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ANIVERSÁRIO

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by

acr trabalho

on 15 December 2014

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Transcript of ANIVERSÁRIO

Poema
Estrutura Interna
Estrutura Externa
Morfossintase
Figuras de Estilo
Caracteristicas do Poeta
Conclusão
Índice
Poema
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Poema
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

Álvaro de Campos
ANIVERSÁRIO
Poema
Aniversário No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Poema
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...
Estrutura Interna
Estrutura Externa
Morfossintase
Excesso de expressão:
Interjeições e pontuação emotiva (exclamações, interrogações, reticências);
Repetições: com valor fónico, na medida em que conferem musicalidade no poema.
"Ó meu Deus, meus Deus, meu Deus!
Construções nominais, infinitivas e gerundivas;
Figuras de estilo
Anáfora: A anáfora traduz a saudade imensa de um passado que o sujeito poético não pôde roubar e o desespero que essa incapacidade lhe causa

O que fui de coração e parentesco,
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui - ai, meu Deus! (...)"

"Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida."
Versos longos e livres;
Versos brancos e rimados;
Irregularidade formal (estrófica, métrica e rítmica);
Assonâncias e aliterações;
Conclusão
Comparação:

"O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa" (v.19)
"É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio..."(v.24)
"Comer o passado como pão de fome (...)" (v.30)
Adjectivação: Os adjectivos sugerem quer a alegria da infância já perdida, quer a distância infinita que separa o "eu" poético dessa época.

"Eu era feliz e ninguém estava morto" (v.2)
"Na casa antiga (...) (v.3)
"Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma" (v.6)
"De ser inteligente para entre a família" (v.7)


Antítese: dictomia passado/presente
"O que eu sou hoje"

Apostrofe:
"Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!"
Características do Poeta
Campos é o “filho indisciplinado da sensação" e para ele a sensação é tudo.
O poeta tenta integrar e unificar tudo o que tem ou teve existência ou possibilidade de existir.
Este heterónimo virado para o exteriror, tenta banir o vício de pensar e acolhe todas as sensações. Aprende de Caeiro a urgência de sentir, mas não lhe basta a «sensação das coisas como são».
É tambem a personalidade pessoana que mais se aproximou de uma poesia realista, e, também, quem mais foi marcado pela modernidade.
A sua poesia é marcada pela ansiedade e confusão emocional. Como pelo cansaço, tédio e abulia. Mas também pela angústia existencial e o sentido do absurdo.

A poesia de Álvaro de Campos pode ser dividida em três fases:

1ª fase: associada ao Decadentismo - tédio; desejo de novas sensações
2ª fase: de influência futurista - influência do Futurismo; Sensacionismo
3ª fase : fase dita "pessimista" ou intimista - atonia; desalento; ceticismo; angústia; nostalgia da infância. Sendo nesta fase que o poema "Aniversário" enquadra-se.
página 98
O poema encontra-se dividido em 4 partes:
1ºparte- 1º, 2º e 3º estrofes:

Aqui está presente o tempo da infância feliz do sujeito poetico, da qual ele não sabia que a teve. Sendo só no presente, em que perdeu essa felicidade inocente da infância, é que sabe que foi feliz.
Como da alegria partilhada com a familia, mas também da inocência e despreocupação do "eu".
Nestas estrofes o sujeito poético exprime um tempo passado que teve duração, ou seja, a duração da infância. Afirmando o passado completamente concluído, morto.
2º parte- 4º estrofe:

O "eu" caracteriza o seu presente como um tempo degradado de ausência, perda, vazio e solidão. Um tempo sem sentido. Aqui o sujeito poetico fala já no presente.
3º parte- 5º e 6º estrofes:

Temos o desejo impossivel de regresso/recuperação do passado, por parte do sujeito poetico. Pois toma a consciência que é impossivel recuperar a felicidade perdida da infância e de que o presente vazio é a única possibilidade.
Na 6º estrofe temos o inicio da presentificação do passado que, assim, substitui o presente.
4º parte- 7º estrofe:
Deixa de pensar no passado, desiste das lembranças e quer parar com aqueles seus pensamentos.
Diz que quando se é mais velho não se festejam os dias de anos, vão apenas passando-se e somando-se dias. O autor sente uma raiva enorme por não trazer sempre o seu passado junto de si, mesmo que isso lhe vá trazendo memórias tristes.
Ao nível léxical, encontramos vocábulos que se ligam a um mesmo núcleo semântico, a casa e que fazem a dicotomia passado / presente.

"Na casa antiga (...)" (v.3)
"A mesa posta com mais lugares (...)" (v.32)
"O aparador com muitas coisas - doces, frutas (...)" (v.33)

Verbos- no pretérito imperfeito ("Eu era feliz") e no pretérito perfeito ("O que fui").
Quando abrimos o papel, no principio, todas nós nos assustamos. Tinhamos em mente que seria muito difícil estudar este heterónimo, mas não, encontramos algumas dificuldades , mas conseguimos ultrapassa-las.
Depois de termos feito o trabalho sobre o "Anversário" de Álvaro de campos , os nossos conhecimentos em relação a ele só aumentaram, pois é sempre bom aprofundarmos a nossa cultura geral em relação aos poetas portugueses.
Trabalho realizado por:
Ana Margarida nº 2
Caliane Sofia nº 9
Raquel Barbosa nº14
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