e agora

→ A crítica da tradição se inicia como consciência de pertencer a uma tradição. Nosso tempo se distingue de outras épocas e sociedades pela imagem que temos do transcorrer: nossa consciência da história

→ Em outras palavras, o que Octavio Paz quer dizer é: que a tradição Moderna é uma manifestação clara de nossa consciência histórica

→ Por um lado, é uma crítica do passado, uma crítica da tradição; por outro, é uma tentativa de assentar uma tradição no único princípio imune à crítica, já que se confunde com ela: a mudança, a história

→Enfim, falamos de uma tradição que nega a si mesma para continuar-se

Referências


BAUDELAIRE, Charles. A uma dama crioula. In:
As flores do mal.
São Paulo: Martin Claret, 2012, p. 77.

FITZGERALD, F. Scott.
O grande Gatsby.
Tradução de William Lagos. E-book em PDF. [S.l.]: L&PM Pocket, 2011.

PAZ, Octavio.
A tradição da ruptura.

Os filhos do barro
: do romantismo à vanguarda. Tradução de Olga Savary. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013, p. 15-28.

TELES, Gilberto Mendonça.
Vanguarda europeia & Modernismo brasileiro.
Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.


Annie, Claudeci, Gabriela, Rafaela, Rossano e Tatiane
Manifesto do Futurismo

"2) Os elementos essenciais de nossa poesia serão a coragem, a audácia e a revolta.
3) Tendo a literatura até aqui enaltecido a imobilidade pensativa, o êxtase e o sono, nós queremos exaltar o movimento agressivo, a insônia febril, o passo ginástico, o salto mortal, a bofetada e o soco.
[...]
8) Nós estamos sobre o promontório extremo dos séculos!... Para que olhar para atrás, no momento em que é preciso arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Nós vivemos já no absoluto, já que nós criamos a eterna velocidade onipresente" F. T. Marinetti, Milão - fev. de 1909 (TELES, 2009, p.115)
ODE TRIUNFAL

À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica.
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto.
E arde-me a cabeça de vos querer cantar um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!

Em febre e olhando os motores como a uma natureza tropical
Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força
- Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,
Porque o presente é todo o passado e todo o futuro
E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes elétricas
Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão
E pedaços de Alexandre Magno do século talvez cinquenta
Átomos que hão de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem,
Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por
[estes volantes

[1914 - Álvaro de Campos]
Eduardo Kobra (muralista)
A Vendedora de Flores - 1949 (Diego Rivera)
Canteiro de flores na Holanda - 1883 (Vincent Van Gogh)


Sozinho

Às vezes no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois...
Eu fico ali, sonhando acordado,
Juntando
O antes, o agora e o depois.
Porque você me deixa tão solto?
Porque você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho
Não sou nem quero ser o seu dono...
É que um carinho as vezes cai bem!
Eu tenho os meus desejos e planos
Secretos!
Só conto pra você, mais ninguém...
Porque você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela de repente me ganha?...
Quando a gente gosta é laro que a
[gente cuida.
Fala que me ama,
Só que é da boca pra fora...
Ou você me engana, ou não está madura!
Onde está você agora?
(Peninha)



Ai, flores
Ai flores, ai flores do verde
[pinheiro,
Sabe alguma notícia do meu namorado!
Ai, Deus, onde está?

Ai, flores, ai flores do verde ramo,
Sabe notícias do meu amado?
Ai, Deus, onde está?

Sabe quem é o meu namorado?
É o que mentiu sobre o combinado...
Ai, Deus, onde está?

Sabe notícias do meu amado,
Aquele que traiu nosso juramento?
Ai, Deus, onde está?

- Perguntas pelo seu namorado?
E eu bem digo que está são e vivo.
Ai, Deus, onde está?

E eu bem digo que está vivo e são
E voltará antes do prazo combinado,
Ai, Deus, onde está?

Está vivo e são!
Voltará antes do prazo!
Ai, Deus, onde está?

