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MEMORIAL DO CONVENTO

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by

Cristiana Matos

on 26 May 2015

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Transcript of MEMORIAL DO CONVENTO

Introdução
Personagens - poder ou contrapoder?
Memorial do Convento - um romance histórico?
PERSONAGENS
MEMORIAL DO CONVENTO
O AMOR:
Baltasar/Blimunda vs. D. João V/D. Maria Ana Josefa
Baltasar, Blimunda e Bartolomeu - os três Bs
Bartolomeu, Baltasar, Blimunda – a trindade (B.B.B.) que, conjugando esforços e capacidades, realiza o sonho de voar, que é afinal o sonho humano de libertar o homem dos seus limites.
O conhecimento intelectual de Bartolomeu, o trabalho manual de Baltasar e a magia/vontade de Blimunda (ajudados pela arte de Domenico Scarlatti) tornam o sonho possível. Estas três personagens simbolizam então o sonho, a liberdade de amar e de acreditar para lá de todas as evidências, apresentando-se como o reverso de uma época onde o rei e o clero subjugam o povo para o cumprimento de um projeto megalómano.
Significado dos nomes Sete-Sóis e Sete Luas
“Quando isto fez pela primeira vez e Baltasar depois disse ao padre Bartolomeu Lourenço, Este ferro não serve, tem uma racha por dentro, Como é que sabes, Foi Blimunda que viu, o padre virou-se para ela, sorriu, olhou um e olhou outro, e declarou, Tu és Sete-Sóis porque vês às claras, tu serás Sete-Luas porque vês às escuras, e, assim, Blimunda (…) ficou sendo Sete-Luas” (pág. 94)

Simbolismo das personagens

Sete:
é um número mágico, aponta para uma totalidade (sete dias da criação do mundo, sete dias da semana, setes cores do arco-íris, sete pecados mortais);

Sol:
símbolo da vida, da força, do poder do conhecimento, daí que a morte de Baltasar no fogo da Inquisição signifique, também, o regresso às trevas, a negação do progresso;

O nome dado a Blimunda – Sete Luas – funciona como uma espécie de reverso do de Baltasar. Para além da presença do número sete em ambos, o Sol e a Lua completam-se: são a luz e a sombra que compõe o dia – Baltasar e Blimunda são, pelo amor que os une, um só. A relação entre os dois é subversiva, pois não existe casamento oficial e os dois têm os mesmos direitos, o que é inverosímil no século XVIII.
Conclusão
Dentre as cinco categorias da narrativa – ação, tempo, espaço, narrador e personagens – aparentemente, será a ação a mais importante, dado que sem a ação não há qualquer história para contar. No entanto, Saramago, nesta obra, serve-se da história das próprias personagens para ter matéria a tratar na sua narrativa. São as
personagens o fio condutor da narrativa
, como por exemplo, Baltasar que serve como elo entre as três linhas de ação principais – a construção do convento, a construção da passarola e a sua relação com Blimunda.
Para além disso, Saramago veste
cada personagem com as características da sociedade que pretende criticar
.
Em suma, é de destacar a especial importância das personagens, já que permitem a evolução da narrativa e a crítica social por parte do autor.

Quando no início da década de 80 José Saramago visitava o Convento de Mafra afirmou: "Um dia, gostava de poder meter isto num romance". Foi assim que o Memorial nasceu. Publicado pela primeira vez em 1982, o Memorial evoca a história portuguesa do reinado de D. João V, no século XVIII, procurando estabelecer ponte com a situação do país em meados do século XX.
Assim, Saramago criou uma narrativa histórica onde entrelaça personagens e acontecimentos verídicos com personagens conseguidas pela ficção. Tal permitiu-lhe contrastar as condições em que vivia a nobreza e o clero (representadas pelas personagens verídicas) com aquelas em que vivia o povo (personagens fictícias), subjugado e manipulado por estes.

O romance histórico é um tipo de narrativa ficcional em que, de maneira evidente, se manifestam as chamadas modalidades mistas de existência, o que significa que
personalidades, eventos, espaços que conhecemos ou podemos conhecer como históricos coexistem com personagens, eventos e espaços ficcionais
, havendo uma reconstrução fictícia de acontecimentos e costumes. Pode então concluir-se que o “Memorial do Convento” integra-se na conceção de romance histórico, uma vez que a realidade e ficção coexistem em íntima relação, constituindo um texto em que as fronteiras entre o histórico e o imaginário se esbatem a todo o momento, tal como afirma o autor/narrador neste mesmo romance
“(...) passando tempo, sempre se encontrará alguém para imaginar que estas coisas poderiam ter sido ditas, ou fingi-las, e, fingindo, passam então as histórias a ser mais verdadeiras que os casos verdadeiros que elas contam”.


