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Análise da Invocação n'os Lusíadas

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by

Maria Cunha

on 3 November 2016

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Transcript of Análise da Invocação n'os Lusíadas

Análise da Invocação n'
Os Lusíadas

Cantos III, VII e X
Invocação a Calíope
Canto III
Põe tu, Ninfa, em efeito meu desejo,
Como merece a gente Lusitana;
Que veja e saiba o mundo que do Tejo
O licor de Aganipe corre e mana.
Deixa as flores de Pindo, que já vejo
Banhar-me Apolo na água soberana;
Senão direi que tens algum receio
Que se escureça o teu querido Orfeio
.
Agora tu, Calíope, me ensina
O que contou ao Rei o ilustre Gama;
Inspira imortal canto e voz divina
Neste peito mortal, que tanto te ama.
Assi o claro inventor da Medicina,
De quem Orfeu pariste, ó linda Dama,
Nunca por Dafne, Clície ou Leucotoe,
Te negue o amor devido, como soe.
1
2
Invocação a Calíope
Canto III
Um ramo na mão tinha... Mas, ó cego,
Eu, que cometo, insano e temerário,
Sem vós, Ninfas do Tejo e do Mondego,
Por caminho tão árduo, longo e vário!
Vosso favor invoco, que navego
Por alto mar, com vento tão contrário
Que, se não me ajudais, hei grande medo
Que o meu fraco batel se alague cedo.

Aqui, minha Calíope, te invoco
Neste trabalho extremo, por que em pago
Me tornes do que escrevo, e em vão pretendo
O gosto de escrever, que vou perdendo.


Vão os anos decendo, e já do Estio
Há pouco que passar até o Outono;
A Fortuna me faz o engenho frio,
Do qual já não me jacto nem me abono;
Os desgostos me vão levando ao rio
Do negro esquecimento e eterno sono.
Mas tu me dá que cumpra, ó grã rainha
Das Musas, co que quero à nação minha!


Invocação a Calíope
Contrainvocação a Calíope
No mais, Musa, no mais
, que a Lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a

gente surda e endurecida
.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Dhua austera, apagada e vil tristeza.

145
In CABRAL, Avelino Soares, Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas, Sebenta Editora
Invocação às ninfas do Tejo e do Mondego
Canto VII
Invocação às ninfas do Tejo e do Mondego
Canto VII
Pois logo, em tantos males, é forçado
Que só vosso favor me não faleça,
Principalmente aqui, que sou chegado
Onde feitos diversos engrandeça:
Dai-mo vós sós, que eu tenho já jurado
Que não no empregue em
quem o não mereça
,
Nem por lisonja louve algum subido,
Sob pena de não ser agradecido.
83
Invocação às ninfas do Tejo e do Mondego
Canto VII
Nem creiais, Ninfas, não, que fama desse
A quem ao bem comum e do seu Rei
Antepuser seu próprio interesse,
Imigo da divina e humana Lei.
Nenhum ambicioso que quisesse
Subir a grandes cargos, cantarei,
Só por poder com torpes exercícios
Usar mais largamente de seus vícios;
84
Invocação às ninfas do Tejo e do Mondego
Canto VII
Nenhum que use de seu poder bastante
Pera servir a seu desejo feio,
E que,
por comprazer ao vulgo errante,
Se muda

