Loading presentation...

Present Remotely

Send the link below via email or IM

Copy

Present to your audience

Start remote presentation

  • Invited audience members will follow you as you navigate and present
  • People invited to a presentation do not need a Prezi account
  • This link expires 10 minutes after you close the presentation
  • A maximum of 30 users can follow your presentation
  • Learn more about this feature in our knowledge base article

Do you really want to delete this prezi?

Neither you, nor the coeditors you shared it with will be able to recover it again.

DeleteCancel

Make your likes visible on Facebook?

Connect your Facebook account to Prezi and let your likes appear on your timeline.
You can change this under Settings & Account at any time.

No, thanks

Copy of QUANDO A ESCOLA É DE VIDRO – Ruth Rocha

No description
by

Cecilia Graciotto

on 4 July 2013

Comments (0)

Please log in to add your comment.

Report abuse

Transcript of Copy of QUANDO A ESCOLA É DE VIDRO – Ruth Rocha

QUANDO A






É DE VIDRO
Ruth Rocha

Naquele tempo eu até que achava natural que as coisas fossem daquele jeito.
Eu nem desconfiava que existissem lugares muito diferentes...
Eu ia pra escola todos os dias de manhã e quando chegava, logo, logo, eu tinha que me meter no vidro.
É, no vidro!
Cada menino ou menina tinha um vidro e o vidro não dependia do tamanho de cada um, não!
O vidro dependia da classe em que a gente estudava.

