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Oralidade e Letramento - Gestar

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Roxane Rojo

on 4 June 2014

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Transcript of Oralidade e Letramento - Gestar

EDUCAÇÃO LINGUÍSTICA: PESQUISA, APRENDIZAGEM E ENSINO
Variação linguística e os orais cotidianos - culturalidades
Multiletramentos
Cenas de relações entre o oral e o escrito, multissemiose e multiculturalidade
O ensino da linguagem oral na escola - Um exemplo
(SCHNEUWLY; De PIETRO; ZAND, 2005)
Como a teoria vê a escrita e os escritos?
Diferentes autores vão apontar como traço definidor da escrita em relação à fala uma característica que emergiu historicamente no momento de seu deslocamento de um espaço de poder por direito divino (teocrático) para um espaço de poder pela relação entre pessoas do povo (democrático); no momento do surgimento do texto impresso: a descontextualização, a autonomia do texto escrito em relação à sua situação de produção ou contexto.
Um pouco de História
De fato, a aplicação da escrita diz respeito, no princípio [no IV milênio a.C.], sobretudo a coisas novas: as contas, os reconhecimentos de dívidas para com os deuses ou para com os homens, as séries de dinastias, os oráculos e as listas de sanções, enquanto as receitas de cozinha, os códigos de comportamento, por exemplo, eram transmitidos oralmente. Tudo se passa como se a escrita, criada a partir dessas novas condições de vida, lhes permanecesse necessariamente ligada, como se não pudesse ser aplicada a coisas que não tivessem contribuído para sua criação... (BARTHES e MARTY, 1987, p. 39).
TEORIAS DO TEXTO E DO DISCURSO E ENSINO DE LP
ORALIDADE E LETRAMENTO
Roxane Rojo
(IEL/UNICAMP)

Levantando a bola 1:
1. Dê uma definição do que é a linguagem oral para você. Você acha que a linguagem oral é aprendida? Que ela deve ser ensinada na escola? Como?

2. Dê uma definição do que é a linguagem escrita para você. Você acha que as crianças podem
desenvolver linguagem escrita fora da escola? Como?
Assinale com um X as afirmativas que considera corretas. Depois, discuta com seu grupo e seu formador as respostas que deu.
Levantando a bola 2:
( ) A escrita transcreve os sons da fala.
( ) O desenho antecede a escrita no desenvolvimento infantil.
( ) Num ditado, é muito importante pronunciar “certinho” as palavras, para que a criança possa transcrevê-las.
( ) Os povos que não dispõem de escrita são primitivos e pouco desenvolvidos.
( ) As pessoas analfabetas têm limitações cognitivas e pouco desenvolvimento lógico.
( ) A fala é efêmera e fugaz; a escrita permanece.
( ) A fala sempre se dá face-a-face; a escrita é sempre usada para alcançar pessoas distantes no tempo e no espaço.
( ) Na fala, as pessoas expressam seus sentimentos e suas emoções, da maneira como sua comunidade se comunica. Por isso, a fala não deve ser trabalhada na escola.
( ) O oral é mais espontâneo e menos controlado que o escrito.
( ) Os problemas de comunicação, mal-entendidos, conflitos são resultados de falhas na maneira de se exprimir, de uma má utilização das palavras.
( ) Ensinar expressão oral é ensinar o modo como os alunos devem se exprimir, de maneira clara, com palavras próprias de seu vocabulário; para isso, é preciso inculcar bases referentes à elocução de idéias e de frases com sentido entre si, pois os alunos dão espontaneamente idéias sem continuidade.
( ) A linguagem oral dos alunos é pobre, truncada e precisa ser desenvolvida.
As escritas e os escritos
a(s) escrita(s):
aquilo que se refere à grafia, isto é, às formas gráficas (letras, ideogramas) que – estabelecendo ou não relações com os sons da fala, como nas escritas silábicas ou alfabéticas – constituem a parte material, concreta da escritura.
o(s) escrito(s):
os textos que, fazendo uso desta(s) materialidade(s) concreta(s), resultam de uma prática letrada que cria textos.
As escritas nascem de novas necessidades ligadas às esferas de poder – econômico, religioso, político. Barthes e Marty (1987) notam que os textos e gêneros de textos ligados a essas esferas de poder são os primeiros a serem grafados: contas, contratos, registros de dívidas, oráculos, obituários, listas de sanções. São também precisos muitos séculos para que as escritas passem a grafar a enorme variedade de escritos que hoje conhecemos.
No Ocidente, desde seu início até os fins da Idade Média, a escrita (manuscrita) é domínio de poucos e não se apresentava como a conhecemos hoje. Escrever era um ofício profissional, que cabia a uma corporação de ofício na Idade Média – a dos escribas. Na Antiguidade, como vimos, os escribas eram funcionários que estavam ligados aos templos, aos soberanos e imperadores, ao comércio. Na Idade Média, esses funcionários permanecem ligados também ao poder de governo, ao comércio e à Igreja, mas também às escolas e Universidades que estão surgindo. Esses escribas da Idade Média das Universidades e Monastérios eram copistas, que transcreviam a mão (manuscritos) textos antigos encontrados ou textos novos ditados pelos padres filósofos.
Os copistas escreviam sem pontuação e sem espaços entre as palavras, mas, neste momento, a cópia de um ditado feito, por exemplo, por Santo Agostinho já era um trabalho de estabelecer relações entre sons da fala e letras, para produzir ou documentar textos sagrados e filosóficos (mais tarde um pouco, científicos), históricos, literários (epopéias, dramas), jurídicos (leis, contratos). Começam a surgir os escritos variados. Mas, na Idade Média, os manuscritos não são acessíveis a todos – somente aos escribas – e nunca passam sem a voz. Quase sempre, o escriba do manuscrito não coincide com o autor que lhe dita o texto. Aí, texto e grafia (o escrito e a escrita) estão bastante separados.
Por outro lado, era impossível ler sem a voz ou a palavra falada; ler silenciosamente. Santo Agostinho, por exemplo, considera a leitura silenciosa como anomalia. Por essa época, a escrita ainda era menos importante que a palavra falada e tendia a se reduzir à cópia para registro de textos ditados ou já anteriormente escritos.

