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Memorial do Convento, Capítulo XXIII

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by

David Alves

on 24 May 2016

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Transcript of Memorial do Convento, Capítulo XXIII

"À frente, por serem de
maior grandeza corporal
(...) vão S.Vicente e Sebastião,
ambos mártires
, embora do martírio daquele não se veja outro sinal que a
simbólica palma
(...) ao passo que o outro santo se apresenta na conhecida
nudez
,
atado à árvore
, com aqueles mesmos
buracos de horríveis feridas
..."
Assuntos abordados no capítulo XXIII
Procissão dos dezoito santos que serão levados para o convento de Mafra (1º a 5º parágrafo e 10ªparágrafo);
Deslocação dos trinta noviços que partiram de S.José de Ribamar até Mafra (6º a 10ºparágrafo);
"Memorial do Convento", de José Saramago
Capítulo XXIII

Regresso de Baltasar a casa após o transporte dos santos até Mafra (11ºe 12º parágrafo);
Ida de Baltasar e Blimunda, durante a noite, ao convento para observar as estátuas dos santos (13º a 16º parágrafo);
Regresso do casal a casa e anúncio de Baltasar da sua deslocação ao Monte Junto para observar o estado do passarola (17º e 18º parágrafo);
Viagem de Baltasar até Monte Junto e posterior queda da personagem no interior passarola, o que provocou o voo da mesma (19º a 21º parágrafo).
Linha de Ação da gente que construiu o convento (povo)

''
Era uma vez a gente que contruiu esse convento.''
Linha de Ação do amor entre Baltasar e Blimunda

''
Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes.''
Linha de Ação do amor entre Baltasar e Blimunda

"Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes.''
Os dezoito santos trasnportados até ao convento de Mafra
As "... dezoito estátuas em dezoito carros...", transportadas por "...juntas de bois à proporção, homens às cordas na conta do já sabido...", a quem José Saramago atribui especial atenção no início do 23º capítulo são as estátuas de:
S.Vicente e S.Sebastião;
Santa Isabel Rainha da Hungria, Santa Clara e Santa Teresa;
S.Francisco;
S.Domingos e S.Inácio;
S.Bento, S.Bruno e S.Bernardo;
S. João de Deus;
João da Mata, Francisco de Paula, Caetano, Félix de Valois, Pedro Nolasco e Filipe Neri.
S.Vicente e S.Sebastião

"...S.Vicente e S.Sebastião,
quase cinco metros de altura
,
gigantões atléticos
,
hércules cristãos
,
campeões da fé
, olhando lá do alto (...) o vasto mundo..."
Página

321
/
357
Página

323
/
359
S. Vicente
S.Sebastião
Santa Isabel Rainha da Hungria, Santa Clara e Santa Teresa
"Logo a seguir vêm as damas,
três graças preciosas
, a
mais bela
de todas Santa Isabel Rainha da Hungria, que
morreu na idade de vinte e quatro anos apenas
, e depois Santa Clara e Santa Teresa,
mulheres muito apaixonadas
, que
em fogo interior arderam
..."
Página

321
/
357
S. Isabel Rainha da Hungria
S. Clara
S. Teresa
"... entre S.Vicente e S.Sebatião estão as três santas, Isabel, Clara, Teresa,
parecem minorcas
ao pé deles, mas
as mulheres não se medem aos palmos
..."
Página

327
/
364
S.Francisco
"Quem
bem chegado
vem
a Santa Clara
é S.Francisco, não admira a preferência,
conhecem-se desde Assis
, encotram-se agora neste caminho de Pintéus,
de pouco valeria a amizade, ou lá o que foi o que os uniu
..."
Página

321
/
357
"... por ser, de todos os santos que vão nesta leva,
o de mais feminis virtudes
, de
coração manso
e
alegre vontade
..."
Página(s)

321
/
357 e 358
"... S.Francisco de Assis, que
merecia estar em luz plena
,
ao pé da sua Santa Clara
, prouvera
não se veja nesta insistência nenhuma insinuação de comércio carnal
, e depois, se o tivesse havido, que é que tinha, não é por isso que as pessoas deixam de ser santas, e
com isso é que os santos ficam pessoas.
"
Página

331
/
368
S. Francisco
S.Domingos e S. Inácio
"
"... também em lugar certo vêm S.Domingos e Santo Inácio, ambos
ibéricos
e
sombrios
, logo
demoníacos
(...)
um santo
seria
capaz de inventar a inquisição
e
outro santo
a
modelação das almas
."
Página

321
/
358
S. Domingos
S. Inácio
S.Bento, S.Bruno e S.Bernardo
"Quer-se um santo
dedicado ao trabalho da horta e ao cultivo da letra
, temos
S.Bento
. Quer-se outro de
vida austera
,
sábia
e
mortificada
, avance
S.Bruno
. Quer-se ainda outro para
pregar cruzadas velhas
e
reunir cruzados novos
, não há melhor que
S.Bernardo
. Vêm
os três juntos
, talvez por
parecenças de rosto
, talvez porque as
virtudes de todos
, somadas,
fariam um homem honesto
, talvez
por terem nos nomes a mesma primeira letra
, não é raro juntarem-se as pessoas por acasos desses..."

