Loading presentation...

Present Remotely

Send the link below via email or IM

Copy

Present to your audience

Start remote presentation

  • Invited audience members will follow you as you navigate and present
  • People invited to a presentation do not need a Prezi account
  • This link expires 10 minutes after you close the presentation
  • A maximum of 30 users can follow your presentation
  • Learn more about this feature in our knowledge base article

Do you really want to delete this prezi?

Neither you, nor the coeditors you shared it with will be able to recover it again.

DeleteCancel

Make your likes visible on Facebook?

Connect your Facebook account to Prezi and let your likes appear on your timeline.
You can change this under Settings & Account at any time.

No, thanks

Memorial do Convento - Capítulo XVI

Português 12ºano
by

Lúcia Vieira

on 30 April 2015

Comments (0)

Please log in to add your comment.

Report abuse

Transcript of Memorial do Convento - Capítulo XVI

VOO DA
PASSAROLA

Personagem histórica;
Doutorou-se em Coimbra;
Tem um sonho: construir uma máquina voadora;
Espírito científico e futurista;
Amigo do rei D.João V;
Contrói a passarola com a ajuda de Blimunda e Baltasar.
José Saramago (16-11-1922, Azinhaga – 18-06-2010, Lanzarote)

Romancista
Cronista
Dramaturgo
Poeta
Tradutor
Diretor literário de jornais
Prémio Nobel da Literatura (1998)
Romance Histórico
Riqueza (luxo) da corte;
Práticas da Inquisição
Exploração dos operários (construção do Convento de Mafra);
Guerra de sucessão (onde Baltasar perde a mão);
Autos-de-fé;
Construção da passarola voadora.

Categorias da Narrativa
Tempo
Espaço
Narrador
Ação
Personagens
Tempo Cronológico:
No ano de 1724
Tempo Histórico:
No reinado de D.João V
Espaço Físico:
Lisboa (Quinta de S. Sebastião da Pedreira);
Serra de Barregudo;
Mafra
Espaço Psicológico:
Espaço Social:

