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Untitled Prezi

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"Na fase da competência, o sujeito que vai realizar a transformação central da narrativa é dotado de um saber e/ou poder fazer. [...] No romance O cortiço, de Aluísio de Azevedo, quando se narra que João Romão vivia miseravelmente, amealhando cada tostão com a finalidade de construir as casinhas do cortiço para alugar, o dinheiro poupado é a forma concreta do poder construir e as casinhas, por sua vez, são concretizações de um poder acumular cada vez mais." (FIORIN, 2011, p. 30) "A performance é a fase em que se dá a transformação (mudança de um estado a outro) central da narrativa." (FIORIN, 2011, p. 31) "A última fase é a sanção. Nela ocorre a constatação de que a performance se realizou [ou de que não se realizou - consideração nossa] e, por conseguinte, o reconhecimento do sujeito que operou a transformação. Eventualmente, nessa fase distribuem-se prêmios ou castigos." (FIORIN, 2011, p. 32) "Essas fases [manipulação, competência, performance e sanção] não se encadeiam numa sucessão temporal, mas em virtude de pressuposições lógicas. [...] Nas narrativas realizadas, as fases da sequência canônica não aparecem bem arranjadas como pode ter dado a entender [...], muitas fases ficam ocultas e devem ser recuperadas a partir das relações de pressuposição." (FIORIN, 2011, p. 32) "Em segundo lugar, muitas narrativas não se realizam completamente." (FIORIN, 2011, p. 32) "Em terceiro lugar, as narrativas podem relatar, preferencialmente, uma das fases. Um jornal sensacionalista, ao contar um assassinato, narra em geral a performance: como foi o crime, quem o realizou, quem era a vítima, etc." (FIORIN, 2011, p. 33 Observações relevantes "Além disso, as narrativas realizadas não contêm uma única sequência canônica, mas um conjunto delas. Essas sequências podem encaixar-se umas nas outras ou suceder-se." (FIORIN, 2011, p. 33) "Até agora analisamos o encadeamento dos papéis narrativos para formar enunciados, desses enunciados para constituir sequências canônicas e dessas sequências canônicas para compor sequências complexas. Estudamos, pois, a sintaxe narrativa." (FIORIN, 2011, p. 36) - Dois sujeitos de estado, aliás estados que desde o início apresentam distinções claras: um trabalhava na feira e o outro, na contrução; um é rei da brincadeira e o outro, da confusão.

- A partir da segunda estrofe, iniciam-se os percursos narrativos de forma mais clara, inclusive com referências temporais ("A semana passada", "no fim da semana", "No domingo de tarde") e espaciais ("não foi pra Ribeira", "no parque", "Lá perto da Boca do Rio"). - As pistas textuais de que pode haver, como de fato haverá, uma dimensão polêmica na narrativa: rei da brincadeira vs. rei da confusão; o fato de um deles, num dado momento espaço-temporal (na semana passada, no domingo de tarde, lá perto da Boca do Rio etc.) descumprir o fazer a que estava programado (João - rei da confusão - resolveu não brigar) ou cumpri-lo de maneira um tanto inquieta ("No domingo de tarde saiu apressado"). Tópicos para análise semiótica da letra - Os dois percursos narrativos, de João e de José, até certo momento, não
são conflitantes, coexistem de modo "relativamente estável" (TATIT, 2001, p. 161): o rei da confusão e o rei da brincadeira são sujeitos de estado, apenas; porém, "Foi no parque que ele avistou Juliana [...] na roda com João" - momento inicial da polêmica narrativa.

- Se até certo momento não havia incompatibilidade entre os papéis narrativos de José e de João, a visão inesperada de José é a conclusão de que o equilíbrio se fora: a menção à amizade de João ("o amigo João") remete a um contrato prévio existente - ao menos na avaliação de José - com base no qual certos fazeres não são devidos; Juliana também é sancionada negativamente a partir dessa visão. - Pode-se dizer que o actante Juliana, que só surge posteriormente no texto, assume um papel narrativo mais de objeto, um objeto de desejo, objeto-valor, enfim. Mais que isso: segundo Tatit (2001, p. 163), Juliana é, para José, um objeto-valor exclusivo: o elo entre ele e ela, embora apenas virtual ("Juliana seu sonho, uma ilusão"), é mesmo exclusivo.

