Loading presentation...

Present Remotely

Send the link below via email or IM

Copy

Present to your audience

Start remote presentation

  • Invited audience members will follow you as you navigate and present
  • People invited to a presentation do not need a Prezi account
  • This link expires 10 minutes after you close the presentation
  • A maximum of 30 users can follow your presentation
  • Learn more about this feature in our knowledge base article

Do you really want to delete this prezi?

Neither you, nor the coeditors you shared it with will be able to recover it again.

DeleteCancel

Análise e Visualização de Eventos de Arte como Rede Social

Palestra no Simpósio Internacional Futuros Possíveis na FAU-USP, outubro 2012
by

Canal Contemporâneo

on 2 November 2016

Comments (0)

Please log in to add your comment.

Report abuse

Transcript of Análise e Visualização de Eventos de Arte como Rede Social

Uma rede é formada por elementos [vértices - nós - atores] e suas interações [arestas - conexões - relações - laços], representadas respectivamente por pontos e traços
Nicholas A. Christakis, médico e cientista social
James Fowler, cientista político
Um Mapa da obesidade dentro do tipo de rede social que todos nós habitamos.

Há 2.200 pessoas (nós) e muitos milhares de ligações (linhas) entre eles. Nós com bordas azuis são homens e bordas vermelhas são mulheres. Nós maiores são as pessoas mais gordas, e a cor do interior dos nós indica se a pessoa é obesa: amarelo são obesos e verde não são obesos. As cores dos laços entre os nós indicam o tipo de relação (por exemplo, amigo, cônjuge, irmão). Grupos de indivíduos obesos e não obesos são visíveis e estes surgem não apenas porque os indivíduos de tamanho de corpo semelhante preferencialmente formam laços, mas também porque o tamanho de uma pessoa afeta o corpo de um outro a quem eles estão conectados. Este mapa nos levou a uma nova direção em nossa pesquisa, orientando-nos para novas possibilidades que a ciência de rede tem para compreender e melhorar a condição humana.

Connected: The Surprising Power of Our Social Networks and How They Shape Our Lives, 2009
Mapa da Obesidade
Albert-Laszlo Barabasi, cientista de rede
Créditos: Kwang-Il Goh, Michael E. Cusick, David Valle, Barton Childs, Marc Vidal, Albert-Laszlo Barabasi
Diseasome
Como doenças se ligam umas as outras graças aos genes compartilhados.
John D Barrow, Cosmólogo, físico teórico, matemático
Harry Beck, Diagrama do metrô de Londres, 1933
O primeiro mapa do metrô de Londres de Harry Beck

Enquanto não tenho um mapa meu especial, eu recomendo postar este de Harry Beck, por ter sido o primeiro mapa topológico do mundo. Beck, com formação em electrônica, desenhou o diagrama (ele sempre chamou de 'Diagrama' não é um 'mapa') com a aparência de uma placa de circuito.

o mapa anterior fazia as viagens parecerem complicadas e muito longas (a maioria das estações nem cabia no mapa!). As pessoas não estavam usando o metrô por causa disso, resultando em um desastre financeiro. O mapa de Beck resolveu todos estes problemas. Além de ser um dos clássicos do design no mundo, o seu impacto sociológico em Londres foi enorme: definiu a forma como a maioria das pessoas pensa no layout de Londres.

