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FADAS NO DIVÃ

APRESENTAÇÃO DE FADAS NO DIVÃ
by

Marco Aurelio

on 5 November 2013

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Transcript of FADAS NO DIVÃ

fadas
no
divã

RAPUNZEL

RAPUNZEL
Atitude possessiva materna - a mãe (adotiva) vê o crescimento como abandono.
O pecado de Rapunzel foi incluir o príncipe na relação que, segundo a mãe, era somente delas, onde mãe e filha deveriam bastar-se. (Diferente da maioria dos contos, onde madrastas sentiam inveja da beleza e poder de sedução das enteadas).


Rapunzel congrega três grandes temas recorrentes nas histórias de fadas: o filho prometido a contragosto para um ser mágico em troca de algum favor (ou da vida), a clausura do filho ou filha pela mãe ou pai (tentando mantê-lo longe dos braços de seu amor) e, por último, o surgimento de um apaixonado em função de resgate, retirando a jovem (ou o jovem) da clausura, do sono ou do feitiço. Esse conto ainda contempla uma jornada posterior, que também é bastante comum nessa literatura, em que os amados se desencontram por longos anos, esquecem-se um do outro ou não se reconhecem, para depois reatar o laço amoroso.
A feiticeira é muito diferente das ogras devoradoras de criancinhas e das bruxas más de outros contos de fadas, ela se comporta como uma verdadeira e atenciosa mãe. Sua malvadeza não mostra expressão mágica, nem sequer se compreende o que apavorou tanto o pai de Rapunzel, já que em nenhum momento ela faz propriamente um feitiço.

A fúria da bruxa é sempre o resultado de sentir-se invadida, é mais egoísta que mágica, seus atos malvados são conseqüência da dificuldade de ver a menina crescer e do medo de perdê-la. Ela vocifera contra quem entra em sua horta ou torre, se a deixassem em paz, aparentemente, ela não faria mal a ninguém. Provavelmente, a chamamos de bruxa por falta de uma palavra melhor para uma mulher poderosa, intransigente e egoísta.
A madrasta e a mãe são personagens conexas, porque ambas querem a satisfação de seus desejos num esquema de tudo ou nada, vida ou morte. A mãe biológica exige a verdura, sob ameaça de morrer, levando consigo a criança para o túmulo, já a bruxa ama sua filha, mas somente se esse afeto lhe for exclusivo. Sentindo-se traída, expulsa aquela a quem tanto se dedicou, convencida que não lhe serve mais; de certa forma, é como se para ela Rapunzel tivesse morrido.

Compara com o Paraíso bíblico: a mulher incitando o homem a quebrar regras e os dois são expulsos da história (verdura faz papel do fruto).

O pai: homem fraco, como na maior parte dos contos de fada, está entre as duas mulheres exigentes: uma quer os raponços para que não morra e a outra quer a Rapunzel - ambas querem o mesmo, porque ambas são a mesma, levar a Rapunzel, uma porque morreria e levaria em junto em suas entranhas e a outra levaria para si em troca dos raponços.
Relação mãe e filho, quando está grávida e também após o nascimento: é como se a mulher dissesse: já que não podes me satisfazer, a filha que virá será o meu objeto de satisfação. A mãe, agora transfigurada na bruxa, anuncia ao pai o vínculo simbiótico que irá ter com a filha e que, logicamente, o exclui. Rapunzel é a resposta para esses anseios de grávida, a grávida come raponços, a bruxa engole a vida de Rapunzel. A diferença entre uma e outra é a existência do pai, banido da cena, junto com a mãe biológica.

A história de Rapunzel é profundamente ligada a essa trama do filho como possessão materna.
As tranças são um tipo de cordão umbilical, simbolizam a continuidade de corpos que se corta com o nascimento, mas que a bruxa reedita justamente quando ela mais teme o rompimento.

Quando chega a puberdade, os pêlos pubianos - os cabelinhos que tanto crescem nessa época - não pedem licença para aparecer, se avolumam como os belos cabelos de Rapunzel, mas não costumam obedecer a voz da mãe.

Guarda a maturação sexual da moça através de muralhas, o que instiga o príncipe a buscá-la - questão social da sexualidade feminina.