Apesar disto, há quem
não aceite esta classificação
, argumentando que o ponto de vista do narrador altera o ponto de vista histórico, ou seja, Saramago contrapõe uma visão da história àquela que tinha sido imposta oficialmente, dando voz ao povo e centrando a ação nos relatos dos atos por ele realizados, convidando-nos a uma reflexão, contrariando, assim, a usual aceitação dogmática da História do país. Nesta perspetiva, Memorial do Convento surge-nos, antes como um
romance social
- preocupa-se com a realidade social portuguesa da época,
de intervenção
- visa denunciar a história repressiva vivida em Portugal, e
de espaço
- traduz vários quadros sociais que permitem um melhor conhecimento do ser humano.
As personagens estão divididas em dois grandes grupos - o grupo do poder e o grupo do contrapoder. Esta divisão é muito importante pois permite que haja uma crítica geral ao grupo do poder, e também uma denúncia por parte do grupo do antipoder ao primeiro.

Grupo do poder:
Este grupo é constituído pelo clero e nobreza, classes estas que se apresentam sempre aliadas, e representa as entidades governantes e possuidoras do poder na altura, ainda que estejam em minoria.

Grupo do contrapoder:
As personagens pertencentes a este grupo representam a grande franja da sociedade da época, o povo, que tentam denunciar as condições de miséria em que viviam, a tirania e a manipulação que sofriam por parte do grupo do poder.

GRUPO DO PODER
D. Maria Bárbara
GRUPO DO CONTRAPODER
POVO - O HERÓI COLETIVO
No plano oposto ao das classes dominantes, clero e nobreza, encontra-se o herói coletivo e anónimo que o narrador explicitamente anuncia querer imortalizar. ("já que não podemos falar-lhes das vidas, por tantas serem, ao menos deixemos os nomes escritos, é essa a nossa obrigação, só para isso escrevemos, torná-los imortais, pois aí ficam, se de nós depende.")
Manuel Milho
“O meu nome é Manuel Milho, venho dos campos de Santarém, um dia os oficiais do corregedor passaram por lá com pregão de haver bom jornal e bom passadio nestas obras de Mafra, vim eu, e mais alguns (...)”
José Pequeno
“O meu nome é José Pequeno, não tenho pai, nem mãe, nem mulher que minha seja, nem sei sequer se o nome certo é este, ou se tive algum antes, apareci numa aldeia ao pé de Torres Vedras, pelo seguro, o vigário batizou-me, José é o nome de piam o Pequeno puseram-mo depois, porque não cresci muito, com esta corcunda às costas nenhuma mulher me quis para viver (...) se a Mafra vim foi porque gosto de trabalhar com os bois (...)”

Joaquim da Rocha
“Chamo-me Joaquim da Rocha, nasci no termo de Pombal, lá tenho a família, só a mulher, filhos tive quatro, mas todos morreram antes de fazerem 10 anos (...) tinha lá um cerrado de renda, mas o ganho não dava para comer, então disse à mulher, Vou para Mafra, é trabalho garantido e por muitos anos, enquanto durar durou (...)”

João Anes
“O meu nome é João Anes, vim do Porto e sou tanoeiro, também para construir um convento são precisos tanoeiros (...) deixei a família no Porto, lá se vão governando, há dois anos ue não vejo a mulher”

“é o único oficial de um ofício (...)”

“analfabetos todos, menos João Anes, que tem algumas letras (...)”


Francisco Marques
“O meu nome é Francisco Marques, nasci em Cheleiros, que é aqui perto de Mafra, umas duas éguas, tenho mulher e três filhos pequenos, toda a minha vida foi trabalhar de jornal, e, como da miséria não via jeito de sair , resolvi vi trabalhar para o convento, que até foi um frade da minha terra o da promessa (...)”