- Para Tatit (2001, p. 163):
"S1 crer [S2 dever --> (S1 conj. Ov)]"

- Ainda assim, enquanto sujeito, ela tem, claro, um percurso narrativo, embora discreto e bastante pressuposto: ela quer, sabe e pode estar acompanhada por João na roda gigante. - A tal visão de José altera substancialmente seu aspecto modal: ele é um sujeito que quer estar em conjunção com o amor de Juliana; no parque, porém, percebe que é um sujeito do não-poder, tendo em vista que o objeto-valor Juliana, na avaliação de José, é exclusivo e já está em relação com outro sujeito; além disso, dá-se conta de que João, sendo seu amigo, era um sujeito do não-dever estar em conjunção com o amor de Juliana, a qual, por sua vez, também era um sujeito do não-dever, uma vez que era ao mesmo tempo objeto-valor exclusivo de José, através de um elo, lembremos sempre, apenas virtual ("Juliana seu sonho, uma ilusão").

- Enfim, todas essas modalizações colocam José, a partir de então, como um sujeito eminentemente sensível, passional.

- Gráfico Semiótica Tensiva. - No nível discursivo, percebemos alguns enunciados bastante esclarecedores no que tange a esse momento de crescente tensão do sujeito José: "O espinho da rosa feriu Zé", "E o sorvete gelou seu coração". Aqui, José é um sujeito que passa a sentir a nova experiência e, sentindo-a, deixando seu estado de coisa em benefício de um estado de alma.

- Segundo Tatit (2001, 169-9), nesse momento José está se modalizando, adquirindo o querer-fazer, bastante reforçado nos versos seguintes, até o momento em que se dá a performance ("Olha a faca!"). Surgem no texto, então, as sanções aplicadas por José: ao que parece, o assassinato de João e de Juliana; a meu ver, não fica claro se José também veio a morrer ou não, mas fica explícito que ao menos alguma sanção ele recebeu ("Amanhã não tem feira", "Não tem mais brincadeira"). Na última parte, volta-se a enunciados de estado, passado o enunciado de fazer empreendido pelo sujeito José. Agora, contudo, não mais enunciados de estado eufóricos como no início, mas pelo contrário: "amanhã não tem feira", "não tem mais construção", "não tem mais brincadeira", não tem mais confusão". Indicação de leitura Até a página 52 do Fiorin (entrando na primeira parte do nível discursivo) e até a 52 da Diana (finalizando o nível narrativo). Referências bibliográficas BARROS, Diana Luz Pessoa de. Teoria semiótica do texto. 5. ed. São Paulo: Ática, 2011.

FIORIN, José Luiz. Elementos de análise do discurso. 15. ed. São Paulo: Contexto, 2011.

TATIT, Luiz. Análise semiótica através das letras. 1. ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001. Rosa Perfume Espinho Sorvete Doçura Gelo Vermelho Sangue " " TATIT, 2001, p. 169) Segundo o mesmo autor (2001, p. 167), até o momento inicial da polêmica narrativa, "[...] dois temas gerais haviam deflagrado as isotopias mais abrangentes da letras: o trabalho e o lazer. O primeiro é abandonado nas primeiras estrofes enquanto o segundo vai sendo progressivamente detalhado em figuras cada vez mais localizadas: o parque, a roda e, por fim, a rosa e o sorvete. Esse fechamento do foco visual tem um sentido de concentrar a ordem figurativa nos elementos mínimos que expressam o máximo das paixões narrativas em jogo." "A expressão 'O espinho da rosa feriu Zé' perfaz a figura da ofensa enquanto o verso "E o sorvete gelou seu coração" figurativiza a insensibilização do sujeito que introjetou o poder fazer (poder se vingar). Agora, do ponto de vista modal, o sujeito está pronto para a ação." (TATIT, 2001, p. 168)
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