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"NOITE FECHADA"

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by

beatriz conceição

on 3 June 2014

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Transcript of "NOITE FECHADA"

Estrutura interna:
Este poema pode ser dividido em duas partes:

1ºparte
– A primeira parte do poema situa o eu poético no espaço onde este recorda e descreve o estado da cidade de Lisboa antes do grande terramoto de 1755, mostrando os seus sentimentos perante a situação.


Análise das estrofes:
1º estrofe:

O eu poético sente-se mortificado e com um desejo absurdo de sofrer, provocado pelo som que anuncia o anoitecer nas celas das prisões- verso 1 e 2.
No aljube (cadeia/prisão) são recolhidas as crianças e as velhinhas e “raramente encerra uma mulher de “dom”” significa que as mulheres com bens raramente se recolhem lá.

Tema:
O eu poético descreve a desigualdade social existente através de um passeio pela cidade ao anoitecer.
CESÁRIO VERDE
"NOITE FECHADA"
Título :

“Noite fechada”
retrata o ambiente e altura do dia em que o eu poético se encontra. Isto verifica-se pelo que se vê e pelo que o poeta dá a sentir.

O adjetivo fechada é utilizado para caraterizar o papel de deambulador do eu poético, mostrando que este é limitado, terminando o seu percurso, na brasserie (cervejaria).
2ºparte
- A partir da 6º estrofe o eu poético descreve o estado atual da cidade, mudando um pouco a sua perspetiva, pois encontra uma cidade em muito melhor estado da que se recorda, e descreve-se a si mesmo como sujeito lírico.
3ºestrofe

Paralelamente a essa escuridão que invade a alma do eu poético, o ambiente exterior também é invadido por esse sentimento, no entanto, ele encontra algo que anima e movimenta a cidade - as tascas, os cafés, as tendas e as tabacarias.
5ºestrofe

O sujeito poético lembra o terramoto que destruiu a velha Lisboa e proporcionou ao governo pombalino a construção de uma cidade moderna e planejada. Este sente-se amuralhado, enclausurado ao visitar a parte reconstruída porque as renovações não foram o que ele esperava.
Assim, sente-se afrontado com as ingremes subidas e com o ambiente religioso suscitado pelo toque dos sinos


4ºestrofe

As antigas igrejas- “saudoso largo” – são um espaço de evasão (espaço negativo) que o fazem lembrar da historia vergonhosa da igreja católica (Inquisição) – “nódoa negra e fúnebre do clero”. O eu poético quer então compensar a realidade negativa com incursões através da história, (embora nem todos os motivos fossem felizes) – “pela história eu me aventuro e alargo”.
6ºestrofe
O eu poético destaca Camões que simboliza a resposta aos problemas do presente dada com soluções do passado. Ao mesmo tempo, ao referi-lo pretende homenageá-lo.
7ºestrofe
O poeta revela-se sensível ao sofrimento das pessoas que, pelos corpos enfezados (enraivecidos), ele supõe que possam sofrer de cólera (raiva) ou febre. Também mostra repulsa pelos soldados devido à sua função de preservação da realidade instituída.
8ºestrofe
O eu poético mostra nostalgia pela cidade, enquanto espaço e tempo de evasão (isto é, ele considera que aquele tempo seria a solução para os problemas do presente mas encontrados no passado). Descreve a ocupação das cavalarias por toda a capital, onde naquele momento eram quarteis que em tempos foram conventos.
“A capital que esfria” mostra o medo que era imposto pelos soldados ao ponto de caminharem lentamente.

9ºestrofe

O poeta mostra-se entristecido com a cidade e receia que a cidade lhe faça lembrar um amor do passado. Observa-se então mais uma crítica social às mulheres da aristocracia que ficam paradas a sorrir para as montras dos ourives
10ºestrofe
O poeta é tomado por sobressaltos, perante costureiras e coristas de vida dupla (que levam uma profissão humilde de dia e duvidosa de noite). O eu poético denuncia também as influencias estrangeiras na moda- “magasins” que são lojas.
11ºestrofe
Na última estrofe o eu poético considera-se um homem atento em que a sua luneta o ajuda a captar todos os pormenores. Assim, possui uma visão pormenorizada do que o rodeia mas tem consciência que essa visão é limitada para a sua realidade. No entanto, esta é a única maneira que ele tem para observar o mundo.
Também fala de forma irónica dos seus poemas pois refere que os acha "sempre assunto a quadros revoltados" tendo então consciência de que estes são uma visão subjetiva do que o rodeia ao invés de serem algo objetivo.