Se você estava no primeiro ano ganhava um vidro de um tamanho.
Se você fosse do segundo ano seu vidro era um pouquinho maior.
E assim, os vidros iam crescendo à medida em que você ia passando de ano.
Se não passasse de ano era um horror.
Você tinha que usar o mesmo vidro do ano passado.
Coubesse ou não coubesse.
Aliás nunca ninguém se preocupou em saber se a gente cabia nos vidros.
E pra falar a verdade, ninguém cabia direito.
Uns eram muito gordos, outros eram muito grandes, uns eram pequenos e ficavam afundados no vidro, nem assim era confortável.
Os muitos altos de repente se esticavam e as tampas dos vidros saltavam longe, às vezes até batiam no professor.
Ele ficava louco da vida e atarraxava a tampa com força, que era pra não sair mais.
A gente não escutava direito o que os professores diziam, os professores não entendiam o que a gente falava...
As meninas ganhavam uns vidros menores que os meninos.
Ninguém queria saber se elas estavam crescendo depressa, se não cabia nos vidros, se respiravam direito...
A gente só podia respirar direito na hora do recreio ou na aula de educação física.
Mas aí a gente já estava desesperado, de tanto ficar preso e começava a correr, a gritar, a bater uns nos outros.
As meninas, coitadas, nem tiravam os vidros no recreio, e na aula de educação física elas ficavam atrapalhadas, não estavam acostumadas a ficarem livres, não tinha jeito nenhum para Educação Física.
Dizem, nem sei se é verdade, que muitas meninas usavam vidros até em casa.
E alguns meninos também.
Estes eram os mais tristes de todos.
Nunca sabiam inventar brincadeiras, não davam risada à toa, uma tristeza!
Se a gente reclamava?
Alguns reclamavam.
E então os grandes diziam que sempre tinha sido assim; ia ser assim o resto da vida.
Uma professora, que eu tinha, dizia que ela sempre tinha usado vidro, até pra dormir, por isso que ela tinha boa postura.
Uma vez um colega meu disse pra professora que existem lugares onde as escolas não usam vidro nenhum, e as crianças podem crescer a vontade.
Então a professora respondeu que era mentira, que isso era conversa de comunistas.
Ou até coisa pior...
Tinha menino que tinha até de sair da escola porque não havia jeito de se acomodar nos vidros.
E tinha uns que mesmo quando saíam dos vidros ficavam do mesmo jeitinho, meio encolhidos, como se estivessem tão acostumados que até estranhavam sair dos vidros.
Mas uma vez, veio para minha escola um menino, que parece que era favelado, carente, essas coisas que as pessoas dizem pra não dizer que é pobre.
Aí não tinha vidro pra botar esse menino.
Então os professores acharam que não fazia mal não, já que ele não pagava a escola mesmo...
Então o Firuli, ele se chamava Firuli, começou a assistir as aulas sem estar dentro do vidro.
O engraçado é que o Firuli desenhava melhor que qualquer um, o Firuli respondia perguntas mais depressa que os outros, o Firuli era muito mais engraçado...
E os professores não gostavam nada disso...
Afinal, o Firuli podia ser um mal exemplo pra nós...
E nós morríamos de inveja dele, que ficava no bem-bom, de perna esticada, quando queria ele espreguiçava, e até mesmo gozava a cara da gente que vivia preso.
Então um dia um menino da minha classe falou que também não ia entrar no vidro.
Dona Demência ficou furiosa, deu um coque nele e ele acabou tendo que se meter no vidro, como qualquer um.
Mas no dia seguinte duas meninas resolveram que não iam entrar no vidro também:
- Se o Firuli pode por que é que nós não podemos?
Mas Dona Demência não era sopa.
Deu um coque em cada uma, e lá se foram elas, cada uma pro seu vidro...
Já no outro dia a coisa tinha engrossado.
Já tinha oito meninos que não queriam saber de entrar nos vidros.
Dona Demência perdeu a paciência e mandou chamar seu Hermenegildo que era o diretor lá da escola.
Seu Hermenegildo chegou muito desconfiado:
- Aposto que essa rebelião foi fomentada pelo Firuli.
- É um perigo esse tipo de gente aqui na escola.
- Um perigo!
A gente não sabia o que é que queria dizer fomentada, mas entendeu muito bem que ele estava falando mal do Firuli.
E seu Hermenegildo não conversou mais. Começou a pegar os meninos um por um e enfiar à força dentro dos vidros.
Mas nós estávamos loucos para sair também, e pra cada um que ele conseguia enfiar dentro do vidro - já tinha dois fora.
E todo mundo começou a correr do seu Hermenegildo, que era pra ele não pegar a gente, e na correria começamos a derrubar os vidros.
E quebramos um vidro, depois quebramos outro e outro, Dona Demência já estava na janela gritando:
- SOCORRO! VÂNDALOS! BÁRBAROS! (pra ela bárbaro era xingação).
- Chamem o Bombeiro, o exército da Salvação, a Polícia Feminina...
Os professores das outras classes mandaram cada um, um aluno para ver o que estava acontecendo.
E quando os alunos voltaram e contaram a farra que estava no 7° ano todo mundo ficou assanhado e começou a sair dos vidros.
Na pressa de sair começaram a esbarrar uns nos outros e os vidros começaram a cair e a quebrar.
Foi um custo botar ordem na escola e o diretor achou melhor mandar todo mundo pra casa, que era pra pensar num castigo bem grande, pro dia seguinte.
Então eles descobriram que a maior parte dos vidros estava quebrada e que ia ficar muito caro comprar aquela vidraria toda de novo.
Então diante disso seu Hermenegildo pensou um bocadinho, e começou a contar pra todo mundo que em outros lugares tinha umas escolas que não usavam vidro nem nada, e que dava bem certo, as crianças gostavam muito mais.
E que de agora em diante ia ser assim: nada de vidro, cada um podia se esticar um bocadinho, não precisava ficar duro nem nada, e que a escola agora ia se chamar Escola Experimental.
Dona Demência, que apesar do nome não era louca nem nada, ainda disse timidamente:
- Mas seu Hermenegildo, Escola Experimental não é bem isso...
Seu Hermenegildo não se perturbou:
- Não tem importância. A gente começa experimentando isso. Depois a gente experimenta outras coisas...
E foi assim que na minha terra começaram a aparecer as Escolas Experimentais.
Depois aconteceram muitas coisas, que um dia eu ainda vou contar...


