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VIVO EM MIM

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by

Ilda Castanheira

on 2 September 2014

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Transcript of VIVO EM MIM

Vivo em Mim
Dia do lançamento
24/11/2012
Local: Museu do Palácio de São Lourenço
Apesar do Instituto de Meteorologia da Madeira ter decretado alerta vermelho, compareceram 96 convidados :)
"Sempre adorei escrever, e fi-lo sempre na intimidade, para o meu filho, família e amigos. Escrever, mais do que ler, fez e continua a fazer parte da minha terapia de luto. "
"Perdi o meu único filho, no dia 13 de dezembro de 2005, tinha 17 anos de idade, devido a uma queda à qual não resistiu. Um filho saudável e na flor da idade. Em segundos fiquei vazia de tudo. Hoje, passados 6 anos e 4 meses, sinto-me uma nova mulher."
"Um dia, seremos recompensados, no tempo certo, algures por aí."
"Até breve,sem pressas..."
No dia do lançamento, os convidados tiveram direito ao separador do próprio livro.
"O António Pedro apreciava rap, uma forma de expressão ativa, um género de canto falado de forma improvisada, que aborda, na sua maioria, problemas que afetam as comunidades."
Por isso, no livro, escrevo um rap em sua memória.
Garoto da rua

Ei, olha aí!
não te faças fingido,
não grudes os olhos no chão,
querendo passar despercebido.

Não queres olhar,
preferes continuar!
Anda rápido,…... apressa o passo,
o garoto ainda sabe perdoar.

Ele ainda é só um menino,
um garotinho sem lar
e sem família.
Um garoto sem rumo,
na rua onde tu passas,
a caminho da tua casa.
"É um apelo aos que podem abrir as suas “portas”, um apelo aos “rabinhos virados ao sol”, para que desgrudem o olhar dos seus “umbigos”, e cuidem da dura realidade lá de fora."
“E quando o meu tempo acalmou, olhei para sofrimentos piores que o meu. “
Das Mães “que não podem fazer luto.
Mães, cujos filhos estão desaparecidos, em parte incerta e por tempo indeterminado. Ignoram se estão vivos ou mortos, se estão bem ou a sofrer.
São verdadeiras heroínas na dor, não fazem luto, porque o luto é incerto, e, a esperança é, sim, a última a morrer.
Sobrevivem, heroicamente, nesta aflição imutável e mortificadora, o equivalente, julgo eu, à morte lenta.”
Daí que, ”... muitos dizem que não conseguem imaginar a minha dor, e dou comigo a pensar que, também, não consigo imaginar a dor destas Mães-Coragem, o vazio dos seus dias, a agonia nas noites mais frias, a esperança que sentem quando a investigação adianta mais um dado novo, que, entretanto, se esvai pelo caminho, um constante vaivém de alentos e desalentos,…”.
“Aqueles que passam por nós não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.” Antoine de Saint-Exupéry
PORQUE "O tempo não abandona ninguém. Precisamos, sim, de pregar-lhe algumas partidas, contorná-lo, fintá-lo, dar-lhe a volta e passar-lhe a perna, quando esse tempo teima em querer parar o nosso tempo.
E a vida continua, mais trôpega daqui, mais coxa dacolá, mas continua."
“Infelizmente, pelos acasos da vida, nem todos nascem com o rabo virado para a lua, como foi o meu e o caso do meu filho.”
“Também cheguei a achar uma enorme audácia aventurar-me na escrita deste livro. Já existem tantos testemunhos, o que poderei eu, que nunca escrevi, levar de novo a estas Mães e Pais em luto como eu?”
PORQUE
“O sofrimento amadurece-nos e surpreende-nos com capacidades capazes de transformar a nossa dor em amor. É o reencontro com a felicidade, com a sabedoria e sensibilidade de saber ver mais além, de brindar o nosso tempo com a nossa riqueza interior e transformar o negativo em positivo, objetivando e realizando.”
“Obrigada, tempo, que continuas a construir-me e a dar-me asas para continuar a caminhar, ...”
A minha própria experiência!
“… não há mortes iguais, não temos tempos iguais, (…) não somos iguais, nem há lutos aliviados por analogia. Apenas temos em comum o sofrimento pela perda dos nossos filhos.”
“… escrever um livro deste “calibre” é (...) um enorme comprometimento. Refiro-me aos pensamentos vulneráveis despejados em desabafos que, após publicados, ficam para sempre à mercê de quem os queira ler, ...”
"Com este livro, não pretendo ensinar como aprender a viver o luto pelos nossos filhos. Não sou licenciada nem doutorada nessa matéria, mas sou Mãe, sensível e racional, pelo que gostaria muito de conseguir passar, através do meu testemunho, a minha mensagem de alento a todas as Mães e Pais em luto."
"Não há cartilhas, estudos ou regras para determinar ao que chamo de tempo certo, porque somos diferentes, vivemos lutos desiguais, precisamos de um tempo que é só nosso e que depende unicamente de nós, para nos reedificarmos, para encontrarmos de novo vontade de viver, mesmo que na dor e no sofrimento. "
"Também não há trilhos melhores ou piores, maiores ou menores para alcançar esta vontade. Cada um, a seu tempo e a seu jeito, encontra o melhor rumo para construir-se na verdade que acredita ser a melhor para si,… e não só,… para quem está connosco, para quem partilha o nosso dia-a-dia,… para todos, na vida cá “fora”. "
É um garoto sem escolha,
criado na rua,
dormindo no chão.
Ei, garoto! Olha aí!
Quem é o teu pai?
- Não sei!
E a tua mãe?
Não sabe o seu nome completo,
é a prostituta
do chulo Anacleto.
Ei, e tu aí!
Não te faças desatento,
o garoto estendeu-te a mão.
Não quer o teu dinheiro
Quer pão,
ou um prato de comida no chão.
Não ignores a sua inocência,
o garoto ainda sente, ele tem coração.

