Loading presentation...

Present Remotely

Send the link below via email or IM

Copy

Present to your audience

Start remote presentation

  • Invited audience members will follow you as you navigate and present
  • People invited to a presentation do not need a Prezi account
  • This link expires 10 minutes after you close the presentation
  • A maximum of 30 users can follow your presentation
  • Learn more about this feature in our knowledge base article

Do you really want to delete this prezi?

Neither you, nor the coeditors you shared it with will be able to recover it again.

DeleteCancel

Make your likes visible on Facebook?

Connect your Facebook account to Prezi and let your likes appear on your timeline.
You can change this under Settings & Account at any time.

No, thanks

Psicopatologia

No description
by

Mirian Oliveira

on 12 September 2011

Comments (0)

Please log in to add your comment.

Report abuse

Transcript of Psicopatologia

Psicopatologia - princípios básicos Saúde - (OMS) perfeito bem-estar físico, mental e social, e não apenas ausência de doença ou deficiência. ausência de doença 1. saúde como bem social e não individual 2. primazia da prevenção 3. direito do cidadão, em contrapartida do dever do Estado, enquanto agência de bem-estar, de prover este direito 4. a afirmação da realidade biopsicossocial dos seres humanos todas as doenças possuem sua dimensão bio-psico-social Critérios: normal x patológico Subjetivo consciência do sofrimento sentir-se enfermo consciência de estar doente prejuízo pessoal ou impedimento qualquer Estatístico comportamentos desviantes (padrões estatísticos) * todas as funções que possam ser mensuradas ou cuja performance possa ser qualificada Normativo padrão morfológico ideal aspecto biológico individual Sofrimento Schneider
"anormal seria aquele que em função de seu estado anômalo, sofre e faz sofrer a sociedade". este critério não pode ser absolutizado pois causaria exageros critério prático e de fácil entendimento do senso-comum MAS arbitrário Adaptabilidade sentido funcional maior ou menor capacidade que o organismo possui para funcionar de forma eficiente e eficaz em condições diversas daquelas a que está adaptado "A capacidade de se ajustar a novas condições de existência, sem perda ou prejuízo significativo da funcionalidade". psicológicos: a possibilidade de uma conduta empreendedora e a aptidão para criar, construir, possibilidade de auto-realização, não impedida ou limitada objetivamente aptidão para o autoconhecimento, no sentido de ser capaz de dar conta de suas possibilidades e limitações relativo grau de consciência de seus motivos e finalidades razoável grau de capacidade de resistência à tensão e as frustrações autonomia pessoal e social integridade e capacidade de perceber a realidade possibilidade de dirigir e controlar sua conduta global, modulando ou controlando os impulsos automáticos e aptidão para aprender Exercício da liberdade "Precisamente o típico comportamento intencional, característico do homem, a utilização plena de seus atributos psicológicos de indivíduo, afirmado numa pessoa, pelo desenvolvimento consequente de um projeto em torno de valores diretivos axiais, é o que resulta anulado pela confluência do amplo complexo de causas e situações que pertencem `a categoria do psicopatológico". o critério do exercício da liberdade é o mais possível de ser generalizado para a conceituação do patológico. quer se trate de deficiência ou impedimento, quer se trate de sofrimento inadequado ou de doença mental, o que todas estas condições tem em comum, é que seu objeto está privado da liberdade ou dificuldade em exercê-la. Epidemiologia dos transtornos mentais 30% na população adulta casos que demandam algum cuidado médico - 20% Mulheres: 9,0% - Transtornos de ansiedade 3,0% - Transtornos somatomorfos 2,6% - Transtornos depressivos Homens: 8,0% - Dependência de álcool 4,3% - Transtornos de ansiedade os transtornos psiquiátricos são mais frequentes na população feminina, aumentam com a idade e apontam para um excesso no estrato de baixa renda. DSM - IV - TR 1. Transtornos geralmente diagnosticados pela primeira vez na infância e adolescência Retardo mental - leve, moderado, grave e profundo. Transtornos da aprendizagem:

Transtorno de Leitura
Transtorno da matemática
Transtorno da expressão escrita
Transtorno da aprendizagem SOE Transtornos da Comunicação

T. Linguagem Expressiva
T. Misto da linguagem receptivo-expressiva
T. fonológico
Tartamudez (gagueira)
T. Comunicação SOE Transtornos Globais do desenvolvimento

T. Austista
T. Rett
T. Desintegrativo da infância
T. Asperger
T. Global do desenvolvimento SOE TDA e de comportamento disruptivo

TDA - H: combinado, desatento, hiperativo-impulsivo
TDA-H SOE

T. conduta:
Início na infância
início na adolescência
início inespecificado

T. Desafiador de Oposição
T. Comportamento Disruptivo SOE 2. Delirium, Demência, Transtornos amnéstico e Outros transtornos cognitivos 3. Transtornos Relacionados à substâncias 4. Esquizofrenia e outros transtornos psicóticos o termo psicótico é associado à delírios e alucinações proeminentes, ocorrendo na ausência de insight sobre a natureza da sua patologia. Esquizofrenia: é um transtorno que dura por pelo menos 6 meses e inclui pelo menos 1 mês dos sintomas ativos (um ou mais; delírio, alucinação, fala desorganizada, comportamento catatônico, que são os sintomas negativos). Subtipos: paranóide, desorganizada, catatônica, indiferenciada e residual. Transtorno Esquizofreniforme: caracterizado pela expressão sintomática similar a esquizofrenia exceto pela duração de 1 à 6 meses. Transtorno Esquizoafetivo: transtorno no qual o episódio de humor e a fase ativa dos sintomas da esquizofrenia ocorrem juntos e foram precedidos ou são seguidos de pelo menos 2 semanas de delírios ou alucinações sem sintomas de humor proeminentes. 5. Transtornos de Humor (slides ppt) 6. Transtornos de Ansiedade Pânico sem Agorafobia Pânico com Agorafobia Fobia Específica - animal, ambiente, sangue-injeção-ferimentos, situacional, outro Fobia social Transtorno Obsessivo-compulsivo Transtorno de Estresse pós-traumático Transtorno de Estresse agudo Transtorno de Ansiedade Generalizada Transtorno de Ansiedade induzido por Substância Transtorno de Ansiedade SOE Ataque de Pânico - Período discreto em que há o aparecimento súbito e intenso de apreensão, medo intenso ou terror geralmente associados com sentimentos de impedimento ou morte. Durante esses ataques, os sintomas são: perda de ar, taquicardia, dor ou desconforto no peito, sensação de choque elétrico ou de moleza, e medo de "ficar louco" ou de perda do controle do momento presente. é a ansiedade sobre, ou a evitação de, lugares ou situações nas quais escapar pode ser difícil (ou vergonhosa) ou na qual a ajuda pode não ser disponível no evento do ataque de pânico ou nos sintomas de pânico. é caracterizado por recorrentes e inesperados ataques de pânico e na qual há uma preocupação persistente. é caracterizada pela ansiedade clinicamente significante provocada pela exposição a um objeto ou situação temida frequentemente fazendo com que o indivíduo passe a evitá-los. é caracterizado pela ansiedade clinicamente significativa provocados pela exposição a determinadas tipos de situação ou desempenho social, geralmente fazendo com que o indivíduo passe a evitá-los. caracterizado por obsessões (as quais causam marcada ansiedade e angústia) e/ou por compulsões (que servem pra neutralizar a ansiedade). caracterizado pela reexperiência dos sentimentos experenciados numa situação de estresse intenso, o que leva o indivíduo a evitar os estímulos ou as situações que possam remetê-lo ao evento traumático. possui as mesmas características do estresse pós-traumático que ocorrem imediatamente como resultado de um evento extremamente traumático. caracterizado por pelo menos um período de 6 meses de ansiedade ou preocupação excessivas. caracterizado pela ansiedade proeminente induzida por uma condição farmacológica (drogas de abuso, medicação ou exposição a toxinas). 7. Transtornos Somatoformes T. Somatização T. Somatoforme indiferenciado T. Doloroso Hipocondria T. Dismórfico corporal A característica comum a todos esses transtornos é a presença de sintomas físicos que não são melhor explicados por uma condição médica geral, nem pelo efeito direto do uso de substâncias, por outro transtorno mental (por exemplo t. de pânico). os sintomas devem causar angústia clinicamente significativa, ou prejuízo social, ocupacional, ou outras áreas de funcionamento. Esses sintomas físicos não são intencionalmente produzidos nem simulados. é caracterizado por queixas físicas inexplicáveis durando pelo menos 6 meses que é o limite inferior para o diagnóstico do transtorno de somatização. é a preocupação com o medo ou a idéia de ter uma doença séria baseada na mal interpretação dos sintomas físicos ou funcionamento do corpo feitas pelo indivíduo. é a preocupação com um defeito na aparência física que pode ser imaginada ou exagerada. 8. Transtornos Factícios 9. Transtornos Dissociativos Amnésica dissociativa Fuga dissociativa T. dissociativo de identidade T. de despersonalização T. dissociativo SOE 10. Transtornos Sexuais e da Identidade de Gênero 11. Transtornos alimentares 12. Transtornos do sono 13. Transtorno do controle dos impulsos não classificados em outro lugar T. Explosivo intermitente Cleptomania Piromania Jogo patológico Tricotilomania 14. Transtorno da Adaptação 15. Transtorno da Personalidade Paranóide Esquizóide Esquizotípica Anti-social Borderline Histriônica Narcisista Esquiva Dependente Obsessivo-compulsiva é caracterizado pelo episódios discretos de falha ao resistir a impulsos agressivos resultando em sérios ataques ou destruição de propriedade. é caracterizada pela recorrente falha de controlar o impulso de roubar objetos não necessários para uso pessoal ou de valor monetário. é caracterizado por um padrão de atear fogo por prazer, gratificação ou alívio da tensão. é caracterizado pelo recorrente e persistente comportamento mal adaptado de apostar. caracterizada por arrancar recorrentemente os cabelos por prazer, gratificação, ou alívio da tensão que resulta na perda notável de cabelos. padrão de personalidade de descrença ou suspeita dos motivos dos outros, geralmente interpretados como sendo malévolos. padrão de distanciamento dos relacionamentos sociais e expressão restrita de sentimentos. padrão de desconforto agudo de relacionamentos próximos, distorções cognitivas e perceptuais, e excentricidades de comportamento. padrão de desconsideração dos direitos dos outros, de violação dos direitos alheios. padrão de instabilidade nos relacionamentos interpessoais, auto-imagem, afetos, e marcada impulsividade. padrão de excessiva emotividade e busca por atenção. padrão de grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia. padrão de inibição social, sentimentos de inadequação, e hipersensibilidade a avaliações negativas. padrão de comportamento submisso e agarrado (pegajoso) relacionada a uma excessiva necessidade de ser cuidado. padrão de preocupação com ordem, ordenação, perfeccionismo e controle. Alterações psíquicas Alterações da percepção e sensação Sensação: é o fenômeno psíquico elementar, que resulta da ação da luz, do som, do calor sobre nossos órgãos dos sentidos. Podem ser externas e internas. As externas refletem as propriedades e aspectos isolados das coisas e fenômenos que se encontram no mundo exterior. Incluem-se as sensações visuais, auditivas, gustativas, táteis e olfativas. Condições: 1º. Excitação de um órgão sensorial (receptor); 2º. Transmissão da excitação, através das vias sensitivas, ao centro cortical; 3º. Recepção pelo centro cortical.
As sensações internas refletem movimentos de partes isoladas do nosso corpo e o estado dos órgãos internos. Percepção: designa o ato pelo qual tomamos conhecimento de um objeto do meio exterior, considerado como real, isto é, como existente fora da própria atividade perceptiva. A maior parte de nossas percepções provém do meio externo, pois as sensações que os órgãos internos nos proporcionam são confusas e desempenham papel limitado na elaboração do conhecimento do mundo. É a apreensão de uma situação objetiva baseada em sensações, acompanhada de representações e freqüentemente de juízos, num ato único, o qual somente pode ser decomposto por meio de análise. Alterações na intensidade das sensações: as alterações na intensidade das sensações referem-se ao aumento e à diminuição do número e da intensidade dos estímulos procedentes dos diversos campos da sensibilidade. Hiperestesia: aumento na intensidade das sensações. Aumento da sensibilidade aos vários estímulos sensoriais nos estados de elevação da atividade pessoal. Hipoestesia: diminuição na sensibilidade especial. A diminuição da sensibilidade aos estímulos sensoriais é observada em todos os casos que se acompanham de depressão. Coincide com a diminuição dos reflexos, elevação da sensibilidade fisiológica e lentidão dos processos psíquicos. Anestesia: designa a abolição de todas as formas de sensibilidade. Analgesia: perda da sensibilidade à dor, com conservação de outras formas de sensibilidade – tátil, térmica e discriminatória. Alterações da percepção: inclui as agnosias, as alterações de síntese perceptiva, as ilusões sensoriais e as aberrações perceptivas. Agnosias: lesão de um órgão sensorial periférico, do nervo aferente ou da zona cortical de projeção correspondente determina o desaparecimento das sensações. Quando a lesão se restringe à área cortical de projeção, o enfermo não tem noção da perda das sensações correspondentes, comportando-se como se as ignorasse. Quando a lesão ocorre nas áreas de diferenciação das sensações elementares, em seu reconhecimento e integração, mantém-se a integridade das sensações elementares, porém, há alteração do ato perceptivo. Nesses casos, fala-se de agnosia. Consiste numa alteração intermediária entre as sensações e a percepção. Agnosia visual: podem ser para objetos, formas, cor e de espaço. Nos dois primeiros casos o paciente mostra-se incapaz de identificar o objeto ou a forma que é apresentada, em virtude de se encontrar alterada a integração das sensações elementares. Os conteúdos da esfera óptica constituem para o paciente muito mais contornos, superfícies e cores, luzes e sombra, do que “coisas” dotadas de realidade; com freqüência não se destacam bem entre si, carecem de definição clara e patente e de relação nítida com o que se acha próximo a eles no espaço óptico, assim como de “lugar” dentro do âmbito da vivência individual. Agnosia tátil: incapacidade para reconhecer objetos mediante o sentido do tato, apesar da sensibilidade se encontrar conservada no fundamental. Podem ser de dois tipos:
1. Agnosia primária ou perceptiva – transtorno sobre a qualidade dos objetos. Perda da discriminação de diferentes intensidades e extensão das sensações táteis.
2.Agnosia semântica – também conhecida como astereognosia. Neste caso a análise da forma é correta, porém não há identificação do objeto quanto ao seu valor e utilização, só o conseguindo através de deduções e suposições. Agnosia auditiva: o paciente ouve sons e ruídos, porém não os pode identificar; não os compreende. Por exemplo não reconhecer um relógio pelo tique-taque ou um chaveiro pelo tilintar das chaves. Ilusão: é a percepção deformada de um objeto real e presente. Por determinadas condições, entre as quais se incluem os estados emocionais mais ou menos intensos e a falta de atenção, podem ser observadas ilusões até mesmo em pessoas normais. A emoção tem o poder de transformar ilusoriamente nossas percepções. Diz-se comumente que não há lobos pequenos, todos são enormes, porque o medo intervém na apreciação das dimensões. Um estado emocional patológico pode intensificar ao máximo a tendência à ilusões. Aberrações perceptivas: “aberração sensorial”, consiste no fato de se emprestar cores inusitadas aos objetos exteriores. O fenômeno é observado na alteração perceptiva provocada pela mescalina, quando objetos adquirem cores aberrantes, que não existem realmente. Alterações das representações: Representação: ato de conhecimento que consiste na reativação de uma lembrança ou imagem mnemônica, sem a presença real do objeto correspondente. As representações são constituídas pelas imagens dos objetos e fenômenos percebidos nas experiências anteriores e evocadas de modo voluntário ou involuntariamente. Percepção

As percepções são corpóreas (possuem caráter de objetividade)

As percepções aparecem no espaço externo.

As percepções possuem desenho determinado, se acham completamente e com todos os detalhes diante de nós.

Nas percepções os diversos elementos da sensação apresentam todo o frescor sensorial; por exemplo as cores brilhantes.

As percepções são constantes e podem ser facilmente retidas do mesmo modo.

As percepções são independentes da vontade, não podem ser evocadas nem modificadas arbitrariamente. São aceitas com o sentimento de passividade.
As representações tem natureza da imagem (possuem caráter de subjetividade) Representação

As representações aparecem no espaço subjetivo interno.

As representações tem desenho indeterminado, se acham incompletamente e apenas em alguns detalhes diante de nós.

Nas representações só ocasionalmente alguns elementos são adequados aos elementos da percepção. Mas quanto à maioria dos elementos, as representações não são adequadas. Muitas pessoas representam, opticamente tudo de cor parda.

As representações se esvoaça, e esboroam e devem ser criadas de novo.