em mais figuras
que Proteio.
Nem, Camenas, também cuideis que cante
Quem, com
hábito honesto e grave
, veio,
Por contentar o Rei, no ofício novo,
A despir e roubar o pobre povo!
85
Invocação às ninfas do Tejo e do Mondego
Canto VII
Nem quem acha que é justo
e que é direito
Guardar-se a lei do Rei severamente,
E não acha que é justo
e bom respeito
Que se pague o suor da servil gente;
Nem quem sempre, com pouco experto peito,
Razões aprende, e cuida que é prudente,
Pera taxar, com mão rapace e escassa,
Os trabalhos alheios que não passa.
86
Invocação às ninfas do Tejo e do Mondego
Canto VII
Aqueles sós direi que aventuraram
Por seu Deus, por seu Rei, a amada vida,
Onde, perdendo-a, em fama a dilataram,
Tão bem de suas
obras merecida
.
Apolo e as Musas, que me acompanharam,
Me dobrarão a fúria concedida,
Enquanto eu tomo alento, descansado,
Por tornar ao trabalho, mais folgado.
87
In CABRAL, Avelino Soares, Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas, Sebenta Editora
In CABRAL, Avelino Soares, Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas, Sebenta Editora
In CABRAL, Avelino Soares, Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas, Sebenta Editora
In CABRAL, Avelino Soares, Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas, Sebenta Editora
8
9
CABRAL, Avelino Soares,
Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas
, Sebenta Editora
SARAIVA, Prof. António José,
Os Lusíadas Luís de Camões – Introdução, notas e vocabulário
http://pt.scribd.com/doc/97116312/Invocacao-a-Caliope#scribd
Canto I
Canto III
Canto VII
Canto X
Invocação às Tágides
I, 4-5
Invocação a Calíope
III, 1-2
Invocação às Ninfas do Tejo
e do Mondego
VII, 78-87
Invocação e contrainvocação
a Calíope
X, 8-9 e 145
«Pedir ajuda para a consecução de um "som alto e sublimado", "um estilo grandíloco e corrente", adequado à matéria do seu canto.»
"Conseguir inspiração para a composição do discurso do Gama ao Rei de Melinde (narração da História de Portugal)".
"Pedir o seu favor na tarefa tão difícil de cantar um povo ingrato, aproveitando para se queixar de infurtúnios pessoais."
«Camões sente a aproximação do Outono da vida (velhice). O infortúnio e os desgostos atormentam-no e, por isso, pede à "rainha das Musas" que o ajude a cumprir a missão que se propôs: glorificar a sua pátria.»
«Camões confessa não poder cantar mais pois o não merece "a gente surda e endurecida".»
As Invocações da Obra
Calíope
Ninfas do Tejo e do Mondego
Estrofe 8

"O Poeta invoca a musa Calíope para que neste último e difícil trabalho de lhe dê o gosto de escrever, única recompensa que pretende para o que escreve."



Estrofe 9

"Queixa-se do envelhecimento e dos desgostos que o vão levando à morte mas pede a Calíope, rainha das Musas, que lhe permita levar a cabo esta expressão do amor pela sua pátria."

SARAIVA, Prof. António José, Os Lusíadas Luís de Camões – Introdução, notas e vocabulário, FIGUEIRINHAS
Aqui, minha Calíope, te invoco
Neste
trabalho extremo
, por que em
pago
Me tornes do que escrevo, e em vão pretendo
O gosto de escrever, que vou perdendo.


Vão os anos
decendo
, e já do
Estio
Há pouco que passar até o
Outono
;
A
Fortuna
me faz o engenho
frio
,
Do qual já não me
jacto
nem me abono;
Os desgostos me vão levando ao rio
Do negro esquecimento e eterno sono.
Mas
tu me dá
que cumpra, ó
grã rainha
Das Musas
, co que quero à nação minha!


78

Contextualização
Aspeto Histórico
Contextualização
Aspeto Cultural



Valorização do homem e da Antiguidade Clássica:


RENASCIMENTO


HUMANISMO


CLASSICISMO
“(…) adopção/valorização das formas artísticas greco-latinas e a assimilação do espírito que as anima.”
CABRAL, Avelino Soares, Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas, Sebenta Editora
“(…) valoriza tudo o que é humano e exalta os valores do homem como centro do Universo (antropocentrismo).”
CABRAL, Avelino Soares, Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas, Sebenta Editora
“(…) é uma estética que estabelece um rigoroso sistema de regras próprias dos vários géneros literários: o épico (…); o lírico (…) e o dramático (…).”
CABRAL, Avelino Soares, Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas, Sebenta Editora
Transformações Económicas

• Comércio em grande escala
• Abundância da moeda
• Inflação
• Monopólio da Coroa
• Lisboa – empório comercial e centro político
• Decadência da agricultura

Transformações Sociais

• Desenvolvimento da burguesia
• Oposição nobreza/burguesia
• Emigração para a cidade e para o ultramar
• Luxo em todas as classes – desmoralização

Transformações Culturais

• Desenvolvimento cultural da burguesia
• Aumento de estudantes portugueses no estrangeiro
• Literatura sobre temas ultramarinos

Tempo de decadência económica e da política portuguesa
In CABRAL, Avelino Soares, Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas, Sebenta Editora
In CABRAL, Avelino Soares, Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas, Sebenta Editora
In CABRAL, Avelino Soares, Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas, Sebenta Editora
In CABRAL, Avelino Soares, Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas, Sebenta Editora
In CABRAL, Avelino Soares, Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas, Sebenta Editora
Cristianismo

