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Variação linguística e ensino de línguas

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Geoci da Silva

on 3 April 2017

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Variação linguística e ensino de línguas


design by Dóri Sirály for Prezi
A pesquisa sobre variação linguística funda-se na teoria Sociolinguística, “área que estuda a língua em seu uso real, levando em consideração as relações sociais e culturais na produção linguística” (CEZARIO e VOTRE, 2009, p. 141).


VARIAÇÃO: é o fenômeno correspondente às modificações que a língua pode sofrer no uso.
Raízes teóricas
Muitos estudantes já enraizaram em seus discursos a máxima de que não sabem português por não dominarem as variantes de prestígio. Isso é reflexo do estigma ocasionado pelas noções de "estereótipos" vigentes em nossa sociedade.

Acostumados à noção de que "falam errado", frequentemente, esses estudantes impõem modos de resistência ao padrão da língua ensinado na escola, por considerarem-no inacessível ou muito distante da própria realidade linguística. Isso, como se pode esperar, acaba criando uma zona de tensão constante, o que prejudica o processo de ensino-aprendizagem de língua portuguesa nas escolas.
Preconceito linguístico: um assunto a ser abordado nas aulas de LP
Alguns conceitos fundamentais
Com o avanço das pesquisas acerca da variação linguística, o conceito de norma passa por uma reformulação. "A norma", antes entendida como conjunto de regras (abstratas) a serem seguidas para evitar "erros", agora passa a ser concebida como "o conjunto de usos e atitudes (valores socioculturais agregados às formas) comuns a determinados grupos sociais, que funciona como um elemento de identificação de cada grupo” (GÖRSKI e COELHO, 2009, p. 78-79)
Norma
O que dizem os Parâmetros Curriculares Nacionais?


Reflexões para o ensino de língua portuguesa
Prof. Ms. Francisco Geoci da Silva
No Brasil, uma das correntes da Sociolinguística mais praticadas diz respeito à chamada Sociolinguística Variacionista ou Teoria da Variação, cujo modelo foi iniciado pelo pesquisador americano William Labov. Essa corrente objetiva demonstrar que as variações são inerentes às línguas e que possuem sistematicidade, podendo, portanto, ser estudas. Sendo assim, “Todas as variedades de uma língua podem ser objeto de estudo de um sociolinguista e o seu objetivo é entender quais os fatores que motivam a variação linguística” (CEZARIO e VOTRE, 2009, p. 141).
No Brasil, pesquisas com essa natureza passam a se fazer sentir fortemente a partir dos anos 1970. São exemplos: o grupo do projeto Mobral Central, o grupo do Projeto NURC (Norma Urbana Culta) e o do Projeto CENSO (Censo da Variação Linguística no Estado do Rio de Janeiro), tendo como coordenadores os professores Miriam Lemle, Celso Cunha e Anthony Naro, respectivamente. A partir daquela década, muitos trabalhos foram realizados nessa linha.
VARIANTES: são formas linguísticas permutáveis sem que essa mudança provoque mudanças de sentido.
Pra onde tu vai Baião? = Pra onde VOCÊ vai Baião?

Em "Tu vais por que, Baião?" já não se pode utilizar o pronome VOCÊ sem mudarmos a forma verbal.
VARIÁVEL LINGUÍSTICA: é o conjunto de variantes possíveis na língua.