Quanto à Ciência:
Omnisciente
Quanto à Posição:
Subjetivo
Quanto à Presença:
Heterodiegético
Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão
Blimunda de Jesus (Sete-Luas)
Baltasar Mateus (Sete-Sóis)
Domenico Scarlatti
Reflexão sobre o valor da justiça humana
"O que, finalmente, veio a saber-se, foi ter perdido el-rei a demanda em que andava, não ele em pessoa, mas a coroa, com o duque de Aveiro, desde mil seiscentos e quarenta, durante mais de oitenta anos metidas em tribunais (...) Afinal, sempre há justiça neste mundo, e por causa de haver ela vai ter agora el-rei de restituir ao duque de Aveiro todos os bens, que a nós importam pouco, incluindo a quinta de S.Sebastião da Predreira, chave, poço, pomar e palácio, que ao padre Bartolomeu Lourenço não importam muito, o pior é a abegoaria."
Linhas de Ação
Linha de ação da
história de amor entre Baltasar e Blimunda
Linha de ação da
construção da Passarola (realização de um sonho)
O Sonho da Passarola
Simbologia da construção da Passarola
A importância da música no
Memorial do Convento
Passarola
O duque de Aveiro recupera a Quinta de S. Sebastião da Pedreira, pois ganha a ação judicial contra a coroa.
"O que meu for é de nós três, sem os teus olhos Blimunda, não haveria passarola, nem sem a tua mão direira e a tua paciência, Baltasar." (Padre Bartolomeu Lourenço)
"Padre Bartolomeu Lourenço, de que é que tem medo, e o padre assim interpelado directamente, estremece, levanta-se agitado, vai á porta, olha para fora, e, tendo voltado, responde em voz baixa, Do Santo Ofício. Entreolharam-se Baltasar e Blimunda, e ele disse, Não é pecado, que eu saiba, nem heresia, querer voar, ainda há quinze anos voou um balão no paço e daí não veio mal, Um balão é nada, respondeu o padre, voe agora a máquina e talvez que o Santo Ofício considere que há arte demoníaca nesse voo, e quando quiserem saber que partes fazem navegar a máquina pelos ares, não poderei responder-lhes que estão vontades humanas dentro das esferas, para o Santo Ofício não há vontades, há só almas, dirão que as mantemos presas, a almas cristãs, e as impedimos de subir ao paraíso, bem sabem que, querendo o Santo Ofício, são más todas as razões boas, e boas todas as razões más, e quando umas e outras faltem, lá estão os tormentos da água e do fogo, do potro e da polé, para fazê-las nascer do nada e à discrição, Mas estando el-rei do nosso lado, o Santo Ofício não irá contra o gosto e a vontade de sua majestade, El-rei, sendo caso duvidoso, só fará o que o Santo Ofício lhe disser que faça."
Medo sentido por parte do Padre Bartolomeu Lourenço face ao Santo Ofício.
"Temos de fugir, o Santo Ofício anda à minha procura, querem prender-me, onde estão os frascos. Blimunda abriu a arca, retirou umas roupas, Estão aqui, e Baltasar perguntou, Que vamos fazer. O padre tremia todo, mal podia sustentar-se de pé, Blimunda amparou-o, Que faremos, repetiu, e ele gritou, Vamos fugir na máquina, depois, como subitamente assustado, murmurou quase inaudivelmente, apontando a passarola, Vamos fugir nela, Para onde, Não sei, o que é preciso é fugir daqui. Baltasar e Blimunda olharam-se demoradamente, Estava escrito, disse ele, Vamos, disse ela."
O Padre Bartolomeu descobre que o Santo Ofício já estava à sua procura e elabora um plano para solucionar este problema - voar na passarola
"Blimunda aproximou-se, pôs as duas mãos sobre a mão de Baltasar, e, num só movimento, como se só desta maneira devesse ser, ambos puxaram a corda. A vela correu toda para um lado, o sol bateu em cheio nas bolas de âmbar, e agora, que vai ser de nós. A máquina estremeceu, oscilou como se procurasse um equilíbrio subitamente perdido, ouviu-se um rangido geral, eram as lamelas de ferro, os vimes entrançados, e de repente, como se a aspirasse um vórtice luminoso, girou duas vezes sobre si própria enquanto subia, mal ultrapassara ainda a altura das paredes, até que, firme, novamente equilibrada, erguendo a sua cabeça de gaivota, lançou-se em flecha, céu acima."
"Se abrirmos de repente a vela, cairemos na terra como uma pedra, e é ele quem vai manobrar a corda, dar-lhe a folga precisa para que se estenda a vela sem esforço, tudo depende agora do jeito, e a vela abre-se devagar, faz descer a sombra sobre as bolas de âmbar e a máquina diminui de velocidade, quem diria que tão facilmente se poderia ser piloto nos ares, já podemos ir à procura das novas Índias."
O voo da Passarola
Analogia entre o voo da Passarola e os descobrimentos marítimos n´"Os Lusíadas"
"Deus ele próprio, Baltasar seu filho, Blimunda o Espírito Santo, e estavam os três no céu."
Inquisição (Santo Ofício)
Descrição de Lisboa vista do céu e crítica ao Santo Ofício que andava à procura do padre Bartolomeu
"Devagar, a terra aproxima-se, Lisboa distingue-se melhor, o rectângulo torto do Terreiro do Paço, o labirinto das ruas e travessas, o friso das varandas onde o padre morava, e onde agora estão entrando os familiares do Santo Ofício para o prenderem, tarde piaram, gente tão escrupulosa dos interesses do céu e não se lembram de olhar para cima, é certo que, a tal altura, a máquina é um pontinho no azul, como levantariam os olhos se estão aterrados diante de uma Bíblia rasgada na altura do
Pentateuco
,
de um Alcorão feito em pedaços indecifráveis, e já saem, vão na direção do Rossio, do palácio dos Estaus, a informar que fugiu o padre a quem iam buscar para a cárcere, e não adivinham que o protege a grande abóbada celeste aonde eles nunca irão, é bem verdade que Deus escolhe os seus favoritos, doidos, defeituosos, excessivos, mas não familiares do Santo Ofício. (...) mas lá estão as quatro paredes da abegoaria, o aeroporto donde levantaram voo"