Os mapas de Beck não eram geográficos. Ele não tentou representar onde as estações realmente estavam geograficamente. Tudo o que importava eram os links para outras estações - e quando você está debaixo da terra tudo o que realmente importa é a próxima estação. Se você desenhar um mapa em uma folha de borracha grande, então um mapa topologicamente equivalente é criado ao esticar a folha em qualquer direção que você quiser, sem rasgá-la. As ligações serão todas preservadas mas as distâncias entre as estações na folha mudará. O mapa de Beck foi o primeiro desse tipo.
Armand Leroi, biólogo evolucionário
Um mapa do Golfo de Kallonis do Almirantado Britânico de 1817, a lagoa na Grécia, onde Aristóteles começou o estudo do mundo biológico. Aristóteles propôs que os organismos eram formados e mantidos por suas "almas", o que significava a topografia de suas redes metabólicas e regulatórias. Sobreposto na lagoa, portanto, está um mapa da rede regulatória de uma célula de levedura: a visão de Aristóteles realizada no século 21.
Rede de sabor: ingredientes culinários e sua relação química. A cor de cada ingrediente representa a categoria de alimentos a que o ingrediente pertence e o tamanho de um ingrediente é proporcional à frequência que o usamos. Dois ingredientes culinários são conectados se eles compartilham muitos compostos. A espessura de uma borda representa o número de compostos de sabor comuns.
Yong-Yeol_Ahn, pesquisador em pós-doutorado no Centro para Pesquisa de Redes Complexas, Northeastern University
MAPAS - REDES
Para ilustrar a aplicação da análise e visualização de redes em outras áreas do conhecimento, selecionamos dois mapas que participaram da maratona “Maps for the 21st Century”, realizada pela Serpentine Gallery e Edge.org , em Londres, em 2010.
Futuros Possíveis: Arte, Museus e Arquivos Digitais
Análise e Visualização de Eventos de Arte como Rede Social
Network Science
1736
teoria dos grafos
graph theory
1959
random graphs
grafo aleatório
1960s
small-world
experiment
1998
Watts-Strogatz
6
graus de
Separação
1973
strenght of weak ties
poder dos
laços fracos
rich get richer
Barabási-Albert
model
1999
Ciência de Redes
Patricia Kunst Canetti
www.canalcontemporaneo.art.br

1998
2000
2001
2003
2004
2005
2006
1993
acervo
65.000 itens:
34.000 imagens
1.615 e-nformes
4.570 agenda eventos
20 discos rígidos...
+ arquivo
dez 2000
dez 2005
primeiro navegador
evento facebook
agenda de eventos
e-artnow newsletter
Livia Flores, Chão de tacos, 2002 (foto de Paulo Jares)
Foi o revirar dos tacos no trabalho de Livia Flores que me levou ao lugar que me interessa: o instante de movimento na oscilação entre ordem e desordem.

Este lugar que se dá numa brecha, no instante da mudança entre o conhecido e o novo, é o movimento que permite arejar velhos posicionamentos: inclusão/exclusão (do sistema da vida ou da arte).

Andávamos sobre os tacos apenas colocados lado a lado, e ao andar, os tacos rangiam, se mexiam e se soltavam do padrão original. O andar consciente de estar provocando mudanças, mesmo elas sendo mínimas, se for também capaz de percebê-las sendo atingidas por outras também ínfimas, passará a gerir um efeito multiplicador.

Todos aqueles montinhos de tacos revirados, formando outros padrões e em constante movimento, me lembraram a própria Arte Contemporânea. É da posição desta brecha/instante, que também é movimento, que penso o Canal Contemporâneo como ação.
Trechos de "A conquista de um espaço”, publicado em agosto de 2002:
http://www.canalcontemporaneo.art.br/e-nformes.php?codigo=302
Padrões de coletividades se somam na formação das individualidades. Não se trata de uma soma por adição, mas por interseção e combinação, que através de suas inúmeras inter-relações e entrelaçamentos, estrutura o funcionamento de um sistema de crescimento não linear. A cronologia própria deste sistema é resultado da capacidade dialética e da permeabilidade geradas nesta dinâmica dos padrões, em cada um dos encontros, ou em cada nova formação destas camadas.

Os encontros, aqui e ali conectados nestes vários planos, passam a ser parte de um caminho, que muitas vezes repetido, marca e estrutura cada individualidade. Estas marcas são o início de outro processo: a dinâmica dos padrões das coletividades na construção das individualidades nos leva a dinâmica dos padrões das individualidades na construção das coletividades.

Estas duas dinâmicas em movimento constante, este estar um dentro do outro, constituem uma relação de tempo e espaço estruturadora do espaço cibernético. Como os padrões dos mosaicos na arquitetura servem para ampliar e movimentar zonas espaciais, através da organização da luz, os padrões das individualidades e coletividades demarcam situações que promovem a profundidade no espaço cibernético.
Patricia Canetti, Como pão e gente, 2003 (foto de Rachel Korman)
Trechos de "Como pão e gente", publicado em maio de 2003 no jornal de arte Inclassificados:
http://www.canalcontemporaneo.art.br/blog/archives/000003.html
A primeira vez que ouvi Eduardo Kac falar de seu biobot (http://www.ekac.org/8thday.html), contando sobre como o robô era movimentado pela multiplicação e movimentação de organismos vivos, imediatamente pensei no funcionamento do Canal Contemporâneo, relacionando a sua atuação à multiplicação e à movimentação dos indivíduos conectados à rede, mas pensei também no nosso próprio funcionamento como indivíduos, a partir das infinitas conexões que o nosso código genético faz com outros organismos vivos.