[s] e [Ø] que marcam as formas “as meninas” e “as meninaØ”, são variantes da variável <s>, cuja representação é feita com parênteses angulares.
COMUNIDADE LINGUÍSTICA: agrupamento de indivíduos que compartilham um conjunto de usos linguísticos, além de terem outros traços comuns, como idade, sexo, escolaridade, profissão.
FREQUÊNCIA DE USO: diz respeito à expressão numérica de uso de determinadas variantes. Esses dados são verificados mediante pesquisa com falantes reais e ajudam a confirmar ou refutar determinadas hipóteses.
Em pesquisa realizada por Monguilhott (2009 apud GÖRSKI e COELHO, 2009), "constatou-se, sobre a concordância de terceira pessoa do plural, que em Florianópolis, velhos e jovens apresentam um aumento da marcação de concordância, de 67% para 88% e de 72% para 89%, respectivamente, com o aumento da escolaridade de fundamental para superior".
Um dos caminhos para motivar os discentes acerca da necessidade de aprenderem a lidar com a variação linguística, o que implica conhecer e saber utilizar também as variedades de prestígio, é fazê-los atentar para o fato de que associados ao uso da língua estão valores sociais. Isso pode ser feito, inicialmente, a partir da discussão sobre as noções labovianas de "estereótipos", de "marcadores" e de "indicadores" (GÖRSKI e COELHO, 2009).
Algumas noções a serem apresentadas em sala de aula
Norma culta X norma padrão
corresponde aos usos efetivos que determinado grupo social de prestígio faz da língua.
conjunto de regras (artificiais e abstratas) da gramática normativa, impostas como uma tentativa de homogeneizar a língua.
Exemplo de aproximação

(i) A regra básica de concordância verbal normatizada em português é que o verbo deve concordar com o sujeito; a norma culta também contempla essa regra de concordância, pelo menos quando se trata de ordem SV (sujeito-verbo) como em Os meninos chegaram.
Exemplo de desacordo

(i) A regra geral de colocação do pronome átono (clítico) é a ênclise, como em Ele veio interromper-me; porém, salvo alguns poucos casos, a tendência de uso do brasileiro é a próclise: Ele veio me interromper.
“A variação é constitutiva das línguas humanas, ocorrendo em todos os níveis. Ela sempre existiu e sempre existirá, independentemente de qualquer ação normativa. Assim, quando se fala em ‘Língua Portuguesa’ está se falando de uma unidade que se constitui de muitas variedades. [...]” (BRASIL, 1998a, p. 29)
Qual seria o papel do professor de português?

“O que se espera, então, do professor de português é que ele trabalhe o hiato que existe entre a variedade trazida pelo aluno de casa (que nunca deve ser taxada de “erro”) e a norma culta, no sentido da inclusão social do aluno e não no sentido da discriminação ou da exclusão” (GÖRSKI e COELHO, 2009, p. 84).
Esse modelo de pesquisa levou os estudiosos a perceberem que o uso que os falantes fazem da língua depende de uma série de fatores e, portanto, não há homogeneidade, isto é, existem diferentes maneiras corretas de falarmos/escrevermos.


Antes de passarmos, especificamente, aos tipos de variação existentes, vejamos alguns conceitos fundamentais ao nosso estudo.
Exemplos de estereótipos: pobrema (em vez
de problema), nós fumo (em vez de nós fomos) e ponharam (em vez de puseram) ou...
Exemplo de marcadores: uso alternado dos pronomes "tu" e "você", denotando o primeiro maior grau de intimidade em algumas regiões (como no Sul)
Exemplo de indicadores: monotongação na fala do português atual, em palavras como peixe/pexe, dinheiro/dinhero, feijão/fejão, caixa/caxa, pouco/poco.
A fim de "quebrar" essa resistência e de motivar os alunos a se apropriarem dos saberes escolares, é preciso aproximar as variantes que eles conhecem daquelas que são valorizadas socialmente.

Não se trata, pois, de obrigar o aluno a aceitar essas variantes, mas contribuir para que ele aprenda a lidar com um maior número de demandas sociais. Afinal, promover a reflexão acerca da própria língua é uma das funções das aulas de LP.
Esclarecido o fato de que não existe uma variedade linguística "melhor", mas que, no uso, a língua pode se manifestar de modos diferentes, é importante conhecer os tipos de variação linguística, apresentá-los e discuti-los em sala de aula.
Variação geográfica: diz respeito às diferenças linguísticas observáveis entre falantes oriundos de regiões diferentes de um mesmo país ou de países diferentes que tenham a mesma língua. Vejamos exemplos.
Slogan: eu queria ser pobre só um dia... Porque todos os dias é tramado.
Veja, a seguir, dois outros exemplos de variação geográfica.