Julião Mau-Tempo
“O meu nome é julião Mau-Tempo, sou natural do Alentejo e vim trabalhar para Mafra por causa das grandes fomes de que padece a minha província (...) eu se vim para Mafra foi porque o vigário da minha freguesia apregoava nas igrejas que quem viesse passava a ser criado de el-rei (...) e que os criados (...)não sofrem privações de boca e andam com as carnes tapadas (...) afinal saiu-me tudo mentira (...) se não consigo morrer de fome é porque gasto tudo o que ganho, roto ando como andava (...) um homem se tem filhos, também se alimenta de ver a cara deles, bom era que se alimentassem eles de ver a nossa cara (...)”

História
Monarca português, vigésimo quarto rei de Portugal, tendo o seu reinado durado de 1707 até à sua morte em 1750.
Nasceu a 22 de Outubro de 1689 e foi aclamado rei a 1 de janeiro de 1707.
Casou a 9 de julho de 1708 com D.Maria Ana Josefa da Áustria, irmã do imperador austríaco Carlos III.
D. João V teve 11 filhos, dos quais 5 eram ilegítimos.

Obra
É caracterizado como:
-
Megalómano
(”(…) farei construir um convento de franciscanos na vila de Mafra”);
- Religioso fanático que submete o seu país ao cumprimento de uma promessa pessoal e que assiste ao autos de fé;
-
Falso católico
e
marido leviano
(“(...) de el-rei não falemos, que sendo tão moço ainda gosta de brinquedos, por isso se diverte tanto com as freiras nos mosteiros e as vai emprenhando, uma após outra, ou várias ao mesmo tempo, que quando acabar a sua história se hão-de contar por dezenas os filhos assim arranjados (…)”;
-
Egocêntrico
(“E então D. João V disse, A sagração da basílica de Mafra será feita no dia vinte e dois de Outubro de mil setecentos e trinta, tanto faz que o tempo sobre como falte, venha sol ou venha chuva, caia a neve ou sopre o vento, nem que se alague o mundo ou lhe dê o tranglomango”).
D. João V
História
Arquiduquesa da Áustria, nasceu a 7 de setembro de 1683 e morreu a 14 de agosto de 1754. Foi rainha consorte de Portugal de 1708 a 1750, enquanto mulher de D. João V de Portugal. Deste casamento teve 6 filhos.
Era uma pessoa muito culta.

Obra
- Apresenta-se-nos como uma mulher cuja única função é dar herdeiros legítimos ao reino para glória deste e alegria de todos (“O cântaro está à espera da fonte.”; “(…) sendo a mulher, naturalmente, vaso de receber (…)”)
- Vive um casamento de aparências, um casamento caracterizado pela falta de afeto, onde as regras e formalidades se estendem, até ao leito conjugal;
- Satisfaz pelo sonho a frustração e vazio da sua vida (“São meandros do inconsciente real, como aqueles outros sonhos que sempre D. Maria Ana tem, vá lá explicá-los, quando (…) o infante D. Francisco (…) dança em redor dela, empoleirado em andas, como uma cegonha negra.”);
- É uma mulher sufocada pelo peso da religião e do dever, com sentimentos de culpa e pecado (“Ainda que insistentemente tranquilizada pelo confessor tem D. Maria Ana grandes escrúpulos de alma. (…) Seria sua obrigação levantar-se para as últimas orações, mas contenta-se com murmurá-las infinitamente(…)”).

D. Maria Ana Josefa
História

Maria Xavier Francisca Leonor Bárbara, filha de D. João V e de D. Maria Ana, nasceu em Lisboa a 4 de dezembro de 1711 e veio a falecer em Aranjuez em 27 de agosto de 1758.






“(...) já el-rei lhe fez outro infante, este, sim, será rei (...)”

“ (...) calhou ser o nosso José, agora com quinze anos, a fazer (...)”

- É o frade que alega ter tido a premonição de que se o rei mandar construir um convento franciscano lhe será dado um herdeiro;

“Se vossa majestade prometesse levantar um convento na vila de Mafra, Deus lhe daria sucessão”

- A existência deste herdeiro é já conhecida por parte do clero, através do confessionário

“(...) quanto a D. Maria Ana, é de crer que esteja rogando os mesmo favores, se porventura não tem motivos particulares que os dispensem e sejam segredo do confessionário”; “(...), aliás milagre não tanto, mas simples obséquio divino, descimento de olhar piedoso e propiciatório para um ventre sáfaro, (...) mas é justamente tempo de mencionar veros e certificados milagres que, por virem da mesma e asdentíssima sarça franciscana, bem auguram da promessa do rei.”