"só o cravo desapareceu, que foi que aconteceu ao cravo, nós o sabemos e vamos dizer, que indo Domenico Scarlatti á quinta, viu, já chegando perto , levantar-se de repente a máquina, num grande sopro de asas , que faria se elas batessem, e tendo entrado deu com os destroços de largada, telhas partidas, espalhadas pelo chão, as ripas e os barrotes cortados ou arrancados, não há nada mais triste que uma ausência, corre o avião pista fora, levanta-se ao ar, só fica uma pungente melancolia, esta que faz sentar-se Domenico Scarlatti ao cravo e tocar um pouco (...) e depois, porque muito bem sabe ser perigoso deixar ali o cravo, arrasta-o para fora sobre o chão irregular, aos solavancos, gemem desencontradas as cordas, agora sim se desacertarão os saltaremos e vai ser para nunca mais, levou Scarlatti o cravo até ao bocal do poço (...) e enfim cai na água, ninguém sabe o destino para que está guardado, cravo que tão bem tocava, agora descendo, gorgolejando como um afogado, até assentar no lodo."
Scarlatti, que chegara a tempo de ver a passarola voar, senta-se diante do cravo e toca uma música.
Abandono do cravo num poço da Quinta de S. Sebastião da Pedreira.
"É Mafra, além, grita Baltasar, parece o gajeiro a bradar do cesto da gávea, Terra, nunca comparação alguma foi tão exacta, porque esta é a terra de Baltasar, reconhece-a mesmo nunca a tendo visto do ar"
"Passam velozmente sobre as obras do convento, mas desta vez há quem os veja, gente que foge espavorecida, gente que se ajoelha ao acaso e levanta as mãos implorativas de misericórdia, gente que atira pedras, o alvoroço toma conta de milhares de homens, quem não chegou a ver, duvida, quem viu, jura e pede o testemunho do vizinho, mas provas já ninguém as pode apresentar porque a máquina afastou-se na direcção do sol, tornou-se invisível contra o disco refulgente, talvez não tivesse sido mais do que uma alucinação, já os céticos triunfam sobre a perplexidade dos que acreditaram."
"Mas de súbito Blimunda solta-se de Baltasar, a quem convulsa se agarrara quando a máquina precipitou a descida, e rodeia com os braços uma das esferas que contêm as nuvens fechadas, as vontades, duas mil são mas não chegam, cobre-as com o corpo, como se as quisesse meter dentro de si, ou juntar-se a elas. (...) e Blimunda grita Baltasar, Baltasar, não precisou chamar três vezes, já ele se abraçara com a outra esfera, fazia corpo com ele, Sete-Luas e Sete-Sóis sustentando com as suas nuvens fechadas a máquina que baixava, agora devagar que mal rangeram os vimes quando tocou no chão"
"não tinham dormido muito, havia um clarão como se o mundo estivesse a arder, era o padre com um ramo inflamado que pegava fogo á máquina, já a cobertura de vime estalava, e de um salto Baltasar pôs-se de pé, foi para ele, e deitando-lhe os braços á cintura puxou-o para trás, mas o padre resistia, de modo que Baltasar o apertou com violência, atirou-o ao chão, calcou a pés o archote, enquanto Blimunda batia com o pano de vela as chamas que tinham alastrado ao mato e agora, aos poucos, se deixavam apagar."
"Blimunda perguntou em voz baixa (...) Por que foi que deitou fogo á máquina e Bartolomeu Lourenço respondeu, ao mesmo tom, como se estivesse à espera da pergunta, Se tenho de arder numa fogueira, fosse ao menos nesta."
"Afastou-se para as moitas que ficavam da banda o declive (...) O tempo passava, o padre não reaparecia. Baltasar foi buscá-lo. Não estava. Chamou por ele, não teve resposta (...) Sumiu-se, e Blimunda declarou, Foi-se embora, não o tornaremos a ver."
"Ao amanhecer, nasceria o sol daí a pouco (...) Com a faca cortou ramos das moitas altas, cobriu com eles a máquina, e, passada uma hora, dia claro, quem de longe olhasse naquela direção não veria mais do que um amontoado vegetal no meio de um espaço de mato rasteiro"
"E agora, esta foi a pergunta de Blimunda, Agora vamos em frente, o sol está além, para a direita fica o mar, em alcançando lugar de gente, saberemos onde estamos, que serra é esta, quando quisermos cá voltar, Isto aqui é a serra do Barregudo, lhes disse um pastor, légua andada, e aquele monte além, muito grande, é Monte Junto."
"Levaram dois dias a chegar a Mafra, depois de um largo rodeio, por fingimento de que vinham de Lisboa. Andava procissão na rua, todos dando graças pelo prodígio que fora Deus servindo fazer, mandando voar por cima das obras da basílica o seu Espírito Santo."
"Dizem que o reino anda mal governado, que nele está de menos a justiça, e não reparam que ela está como deve estar, com sua venda nos olhos, sua balança e sua espada, que mais queríamos nós (...) Castiguem-se lá os negros e os vilões para que não se perca o valor do exemplo, mas honre-se a gente de bem e de bens, não lhe exigindo que pague as dívidas contraídas"
Avistam Mafra e conseguem visualizar as obras do convento.
Blimunda e Baltasar tentam salvar o voo e livrar os três da morte. Devido às dificuldades de navegação por falta de vento, aterram numa serra, com a chegada da noite.
O padre Bartolomeu Lourenço tenta incendiar a passarola (a máquina), sendo impedido por Baltasar e Blimunda.
O padre Bartolomeu foge para a mata.
Blimunda e Baltasar escondem a máquina com ramos
Chegada do casal a Mafra.
Procissão em Mafra em honra do espírito santo que sobrevoou as obras do convento.
"Agosto acabou, setembro vai em meio"
Personagem fictícia;
Mulher jovem;
Vive um amor verdadeiro com Baltasar Sete-Sóis;
Transgride os códigos e regras ao ver o interior das coisas (ecovisão);
Faz parte da concretização do sonho da passarola.
"os olhos claros, verdes, cinzentos, azuis";
Mulher firme, que vive com naturalidade;
Personagem fictícia
Homem jovem;
Ex-soldado
"cara escura", "olhos cansados"e "maneta";
Simples, fiel, honesto, humilde e trabalhador;
Vive com naturalidade;
Personagem Histórica
Músico e compositor italiano;
Professor de música da infanta D.Maria Bárbara;
Salva Blimunda de uma doença com a sua música.
Contribui para o projeto da passarola através da música
Capítulo XVI

