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Fernando Pessoa - Ortónimo

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by

Vanessa Ferreira

on 14 March 2013

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Transcript of Fernando Pessoa - Ortónimo

Fernando Pessoa
Ortónimo Realizado por:
Vanessa Ferreira AutoPsicografia Isto Ó sino da minha aldeia Quando as crianças brincam Boiam leves, desatentos Não sei, ama, onde era Ela canta, pobre ceifeira O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração. Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê! Não sei, ama, onde era
Nunca o saberei...
Sei que era primavera
E o jardim do rei...
(Filha, quem o soubera!...)

Que azul tão azul tinha
Ali o azul do céu!
Se eu não era a rainha,
Por que era tudo meu?
(Filha, quem o adivinha?)

E o jardim tinha flores
De que não me sei lembrar...
Flores de tantas cores...
Penso e fico a chorar...
(Filha, os sonhos são dores...)

Qualquer dia viria
Qualquer coisa a fazer
Toda aquela alegria
Mais alegria nascer
(Filha, o resto é morrer...)

Conta-me contos, ama...
Todos os contos são
Esse dia, e jardim e a dama
Que eu fui nessa solidão... Boiam leves, desatentos
Meus pensamentos de mágoa,
como no sono dos ventos,
As algas, cabelos lentos
Do corpo morto das aguas.

Boiam como folhas mortas,
À tona de águas paradas.
São coisas vestindo nadas,
Pós remoinhando nas portas
Das casas abandonadas.

Sono de ser, sem remédio,
Vestígio do que não foi,
Leve mágoa, breve tédio,
Não sei se para, se flui;
Não sei se existe ou se dói. Ela canta, pobre ceifeira,
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anônima viuvez,

Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.

Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz há o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões pra cantar que a vida.

Ah, canta, canta sem razão!
O que em mim sente ‘stá pensando.
Derrama no meu coração a tua incerta voz ondeando!

Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência

Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai! Eu/mente/escrita Fingimento poético
Criação poética Auto análise do
sujeito poético
através da escrita Tese Metáfora Sentimento (coração)
é o oposto a razão (intelectualização) que dá origem a imaginação Coração Demonstração da tese Criação poética Sonho é comparado
como um terraço Criação poética conclusivo O sujeito poético
recusa a poesia
como expressão
das sensações Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto,
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho,
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto Apóstrofe
Nostalgia, saudade Calmo, monotomia Melancolia, tédio Temática Infância perdida Batidas Vertente tradicional Passado distante,
Infância
perdida O sino e a aldeia
simbolizam uma nostalgiade uma infância perdida Quanto mais distante maior
é a saudade Temática infância perdida Duvida, incerteza Caraterização do espaço Refrão Vocativo Refrão Refrão Refrão Caraterização do espaço Caraterização do tempo Jardim simboliza a infância
Ama simboliza conforto,
proteção e segurança As reticência querem dizer
duvida, incerteza,
imaginação, nostalgia
e saudade Temática - Infância perdida Quando as crianças brincam
E eu as ouço brincar,
Qualquer coisa em minha alma
Começa a se alegrar.

E toda aquela infância
Que não tive me vem,
Numa onda de alegria
Que não foi de ninguém.

Se quem fui é enigma,
E quem serei visão,
Quem sou ao menos sinta
Isto no coração. Passado Presente Futuro Memória Fase adulta Desconhecimento
do "eu" Infância
Perdida Observação das
brincadeiras das
crianças Desconhecimento do eu "enigma" "Visão" Alegria, saudade Conjunção temporal Adição Condição Não sabe quem foi.
Reflete a temática do
"eu" perdido Ausência de identidade Temática tédio, angústia Morto Pensamentos Sem vida Não existe Não tem força Não tem solução Contradição Desconhecimento do "eu" Temática - Dor de pensar, Inconsciência Pobre- tem pena
Felicidade aparente, não tem consciência da sua felicidade, não pensa perturbando o poeta Comparativamente
entre a ceifeira e o
sujeito poético, o
sujeito poético é infeliz
e tem inveja Contrariedade Modalidade de incerteza Dupla adjetivação O canto da ceifeira desperta
no sujeito poético todos estes
sentimentos Querer se poder identificar com
a ceifeira, mas tendo consciência
da alegria A ciência pesa tanto O menino da sua mãe Temática - Infância perdida No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado-
Duas, de lado a lado-,
Jaz morto, e arrefece.

Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.

Tão jovem! Que jovem era!
(agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino de sua mãe.»

Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço… deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:
“Que volte cedo, e bem!”
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto e apodrece
O menino da sua mãe Representação do espaço Tempo ameno
Representação do tempo Forma como ele morreu Perdeu sangue, pálido Vazio, sem vida Sugere que era mimado, protegido Não foi utilizado Inocência
Pureza (Ama) Mãe e ama rezam para que
volte são e salvo a casa Ironia do destino Decomposição do
corpo
Representação do avanço
temporal 1º Parte 2º Parte 3º Parte Mãe e ama são figuras
femininas que simbolizam
proteção, família, amor
e carinho Vida perdida numa planície
isolada, sozinho e longe de casa Caraterização física e psicologia do jovem Fingimento poético
Criação poética Deitícos pessoais Faz relembrar o passado Traduz simultaneamente o ceticismo e a esperança do "eu" em relação ao futuro Não sente a saudade de uma infância
ou de um passado feliz, mas apenas a
saudade da alegria que o conceito de
infância evoca nele Repetição anafórica
associada ao adverbio de
negação, intensifica a angústia do "eu" O autodesconhecimento é fonte
de tristeza e de tédio, ainda
que nao muito intensa O pensamentos surgem
como elementos dispersos
e fora do controlo,
desencadeando o sofrimento Pensamentos comparados
a elementos inertes e difíceis
de fazer desaparecer Dor de pensar A criação poética
assenta na relação entre "coração" e "razão", entre sentir e pensar Dirige-se aos
leitores Antitese-
"longe"/"perto"
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