Obra

- Filha primogénita do casal real e, portanto, o motivo da construção do convento, embora nunca o tenha visitado (“(...) em Mafra sei que se constrói um convento por causa do voto e que fui parte, e nunca ninguém de cá me levou a vê-lo”);
- Vai para Espanha com “dezassete anos feitos”, para se casar com o infante D.Fernando, “aqui estou indo para Espanha, donde não voltarei”. Tem “cara de lua cheia, bexigosa como foi dito, mas é uma boa rapariga, musical a quanto pode chegar uma princesa (…)”;
- É a figura real tratada com maior benevolência.

Frei António de S. José
Baltasar Sete-Sóis
- É-nos apresentado como um herói pícaro*;
- Foi soldado na guerra, onde perdeu a mão esquerda. Sem salário, decide dar rumo a uma vida aventureira: "pedia esmola em Évora para juntar as moedas que teria de pagar ao ferreiro e ao seleiro se queria ter o gancho de ferro que lhe havia de fazer as vezes da mão”, mata um homem que o quis roubar e conhece João Elvas, rufia e antigo soldado;
- Tem uma atitude bastante persistente e perfecionista, apesar do seu estado físico. Quando começa com um projeto exige que este fique perfeito, como aconteceu com a passarola, que acabou por construir, o que demonstra uma certa teimosia, mas também que ele é alguém verdadeiro e que gosta de ajudar – o projeto da passarola não era seu, mas lutou para conseguir realizar o sonho do padre Bartomoleu Lourenço;
- Chega até a ser “divinizado” pela construção da passarola ("maneta é Deus, e fez o universo. (...) Se Deus é maneta e fez o universo, este homem sem mão pode atar a vela e o arame que hão-de voar. "). Para além disso, ajuda ainda na construção do Convento;
- É uma personagem tipo, pois representa um estatuto social, o povo;
- É ainda a metáfora da mudança, da evolução do ser humano e da perseguição do sonho.

Caracterização física de Baltasar
“Este que por desafrontada aparência, sacudir da espada e desaparelhadas vestes, ainda que descalço, parece soldado, é Baltasar Mateus, o Sete-Sóis”
“E vossemecê, que idade tem, e Baltasar respondeu, Vinte e seis.”
“Bartolomeu Lourenço não respondeu, apenas o olhou a direito, e assim ficaram parados, o padre um pouco mais baixo e parecendo mais novo, mas não, têm ambos a mesma idade, vinte e seis anos”
“(…) só quero olhar para ti, cara escura e barbada, olhos cansados, boca que é tão triste, mesmo quando estás ao meu lado deitado e me queres”

Envelhecimento de Baltasar
“Voltou o matriculador, vem de boa cara, Como é que te chamas, e pega na pena de pato, molha-a na tinta castanha, afinal valeu a pena ter falado Álvaro Diogo, ou por ser da terra o pretendente, ou por estar na força da vida, trinta e nove anos, embora com alguns cabelos brancos”
“(…) Jesus, como o tempo passou, como eu me tornei velho (…) Tens a barba cheia de brancas, Baltasar, tens a testa carregada de rugas, Baltasar, tens encorreado o pescoço, Baltasar, já te descaem os ombros, Baltasar, nem pareces o mesmo homem”
Importância de Baltasar na obra
Como já foi referido, Baltasar é uma das personagens centrais da obra, destacando-se, portanto, a sua importância na história. Esta simples personagem do povo é o fio condutor da narrativa, pois participa nas três linhas de ação da obra – a construção do convento, construção da passarola e relação com Blimunda. Assim, é um dos fatores que permite que haja uma ligação entre estas três vertentes da história da obra.


Crítica social
Saramago faz uso de Baltasar, não para o criticar a si, mas àqueles que têm poder sobre a classe que ele representa – o povo. O alvo da crítica são a nobreza e toda a desumanidade existente na guerra, visto que assim que Baltasar perdeu a mão, foi dado como inútil e mandado embora do exército.
É ainda uma crítica geral às condições em que o povo vivia, na opressão e na miséria, visto que através do percurso de Baltasar é possível conhecer diversas “facetas” da sociedade setecentista.
- Ex-soldado, foi afastado do exército por falta de serventia e sobrevive de esmolas;
- É o representante dos sem abrigo, dos rejeitados, simbolizando a mendicidade;
- É ele quem desvenda toda a violência e criminalidade que preenchem a capital portuguesa ("Isto é terra de muito crime, morre-se mais que na guerra", "A guerra ainda é uma criança"; esta última é a resposta a Baltasar depois deste dizer "Na guerra há mais caridade").