Ruth Rocha
Borba e Penteado (2005) argumentam que há os defensores incondicionais do uso do computador para a solução de problemas educacionais, embora tais defensores não especifiquem claramente quais problemas podem ser solucionadas e de que maneira são resolvidos por meio do uso desta mídia. Por outro lado, esses autores apontam que muitos que são contrários ao uso do computador argumentam que a utilização dessa mídia pode impedir aprendizados – como a realização de contas, o traçado de gráficos – ou criar dependências desse recurso entre os alunos. Outros se posicionam favoráveis ao uso do computador, mas acreditam que há impedimentos de ordem econômica que inviabilizam o uso amplo do computador, em particular nas escolas públicas brasileiras. Borba e Penteado analisam esses argumentos e se posicionam defendendo o uso de computadores na sala de aula como possibilidade de desenvolvimento do (a) professor (a) enquanto profissional da educação e dos alunos enquanto cidadãos com direito, no mínimo, a uma alfabetização tecnológica e, portanto, com direito de acesso a tecnologias desenvolvidas pela sociedade.
A discussão sobre o uso da calculadora nas salas de aula do Ensino Fundamental – em particular nos anos iniciais de escolarização – suscita embates semelhantes. Algumas defesas do uso da calculadora são embasadas no amplo uso dessa ferramenta em situações matemáticas de fora da sala de aula e o fato de que calculadoras simples são acessíveis às diferentes camadas da sociedade. Um argumento desfavorável é o de que crianças novas, que ainda não aprenderam a realizar as operações aritméticas, não devem ser expostas ao uso da calculadora, pois deixarão, assim, de aprender a realizar as contas básicas – com números naturais e números racionais – envolvidas em problemas matemáticos.
É evidente que se deve atentar para cuidados no sentido de permitir que alunos de anos iniciais desenvolvam a compreensão das quatro operações aritméticas, mas defende-se aqui que, se bem utilizada, a calculadora pode ser uma ferramenta que auxilie os alunos na compreensão do sistema de numeração decimal, na adição, na subtração, na multiplicação e na divisão de números naturais e racionais, entre outros conceitos matemáticos. Defendemos que não é todo uso da calculadora que possibilita explorações conceituais, ma sim, situações didáticas bem planejadas com objetivos claros e procedimentos bem selecionados.
Vale a pena ressaltar, também, que a calculadora não opera por si mesma e que os alunos precisam decidir o que realizarão com o auxílio desse recurso, e assim, essa ferramenta não restringe a autonomia dos alunos em decidirem quais os procedimentos que adotarão para a resolução de determinados problemas. Deve-se ter cuidado, entretanto, em possibilitar que os alunos explorem conceitos com o uso da calculadora, não permitindo que a utilização dela se torne um empecilho para o aprendizado matemático. Dessa forma, a atividade realizada com a calculadora é determinante, em possibilitar, ou não, o desenvolvimento matemático dos alunos.
Consideramos, assim, importante buscarmos respostas para questionamentos centrais, tais como:
O uso da calculadora por alunos de anos iniciais inibe o raciocínio das mesmas?
Este uso pode impedir avanços matemáticos futuros?
A calculadora pode ser utilizada como um recurso que auxilie o desenvolvimento do raciocínio matemática?