Avaliação Formal:
O poema é constituído por 11 quadras.

Escansão:

O 1º verso de cada estrofe é decassilábico e os três seguintes são alexandrinos:

To/ca/-se as/ gra/des/, nas/ ca/dei/as./Som
Que/ mor/ti/fi/ca e /dei/xa u/mas/ lou/cu/ras/ man/
sas
O al/ju/be, em/ que ho/je es/tão/ ve/lhi/nhas/ e/ cri/an/
ças
Bem/ ra/ra/men/te en/cer/ra u/ma/ um/lher/ de/ “dom”!





Esquema Rimático:
1ª Estrofe
: ABBA – AA são rimas interpoladas e BB são emparelhadas


2ª Estrofe
: CDDC – CC são rimas interpoladas e DD são emparelhadas

Assunto:
O poeta retrata a situação social tendo em conta aquilo que observa durante a noite. Neste panorama o poeta encontra-se mortificado e atormentado com o que vê ao acender das luzes, recorrendo a um exagero sentimental para provocar um maior impacto no leitor, para que este também fique sensibilizado relativamente a situação descrita.
Á medida que este vai descrevendo a cidade refere dois tempos históricos distintos. Inicialmente retrata a Lisboa antiga e posteriormemente a Lisboa restaurada após o terramoto.
O objetivo da referência ao passado é a busca de respostas para os problemas da atualidade. Assim, este critica as atitudes da sociedade atual, ridicularizando-a e abordando os podres de um modo metafórico.
Ao longo do poema há também a perceção da evolução degradante da tristeza do eu poético associada ao decorrer da ação, isto é, à medida que se torna noite cerrada. Esta visão permite então comparar os locais descritos com os sentimentos do eu poético e o ambiente que a cidade transmitia.



Figuras de estilo:
Sinestesia
- "Toca-se as grades, nas cadeias. Som"-
O eu poético, utiliza sensações auditivas e táteis para intensificar a descrição do espaço.

Hipálage
-
"Chora-me o coração, que se enche e que se abisma".
O eu poético atribui qualidades do sujeito ao objeto.

Enumeração
: "E as tascas, os cafés, as tendas, os estancos".
O sujeito lírico refere vários edifícios para caraterizar a paisagem.


Figuras de estilo:
Aliteração
- "Alastram em lençol os seus reflexos brancos/E a Lua lembra o circo e os jogos malabares".
É utilizada a repetição da letra "L", para intensificar o ritmo do verso.

Dupla adjetivação
- "Lançam a nódoa negra e fúnebre do clero".
O eu poético utiliza mais do que um adjetivo para caracterizar o clero.

Assíndeto
- " À vista das prisões, da velha Sé, das cruzes".
O eu poético substitui a conjunção coordenativa copulativa "e" por vírgulas.

Metáfora
- "E a Lua lembra o circo e os jogos malabares".
O eu poético utiliza este recurso para comparar a Lua a um circo, sem utilizar a expressão comparativa como.







Correntes literárias

“Noite fechada”
apresenta 3 dos principais movimentos literários que se podem observar nos poemas de Cesário Verde:


Realismo
: É feita uma observação seguida de uma análise/crítica do real e do Homem pelo eu poético, enquanto este se passeia pela cidade.
Ex:
“ E eu desconfio, até, de um aneurisma/Tão mórbido me sinto, ao acender das luzes”

Naturalismo
:
O eu poético analisa o comportamento da sociedade decadente á sua volta, mostrando preocupação, e alertando para os vários fatores que levam a esse comportamento.
Ex:
“O aljube, em que hoje estão velhinhas e crianças/Bem raramente encerra uma mulher de «dom»!”