Blimunda Sete-Luas
- É uma mulher do povo, a quem o Padre Bartolomeu, batiza de “Sete-Luas”;
- Possui o dom de, em jejum, ver o interior das pessoas e das coisas, o que lhe permite recolher as duas mil “vontades”, indispensáveis ao funcionamento da passarola;
- Esta personagem vive um amor apaixonado, franco e leal com Baltasar - o seu complemento;
- Filha de Sebastiana Maria de Jesus;
- Vai ajudar na construção da passarola e partilhar com Baltasar as alegrias, tristezas e preocupações da vida;
- Por amar Baltasar, Blimunda recusa usar a magia para conhecer o seu interior;
- O poder de Blimunda permite, simultaneamente, curar e criar, ver o que está no mundo, as verdades mais profundas que o sustentam.
Crítica social
Com esta personagem, Saramago, pretende desvendar a falsidade, oportunismo e hipocrisia do clero, colocando-nos, desde já a par das intenções deste grupo social. Para além disso, pretende ainda evidenciar a quebra do sigilo do confessionário.

“(...) morrerá o infante D. Pedro quando chegar à mesma idade (dois anos)”
D. Pedro
Caracterização física
• Cabelos pesados, espessos e de cor mel sombrio (“os pesados, espessos cabelos de Blimunda, cor de mel sombrio”)
• Olhos de cor indeterminada. (“porque olhos como estes nunca se viram, claros de cinzento, ou verde, ou azul, que com a luz de fora variam…”)

“…e de cada vez que ela o olha a ele sente um aperto na boca do estômago, porque olhos como estes nunca se viram, claros de cinzento, ou verde ou azul, que com a luz de fora variam ou o pensamento de dentro, e às vezes tornam-se negros noturnos ou brancos brilhantes como lascado carvão de pedra.”
“…sem os teus olhos, Blimunda, não haveria passarola, (…)”

D. Pedro III


“(...) vem com a Infanta D. Maria Bárbara, mais o Infante D. Pedro, este é outro, com o mesmo nome do primeiro (...)”

João Elvas
D. José I
Marta Maria
, mãe de Baltasar, é quem recebe o seu filho e Blimunda em sua casa, quando estes vão, pela primeira vez, juntos a Mafra.

“Quando Baltasar empurrou a porta e apareceu à mãe, Marta Maria, que é o seu nome, abraçou-se ao filho, abraçou-o com uma força que parecia de homem e era só do coração.”

“Não passara Blimunda de entreportas, à espera da sua vez, e a velha não a via, mais baixa que o filho, além de estar a casa muito escura.”

João Francisco
, pai de Baltasar, é um homem do povo cuja subsistência depende da agricultura.

“(…) pai de Baltasar, de seu nome João Francisco, filho de Manuel e Jacinta, aqui nascido em Mafra, sempre nela vivendo, nesta mesma casa à sombra da igreja de Santo André e do palácio dos viscondes, e, para ficar a saber-se mais alguma coisa, homem tão alto como o filho, agora um tanto curvado pela idade e também pelo peso do molho de lenha que metia para dentro de casa.”

João Francisco e Marta Maria
Sebastiana Maria de Jesus
Sebastiana é a
mãe de Blimunda
.

“(…) e esta sou eu, Sebastiana Maria de Jesus, um quarto de cristã-nova, que tenho visões e revelações, mas disseram-me no tribunal que era fingimento, que ouço vozes do céu, mas explicaram-me que era efeito demoníaco, que sei que posso ser santa como os santos o são, ou ainda melhor, pois não alcanço diferença entre mim e eles, mas repreenderam-me de que isso é presunção insuportável e orgulho monstruoso, desafio a Deus, aqui vou blasfema, herética, temerária, amordaçada para que não me ouçam as temeridades, as heresias e as blasfémias, condenada a ser açoitada em público e a oito anos de degredo no reino de Angola, e tendo ouvido as sentenças, as minhas e mais de quem comigo vai nesta procissão, não ouvi que se falasse da minha filha, é seu nome Blimunda (…)”


São dois irmãos do rei D. João V. É feita referência a D. Miguel no episódio do naufrágio da vela onde ia este e D. Francisco, sendo que D. Miguel acaba por morrer.