Até o desenvolvimento da imprensa, as pessoas eram obrigadas, para compreenderem um texto, a lê-lo em voz alta, visto que as palavras não estavam separadas e criavam, assim, ambiguidades de significado: a natureza puramente espacial do texto escrito não estava ainda fundada... (BARTHES e MARTY, 1987, p. 49).

Pode-se dizer que é com o advento da imprensa e da escrita mecânica que a escrita separa-se da palavra falada, deslocando-se do território do som e do tempo para o do olho e do espaço. O texto ganha autonomia em relação à palavra falada e o escrito passa a significar mais do que simplesmente a escrita.
Segundo esses autores, na fala cotidiana, conheço meu interlocutor e compartilhamos, no momento da fala, o mesmo contexto e um conjunto de conhecimentos comuns. Ele pode me interromper imediatamente, para esclarecer dúvidas, concordar, discordar, acrescentar, mudar de assunto. Na fala, posso me expressar de maneira mais livre e menos formal. Não preciso planejar antes o que vou dizer: vou simplesmente falando. Por isso, diz Vygotsky (1934), o discurso oral é mais abreviado que o escrito, economiza muitos conhecimentos compartilhados ou pertencentes ao contexto que, na escrita, precisam ser explicitados. Isso leva o texto oral a parecer mais lacunar, falho, fragmentário, desorganizado e preso ao contexto que o texto escrito. Como veremos, trata-se apenas de parecer e não efetivamente ser.
Prezi: Relações oral-escrito
http://prezi.com/7ylzk8zqbax9/oralidade-e-escrita/
Encestando...
"O segundo princípio é que a relação entre gêneros orais e gêneros escritos não é uma relação de dicotomia. É antes uma relação de continuidade e de efeito mútuo, isto é, gêneros orais podem sustentar gêneros escritos; gêneros escritos podem sustentar gêneros orais. Eles estão em mútua interdependência, cada gênero oral que entra na escola, em geral, pressupõe a escrita, assim como cada gênero escrito trabalhado na escola pressupõe o oral. Então, de uma certa maneira, esta é uma distinção relativamente artificial, pois há um entrelaçamento contínuo. Além disso, cada gênero oral é sempre também sustentado por um outro gênero oral, isto é, há sempre um gênero oral e um gênero oral sobre o gênero oral, um discurso sobre. Cada gênero é sempre também objeto de outros gêneros de alguma maneira. E então há sempre o falar para escrever, o escrever para falar, o escrever para escrever e o falar para falar, o que mostra que sempre um gênero é dependente de outros gêneros, o que é um fenômeno evidente de intertextualidade, mas que está sempre na base de nosso trabalho". (SCHNEUWLY, 2005, comunicação oral)
Retextualização
(MARCUSCHI, 2001, p. 46)
“Um processo que envolve operações complexas [de passagem do texto falado para o escrito e vice-versa] que interferem tanto no código como no sentido e evidenciam uma série de aspectos nem sempre bem compreendidos da relação oralidade-escrita”.
Na retextualização (MARCUSCHI, 2001), entra em jogo o que chamamos antes de o escrito, isto é, interfere-se tanto na materialidade como na forma e no conteúdo do texto, na passagem de um texto a outro. Refaz-se o texto, mudando seu formato linguístico, por meio de uma série de operações que Marcuschi (2001) discute em detalhes. É o que acontece, por exemplo, quando um jornalista transforma uma entrevista gravada numa entrevista a ser publicada numa revista.
“Nunca me reconheci tão pouco em uma entrevista. Nunca abominei tanto um discurso colocado por terceiros em minha boca.. Reclamação de Arnaldo Antunes (Folha de São Paulo, 23/10/1993), retirada de Marcuschi (2001, p.70).
Exercícios p. 43/44
Variação diacrônica (histórica)
Variação diatópica (regional)
Variação diastrática (social)
Variação diafásica (situacional)
(João Ubaldo Ribeiro, 1999, p. 49)
O POETA DA ROÇA – Patativa do Assaré

