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Simone Marasco - Satyricon apresentação

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on 22 February 2014

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Transcript of Simone Marasco - Satyricon apresentação

Universidade Federal do Rio de Janeiro
Programa de Pós-graduação em Letras Clássicas

Aspectos dialógicos e intertextuais no
Satyricon
, de Petrônio

Por: Simone Sales Marasco Franco
Orientadora: Profa. Dra. Ana Thereza Basílio Vieira
Datação e autoria: "Questão petroniana";
questões de gênero:
sátira;
novela;
romance;
mimo;
sátira menipeia;
relato de viagem;
"prosaica".


Segundo a concepção de Bakhtin, o discurso dialógico é necessariamente
polifônico
, surge do diálogo do
eu
com o
outro
e tem como principal elemento articulador a
linguagem
. É, em suma, a “condição de sentido do discurso” que não existe senão contextualizado por uma
situação social
e histórica.

A voz dialógica é expressa quando duas ou mais vozes demonstram suas consciências, suas visões de mundo, suas perspectivas sociais. Segundo Diana Luz, “Nesse caso, a polifonia atinge sua plenitude: as vozes que dialogam e polemizam “olham” de posições sociais e ideológicas diferentes, e o discurso se constrói no cruzamento de pontos de vista” .
(FIORIN e BARROS: 2011:5).



A obra de Petrônio faz muito o uso da
intertextualidade
, por isso foi feito um recorte por meio do qual priorizamos os momentos em que o autor retoma a obra épica virgiliana, construindo paródias, como demonstraremos na análise do texto a seguir.


Neste trabalho, buscamos analisar a obra de Petrônio sob a concepção de
dialogismo
e
intertextualidade
segundo Bakhtin e seus estudiosos brasileiros, a fim de delinear o modo como o discurso constrói o juízo de valor contido na obra.
[XXIX] Ceterum ego dum omnia stupeo, paene resupinatus crura mea fregi. Ad sinistram enim intrantibus non longe ab ostiarii cella canis ingens, catena vinctus, in pariete erat pictus superque quadrata littera scriptum CAVE CANEM. Et collegae quidem mei riserunt. Ego autem collecto spiritu non destiti totum parietem persequi. (...)

XXIX – Porém, enquanto eu fico embasbacado por todas essas coisas, quase quebrei minhas pernas, caído de costas. De fato, à esquerda dos que entram, não longe do aposento do porteiro, um cão enorme, acorrentado com cadeado, estava pintado na parede e acima escrito em letra esmerada “TOME CUIDADO COM O CÃO”. E os colegas, na verdade, riram de mim. Eu, contudo, recolhida a respiração, não desisti de percorrer toda a parede (...)

Tanto o pensamento quanto o comportamento das personagens colaboram para a visão de decadência comportamental e literária da sociedade da época.

“Centauri in foribus stabulant Scyllaeque biformes
et centumgeminus Briareus ac belua Lernae
horrendum stridens, flammisque armata Chimaera,
Gorgones Harpyiaeque et forma tricorporis umbrae.
corripit hic subita trepidus formidine ferrum 290
Aeneas strictamque aciem uenientibus offert,
et ni docta comes tenuis sine corpore uitas
admoneat uolitare caua sub imagine formae,
inruat et frustra ferro diuerberet umbras.”

"Monstros mil aos portais, biformes Cilas,
Os Centauros, as Górgonas se alojam,
Mais o animal de Lerna horristridente,
E o fantasma tricórpore e as Harpias.
Eis de pavor o gume saca Eneias,
Tem-se à espera; e, se a mestra não lhe adverte
Que eram sem corpo avoejantes vidas
E ocas formas sutis, ele investiria
E de aço inútil açoitara sombras.”

[LXXII] (...) Cum haec placuissent, ducente per porticum Gitone ad ianuam venimus, ubi canis catenarius tanto nos tumultu excepit, ut Ascyltos etiam in piscinam ceciderit. Nec non ego quoque ebrius, qui etiam pictum timueram canem, dum natanti opem fero, in eundem gurgitem tractus sum. Servavit nos tamen atriensis, qui interventu suo et canem placavit et nos trementes extraxit in siccum. At Giton quidem iam dudum <se> servatione acutissima redemerat a cane: quicquid enim a nobis acceperat de cena, latranti sparserat, et ille avocatus cibo furorem suppresserat. Ceterum cum algentes utique petissemus ab atriense ut nos extra ianuam emitteret: "Erras, inquit, si putas te exire hac posse, qua venisti. Nemo unquam convivarum per eandem ianuam emissus est; alia intrant, alia exeunt."