O que mais me interessa no conhecimento do Genoma Humano é o fato dele nos evidenciar uma ampla descendência e, a partir dela, podermos entrar em contato com o fato de sermos feitos de pedaços. Pedaços, que nos estruturam e que nos conectam ao exterior e ao coletivo. É a percepção inédita do coletivo em nosso interior, mesclada à vivência de rede das novas tecnologias, que nos possibilitam vislumbrar novas relações entre a individualidade e a coletividade na condição humana.
Eduardo Kac, O Oitavo Dia, 2001
Trechos do texto "Como atiçar a brasa", publicado em maio de 2004:
http://www.canalcontemporaneo.art.br/e-nformes.php?codigo=541
A nova era de mobilidade e conectividade promovida pelas mídias digitais, e experimentadas por todos nós cotidianamente, tem impulsionado o desenvolvimento da Teoria das Redes Complexas e o nascimento de uma nova ciência: Network Science ou Ciência das Redes.
Na última década, suas metodologias científicas têm sido aplicadas a diversos campos da biologia, medicina, economia, finanças, marketing, arqueologia, história, tecnologia da informação, computação, etc. Juntas, redes e mídias digitais revolucionam a visualização e a análise de contextos, promovendo avanços nestes diferentes campos do conhecimento.
O curador da Maps Marathon Hans Ulrich Obrist convidou artistas, cientistas e pesquisadores de várias áreas para apresentarem durante dois dias os seus mapas para o século 21. O evento enfocava a relevância do mapeamento “nesta nova era do GPS, Google Earth e mapas digitais multidimensionais” (SMART, 2010).
O primeiro deles, Diseasome – apresentado pelo cientista de rede húngaro Barabási, um dos pais da nova Ciência das Redes – é o mapa da rede de doenças relacionadas a todos os genes correlatos já detectados.

A visualização dos genes comuns à várias patologias levou à próxima etapa da pesquisa, que agora avança no mapeamento do tráfego da troca de informação entre as células, com o objetivo de encontrar a cura de doenças, em especial a do câncer (SIX DEGREES).
O segundo mapa, apresentado pelo médico e cientista social Nicholas Christakis e pelo cientista político James Fowler, mostra o Mapa da Obesidade formado pela rede social que habitamos. Nela 2.200 pessoas (nós) e muitos milhares de conexões mostram grupos de indivíduos obesos (amarelos) e não obesos. Os agrupamentos ocorrem não apenas porque os indivíduos com tamanhos
semelhantes de corpo têm tendência a formar laços, mas também porque o tamanho do corpo de uma pessoa afeta o corpo de outro a quem eles estão conectados. Diante destes padrões sociais é importante investigar que fatores externos comuns podem estimular o tamanho do corpo dos indivíduos de cada grupo.
Visualização com zoom: http://www.nytimes.com/interactive/2008/05/05/science/20080506_DISEASE.html
A base de dados que vamos utilizar para compor a rede social de eventos a ser analisada é a do Canal Contemporâneo. No ar, desde dezembro de 2000, ele se transformou no principal veículo de comunicação da arte contemporânea brasileira.
Mas sua missão vai muito além da divulgação de informação – a camada informacional, que consideramos uma “isca”, para atrair e manter a nossa coletividade ativa – é também a nossa camada social. Mais do que divulgar exposições, cursos, simpósios, editais e salões de arte, com imagens, vídeos e textos de e sobre arte, somamos a esta camada social o trabalho das camadas política e econômica, com discussões, mobilizações, ações e projetos cujo todo compõe a nossa comunidade digital.
Desde o início, mantemos a mesma rotina obsessiva do nosso colecionismo: recebemos mensagens com material a ser compartilhado; selecionamos; editamos, isto é, pedimos os dados necessários, copiamos e colamos dentro de nosso padrão; divulgamos e armazenamos.
Em doze anos de atividades reunimos um acervo de aproximadamente 65 mil itens, sendo 50% deles arquivos de imagens. São 1.615 edições de e-nformes, nosso informativo eletrônico, e 4.570 eventos armazenados na Agenda de Eventos, que foi criada em 2005 com o primeiro patrocínio da Petrobras.
O arquivo que dá origem a este acervo, onde está armazenado toda a documentação de troca de mensagens com a comunidade e a produzida pela equipe do Canal, repousa em 20 discos rígidos, sem termos ideia da quantidade de itens...
O guardar é um aspecto fundamental do colecionismo, que inclui as funções de armazenamento, inventário, catalogação e, por último, mas não menos importante, a criação de formas de acesso e difusão. Tudo isso se encontra em um compasso de espera no Canal Contemporâneo devido a sua “invisibilidade”. No Brasil, a Internet não é considerada como atividade cultural – não faz parte de qualquer “gaveta” cultural, menos ainda é vista como atividade de patrimônio ou artística. Portanto, não há o que preservar ou conservar...
Eventos de arte são comunicados na Internet por newsletters ou em redes sociais, contendo informações básicas em texto e imagem, com os nomes dos participantes, local, datas e um texto de apresentação. São dezenas ou centenas de eventos mensais, dependendo do foco geográfico, visualizados na forma de agenda, que os mostram sempre individualizados, sem que seja possível ver ou entender quaisquer relações existentes entre eles.