As representações dependem da vontade, podem ser evocadas e modificadas arbitrariamente. São produzidas com sentimento de atividade. Alucinações: imagem representativa ou a imagem fantástica que adquire os caracteres de sensorialidade necessários para ser aceita pelo juízo de realidade como proveniente de um objeto exterior. São falsas percepções corpóreas que não se originam, por transformação, de percepções reais e sim de modo inteiramente novo, e que surgem paralelas e juntamente com percepções reais. A alucinação consiste no fenômeno de perceber objetos, com todas as características da sensação, na ausência do estímulo sensorial. Na alucinação, a imagem representativa ou fantástica adquire todos os elementos que caracterizam a imagem perceptiva, faltando porém o estímulo exterior, isto é, o objeto que lhe daria origem. As alucinações podem ser classificadas em dois grupos: 1) Elementares: quando contém apenas os elementos de uma sensação; 2) Complexas: palavras, frases, pessoas. Alucinações visuais: Apresentam-se principalmente nas alterações de consciência. Alucinações liliputianas: tipo especial de alucinação visual no que, além da percepção normal dos objetos e pessoas que o rodeiam, o enfermo enxerga uma série de personagens minúsculos, isolados ou acompanhados de pequenos animais em movimento. É a visão de personagens minúsculas, homens e mulheres, de altura variável, geralmente de 10 a 25 centímetros, ora sós, ora acompanhadas de pequenos animais ou de pequenos objetos, guardando suas proporções relativas. Alucinações autoscópica: é uma variedade de alucinação visual em que o enfermo percebe sua imagem corporal como se estivesse diante de si próprio. Também conhecida como alucinação especular, heutoscópica ou heutoscopia. Caracteriza-se pelo aparecimento súbito diante do paciente de um verdadeiro duplo de si mesmo. Alucinações extracampinas: casos em que as visões se localizam fora do campo sensorial correspondente. O paciente vê pessoas que estão atrás de sua cabeça. Alucinações auditivas: são as mais freqüentes e as mais importantes. Apresentam-se sob a forma elementar: ruídos, zumbidos, murmúrios, estalidos; e sob a forma complexa: como “vozes” que censuram e ameaçam, como melodias, toques de campainha. O enfermo pode ouvir uma única voz, que repete uma palavra ou diz frases completas, ou muitas vozes que mantém entre si uma conversação. Alucinações táteis e de contato: As primeiras são encontradas nas perturbações mentais tóxicas. Os enfermos sentem sobre a pele pequenos animais. Encontram-se com mais freqüência nos transtornos psicóticos tóxicos, especialmente no delirium tremens e no cocainismo. Nesses casos, os pacientes sentem que pequenos animais andam sobre a pele, como baratas, aranhas, percevejos, pulgas, piolhos, formigas. Alucinações olfativas e gustativas: São relativamente raras. Apresentam-se quase sempre associadas. Observam-se, habitualmente, na esquizofrenia, e tem, em geral, conteúdo desagradável. O enfermo é perseguido por sensações repugnantes de mau odor: de cadáver, de carne deteriorada, de pano queimado, de lixo, de mofo, de cheiro pútrido de fezes. Em alguns casos, ao doente parece que o mau odor provém dele próprio. Alucinações cinestésicas: estas alucinações relacionam-se com os movimentos e, em certo sentindo, com o equilíbrio. Alguns pacientes tem a impressão de que o seu corpo realiza, espontaneamente, determinados movimentos. Outros admitem que os seus músculos se contraem, que um dos braços se levanta ou uma das pernas se encolhe, sem que, na realidade, se observe qualquer movimento na parte indicada. Alucinações cenestésicas: podem estar relacionadas com sensações anormais em diferentes partes do corpo, localizadas, de preferência, no sexo feminino, nos órgãos genitais. Estas podem representar a revivência de imagens de contato, ocasionadas por traumas nas zonas erógenas. Em geral, as alucinações cenestésicas manifestam-se combinadas com delírio de influência física, isto é, sensações anormais que são impostas do exterior, através de aparelhos especiais. Alucinações psíquicas: fenômenos alucinatórios de difícil interpretação. As imagens alucinatórias não tem um verdadeiro caráter sensorial, objetivo. Os enfermos fazem referência a “palavras sem som”, dizem por exemplo, que falam com indivíduos estranhos por “direta comunicação do pensamento”, por uma espécie de “linguagem dos espíritos”, feita de “vozes sem ruído”, de “palavras secretas e interiores que não soam”. Alucinose: o termo alucinose foi empregado pela primeira vez, por Wernicke, para designar os estados alucinatórios agudos, observados nos alcoolistas. Trata-se de uma síndrome caracterizada por alucinações auditivas verbais, dotadas de grande nitidez sensorial, estado de ânimo angustioso, conservando o doente pela lucidez da consciência, orientação e capacidade crítica em face das perturbações alucinatórias. Casos em que as alucinações se apresentam como “figuras perceptivas ilusórias”, dotadas de vivacidade sensorial e criticadas pelos enfermos. Pseudo-alucinações: são produtos patológicos da atividade representativa. Constituem-se de imagens dotadas de clareza sensorial, as quais, ao contrário das alucinações verdadeiras, são percebidas numa espécie de espaço subjetivo. Distinguem-se das alucinações pelo fato das imagens visuais e as vozes serem localizadas no interior da cabeça ou na parte interna do corpo. Casos em que as imagens percebidas carecem de objetividade. Visões fantásticas: representam um fenômeno psicopatológico muito raro e são constituídas por imagens projetadas no campo visual subjetivo. Tais fenômenos são extremamente variados, móveis, coloridos e manifestam-se espontaneamente ou por influência da vontade. Para isso, além das condições pessoais específicas, é necessário que o enfermo se coloque em posição adequada, com os olhos cerrados e com a atenção inteiramente passiva. Acompanha-se de tonalidade afetiva agradável. Alterações dos conceitos: Conceito é definido como a “construção simbólica do espírito que, além dos dados sensoriais, tenta alcançar a essência dos objetos, agrupando-os num mesmo conjunto”. A palavra provém do latim conceptu=concipere: reunir, apreender de conjunto. É a redução do múltiplo à unidade, que nos faz apreender, em um só ato de pensamento, uma quantidade infinita de objetos, os guardam entre si algo de semelhante. O conceito é o elemento estrutural do pensamento. Desintegração e condensação dos conceitos: a palavra se desprende por completo de sua significação propriamente dita. A perturbação é tão grave que se tem a impressão de que até mesmo as idéias mais simples sofreram o processo de desintegração.
Na condensação ou justaposição de conceitos, verifica-se que duas ou mais idéias são condensadas ou se fundem em um pensamento. Perda das relações conceituais: consiste na transformação dos sistemas de relações conceituais estabelecidas antes da enfermidade. A expressão pode ser considerada como sinônimo de desagregação, mas não no sentido de dissociação psíquica e fragmentação do pensamento. Determinados sistemas de relações conceituais se destroem, porque as suas partes integrantes adquirem novas relações, ficando completamente transformadas. Alterações dos juízos: Juízo consiste, do ponto de vista da lógica formal, na afirmação ou negação de uma relação entre dois conceitos. O juízo pode expressar a verdade ou o erro, conforme suas afirmações correspondam ou não à realidade. Por essa razão, o único critério de verdade dos juízos é a sua consonância com a realidade objetiva. Conceito de delírio: alterações globais e profundas da consciência, tais como são observadas nos transtornos mentais. Significa um conjunto de juízos falsos, que se desenvolvem em conseqüência de condições patológicas preexistentes e que não se corrigem por meios racionais. São juízos infundados que ocorrem ao individuo, o qual os vivencia como verdades incontestáveis e retira delas conseqüências, como um juízo fundamentado. Por isso, os enfermos delirantes são capazes de discorrer com uma lógica impecável, porém conseqüentemente com a falsidade que lhe serve de ponto de partida. Tipos de delírio Delírio de perseguição: surge, em muitos casos, de maneira súbita, como inspiração, pensamento que aparece na mente enferma com o incomparável sentimento de certeza subjetiva que lhe é característico. Em outros casos, o delírio se desenvolve lenta e progressivamente durante meses e esteve associado a um estado atormentador de inquietação interna, caracterizado por sensações angustiantes, perplexidade, insegurança e estranheza de si mesmo. A conduta do enfermo, neste período, caracteriza-se por uma desconfiança excessiva, especialmente em relação às pessoas com as quais se encontra em contato imediato. Tudo serve de motivo para alimentar a desconfiança. Delírio de relação: as ocorrências mais simples começam a adquirir significação especial. Tudo aquilo que acontece no mundo exterior está relacionado de maneira especial com o paciente. Os fatos mais insignificantes são considerados como tendo uma significação especial em relação ao paciente. Delírio de influência: os pacientes se sentem vítimas de influências telepáticas, de radiações, de choques elétricos, que lhes são aplicados à distância através de aparelhos especiais. Os doentes se referem a máquinas, especialmente inventadas, com a ajuda das quais os inimigos agem sobre a sua pessoa, causando-lhe pensamentos estranhos. A presença de delírio de influência é sinal de mau prognóstico, pois de modo geral, esta forma de delírio conduz a uma alteração grave da personalidade. Delírio de ciúme: o doente se convence de que é enganado ou tentam enganá-lo. Por esse motivo, em relação ao cônjuge, mantém uma vigilância contínua. Tudo serve para alimentar a desconfiança patológica em torno do outro e para determinar modificação das vivências no sentido do delírio. Delírio de grandeza: varia de acordo com a época, com o meio em que o paciente vive, com o grau de instrução e com as concepções do mesmo. Pode assumir aspectos variados: em determinados doentes observa-se delírio ambicioso, de riqueza ou de grandeza propriamente dito, de invenção, de reforma social, erótico, em outros. O delírio ambicioso assume, geralmente, o aspecto de uma apreciação exagerada da própria personalidade. O delírio de invenção, embora não muito freqüente, reveste o aspecto de invenção de aparelhos e de descobertas científicas. O delírio de reforma constitui uma variedade do delírio de grandeza e se manifesta sob a forma de delírio de reforma social, política, econômica, religiosa, moral. O delírio erótico é uma variedade do delírio ambicioso. Manifesta-se em geral orientado para celebridades, pelos quais o doente se encontra perdidamente apaixonado. Em alguns casos, o doente mantém uma atitude platônica; em outros, porém, vai acompanhado de desejo sexual, com a tentativa de atos violentos de posse. Os doentes estão inteiramente convencidos de que são correspondidos e, para reforçar essa crença, interpretam gestos e o olhar do artista no palco, dirigidos a ele como prova de amor. Alterações do raciocínio O termo raciocínio é usado em dois sentidos: lógico e psicológico. Em seu sentido lógico, consiste em selecionar e orientar os dados do conhecimento tendo como objetivo alcançar uma integração significativa, que possibilite uma atitude racional ante as necessidades do momento. Chama-se juízo o processo que conduz ao estabelecimento dessas relações significativas. Julgar é, nesse caso, estabelecer uma relação entre dois conceitos. A função que relaciona os juízos recebe a denominação de raciocínio. A palavra serve também para designar as operações dedutivas e indutivas. Em seu sentido lógico, o raciocínio não é nem verdadeiro nem falso: é correto ou incorreto. Em psicologia, o termo raciocínio tem o mesmo sentido de pensar. Inibição do pensamento: é um sintoma que se manifesta geralmente unido à lentidão de todos os processos psíquicos. Caracteriza-se pela diminuição do número de representações evocáveis na unidade de tempo e pela lentidão do curso do pensamento. Fuga de idéias: é uma perturbação da expressão do pensamento, caracterizada essencialmente por uma variação incessante do tema e uma incapacidade absoluta de levar o raciocínio a uma conclusão. Acompanha-se de uma tendência irresistível a falar, que, nos casos mais pronunciados, atinge a logorréria, verdadeira torrente de palavras relacionadas por assonância e sem sentido lógico. Interceptação do pensamento: observa-se com freqüência o aparecimento inesperado de interceptação das representações e das idéias. Esta alteração é expressa de modo imediato na linguagem: o doente começa a expor um assunto qualquer e, subitamente, se detém. Às vezes, depois de alguns instantes, volta a completar o pensamento interrompido. Outras vezes, inicia um ciclo de pensamento completamente diverso do anterior. Compulsão a pensar: consiste no fato do doente sentir-se forçado a pensar. Essa alteração caracteriza-se, principalmente, pelo fato de surgirem na consciência, ao lado daquilo que é desejado, pensamentos de conteúdo casual, que se manifestam independentemente da vontade do doente. O fenômeno pode ir acompanhado de um sentimento desagradável de coação. Exemplos: “pressa de pensar”; “as idéias atropelam sua cabeça”; “urgência no pensar”. Pensamento derreísta: o pensar, nesses casos, encontra-se profundamente alterado. O pensar não obedece as leis da lógica, manifesta-se sob a forma de devaneio, nos casos mais acentuados, tudo transcorre como se o indivíduo estivesse submerso num verdadeiro estado de onirismo. O ato intencional de pensar não se ajusta à realidade. Predominam, então, as tendências individuais, os desejos e os temores. Concretismo: trata-se de uma modalidade especial de alteração do pensamento, que consiste na incapacidade do indivíduo para fazer distinção entre o simbólico e o concreto. Em muitas pessoas, esta manifestação não representa algo de anormal, sendo com freqüência, o resultado de incultura. Em outros, porém, a sua apresentação adquire um caráter nitidamente patológico. Pensamento obsessivo: constitui-se de representações que, sem que a sua tonalidade afetiva explique, aparecem na consciência com o sentimento subjetivo de sua obrigatória persistência, não podem se afastadas dela pelos esforços voluntários de quem as padece e, conseqüentemente, dificultam e entorpecem o curso ordinário das representações, ainda que o indivíduo se dê conta de sua falta de fundamento e, também, reconheça, na maioria dos casos, a falsidade de seu conteúdo e caráter francamente patológico do fenômeno. O essencial do sintoma consiste no fato de o pensamento obsessivo se impor à consciência do doente, do qual não se pode livrar pelo esforço da vontade. Prolixidade: consiste na incapacidade que o enfermo revela para selecionar as representações essenciais das acessórias. Como resultado, o pensamento do enfermo não desenvolve o tema principal; ao contrário, perde-se a todo instante numa série de pormenores desnecessários, dando ao raciocínio um aspecto pegajoso, arrastado e difícil. Incoerência: o pensamento incoerente é confuso, contraditório e ilógico. Os conceitos estão representados por símbolos, como no sonho, e o raciocínio não leva em conta as leias da lógica, razão pela qual o pensamento se manifesta em franca discordância com a realidade objetiva. Distingue-se a incoerência da fuga de idéias, porque nesta há uma ligação compreensível entre um e outro termo. Por este motivo, é possível compreender de algum modo o enfermo que apresenta fuga de idéias, o que não acontece com um incoerente. Alterações de orientação complexo de funções psíquicas em virtude das quais temos consciência, em cada momento de nossa vida, da situação real em que nos encontramos. A orientação se encontra intimamente ligada às noções de espaço e tempo. Desorientação apática: embora o paciente esteja completamente lúcido e perceba com clareza e nitidez sensorial o que se passa no mundo exterior, existe falta de interesse, inibição psíquica ou insuficiente energia psíquica para elaboração das percepções e do raciocínio. O paciente percebe todas as particularidades do ambiente, mas não tem capacidade para formar um juízo sobre sua própria situação. Desorientação amnéstica: as perturbações da memória, que se acompanham de deficiência ou incapacidade de fixação, determinam o aparecimento de desorientação no tempo e no espaço denominada desorientação amnéstica. Caracteriza-se pela incapacidade que o paciente demonstra para fixar os acontecimentos e, conseqüentemente, para orientar-se no tempo, no espaço e em suas relações com o as pessoas do ambiente. Desorientação delirante: apesar da completa lucidez da consciência, conservação da orientação e inexistência de alterações sensoperceptivas, observa-se em alguns enfermos mentais um tipo de desorientação, resultado da adulteração da situação no tempo e no espaço. Nesses casos, é muito freqüente observar uma dupla orientação, a delirante ao lado da orientação normal, de sorte que os doentes, embora orientados no tempo e no espaço, acreditam que se encontram numa prisão ou no inferno. Alterações de consciência entendida como o complexo de fenômenos psíquicos elementares ou complicados, afetivos e intelectivos, que se apresentam na unidade de tempo e que permitem o conhecimento do próprio eu e do mundo exterior. Obnubilação da consciência: desvio mórbido do curso normal dos processos psíquicos. Caracteriza-se, essencialmente, pela diminuição do grau de clareza do sensório, com lentidão da compreensão, dificuldades da percepção e da elaboração das impressões sensoriais. Notam-se ainda alteração do curso do pensamento, perturbação da fixação e da evocação, certo grau de desorientação acompanhando-se tudo isso de sonolência mais ou menos acentuada Coma: o termo provém do grego e significa precisamente “sono profundo”. Entende-se por coma o estado mais acentuado de perda da consciência, que se acompanha, geralmente, de perturbações neurológicas e somáticas gerais. Confusão mental ou amência: turvação mais ou menos acentuada da consciência, acompanhada de fenômenos de excitação psicomotora. Quadro de confusão fantástica, acompanhada de transtornos ilusórios e alucinatórios, e inquietação motora. Resulta na incapacidade de apreender a realidade objetiva. Estados crepusculares: estreitamento transitório da consciência, com a conservação de uma atividade mais ou menos coordenada. Acompanha-se de falsa compreensão da situação. Em geral, a percepção do mundo exterior é imperfeita ou de todo inexistente. Em alguns casos, é possível observar a presença de alucinações e idéias deliróides. Onirismo: estado de sonho patológico. Predominância extraordinária das representações imaginadas sobre as perturbações sensoriais e sensitivas, que são acentuadamente deformadas e amplificadas. Alterações da afetividade capacidade de experimentar sentimentos e emoções. A afetividade compreende o estado de ânimo ou humor, os sentimentos, as emoções e as paixões. Hipertimia: ou estado de ânimo morbidamente elevado, distinguem-se a euforia e a exaltação afetiva patológica. A euforia simples traduz-se por um estado de completa satisfação e felicidade. Verificam-se elevação do estado de ânimo, aceleração do curso do pensamento, loquacidade, vivacidade da mímica fácil, aumento da gesticulação, riso fácil e logorréia. Na exaltação patológica há não só a euforia, mas, também, aumento da convicção do próprio valor e das aspirações. Vai acompanhada de aceleração do curso do pensamento, que pode chegar à fuga de idéias, desviabilidade da atenção e certa facilidade para passar rapidamente do pensamento à ação. Hipotimia: ou depressão patológica, verifica-se o aumento da reatividade para os sentimentos desagradáveis, podendo variar desde o simples mal-estar até o estupor melancólico. Caracteriza-se, essencialmente por uma tristeza profunda e imotivada, que se acompanha de lentidão e inibição de todos os processos psíquicos. Apatia ou indiferença afetiva: abolição da afetividade, embotamento afetivo. Ou alteração qualitativa dos processos afetivos, tornando os sentimentos inadequados e inteiramente incompreensíveis para as pessoas normais. Irritabilidade patológica: predisposição especial ao desgosto, à ira e ao furor. Observa-se com freqüência em neurastênicos, nos quais o sintoma bem característico é a chamada “debilidade irritável”. Manifestada impaciência, irritabilidade, aumento da capacidade de reação para determinados estímulos e intolerância pelos ruídos. Tenacidade afetiva: persistência anormal de certos estados afetivos, como o ressentimento, o ódio e o rancor. Em virtude dessa fixação prolongada de sentimentos desagradáveis, o paciente está sempre de mau humor e encara todos os acontecimentos da vida através de um prisma pessimista. Instabilidade afetiva: é um estado especial em que se produz a mudança rápida e imotivada do humor, sempre acompanhada de extraordinária intensidade da reação afetiva, que se processa com duração muito limitada. Esta forma súbita de reagir diante dos diferentes estímulos do meio exterior revela enfraquecimento da inibição, que se mostra incapaz de controlar a intensidade das reações. Puerilismo: alterações mentais caracterizadas pela regressão da personalidade adulta ao nível do comportamento infantil. Em conseqüência, o paciente adota inconscientemente as atitudes, a linguagem e o estado de ânimo de uma criança. Moria: estado de excitação alegra associado a certo puerilismo mental. Nesses casos os pacientes fazem bufonarias, caretas, não permanecem quietos um só instante; o humor é extremamente instável; tornam-se cada vez mais exuberantes, loquazes, riem às gargalhadas. Ambivalência afetiva: acentuações afetivas opostas nos indivíduos normais. Anormalidade das tendências em geral, que se caracteriza na esfera intelectual pela coexistência de juízos contraditórios sobre o mesmo objeto, simultânea afirmação e negação, coincidência do oposto. Alterações da atividade voluntária O ponto de partida de um ato voluntário é constituído pela representação de uma finalidade próxima ou remota, que tem por objetivo determinar uma modificação em nós mesmo ou no ambiente. Essa representação é acompanhada de sentimentos que se transformam em estímulos para a realização do ato. Estados de excitação: caracterizados pela multiplicidade de movimentos: o enfermo fala, gesticula, grita, dança, corre, salta, rasga as roupas, destrói tudo o que encontra ao seu alcance. Este estado não é caótico; ao contrário, os movimentos são realizados com determinado objetivo e representam a expressão de uma necessidade de atividade. Debilidade da vontade: hipobulia ou abulia, é uma perturbação da vontade caracterizada por afrouxamento e insuficiência volitiva, especialmente na passagem do pensamento à ação. Estupor: períodos em que as manifestações da atividade estão reduzidas ao grau mínimo ou mesmo abolidas são denominados de estupor. Falta mais ou menos completa de iniciativa e uma fundamental ausência de reação diante dos estímulos externos. Negativismo: tendência permanente e instintiva a reagir contra toda a solicitação do mundo exterior, qualquer que seja sua natureza. Sugestibilidade volitiva: tendência geral, permanente e instintiva, a adotar qualquer solicitação vinda do exterior, seja qual for a natureza. Estereotipias: duração anormal dos impulsos motores, quer se trate da contração permanente de um certo grupo de músculos, quer da repetição freqüente de um mesmo movimento Atos impulsivos: são ações isoladas, súbitas, involuntárias e desprovidas de finalidade. Algumas vezes, os atos impulsivos representam verdadeiras explosões emocionais, acompanhadas de acessos de riso ou lágrimas. Atos automáticos: consistem em atos praticados pelo individuo sem a interferência da vontade e sem que ele saiba o que está realizando. Em algumas enfermidades, o doente assiste à execução do ato como um espectador Tiques: são movimentos reflexos, movimentos de defesa ou movimentos de expressão que acabaram por degenerar em atos automáticos. São semiconscientes e só em determinado grau dependem da vontade. Alterações da linguagem A linguagem é considerada como um processo mental de caráter essencialmente consciente, significativo e orientado para o social. Disartria: consiste na dificuldade de articular as palavras, resultante de paresia, paralisia ou ataxia dos músculos que intervém na articulação. Dislalias: constituem um grupo numeroso de perturbações orgânicas ou funcionais da palavra. Os sintomas consistem em omissão, substituição ou deformação dos fonemas. Afasias: perturbação caracterizada pela perda da memória dos sinais por meio dos quais o homem civilizado troca idéias com seus semelhantes. Disfemias: são perturbações na emissão das palavras, de tipo intermitente, sem que existam alterações dos órgãos da expressão. Neste grupo, a alteração mais importante é a gagueira. Disfonias: não se trata, na realidade, de alteração da linguagem, mas de defeitos na voz, devido a perturbações orgânicas ou funcionais das cordas vocais ou em conseqüência da respiração defeituosa. Logorréia: “falar muito e não dizer nada”, não é atributo apenas de doentes mentais. Bradilalia: diminuição da velocidade de expressão, como resultado da lentidão dos processos psíquicos e do curso do pensamento. Verbigeração: repetição incessante durante dias, semanas e até meses, de palavras e frases pronunciadas em tom de voz monótono, declamatório ou patético. Mutismo: ausência de linguagem oral. Mussitação: é a expressão da linguagem em voz muito baixa; o paciente movimenta os lábios de maneira automática produzindo murmúrio ou som confuso. Ecolalia: é a repetição, como um eco, das últimas palavras que chegam ao ouvido do paciente. Jargonofasia: é uma alteração da linguagem que se manifesta associada a alguns casos de afasia. Consiste na produção contínua de palavras sem ordem lógica, tornando a linguagem completamente incoerente e incompreensível. Estereotipia verbal: repetição automática de uma palavra, sílaba ou som, que se intercala entre as frases sem nenhuma finalidade. Características: fixidez, duração, identidade, inutilidade e inadequação às circunstâncias. Funcionamento intelectual significativamente abaixo da média. Fatores predisponentes - biológicos ou psicossociais ou a combinação de ambos. Hereditariedade; alterações precoces do desenvolvimento embrionário; problemas da gravidez e perinatais; condições médicas gerais contraídas no início da infância; influências ambientais. Critérios diagnóstico: A. Funcionamento intelectual significativamente inferior à média: um QI menor ou igual a 70 em um teste de inteligência individualmente administrado. B. Déficits ou comprometimentos concomitantes no funcionamento adaptativo atual em pelo menos duas das seguintes áreas: comunicação, cuidados pessoais, vida doméstica, habilidades sociais, interpessoais, no uso de recursos comunitários, independência, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança. C. Início anterior à 18 anos. A. os escores obtidos em medições padronizadas do desenvolvimento da linguagem expressiva, individualmente administradas estão acentuadamente abaixo daqueles obtidos em medições padronizadas da capacidade intelectual não-verbal e do desenvolvimento da linguagem receptiva. A perturbação pode manifestar-se clinicamente por sintomas que incluem um vocabulário acentuadamente limitado, erros nos tempos verbais ou dificuldades com a evocação de palavras ou com a produção de frases de extensão ou complexidade próprias do estágio evolutivo B. As dificuldades com a linguagem expressiva interferem no desempenho escolar ou profissional ou na comunicação social. C. Não são satisfeitos os critérios para Transtorno Misto da Linguagem Receptivo-Expressiva ou Transtorno Global do Desenvolvimento. D. Em presença de retardo mental, déficit sensorial ou motor da fala ou privação ambiental, as dificuldades de linguagem excedem as habitualmente associadas com esses problemas. T. Linguagem Expressiva: T. Misto da Linguagem Receptivo-Expressiva: A. Os escores obtidos em uma bateria de testes padronizados do desenvolvimento da linguagem tanto receptiva quanto expressiva, individualmente administrados, estão acentuadamente abaixo daqueles obtidos a partir de medições padronizadas da capacidade intelectual não-verbal. Os sintomas incluem os do T. da Linguagem Expressiva, acrescidos de dificuldade para compreender palavras, frases ou tipos específicos de palavras, tais como termos esspaciais. B. As dificuldades de linguagem receptiva e expressiva interferem significativamente no rendimento escolar ou profissional ou na comunicação social. C. Não são satisfeitos os critérios para o T. Global do Desenvolvimento. D. Em presença de Retardo Mental, déficit motor da fala ou outro déficit sensorial ou privação ambiental, as dificuldades de linguagem excedem as habitualmente associadas com esses problemas. Tartamudez A. Perturbação na fluência e no ritmo da fala (que não é própria da idade do indivíduo), caracterizada por ocorrências frequentes de um ou mais dos seguintes aspectos:
1. repetições de sons e sílabas.
2. proçongamentos de sons
3. interjeições
4. palavras truncads
5. bloqueio audível ou silencioso
6. circunlocuções
7. palavras produzidas com excesso de tensão física
8. repetições de palavras monossilábicas completas B. A perturbação na fluência interfere no rendimento escolar e profissional ou na comunicação social c. Em presença de um déficit da fala, déficit sensorial, as dificuldades na fala excedem as habitualmente associadas com estes problemas. Caracterizam-se por um comprometimento grave e global em diversas áreas do desenvolvimento: habilidades de interação social recíproca, habilidades de comunicação ou presença de estereotipias de comportamento, interesses e atividades. Critérios para o T. Autista A. Um total de seis (ou mais) itens de 1, 2 e 3, com pelo menos dois de 1, um de 2 e um de 3: 1. Comprometimento qualitativo na interação social manifestado por pelo menos dois dos seguintes sinais: a. comprometimento acentuado no uso de múltiplos comportamentos não-verbais, como contato visual direto, expressão facial, postura corporal e gestos para regular a interação social; b. incapacidade para desenvolver relacionamentos apropriados no nível de desenvolvimento; c. falta de iniciativa espontânea para compartilhar satisfação, interesses ou realizações com outras pessoas; d. ausência de reciprocidade social ou emocional. 2. Comprometimento qualitativo da comunicação manifestado por pelo menos um dos seguintes aspectos: a. atraso ou ausência total de desenvolvimento da linguagem falada (não acompanhado por uma tentativa de compensação por meio de modos alternativos de comunicação, como gestos ou mímica); b. em indivíduos com fala adequada, accentuado comprometimento da capacidade de iniciar ou manter um diálogo; c. uso estereotipado e repetitivo da linguagem ou fala idiossincrática; d. inexistência de brincadeiras de faz-de-conta variadas ou espontâneas apropriadas ao nível de desenvolvimento; 3. Padrões restritos, repetitivos e estereotipados de comportamento, interesses e atividades manifestados por pelo menos um dos seguintes sinais: a. preocupação exacerbada por um ou mais padrões estereotipados ou restritos de interesse anormal no que se refere a intensidade ou foco; b. adoção visivelmente inflexível de rotinas ou rituais específicos e não funcionais; c. maneirismo motor estereotipado e repetitivo; d. preocupação persistente com peças ou objetos; B. Atraso ou funcionamento anormal de pelo menos uma das áreas a seguir, principiado antes dos 3 anos: 1. interação social, 2. linguagem empregada na comunicação social ou 3. atuação simbólica ou imaginativa; C. O transtorno não é mais bem explicado pelo transtorno de Rett ou pelo transtorno desintegrativo da infância; Transtorno de Rett Transtorno neurológico progressivo que afeta principalmente meninas. Tem como características torção constante das mãos, retardo mental, geralmente grave, capacidade motora afetada, todos esses sintomas aparecem após o início de desenvolvimento visivelmente normal. A capacidade motora vai deteriorando-se progressivamente. Causas Trata-se de um transtorno genético que envolve o cromossomo X. T. Desintegrativo da infância Regressão séria da linguagem, do comportamento de adaptação e da capacidade motora após um período de desenvolvimento normal de dois a quatro anos. T. Asperger Critérios A. Comprometimento qualitativo da interação social, manifestado por pelo menos dois dos seguintes sinais: 1. Comprometimento acentuado no uso de múltiplos comportamentos não-verbais, como contato visual direto, expressão facial, posturas corporais e gestos para regular interação social. 2. Incapacidade para desenvolver relacionamentos apropriados no nível de desenvolvimento. 3. Ausência de iniciativa espontânea para compartilhar alegria, interesses ou realizações. 4. Ausência de reciprocidade emocional ou social. B. Padrões de comportamento, interesses e atividades restritos, repetitivos e estereotipados, manifestados por pelo menos um dos seguintes sinais: 1. Preocupação insistente com um ou mais padrões estereotipados e restritos de interesse, anormais no que se refere a intensidade ou foco. 2. Adoção visivelmente inflexível de rotinas ou rituais específicos e não funcionais. 3. Maneirismos motores estereotipados e repetitivos. 4. preocupação persistente com peças ou objetos. C. O transtorno causa dificuldades clinicamente significativas no âmbito social, ocupacional ou em outras áreas importantes. D. A inexistência de atraso clinicamente significativo no desenvolvimento cognitivo ou do desenvolvimento de aptidões de autocuidado e de comportamento adaptado distinto de interação social apropriados à idade e de curiosidade sobre o ambiente na infância. E. Os critérios não são atendidos para outro transtorno global do desenvolvimento ou esquizofrenia. TDA-H Critérios: A. 1 ou 2: 1. Seis ou mais dos sintomas de desatenção a seguir persistem por, no mínimo, seis meses em grau mal-adaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento: Desatenção: a. com freqüência deixa de prestar atenção a detalhes ou comete erros por descuido em atividades escolares, do trabalho ou outras; b. tem dificuldade constante para manter a atenção em tarefas ou atividades recreativas; c. não parece escutar quando lhe dirigem a palavra; d. não costuma seguir instruções e deixa de completar trabalhos escolares, serviços domésticos ou tarefas profissionais; e. tem dificuldade de organizar tarefas e atividades; f. evita ou não aprecia assumir tarefas que requerem esforço mental concentrado ou reluta em fazê-los; g. com freqüência perde objetos necessários para tarefas ou atividades; h. muitas vezes distrai-se facilmente com estímulos externos; i. apresenta esquecimento freqüente em atividades diárias; 2. Seis ou mais dos seguintes sintomas de hiperatividade/impulsividade persistem por, no mínimo seis meses em grau mal adaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento: Hiperatividade: a. freqüentemente agita as mãos ou pés ou se contorce na cadeira; b. na sala de aula levanta muitas vezes da cadeira, o que também acontece em outras situações em que se espera que a pessoa permaneça sentada; c. corre ou escala de modo excessivo em situações consideradas impróprias; d. muitas vezes apresenta dificuldade para brincar ou para participar de atividades recreativas de modo tranqüilo; e. sempre está “a mil” ou age como se estivesse “a todo vapor”;
f. muitas vezes fala em excesso; Impulsividade: g. freqüentemente oferece respostas antes de as perguntas terem sido completadas;