Página

322
/

358
S. Bento
S. Bruno
S. Bernardo
S.João de Deus
"... Baltasar, é boeiro de uma das juntas que vão puxando S.João de Deus,
único santo português da confraria desembarcada da Itália
em Santo António do Tojal...""

Página

322
/

358
S. João de Deus
João da Mata, Francisco de Paula, Caetano, Félix de Valois, Pedro Nolasco e Filipe Neri
"Atrás de S.João de Deus (...) segue uma meia dúzida doutros
bem-aventurados
de
menos resplandecência
,
sem menosprezo dos muitos atributos e virtudes que os exornam
(...) são
vítimas
todos estes santos,
por sua menor significância
reduzidos aos nomes, João da Mata, Francisco de Paula, Caetano, Félix de Valois, Pedro Nolasco, Filipe Neri, enunciados assim parecem
homens comuns
..."

Página(s)
322
/
358 e 359
João da Mata
Francisco de Paula
Caetano
Félix de Valois
Pedro Nolasco
Filipe Neri
"...vai
cada qual no seu carro
, e
não a esmo
,
deitadinhos
como os outros de cinco estrelas
em macio leito de estopa
,

e
sacos de folhelho
, desta maneira não se amarrota a prega nem se torce a orelha, são esta as fragilidades do mármore..."
Página

322
/
359
"Já passámos Pintéus, vamos no caminho de Fanhões (...) porém
não é isto aventura que se compare com a pedra de Benedictione
, são coisas que só podem acontecer uma vez na vida..."
Página

323
/
359
"As populações vêm ao caminho festejar a passagem, só estranham ver os santos deitados (...) parou o cortejo porque os moradores quiseram saber, nome por nome, quem eram os santos que ali iam (...) Foi o pároco da terra chamado à ciceronia, mas
não soube dar boa conta do recado
, porque nem todas as estátuas tinham visível o nome do pedestal, e em muitos casos
por aí se ficaria a ciência identificadora do padre
..."
Página(s)

323
/
359 e 360
"... S. Félix de Valois, que foi educado por S.Bernardo, que vai lá a frente, e fundou com S.João da Mata, que aí vem atrás, a ordem dos trinitários..."

Página

323
/
360
Adulteração do provérbio "Os homens não se medem aos palmos"
Comparação
Viagem dos trinta noviços até ao convento de Mafra
"Menos boa a têm os noviços do convento de S.José de Ribamar (...) a estas horas palmilhando o caminho para Mafra, por orgulho ou transposta mortificação do seu provincial."
Página

324
/
361
"...o provincial respondeu (...)
ardendo em santo escrúpulo
(...) vão a pé, para exemplo e edificação dos povos, não são mais que Nosso Senhor, que só uma vez é que andou de burro.
Com argumentos de tal substância, retirou D.João V a oferta dos coches, como já retirara a das faluas, e os noviços (...) partiram do convento de S.José de Ribamar (...) com seu mestre frei Manuel da Cruz, e outro frade de guarda, frei José de Santa Teresa."
Página(s)

325
/
361 e 362
"Meia légua andada, por obra de topada, daquelas que
abrem boca na cabeça do dedo grande
, ou aresta assassina (...) já
os pés dos mais delicados sangravam
,
rasto de pias e vermelhas flores
, seria um lindo quadro católico se não fosse o
frio tanto
(...) Iam rezando (...) anestésico prescrito para todas as dores da alma, porém, estas são do corpo, um par de sandálias substituiria com proveito a mais eficaz das orações..."
Página(s)
325 e 326
/
362
"... na descida para Cheleiros, viram uma cruz de pau à beira do caminho, sinal de ali ter morrido gente (...) ajoelharam-se o frades e os noviços, em coro disseram a oração,
coitados
, esta sim, é
caridade suprema
, rezar por quem não se conhece, assim de joelhos veem-se-lhes as
solas dos pés
,
tão castigadas
,
tão sangrentas
,
tão doloridas e sujas
, são a
parte mais comovente do corpo humano
..."
Página(s)

