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Concordância nominal e verbal

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by

Jô Fontana

on 1 June 2014

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Transcript of Concordância nominal e verbal

Concordância de palavra para sentido
A palavra determinante pode deixar de concordar em gênero e número com a forma da palavra determinada para levar em consideração, apenas, o sentido em que esta se aplica.

“[...] e calçando seus pares preferidos de sapato.”

Observa-se o desvio de concordância em “seus pares” (preferidos) de “sapato”. Se (ele) está calçando, refere-se a somente um par, já que temos apenas dois pés.

c. Há uma palavra determinada e mais de uma determinante: a palavra determinada irá para o plural ou ficará no singular, sendo, neste último caso, facultativa a repetição de artigo.

Não constatei nenhum exemplo desta norma nos textos analisados. Trago os próprios exemplos de Bechara:

“Li um anúncio, convidando mestra de línguas inglesa e francesa para o colégio.”
“as séries quarta e quinta.”
“a quarta e quinta série (ou séries).”

• Se as palavras determinadas forem de gêneros diferentes, a palavra determinante irá para o plural masculino ou concordará em gênero e número com a mais próxima.

“Na verdade, meu pai e minha mãe são separados à (sic) nove anos”
“Entre uma simples criança e um aluno razoável, sabemos que ambos são ingênuos e moderados.”

Em ambos os casos os alunos preferiram a construção mais comumente usada, justamente por ser mais fácil de ser assimilada: plural e gênero comum (masculino).

Concordância de palavra para palavra
Bechara (2006) divide a concordância nominal em três conjuntos:
concordância de palavra para palavra, concordância de palavra para sentido
e
outros casos de concordância nominal
. Aqui especificarei as regras/normas propostas pelo gramático, sempre que possível à luz de frases ou textos extraídos das redações analisadas e do levantamento conjunto de fenômenos realizados pelos discentes do PROFLETRAS. São textos de alunos de sétimo ano de escolas variadas, mas com um fator em comum: todas são escolas públicas.
Concordância nominal: o cânone
Concordância nominal
Segundo
Bechara
(2006, p. 543), “diz-se concordância nominal a que se verifica em gênero e número entre o adjetivo e o pronome (adjetivo), o artigo, o numeral ou o particípio (palavras determinantes) e o substantivo ou pronome (palavras determinadas) a que se referem.”.
Concordância nominal e verbal
Se observarmos em outras línguas, como o inglês, por exemplo, poderemos nos certificar de como a regra geral de concordância do PB é redundante. Aqui, precisamos falar “as meninas bonitas”, enquanto em inglês basta marcar o substantivo que está tudo resolvido: “the beautiful girls.”
Uma das questões atuais relacionada à concordância nominal é que ela tende a uma enorme simplificação, se não mesmo ao desaparecimento, conforme postula Castilho (2012, p. 461), principalmente na modalidade oral da língua.

“Aquelas alunas atentaØ.”

“Aquelas alunaØ atentaØ.”
a.
Há só uma palavra determinada: a palavra determinante irá para o gênero e número da palavra determinada.


“Porque [o celular] é um elemento de distração [na escola], e [o professor] tem que gritar com [o alunos] porque [na aula] Ǿ estão usando [o celular].”

Aqui se observa que o aluno fez as devidas concordâncias de gênero corretamente, porém desviou da regra na concordância de número.

b. Há mais de uma palavra determinada: observar-se-ão os seguintes casos:

• Se as palavras determinadas forem do mesmo gênero, a palavra determinada irá para o plural e para o gênero comum, ou poderá concordar, principalmente se vier anteposta, em gênero e número com a mais próxima.

“Minha mãe e eu somos super amigas (...).”

Outros casos de concordância
nominal
Aqui são arrolados vinte itens específicos de concordância nominal, tais como “um e outro, nem um nem outro”, “anexo, apenso e incluso”, “dado e visto”, entre outras especificidades da língua. Tais itens não foram encontrados nos textos dos alunos, visto que pertencem a um nível mais avançado de uso da linguagem.
Concordância verbal
Bechara
(2006, p. 543) define a concordância verbal como “a que se verifica em número e pessoa entre o sujeito (e às vezes o predicativo) e o verbo da oração.”.

Castilho
(2012, p. 411) diz que “a concordância é a conformidade morfológica entre uma classe (neste caso, o verbo) e seu escopo (neste caso, o sujeito). Essa conformidade implica, portanto, na redundância de formas, ou seja, se houver marcação de plural no verbo, [...] as marcas de número, o plural, aparecem redundantemente no sujeito.”.


Perini
(2010, p. 273) argumenta que “tradicionalmente se entende a concordância verbal como uma espécie de harmonia entre o verbo e um dos termos da oração, o sujeito: o verbo assumiria certa forma conforme o SN que preenche a função de sujeito, e por isso se diz eu vou, mas você vai e eles vão.”. O autor ainda coloca que esta análise não é adequada, e que é necessário elaborar um novo conceito desse fenômeno, visto que a variação que a concordância verbal sofre em uso pleno da língua é muito maior do que a GN coloca. Um dos fatores a que Perini atribui essa questão é a concordância com um sujeito oculto (desinencial).

Concordância verbal:
abordagem tradicional
A concordância verbal também é dividida em três tópicos gerais pelo gramático:
concordância de palavra para palavra, concordância de palavra para sentido
e
outros casos de concordância verbal.
Concordância de palavra para palavra
I. Há só um sujeito:
a. Se o sujeito for simples e singular, o verbo irá para o singular, ainda que seja um coletivo.