h. tem dificuldade em aguardar a sua vez;

i. muitas vezes interrompe ou se intromete em atividade de outras pessoas; B. Alguns sintomas de hiperatividade/impulsividade ou desatenção que causaram o problema estavam presentes antes dos 7 anos. C. Alguns problemas causados pelos sintomas estão presentes em dois ou mais contextos. D. Deve haver indícios inequívocos de comprometimento clinicamente significativo existente do funcionamento social, educacional ou profissional. E. Os sintomas não ocorrem exclusivamente no decorrer de um transtorno global do desenvolvimento, da esquizofrenia ou de outro transtorno psicótico e não são mais bem explicados por outro transtorno mental (por exemplo de humor, ansiedade, dissociativo ou de personalidade). T. Conduta Critérios: A. Um padrão repetitivo e persistente de comportamento no qual são violados os direitos individuais dos outros ou normas ou regras sociais importantes próprias da idade, manifestado pela presença de três ou mais dos seguintes critérios nos últimos 12 meses, com presença de pelo menos um deles nos últimos 6 meses: Agressão a pessoas e animais
1.provocações ameaças e intimidações freqüentes;
2.lutas corporais freqüentes;
3.utilização de arma capaz de infligir graves lesões corporais;
4.crueldade física para com pessoas;
5.crueldade física para com animais;
6.roubo em confronto com a vítima;
7.coação para que alguém tivesse atividade sexual consigo. Destruição do patrimônio
1.envolveu-se deliberadamente na provocação de incêndio com a intenção de causar sérios danos;
2.destruiu deliberadamente patrimônio alheio (diferente de provocação de incêndio); Defraudação ou furto
1.arrombou residência, prédio ou automóvel alheio.
2.mentiras freqüentes para obter bens ou favores ou para esquivar-se de obrigações legais;
3.roubo de objetos de valor sem confronto com a vítima; Sérias violações de regras
1.freqüente permanência na rua à noite, contrariando proibições por parte dos pais, iniciando antes dos 13 anos de idade;
2.fugiu de casa pelo menos duas vezes, enquanto vivia na casa dos pais ou lar adotivo (ou uma vez, sem retornar por um extenso período);
3.gazetas freqüentes iniciando antes dos 13 anos de idade; B. A perturbação do comportamento causa comprometimento clinicamente significativo do funcionamento social, acadêmico ou ocupacional.
C. Se o indivíduo tem 18 anos ou mais, não são satisfeitos critérios para Transtorno de Personalidade Anti-Social. T. Desafiador de oposição A. Um padrão de comportamento negativista, hostil, desafiador com duração mínima de 6 meses, durante os quais quatro ou mais das seguintes características estiveram presentes:
1. freqüentemente perde a calma
2. freqüentemente discute com adultos
3. com freqüência desacata ou se recusa ativamente a obedecer a solicitações ou regras dos adultos
4. freqüentemente adota um comportamento deliberadamente incomodativo
5. freqüentemente responsabiliza os outros por seus erros ou mau comportamento
6. mostra-se freqüentemente suscetível ou se irrita com facilidade
7. freqüentemente enraivecido e ressentido
8. freqüentemente rancoroso ou vingativo B. A perturbação do comportamento causa comprometimento clinicamente significativo no funcionamento social, acadêmico ou ocupacional. C. Os comportamentos não ocorrem exclusivamente durante o curso de um T. Psicótico ou T. do Humor. D. Não são satisfeitos os critérios para T. conduta e, após os 18 anos, não são satisfeitos os critérios para T. Personalidade Anti-social. Pica Critérios: A. Ingestão persistente de substâncias não nutrientes pelo período mínimo de 1 mês.
A substância ingerida tende a variar com a idade. Bebês e crianças mais jovens tipicamente comem tinta, reboco, barbante, cabelos, tecidos. Crianças mais velhas podem ingerir fezes de animais, areia, insetos, folhas ou pedregulhos. B. Não ocorre aversão a comida. Este comportamento deve ser inapropriado em termos evolutivos. C. Não deve fazer parte de uma prática culturalmente aceita. D. Se o comportamento alimentar ocorre exclusivamente durante o curso de um transtorno mental, um diagnóstico separado de Pica deve ser feito apenas se o comportamento alimentar for suficientemente grave a ponto de indicar uma atenção clínica independente. T. de Tiques
T. de Tourette Critérios: A. Múltiplos tiques motores e no mínimo um tique vocal. B. Os tiques ocorrem muitas vezes ao dia, de forma recorrente, ao longo de um período superior a 1 ano. Durante este período, jamais houve uma fase livre de tiques superior a 3 meses consecutivos. C. o início do transtorno ocorre antes dos 18 anos de idade. D. Os tiques não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substâncias ou uma condição médica geral Critérios para T. Aprendizagem (leitura, matemática, expressão escrita) A. O conhecimento obtido pela leitura/a capacidade matemática/as habilidades de escrita, conforme avaliados por testes padronizados aplicados individualmente, estão substancialmente abaixo do nível esperado, considerando a idade cronológica, a inteligência medida e a escolaridade apropriada à idade do indivíduo. B. A perturbalção descrita no critério A interfere significativamente no desempenho escolar ou nas atividades rotineiras que exigem aptidão para leitura, capacidade matemática ou habilidade para elaborar textos escritos. C. Caso exista um déficit sensorial, as dificuldades de aprendizado excedem aquelas geralmente associadas a elas. Delirium Caracterizado por consciência e cognição afetados durante um período de horas ou dias. As pessoas com delirium mostram estar confusas, desorientadas e parecem perder o contato com as coisas ao redor. Não conseguem se concentrar e manter atenção mesmo nas tarefas mais simples. O delirium desaparece com relativa rapidez, e a recuperação total ocorre, na maioria dos casos, em algumas semanas. Poucos indivíduos continuam a ter problemas a intervalos irregulares; alguns chegam a entrar em estado de coma e podem morrer. Critérios: A. Perturbação da consciência (isto é, menos clareza na percepção do ambiente) com redução da capacidade para concentrar-se, manter ou direcionar a atenção. B. Alteração na cognição (como déficit de memória, desorientação, transtorno da linguagem) ou desenvolvimento de um transtorno que não é mais bem explicado por uma demência preexistente, estabelecida ou em evolução. C. O transtorno desenvolve-se durante um período breve (geralmente de horas a dias) com tendência a flutuações no decorrer do período. D. Há indícios baseados no histórico, no exame físico ou em exames de laboratório de que o transtorno é causado por consequências fisiológicas diretas de uma condição médica geral. Demência Deterioração gradual do funcionamento do cérebro que afeta o julgamento, a memória, a linguagem e outros processos cognitivos avançados. Demência Tipo Alzheimer Critérios: A. Desenvolvimento de déficits cognitivos múltiplos manifestados por

1. comprometimento da memória (menor capacidade para aprender fatos novos ou lembrar-se de fatos previamente conhecidos). 2. Um ou mais dos seguintes transtornos cognitivos: a. afasia
b. apraxia
c. agnosia
d. perturbação do funcionamento executivo (isto é, planejamento, organização, sequenciamento e abstração). B. Os déficits cognitivos nos critérios A1 e A2 causam prejuízo significativo ao funcionamento social ou ocupacional e representam um declínio considerável em relação a um nível anteriormente superior de funcionamento. C. A evolução caracterizada por início gradual e declínio cognitivo contínuo. D. Os déficits cognitivos nos critérios A1 e A2 não se devem a nenhum dos seguintes fatores: 1. Outras condições do sistema nervoso central que causam déficits progressivos da memória e da cognição (p. ex. doença cerebrovascular, doença de Parkinson). 2. Condições sistêmicas conhecidas por causar demência (p. ex. deficiência de vitamina B12 ou ácido fólico). 3. Condições induzidas por substâncias. E. Os déficits não acometem exclusivamente durante a ocorrência de delirium. F. O transtorno não é mais bem explicado por outro transtorno do eixo I (p. ex. transtorno depressivo maior). Demência Vascular A palavra vascular refere-se a vasos sanguíneos. Quando esses vasos no cérebro ficam bloqueados ou sofrem dano, e deixam de levar oxigênio e outros nutrientes para certas áreas do tecido cerebral, ocorre uma lesão. Critérios: A. Desenvolvimento de déficits cognitivos múltiplos manifestados por