Não tens remorsos da vida que levas?
Bebendo cervejas e comendo tremoços?
E a caminho de casa,
encontras o garoto,
sentado na calçada
e insistes baixar o olhar.
Nunca viveste esta “ sorte”
e nem sabes,… nem queres saber como podes ajudar.
Persistes em baixar o olhar.
É só um garoto sem teto,
com fome,
que procura comida
nos contentores do restaurante
onde tu comes.
Já bebeste da conta,
acendeste um charuto.
Estás dentro, não podes fumar.
E a pobre empregada,
fica sem jeito para avisar,
porque tu pensas que és dono do mundo,
e ela tem vida difícil
e filhos para criar.
E quando saíste,
não viste o garoto sentado à porta do restaurante
onde comeste?
És um ricaço,
recusas conhecer o fracasso.
Não, não grudes o olhar no chão,
o garoto só estendeu a sua mão,
não quer o teu dinheiro,
apenas um naco de pão
ou um prato de comida no chão.

Olha aí, quero avisar!
Esse garoto vai crescer
debaixo do teu olhar,
debaixo do teu nariz empinado.
Acorda, enquanto é tempo,
que ele ainda tem coração.
E o tempo passou,
e o garoto cresceu,
sem lhe dares oportunidade
de viver com dignidade!

Eu avisei-te!
Não digas que não.
O garoto que encontraste tantas vezes,
sentado ou deitado no chão, cresceu.
É já um adolescente,
Já não é mais inocente,
e agora espera que passes,
de olhar grudado no chão.
Sim, aquele mesmo,
que não quiseste ajudar,
que preferiste ignorar,
quando estendeu a sua mão.
E que, enquanto comias no restaurante
ou sorvias cerveja no bar,
ele esperava faminto,
sentado no chão,
à porta da tua mansão.
Foste tão indecente...
Tapaste os olhos
à situação evidente,
do garotinho que morou na tua rua,
à porta do teu casarão.
Já não é mais inocente.
Caminha agora com gente,
gente que também cresceu na rua,
sem pão, sem atenção,
com armas e drogas na mão.
Esse garoto, agora adolescente,
já não é mais inocente,
já não sente, perdeu o seu coração e
aprendeu a ser ladrão.

Ilda Castanheira, 27/08/2012
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