“(…) naufragando o barco em que vinham de caçar na outra banda do Tejo o infante D. Francisco e o infante D. Miguel, ambos manos de el-rei, deu-lhes uma rajada de vento sem avisar e virou-lhes a vela, caso foi ele que morreu D. Miguel e se salvou D. Francisco, quando honrada justiça seria o contrário, conhecidas como são as maldades deste, desencaminhar a rainha, cobiçar o trono de el-rei, dar tiros em marinheiros, ao passo que do outro não constam, ou são de somenos.”

“Prouvera que ele morra, que eu quero ser rei e dormir com vossa majestade, já estou farto de ser infante.”


História
Bartolomeu Lourenço de Gusmão nasceu em dezembro de 1685, no Brasil, e morreu a 18 de novembro de 1724, em Espanha. Foi um sacerdote e cientista, famoso por ter inventado o primeiro aeróstato, a que se chamou “passarola”, sendo então cognominado “o padre voador”.
Bartolomeu Lourenço de Gusmão
D. Francisco e D. Miguel
Crítica social
Com D. Francisco, Saramago pretende criticar a falta de lealdade entre a família real e o egoísmo. Por outro lado, ao contrastar D. Francisco e D. Miguel durante o episódio do naufrágio, o autor tem como propósito criticar as injustiças da vida, e dar ênfase à má personalidade de D. Francisco.
Obra
Bartolomeu representa a ciência na obra, sendo ele quem tem o sonho de voar e construir a passarola. Para conseguir concretizar o seu sonho, pede a colaboração de Baltasar e, consequentemente, de Blimunda, no seu projeto.

Caracterização física
“Bartolomeu Lourenço não respondeu, apenas o olhou a direito, e assim ficaram parados, o padre um pouco mais baixo e parecendo mais novo, mas não, têm ambos a mesma idade, vinte e seis anos (…)”

Caracterização psicológica
Bartolomeu é ambicioso e perfecionista, e também um grande orador.

“Esforça-se o padre na oratória, tanto mais que logo li está quem o ouça, mas, ou por efeito intimidativo da passarola ou por frieza egoísta dos auditores, ou por faltar o ambiente eclesial, as palavras não voam, não retumbam, enredam-se umas pelas outras, parece impróprio que tenha o padre Bartolomeu Lourenço tão grande fama de orador sacro, ao ponto de o terem comparado ao padre António Vieira, que Deus haja e o Santo Ofício houve.”

É persistente e lutador pelos seus objetivos.

“Regressou o padre Bartolomeu Lourenço da Holanda, se sim ou não trouxe o segredo alquímico do éter, mais tarde o saberemos.”; “(…)que é terra de muitos sábios, e lá se aprende a arte de fazer descer o éter do espaço, de modo a introduzi-lo nas esferas, porque sem ele nunca a máquina voará.”


D. Filipe e D. Isabel são os reis de Espanha, pais de Mariana Vitória e Fernando, sendo que estes se casarão com os príncipes de Portugal – Mariana com D. José e Príncipe Fernando com D. Maria Bárbara. (“(…) toma lá Bárbara, dá cá Mariana.”)

"A real de Espanha é uma. A de Portugal é outra. Casam-se filhos daquela com filhos desta, da banda deles vem Mariana Vitória, da banda nossa vai Maria Bárbara, os noivos são o José de cá e o Fernando de lá, respetivamente, como se costuma dizer"

"(...) virá Mariana Vitória, uma garotinha de onze anos (...). Dos prazeres de Mariana Vitória não há muito que dizer, gosta de bonecas, adora confeitos, nem admira, está na idade, mas já é habilíssima caçadora, e, crescendo estimará a música e a leitura"

“Espera-a [a Maria Bárbara] um noivo que é mais novo dois anos, o tal Fernando, que será o sexto da tabela espanhola e de rei pouco mais terá que o nome(…)”


D. Filipe e D. Isabel
Mariana Vitória e Fernando
Inicialmente consegue o apoio do rei para a construção da passarola (“(…)mora o padre cerca do paço e ainda bem, pois frequenta (…),nem todos se podem gabar destes favores.”)
Crítica social
Saramago pretende criticar, principalmente, a falta de sentimento envolvida no casamento dos príncipes e as uniões protocolares. Quando as trocas se deram, todos eles eram ainda muito novos sem ter qualquer poder de decisão sobre a situação. Tudo se tratou de uma questão e interesses políticos por parte dos reis.
“Não são combinações do pé para a mão, os casamentos estão feitos desde mil setecentos e vinte e cinco.”
“Muita conversa, muito embaixador, muito regateio, muitas idas e vindas de plenipotenciários, discussões sobre cláusulas dos contratos de matrimónio, as prerrogativas, os dotes das meninas.”
História
Domenico Scarlatti, filho do famoso Alessandro Scarlatti, foi um dos mais notáveis músicos italianos do século XVIII. Nasceu em Nápoles em 1685 e morreu em 1757.