A propostas deste livro é refletir a respeito dessas questões e contribuir para o debate sobre como a calculadora pode ser um instrumento útil, que auxilie o desenvolvimento de atividades em sala de aula e influencie o aprendizado matemático de alunos de anos iniciais.
Cysneiros (2003) aponta que a introdução de novas tecnologias no Brasil, no início da década de 1980, foi concebida como um avanço geral na atividade educativa, desconsiderando-se,muitas vezes, especificidades de disciplinas e de conteúdos. Esse autor alerta que “é necessário explorar aspectos da tecnologia que potencializem as atividades de ensinar e aprender” (p. 37) e não, meramente, utilizar novos recursos como enfeites de técnicas tradicionais de ensino. Assim, novas concepções de ensinar e de aprender têm que ser aprendidas para que o (a) professor (a) possa utilizar a calculadora de modo eficiente em sua sala de aula. A era introdução da calculadora, sem reflexão sobre suas possibilidades e seus limites, não é suficiente para essa mídia ser propulsora de desenvolvimento conceitual.
De modo semelhante, Borba (1999) sugere que a introdução de novas tecnologias na escola deve levar a reflexões sobre mudanças curriculares, novas dinâmicas da sala de aula e novos papéis a serem desempenhadas pelo (a) professor (a). Esse autor defende que novas tecnologias não devem substituir nem, simplesmente, complementar as atividades a serem desenvolvidas em sala de aula. O uso de computadores e de calculadoras pode promover uma reorganização da atividade em sala de aula, com novos papéis a serem desempenhados por professores e por alunos.
Alunos podem, sob a orientação do (a) professor (a) ou autonomamente, desenvolver explorações conceituais e construir conhecimentos de forma diferente, a partir do uso do computador ou da calculadora. Respostas serão dadas diretamente por tais recursos aos alunos e estes não dependerão exclusivamente de retornos dados pelo (a) professor (a). Esta nova organização reflete novas maneiras de aprendizado.
Diversos estudos, a serem apresentados e discutidos no Capítulo III deste livro, têm mostrado a importância, em particular, do uso da calculadora em sala de aula, enfatizando as possibilidades de ampliação conceitual por parte dos alunos, por meio do desenvolvimento de atividades envolvendo sua utilização. O uso da calculadora também tem sido recomendado pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1997), que enfatizam a importância desse instrumento na realização de tarefas exploratórias e de investigações conceituais, na verificação de resultados e na correção de erros, podendo ser, também, um valioso instrumento de autoavaliação.
Apesar do estímulo ao uso da calculadora – tanto a partir de discussões teóricas quanto por meio de observações empíricas – parecer, ainda, haver resistências ao uso desse recurso em sala de aula, o que pode, em parte, ser justificado pela escassez de atividades envolvendo a calculadora encontradas em livros didáticos do Ensino Fundamental.
A análise de livros didáticos de Matemática pode possibilitar que se compreenda como vem sendo proposto o uso da calculadora em sala de aula, tendo em vista que os livros didáticos são instrumentos da atividade docente, seja para a formação de professores que ensinam Matemática, seja como fonte de difusão de ideias defendidas por segmentos da Educação Matemática. Em muitos casos, o livro didático é apontado como o principal referencial do trabalho em sala de aula devido, em boa parte, à ausência de outros materiais que orientem os professores em relação ao que deve ser ensinado e como fazê-lo. Além de uma orientação pedagógica geral, os livros podem, também, ajudar professores a enfrentarem suas próprias inseguranças quanto ao ensino e à aprendizagem da Matemática e auxiliarem na organização de suas aulas.
Neste livro, objetiva-se subsidiar a discussão sobre o uso de novas tecnologias, em particular a calculadora, a partir da análise sobre como a calculadora pode ser um recurso de desenvolvimento dos alunos de anos iniciais. Serão, então apresentados estudos que investigam o papel da calculadora no desenvolvimento matemático, bem como o modo como os livros didáticos destinados a alunos dos anos inicias têm abordado o uso da calculadora e quais atividades mais freqüentemente têm sido sugeridas, tais como a exploração do teclado para o uso da calculadora, a automatização de operações por meio da utilização da calculadora, a confirmação na calculadora de resultados obtidos anteriormente (em cálculos orais ou escritos) ou a exploração de conceitos.
Sabe-se que mudanças efetivas em sala de aula só ocorrerão se os professores se apropriarem dos princípios por trás de propostas sugeridas e se estiverem cientes dos riscos que poderão correr e se, ainda, estiverem dispostos a correr esses riscos e a se empenharem no estudo contínuo de como as propostas se adéquam á realidade da sala de aula. Nesse sentido, também discutiremos concepções de professores sobre o uso da calculadora em sala de aula e relataremos experiências bem sucedidas do uso da calculadora com alunos de anos iniciais.
Dessa forma, desejamos, neste livro, dar voz aos diferentes atores envolvidos na questão do uso da calculadora em sala de aula dos anos inicias do Ensino Fundamental. Discutiremos razões apresentadas por professores para fazerem uso, ou não, desse recurso em suas salas de aula e apresentaremos exemplos de uso da calculadora na escola; refletiremos a respeito dos argumentos apresentados por pesquisadores dentro de Educação Matemática que justifiquem o uso desse recurso em sala de aula e as evidencias de estudos empíricos da validade do uso da calculadora para estimular avanços conceituais de alunos; observaremos como recursos pedagógicos, tais como as atividades sugeridas por autores de livros didáticos, adéquam-se às recomendações dos responsáveis pela elaboração de propostas curriculares.
Esperamos, assim contribuir para o debate desta importante questão – o uso da calculadora em sala de aula nos anos iniciais do Ensino Fundamental – que também deve envolver outros atores da sociedade como os pais dos alunos, que, à semelhança dos outros personagens envolvidos, também são desejosos de verem asa crianças aprendendo Matemática, de modo a fazerem uso de seus conhecimentos dentro e, principalmente, fora da sala de aula.
Como é sua prática em avaliação?
Sua avaliação é embasada em sua prática pedagógica?
Se houverem mudanças, questionamentos...
Sua avaliação se manterá firme?
Ou quebrará como o vidro?
Full transcript