1. comprometimento da memória (menor capacidade para aprender fatos novos ou lembrar-se de fatos previamente conhecidos). 2. Um ou mais dos seguintes transtornos cognitivos: a. afasia
b. apraxia
c. agnosia
d. perturbação do funcionamento executivo (isto é, planejamento, organização, sequenciamento e abstração). B. Os déficits cognitivos nos critérios A1 e A2 causam prejuízo significativo ao funcionamento social ou ocupacional e representam um declínio considerável em relação a um nível anteriormente superior de funcionamento. C. sinais e sintomas neurológicos localizados (p. ex., aumento dos reflexos dos tendões, resposta do músculo extensor da sola do pé, paralisia pseudobulbar, anormalidade na marcha, fraqueza de uma extremidade) ou provas obtidas em laboratório indicativas de doença cerebrovascular (p. ex., necroses múltiplas envolvendo o córtex e a matéria branca subjacente) julgadas como relacionadas ao transtorno no que diz respeito a etiologia. D. Os déficits não ocorrem exclusivamente durante a manifestação de um delirium. Possibilidades de Intervenções: Biológica Psicossocial redução da impulsividade e hiperatividade e melhorar aptidões de atenção mais amplos: escolar, comportamental, social metilfenidato anfetamina-D pemolina Estimulantes cognitivo-comportamental psicossocial sistêmica Envolvem atividades no âmbito escolar (professores e alunos), no âmbito familiar (orientação). Possibilidades de intervenção: Equipe multidisciplinar Família Escola Sociedade Médico Neuroléptico (Haloperidol) diminui significativamente a agressividade, estereotipias e comportamentos automutilantes Antipsicóticos Atípicos (Risperidona) A palavra deriva do nome latim do pássaro pega, que reúne objetos variados em seu ninho para saciar a fome. ópera-bufa: "La gazza ladra" (Rossini) Transtorno Amnéstico devido à uma condição médica geral Critérios: A. Desenvolvimento do comprometimento da memória conforme manifestado por deficiência na capacidade para aprender novas informações ou incapacidade para lembrar-se de informações previamente gravadas. B. A perturbação da memória causa prejuízo significativo no desempenho social ou ocupacional e representa declínio significativo em relação a um nível anterior de desempenho. C. O transtorno da memória não se manifesta exclusivamente durante a ocorrência de delirium ou de demência. D. Há indícios, com base no histórico, no exame físico ou de laboratório de que o transtorno é consequência fisiológica direta de uma doença de ordem geral (incluindo trauma físico). Transitório: se o déficit de memória durar um mês ou menos.
Crônico: se o déficit de memória durar mais de um mês. (Wernicke-Korsakoff) Possibilidades de intervenção: 1. tentar evitar certas situações, como abuso de substâncias, que podem acarretar demência. 2. tentar impedir que a lesão no cérebro se dissemine e piore. 3. tentar ajudar os portadores e cuidadores a lidar com a deterioração progressiva. tratamento medicamentoso do Alzheimer Hipocloreto de tacrina donepezil rivastigmina galantamina acetilcolina Ginko-Biloba memantina glutamato (Antagonista não competitivo) aumento do suprimento sanguíneo cerebral por vasodilatação e redução da viscosidade do sangue além da redução de radicais livres no tecido nervoso. Vitamina E (alfa tocoferol) diminui o estresse oxidativo Anti-inflamatórios não esteróides neuroproteção (hemorragia digestiva) ansiedade: emoção relacionada ao medo, mas diferente.
pânico: medo que ocorre em um momento inadequado, quando não há nada a se temer. Estado de humor negativo caracterizado pro sintomas corporais de tensão física e apreensão em relação ao futuro. Estado de humor orientado para o futuro. Pan - Deus grego da natureza, era muito feio e baixo. Quando incomodado soltava um gritos horripilante, as pessoas morriam de medo aterrorizadas essa reação ficou conhecida como PÂNICO. Medo - alarme emocional intenso, acompanhado por uma onda de energia no sistema autônomo. critérios: 4 ou mais dos sintomas a seguir desenvolvem-se abruptamente e alcançam pico em 10 minutos: 1. palpitação, coração disparado ou batimentos cardíacos acelerados. 2. suor
3. tremores
4. sensação de respiração curta ou sufocada
5. sensação de asfixia
6. dor ou desconforto no peito
7. náusea ou mal-estar abdominal
8. sensação de zonzeira, oscilação, tontura ou desmaio 9. desrealização (sentimento de não realidade) ou despersonalização (estar fora de si)
10. medo de perder o controle ou de ficar louco
11. medo de morrer
12. paresia (sensação de topor ou de formigamento)
13. arrepios ou onda de calor O senso de controle que se desenvolve com base nas experiências precoces é o fator psicológico que nos torna vulneráveis à ansiedade mais tarde. critérios: A. 1 e 2: 1. ataques de pânico inesperados recorrentes são presentes
2. pelo menos um dos ataques foi seguido, durante um mês (ou mais) de: a. preocupação persistente sobre ter ataques de pânico adicionais, b. preocupação com as implicações do ataque ou com suas consequências (p.ex. perder o controle, ter um ataque cardíaco, "ficar louco") ou c. mudança significativa no comportamento relacionada aos ataques. B. A presença de agorafobia na qual a reclamação predominante seja ansiedade de estar em lugares ou situações das quais escapar pode ser dificil ou embaraçoso, ou em que a ajuda pode não estar disponível no caso de um ataque de pânico inesperado ou ataque predisposto por situação, ou por sintomas semelhantes ao pânico. Os medos agorafóbicos geralmente envolvem grupos de situações características que incluem estar fora de casa sozinho; estar no meio da multidão ou esperando em uma fila; estar em uma ponte; e viajar de ônibus, trem ou automóvel. C. Os ataques de pânico não ocorrem em razão de efeitos fisiológicos diretos de uma substância química ou de uma condição de saúde geral (p.ex. hipertireoidismo). D. Os ataques de pânico não são mais bem contabilizados para outro transtorno mental, como fobia social, fobia específica, transtorno obessivo-compulsivo, transtorno de estresse pós-traumático ou transtorno de ansiedade de separação. A. Ansiedade e preocupação excessivas ocorrem durante mais dias do que deveria por pelo menos seis meses em relação a determinado número de acontecimentos ou atividades. B. A pessoa acha difícil controlar a preocupação. C. A ansiedade e a preocupação são associadas com pelo menos 6 ou mais dos sintomas presentes por mais dias do que menos dias nos últimos 6 meses: 1. inquietação ou sensação de excitação ou de estar no limite 2. ficar facilmente fatigado. 3. dificuldade para se concentrar ou sensação de a mente ficar em branco. 4. irritabilidade. 5. tensão muscular. 6. distúrbio do sono. D. o foco da ansiedade e da preocupação não pode ser melhor encaixado em outro transtorno do eixo I. E. Prejuízo F. Não se deve a efeito direto de substância ou condição médica geral. Possibilidades de intervenção Benzodiazepínicos Antidepressivos Psicoterapia critérios: A. medo irracional, excessivo e persistente ocasionado por uma situação específica ou objeto ou antecipação do mesmo. B. quando exposto ao estímulo fóbico a resposta é de ansiedade imediata. Pode assumir a forma de uma ataque de pânico. C. a pessoa reconhece que o medo é irracional ou excessivo. D. as situações fóbicas são evitadas ou enfrentadas com intensa angústia e estresse. E. interferem na vida. F. < 18 anos: duração mínima de 6 meses. G. não são melhor explicados por outro transtorno. tipos:
animal
ambiente natural
sangue, machucado e injeção
situacional Billy: tímido demais Billy era o modelo de bom garoto. Fazia o dever de casa, mantinha-se longe dos problemas, obedecia aos pais e era tão quieto e reservado que não atraía muita atenção. Entretanto, quando foi para o ensino médio, algo que seus pais já tinham observado tornou-se evidente. Billy não tinha amigos. Ele não queria frequentar atividades sociais ou esportivas relacionadas à escola, mesmo se a maioria dos garotos da classe fosse aos eventos. Quando seus pais decidiram conversar com a orientadora educacional, descobriram que ela estava para chamá-los. Ela relatou que Billy não se socializava nem falava em voz alta na classe, e ficava com dor de barriga, caso soubesse que seria solicitado para explicar algo. Os professores tinham dificuldade para tirar dele qualquer coisa além de "sim" ou "não". O mais preocupante era que ele tinha sido descoberto se escondendo no banheiro durante o almoço, o que ele disse estar fazendo por diversos meses em vez de ir se alimentar. Após Billy ser encaminhado à clínica, foi diagnosticado como um caso grave de fobia social, um medo exagerado e irracional de situações sociais. A fobia de Billy assumiu a forma de extrema timidez. Ele tinha medo de ser constrangido ou humilhado na presença de qualquer pessoa exceto seus pais. Possibilidades de intervenção? terapia grupal cognitivo-comportamental beta-bloqueadores - diminuem os batimentos cardíacos e pressão sanguinea. antidepressivos inibidores da MAO ISRSs Os Jones: uma vítima, muitos traumas Sra. Betty Jones e seus quatros filhos foram visitar um amigo em uma fazenda. (Sr. Jones estava trabalhando.) Jeff, o filho mais velho, tinha 8 anos. Marcie, Cathy e Susan tinham 6, 4 e 2 anos. Sra. Jones estacionou o carro na garagem e todos atravessaram o terreiro em frente a porta. Repentinamente, Jeff ouviu um rosnado em algum lugar perto da casa. Antes que pudesse advertir os outros, um grande pastor alemão pulou em cima de Marcie, a garota de 6 anos, derrubando-a no chão e dilacerou ferozmente sua face. A família, atordoada demais para se mexer, assitiu o ataque. Após o que pareceu uma eternidade, Jeff deu uma estocada no cachorro e ele foi embora. O proprietário do animal, em estado de pânico, correu para uma casa vizinha para pedir ajuda. Sra. Jones imediatamente colocou pressão nos ferimentos da face de Marcie na tentativa de parar a hemorragia. O proprietário descuidou-se do cachorro, que permaneceu a uma distância curta, rosnando e latindo para a família aterrorizada. Eventualmente, ralhava-se com o cão; Marcie foi levada às pressas para o hospital. Histérica, teve de ser contida em uma maca até que os médicos da sala de emergência pudessem suturar os ferimentos. critérios: A. evento traumático 1. experimentar ou testemunhar 1 ou mais acontecimentos de ameaça de morte real ou ferimento grave, ameaça a integridade física de si mesmo ou de outros. 2. resposta de medo, desespero ou horror. B. revivência 1. lembranças angustiantes intrusivas. 2. sonhos 3. agir ou sentir como se o evento fosse recorrente 4. intensa angústia frente a sinais externos que lembrem o evento. 5. reatividade fisiológica frente a sinais. C. esquiva 1. esforço para evitar pensamentos, sentimentos ou conversas. 2. esforço para evitar atividades, lugares ou pessoas. 3. incapacidade para verificar algum aspecto importante do trauma. 4. interesse ou participação diminuídas. 5. sentimento de deslocamento ou estranhamento. 6. variação restrita do afeto. 7. sensação de futuro sem perspectivas. D. excitação aumentada (2 ou mais): 1. dificuldade de dormir ou permanecer dormindo. 2. irritabilidade acessos de raiva. 3. dificuldade de atenção. 4. hipervigilância. 5. resposta de susto exagerada. E. a duração de B, C e D > 1 mês. F. disfunção clinicamente significativa na vida. Aguda - 1 mês após o incidente
Crônico - continua por mais de 3 meses Richard: escravizado pelo ritual Richard, um calouro de 19 anos que se graduaria em filosofia, deixou a faculdade em razão de comportamento ritualístico incapacitante. Ele abandonou a higiene pessoal, porque os rituais compulsivos que tinha de empreender durante o banho ou a limpeza consumiam tanto tempo que ele não conseguia fazer mais nada. Banhos quase contínuos diminuíram para nenhum banho. Ele parou de cortar e lavar os cabelos e de fazer a barba, escovar os dentes e mudar de roupa. Raramente deixava seu quarto e, para evitar rituais associados com o banheiro, defecava em papel-toalha, urinava em copo descartável e armazenava os dejetos no armário. Ele se alimentava apenas tarde da noite, quando sua família estava dormindo. Para conseguir comer, ele tinha de exalar o ar completamente, fazer muitos barulhos sibilantes, pigarrear e tossir, e então enchi a boca com o máximo de comida possível enquanto nenhum ar estivesse em seus pulmões. Ele comia somente uma mistura de manteiga de amendoim, açúcar, achocolotado, leite e maionese. Todos os outros alimentos ele considerava contaminadores. Quando caminhava, dava passos muito curtos nas pontas dos pés enquanto olhava sempre para trás, verificando e verificando novamente. De vez em quando, ele corria sem sair do lugar. Ele retirava o braço esquerdo da manga da camisa como se fosse deficiente e sua camisa fosse uma tipóia. critérios: A. obsessões e compulsões obsessões: 1. pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes que são experimentados, em algum momento durante a perturbação, como intrusivos ou inapropriados, causam ansiedade e angústia marcantes. 2. esses pensamentos e impulsos não são simples preocupações com os problemas da vida real. 3. a pessoa tenta ignorar ou suprimir tais pensamentos, impulsos ou imagens, ou neutralizá-los com algum outro pensamento ou atitude. 4. a pessoa reconhece que esses pensamentos e impulsos, ou imagens obsessivas são produto da própria mente. compulsões: 1. comportamentos repetitivos de maneira que a pessoa se sente impulsionada a agir em resposta a uma obsessão ou de acordo com as regras que devem ser aplicadas rigidamente. 2. os comportamentos ou atos mentais visam prevenir ou reduzir a angústia ou prevenir algum evento ou situação pavorosa; entretanto, esses comportamentos ou atos mentais não estão conectados de maneira realista ao que eles são designados a neutralizar ou prevenir, ou são claramente exagerados. B. em algum momento do transtorno a pessoa reconhece que as obsessões ou compulsões são exagerados ou irracionais. C. essas obsessões ou compulsões causam angústia notável, consomem tempo (+ de 1h por dia) ou interferem significativamente na rotina normal da pessoa, no desempenho ocupacional, nas atividades ou relações sociais comuns. D. se outro transtorno do eixo I estiver presente, o conteúdo das obsessões não é restrito a ele. E. não se deve a efeitos diretos de uma substância ou condição médica geral. possibilidades de intervenção: clomipramina ISRSs inibem recaptação de serotonina. Prevenção de exposição e de ritual os rituais são prevenidos ativamente e o paciente é exposto de forma gradual e sistemática aos pensamentos ou situações temidas. Despersonalização: alteração da percepção e você perde temporariamente o sentido de sua própria realidade. Desrealização: sentido de realidade do mundo externo fica perdido. As coisas podem parecer de forma ou tamanhos estranhos; as pessoas podem parecer mortas ou mecânicas. Sensação de irrealidade. Bonnie: dançando fora de si mesma Bonnie, uma professora de dança de cerca de 30 anos, foi acompanhada por seu marido quado esteve pela primeira vez no clínico e reclamou de "reações de entusiasmo". Quando indagada sobre o que queria dizer com isso, ela afirmou: "É a coisa mais assustadora do mundo. Acontece frequentemente quando estou dando aulas de dança moderna. Estou na frente e me sinto concentrada no que faço. Então, quando estou demonstrando os passos, sinto como se não fosse realmente eu e que não tenho controle de minhas pernas. Às vezes, sinto como se eu mesma estivesse me observando. Também entro em um túnel visual. É como se visse apenas um espaço estreito e reto na minha frente e acabo ficando totalmente separada do que está acontecendo ao meu redor. Então começo a entrar em pânico, a suar e a tremer". Foi confirmado que os problemas de Bonnie começaram após ela ter fumado maconha pela primeira vez cerca de dez anos atrás. Ela teve a mesma sensação e sentiu que era muito assustadora, mas com a ajuda de amigos ela conseguiu passar por isso. Recentemente, a sensação passou a acontecer com mais frequência e gravidade, particularmente quando ela está ministrando aulas de dança. critérios: A. experiências persistentes e recorrentes de se sentir deslocado e de ser um observador externo dos próprios processos mentais e do próprio corpo. B. durante a experiência de despersonalização, o teste de realidade permanece intacto. C. prejuízo na vida. D. essa experiência não acontece exclusivamente durante o curso de outro transtorno mental, como esquizofrenia, transtorno de pânico, transtorno de estresse agudo ou outro transtorno dissociativo, e não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou condição médica geral. A mulher que perdeu a memória Há muito tempo, uma mulher em seus 50 anos levou a filha a clínica em razão da recusa da garota de frequentar a escola e de outros comportamentos gravemente disruptivos. O pai, que se recusou a ir à sessão, era muito briguento, alcoólatra e, ocasionalmente, abusivo. O irmão da garota, agora com 20 e poucos anos, vivia em casa e era um peso para a família. Diversas vezes por semana, uma briga acontecia, com gritos, empurrões e sacudidas, à medida que cada membro da família xingava os outros. A mãe, uma mulher muito forte, era a pacificadora, responsável por manter a família junta. Aproximadamente a cada seis meses, no geral após uma briga familiar, a mãe perdia a memória, e a família a internava em um hospital. Após alguns dias fora do tumulto, ela recuperava a memória e voltava para casa, para repetir o ciclo nos meses seguintes. A situação se resolveu quando os filhos se mudaram e o estresse diminuiu. critérios: A. a perturbação predominante é um ou mais episódios de incapacidade de se lembrar de informações pessoais importantes, geralmente de natureza traumática ou estressante, o que é bastante amplo para ser explicado pelo esquecimento comum. B. não acontece exclusivamente durante o curso do transtorno de identidade dissociativa, da fuga dissociativa, do transtorno de estresse pós-traumático, do transtorno de estresse agudo ou do transtorno de somatização e não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância, de uma condição neurológica ou condição médica geral. C. sofrimento e prejuízo na vida O termo "fuga" significa literalmente "escapada", "viagem". A perda da memória gira em torno de um incidente específico. Em sua maioria, os indivíduos apenas "decolam" e mais tarde se encontram em outro lugar, incapazes de se lembrar por que ou como foram parar lá. O xerife que tinha má conduta Um xerife de 46 anos que relatou pelo menos três episódios de fuga dissociativa. Em cada ocasião, ele se descobriu cerca de 300km de distância de casa. Quando voltava a si, imediatamente chamava a esposa, mas ele nunca se lembrava do que havia feito enquanto estava ausente, às vezes por diversos dias. Durante o tratamento, o xerife lembrou quem ele era durante essas viagens. Apesar de sua profissão, ele se tornou um tipo de fora-da-lei, que ele sempre havia admirado secretamente. Ele adotou um pseudônimo, bebia muito, misturava-se com pessoas rudes, ia a bordéis e a festas "barra-pesada". critérios: A. a perturbação predominante é repentina, uma viagem inesperada para fora do lugar onde a pessoa mora ou trabalha; já incapacidade de se recordar do que aconteceu. B. confusão sobre a identidade pessoal ou afirmação de nova identidade (parcial ou completa). C. não acontece exclusivamente durante o curso da identidade dissociativa e não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou condição de saúde geral. D. provocam prejuízo no funcionamento ou sofrimento significativo clinicamente. As pessoas com esse transtorno podem assumir cem identidades, todas coexistindo. Em alguns casos, as identidades são completas, cada uma com seu próprio comportamento, tom de voz e gestos. Em muitos outros, porém, somente algumas características são distintas, porque as identidades são independentes apenas parcialmente. Jonah: apagões desconcertantes Jonah, negro, 27 anos, sofria de dores de cabeça que eram insurportáveis dolorosas duravam períodos cada vez mais longos. Além disso, não conseguia se lembrar de coisas que aconteciam quando sentia dor de cabeça, exceto que às vezes muito tempo se passava. Após uma noite particularmente ruim, quando não conseguiu mais suportar a dor, buscou internação no hospital local. O que o induziu a ir para o hospital, entretanto, foi que outras pessoas lhe disseram o que ele tinha feito durante as graves dores de cabeça. Por exemplo, disseram lhe que na noite anterior ele tinha tido uma briga violenta com outro homem e tentou golpeá-lo. Ele escapou e foi baleado pela polícia durante uma perseguição em alta velocidade. A esposa de Jonah lhe contou que durante uma crise de dor ele a perseguiu, bem como a filha de 3 anos fora de casa e as havia ameaçado com uma faca. Durante as dores de cabeça, e enquanto era violento, ele chamava a si mesmo de "Usoffa Abdulla, filho de Ômega". Uma vez ele tentou afogar um homem em um rio. O homem sobreviveu e Jonah escapou nadando um quarto de milha rio acima. Ele despertou na manhã do dia seguinte em sua própria cama, completamente encharcado e sem nenhuma lembrança do incidente. Durante a internação e o tratamento, a equipe distinguiu três identidades diferentes. O primeiro alter se chamava Sammy. Este parecia racional, calmo e controlado. O segundo King Young, parecia estar encarregado de toda atividade sexual e era particularmente interessado em ter o maior número de interações heterossexuais possível. O terceiro era violento e perigoso Usoffa Abdulla. Jonah não sabia nada sobre os três alters. Sammy era o mais consciente sobre as personalidades. King Young e Usoffa Abdulla sabiam um pouco sobre as outras, mas indiretamente. No hospital, os psicólogos determinaram que Sammy apareceu quando Jonah tinha 6 anos, imediatamente após Jonah ter visto sua mãe golpear seu pai. A mãe de Jonah às vezes o vestia como uma garota em segredo. Quando Jonah tinha 9-10 anos, foi brutalmente atacado por um grupo de jovens brancos. Naquele momento, Usoffa Abdula surgiu, anunciando que sua única razão de existir era proteger Jonah. critérios: A. presença de duas ou mais identidades ou estados de personalidade distintos (cada uma com seu próprio padrão relativamente permanente de percepção, de relacionamento e de pensamento sobre o ambiente e sobre si mesma). B. pelo menos duas dessas identidades ou estados de personalidade periodicamente tomam o controle do comportamento da pessoa. C. incapacidade de lembrar-se de informações pessoais importantes amplas o bastante para serem explicadas pelo esquecimento comum. D. a perturbação não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou a uma condição de saúde geral. Bulimia nervosa Caracterizada por episódios alimentares que fogem do controle, chamados de "compulsão", são seguidos pro vômitos auto-induzidos, uso excessivo de laxantes ou outras tentativas de "purgar" (colocar para fora) a comida. Critérios: A. Episódios recorrentes de alimentação compulsiva. Que é caracterizado pelas seguintes proposições: 1. Comer em um período limitado (p.ex. duas horas) uma quantidade de alimento maior do que a maioria das pessoas comeria durante um período semelhante e em circunstâncias similares. 