Representa a comunicação e tem o poder de curar;
O som do seu cravo irá fascinar o padre e acompanhar o processo de construção da passarola e o momento em que ela se eleva no céu;
A arte ligada ao sonho;
A música dá às pessoas a capacidade de sonhar e de se sentirem realizadas.
Simboliza a realização de um sonho e o desejo de liberdade;
Metaforicamente, simboliza a libertação do Homem e do espírito (ascensão das almas ao céu);
União entre Bartolomeu Lourenço (Ciência), Baltasar (Trabalho artesanal) e Blimunda (magia, espírito);
Partilha de um segredo, de uma amizade e de um sonho;
Símbolo da fraternidade e igualdade capaz de unir os homens cultos e populares;
Ligação entre a Terra e o Céu;
É sonho proibido e quase impossível que se irá realizar, mostrando ao Homem que
nada é impossível
.

Instalada em Portugal no século XVI(reinado de D.João III);
Censura: livros, opiniões, judeus, cristãos-novos, práticas de feitiçaria, aqueles que julgavam ter visões e os “intelectuais” com ideias futuristas;
Desde que houvesse uma denúncia, o acusado estava sujeito a toda a espécie de torturas físicas e/ou mentais, incluindo a morte.


Tempo Cronológico
"a abegoaria é só paredes (...) onde durante seis anos dormiram Baltasar e Blimunda"
Tempo Cronológico
O Homem parte em busca do desconhecido, apesar dos inúmeros perigos;
Esta analogia confere um carácter heroico ao voo da passarola, tal como os navegadores portugueses na obra "Os Lusíadas" que conquistaram os mares e ultrapassaram todas as dificuldades.
Quiasmo
Adjetivação
Metáfora
Personificação
Repetição
Ação da Inquisição e concretização do sonho da passarola
A crendice do povo (procissão)
Full transcript