LXXII – (...) Como estas coisas agradassem, com Gitão nos conduzindo pelo pórtico, chegamos a uma porta, onde um cão acorrentado surpreendeu-nos tanto com o barulho, que até Ascilto caiu na piscina. E nem que eu também não [estivesse] bêbado, [eu] que havia temido até um cão pintado, enquanto ofereci ajuda para o que nadava, fui puxado para o mesmo abismo. Salvou-nos, contudo, o porteiro, que, com sua chegada inesperada, acalmou o cão e tirou a nós, que tremíamos, para o seco. Mas Gitão, na verdade, já há algum tempo tinha se livrado do cão com uma observação agudíssima: pois, o que quer que tenha recebido de nós no jantar, lançara ao que latia, e ele, distraído pela comida, contivera o furor. Porém, como, tremendo de frio, tivéssemos pedido ao porteiro que nos deixasse ir de qualquer maneira pela porta:
"Engana-se, diz, se você pensa que pode sair por essa, pela qual entrou. Ninguém jamais dentre os convidados saiu pela mesma porta; entram por uma, saem por outra".

Cerberus haec ingens latratu regna trifaucipersonat aduerso
ecubans immanis in antro.
cui uates horrere uidens iam colla colubris
melle soporatam et medicatis frugibus offam 420
obicit. ille fame rabida tria guttura pandens
corripit obiectam, atque immania terga resoluit
fusus humi totoque ingens extenditur antro.
occupat Aeneas aditum custode sepulto
euaditque celer ripam inremeabilis undae.

“Com triunfauce latir Cérbero ingente,
Deitado em cova oposta, o reino atroa.
Seus serpentinos colos já se eriçam;
Lança-lhe a vate um sonolento bolo
De mel e confeições, que, as três gargantas
Escachando glutão, raivoso engole;
E, os costados em terra, entorpecido,
Por toda a gruta o corpo enorme estira.
Sopito o monstro, a entrada ocupa Enéias,
E lesto evade a irremeável onda.”

Resumindo
:

A obra de Petrônio parece
não
poder ser limitada a um
único gênero literário
;
não há personagens dialógicos no
Satyricon
, pois
todas
demonstram uma única visão de corrupção moral;
a
intertextualidade
é
um
dos recursos utilizados para a construção de uma sociedade decadente, como mostra a obra.
Bibliografia:

BAKHTIN.
Questões de literatura e de estética: A Teoria do Romance
. Trad. Aurora Fornoni Bernardini ET ALL. 5 ed. São Paulo: Hucitec Annablume, 2002.

_______.
Bakhtin, dialogismo e construção do sentido
. Org. Beth Brait. Campinas: Ed. da UNICAMP, 1997.

_______.
Bakhtin, dialogismo e polifonia
. Org. Beth Brait. São Paulo: Contexto, 2009.

_______.
Bakhtin, Conceitos-chave
. Org. Beth Brait. 5.ed. São Paulo: Contexto, 2012.

_______.
Bakhtin, Outros conceitos-chave
. Org. Beth Brait. 1. ed. 2. reimpr. São Paulo: Contexto, 2010.

FIORIN, José Luiz. BARROS, Diana Luz Pessoa de.
Dialogismo, Polifonia, Intertextualidade
. 2. Ed. 2. reimpr. São Paulo: Edusp, 2011.

KOCH, Ingedore. BENTES, Anna Cristina. CAVALCANTE, Mônica.
Intertextualidade: diálogos possíveis
. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2008.

PETRÔNIO.
Satyricon
. Tradução e posfácio de Sandra Braga Bianchet. Belo Horizonte: Crisálida, 2004.

VIRGÍLIO.
Eneida
. Trad. Odorico Mendes. São Paulo: Martin Claret, 2005.

Imagem de Pompeia . Disponível em < http://www.glogster.com/ryanlegend1/roman-art/g-6lp1tp4b5r3dmdsk91bu8a0 > acesso em 13/02/2014, às 09:43.

VERGILIVS MARO. Disponível em < http://www.thelatinlibrary.com/verg.html > acesso em 13/02/2014, às 13:25.

A prática intertextual é algo inerente à literatura, inclusive na modalidade oral. Somos frutos das experiências vividas e ouvidas durante a vida.

Dialogismo
Intertextualidade
A
intertextualidade
pode ser mostrada em um texto escrito de várias formas, sejam elas implícitas ou explícitas, e “ocorre quando, em um texto, está
inserido outro texto
(intertexto) anteriormente produzido, que faz parte da memória social de uma coletividade ou da memória discursiva dos interlocutores” (KOCH, 2008:17).
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