Como a comunicação foca em seu próprio fim, a maioria delas é feita parcialmente, priorizando a quem ou o quê se quer destacar (exemplo: fulano e ciclano, entre outros). Além de incompletos, encontramos estes eventos arquivados de maneira dispersa, em diversas redes sociais, publicações e diretórios de arte, como também em websites de galerias e instituições culturais.
Quando esta comunicação é arquivada normalmente é possível acessá-la por data, para cumprir a função de calendário, e também por palavras-chave, com os resultados sendo exibidos em listas. Porém, ainda que estes resultados apresentem conjuntos de eventos de alguma forma relacionados, uma simples listagem não é capaz de tecer uma rede de relações e nos apontar padrões de comportamento, ou seja, índices a serem observados.
Para transformarmos a informação de eventos de arte em uma rede social – ou seja, uma estrutura social formada por atores, como indivíduos e organismos, e as relações entre eles –, precisamos de dados detalhados e confiáveis, mas também de uma arquitetura de dados que permita relacionar os atores a partir dos eventos .
ATORES = INDIVÍDUOS E ORGANISMOS
As redes complexas são uma descoberta recente para o Canal Contemporâneo, que vem se delineando desde que entramos no ar em dezembro de 2000.

Por ancorar-se no sistema de arte desde o início, com a seleção de conteúdo norteada pela trajetória de profissionais e organismos nesta rede, e objetivando sempre modelar os dados do Canal Contemporâneo a partir da realidade deste domínio, fomos desenvolvendo os conceitos de rede empiricamente em nossa tecnologia. Se por um lado este compromisso nos causou atrasos tecnológicos importantes, por impedir a nossa adesão a interfaces pré-moldadas e mais ágeis, nos mantendo em uma prática tecnológica artesanal, por outro, nos possibilitou acompanhar em paralelo os conceitos da nova Ciência de Redes.

Antes de olharmos alguns exercícios de visualizações de dados da Rede Canal, vamos revisitar alguns trechos de textos meus, que refletiam sobre os conceitos e as práticas do Canal Contemporâneo.
English version
It was the roll of the parquet in Livia Flores' work that led me to this point of interest: the instant motion in the oscillation between order and disorder.

This place that arises in a breach, at the moment of change between the known and new, is the movement that allows airing old attitudes: inclusion/exclusion (from the system of life, or art).

We walked about the parquet just placed side by side, creaking them, while moving up and loosened from the original pattern. To be aware of causing changes, even though they are minimal, and also capable of perceiving them being also affected by other tiny changes, surely will manage a multiplier effect.

All those piles of displaced parquet, creating other patterns and in constant motion, reminded me of the Contemporary Art. It is from this position of gap/moment, which is also movement, that I think Canal Contemporâneo as action.
Patterns of collectivities are added in the formation of individualities. This is not a sum by addition but by intersection and combination, which through its many twists and interrelationships, structures the operation of a system of nonlinear growth. The chronology of this system is a result of the dialectic capacity and permeability generated in this dynamic of patterns, in each of the encounters, or in each new formation layers.

The encounters, here and there connnected in these various plans, become part of a path, that, often repeated, mark and structure each individuality. These signs are the beginning of another process: the dynamics of patterns of collectivities in the construction of individualities leads to the dynamic of patterns of individualities in the construction of collectivities.