Fica claro que o príncipe foi punido com a cegueira pelo crime de olhar. O castigo incide por onde veio o suposto pecado. Se pensarmos que Rapunzel foi penalizada com o corte de cabelos, signo de uma castração, a cegueira pode ser também a contrapartida masculina dessa castração simbólica.
Cortar os cabelos de Rapunzel é uma forma de castração, mas num sentido mais amplo, não apenas significando a ablação do órgão sexual masculino, considerado como uma espécie de símbolo do falo, de representação privilegiada deste.

As trancas de Rapunzel, convergem dois sentidos: por um lado, são o símbolo da continuidade
entre mãe e filha - cortá-las é cortar o vínculo simbiótico; por outro lado, são também um corte no corpo de Rapunzel, a marca que a fará estar longe da mãe e, por sua vez, a capacitará para amar e ter filhos.

A Fada do Lago - versão masculina da Rapunzel.
O DESPERTAR DE UMA MULHER

Identificação da menina com a mãe.

Amor e ódio da filha pela mãe.

Passagem da infância para a adolescência.

LISA A ANTEPASSADA E BRANCA DE NEVE

Com elas , podemos pensar sobre as intempéries provenientes da rivalidade com a mãe, que é preciso vencer para adormecer menina e despertar mulher, assim como sobre os revezes que são próprios da adolescência de ambos os sexos.

Mãe boa, como todas as de conta de fada, que, por ter desejado tanto a criança, ficaria isenta de sentimentos hostis, abandona a cena rapidamente, para deixar surgir em seu lugar a madrasta num novo casamento do pai.

Um bebê tende a ser objeto de contemplação e fascínio por parte dos pais, que celebram a realização de seu desejo. Já a moça que esse bebê se tornou é objeto de desejo para um jovem príncipe, desbancando ambos de seu trono: o pai é substituído por ele, e a mãe é agora uma madrasta invejosa a beleza e da juventude da filha.

Irmãos Grimm ( a rainha morre no parto ).
Assim quem morre no parto é esse ideal de que um filho será capaz de satisfazer plenamente o desejo da mãe. Nos contos, a mãe má é representada ora por uma bruxa, ora por uma madrasta.

A verdade é que a beleza só existe para um olhar, sem esse reconhecimento ela não faz sentido, por isso o espelho é o complemento necessário da imagem. O olhar no espelho traz sempre uma pergunta e uma resposta. Cada um o contempla tentando se ver ¨de fora¨, buscando decifrar o impacto de sua imagem aos olhos, interrogando como somos vistos.
ESPELHO, ESPELHO MEU.
A admiração do ser amado, de quem normalmente exigimos que, como o espelho, diga alto e claro o quanto nos aprecia, é o melhor certificado de adequação a este olhar, pois significa que alguém viu, gostou e desejou aquilo que somos.
é apenas uma busca de confirmação
A madrasta quer incorporar os atributos da jovem, como seu pulmão, seu fígado, seu coração. Comê-la é passar a ser ela, a incorporação é a forma mais primária de identificação.

ESPELHO E CAÇADOR, DUAS FACES DO PAI.

O personagem do pai é uma figura subordinada à madrasta, um olhar preso a parede do quarto. Mas por que ele não poderia ser também representado pelo caçador.
O espelho mágico é um olhar pregado a uma parede no quarto da madrasta, entretanto esse homem-espelho consegue ver também a beleza da princesa, sua filha. Um belo dia, o pai, que é também um homem, se dá conta de que sua menina cresceu.
É importante que a filha possa recolher elementos de identificação com sua mãe.
Isso leva a moça a duas posições igualmente difíceis : pode tentar se igualar à mãe, perdendo o caminho de construção de sua própria pessoa, ou ainda se identificar com o pai, buscando amar uma mulher maravilhosa assim como a que ele ama.
Para haver alguma existência individual de ¨eu¨, é preciso que saibamos nos diferenciar, particularizar uma forma de ser. Tentar ser igual é uma forma de morte, de anulação, pois , se formos iguais a alguém, seremos essa pessoa , portanto não existiria aquela forma específica que nos identifica.

A TURMA DOS ANÕES

Ela (Branca de Neve) ganha um lar onde pode ocupar um lugar feminino mas não sexuado
Nos contos de fadas, os anões geralmente estão numa posição onde desejam outras que não o sexo.
Para os jovens, passar a maior parte do tempo em companhia de um grupo de pares, sua ¨turma¨, é uma das formas de proteção dos conflitos familiares gerados pela adolescência.
Como ocorre no grupo adolescente, Branca de Neve se prepara ali para transitar do olhar e do desejo do pai para o encontro com seu príncipe, e os anões são parteiros desse processo.
O expediente para livrar-se da mãe é acusa-la de todo o rancor que a filha sente por esta que a está abandonando. Mais uma vez temos uma projeção, onde se atribui ao outro aquilo que sentimos.

