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Análise do poema "Escrever" de Irene Lisboa

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Maria João Pinelo Pires

on 21 March 2017

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Transcript of Análise do poema "Escrever" de Irene Lisboa

Se eu pudesse havia de transformar as palavras em clava.
Havia de escrever rijamente.
Cada palavra seca, irressonante, sem música.
Como um gesto, uma pancada brusca e sóbria.
Para quê todo este artifício da composição sintáctica e métrica?
Para quê o arredondado linguístico?
Gostava de atirar palavras.
Rápidas, secas e bárbaras, pedradas!
Sentidos próprios em tudo.
Amo? Amo ou não amo.
Vejo, admiro, desejo?
Ou sim ou não.
E como isto continuando.

E gostava para as infinitamente delicadas coisas do espírito…
Quais, mas quais?
Gostava, em oposição com a braveza do jogo da pedrada, do tal ataque às
coisas certas e negadas…
Gostava de escrever com um fio de água.
Um fio que nada traçasse.
Fino e sem cor, medroso.

Ó infinitamente delicadas coisas do espírito!
Amor que se não tem, se julga ter.
Desejo dispersivo.
Vagos sofrimentos.
Ideias sem contorno.
Apreços e gostos fugitivos.
Ai! o fio da água , o próprio fio da água sobre vós passaria,
transparentemente?
Ou vos seguiria humilde e tranquilo?

Irene Lisboa
Dados biobibliográficos da autora
Irene Lisboa nasceu a 25 de dezembro de 1892 na Quinta da Murzinheira, no concelho de Arruda dos Vinhos.
Trabalhou como professora de ensino pré-primário, foi inspetora, orientadora de ensino e foi funcionária administrativa do Instituito para a Alta Cultura, reformando-se aos 48 anos.
Algumas obras:
"Treze Contarelos" (1926)
"Outono Havias de Vir"(1937)
"Solidão"(1939)
"Voltar atrás para quê?"(1956)
"Versos amargos"(1991)
Faleceu em 1958
Tema do poema:
O tema deste poema é a escrita.
Assunto do poema:
O sujeito poético desejava transformar as palavras em clava, cada palavra fosse seca seca, irressonante e sem música, ou seja, não seriam ditas com sentimento.
Neste poema, o sujeito poético questiona a utilização da composição sintática, métrica e linguística.
O sujeito poético diz que as palavras têm sentidos próprios em tudo, ou seja, as palavras podem ser "rápidas, secas e bárbaras" ou "infinitamente delicadas coisas de espírito".
O sujeito poético era contra a negação de palavras que eram "certas", preferia que as palavras fossem difíceis de escrever.
Este refere que quem não tem amor, deve ser julgado, porque nessas pessoas é difícil de se concentrar, pode haver "vagos sofrimentos", ideias sem hipótese de esquecimento ou vergonha de se amar.
Este questiona-se, se em relação a esse tipode pessoas, valeria a pena falar ou não escrever sobre elas.
Recursos expressivos:
Comentário final
Na nossa opinião, achamos o poema interessante porque fala sobre o sentido das palavras, ou seja, as palavras têm um sentido positivo ou negativo. E, por outro lado, o sujeito poético pretende retirar das palavras tudo o que lhe dá sentido estético e estilo, valorizando apenas o sentido literal destas. Por isso, desvaloriza o “artifício da composição sintática e métrica” e o “arredondamento linguístico” para tornar as palavras mais verdadeiras. O poema mostra também a dificuldade que há em definir as coisas do espírito por serem imprecisas.
Achamos também curioso que o sujeito poético reforce a mensagem ao construir um poema onde não há rima nem métrica regular.

E gostava para as infinitamente delicadas coisas do espírito…
Quais, mas quais?
Gostava, em oposição com a braveza do jogo da pedrada, do tal ataque às
coisas certas e negadas…
Gostava de escrever com um fio de água.
Um fio que nada traçasse.
Fino e sem cor, medroso.

Ó infinitamente delicadas coisas do espírito!
Amor que se não tem, se julga ter.
Desejo dispersivo.
Vagos sofrimentos.
Ideias sem contorno.
Apreços e gostos fugitivos.
Ai! o fio da água , o próprio fio da água sobre vós passaria,
transparentemente?
Ou vos seguiria humilde e tranquilo?
Análise do poema "Escrever" de Irene Lisboa
Se eu pudesse havia de transformar as palavras em clava.
Havia de escrever rijamente.
Cada palavra seca, irressonante, sem música.
Como um gesto, uma pancada brusca e sóbria.
Para quê todo este artifício da composição sintáctica e métrica?
Para quê o arredondado linguístico?
Gostava de atirar palavras.
Rápidas, secas e bárbaras, pedradas!
Sentidos próprios em tudo.
Amo? Amo ou não amo.
Vejo, admiro, desejo?
Ou sim ou não.
E como isto continuando.
Enumeração
Comparção
Enumeração
Hipérbole
antítese
Metáfora
Personificação
Apóstrofe
Antítese
V.19 e 20 -a antítese, neste contexto, permite fazer o contraste entre as “coisas certas e negadas” com o “fio de água”. Assim pretende contrastar a rudeza das palavras com o fio de água, tornando o seu significado mais suave.
V.21 – o sujeito poético expressa o desejo de escrever de uma forma mais suave, tornando as palavras rudes numa coisa mais suave.
Vs.22 e 23 – A personificação serve para atribuir uma caraterística humana ao fio de água que “medroso” nada escrevesse.
V.24 – A apóstrofe serve para chamar as “coisas delicadas do espírito” e mostrar que, por vezes, se pensa ter sentimentos que não se têm.


Significado no contexto
Trabalho elaborado por:

*MariaJoão Pires Nº23 9ºB

*Raul Gomes Nº 24 9ºB
Poema "Escrever"
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