2. Sensação de falta de controle do ato de comer durante o episódio (p.ex. a pessoa tem a sensação que não consegue parar de comer ou não é capaz de controlar o que ou quanto está comendo). B. Comportamento compensatório recorrente e inapropriado a fim de evitar o ganho de peso, como indução de vômito; uso indevido de laxantes, diuréticos ou outras medicaçõe, jejum ou exercício excessivos. C. A crise bulímica e os comportamentos compensatórios inapropriados ocorrem ambom, em média, pelo menos duas vezes por semana durante três meses. D. A auto-imagem é de modo imprópria influenciada pela forma e pelo peso corporais. E. O distúrbio não ocorre exclusivamente durante episódios de anorexia nervosa. tipos: Purgativo: quando a pessoa experimenta vômitos auto-induzidos ou faz uso inadequado de laxantes, diuréticos ou enemas. Não purgativo: quando a pessoa tem outros comportamentos compensatórios inapropriados, como fazer jejum ou exercícios excessivos, mas não tem vômitos auto-induzidos nem usa laxantes, diuréticos ou enemas. Anorexia nervosa Tanto a bulimia nervosa quanto a anorexia nervosa são caracterizadas pelo medo mórbido de ganhar peso e perder o controle do ato de comer. Na anorexia nervosa a efetividade na perda de peso é significativa e por consequência colocam a vida em perigo. Entretanto, a diminuição do peso corporal, apesar de ser a característica mais notável, não é o cerne do transtorno, na anorexia existe um medo intenso da obesidade e busa implacável pela magreza. critérios: A. recusa de manter o peso corporal em um nível igual ou acima do mínimo normal adequado para a idade e a altura. B. Medo intenso de ganhar peso ou de engordar mesmo estando com peso abaixo do normal. C. Perturbação na maneira como alguém lida com o peso ou com a forma corporal; influência inadequada do peso ou forma corporal na auto-avaliação, ou na negação da seriedade do baixo peso corporal atual. D. Em mulheres pós menarca, a presença de amenorréia, ou seja, ausência de pelo menos três ciclos menstruais consectutivos. Transtorno de compulsão alimentar Grupo de indivíduos que experimentaram estresse marcante em razão de compulsão alimentar, mas não tiveram comportamentos compensatórios extremos, portanto, não puderam ser diagnosticados como bulímicos. Transtorno da Identidade de gênero Caracterizam-se por uma forte identificação sexual com o gênero oposto, acompanhada por desconforto persistente com o próprio sexo atribuído. Identidade de gênero se refere a percepção que um indivíduo tem de si mesmo como homem ou mulher. Desejo de possuir o corpo do outro sexo e o desejo de ser considerado pelos outros como um membro do sexo oposto. Orientação sexual refere-se à atração erótica por homens, mulheres ou ambos. critérios: A. identificação marcante e persistente com o sexo oposto. Nas crianças 4 ou mais das seguintes características: 1. desejo expresso repetidamente de ser, ou insistência de ser do sexo oposto. 2. no caso dos meninos, há preferência por usar roupas ou acessórios femininos; no caso de meninas, há insistência em vestir roupas masculinas. 3. preferência marcante e persistente por papéis do sexo oposto em brincadeiras de faz-de-conta ou fantasias persistentes de ser do sexo oposto. 4. desejo intenso de participar de jogos e passatempos típicos do sexo oposto. 5. preferência marcante por colegas do sexo oposto nas brincadeiras. Nos adolescentes e adultos, o transtorno se manifesta por meio de sintomas como desejar declaramente ser do sexo oposto, atuar como o sexo oposto, querer viver ou ser tratado como alguém do sexo oposto ou estar convicto de que possui sentimentos e reações típicas do sexo oposto. B. mal-estar persistente com seu sexo ou sentimento de inadequação no papel de gênero desse sexo. Nas crianças, o transtorno é manifestado por qualquer das seguintes situações: nos meninos, afirmação de que pênis ou testículos são repulsivos ou que desaparecerão; afirmação de que seria melhor não ter um pênis; aversão a jogos agressivos e rejeição de brinquedos, jogos e atividade tipicamente masculinos; nas meninas, rejeição de ter de urinar sentada, afirmação de que de que possui ou terá um pênis ou afirmação de que não quer ter seios ou menstruar; aversão marcante por roupas femininas. Nos adolescentes e adultos, o transtorno se manifesta por sintomas como preocupação por se livrar de características sexuais primárias e secundárias (p.ex. solicitar hormônios, cirurgia ou outros procedimentos para alterar fisicamente características sexuais a fim de simular o sexo oposto) ou crença de que nasceram com o sexo errado. C. o transtorno não ocorre ao mesmo tempo que uma condição intersexual física. D. o transtorno causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas da vida. se sexualmente maduras especificar se sentem atração sexual por: Homens, mulheres, ambos ou não sentem sexual por nenhum. Disfunções sexuais As disfunções sexuais estão relacionadas aos três estágios do ciclo de resposta sexual - desejo, excitação e orgasmo. Transtorno do desejo sexual hipoativo critérios: A. deficiência (ou ausência) persistente ou recorrente de fantasias sexuais ou desejo de ter atividade sexual. O julgamento da deficiência ou da ausência é feito pelo clínico levando em consideração fatores que afetam o funcionamento sexual, como a idade e o contexto da vida da pessoa. B. o transtorno causa sofrimento ou dificuldade interpessoal intensos. C. a disfunção sexual não é mais bem explicada por outro transtorno do eixo I (exceto outra disfunção sexual) e não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou de uma condição médica geral. Especificar: permanente ou adquirido; generalizado ou situacional; devido a fatores psicológicos ou devido a fatores combinados. Transtorno da aversão sexual critérios: A. Extrema aversão persistente ou recorrente, evita-se todo (ou quase todo) contato sexual genital com o parceiro sexual. B. o transtorno causa grande sofrimento ou dificuldade interpessoal. C. a disfunção sexual não é mais bem explicada por outro transtorno do eixo I (exceto outra disfunção sexual) e não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou uma condição médica geral. Transtornos de excitação sexual Mulheres A. incapacidade persistente e recorrente para obter resposta adequada de lubrificação e resposta à excitação até o término da atividade sexual. B. o transtorno causa sofrimento intenso ou dificuldade interpessoal. C. a disfunção sexual não é mais bem explicada por outro transtorno do eixo I (exceto outra disfunção sexual) e não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos de uma substância ou uma condição médica geral. Homens A. incapacidade persistente ou recorrente para conseguir ou manter, até o fim da atividade sexual, ereção adequada. B. o transtorno causa sofrimento intenso ou dificuldade interpessoal. C. a disfunção sexual não é mais bem explicada por outro transtorno do eixo I (exceto outra disfunção sexual) e não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos de uma substância ou uma condição médica geral. Especificar: permanente ou adquirido; generalizado ou situacional; devido a fatores psicológicos ou devido a fatores combinados. Especificar: permanente ou adquirido; generalizado ou situacional; devido a fatores psicológicos ou devido a fatores combinados. Especificar: permanente ou adquirido; generalizado ou situacional; devido a fatores psicológicos ou devido a fatores combinados. Transtorno do orgasmo Mulheres: A. atraso ou ausência persistente ou recorrente de orgasmo após uma fase de excitação sexual normal. Mulheres apresentam ampla variabilidade do tipo de intensidade da estimulação que provoca o orgasmo. O diagnóstico de transtorno de orgasmo feminino deve ser baseado no julgamento clínico de que a capacidade orgásmica da mulher é menor do que seria razoável para a sua idade, experiência sexual e adequação dos estímulos sexuais que recebe. B. sofrimento ou dificuldade interpessoal C. não é bem mais explicada por outro transtorno do eixo I. Homens A. atraso ou ausência persistente ou recorrente para atingir orgasmo, após uma fase de excitação normal, durante a atividade sexual que o clínico, levando em consideração a idade da pessoa, julga ser adequada no que se refere a foco, intensidade e duração. demais critérios são os mesmos que as mulheres. Ejaculação precoce critérios: A. ejaculação persistente ou recorrente com estimulação sexual mínima antes, durante ou logo após penetração e antes de a pessoa desejá-la. O clínico deve levar em consideração os fatores que afetam a duração da fase de excitação, por exemplo, idade, novidade no que se refere à parceira sexual ou à situação e frequência recente da atividade sexual. B. o transtorno causa sofrimento ou dificuldade interpessoal. C. a ejacualção precoce não se deve exclusivamente aos efeitos diretos de uma substância (p.ex. abstinência de opióides). Transtornos sexuais dolorosos Dispareunia A. dor genital recorrente ou persistente associada com o intercurso sexual em homem ou mulher. B. o transtorno causa muito sofrimento ou dificuldade interpessoal. C. não é causado por vaginismo ou por falta de lubrificação, não é mais bem explicado por outros transtornos do eixo I, não se deve a efeitos fisiológicos diretos de substância ou condição médica geral. Vaginismo A. espasmo involuntário, recorrente ou persistente, da musculatura do terço inferior da vagina que interfere no intercurso sexual. C. não é melhor explicado por outro transtorno do eixo I (p.ex. T. de somatização) e não se deve exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma condição médica geral. B. causa acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal. Parafilias Do grego "para": fora de e "philia": amor, afinidade. Ocorrem quando a fonte de prazer sexual encontra-se deslocada do intercurso sexual para alguma outra atividade ou objeto. Frotteurismo A. fantasias de excitação sexual intensas, impulsos e comportamentos sexuais ao longo de um período mínimo de seis meses que envolve tocar e se esfregar em uma pessoa sem o consentimento dela. B. a pessoa age com base nesses impulso sexuais ou os impulsos e as fantasias sexuais causam sofrimento intenso ou dificuldade interpessoal. Fetichismo A. fantasias de excitação sexual, impulsos ou comportamentos sexuais recorrentes e intensos ao longo de um período mínimo de 6 meses; envolve o uso de objetos inanimados (p.ex. roupa íntima feminina). B. as fantasias, os impulsos ou comportamentos sexuais causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social e ocupacional ou em outras esferas importantes da vida. C. os objetos de fetiche não são limitados a itens de vestuário feminino usados no travestismo (como no travestismo fetichista) ou a dispositivos criados com a finalidade de estimulação tátil da genitália. Voyeurismo e exibicionismo voyeurismo A. fantasias de excitação sexual, impulsos ou comportamentos sexuais recorrentes e intensos que envolvem o ato de observar uma pessoa nua ou se despindo ou, ainda, praticando o ato sexual sem que ela suspeite. B. a pessoa age motivada por impulsos ou fantasias sexuais que causam muito sofrimento ou dificuldade interpessoal. exibicionismo A. fantasias de excitação sexual, impulsos ou comportamentos sexuais recorrentes e intensos ao longo de um período mínimo de 6 meses; envolve a exposição dos próprios genitais a um estranho sem que ele suspeite B. a pessoa age motivada por impulsos sexuais; os impulsos ou fantasias sexuais causam muito sofrimento ou dificuldade interpessoal. sadismo e masoquismo sexual Estão associados a provocar dor ou humilhação (sadismo) ou sofrer dor ou humilhação (masoquismo) como fonte de excitação para o indivíduo que a pratica. pedofilia e incesto Atração sexual por crianças (ou adolescentes muito jovens). Nesse padrão de excitação a atração pode ser por meninos ou meninas ou ambos. Se a criança for parente do agressor, a pedofilia assume a forma de incesto. parafilia não especificada em outra categoria Incluída para codificar parafilias que não atendem aos critérios adotados para qualquer das categorias específicas. Exemplos incluem, mas não são limitados a: escatologia telefônica (telefonemas obscenos), necrofilia, parcialismo (parte do corpo), zoofilia, coprofilia (fezes), clismafilia (enemas) e urofilia (urina). Caracterizado por amplo espectro de disfunções cognitivas e emocionais, incluindo delírios e alucinações, discurso e comportamento confusos e emoções inapropriadas. Origem grega da palavra "skhizein" que significa partida ou dividida e "phren" que significa mente, ou seja, mente dividida. Também caracterizada pela presença de sintomas positivos e negativos ou ainda sintomas de desorganização. sintomas positivos: são os sinais mais óbvios da psicose, incluem expriências perturbadoras de delírios e alucinações. relato de um delírio: Gostaria de descrever os poucos delírios que tive no passado para ajudar as pessoas a compreender como esses pensamentos podem ser ameaçadores e reais... O sinal de Clinton origina-se de minha incerteza a respeito de votar nele para governador. Eu hesitava entre Clinton e Perot. Na manhã da eleição fui para o local de votação e decidi votar em Clinto... Lá, o voto não foi registrado em uma máquina; foi usada uma cédula. Após receber instruções para o preenchimento, pensei ter ouvido do responsável pela mesa a solicitação para colocar minhas iniciais no canto direito inferior. Pensei qual seria o motivo para fazer isso. Supunha-se que o voto fosse secreto. Suspeitei imediatamente que meu voto e apenas meu voto determinaria o destino da presidência em 1992... Pensei que Clinton era o chefe poderoso que controlava tudo, inclusive seu "império do mal". Depois, enquanto assitia à televisão, percebi o olhar um tanto tímido, talvez ligeiramente demoníaco de Clinton e um sinal com o polegar para cima (presumivelmente dirigido a mim) por ter votado daquela forma. Tive um delírio adicional de que, enquanto assistia à televisão, a pessoa mostrada no vídeo podia olhar diretamente para sua sala de estar... Na minha mente em delírio, o polegar para cima era dirigido a mim por ter votado em Clinton. David: sentindo falta do tio Bill David tinha 25 anos quando o conheci. Havia passado três anos em um hospital psiquiátrico. Estava com o peso um pouco acima do normal e sua altura era mediana; vestia camiseta e jeans e tendia a ser ativo. A primeira vez que o encontrei, eu estava conversando com um homem que vivia no mesmo andar. David nos interrompeu tocando meu ombro. "Meu tio Bill é um bom homem. Ele me trata bem". Sem querer ser indelicado, eu disse: "tenho certeza que ele é. Talvez após eu terminar de falar com Michael possamos conversar sobre seu tio". David insistiu: "Ele mata peixes com uma faca. As coisas podem ficar muito claras em sua mente quando você descer o rio. Eu poderia matar você com minhas próprias mãos - assumir responsabilidade por tudo... Sei que você sabe!". Ele agora falava com muita rapidez e ficava mais emotivo à medida que falava mais rápido. Conversei com ele tranquilamente até que se acalmasse; mais tarde examinei o histórico clínico de David para obter algumas informções sobre sua formação. Ele havia sido criado pelos tios, Katie e Bill, em uma fazenda. A identidade de seu pai é desconhecida e sua mãe era portadora de retardo mental, não podia cuidar dele. David também foi diagnosticado como portador de retardo mental, embora sua atuação estivesse apenas ligeiramente afetada e frequentava a escola. No ano em que o Tio Bill faleceu, os professores do ensino médio relataram a ocorrência de comportamento incomum. David conversava com o tio na sala de aula. Com o passar do tempo, foi ficando mais agitado e verbalmente agressivo com outras pessoas; recebeu o diagnóstico de esquizofrenia. Conseguiu terminar o ensino médio e nunca foi admitido em um emprego após obter o diploma; morou na casa da tia durante muitos anos. Embora desejasse que ele permanecesse na casa, o comportamento ameaçador de David piorou a ponto de ela ter de solicitar que fosse examinado no hospital psioquiátrico que ficava próximo. Falei com David novamente e tive oportunidade de fazer-lhe algumas perguntas: "Por que você está aqui no hospital, David?". "Na verdade, não desejo estar aqui", disse-me. "Tenho outras coisas para fazer. A hora é esta e, como você sabe, quando surge a oportunidade...". Continuou durante alguns minutos até que o interrompi. "Fiquei pesaroso ao ouvir que seu tio Bill morreu há alguns anos. Quais são seus sentimentos em relação a ele?". "Sim, ele morreu. Estava doente e partiu. Ele gosta de pescar comigo lá no rio. Vai levar-me para caçar. Tenho revólveres. Posso atirar em você; estaria morto em um minuto. A expressão verbal de David parecia uma bola rolando colina abaixo. Como um objeto em aceleração, sua fala ganhava impulso à medida que prosseguia e, como que suplantando obstáculos, os tópicos quase sempre tinham uma direção imprevisível. Se continuasse por muito tempo, tornava-se agitado e falava em agredir outras pessoas. Disse-me também que a voz de seu tio sempre falava com ele. Ouvia outras vozes, porém não conseguia identificá-las ou contar-me o que elas lhe diziam. sintomas negativos: indicam ausência ou insuficiência de comportamento normal; incluem distanciamento emocional e social, apatia e empobrecimento do pensamento ou da expressão verbal. abulia a "sem" e boule "vontade", corresponde à dificuldade em iniciar ou continuar uma atividade. Pessoas com esse sintoma demonstram pouco interesse em realizar até mesmo as tarefas mais básicas do dia-a-dia, incluindo aquelas relacionadas à higiene pessoal. anedonia oposto de hedonismo, suposta falta de prazer na realização de atividades que normalmente seriam consideradas prazerosas, incluindo alimentar-se, ter interações sociais e relações sexuais. alogia a "sem" e logos "palavras", refere-se a ausência da expressão verbal, uma pessoa com alogia responde as perguntas com respostas muito breves de pouco conteúdo e parece desinteressada na conversa. embotamento afetivo dificuldade na expressão dos sentimentos. As pessoas com embotamento afetivo parecem usar uma máscara porque não exteriorizam emoções quando se esperaria que as exibissem. sintomas desorganizados: discurso desorganizado Dificuldade na expressão organizada verbal. Muitos esquizofrenicos ao serem abordados costumam saltar de tópico para tópico, outros falam de modo ilógico. Uma das possíveis causas é a de que essas pessoas não tem "insight" sobre sua condição. emotividade e comportamentos inapropriados riem ou choram em ocasiões impróprias. Podem exibir comportamentos estranhos, como acumular objetos ou agir de modo incomum em público. critérios diagnósticos: A: sintomas característicos: No mínimo dois dos seguintes quesitos, cada qual presente por uma porção significativa de tempo durante o período de 1 mês (ou menos se tratado com sucesso): 1. delírios
2. alucinações