“[...] De acordo com a lei 14.363 em 25 de janeiro de 2008 em Florianópolis Luiz Henrique da Silveira proibiu o uso do celular na escola [...]”.

“(Eu) Não para em lugar algum.”

“Ele simplesmente poderiam deixar o celular em casa, e usar quando voltar da aula.”

“Mas tem gente que não entende, prefere usar na hora da aula”



No primeiro exemplo, percebemos o uso correto da concordância verbal; já no segundo exemplo, o verbo não concorda com o sujeito elíptico “eu”. No terceiro exemplo, o aluno usou o sujeito pronominal no singular, a perífrase no plural e o segundo verbo da oração no singular.

Neste caso, Perini (2010, p. 278) defende que “a diferença entre a terceira pessoa do singular e do plural tende a desaparecer”, principalmente com verbos fonologicamente menos salientes (Ex.: Eles gostava de camarão). Esse tipo de variação ocorre mesmo na fala de pessoas escolarizadas, e é determinada de saliência morfológica (é/são, fala/falam).

Castilho também contribui para essa discussão, trazendo a pesquisa de Naro (1981), que mostrou que essa proximidade mórfica se acentuou com a perda na nasalidade. A perda de nasalidade identifica ele pede a eles pede, ele parte a eles parte. Tudo isso levou à perda da concordância nessa pessoa gramatical (3ª singular/3ª plural).

A terceira sentença tem o sintagma nominal “gente”, que representa um coletivo, mas deve ser considerado no singular. Assim, a CV está correta.
b. Se o sujeito for simples e plural, o verbo irá para o plural.

“[...] daí os professores acabam tirando o celular dos alunos.”

“Mas tem gente que não entende / prefere usar na hora da aula / e tem pais que não tão nem ai e deixam os filhos fazer o que quiser.”

“(Nós) Vamos andar por toda essa cidade de São Paulo até achar o lar adotivo que queremos para vermos a família que sonhamos!”



No primeiro exemplo, percebe-se o uso correto do sujeito plural/verbo plural. Já no segundo exemplo, na primeira oração o uso do coletivo “gente” com o verbo no singular segue a norma. Na segunda oração, temos um SN no plural (pais), e três ações (verbos). O autor da frase concordou os dois primeiros verbos ((es)tão e deixam), já no terceiro verbo (fazer) a regra é desviada.

Vieira (2013, p. 88), através de pesquisas no campo da concordância verbal, relata que esta variedade linguística se dá por conta da distância entre o núcleo do SN sujeito e o verbo: “quanto maior a distância entre esses dois constituintes, maior seria o cancelamento da regra de concordância.”.
II. Há mais de um sujeito:
Se o sujeito for composto, o verbo irá, normalmente para o plural, qualquer que seja a sua posição em relação ao verbo.


Entre uma simples criança e um aluno razoável, sabemos que ambos são ingênuos e moderados.”

“[...] com mais pavor ainda ele ficou quando chegaram os bombeiros e ambulância ai o homem começou a berar, berou, berou.”

“[...] fui para a casa me despejaram porque meu pai e minha mãe não pagaram o aluguel porque nem um deles trabalhão (sic).”

No primeiro e no terceiro exemplos, a CV foi perfeitamente executada na norma, talvez regida pelo princípio “saliência fônica” (é/são; pagou/pagaram).

Vieira, em suas pesquisas, retrata o sujeito posposto como não favorável à concordância, mas no segundo exemplo observamos o contrário, já que a CV está conforme a norma.

Concordância de palavra para sentido
Quando o sujeito simples é constituído de nome ou pronome que se aplica a uma coleção ou grupo, pode o verbo ir ao plural. A língua moderna impõe apenas a condição estética, uma vez que soa geralmente desagradável ao ouvido construções do tipo “O povo trabalham”. Já se houver distância suficiente entre o sujeito e o verbo e se quiser acentuar a ideia de plural ou coletivo, o plural é mais “aceitável”.

“Mas muitos alunos usar o celular na sala de aula / para ficar mandando mensagens / eles ficão (ficam) mexendo nas redes sociais / e muita gente fica ouvindo música / e nem presta atenção na aula / e depois não consegue estudar para a prova / e roda / e ficão (ficam) perguntando porque rodou.".

Este exemplo, além da discordância na primeira oração, apresenta desvio no final: “muita gente fica ouvindo / presta / consegue estudar / roda / ficão (ficam)”.

O sintagma nominal é composto por um substantivo que indica coletivo, mas deve ser considerado no singular. O autor do texto fez a devida concordância em todos os verbos, com exceção do último deles.

Há duas formas de encarar o fato, a meu ver: considera-se desvio, levando em consideração a pesquisa já citada por Vieira (1995) (distância entre o SN e o verbo), ou considera-se aceitável, usando o contexto de Bechara (se houver distância suficiente entre o sujeito e o verbo e se quiser acentuar a ideia de plural ou coletivo, o plural é mais “aceitável”).

Outros casos de concordância verbal
Novamente Bechara estipula inúmeras normas cujas teorias gerais aplicadas pela CV não conseguem abarcar. São as chamadas “regras particulares, particularidades, exceções”, conforme cita Vieira (2013, p. 86). “Recebem tratamento diferenciados os casos de sujeito que envolvem as expressões partitivas e de quantidades aproximadas; os pronomes relativos que e quem; os pronomes interrogativos; os conectivos ou, nem ou com; a expressão um e outro; as orações com o verbo ser, entre outros.”.
Evimarcio Aguiar & Josiane Bez Fontana
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