CABRAL, Avelino Soares, Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas, Sebenta Editora
PAIS, Amélia Pinto, Para compreender Os Lusíadas, AREAL EDITORES
https:// pt.scribd.com/doc/290863381/Analise-Estrofe-a-Estrofe
Mitologia

VS
«A grande dificuldade em fazer “renascer” o género épico estava em conciliar uma visão grega, de base mítica e pagã, com uma visão largamente informada pela religião cristã que era a dos europeus do séc. XVI. A epopeia implicava uma cosmovisão de base mítica, dificilmente conciliável com a dos homens que, no séc. XVI, pretendiam retomá-la como género.»
PAIS, Amélia Pinto, Para compreender Os Lusíadas, AREAL EDITORES
Canto I, 20

“Quando os Deuses no Olimpo Luminoso,
Onde o governo está da humana gente,
Se ajuntam em consílio glorioso,
Sobre as cousas futuras do Oriente.”

Canto I, 2

“E também as memórias gloriosas
Daqueles
Reis

que foram dilatando

A

, o
Império
, e as terras viciosas”

CABRAL, Avelino Soares, Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas, Sebenta Editora
PAIS, Amélia Pinto, Para compreender Os Lusíadas, AREAL EDITORES

In CABRAL, Avelino Soares, Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas, Sebenta Editora
In CABRAL, Avelino Soares, Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas, Sebenta Editora
In CABRAL, Avelino Soares, Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas, Sebenta Editora
Olhai que há tanto tempo que, cantando
O vosso Tejo e os vossos Lusitanos,
A Fortuna me traz peregrinando,
Novos trabalhos vendo e novos danos:
Agora o mar, agora experimentando
Os perigos Mavórcios inumanos,
Qual Cánace, que à morte se condena,
Nũa mão sempre a espada e noutra a pena

Invocação às ninfas do Tejo e do Mondego
Canto VII
79

In CABRAL, Avelino Soares, Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas, Sebenta Editora
Agora, com pobreza avorrecida,
Por hospícios alheios degradado;
Agora, da esperança já adquirida,
De novo mais que nunca derribado;
Agora às costas escapando a vida,
Que dum fio pendia tão delgado
Que não menos milagre foi salvar-se
Que pera o Rei Judaico acrecentar-se.

Invocação às ninfas do Tejo e do Mondego
Canto VII
80

In CABRAL, Avelino Soares, Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas, Sebenta Editora
E ainda, Ninfas minhas, não bastava
Que tamanhas misérias me cercassem,
Senão que aqueles que eu cantando andava
Tal prémio de meus versos me tornassem:
A troco dos descansos que esperava,
Das capelas de louro que me honrassem,
Trabalhos nunca usados me inventaram,
Com que em tão duro estado me deitaram.

Invocação às ninfas do Tejo e do Mondego
Canto VII
81

In CABRAL, Avelino Soares, Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas, Sebenta Editora
Vede, Ninfas, que engenhos de senhores
O vosso Tejo cria valerosos,
Que assi sabem prezar, com tais favores,
A quem os faz, cantando, gloriosos!
Que exemplos a futuros escritores,
Pera espertar engenhos curiosos,
Pera porem as cousas em memória
Que merecerem ter eterna glória!

Invocação às ninfas do Tejo e do Mondego
Canto VII
82

In CABRAL, Avelino Soares, Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas, Sebenta Editora
PAZ, Lina Ferreira, “O Portugal que viu nascer Camões” in Luís de Camões ou a universalidade de um Pensamento, Instituto de Tecnologia Educativa, 1981
Melinde
Calecute
(algures no meio do Oceano Atlântico)
Ilha dos Amores
In CABRAL, Avelino Soares, Camões épico – Introdução à leitura d’ Os Lusíadas, Sebenta Editora
http://www.infopedia.pt/$caliope-(mitologia)
https://pt.wikipedia.org/wiki/T%C3%A1gide
http://www.notapositiva.com/pt/apntestbs/portugues/
12_luis_de_camoes_d.htm
Lisboa
“(…) Na época de D. Manuel torna-se obrigatório para os moços da corte o ensino da gramática. Homens com João de Barros e Diogo Couto fazem a sua aprendizagem na corte. D. João III empreendeu uma reforma da Universidade pela qual procurou desenvolver os estudos humanísticos.”
In Horizontes da Palavra, 10º ano – Áreas ABCE, Fernanda Costa/ Francisco Martins/ Rogério de Castro, Ed. ASA
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