Obra
“Homem de completa figura, rosto comprido, boca larga e firme, olhos afastados e nascido em Nápoles há 35 anos”.

Foi convidado para cuidar da educação musical da infanta D. Maria Bárbara (“Está a menina sentada ao cravo, tão novinha ainda não fez nove anos e já grandes responsabilidades lhe pesam sobre a redonda cabeça, aprender a colocar os dedinhos curtos nas teclas certas, (…) e vem de Londres contratado Domenico Scarlatti.”)
“(…) padre frei Boaventura de S. Gião, censor do paço (…)”


Domenico Scarlatti
Frei Boaventura de S.Gião
Irmão da rainha e Imperador da Áustria. Morre de doença.

“D. Maria Ana não irá hoje ao auto-de-fé. Está de luto pelo seu irmão José, o Imperador da Áustria, que em pouquíssimos dias o tomaram as bexigas, verdadeiras, e morreu delas, tendo somente trinta e três anos…”
José, Imperador da Áustria
Domenico era solidário e amigo de Blimunda e Baltasar, pois quando Blimunda estava doente, este tocou para ela de forma a curá-la. (“Durante uma semana, todos os dias, sofrendo o vento e a chuva pelos caminhos alagados de S. Sebastião da Pedreira, o músico foi tocar duas, três horas, até que Blimunda teve forças para levantar-se, sentava-se ao pé do cravo, pálida ainda, rodeada de música como se mergulhasse num profundo mar.”)

Crítica social
Saramago critica a Inquisição chefiada pelo clero.

Para além disso, avisou-os ainda quando o padre Bartolomeu morreu (“Vim-te dizer, e a Baltasar, que o padre Bartolomeu de Gusmão morreu em Toledo, que é em Espanha, para onde tinha fugido, dizem que louco, e como não se falava de ti nem de Baltasar, resolvi vir a Mafra saber se estavam vivos.”)

História

Nasceu em Lisboa em dezembro de 1664 e morreu, também em Lisboa, em dezembro de 1750. Foi Mestre das Artes em Coimbra e formou-se aí, na Universidade de Coimbra em Direito Canónico, tendo também exercido as funções de cónego da Sé. Foi ainda membro do Conselho de Estado e Inquisidor-mor dos Reinos de Portugal e Algarves. Foi designado bispo de Elvas (1705), cargo que recusou, tendo em compensação recebido o título de bispo-titular de Targa. Bispo inquisidor: O Inquisidor-geral ou Grande inquisidor (em latim Inquisitor generalis) era a máxima autoridade oficial da Inquisição.

Na obra

É o bispo inquisidor.

“Mas vem agora entrando D. Nuno da Cunha, que é bispo inquisidor, e traz consigo um franciscano velho…” (cap. II)

Importância de D. Nuno da Cunha

D. Nuno da Cunha foi quem apresentou Frei António de S. José ao rei, fomentando a terceira linha de ação – a construção do convento.
Nota:
Ao curar Blimunda, ajudou a concluir a construção da passarola, simbolizando, assim, a arte, a estética e a cultura.
D. Nuno da Cunha
Álvaro Diogo, Inês Antónia e Gabriel

“(…) a irmã de Baltasar, única, casou-se e já tem dois filhos, chama-se Álvaro Pedreiro o homem dela, puseram-lhe o ofício no nome (…)”

“Ao outro dia vieram a festejar a chegada, e a conhecer a nova parenta, Inês Antónia, irmã de Baltasar, e o marido, que afinal se chama Álvaro Diogo. Trouxeram os filhos, um de quatro anos, outro de dois, só o mais velho vingará, porque ao outro hão-de levá-lo as bexigas antes de passados três meses.”

“(…) ou não cairia Álvaro Diogo de trinta metros daqui a poucos meses (…)”

Ludovice é o arquiteto do Convento de Mafra; é calculista, e procura o máximo de riqueza possível.