3. discurso desorganizado 4. comportamento amplamente desorganizado ou catatônico 5. sintomas negativos B: disfunção social/ocupacional: tempo significativo desde o início da perturbação, uma ou mais áreas importantes do funcionamento, tais como trabalho, relações interpessoais ou cuidados pessoais, estão acentuadamente abaixo do nível alcançado antes do início. C: duração: sinais contínuos da perturbação persistem pelo período mínimo de 6 meses. Esse período de 6 meses deve incluir pelo menos 1 mês de sintomas que satisfazem o critério A e pode incluir períodos de sintomas prodrômicos ou residuais. Durante esses períodos prodrômicos ou residuais, os sinais da perturbação podem ser manifestados apenas por sintomas negativos ou por dois ou mais sintomas relacionados no critério A presentes de uma forma atenuada (ex. crenças estranhas, experiências perceptuais incomuns). D: exclusão de transtorno esquizoafetivo e T. de humor E: exclusão de substância/condição médica geral F: relação com T. Global do Desenvolvimento: se existe histórico de T. Autista ou de outro T.G.D., o diagnóstico adicional de Esquizofrenia é feito apenas se delírios ou alucinações proeminentes também estão presentes pelo período mínimo de 1 mês. Subtipos de esquizofrenia Tipo paranóide: Característica essencial a presença de delírios ou alucinações auditivas proeminentes no contexto de uma relativa preservação do funcionamento cognitivo e do afeto. Os delírios são tipicamente persecutórios ou grandiosos, ou ambos, mas delírios envolvendo outros temas (p.ex. ciúme, religiosidade ou somatização) também podem acontecer. Os delírios podem ser múltiplos, mas geralmente são organizados em torno de um tema coerente. As alucinações também são tipicamente relacionadas ao conteúdo do tema delirante. Aspectos associados incluem ansiedade, raiva, afastamento e tendência a discussões. Os temas persecutórios podem predispor o indivíduo ao comportamento suicida, e a combinação de delírios persecutórios e grandiosos com raiva pode predispor a violência. O início tende a ser mais tardio do que em outros tipos de esquizofrenia, e as características diferenciadoras podem ser mais estáveis ao longo do tempo. Esses indivíduos geralmente apresentam pouco ou nenhum prejuízo na testagem neuropsicológica ou em outros testes cognitivos. Algumas evidências sugerem que o prognóstico para o Tipo Paranóide pode ser consideravelmente melhor do que para os outros tipos de Esquizofrenia, particularmente com relação ao funcionamento ocupacional e à capacidade para vida independente. Tipo Desorganizado Tem como características essenciais o discurso desorganizado, comportamento desorganizado e afeto embotado ou inadequado. O discurso desorganizado poder ser acompanhado por atitudes tolas e risos sem relação adequada com o conteúdo do discurso. A desorganização comportamental (ex. falta de orientação para um objetivo) pode levar a uma grave perturbação na capacidade de executar atividades da vida diária. Não são preenchidos critérios para o Tipo Catatônico, e os delírios e alucinações, se presentes, são fragmentados e não organizados em um tema coerente. Os aspectos associados incluem trejeitos faciais, maneirismos e outras estranhezas do comportamento. O prejuízo no desempenho pode ser notado em uma variedade de testes neuropsicológicos e cognitivos. Este subtipo também está geralmente associado com fraca personalidade pré-mórbida, início precoce ou insidioso e um curso contínuo sem remissões significativas. Historicamente em outras classificações este tipo é chamado de Hebefrênico. Tipo Catatônico Característica essencial a acentuada perturbação psicomotora, que pode envolver imobilidade motora, atividade motora excessiva, extremo negativismo, mutismo, peculiaridades dos movimentos voluntários, ecolalia ou ecopraxia. A imobilidade motora pode ser manifestada por cataplexia (flexibilidade cérea) ou estupor. A atividade motora execessiva é aparentemente desprovida de sentido e não é influenciada por estímulos externos. Pode haver extremos negativismo, manifestado pela manutenção de uma postura rígida contra tentativas de mobilização, ou resistência a toda e qualquer instrução. Peculiaridades do movimento voluntário são manifestadas pela adoção voluntária de posturas inadequadas ou bizarras ou por trejeitos faciais proeminentes. Ecolalia, ecopraxia, estereotipias, maneirismos e obediência ou imitação automáticas. Durante o estupor grave ou a excitação catatônica, a pessoa pode necessitar de cuidadosa supervisão para evitar danos a si mesma ou a outros. Existem riscos potenciais de desnutrição, exaustão, hiperpirexia ou ferimentos auto-infligidos. Tipo Indiferenciado Consiste na presença de sintomas que satisfazem o Critério A de Esquizofrenia, mas não satisfazem os critérios para os tipos Paranóide, Desorganizado ou Catatônico. Tipo Residual Deve ser usada esta nomenclatura quando houve pelo menos um episódio de Esquizofrenia, mas o quadro clínico atual não apresenta sintomas psicóticos positivos proeminentes (p.ex. delírios, alucinações, discurso ou comportamento desorganizados). Existem contínuas evidências da perturbação, indicadas pela presença de sintomas negativos (p.ex. afeto embotado, discurso pobre ou abulia) ou dosi ou mais sintomas positivos atenuados (p.ex. comportamento excêntrico, discurso levemente desorganizado ou crenças incomuns). Se delírios e alucinações estão presentes, eles não são proeminentes nem são acompanhados por forte afeto. O curso pode ser limitado, representando uma transição entre um episódio pleno e uma remissão completa. Contudo, ele também pode estar presente de uma forma contínua por muitos anos, com ou sem exacerbações agudas. Transtorno Esquizofreniforme As características essenciais do transtorno são idênticas à Esquizofrenia (critério A) com duas diferenças: a duração total da doença incluindo as fases prodrômica ativa e residual, que é de pelo menos 1 mês, porém inferior a 6 meses (critério B); e não é exigido um prejuízo no funcionamento social ou ocupacional durante alguma parte da doença (embora isso possa ocorrer). A duração do transtorno é intermediária entre a do Transtorno Psicótico Breve (mínimo 1 dia, menos de 1 mês) e a Esquizofrenia (os sintomas persistem por pelo menos 6 meses). O diagnóstico pode ser dado sob duas condições: 1. uma pessoa que apresentou os sintomas por um período entre 1 e 6 meses, mas já se recuperou. 2. um pessoa sintomática que tenha apresentado os sintomas por um período inferior aos 6 meses. Neste caso o diagnóstico deve ser qualificado como "Provisório". Especificadores: Bons aspectos prognósticos: aparecimento de sintomas psicóticos proeminentes em 4 semanas após a primeira alteração perceptível no comportamento ou funcionamento habitual, confusão ou perplexidade no pico do episódio psicótico, bom funcionamento social e ocupacional pré-mórbido e ausência de afeto plano ou embotado. Sem bons aspectos prognósticos Transtorno Esquizoafetivo A: Tem como característica essencial durante a doença um momento em que exista um Episódio Depressivo Maior, Maníaco ou Misto concomitante com sintomas do Critério A para Esquizofrenia. B: Durante o mesmo período de doença, ocorreram delírios ou alucinações por pelo menos duas semanas na ausência de sintomas proeminentes de humor. C: Os sintomas de humor estão presentes por uma porção substancial da duração total da doença. D: Não se devem a efeitos fisiológicos de uma substância ou de condição médica geral. Subtipos: Tipo Bipolar: Episódio maníaco ou misto. Episódios depressivos maiores também podem ocorrer. Tipo Depressivo: apenas Episódios Depressivos Maiores fazem parte do quadro. Transtorno Delirante Presença de um ou mais delírios não-bizarros que persistem pelo período mínimo de 1 mês. Ausência de Esquizofrenia. Alucinações auditivas ou visuais, se presentes, não são proeminentes. Alucinações táteis ou olfativas podem estar presentes (e ser proeminentes), se relacionadas ao tema do delírio. Exceto pelo impacto direto dos delírios, o funcionamento psicossocial não está acentuadamente prejudicado, e o comportamento não é obviamente estranho ou bizarro. Se os episódios de humor ocorrem concomitantemente com os delírios, sua duração total é relativamente breve, comparada com a duração total dos períodos delirantes. Os delírios não se devem a efeitos fisiológicos diretos de uma substância nem a de uma condição médica geral. Subtipos: Tipo Erotomaníaco: O tema central do delírio diz respeito a ser amado por outra pessoa. O delírio frequentemente envolve um amor romântico e união espiritual idealizada, em vez de atração sexual. A pessoa sobre a qual esta convicção é mantida geralmente detém uma posição superior, mas pode ser um completo estranho. Os esforços para contatar o objeto de delírio são comuns, embora ocasionalmente a pessoa mantenha seu delírio em segredo. Tipo GRANDIOSO Tema do delírio é convicção de ter algum grande talento (irreconhecido) ou conhecimento ou de ser autor de uma descoberta importante. Com menor frequência, o indivíduo pode ter o delírio de possuir um relacionamento especial com uma pessoa importante ou de ser uma pessoa importante. Os delírios grandiosos podem ter um conteúdo religioso (p. ex. a pessoa acredita ser um mensageiro dos céus com uma missão importante). Tipo Ciumento O tema é estar sendo traído pelo cônjuge ou parceiro romântico. Esta crença é injustificada e está baseada em inferências incorretas apoiadas em pequenas "evidências", que são colecionadas e usadas para justificar o delírio. O indivíduo com o delírio geralmente confronta seu cônjuge ou parceiro e tenta intervir na infidelidade imaginária. Tipo Persecutório O indivíduo acredita estar sendo vítima de conspiração, traição, espionagem, perseguição, envenenamento ou intoxicação com drogas, estar sendo alvo de comentários maliciosos, de assédio ou obstruído em sua busca de objetivos a longo prazo. Pequenos deslizes podem ser exagerados e se tornar o foco de um sistema delirante. O foco do delírio frequentemente se concentra em alguma injustiça que deve ser remediada pela ação legal, podendo a pessoa afetada envolver-se em repetidas tentativas de obter satisfação, apelando aos tribunais e outra agências governamentais. Essas pessoas com frequência sentem ressentimento e raiva, podendo recorrer à violência contra aqueles que supostamente os estão prejudicando. Tipo Somático O tema central do delírio envolve funções ou sensações corporais. Os delírios somáticos podem ocorrer de diversas formas. Os mais comuns envolvem a convicção de estar emitindo odor fétido através da pele, boca, reto ou vagina, de estar infestado com insetos sobre ou sob a pele, de abrigar um parasita interno; de que certas partes do corpo não estão funcionando. Transtorno Psicótico Breve Perturbação que envolve o início súbito de pelo menos um dos sintomas psicótico positivos: delírios, alucinações, discurso desorganizado, ou comportamento amplamente desorganizado ou catatônico. Um episódio da perturbação dura no mínimo 1 dia, mas menos de 1 mês, e o indivíduo acaba tendo um pleno retorno ao nível pré-mórbido de funcionamento. A perturbação não é melhor explicada por um T. de Humor com características psicóticas, por T. Esquizoafetivo ou por Esquizofrenia nem é devido aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou de uma condição médica geral. Especificadores: Com estressor(es) acentuado(s) (psicose reativa breve), se os sintomas ocorrem logo após e aparentemente em resposta a eventos que, isoladamente ou em conjunto, seriam estressantes demais para praticamente qualquer pessoa em circunstâncias similares na cultura do indivíduo. Sem estressor(es) acentuado(s) se os sintomas psicóticos não ocorrem logo após ou aparentemente não consistem em respostas a eventos estressantes demais. Com início pós-parto se o início ocorre em 4 semanas do período pós-parto. Transtorno Psicótico Induzido
(Folie à Deux) Delírio que se desenvolve em um indivíduo envolvido em um estreito relacionamento com outra pessoa (chamado às vezes de "indutor" ou "caso primário") que já tem um T. Psicótico com delírios proeminentes. Há partilhamento das crenças delirantes do caso primário, total ou parcialmente. Historicamente chamado de histeria ou síndrome de Briquet, é um transtorno polissintomático que inicia antes dos 30 anos, estende-se por um período de anos e é caracterizado por uma combinação de dor, sintomas gastrointestinais, sexuais e pseudoneurológicos. Essas queixas não podem ser melhores explicadas pela presença de uma condição médica geral, na presença de uma condição médica, as queixas físicas ou o prejuízo social ou ocupacional resultante excedem o que seria esperado a partir do histórico, do exame físico ou de testes laboratoriais. Deve haver um histórico de dor relacionada a pelo menos 4 lugares ou funções diferentes. Também deve haver histórico de pelo menos 2 sintomas gastrointestinais outros que não a dor. A maioria das pessoas com o transtorno descrevem a presença de náusea e inchaço abdominal. Vômitos, diarréias e intolerância a alimentos são menos comuns. Deve haver a presença de pelo menos um sintoma sexual ou reprodutivo outro que não a dor. Em mulheres, isso pode consistir em irregularidades menstruais, menorragia ou vômitos durante toda a gravidez. Em homens, pode haver sintomas tais como disfunção erétil ou ejaculatória. Tanto as mulheres quanto os homens podem estar sujeitos à indiferença sexual. Presença também de histórico de pelo menos um sintoma, outro que não dor, sugerindo uma condição neurológica. Não são intencionalmente produzidos ou simulados (como no caso do T. Factício ou na Simulação). As queixas mais frequentes são fadiga crônica, perda do apetite ou sintomas gastrointestinais ou geniturinários. Esses sintomas não podem ser melhor explicados por uma condição médica geral ou efeitos diretos de uma substância. Sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, ou ocupacional ou em outras áreas da vida do indivíduo. O diagnóstico não é feito quando os sintomas são mais bem explicados por um outro transtorno mental. Este é uma categoria residual para os quadros somatoformes persistentes que não satisfazem todos os critérios para o T. Somatização ou para um dos T. Somatoformes específicos. Deve-se ter um cuidado especial para assegurar que o quadro não satisfaça os critérios para T. Somatização, porque os indivíduos com este transtorno tipicamente relatam histórias inconscientes. "neurastenia" síndrome descrita frequentemente em muitas partes do mundo, caracterizado por fadiga e fraqueza, é classificada no DSM-IV como T. Somatoforme Indiferenciado se os sintomas persistirem por mais de 6 meses. critérios: A. 1 ou + queixas somáticas (ex. fadiga, perda do apetite, queixas gastrointestinais ou urinárias). B. 1 ou 2: 1. após investigação os sintomas não podem ser melhor explicados por uma condição médica geral ou substância. Trantorno Conversivo 2. quando a condição médica geral relacionada as queixas somáticas ou prejuízo social ou ocupacional resultante excedem o que seria esperado a partir do histórico, do exame físico ou de achados laboratoriais. C. sofrimento ou prejuízo. D. duração mínima de 6 meses. E. não é melhor explicado por outro t. mental. F. o sintoma não é intencionalmente produzido ou simulado. Presença de sintomas ou déficits afetando a função motora ou sensorial voluntária, que sugerem uma condição neurológica ou outra C.M.G. Os sintomas conversivos estão relacionados ao funcionamento motor ou sensorial voluntário, motivo pelo qual são chamados de "pseudoneurológicos". Incluem prejuízos na coordenação ou equilíbrio, paralisia ou fraqueza localizada, afonia, dificuldade na deglutição ou sensação de nó na garganta e retenção urinária. Déficits sensoriais: perda de sensação de tato ou de dor, diplopia, cegueira, surdez e alucinações. Podem incluir convulsões. critérios: A. 1 ou + sintomas de deficiências afetam a função voluntária motora ou sensória, o que sugere uma condição de saúde geral ou neurológica. B. os fatores psicológicos são avaliados como associados ao sintoma ou a deficiência, porque o surgimento ou a exacerbação do sintoma na deficiência é precedido por conflitos ou por outros estressores. C. o sintoma ou deficiência não é produzido ou simulado intencionalmente. D. o sintoma ou deficiência não pode, após investigação apropriada, ser completamente explicado por uma C.M.G. ou efeitos diretos de uma substância, ou como um comportamento ou experiência culturalmente sancionado. E. angústia ou prejuízo. F. não é limitado à dor ou disfunção sexual, não acontece exclusivamente durante o curso do T. Somatização nem é melhor explicado por outro T. Mental. T. Factícios A. produção ou fingimento intencional de sinais físicos, psicológicos ou sintomas. B. a motivação para o comportamento é assumir o papel de doente. C. os incentivos externos para o comportamento (como ter ganho econômico, evitar responsabilidades legais ou melhorar o bem-estar físico, ocmo no fingimento da doença) estão ausentes. Tratamentos Identificar e observar um acontecimento traumático ou estressante, se ainda presente (ou na vida real ou na memória), e recorrer, se possível as fontes do ganho secundário. Assistência terapêutica na reexperimentação ou "revivência" do acontecimento é um primeiro passo. Na "histeria epidêmica", os sintomas compartilhados desenvolvem-se em um grupo limitado de pessoas após exposição de um precipitador comum. É uma dor que se torna o foco predominante do quador clínico, sendo suficientemente grave a ponto de indicar atenção clínica. B. a dor causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes do funcionamento. C. fatores psicológicos supostamente exercem um papel significativo no início, na gravidade, exacerbação ou manutenção da dor. D. a dor não é intencionalmente produzida ou simulada como no Factício ou na Simulação. E. o T. Doloroso não é diagnosticado se a dor é bem mais explicada por um T. Humor, de Ansiedade ou Psicótico, ou se a apresentação dolorosa satisfaz critérios para Dispareunia. Agudo: duração da dor menor que 6 meses
Crônico: duração da dor maior que 6 meses B. avaliação médica completa não é capaz de identificar uma C.M.G. que responda plenamente pelas preocupações da pessoa acerca de ter uma doença ou pelos sinais e sintomas físicos (embora uma C.M.G. possa estar presente). O medo ou a idéia inadequada de ter uma doença persistem, apesar da garantia médica do contrário. C. a crença não tem intensidade delirante. Não se restringe a uma preocupação circunscrita com a aparência, como no T. Dismórfico Corporal. D. a preocupação causa angústia ou incapacitação significativa no âmbito social, ocupacional e em outras esferas importantes da vida. E. a perturbação dura pelo menos 6 meses. F. a preocupação não é melhor explicada pelo T. Ansiedade generalizada, pelo TOC, pelo T. Pânico, por um episódio de depressão maior, ansiedade de separação ou por outro transtorno somatoforme. Jim: vergonha de se expor No meio de seus 20 anos, Jim foi diagnosticado com suspeita de fobia social; ele foi encaminhado à clínica por outro profissional. Jim tinha acabado de concluir a escola rabínica e foi indicado para trabalhar em uma sinagoga nos arredores da cidade. Entretanto, ele se descobriu incapaz de aceitar o emprego em razão de suas marcantes dificuldades sociais. Posteriormente, desistiu de sair de seu pequeno apartamento por medo de se encontrar com pessoas que conhecia e ser forçado a parar e conversar com elas. Jim era um rapaz de boa aparência, estatura mediana, cabelos e olhos pretos. Embora ele, de alguma forma, estivesse deprimido, um exame do estado mental e uma breve entrevista concentraram-se no funcionamento atual, e o histórico passado não revelou nenhum problema significativo. Não havia indícios de um processo psicótico (ele não estava afastado da realidade). As dificuldades sociais de Jim foram o foco. Foram esperados os tipos usuais de ansiedade em relação à interação com pessoas ou a "fazer alguma coisa" (desempenhar algo) na frente delas. No entanto, essa não era a preocupação de Jim. Em vez disso, ele estava convencido de que todo mundo, até mesmo seus bons amigos, ficavam olhando para alguma parte de seu corpo, e que ele próprio se achava grotesco. Ele relatou que os estranhos nunca mencionariam sua deformidade e os amigos ficariam muito penalizados se mencionassem o problema. Jim achava que sua cabeça era quadrada! Como a Fera em "A Bela e a Fera" que não conseguia imaginar as pessoas reagindo a ela com nada menos que terror, Jim não conseguia imaginar que as pessoas ignorassem o fato de que sua cabeça era quadrada. Para esconder sua condição, Jim usava chapéus felpudos e se sentia mais confortável no inverno, quando podia cobrir quase toda a cabeça. Para a equipe da clínica, Jim parecia perfeitamente normal. critérios A. preocupação com um defeito imaginário na aparência. Se uma mínima anomalia física estiver presente, o incômodo da pessoa com isso é notadamente excessivo. B. A preocupação causa angústia significativa ou prejuízo social, ocupacional ou em outras áreas importantes do indivíduo. C. A preocupação não é melhor explicada por outro transtorno mental (como insatisfação com a forma física na anorexia nervosa, por exemplo). Tanto na cleptomania quanto na piromania o padrão de comportamento é idêntico: a pessoa sente tensão ou excitação antes de provocar um incêndio ou furto e sensação de gratificação ou alívio enquanto o fogo arde ou durante o furto. Essas pessoas também ficam preocupadas com incêndios e o equipamento envolvido em provocá-los e apagá-los. critérios: A. comportamento de jogo mal-adaptativo, persistente e recorrente indicado por 5 ou mais dos sintomas: 1. preocupação com o jogo (p.ex. preocupado em reviver experiências passadas de jogo, limitar ou planejar a próxima iniciativa ou pensar em meios de ganhar dinheiro para jogar). 2. necessidade de apostar somas crescentes a fim de obter excitação desejada. 3. esforços repetidos e sem sucesso para controlar, reduzir ou deixar de fazê-lo. 4. inquietação ou irritabilidade quando tenta jogar menos ou deixar de fazê-lo. 5. joga como modo de escapar de problemas ou de aliviar o humor disfórico (p.ex. sensação de desamparo, culpa, ansiedade, depressão). 6. após perder dinheiro no jogo, frequentemente retorna outro dia para compensar a perda (recuperar o prejuízo). 