These two dynamics in constant motion, this being one inside the other, constitute a relationship of time and space structuring of cyberspace. As the patterns of mosaics in architecture serve to broaden and move spatial zones through the organization of light, patterns of individualities and collectivities delimit situations that foster depth in cyberspace.
English version
English version
v
The first time I've heard Eduardo Kac talking about his Biobot (http://www.ekac.org/8thday.html), telling about how the robot was moved by the multiplication and movement of living organisms, I immediately thought of Canal Contemporâneo's mode of operation, relating its actions to the multiplication and movement of individuals connected to the network. But I also thought about our own functioning as individuals, from the endless connections that our genetic code makes to other living organisms.

What interests me most about the knowledge of the human genome is the fact that he show us a broad descent and, from it, we can get in touch with the fact that we are made of pieces. Pieces that structure us and connect us to the outside and to the collective. It is the unprecedented perception of the collective in our inner, combine with the new technologies network experience, which enable us to envision new relationships between individuality and collectivity in the human condition.
Com estas questões em mente, ainda em 2004, fomos conversar com a Petrobras sobre o nosso primeiro patrocínio. Tínhamos que apresentar um projeto novo e propusemos a construção de uma interface de comunidade digital, que permitisse a todos os membros se comunicar entre si. Naquele momento, o patrocinador preferiu apoiar a criação de uma agenda de eventos, o que fez com que mantivéssemos ao menos o conceito de comunidade na arquitetura do novo banco de dados.

Como já vimos anteriormente, demarcamos na Agenda de Eventos os atores de nossa rede social – indivíduos e organismos – para que futuramente os seus perfis se conectassem aos eventos. Nesta época o objetivo desta arquitetura se limitava a possibilitar uma futura comunicação na interface, que se relacionasse também ao conteúdo colecionado.
Uma rede pode ser definida como um conjunto qualquer de nós em que alguns pares se conectam entre si. Ver o circuito de eventos de arte como uma rede social, aonde os nós, chamados atores, são os integrantes destes eventos – artistas, curadores, museus, galerias – e as conexões, chamadas relações, são resultado de suas participações (ou afiliações) aos eventos, é o primeiro passo para que esta nova abordagem levante questões importantes sobre o sistema, o circuito e a história de arte em processo.
Seguindo os preceitos da Teoria de Redes, passamos a nos interessar mais pelas relações entre os atores, e os padrões que estas relações formam, do que pelas características específicas dos atores. Priorizando os padrões e a arquitetura das relações, criaremos condições para uma nova forma de classificação de acervos e de acesso e leitura da informação sobre arte.
Em 2009, projetamos o “Visualizações da Rede Canal”, o nosso primeiro exercício para tornar visível o invisível, com o objetivo de “explicitar as configurações do circuito de arte como uma rede e, por conseqüência, criar dispositivos de leituras para a história da arte como rede social. Este projeto cria um dispositivo de leitura do circuito das artes visuais agregando uma documentação da produção atual, recente, viva, em constante movimento.” (Ver a íntegra do projeto enviado para o edital Arte e Patrimônio2009: http://www.canalcontemporaneo.art.br/blog/archives/004854.html)

Temos diante de nós não apenas uma rede social, mas uma rede dinâmica, que se move diariamente a cada inserção de um novo evento, trazendo novos atores e/ou novas relações entre eles. A nossa intenção primeira era poder retratar de forma simples e rápida o circuito de arte contemporânea brasileira em um dado período escolhido. A partir deste instantâneo viriam as primeiras revelações e as camadas de visualizações subsequentes, disponibilizando acesso a mais informações.
Eixo Vertical – Eventos
Este eixo situa os NOMES (profissionais e organismos) em relação à quantidade de eventos em que eles participam no período selecionado.

Eixo Horizontal – Institucional-Comercial
Este eixo situa os NOMES em relação ao tipo de sua atuação no período selecionado.

Tamanho da Fonte – Conexões
O tamanho do NOME indica a quantidade de conexões (com outros NOMES), de cada um, no período selecionado.

Cor da Fonte – Temporalidade
A cor do NOME indica se as conexões, realizadas no período selecionado, são mais (vermelho) ou menos (azul) recentes.