“ (…) D. João V mandou chamar o arquitecto de Mafra, um tal João Frederico Ludovice, que é alemão escrito à portuguesa, (…) e este Ludovice, que enquanto viveu em Itália se chamou Ludovisi, assim já por duas vezes abandonando o nome familiar de Ludwig, sabe que uma vida, para ser bem-sucedida, haverá de ser conciliadora, sobretudo por quem a viva entre os degraus do altar e os degraus do trono.”

João Frederico Ludovice
(3º filho)
(2º filho)
(4º filho)
OS SONHOS
Baltasar/Blimunda
"Nessa noite Baltasar sonhou que andava a lavrar com uma junta de bois todo o alto
da Vela e que atrás dele ia Blimunda espetando no chão penas de aves, depois estas
começaram a agitar-se como se fossem levantar voo, capaz a terra de ir com elas, surgiu o
padre Bartolomeu Lourenço com o desenho na mão a apontar o erro que tinham
cometido, vamos voltar ao princípio, e a terra apareceu outra vez por lavrar, estava
Blimunda sentada e dizia-lhe, Vem-te deitar comigo, que já comi o meu pão. Era ainda
noite fechada, Baltasar acordou, puxou para si o corpo adormecido, morna frescura
enigmática, ela murmurou o nome dele, ele disse o dela, estavam deitados na cozinha, sobre
duas mantas dobradas, e silenciosamente, para não acordarem os pais que dormiam na casa
de fora, deram-se um ao outro."

D. João V/D. Maria Ana Josefa
"(...) como aqueles outros sonhos que sempre D. Maria
Ana tem, vá lá explicá-los, quando el-rei vem ao seu quarto, que é ver-se atravessando o
Terreiro do Paço para o lado dos açougues, levantando a saia à frente e patinhando numa
lama aguada e pegajosa que cheira ao que cheiram os homens quando descarregam,
enquanto o infante D. Francisco, seu cunhado, cujo antigo quarto agora ocupa, alguma
assombração lhe ficando, dança em redor dela, empoleirado em andas, como uma cegonha
negra. Também deste sonho nunca deu contas ao confessor (...)"
"Também D. João V sonhará esta noite. Verá erguer-se do seu sexo uma árvore de
Jessé, frondosa e toda povoada dos ascendentes de Cristo, até ao mesmo Cristo, herdeiro
de todas as coroas, e depois dissipar-se a árvore e em seu lugar levantar-se, poderosamente,
com altas colunas, torres sineiras; cúpulas e torreões, um convento de franciscanos (...)"
AS FIDELIDADES
Baltasar/Blimunda
D. João V/D. Maria Ana Josefa
"O frade tacteou os pés de Blimunda, afastou-lhe devagarinho as
pernas, para um lado, para o outro, (...) jubiloso o frade empurra o membro para a invisível fenda, jubiloso sente que os braços da mulher se fecham nas suas costas, há grandes alegrias na vida de um dominicano. Empurrado pelas duas mãos, o espigão enterra-se entre as costelas, aflora por um instante o coração, depois continua o seu trajecto (...)"
"Durante nove anos, Blimunda procurou Baltasar. Conheceu todos os caminhos do
pó e da lama, a branda areia, a pedra aguda, tantas vezes a geada rangente e assassina, dois
nevões de que só saiu viva porque ainda não queria morrer."
"Nove anos procurou Blimunda. Começou por contar as estações, depois perdeu-lhes
o sentido. Nos primeiros tempos calculava as léguas que andava por dia, quatro, cinco, às
vezes seis, mas depois confundiram-se-lhe os números, não tardou que o espaço e o tempo
deixassem de ter significado, tudo se media em manhã, tarde, noite, chuva, soalheira,
granizo, névoa e nevoeiro, caminho bom, caminho mau, encosta de subir, encosta de
descer, planície, montanha, praia do mar, ribeira de rios, e rostos, milhares e milhares de
rostos (...)"
"Enfim, el-rei abriu os olhos, escapou, não foi desta, mas fica com as pernas frouxas, as mãos
trémulas, o rosto pálido, nem parece aquele galante homem que derruba freiras com um
gesto, e quem diz freiras diz as que o não são, ainda o ano passado teve uma francesa um
filho da sua lavra, se agora o vissem as amantes reclusas e libertas não reconheceriam neste
murcho e apagado homenzinho o real e infatigável cobridor."
O ENCONTRO
AS RELAÇÕES
Trabalho elaborado por:
Cristiana Matos nº4 12ºA
Fábio Ferreira nº6 12ºA
Susana Pereira nº19 12ºA
Tânia Nabais nº20 12ºA
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