Impressionismo:
É feita uma captação da realidade através de sensações e impressões vividas pelo eu poético.
Ex:
“E eu sonho o Cólera, imagino a Febre/Nesta acumulação de corpos enfezados/Sombrios e espectrais recolhem os soldados/Inflama-se um palácio em face de um casebre”



1. O eu poético deambula por diversos locais ao longo do poema como o Aljube, a velha Sé, as tascas, as igrejas, os quartéis, entre outros. Nestes espaços mórbidos, pouco iluminados, desprende-se uma sensação de enclausuramento, de nostalgia, de solidão, de pessimismo progressivo - "E eu desconfio, até, de um aneurisma / Tão mórbido me sinto, ao acender das luzes", "Chora-me o coração que se enche e que se abisma.", "E eu sonho o Cólera, imagino a Febre", "Triste cidade! Eu temo que me avives / Uma paixão defunta!".

2.1 O sujeito poético critica o clero devido às praticas das igrejas antigas, como a Inquisição e mostra também desagrado pelo som dos sinos destas. Podemos verificar esta visão crítica nas expressões ‘’ Lançam a nódoa negra e fúnebre do clero... Inquisidor severo’’ e ‘’Afrontam-me...os sinos dum tanger..’’



3. Ao longo do poema o eu lírico vai descrevendo a cidade antes e depois do terramoto de um modo físico, referindo-se às pessoas, e de um modo arquitetónico, aos edifícios.
Podemos observar que á medida que vai recordando o passado e observando o presente este mostra-se triste, deprimido, chocado e até revoltado com o estado da cidade: “ E eu desconfio, até, de um aneurisma/Tão mórbido me sinto, ao acender das luzes” e “ Triste cidade! Eu temo que me avives/Uma paixão defunta! Aos lampiões distantes”, respetivamente
.


4.1 Repentinamente, na 6ª estrofe o eu poético passa a sentir orgulho no passado Português fazendo referência a Luís de Camões e a uma das mais épicas estátuas e alterações positivas que se realizaram na Nova Lisboa (a Lisboa restaurada).

Assim, o eu poético sente-se feliz por terem honrado tão grandioso escritor e também otimista para que a sua cidade evolua e não fique estagnada como mostrava estar.


5. O eu-repórter no seu percurso errante vizualiza primeiramente prisões. Enquanto caminhava começaram-se a ligar as luzes vizualizando tascas, cafés, tendas e estancos. É constituída por duas igrejas e por construçoes que foram restauradas ‘’retas, iguais, crescidas’’. Têm íngremes subidas, bancos utilizados pelos apaixonados, pimenteiras e uma estátua de camões. O sujeito considera-a uma cidade triste, mas ao mesmo tempo elegante.





6. a) Hipálage, pois o eu poético transfere os sentimentos das personagens para a cidade

b) Hipérbole, pois o eu poético faz um exagero da realidade, alegando que as pessoas o encaram com olhos inquisidores.
Questões:
7. O verso "E eu, de uma luneta só" mostra que o eu poético se considera um homem atento em que a sua luneta o ajuda a captar todos os pormenores. Assim, o eu poético possui uma visão pormenorizada do que o rodeia mas tem consciência que essa visão é limitada para a sua realidade.
No entanto, esta é a única maneira que ele tem para observar o mundo.
1. c 6. a
2. e 7. d
3. i 8. j
4. b 9. g
5. f 10. h
11. l

Funcionamento da língua
.


2º estrofe:

O eu poético compara a sensação que tem ao acender das luzes (que significa a perceção da realidade) com a sensação de ter um aneurisma e diz que se sente doente por isso mesmo. Como os olhos são as janelas da alma, naquele momento estão a provocar no eu poético a sensação de sufocamento e angústia interior.
Assim, este confirma que a realidade observada são as prisões, a velha Sé e as cruzes que fazem com que sinta o coração a lacrimejar.

BEATRIZ CONCEIÇÃO
RAFAELA SILVA
RAQUEL CARMO

11ºD
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