7. mente aos familiares, ao terapeuta ou a outras pessoas para ocultar o grau de envolvimento com o jogo. 8. praticou atos ilegais, como falsificação, fraude, roubo ou apropriação indébita para financiar o jogo. 9. prejudicou ou pôs a perder um relacionamento importante, emprego ou oportunidade educacional e profissional por causa do jogo. 10. depende de outras pessoas para obter dinheiro a fim de aliviar uma situação financeira desesperadora causada pelo jogo. B. o comportamento associado ao jogo não é melhor explicado por um episódio maníaco. Definição: é um padrão persistente de percepção, de relação e de julgamento sobre o ambiente e sobre a própria pessoa exteriorizados em ampla gama de contextos sociais e pessoais. Além disso, são inflexíveis, mal-adaptativos e resultam em debilitação significativa ou sofrimento subjetivo. Ao contrário de muitos dos transtornos que foram examinados, os relacionados à personalidade são crônicos; não surgem e desaparecem; originam-se na infância e continuam na idade adulta. Pelo fato de afetarem a personalidade, impregnam todos os aspectos da vida da pessoa. É possível que os indivíduos com transtornos da personalidade não experimentem nenhum sofrimento subjetivo; no entanto, pode ser sentido de modo agudo por outros por causa das ações do portador. Em certos casos, alguém que não seja o portador deve decidir se o transtorno está causando prejuízo funcional significativo, porque a pessoa afetada muitas vezes não consegue fazer esse julgamento. Os transtornos de pesonalidade são classificados em três grupos baseados em suas semelhanças. grupo A: "singularidade" ou "exentricidade" Paranóide, esquizóide e esquizotípica. grupo B: "dramáticas", "emotivas" ou imprevisíveis" Anti-social, "borderline", histriônica e narcisista. grupo C: "ansiedade" e "medo" Esquiva, dependente e obsessivo-compulsivo Esses indivíduos são muito sensíveis às críticas e precisam de um nível excessivo de autonomia. critérios: A. desconfiança e suspeitas recorrentes em relação a outras pessoas de tal modo que as ações delas são interpretadas como malévolas; principiam no início da idade adulta e estão presentes em uma variedade de contextos, conforme indicado por 4 ou + dos seguintes critérios: 1. suspeita, sem fundamento suficiente, de estar sendo explorado, prejudicado ou enganado. 2. preocupa-se com dúvidas infundadas a respeito de lealdade ou confiabilidade de amigos e colegas. 3. reluta em confiar nos outros pro receio sem fundamento de que alguma informação seja usada de modo a prejudicá-lo. 4. interpreta significados ocultos ou ameaças em comentários ou eventos positivos. 5. fica ressentido, isto é, não perdoa insultos, injúrias ou ofensas. 6. percebe ataques a seu caráter ou à sua reputação que não são visíveis para outros; reage rapidamente de modo irritado ou para contra-atacar. 7. tem suspeitas recorrentes, sem fundamento, a respeito da fidelidade do cônjuge ou do parceiro sexual. B. não ocorre exclusivamente durante a manifestação de esquizofrenia, de transtorno de humor com características psicóticas ou outro transtorno psicótico e não se deve a efeitos fisiológicos diretos de uma C.M.G. Parecem "distantes", "frias" e "indiferentes" em relação aos outros. Termos empregado por Bleuer (1924) para descrever aqueles que tem a tendência de voltar-se para si mesmos e afastar-se do mundo externo. Sr. Z.: totalmente sozinho Um cientista de 39 anos foi encaminhado após retonar da Antática. Lá, ele havia deixado de cooperar com as demais pessoas, ficava no seu quarto e havia começado a beber. Sr.Z. ficou órfão aos 4 anos, foi criado por uma tia até os 9 anos, depois quem cuidou dele foi uma empregada. Na universidade, destacou-se em física; o xadrez era o único meio pelo qual mantinha contato com os colegas. Em toda sua vida subsequente, não teve amigos próximos e preferia atividades solitárias. Até antes de partir para a Antártica havia se saído muito bem em suas pesquisas. Agora, alguns meses após seu regresso, estava consumindo pelo menos uma garrafa de bebida de alto teor alcoólico por dia e seu trabalho estava se deteriorando. Agia de modo independente e distante e era difícil atuar de forma eficaz. Não consegui explicar a irritação de seus colegas em razão do seu distanciamento na Antártica e parecia indiferente à opinião dos outros. Não aparentava precisar de nenhuma relação interpessoal, embora se queixasse de tédio; em um momento da entrevista ficou triste, expressou vontade de visitar seu tio na Alemanha, o único parente vivo. As pessoas com esse transtorno parecem não desejar a proximidade de outros ou ter prazer com isso, também em relação a relacionamentos românticos ou sexuais. Aparentam ser frias e desinteressadas e não parecem se importar com elogios ou críticas. Algumas pessoas com esse transtorno são sensíveis à opiniões das demais pessoas, proém não estão dispostas ou são incapazes de expressar essa emoção. critérios: A. padrão recorrente de desinteresse por relacionamentos sociais e uma faixa restrita de expressão emocional em situações interpessoais; principia no começo da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, conforme indicado por 4 ou +: 1. não deseja relacionamentos íntimos nem encontra prazer neles, também em relação a fazer parte de uma família. 2. quase sempre escolhe atividades solitárias. 3. mostra pouco ou nenhum interesse em ter experiências sexuais com outra pessoa. 4. tem prazer em poucas atividades, ou mesmo em nenhuma. 5. não possui amigos íntimos ou confidentes que não sejam parentes de primeiro grau. 6. aparenta indiferença a elogios ou críticas de outras pessoas. 7. demonstra frieza emocional, distanciamento ou afetividade reduzida. B. não ocorre exclusivamente durante o curso de esquizofrenia, transtorno do humor com características psicóticas ou de um transtorno global do desenvolvimento e não se deve a efeitos fisiológicos diretos de uma C.M.G. Normalmente são isolados socialmente, assim como os esquizóides. Entretanto, comportam-se de modo incomum para a maioria das pessoas. Sr. S.: um homem com uma missão Sr. S. era um homem de 35 anos que vivia desempregado, havia sido indicado por um médico por causa de sua deficiência vitamínica. Pensou-se que isso fosse resultado do fato de o Sr. S. evitar quaisquer alimentos que "poderiam ser contaminados por máquinas". Ele começou a ter idéias alternativas sobre dieta quando estava com 20 anos, logo deixou a família e começou a estudar uma religião oriental. "Isso abriu meu olho pineal, a corrupção permeia tudo", disse. Agora vivia sozinho em uma pequena fazenda, cultivava seus próprios alimentos, e trocava-os por itens que não conseguia produzir sozinho. Passava dias e noites analisando a origem e o mecanismo da contaminação dos alimentos; por causa desse conhecimento, havia formado um pequeno grupo de seguidores. Nunca havia se casado e mantinha pouco contato com sua família: "Nunca fui próximo de meu pai. Sou vegetariano". Afirmou que pretendia fazer um curso de ervas medicinais, para melhorar sua dieta, antes de retornar à fazenda. Havia recusado a medicação prescrita pelo médico e ficou pouco à vontade quando os fatos a respeito de seu problema forma discutidos com ele. As pessoas diagnosticadas como portadoras desse transtorno, muitas vezes são consideradas "esquisitas" ou "estranhas". Também podem apresentar crenças estranhas ou desenvolvem "pensamento mágico", acreditam, por exemplo, que são videntes ou que possuem dons telepáticos. critérios: A. padrão global de déficit social e interpessoal marcado por desconforto agudo e capacidade reduzida para relacionamentos próximos, bem como por distorções cognitivas ou perceptivas e excentricidades de comportamento; principia no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, conforme indicado por 5 ou +: 1. idéias de referência (excluindo delíros de referência). 2. crenças estranhas ou pensamento mágico que influenciam o comportamento e são incoerentes com normas subculturais (p.ex., superstições, crença em clarividência, telepatia ou "sexto sentido"; em crianças e adolescentes, fantasias ou preocupações bizarras). 3. experiências perceptivas incomuns, incluindo ilusões somáticas. 4. pensamento e discurso estranhos (p.ex., vagos, circunstanciais, metafóricos excessivamente elaborados ou estereotipados). 5. desconfiança ou ideação paranóide. 6. afetividade inadequada ou reprimida. 7. comportamento ou aparência estranha, excêntrica ou peculiar. 8. inexistência de amigos íntimos ou confidentes, exceto parentes em primeiro grau. 9. ansiedade social excessiva que não diminui com a familiaridade e tende a estar associada a receios paranóides em vez de julgamentos negativos a respeito de si mesmo. B. não ocorre exclusivamente durante o curso de esquizofrenia, transtorno do humor com características psicóticas, outro transtorno psicótico ou um transtorno global do desenvolvimento. Grupo A Demonstram comportamentos que a maioria consideraria inaceitáveis, como furtar de amigos e da família. Tendem a ser irresponsáveis, impulsivas e falsas. Costumam ter longo histórico de violação dos direitos das demais pessoas. Muitas vezes são considerados violentos porque conseguem o que desejam, indiferentes às preocupações dos outros. Mentir e enganar parece ser um traço adquirido e, muitas vezes, demonstram ser incapazes de estabelecer a diferença entre a verdade e as mentiras que inventam para atingir suas metas. Não demonstram remorso ou preocupação a respeito dos efeitos, algumas vezes danosos, de seus atos. critérios: A. padrão global de desrespeito e violação dos direitos dos demais que ocorre desde os 15 anos, conforme indicado por 3 ou +: 1. incapacidade para seguir as normas sociais relativas ao comportamento de acordo com a lei indicada pela repetição de atos que motivam detenção. 2. falsidade indicada por repetir mentiras, usar pseudônimos ou pressionar outras pessoas para obter vantagem pessoal ou prazer. 3. impulsividade ou fracasso para planejar o futuro. 4. irritabilidade e agressividade indicadas por repetidas lutas ou agressões físicas. 5. desprezo imprudente pela própria segurança e pela alheia. 6. irresponsabilidade consistente indicada pela incapacidade contínua para manter um comportamento constante no trabalho ou honrar obrigações financeiras. 7. ausência de remorso indicada por indiferença ou racionalização em relação ao fato de ter prejudicado, maltratado ou roubado outras pessoas. B. a pessoa tem no mínimo 18 anos. C. há indícios de transtorno da conduta que surge antes dos 15 anos. D. a ocorrência do comportamento anti-social não se manifesta durante a existência da esquizofrenia ou de um episódio maníaco. Lista de verificação da psicopatia 1. Volubilidade/encanto superficial 2. Senso exagerado do próprio valor. 3. Propensão ao tédio/necessidade de estímulo. 4. Mentira patológica. 5. Ausência de remorso. Outras características também podem estar presentes como: boa inteligência, inexistência de delírios ou outros sinais de pensamento irracional, ausência de "nervosismo" e de outras manifestações psiconeuróticas, incapacidade de amar. O humor e os relacionamentos são instáveis; possuem no geral, uma auto-imagem muito ruim. Muitas vezes esses indivíduos sentem-se vazios e correm grande risco de se matar. Eles tendem a manter relacionamentos turbulentos, receiam o abandono, mas não tem controle de suas emoções. Frequentemente demonstram comportamento suicida e/ou automutilação: cortam-se, queimam-se ou agridem-se. Os portadores desse transtorno muitas vezes são extremados, vão da raiva à depressão grave em pouco tempo. Também são caracterizados por impulsividade, observada por meio do abuso de drogas e da automutilação. critérios: Padrão recorrente de instabilidade marcante nos relacionamentos interpessoais, na auto-imagem e nos sentimentos e impulsividade que surge no início da idade adulta e se faz presente em uma variedade de contextos, conforme o indicado por 5 ou +: 1. iniciativas exageradas para evitar o abandono real ou imaginário. OBS: não incluir o comportamento suicida ou de automutilação coberto pelo critério 5. 2. padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos caracterizados por alternância entre extremos de idealização e desvalorização. 3. perturbação do senso de indentidade: instabilidade em relação à auto-imagem ou à percepção de si mesmo de modo marcado e persistente. 4. impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente prejudiciais (p.ex., compras, sexo, abuso de substâncias, condução de veículos de forma irresponsável, alimentação em excesso). OBS: mesma do item 1. 5. comportamento suicida recorrente; gestos, ameaças ou comportamento de automutilação. 6. instabilidade afetiva devido à reatividade marcante do humor (p.ex., episódios de intensa disforia, irritabilidade ou ansiedade que duram algumas horas, raramente mais do que alguns dias). 7. sensação crônica de vazio. 8. raiva inapropriada e intensa ou dificuldade para controlá-la (p.ex., demonstrações frequentes de mau humor, raiva constante, lutas físicas recorrentes). 9. ideação paranóide passageira e relacionada ao estresse ou a sintomas dissociativos graves. Essas pessoas tendem a ser exageradas; muitas vezes, parecem estar representando um papel, o termo histriônico, significa "gestos teatralizados". São propensos a expressar suas emoções de modo exagerado, p.ex., abraçam alguém que acabaram de conhecer ou choram incontrolavelmente durante um filme triste. Tendem a ser impulsivas e a apresentar grande dificuldade para postergar a satisfação. critérios: Padrão global de emotividade excessiva e de busca de atenção; principia no início da idade adulta e está presente em diversos contextos, conforme indicado por 5 ou +: 1. sente-se desconfortável em situações nas quais não é o centro das atenções. 2. muitas vezes, a interação com outros é caracterizada por comportamento sexualmente sedutor ou provocador. 3. mudanças rápidas e superficialidade das emoções. 4. usa a aparência física para chamar a atenção sobre si. 5. possui um estilo de expressão verbal excessivamente baseado em impressões e com poucos detalhes. 6. demonstra dramaticidade, teatralidade e expressão exagerada das emoções. 7. é sugestinável, influencia-se facilmente por outras pessoas ou circunstâncias. 8. considera os relacionamentos mais íntimos do que realmente são. Pessoas que demonstram um sentido exagerado de auto-importância e que estão preocupadas em receber atenção. Willie: tudo tem a ver comigo Willie era assistente em um escritório pequeno de advocacia. Com pouco mais de 30 anos, seu histórico profissional era medíocre. Nunca havia ficado no mesmo emprego por mais de dois anos e dedicava um tempo considerável trabalhando por indicação de agências de colocação temporária. Entretanto, ao conhecê-lo, você acreditaria que ele era muito competente e que gerenciava o escritório. Caso você entrasse na sala de espera seria recebido por Willie, embora não fosse recepcionista. Ele seria extremamente solícito, indagaria como poderia ajudar, lhe ofereceria café e lhe pediria para sentir-se à vontade em "sua" área de recepção. Willie gostava de conversar e qualquer diálogo era redirecionado rapidamente de modo a mantê-lo como centro do assunto. No início, esse tipo de conduta cativante foi apreciado, porém, logo incomodou os outros colaboradores. Isso era especialmente vedadeiro quando se referia aos demais funcionários do escritório como sua equipe, muito embora não fosse responsável por supervisioná-los. As conversas com visitas e funcionários consumiam grande parte de seu tempo e do tempo dos outros colaboradores, isso estava se tornando um problema. Logo tornou-se muito controlador - um padrão que também foi revelado em outras posições -, assumindo avidamente as obrigações atribuídas a outros. Não completava as tarefas de modo satisfatório e isso criava muito atrito. Quando confrontou uma dessas dificuldades, Willie culpou outras pessoas. No final, entretanto, ficou claro que a autocentralização e a natureza controladora de Willie estavam na raiz de muitas das ineficiências no escritório. Durante uma reunião disciplinar como todos os sócios, uma situação incomum, Willie tornou-se ofensivo e os culpou por perseguí-lo. Insistia que seu desempenho havia sido excepcional em todos os cargos que tivera - algo que foi negado pelos ex-empregadores - e que eles estavam errados. Após se acalmar, revelou um problema anterior de alcoolismo, um histórico de depressão e diversos problemas familiares; acreditou que todos contribuíram para as dificuldades que apresentava. O escritório recomentdou que procurasse uma clínica universitária como condição para continuar empregado. Nesse lugar, recebeu o diagnóstico de depressão grave, bem como de transtorno de personalidade narcisista. As pessoas com esse transtorno possuem um senso irrazoável de auto-importância e estão tão preocupados consigo mesmos que não tem sensibilidade e compreensão em relação a outras pessoas. Não se sentem a vontade a não ser que alguém os esteja admirando. As sensações exageradas e as fantasias de grandeza, denominadas "grandiosidade", criam atributos negativos. Precisam de atenção especial e esperam recebê-la - a melhor mesa do restaurante, o local do estacionamento proibido em frente ao cinema. Também tendem a usar e manipular outras pessoas bem-sucedidas, podem ser extremamente invejosos e arrogantes. Por falharem muitas vezes ao se mostrarem à altura de suas próprias expectativas, frequentemente ficam deprimidos. critérios: Padrão global de grandiosidade (no que se refere a fantasia ou comportamento), necessidade de ser admirado e falta de empatia; principia no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos conforme o indicado por 5 ou +: 1. possui senso grandioso de auto-importância (p.ex., supervaloriza realizações e talentos, espera ser reconhecido como superior sem que tenha feito ações à altura). 2. preocupa-se com fantasias de sucesso, poder, brilho, beleza ou amor ideal ilimitados. 3. acredita que é "especial" e único e que só pode ser compreendido por outras pessoas (ou instituições) especiais ou de "status" elevado. 4. precisa de admiração excessiva. 5. sente-se em uma posição de possuir direitos, isto é, tem expectativas irrazoáveis de receber tratamento favorável ou de aceitação automática de suas expectativas. 6. aproveita-se de relacionamentos interpessoais; isto é, manipula os demais para atingir seus próprios objetivos. 7. não possui empatia: não tem disposição para reconhecer os sentimentos e as necessidades alheias ou identificar-se com isso. 8. Muitas vezes inveja os demais ou acredita que os outros o invejam. 9. demonstra comportamentos ou atitudes arrogantes e insolentes. Grupo B Possuem auto-estima extremamente baixa, juntamente com o medo de rejeição, faz que tenham poucas amizades e sejam muito dependentes daqueles com os quais se sentem à vontade. critérios: Padrão global de inibição social, sensação de inadequação e hipersensibilidade à avaliação negativa; principia no início da idade adulta e está presente em diversos contextos, conforme indicado por 4 ou +: 1. evita atividades ocupacionais que envolvam contato interpessoal significativo por medo de crítica, desaprovação ou rejeição. 2. não está disposto a envolver-se com pessoas a não ser que tenha certeza de ser apreciado. 3. demosntra prudência com os relacionamentos íntimos por causa do receio de passar vergonha ou de ser ridicularizado. 4. preocupa-se em ser criticado ou rejeitado nas situações sociais. 5. é inibido nas novas situações interpesoais por causa da sensação de inadequação. 6. considera-se socialmente inepto, sem atração pessoal ou inferior aos demais. 7. reluta de modo incomum em assumir riscos pessoais ou em participar de alguma nova atividade porque podem lhe causar constrangimento. Se apóiam em outras pessoas para tomar decisões, tanto corriqueiras como importantes, o que resulta em um medo irracional de abandono. Karen: tudo o que você disser Karen era uma mulher de 45 anos, casada, que foi orientada por seu médico para tratar problemas relacionados a ataques de pânico. Durante a avaliação aparentou estar muito preocupada, sensível e crédula. Deixou-se dominar pela emoção e chorou a intervalos irregulares durante toda a sessão. Mostrou-se autocrítica em todas as oportunidades. Por exemplo, quando foi questionada a respeito de como se relacionava com outras pessoas, declarou que "os outros pensam que sou burra e inadequada", embora não pudesse justificar o que não gostava na escola porque era "burra" e por sempre ter julgado que não tinha desempenho suficientemente bom. Karen descreveu como permaneceu por dez anos em seu primeiro matrimônio, apesar de "ter sido um inferno". Seu marido tinha casos com diversas mulheres e a ofendia verbalmente. Ela tentou deixá-lo muitas vezes, mas acabava cedendo aos pedidos dele para voltar. Por fim, conseguiu o divórcio; logo depois conheceu e casou com seu atual marido, que descreveu como bondoso, sensível e interessado. Karen afirmou que preferia que outros tomassem decisões importantes e concordava com as demais pessoas a fim de evitar conflito. Preocupava-se com a possibilidade de ficar sozinha sem ninguém para ampará-la e disse que sentia perdida sem a confiança renovada de outras pessoas. Também declarou que se ofendia facilmente; empenhava-se muito para não fazer algo que pudesse resultar em críticas. As pessoas com esse transtorno, a fim de não serem rejeitadas, concordam com outras quando sua própria opinião difere. critérios: Necessidade excessiva de ser cuidado, o que leva a um comportamento submisso e aderente e a temores de separação, começando no início da idade adulta e presente em diversos contextos, conforme indicado por 5 ou +: 1. dificuldade em tomar decisões do cotidiano sem uma quantidade excessiva de conselhos e reasseguramento de outras pessoas. 2. necessidade de que os outros assumam a responsabilidade pelas principais áreas de sua vida. 3. dificuldade em expressar discordância de outros por medo de perder suporte ou aprovação. Nota: não inclui temores realistas de retaliação. 4. dificuldade em iniciar projetos ou em fazer coisas por conta própria (em razão de falta de autoconfiança em seu julgamento ou habilidades, e não por falta de motivação ou energia). 5. vai a extremos para obter carinho e apoio de outros, a ponto de se oferecer para fazer coisas desagradáveis. 6. sente desconforto ou desamparo quando está só por causa dos temores exagerados de ser incapaz de cuidar de si próprio. 7. busca com urgência outro relacionamento como fonte de carinho e amparo quando um relacionamento estreito é rompido. 