Loading presentation...

Present Remotely

Send the link below via email or IM

Copy

Present to your audience

Start remote presentation

  • Invited audience members will follow you as you navigate and present
  • People invited to a presentation do not need a Prezi account
  • This link expires 10 minutes after you close the presentation
  • A maximum of 30 users can follow your presentation
  • Learn more about this feature in our knowledge base article

Do you really want to delete this prezi?

Neither you, nor the coeditors you shared it with will be able to recover it again.

DeleteCancel

Make your likes visible on Facebook?

Connect your Facebook account to Prezi and let your likes appear on your timeline.
You can change this under Settings & Account at any time.

No, thanks

Álvaro de Campos "Lisbon Revisited 1926"

No description
by

Zinaid Santana

on 21 March 2014

Comments (0)

Please log in to add your comment.

Report abuse

Transcript of Álvaro de Campos "Lisbon Revisited 1926"

Lisbon Revisited 1926
Nada me prende a nada.
Quero cinqüenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja –
Definidamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.

Fecharam-me todas as portas abstratas e necessárias.
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver na rua.
Não há na travessa achada o número da porta que me deram.

Acordei para a mesma vida para a que tinha adormecido.
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
Até a vida só desejada me farta – até essa vida...

Compreendo a intervalos desconexos;
Escrevo por lapsos de cansaço;
E um tédio que é até do tédio arroja-me à praia.
Não sei que destino ou futuro compete à minha angústia sem leme;
Não sei que ilhas do Sul impossível aguardam-me náufrago;
Ou que palmares de literatura me darão ao menos um verso.

Não, não sei isto, nem outra coisa, nem coisa nenhuma...
E, no fundo do meu espírito, onde sonho o que sonhei,
Nos campos últimos da alma, onde memoro sem causa
(E o passado é uma névoa natural de lágrimas falsas),
Nas estradas e atalhos das florestas longínquas
Onde supus o meu ser,
Fogem desmantelados, últimos restos
Da ilusão final,
Os meus exércitos sonhados, derrotados sem ter sido,
As minhas coortes por existir, esfaceladas em Deus.
Outra vez te revejo,
Cidade da minha infância pavorosamente perdida...
Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui...
Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei,
E aqui tornei a voltar, e a voltar.
E aqui de novo tornei a voltar?
Ou somos, todos os Eu que estive aqui ou estiveram,
Uma série de contas-entes ligadas por um fio-memória,
Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim?

Outra vez te revejo,
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.

Outra vez te revejo – Lisboa e Tejo e tudo –,
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver...

Outra vez te revejo,
Sombra que passa através de sombras; e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rasto de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir...

Outra vez te revejo,
Mas, ai, a mim não me revejo!
Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim –
Um bocado de ti e de mim!...
Evolução
A Cidade
Espelho mágico
“Lisbon Revisited” (1926) apresenta uma evolução relativamente a “Lisbon Revisited” (1923). Essa evolução está implícita na maneira de olhar para a vida do eu poético, que em 1923 está seguro de si, firme, com certezas de que a vida não vale a pena.

“Não: não quero nada. Já disse que não quero nada.” /”Não me venham com conclusões. A única conclusão é morrer.”

Já em 1926 mostra-se cheio de dúvidas e incertezas, sem saber ao certo o que quer ou o que pensar.

“Quero cinquenta coisas ao mesmo tempo.” “Anseio com uma angústia de fome de carne/ O que não sei que seja-/Definidamente pelo indefinido…”
Sentimentos
Ao longo do poema vemos o sujeito poético dominado por sentimentos como a

angústia
(v.3,v.19), o
anseio
(v.3),
incerteza
(v.5 -7),
tédio
(v.17),
náusea e cansaço
(v.16) e é nestes sentimentos que está a maior diferença de Lisbon Revisited 1923 para Lisbon Revisited 1926, de uma postura firme e sem dúvidas, passa para uma postura cheia de dúvidas e incertezas.
De acordo com o olhar do Eu poético, a cidade de Lisboa é uma cidade completamente mudada
“Não há na travessa achada número da porta que me deram”
, era uma sombra, um disfarce daquilo que era na infância
“Cidade da minha infância pavorosamente perdida”
.
Outra Vez Te Revejo
Na parte final do poema podemos observar a constante repetição do verso
“Outra vez te revejo”
isto acontece com uma intenção, a intenção de mostrar que sejam quais forem as vejas que o
Sujeito poético reveja Lisboa, ela estará sempre mudada e em constante mudança,
está a rever várias vezes e por muito mais que reveja, vê sempre o mesmo, uma cidade de Lisboa diferente, mudada daquilo que há algum tempo foi.