326 e 327
/
363
"Entraram assim em Mafra,
recebidos triunfalmente
,
tão magoadinhos dos pés
,
tão transportados de fé no desvairo dos olhares
, ou será fome, que desde S.José de Ribamar que vêm caminhando, só roeram pão duro, molhado em água da fonte..."
Página
327
/
364
Regresso de Baltasar
"Desce Baltasar ao vale, vai para casa (...) vindo ele tão esforçadamente de longe, desde Santo António de Tojal, em um só dia, não esqueçamos, tem direito a recolher mais cedo (...)
O tempo
, às vezes, parece não passar,
é como uma andorinha
que faz o ninho no beiral, sai e entra, vai e vem, mas sempre à nossa vista, julgaríamos, nós e ela, que iríamos ficam assim a eternidade...."
Página(s)

328
/
364 e 365

"
Tens a
barba cheia de brancas,
Baltasar
,
tens a
testa carregada de rugas,
Baltasar
,
tens
encorreado o pescoço,
Baltasar
, já te descaem os ombros,
Baltasar
, nem pareces o mesmo homem,
Baltasar
(...) mas é um
constante sol para esta mulher
, não por sempre brilhar, mas
por existir tanto
, escondido de nuvens, tapado de eclipses, mas vivo..."
Página

328
/
365
Ida de Baltasar e Blimunda ao convento de Mafra
"Queres ir ver as estátuas, Blimunda, o céu deve estar limpo e a lua não tarda aí, Vamos, respondeu ela.
A
noite
estava
clara
e
fria
. Enquanto subiam a ladeira para o alto da vela,
a lua nasceu
,
enorme
,
vermelha
, recortando primeiro as torres sineiras, os alçados irregulares das paredes mais altas, e, lá para trás, o testo do monte que tantos trabalhos trouxera e tanta pólvora consumira."
Página

330
/
367
"Parecia impossível que
tantos anos de trabalho
, treze, fizessem
tão pouco vulto
, uma
igreja inacabada
, um convento que, em duas alas, está levantado até ao segundo andar, o
resto pouco mais que a altura dos portais do primeiro
, ao todo
quarenta celas acabadas, em vez de trezentas
que vão ser precisas.
Parece pouco e é muito, se não demasiado
."
Página

330
/
367
"Ora, o mal desta obra de Mafra é terem
posto homens a trabalhar nela em vez de gigantes
, e, se com estas e outras obras passadas e futuras se quer provar que também o homem é capaz de fazer o trabalho que gigantes fariam, então
aceite-se que leve o tempo que levam as formigas
, todas as coisas têm de ser entendidas na sua justa proporção, os formigueiros e os conventos, a laje e a pargana."
Página(s)

330 e 331
/
368
Crítica de Saramago ao convento de Mafra
"Blimunda vai olhando, tenta adivinhar as representações,
umas sabe-as só de olhar uma vez
,
outras acerta após muito teimar
,
outras não chega a ter a certeza
,
outras são como arcas fechadas
. Compreende que aquelas letras (...) estão explicando, claramente para quem souber ler, que nome ele tem. Com o dedo
acompanha as curvas e as rectas
,
é como um cego
..."
Página
331
/
368
"Devem ser infelizes os santos, assim como os fizeram, assim ficam, se isto é santidade que será a condenação, São apenas estátuas, Do que eu gostava era vê-las descer daquelas pedras e ser gente como nós..."
Página
332
/
370
"
O pecado não existe, só há morte e vida
, A vida está antes da morte, Enganas-te, Baltasar, a morte vem antes da vida,
morreu quem fomos, nasce quem somos
, por isso é que não morremos de vez (...) e quando Francisco Marques fica esmagado sob o carro de pedra (...) Se estamos falando dele, nasce Francisco Marques, Mas ele não o sabe, Tal como nós
não sabemos bastante quem somos e, apesar disso, estamos vivos
, Blimunda, onde foi que aprendeste essas coisas, Estive de olhos abertos na barriga da minha mãe, de lá via tudo."
Página
333
/
370
Diálogo entre Baltasar e Blimunda
Partida de Baltasar para Monte Junto
"Quando amanheceu, Baltasar disse, Vou ao Monte Junto, e ela levantou-se, entrou em casa, na meia escuridão da cozinha procurou e encontrou algum alimento (...) trazia também o alforge de Baltasar, dentro dele meteu a comida e as ferramentas, sem esquecer o espigão de ferro, de maus encontros ninguém está livre."
Página