Sou fio das mata, cantô da mão grossa,

Trabáio na roça, de inverno e de estio

A minha chupana é tapada de barro

Só fumo cigarro de páia de mio.



Sou poeta das brenha, não faço papé

De argum menestré, ou errante cantô

Que véve vagando, com sua viola,

Cantando, pachola, a procura de amo.



Não tenho sabença, pois nunca estudei,

Apenas eu sei o nome assiná.

Meu pai, coitadinho! Vivia sem cobre,

E o fio do pobre não pode estudá.
BEAT
Língua padrão - norma culta e os orais formais e públicos

TRILHA
A exposição oral ou seminário
"Podemos definir a exposição oral como um gênero textual público, relativamente formal e específico, no qual um expositor especialista dirige-se a um auditório, de maneira (explicitamente) estruturada, para transmitir-lhe informações, descrever-lhe ou explicar-lhe alguma coisa. Na perspectiva do ensino, em que se trata de construir um objeto ensinável, é sobre estas características que nos apoiaremos para definir os objetivos e elaborar modalidades de intervenção".
"O planejamento de uma exposição exige, primeiramente, que se proceda a uma triagem das informações disponíveis, à re-organização dos elementos retidos e, por fim, à sua hierarquização, distinguindo idéias principais de secundárias, com a finalidade de garantir uma progressão temática clara e coerente em função da conclusão visada. Estas primeiras operações, que precedem o planejamento textual propriamente dito, devem ser objeto de um trabalho em sala de aula, para que as exposições dos alunos não se reduzam a uma seqüência de fragmentos temáticos sem ligação entre si. Operações tais como a pesquisa de elementos pertinentes num texto fonte, sua hierarquização e organização podem ser objeto de atividades individuais ou em grupo, com correção coletiva para toda a classe.
Em seguida, a exposição deverá ser ordenada em partes e sub-partes, que permitam distinguir as fases sucessivas de sua construção interna."
O trabalho didático sobre o gênero exposição deve fornecer ao aluno um repertório de formas que permitam (e necessitem) construir operações lingüísticas (mais ou menos) específicas a este gênero de texto. No caso da exposição, trata-se das seguintes operações, concernentes aos principais elementos do sistema textual da exposição:
Coesão temática, que assegura a articulação das diferentes partes temáticas;
Sinalização do texto, que distingue, no interior das séries temáticas, as idéias principais das idéias secundárias;
O domínio destas operações depende bastante do uso de marcadores de estruturação do discurso (então, portanto, sobretudo etc.); de organizadores temporais (então, no momento etc.); e dos tempos verbais (por exemplo, futuro na apresentação do plano da exposição;
Introdução de exemplos (explicativos ou ilustrativos), para ilustrar, esclarecer ou legitimar o discurso;
Reformulações (sob a forma de paráfrases ou de definições), a fim de esclarecer termos percebidos como difíceis ou novos.
Goffman (1987, p. 178), tratando da conferência, distingue três “maneiras principais de dar vida às palavras pronunciadas: a memorização, a leitura em voz alta [...] e a fala espontânea”. Considerando, naturalmente, que a palavra espontânea constitui, sem dúvida, o “ideal geral”, às vezes realizado (mas, freqüentemente, com a ajuda de notas), o autor conclui entretanto que “o ponto decisivo para esta relação de dar vida à palavra pronunciada é que um número grande de conferências repousa sobre a ilusão da palavra espontânea” (p. 179).
Pensamos que seria didaticamente razoável levar os alunos a construirem exposições não para serem lidas, mas que se apóiem bastante em suportes escritos diversificados: anotações, gráficos, citações etc.; assim como em esquemas baseados em palavras-chave, alguns marcadores de estruturação que permitam ao orador lembrar-se explicitamente do estatuto que atribui a essas palavras-chave em seu planejamento.
Dois exemplos:
Sequência didática: a exposição oral na escola primária (EF1);
Sequência didática: a exposição oral na escola secundária (EF2).
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