Quando o Eu poético revê a cidade:
retrata-se como sendo um
“transeunte inútil”
(v.43),
“estrangeiro”
(v.44),
“casual na vida”
(v.45),
“fantasma”
(v.46),
“sombra”
(v.50) e como sendo um fragmento fatídico (
fragmentação do eu
).
As Temáticas
A partir do verso 31, podemos observar as temáticas específicas da poesia de Álvaro de Campos, sendo elas a
“Nostalgia da Infância”
e
“Eu fragmentado”
, salientando-se também sentimentos como o cansaço, tédio, náusea…
No verso 56
o espelho mágico é um objeto simbólico, que visa representar simbolicamente a fragmentação do eu
.

“Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim."

Os fragmentos fatídicos correspondem ao sujeito poético fragmentado, daí o espelho mágico ser a simbologia do “eu fragmentado”.
Estrutura Externa
O poema é constituído por verso em geral muito longo, estrofe livre e ausência de rima, estando inserido na corrente modernista.
Linguagem
O poema possui uma linguagem
simples e repetitiva, onde podemos ver
alguns neologismos.
Estilo
O texto é narrativo e descritivo com verbos predominantemente no presente do indicativo; substantivos e adjetivos que descrevem a cidade e a alma do poeta: negatividade e tristeza.

Destaca-se o uso de:
Anáfora:
"Não sei que destino ou futuro compete à minha angústia sem leme,/ Não sei que ilhas do sul impossível aguardam-me naufrago;"
Oximoro:
"Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui"
Comparação:
“Sombra que passa através de sombras; e brilha / Um momento a uma luz fúnebre desconhecida, / e entra na noite como um rasto de barco se perde / Na água que deixa de se ouvir...”
Metáfora:
"Fecharam-me todas as portas abstratas e necessárias. /Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver da rua."
FIM
Estrutura Interna
O tema deste poema é o eu do sujeito lírico, frustrado e desiludido de tudo, revê-se na sua cidade, tão fantasma como ele. Problema de Fernando Pessoa: crise de identidade do eu ortónimo agora em Álvaro de Campos.
Poema da terceira fase de Álvaro de Campos, é o regresso à abulia, ao tédio, à nostalgia de um bem perdido. Melancólico, devaneador, desiludido, cosmopolita, Campos aproxima-se da poética de Pessoa ortónimo no cepticismo, nas saudades da infância, na dúvida quanto à sua identidade, na fragmentação do eu.
No primeiro momento do texto, o sujeito poético, abúlico e frustrado, manifesta o seu desencanto pela vida.
Nos primeiros versos do segundo momento, o sujeito poético revê a cidade da sua infância que ele considera “pavorosamente perdida” e “triste e alegre” neste último exemplo, numa alusão às duas cidades que conheceu, a da infância e da vida de adulto. Evidencia a dúvida sobre a sua identidade (Verso 34) e refere-se à multiplicidade de eus que vivem nele (verso 37 a 39).
Do verso 54 ao 58, o final do segundo momento, a perda da imagem está relacionada com a perda de identidade (verso 55 a 56) e pode-se mesmo pensar na recordação da figura materna e da infância quando refere “em que me revia idêntico”.
Os verbos no presente do indicativo denunciam o estado de espírito do sujeito poético, a sua frustração face aos fracassos dos seus projetos / sonhos do passado.
No poema Lisbon Revisited (1926), o espaço relaciona-se com o itinerário interior. O olhar que avista a cidade é filtrado pela subjetividade de um eu que, apesar de revisitá-la, não se encontra mais nela. Mais uma vez a infância aparece como um outrora privilegiado, fissura do eu que tem no agora a solidão, o cansaço e o tédio como determinantes.
Álvaro de Campos
"sente um impulso para escrever"
surge quando
Quem é?
"Álvaro de Campos nasceu em Tavira, no dia 15 de outubro de 1890(...). Este (...) é engenheiro naval(...)."

"Álvaro de Campos é alto (1,75m de altura,(...), magro e um pouco tendente a curvar-se. (...) cabelo liso e normalmente aparado ao lado, monóculo."

"Álvaro de Campos teve uma educação vulgar de liceu; depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval."
Full transcript