(Cantiga de D. Dinis – adaptada por Alexandre Pinheiro Torres)
Não Quero Dinheiro (só quero amar) - (Tim Maia)

Vou pedir pra você voltar.
Vou pedir pra você ficar.
Eu te amo, eu te quero bem!
Vou pedir pra você gostar.
Vou pedir pra você me amar.
Eu te amo, eu te adoro, meu amor...
A semana inteira fiquei esperando
Pra te ver sorrindo,
Pra te ver cantando...
Quando a gente ama,
Não pensa em dinheiro:
Só se quer amar, se quer amar, se quer amar
De jeito maneira,
Não quero dinheiro!
Quero amor sincero,
Isto é que eu espero.
Digo ao mundo inteiro:
Não quero dinheiro,
Eu só quero amar!
Te espero para ver se você vem,
Não te troco nesta vida por ninguém!
Porque eu te amo, eu te quero bem!
Acontece que na vida a gente tem
Que ser feliz por ser amado por alguém!
Porque eu te amo, eu te adoro, meu amor!



Cantiga da Ribeirinha

No mundo não conheço quem se compare
a mim enquanto eu viver como vivo,
pois eu morro por vós – ai!
pálida senhora da face rosada,
quereis que eu vos retrate
quando eu vos vi sem manto!
Infeliz o dia em que acordei,
que então eu vos vi linda!

E, minha senhora, desde aquele dia, ai,
as coisas ficaram mal para mim,
e vós, filha de D. Paio
Moniz, tendes a impressão
de que eu possuo roupa luxuosa para vós,
pois eu, minha senhora, de presente
nunca tive de vós nem terei
o mimo de uma correia.

(Paio Soares de Taveirós)

Monte Castelo (Legião Urbana)

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria
É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece
O amor é o fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria
É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É um não contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder
[...]

Amor é fogo que sem se ver (Camões)

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

“Nunca se envelheceu tanto e tão rápido como agora”

Nossas coleções de arte, nossas antologias de poesia e nossas bibliotecas estão cheias de estilos, movimentos, quadros, esculturas, romances e poemas prematuramente envelhecidos. (PAZ, p. 19)


"As mudanças afetam a superfície, mas sem alterar a realidade profunda" (PAZ, 2014, p. 21)

> Arquétipos atemporais
> Tempo cíclico
> Vacuidade budista
> Anulação dos contrários

> Arquétipos temporais
> Pluralidade / Heterogeneidade
> Novidade
> Conciliação dos contrários

A uma dama crioula

No país perfumado, a um sol de fogo e pena,
Conheci sob dossel de árvores purpurado,
E de palmas de onde o ócio ao nosso olhar acena,
Uma dama crioula de encanto ignorado.

De tez pálida e quente, a mágica morena
Tem no seu colo um ar, nobremente requintado;
Vai como a caçadora e é imponente e serena,
Seu sorriso é tranquilo e seu olhar ousado.

E se ao país da glória, Senhora, fôsseis visitar,
Junto ao Sena ou junto ao Loire,
Digna de ornar mansão de antigos minuetos.

Farias, ao abrigo de sombras secretas,
Brotarem mil canções no coração dos poetas
Feitos por teu olhar mais servos que os teus pretos.

(Charles Baudelaire - 1857)
"Nas cidades a vida é mais pequena (...) Nas cidades as grandes casas fecham a vista à chave, escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu, tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar, e tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver." (Alberto Caeiro - 1914)
Épura

Geometrias, imaginações destes caminhos
da minha terra!
Curvas de trilhas,
triângulos de asas,
bolas de cor...

Círculos de sombras agachadas entre as árvores,
cilindros de troncos embebidos na luz.

Geometrias, imaginações destes caminhos
da minha terra!

Melancolicamente, nesta alegria geométrica,
pingando bilhas polidas,
o leque das bananeiras abana o ar da manhã


(Ronald de Carvalho - 1926)
Orfeo trovatore stanco (Orfeu trovador cansado) - Giorgio Chirico
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