Ferramentas de Navegação
Busca
- O sistema busca um NOME no total (população) de NOMES encontrados no período selecionado.
Listagem de Nomes
- Será possível visualizar todos os NOMES encontrados no período selecionado, navegando horizontalmente na listagem de NOMES.
Zoom
- Será possível afastar e aproximar a Visualização, para se ver o todo ou detalhes, respectivamente.
Agora com o conhecimento de metodologias científicas da Teoria das Redes e da Análise de Redes Sociais, queremos ir além de um instantâneo do circuito. Queremos poder ver os padrões que se desenham a partir das relações do circuito de arte.

Em maio deste ano, fizemos uma homenagem a Anna Maria Maiolino por ocasião do Prêmio Masp/Mercedes-Benz de Artes Visuais 2012. Uma Pesquisa Índice Canal revelou 90 entradas sobre Maiolino no período de 2002 a 2012. Ver uma lista destas entradas era suficiente para perceber a trajetória da artista nos últimos 10 anos, porém, incapaz de revelar as relações e padrões da Rede Canal.
Pesquisa Índice Canal - Anna Maria Maiolino, publicado em 22/05/2012 no blog Quebra de padrão: http://www.canalcontemporaneo.art.br/quebra/archives/004819.html
Diante dos números encontrados – 12 mostras individuais e 52 coletivas –, resolvemos utilizar a plataforma Wordle para entender as relações formadas pelos dados destes eventos. Fizemos manualmente aquilo que pretendemos automatizar no Canal Contemporâneo, quando tivermos todo o nosso conteúdo transformado em banco de dados com campos manipuláveis (como é o caso da Agenda de Eventos, mas não dos blogs Cursos&Seminários e Salões&Prêmios; e dos e-nformes). A consulta ao banco de dados da Agenda, depois de inserirmos os eventos anteriores a sua criação e corrigirmos as variações ortográficas dos nomes, encontrou nestas 64 mostras: 1640 nomes de artistas, 52 de curadores e 43 de organismos locais e/ou realizadores.
A visualização Anna Maria Maiolino e artistas 2002-2012 exibida ao lado reúne os 1640 nomes de artistas, onde uma fonte maior aponta aqueles com maior participação em coletivas com Maiolino e as cores, do vermelho ao azul (2013/2012 - 2011/2010 - 2009/2008 - 2007/2006 - 2005/2004 - 2003/2002), mostram o quão recente foi a última participação. A mostra mais recente do conjunto, a Documenta 13, coloriu os nomes de amarelo. O resultado nesta nuvem de nomes (word cloud) pode ser analisado de diferentes maneiras a depender do conhecimento e do interesse de quem a analisa.

Os nomes de Antonio Dias, Waltercio Caldas, Anna Bella Geiger, Antonio Manuel, Artur Barrio, Carlos Vergara e Cildo Meireles se destacam e entendemos que estes artistas compartilharam um maior número de eventos com Maiolino, sendo o último deles em período recente. O primeiro comentário a ser feito poderia ser: “Estes nomes também poderiam ter ganho o prêmio MASP/Mercedes-Benz?” Uma análise rápida destes nomes nos leva a perceber que muitas das mostras coletivas de Maiolino tiveram recortes geracionais, ou melhor, com um acento em vertentes de uma determinada época da arte contemporânea brasileira. Se já tivéssemos o projeto Visualizações da Rede Canal implementado, poderíamos consultar os nomes dos eventos a partir dos nomes (Segunda Camada da Visualização Ampliada) e avançaríamos nesta análise. Manualmente encontramos uma mostra, com estes e outros nomes, que nos chamou a atenção por reforçar o direcionamento desta análise.
Novamente, manualmente, ao colorir de verde os nomes dos 19 artistas da mostra Os 70's, realizada em 2010 na Progetti, estamos aplicando uma das funcionalidades já projetadas (Segunda Camada da Visualização Ampliada com nomes assinalados). A comparação das duas telas nos permite levantar uma série de questões sobre curadorias, seus pontos comuns e divergências, mas também sobre o circuito de arte e as trajetórias de artistas e curadores. O que nos leva à visualização dos curadores nos dados de Anna Maria Maiolino.
FAU - USP, São Paulo, em 4 de outubro de 2012
Este processo ao longo dos últimos doze anos que, em paralelo, reuniu a coleção de dados do Canal Contemporâneo e os conceitos experimentados no seu cotidiano, nos permite mergulhar nas metodologias científicas da Ciência das Redes. Acreditamos que a “Análise e Visualização de Eventos de Arte como Rede Social” nos trará avanços significativos para a História da Arte, a Museologia e Mercado de Arte, ao nos permitir ver, interagir, reescrever e redesenhar o nosso contexto até aqui invisível.
BARABÁSI, Albert-László. Linked: How Everything Is Connected to Everything Else and What It Means. New York: Plume, 2003.