(i) no plano fonético-fonológico: as vogais /e/ e /o/ pretônicas, como nas palavras “serrado” e “novela”, são pronunciadas como vogais abertas (é, ó) em algumas cidades do Nordeste e como vogais fechadas (ê, ô) no Sudeste e no Sul, por exemplo;

(ii) no plano morfológico: o sufixo derivacional –(z)inho agregado à palavra pai resulta em painho no Nordeste e paizinho em outras regiões do Brasil.
Variação social: diz respeito a variações relacionadas à organização socioeconômica e cultural de uma comunidade. Profissão, sexo, idade são alguns dos fatores a serem considerados.
Variação de registro (contextual ou estilística): diz respeito às variações reguladas pelos domínios em que se dão as práticas sociais (escola, igreja, lar, trabalho, clube), pelos papéis sociais envolvidos (professor-aluno, pai-filho, patrão-empregado), pelo tópico (religião, esporte, brincadeiras), etc.
Observe dois outros exemplos para reflexão.
Atividade
1. Considerando os dois últimos exemplos apresentados, responda às seguintes questões.

a) Em que nível (fonético-fonológico, morfológico, sintático ou lexical) as variações apresentadas se fazem sentir mais fortemente?

b) Levante hipóteses: que tipo de variação está presente em cada um dos exemplos? Que razões sustentam sua resposta?

c) Ambos os exemplos trabalham com estereótipos. Em qual deles podemos identificar resquícios de preconceito linguístico? Qual representa uma tentativa de "combater" esse tipo de preconceito?

2. Pondere: de que maneira o texto "anatomia do nordestino" poderia ser utilizado em uma aula acerca de variação linguística e de preconceito linguístico?
REFERÊNCIAS
BAGNO, M.
Preconceito lingüístico:
o que é, como se faz. 49 ed. São Paulo: Edições Loyola, 2007.
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental.
Parâmetros curriculares nacionais terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental:
Língua Portuguesa. Brasília, DF: MEC/SEF, 1998.
CEREJA, W. R.; MAGALHÃES, T. C.
Português linguagens
, 2 (ensino médio). 9 ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
GÖRSKI, E. M.; COELHO, I. L.
Variação linguística e ensino de gramática
. Work. pap. linguíst., 10 (1): 73-91, Florianópolis, jan. jun., 2009.
SOBRINHA, C. S. S.; FILHO, O. P. M. A variação linguística no ensino de língua materna: o que o professor deve fazer na sala de aula?
Revista Anagrama:
Revista Científica Interdisciplinar da Graduação, ano 4, 4 ed., jun.–ago. 2011.
VOTRE, S. J.; CEZÁRIO, M. M. Sociolinguística. In: MARTELOTTA, M. E. (Org.).
Manual de linguística
. São Paulo: Contexto, 2009, p. 141-155.

Considera-se, então, que adaptamo-nos a cada situação comunicativa específica. Com isso, a norma-padrão, antes vista como a única forma correta de falar/escrever, seria, nesse caso, apenas mais uma variedade, que, como tal, serviria a propósitos comunicativos determinados. Sendo assim, deixa-se de pensar em "erro" e passa-se a tratar de "adequação".
Conforme salienta Bagno (2007), o preconceito linguístico é, em si, uma forma menos notada, por assim dizer, de preconceito social. Afinal, "[...] o problema não está naquilo que se fala, mas em quem fala o quê" (BAGNO, 2007, p. 42).

Pensemos acerca de dois dos "mitos" apontados pelo autor.

1) "Português é muito difícil"
2) “As pessoas sem instrução falam tudo errado”
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