BELA POR QUE
ADORMECIDA
Sol, Lua e Tália. (1634);Giambattista Basile

A Bela Adormecida do Bosque. (1697) de Perrault

A Bela Adormecida(1812), dos irmãos Grimm.

Em 1959, os estúdios Disney produziram sua versão em desenho animado.
A morte necessária

Uma passividade absoluta
O SANGUE NECESSÁRIO
A MORTE NECESSÁRIA
O SONO NECESSÁRIO
O dom da fada madrinha - o mesmo valendo
para suas similares - na verdade é simples: restituir
algo que uma filha já teve, quando era objeto do olhar
materno apaixonado de que os pequenos se nutrem.
Só um olhar desse calibre, herdeiro desse amor,
possibilitará que o encanto seja realçado e não coberto
por cinzas e roupas feias. O que fica em cada um de
nós da força desse primeiro amor materno será o cerne
do narcisismo ulterior do sujeito, aquilo que chamamos erroneamente de auto-estima
Em cinderela temos o contraponto da fada madrinha ou das árvores
mágicas (quer crescidas no túmulo da mãe, quer
enviadas pelas fadas, estas são erguidas sobre a
memória da mãe perdida). Essas fadas são personagens
mais evanescentes, destinados a preservar o lado bom
da mãe, ou seja, a mãe da primeira infância. Porém,
enquanto a madrasta é uma personagem real, as fadas
ou seus representantes são figuras interiorizadas,
aparecem apenas na intimidade da jovem e são um segredo seu.

Túmulo, árvore e pássaros mágicos formaram uma espécie de altar dedicado aos pais da primeira infância, de onde se retira a força para seguir adiante. A mãe biológica está morta, e o pai agora é um bobo insignificante, totalmente incapaz de protegê-la e valorizála. Mas nesse altar, se consuma a fertilidade do pai (o galho que brota) sobre o corpo da mãe (a terra do túmulo), representados espiritualmente pelo pássaro" e regados com a saudade cia filha. É um espaço de culto aos pais perdidos - e por isso idealizado -, aqueles que foram tão pcxlerosos a ponto de nos dar vida e tão protetores a ponto de nos permitir que sobrevivêssemos a riscos e incapacidades da primeira infância. A jovem está crescida, já não precisa mais ser carregada e alimentada, por isso, os pais da infância vivem apenas na memória.
Todos temos, como ela, que montar com nossas próprias mãos o
altar onde colocamos as evocações da infância, as lembranças que guardaremos conosco para uso em
outros momentos da vida. Há um abismo entre a infância vivida e as lembranças que guardamos dela. Freud denominava algumas delas como "lembranças encobridoras", ou seja, um tipo de memórias fabricadas, seguindo a mesma lógica inconsciente com que se constrõem os sonhos, e que sào evocadas quando estão ligadas a algo que estamos querendo elaborar em outro momento da vida.

As três formas da mãe
A mãe é aquela que supostamente se completa com os filhos, que tem neles
sua prioridade e jamais deseja sua ausência.
A mulher do pai tem uma história de amor a viver, que exige tempo, dedicação, e pode se superpor em importância
a suas majestades os bebês.
A mulher do pai é a madrasta dos filhos, aquela para quem o casamento está em primeiro lugar, mesmo que seja a legítima mãe deles.
A madrinha é a representante do efeito benéfico das lembranças de uma infância onde houve um vínculo amoroso com a mãe. Sendo assim, toda mãe tenderá a ser mãe, madrasta e madrinha ao mesmo tempo.

Um amor fetichista

Cinderela representa também a mulher que se
adequou â essa exigência da erótica masculina. É
aquela que sabe da importância de se deixar amar a
partir de um traço, do uso de um fetiche e se conforma
a fazer de um homem a fonte de sua felicidade. Ou
seja, ela não é amada só porque tem o pé delicado,
ela é amada em sua totalidade e pelo conjunto de
seus dotes, mas esse amor não vai funcionar se não
tiver esse gatilho para o desejo do homem.
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