8. preocupação irrealista com medo de ser abandonado para cuidar de si próprio. Daniel: fazendo tudo com precisão Todos os dias, exatamente às 8h, Daniel chegava em seu escritório na universidade onde frequentava o curso de pós-graduação em Psicologia. A caminho, sempre parava em uma loja 7-Eleven para tomar café e comprar o "New York Times". Das 8h às 9h15, bebia seu café e lia o jornal. Às 9h15, reorganizava os arquivos que continham centenas de estudos relacionados à sua tese de doutorado, atrasada há anos. Das 10h até o meio-dia, lia um desses estudos e ressaltava trechos relevantes. Então, pegava o saquinho de papel com o almoço (sempre um sanduíche de creme de amendoim e gelatina e uma maçã) e se dirigia à lanchonete para comprar um refrigerante; comia sozinho. Das 13h às 17h, fazia reuniões, organizava sua mesa, elaborava listas das tarefas a realizar e registrava suas referências em um novo banco de dados. Em casa, Daniel jantava com sua mulher, em seguida, trabalhava em sua tese até depois das 23h, embora grande parte do tempo fosse empregada tentando dominar novas ferramentas do computador. Daniel não estava mais próximo de conluir sua tese do que estivera há 4 anos e meio. Sua mulher ameaçava deixá-lo porque também, em casa, ele agia com rigidez e ela não queria ficar presa para sempre à conclusão do curso de pós-graduação. Quando Daniel buscou ajuda de um terapeuta para tratar a ansiedade em relação à deterioração de seu casamento, foi diagnosticado como portador do transtorno de personalidade obsessivo-compulsivo. critérios: Padrão global de preocupação com ordem, perfeccionismo e controle mental e interpessoal em detrimento de flexibilidade, abertura e efeiciência; principia no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, conforme indicado por 4 ou +: 1. preocupação tão intensa com detalhes, regras, listas, ordem, organização ou horários, que o principal aspecto da atividade é perdido. 2. perfeccionismo que interfere na realização das tarefas (p.ex., é incapaz de completar um projeto porque não consegue atingir seus padrões rígidos). 3. é excessivamente dedicado ao trabalho e à produtividade; exclui atividades e amizades (não justificadas por necessidade econômica óbvia). 4. é muito consciencioso, escrupuloso e inflexível a respeito de moralidade, ética ou valores (não explicados pela identificação cultural ou religiosa). 5. é incapaz de livrar-se de objetos usados ou sem valor, mesmo quando não possuem importância sentimental. 6. reluta em delegar tarefas ou em trabalhar com outras pessoas, a não ser que elas se submetam ao modo exato como faz as coisas. 7. adota um estilo de gastos restritos para si e para os outros; o dinheiro é encarado como algo a ser acumulado como reserva para catástrofes futuras. 8. demonstra rigidez e teimosia. Grupo C substância psicoativa: refere-se a compostos químicos que são ingeridos a fim de alterar o humor ou o comportamento. Uso de substâncias: É a ingestão de substâncias psicoativas em quantidades moderadas que não interferem significativamente no desempenho social, educacional ou ocupacional (uso ocasional). Intoxicação: Uma pessoa atinge o estado de intoxicação dependendo da droga que ingere, da quantidade e da reação biológica individual. Em muitos casos, manifesta-se na forma de alterações de humor e menor capacidade motora. Abuso de substância: O abuso é definido em relação a quanto ele interfere significativamente na vida do usuário. Se as substâncias prejudicam a formação educacional, o trabalho ou o relacionamento com outras pessoas e expõem a pessoa a situações físicas perigosas e se estiverem envolvidas questões legais. Dependência de substâncias: Geralmente definida como vício. Em uma definição, o indivíduo dependente requer quantidades cada vez maiores para obter o mesmo efeito (tolerância) e reagirá fisicamente de modo negativo quando não ingerir a substância (abstinência). Tolerância e abstinência são reações fisiológicas às substâncias químicas ingeridas. No entanto, nem todas as substâncias viciam fisiologicamente. A pessoa não está está sujeita a consequências físicas graves quando interrompe o uso de LSD ou de maconha. Já a abstinência de cocaína possui um padrão que inclui ansiedade, falta de motivação e tédio. Outra definição utiliza-se dos "comportamentos de busca da droga" como medida da dependência. O uso repetido de uma droga, a necessidade desesperada de ingerir maior quantidade da substância (furtar dinheiro para comprar drogas, permanecer ao ar livre no frio para fumar) e a possibilidade de que o uso será retomado após um período de abstinência são comportamentos que definem a extensão da dependência. critérios para intoxicação: A. desenvolvimento de uma síndrome reversível que envolve uma substância específica em decorrência da ingestão recente (ou exposição a) de uma substância. OBS: substâncias diferentes podem resultar em síndormes similares ou idênticas. B. alterações comportamentais ou psicológicas clinicamente significativas e mal-adaptativas em virtude do efeito da substância no SNC que se desenvolvem durante ou logo após o uso da substância. C. os sintomas não se devem a uma CMG e não são mais bem explicados por outro transtorno mental. critérios para o abuso de substâncias: A. um padrão mal-adaptativo de uso de substâncias que resulta em prejuízo ou sofrimento clinicamente significativos manifestado por 1 ou + dos seguintes aspectos que podem ocorrer no período de 12 meses: 1. uso recorrente de substância que resulta em incapacidade para cumprir as principais obrigações relativas ao trabalho, à escola ou à casa. 2. uso recorrente de substância em situações nas quais isso representa risco físico. 3. problemas legais recorrentes relacionados ao uso de substâncias. 4. uso contínuo de substâncias apesar de problemas sociais ou interpessoais persistentes ou recorrentes causados ou potencializados pelos efeitos das substâncias. B. os sintomas nunca atenderam aos critérios de dependência de substâncias para essa categoria. critérios para dependência de substâncias: Um padrão mal-adaptativo de uso de substâncias que resulta em prejuízo ou sofrimento clinicamente significativos manifestado por 3 ou + dos aspectos a seguir que ocorrem em qualquer ocasião durante o período de 12 meses: 1. Tolerância, definida por qualquer um dos seguintes aspectos: a. necessidade de quantidades cada vez maiores da substância para chegar ao estado de intoxicação ou para obter o efeito desejado. b. acentuada diminuição do efeito em função do uso contínuo da mesma quantidade da substância. 2. Abstinência, manifestada por qualquer um dos seguintes aspectos: a. síndrome de abstinência característica da substância. b. a mesma substância (ou uma estreitamente relacionada) é consumida para aliviar ou evitar os sintomas da abstinência. 3. A substância é consumida frequentemente em quantidades maiores ou por um período mais longo que o pretendido. 4. Há um desejo persistente ou iniciativas malsucedidas para diminuir ou controlar o uso da substância. 5. Gasta-se muito tempo com atividades necessárias para obter a substância, usá-la ou recuperar-se de seus efeitos. 6. Atividades importantes de natureza social, ocupacional ou recreacional são abandonadas ou reduzidas por causa do uso da substância. 7. O uso da substância continua apesar da pessoa saber que tem um problema físico ou psicológico persistente ou recorrente que provavelmente foi causado ou exacerbado pela substância Especificar se:
Com dependência fisiológica: sinal de tolerância ou abstinência;
Sem dependência fisiológica: sem sinais de tolerância ou abstinência. Categorias dos psicotrópicos: Tranquilizantes: Estimulantes: Opiáceos: Alucinógenos: Outras drogas de abuso: substâncias que resultam em sedação comportamental e podem induzir ao relaxamento. Incluem o álcool e os medicamentos de ordem sedativa, hipnótica e ansiolítica da família dos barbitúricos e bezodiazepinas. Fazem com que nos tornemos mais ativos e alertas e melhoremos o humor. Nesse grupo estão as anfetaminas, a cocaína, a nicotina e a cafeína. O principal efeito dessa substância é produzir analgesia (redução da dor) e euforia temporárias. Heroína, ópio, codeína e morfina estão nesse grupo. Essas substâncias alteram a percepção sensorial e podem produzir ilusões, paranóia e alucinações. Maconha e LSD estão nessa categoria. São as que não se enquadram nas categorias anteriores. Incluem inalantes ("cola de sapateiro"), esteróides anabólicos e outros medicamentos vendidos com e sem receita médica. Efeitos psicoativos diversos. Critérios para intoxicação com álcool: A. Ingestão recente de álcool. B. Alterações comportamentais ou psicológicas clinicamente significativas ou mal-adaptativos que ocorreram durante ou logo após a ingestão de álcool. C. 1 ou + dos seguintes sinais que comparece durante ou logo após o uso de álcool: 1. fala enrolada
2. ausência de coordenação
3. caminhar cambaleante 4. nistagmo
5. diminuição da atenção ou da memória
6. estupor ou coma D. Os sintomas não se devem a uma CMG e não são mais bem explicados por outro T. mental. Transtornos relacionados à substâncias sedativas, hipnóticas ou ansiolíticas: Barbitúricos (sedativos): eram prescritos para ajudarem as pessoas a dormir, substituíam o álcool e o ópio. Causam relaxamento. Em doses reduzidas os barbitúricos relaxam a musculatura e produzem a sensação de bem-estar. Doses maiores podem apresentar resultados similares àqueles do consumo exagerado bebidas: fala enrolada e dificuldade para caminhar, concentrar-se e trabalhar. Em doses extremamente altas, os músculos do diafragma relaxam a ponto de causar morte por asfixia. A overdose por Barbitúricos é uma forma comum de suicídio. As benzodiazepinas são utilizadas para acalmar uma pessoa e induzí-la ao sono. Além disso, são prescritos como relaxantes musculares e anticonvulsivos. As pessoas que o utilizam por razões médicas declaram sentir inicialmente um estado de euforia agradável e diminuição da inibição, algo similar ao efeito da ingestão de álcool. Critérios para intoxicação com sedativos, hipnóticos ou ansiolíticos: A. uso recorrente de um sedativo, hipnótico ou ansiolítico. B. Alterações comportamentais ou psicológicas mal adaptativas e clinicamente significativas, desenvolvidas durante ou logo após o uso de um sedativo, hipnótico ou ansiolítico. C. no mínimo 1 dos seguintes sinais, desenvolvidos durante ou logo após o uso da substância: 1. fala arrastada
2. incoordenação
3. marcha instável
4. nistagmo
5. prejuízo na atenção ou memóri
6. estupor ou coma D. os sintomas não se devem a uma CMG nem são melhor explicados por outro T. mental. critérios para abstinência: A. Cessação (ou redução) do uso pesado ou prolongado da substância. B. no mínimo dois dos seguintes sintomas, desenvolvidos dentro de algumas horas a alguns dias após a cessação. 1. hiperatividade autonômica (p.ex., sudorese ou frequência cardíaca acima de 100bpm). 2. tremor aumentado das mãos
3. insônia
4. náuseas
5. alucinações ou ilusões visuais, táteis ou auditivas transitórias.
6. agitação psicomotora
7. ansiedade
8. convulsões de grande mal C. os sintomas no critério B causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes. D. não se devem a uma CMG ou outro T. mental. Tranquilizantes: Estimulantes: critérios para intoxicação com anfetamina A. uso recente de anfetamina ou substância relacionada (p.ex., metilfenidato). 9. confusão, convulsões, discinesias, distonia ou coma. B. alterações comportamentais ou psicológicas mal-adaptativas e clinicamente significativas ( p.ex., euforia ou alterações que impedem a afetividade; mudanças na sociabilidade; hipervigilância; sensibilidade interpessoal, ansiedade, tensão ou irritação; comportamento estereotipado; prejuízo do julgamento do funcionamento social ou ocupacional) que se desenvolveram durante ou logo após o uso de anfetamina ou de substância relacionada. C. dois ou + dos sintomas a seguir que ocorrem durante ou logo após o uso da substância: 1. raquicardia ou bradicardia
2. dilatação das pupilas
3. elevação ou diminuição
4. sudorese ou calafrios 5. náuseas ou vômito
6. evidência de perda de peso
7. agitação ou retardamento psicomotor 8. fraqueza muscular, diminuição da respiração, dor torácica ou arritmia cardíaca. D. os sintomas não se devem a uma CMG, nem são melhor explicados por outro T. mental. Especificar se:
com perturbação da percepção critérios para abstinência de anfetamina A. Cessação ou redução de um uso pesado e prolongado de anfetamina (ou substância correlata) B. humor disfórico e no mínimo 2 das seguintes alterações fisiológicas, desenvolvidas dentro de horas ou dias após o critério A: 1. fadiga
2. sonhos vívidos e desagradáveis
3. insônia ou hipersonia
4. apetite aumentado
5. retardo ou agitação psicomotora C. os sintomas no critério B causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas. D. os sintomas não se devem a uma CMG nem são melhor explicados por outro T. mental. A intoxicação por cocaína possui efeitos e critérios diagnósticos iguais a intoxicação por anfetamina. A cocaína pode ser consumida nas suas formas injetáveis, inaladas ou fumadas (crack). O que varia nesse caso é a velocidade com que a droga faz efeito e o nível de toxicidade. Intoxicação por cafeína Consumo recente de cafeína e cinco ou mais sintomas durante ou logo após o consumo. 100mg de cafeína por dia: inquietação, nervosismo, excitação, insônia, rubor facial, diurese e queixas gastrointestinais. Níveis superiores a 1g/dia: abalos musculares, pensamentos e discurso com fluxo errático, taquicardia ou arritmia cardíaca, períodos de inexaustabilidade e agitação psicomotora. A abstinência no uso crônico de ácool provoca tremores nas mãos, no intervalo de algumas horas, náusea ou vômito, ansiedade, alucinações passageiras, agitação, insônia e no caso mais extremo, "delirium tremens". Que é uma perturbação que pode produzir alucinações amedrontadoras e tremores corporais. Nicotina O DSM-IV não descreve um padrão de intoxicação para a nicotina, entretanto, relaciona basicamente os sintomas de abstinência. A nicotina em pequenas doses estimula o SNC, pode aliviar os estresse e melhorar o humor. No entanto, é fator de risco para o desenvolvimento de pressão alta, aumenta o risco de doença cardíaca e de câncer. Doses elevadas podem embaçar a visão, causar confusão, resultar em convulsões e, alguns casos a morte. Abstinência de nicotina A. uso diário de nicotina por pelo menos algumas semanas. B. Cessção abrupta do uso de nicotina ou redução da quantidade consumida seguidas no intervalo de 24h por 4 ou +: 1. humor disfórico ou deprimido
2. insônia
3. irritabilidade, frustração ou raiva
4. ansiedade
5. dificuldade de concentração 6. inquietação
7. menor número de batimentos cardíacos
8. aumento do apetite ou ganho de peso C. os sintomas do critério B causam sofrimento clinicamente significativo, ou prejuízo no âmbito social, ocupacional ou em outras esferas importantes do funcionamento. D. os sintomas não se devem a uma C.M.G. e não são melhor explicados por outro T. mental. É considerada um estimulante "suave" por ser menos nociva em relação as outras drogas. Seu uso em pequenas doses pode melhorar o estado de ânimo e diminuir a fadiga. critérios para intoxicação com cafeína: A. consumo de cafeína, geralmente mais que 250mg (p.ex., mais que 2 a 3 xícaras de café coado). B. 5 ou +: 1. inquietação
2. nervosismo
3. excitação
4. insônia 5. rubor facial
6. diurese
7. perturbação gastrointestinal
8. contração muscular 9. fluxo desconexo do pensamento e da fala
10. taquicardia ou arritmia cardíaca
11. períodos de atuação sem fadiga
12. agitação psicomotora C. os sintomas do critério B causam sofrimento ou prejuízo. D. os sintomas não se devem a uma CMG e não são melhores explicados por outro T.mental. Opióides Substâncias químicas ou naturais, provenientes da papoula, possuem efeito narcótico (aliviam a dor e induzem ao sono). Naturais: morfina
Semi-sintéticos: heroína
Sintéticos: codeína, hidromorfona, metadona, oxicodona, meperidina e fentanila. Intoxicação por opióides: A. uso recente de um opióide B. alterações comportamentais ou psicológicas mal adaptativas e clinicamente significativas (p.ex., euforia inicial, seguida por apatia, disforia, agitação ou retardo psicomotor, julgamento prejudicado ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional) durante ou logo após o uso de opiódes. C. miose (ou midríase devido a anoxia por superdosagem grave) e um ou +: 1. topor ou coma
2. fala arrastada
3. prejuízo na atenção e na memória D. os sintomas não se devem a CMG ou outro T.mental. Abstinência de opióides: A. qualquer um dos seguintes quesitos: 1. cesssação ou redução do uso pesado e prolongado de opióides (algumas semanas ou mais) 2. administração de um antagonista de opióides após um período de uso de opióides. B. 3 ou + dos seguintes sintomas, desenvolvidos dentro de alguns minutos a alguns dias após o critério A: 1. humor disfórico
2. náuse ou vômito
3. dores musculares
4. lacrimejamento ou rinorréia 5. midríase, piloereção ou sudorese
6. diarréia
7. bocejos
8. febre
9. insônia C. os sintomas do critério B causam sofrimento ou prejuízo. D. não são melhores explicados por CMG ou outro T. mental. Alucinógenos Essas substâncias alteram o modo como o usuário percebe o mundo. Visão, audição, sensações, paladar e até mesmo o olfato são alterados quando uma pessoa está sob a influência de drogas como LSD ou maconha. Intoxicação por Cannabis A. Uso recente de Cannabis B. Alterações comportamentais ou psicológicas mal adaptativas e clinicamente significativas (p.ex., prejuízo na coordenação, euforia, ansiedade, sensação de lentidão do tempo, prejuízo no julgamento, retraimento social) durante ou logo após o uso. C. 2 ou + dos sinais que se desenvolvem no período de 2h pós uso: 1. conjuntivas hiperêmicas
2. apetite aumentado
3. boca seca
4. taquicardia D. não são melhor explicados por uma CMG ou outro T. mental. A abstinência da cannabis não é incluída no DSM-IV pela falta de dados clínicos consistentes, entretanto, quadro que incluem: humor irritável ou ansioso, acompanhado de alterações fisiológicas como tremor, sudorese, náuse e perturbações do sono; já foram relatados por usuários. LSD - dietilamida de ácido lisérgico e outros alucinógenos Geralmente é produzida sinteticamente em laboratório. Entretanto, existem variedades da substância que podem ser encontradas na natureza. Normalmente, os alucinógenos são encontrados em plantas. A "psilocibina" é encontrada em certos tipos de cogumelos; "amida do ácido lisérgico" nas sementes de ipoméia, "dimetiltriptamina" (DMT) na casca da virola, uma árvore da América Central e do Sul; a "mescalina" existente no cacto peiote. critérios para intoxicação: A. uso de um alucinógeno B. alterações comportamentais ou psicológicas mal adaptativas e clinicamente significativas (p.ex., ansiedade ou depressão intensa, idéias de referência, receio de ficar fora de si, prejuízo do julgamento, prejuízo do funcionamento ocupacional ou social) durante ou logo após o uso. C. alterações da percepção que ocorrem em estado de vigília e alerta (p.ex., intensificação subjetiva das percepções, despersonalização, desrealização, ilusões, alucinações, sinestesia) durante ou logo após o uso. D. 2 ou +:
1. dilatação das pupilas
2. taquicardia
3. sudorese
4. palpitações 5. visão embaçada
6. tremores
7. ausência de coordenação D. os sintomas não são melhor explicados por uma CMG ou outro T. mental. Transtorno persistente da percepção induzido por Alucinógenos Também conhecidos por "flashbacks". Trata-se da recorrência transitória de perturbações da percepção que relembram as experimentadas durante uma ou mais intoxicações com alucinógenos. critérios: A. Reexperiência, após a cessação do uso de um alucinógeno, de no mínimo um dos sintomas perceptivos experimentados durante a intoxicação com o alucinógeno (p.ex., alucinações geométricas, falsas percepções de movimentos nos campos visuais periféricos, lampejos coloridos, cores intensificadas, rastros de imagens de objetos em movimento, pós-imagens positivas, halos em torno dos objetos, macropsia ou micropsia). B. os sintomas no critério A causam sofrimento ou prejuízo. C. os sintomas não são melhor explicados por CMG ou outro T.mental. Inalantes Substâncias encontradas em gasolina, cola, solventes e tintas em "spray"; ou em limpadores, fluidos de correção datilográfica; outros componentes voláteis contendo ésteres, cetonas e glicóis. Diversos métodos são usados para a inalação de vapores intoxicantes. Em geral, um trapo encharcado com uma substância é encostado ao nariz e à boca, e os vapores são inspirados. As substâncias também podem ser colocadas em um saco plástico ou de papel para a inalação dos gases. Ou ainda, podem ser inaladas diretamente de suas embalagens ou de aerosóis, cujos jatos são dirigidos à boca ou nariz. Existem relatos de alguns usuários que aquecem esses compostos para acelerar a vaporização. Os inalantes alcançam os pulmões, a corrente sanguínea e os sítios-alvo muito rapidamente. Intoxicação por inalantes: A. recente uso intencional ou exposição breve a altas doses de inalantes voláteis (excluindo gases anestésicos ou vasodilatadores de curta ação). B. alterações comportamentais ou psicológicas mal adaptativas e clinicamente significativas (p.ex., beligerância, agressividade, apatia, prejuízo no julgamento, no funcionamento social ou ocupacional) durante ou logo após o uso. C. no mínimo 2 dos seguintes sinais: 1. tontura
2. nistagmo
3. incoordenação
4. fala arrastada
5. marcha instável 6. letargia
7. reflexos deprimidos
8. retardo psicomotor
9. tremor 10. fraqueza muscular generalizada
11. visão turva ou diplopia
12. estupor ou coma
13. euforia D. os sintomas não se devem a uma CMG nem melhor explicados por outro T. mental.
Full transcript