334
/
372
"Abraçaram-se os dois no recato duma árvore de ramos baixos, entre as folhas douradas do outono, pisando outras que já se confundiam com a terra (...) Não tardes por lá Baltasar, Dorme tu na barraca, posso chegar já de noite, mas, se houver muito que consertar, só venho amanhã, Bem sei, Adeus Blimunda, Adeus Baltasar."
Página(s)

334 e 335
/
372 e 373
"Meteu-se já Baltasar pelos contrafortes de Monte Junto, procura o quase invisível caminho que por entre mato o levará à máquina de voar, é
sempre com com coração apertado que se aproxima
, por
temor que a tenham descoberto
,
talvez destruído
,
talvez roubado
, e de cada vez se surpreende de a ver como se tivesse acabado agora mesmo de pousar..."
Página

336
/
37
"... Baltasar entrou na passarola. Alguma tábuas do convés estavam apodrecidas. Teria de substituí-las (...) Ia distraído, não reparou onde punha os pés, de repente duas tábuas cederam, rebentaram, afundaram-se. Esbraçejou violentamente para se amparar, evitar a queda, o gancho do braço foi enfiar-se na argola que servia para afastar as velas (...) A máquina rodopiou duas vezes, despedaçou-se, rasgou os arbustos que a envolviam, e subiu. Não se via uma nuvem no céu."
Página

337
/
375
Espaço e Tempo
Recursos estilísticos
Simbolismos
Espaço Físico:
No capítulo 23, os espaços físicos predominantes são o
convento de Mafra
, a
barraca onde Baltasar e Blimunda dormem
e o
Monte Junto
. Ainda assim, são referidos outros espaços secundários como S.José de Ribamar, Pintéus, Fanhões, Queluz...
Tempo da história:
A principal marca temporal que nos permite contextualizar o capítulo 23 na obra, encontra-se presente na fala de Baltasar, quando este anuncia que irá a Monte Junto : "
Amanhã
vou ao Monte Junto ver como está a máquina, passaram
seis meses
desde a última vez...".
Tempo psicológico:
Neste capítulo encontra-se ainda presente uma marca temporal que nos permite retomar à infância de Baltasar: "...
era como ver aparecer o animal
com os seus seirões ou com o rijo albardão, e a mãe dizendo lá de dentro da cozinha, Vai ajudar o teu pai a descarregar a burra, ainda não era ajuda que valesse a pena,
tão pequenino
, mas ia-se habituando aos trabalhos pesados..."
Metáfora e Quiasmo:
"... como o tempo passou, como eu me tornei velho, ainda ontem era a flor do bairo, e hoje nem bairro nem flor." Página
328
/ 365
Dupla Adjetivação:
"... as sombras eram negras e profundas." Página
333
/

370
Prolepse:
"Assim será com Álvaro Diogo, precisamente por toda a vida, porém curta, que em breve tempo cairá duma parede aonde não tinha de subir (...) Quase trinta metros de altura será a queda, e dela morrerá..." Página
329
/

366
Personificação e Quiasmo/Trocadilho:
"Uma nuvem solitária veio do mar (...) e por um longo minuto cobriu a lua. (...) A nuvem afastou-se para dentro da terra, maneira de dizer, pela terra dentro..." Página(s)
331 e 332
/

369
Lua vermelha e a nuvem:
A lua é símbolo de transformação e crescimento. Com as suas fases sucessivas e regualres, a lua é também medida do tempo, simbolizando o tempo que passa e renovação constante.
Neste caso em concreto, a cor vermelha da lua (cor do sangue) poderá ser também associado ao símbolo da vida e morte, coincidindo com o destino fatal da personagem Baltasar.
A nuvem que "por um longo minuto cobriu a lua" estará também associada ao prenúncio trágico de mudança, ao oculto e indefinido.
Montanha- Monte Junto:
A montanha estabelece a relação da terra com o céu, centro do mundo, traduz a estabilidade e a inalterabilidade, guardando o que nela permanece, como a passarola que cai no Monte Junto. A máquina voadora fica protegida dos Homens e do Santo Ofício e, assim, mais tarde, inusitadamente, e como por magia, levantou voo, dando sentido à vida da trindade terrestre.
A barraca da burra:
A barraca da burra simboliza o amor intenso de Baltasar e Blimunda, carregado de sensualidade e de cumplicidade; a transgressão das regras sociais e morais por parte deste casal que se ama partilhando as "almas, corpos e vontades" ("...afinal o amor existe sobre todas as coisas.").
Trabalho realizado por: David Alves, n 12, 12 C
O
O
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