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"Apontamento" - Álvaro de Campos

Português 12º
by

Beatriz Teixeira

on 14 November 2014

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Transcript of "Apontamento" - Álvaro de Campos

"Apontamento"
Álvaro de Campos
A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.


Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.

Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-no especialmente, pois não sabem por que ficou ali.

Realizado por: Beatriz Teixeira
Nº4
12ºSE
Estrutura Externa
Verso longo e livre
Irregularidade estrófica e métrica
Pontuação emotiva ( ! / ? )
Ausência de rima
Estrutura Interna
Características de Álvaro de Campos no Poema
Características Estilísticas
O poema "Apontamento" pertence à 3ªfase de Álvaro de Campos, pessimista ou intimista, segundo as seguintes características:

Proximidade com Fernando Pessoa ortónimo:
tédio existencial -
"Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir." (V.7)
fragmentação do "eu" -
"Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso." (V.4)

O tédio existencial:
desalento -
"O que era eu um vaso vazio?" (V.13)
sentimento de frustação -
"E fitam os cacos que a criada deles fez de mim." (V.10)
tom pessimista e introspetivo

Sensações Representadas
"Apontamento" - Álvaro de Campos
Margarida Pinto
"Apontamento"
Ao longo do poema podemos identificar algumas sensações.

Auditiva:
"Fiz barulho na queda..." (V.8)
Tátil:
"Caiu das mãos da criada descuidada." (V.3)
Visual:
"Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros." (V.19)
Comparação - "A minha alma partiu-se
como um vaso vazio
." (V.1)
Anáfora - "
Caiu
pela escada excessivamente abaixo.
Caiu
das mãos da criada descuidada.

Caiu
, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso." (V.2, V.3 e V.4)
Metáfora - "
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir
." (V.7)
Interrogação retórica - "
Asneira? Impossível?
Sei lá!" (V.5)
"
O que era eu um vaso vazio?
" (V.13)
Pleonasmo - "
Caiu
pela escada excessivamente
abaixo
."
Adjectivação - "Sorriem tolerantes à
criada involuntária
."
A nostalgia da infância
Neste poema, Álvaro de Campos mostra uma imagem extremamente negativa de si mesmo, sendo ele apenas um vaso vazio que a empregada partiu na escada. Os cacos representam a ideia de que o poeta se sente sem existência, como se não tivesse alma. Observa-se que os cacos, apesar de conscientes de existirem, não têm consciência de serem um conjunto. Para expressar a falta de sentido da sua existência, o poeta termina o poema mencionando deuses indiferentes com o caco no tapete, uma pobre representação da sua vida.
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