STROGATZ, Steven H. Sync: How Order Emerges From Chaos In the Universe, Nature, and Daily Life. New York: Hyperion, 2004.

WASSERMAN, Stanley; FAUST, Katherine. Social Network Analysis: Methods and Applications. New York: Cambridge University Press, 1994.

WATTS, Duncan J. Six Degrees: The Science of a Connected Age. New York: W. W. Norton & Company, 2004.

Map Marathon, 2010, Londres. Programme. Londres: Serpentine Gallery e Royal Geographic Society, 2010. Disponível em: <http://www.serpentinegallery.org/2010/10/map_marathon.html>. Acesso em: 22 set. 2012.

Maps for the 21st Century, 2010, Londres. Map Marathon Gallery. Londres, Edge.Org, 2010. Disponível em: <http://www.edge.org/documents/Edge-Serpentine-MapsGallery/index.html>. Acesso em: 22 set. 2012.

SMART, Alastair. Hans Ulrich Obrist interview for Serpentine Gallery's Map Marathon. The Telegraph, Londres, 8 out. 2010. Disponível em: <http://www.telegraph.co.uk/culture/art/art-features/8050844/Hans-Ulrich-Obrist-interview-for-Serpentine-Gallerys-Map-Marathon.html>. Acesso em: 22 set. 2012.
Mapping the Human ‘Diseasome’. The New York Times, New York, 5 mai. 2008. Disponível em: <http://www.nytimes.com/interactive/2008/05/05/science/20080506_DISEASE.html>. Acesso em: 22 set. 2012.

SIX DEGREES of Separation. Produzido por BBC. Direção: Annamaria Talas. Produção: Chris Hilton. (47 min) Transmitido pela BBC2, em 5 mai. 2009. O documentário revela a ciência por trás da ideia dos seis graus de separação. Originalmente pensado como um mito urbano, agora parece que quaisquer pessoas no planeta podem estar conectadas em apenas alguns passos. “Seis graus de separação” está também no centro de um grande avanço científico: Pode haver uma lei que a natureza utiliza para se organizar e que agora promete resolver alguns de seus mais profundos mistérios. Disponível em: <http://www.youtube.com/view_play_list?p=D6569E73DBEB5314> Acesso em: 22 set. 2012.

CHRISTAKIS, Nicholas. The hidden influence of social networks. “We're all embedded in vast social networks of friends, family, co-workers and more. Nicholas Christakis tracks how a wide variety of traits -- from happiness to obesity -- can spread from person to person, showing how your location in the network might impact your life in ways you don't even know.” Disponível em: <http://www.ted.com/talks/nicholas_christakis_the_hidden_influence_of_social_networks.html> Acesso em: 22 set. 2012.
Canal Contemporâneo

Agenda de Eventos: http://www.canalcontemporaneo.art.br/agendadeeventos

A conquista de um espaço por Patricia Canetti, publicado em agosto de 2002:
http://www.canalcontemporaneo.art.br/e-nformes.php?codigo=302

Como pão e gente por Patricia Canetti, publicado em maio de 2003 no jornal de arte Inclassificados:
http://www.canalcontemporaneo.art.br/blog/archives/000003.html

Como atiçar a brasa por Patricia Canetti, publicado em maio de 2004:
http://www.canalcontemporaneo.art.br/e-nformes.php?codigo=541

Visualizações da Rede Canal, projeto inscrito no edital Arte e Patrimônio 2009, realizado pelo Ministério da Cultura e Paço Imperial, e produzido pela equipe editorial do Canal Contemporâneo: Ana Maria Maia, Ananda Carvalho, Patricia Canetti e Claudia Duarte (design): http://www.canalcontemporaneo.art.br/blog/archives/004854.html

Pesquisa Índice Canal - Anna Maria Maiolino: http://www.canalcontemporaneo.art.br/quebra/archives/004819.html

Canal Contemporâneo e a Visualização de Dados, publicado em 19/06/2012: http://www.canalcontemporaneo.art.br/e-nformes.php?codigo=3366
Referências
To be continued...
Full transcript