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"Os Lusíadas" Canto IV

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by

Vitor Nunes

on 8 October 2012

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Transcript of "Os Lusíadas" Canto IV

94

«Mas um velho, d' aspeito venerando,

Que ficava nas praias, entre a gente,

Postos em nós os olhos, meneando

Três vezes a cabeça, descontente,

A voz pesada um pouco alevantando,

Que nós no mar ouvimos claramente,

Cum saber só d' experiências feito,

Tais palavras tirou do experto peito:



95

– «Ó glória de mandar, ó vã cobiça

Desta vaidade a quem chamamos Fama!

Ó fraudulento gosto, que se atiça

Cũa aura popular, que honra se chama!

Que castigo tamanho e que justiça

Fazes no peito vão que muito te ama!

Que mortes, que perigos, que tormentas,

Que crueldades neles experimentas!



96

«Dura inquietação d'alma e da vida

Fonte de desemparos e adultérios,

Sagaz consumidora conhecida

De fazendas, de reinos e de impérios!

Chamam-te ilustre, chamam-te subida,

Sendo dina de infames vitupérios;

Chamam-te Fama e Glória soberana,

Nomes com quem se o povo néscio engana! Luís Vaz de Camões "Os Lusíadas" Canto IV: Análise O que representa este Velho?
a voz do bom senso :
- contrária à viagem para a Índia
- opção pela ligação à terra-mãe
voz do próprio Camões :
- o poeta humanista
- o plano da sabedoria
tese (antítese) a que a epopeia se contrapõe :
- lealdade ao Rei e à pátria (amor da pátria)
- procura de um ideal (Ilha dos Amores) Caracterização de personagens: Tiago Guerreiro nº31
Tomás Brostovic nº32
Vitor Nunes nº33 Trabalho realizado por: de Estrofes: 104

Versos: 8

Sílabas métricas: 10 Após a narrativa da Revolução de Aljubarrota, seguem-se os acontecimentos dos reinados de D. João II, sobretudo os relacionados com a expansão para África. É assim que surge a narração dos preparativos da viagem à Índia, desejo que D. João II não conseguiu concretizar antes de morrer e que iria ser realizado por D. Manuel, a quem os rios Indo e Ganges apareceram em sonhos, profetizando as futuras glórias do Oriente. Este canto termina com a partida da Armada, cujos navegantes são surpreendidos pelas palavras profeticamente pessimistas de um velho que estava na praia, entre a multidão. É o episódio do velho do Restelo. Canto IV: Primeiro episódio (estrofes 1 - 44): Batalha de aljubarrota Segundo episódio (estrofes 45 - 93): Partida das Naus Terceiro episódio (estrofes 94 - 104): Batalha de Aljubarrota Vasco da Gama prossegue a narrativa da História de Portugal.
Conta agora a história da segunda Dinastia, desde a revolução de 1383-85, até ao momento, do reinado de D. Manuel, em que a Armada de Vasco da Gama parte para a Índia. Canto IV: Neste episódio destacam-se as figuras de Nuno Álvares Pereira, uma das personagens mais corajosas da História de Portugal (canonizado em 2009) e de D. João I, mestre de Avis, que combatendo ao lado do exército, incita os soldados portugueses a lutarem contra os inimigos.

É importante referir que o exército castelhano era quatro vezes maior que o português e que nesta batalha estava em causa a independência de Portugal. Apóstrofe aos sentimentos por detrás dos Descobrimentos: glória, poder, cobiça, vaidade. Palavra que dá credibilidade ao discurso Respeitável Sinal de discordância Conhecimento adquirido pela experiência O ser humano em permanente descontentamento Inquietação gasta muito dinheiro A fama devia de ser mal falada e não ilustrada 97

«A que novos desastres determinas

De levar estes Reinos e esta gente?

Que perigos, que mortes lhe destinas,

Debaixo dalgum nome preminente?

Que promessas de reinos e de minas

D' ouro, que lhe farás tão facilmente?

Que famas lhe prometerás? Que histórias?

Que triunfos? Que palmas? Que vitórias? Perguntas retóricas com analepses:
Portugal vai novamente cego pelo ouro, reinos, etc... 98

«Mas, ó tu, geração daquele insano

Cujo pecado e desobediência

Não somente do Reino soberano

Te pôs neste desterro e triste ausência,

Mas inda doutro estado mais que humano,

Da quieta e da simpres inocência,

Idade d' ouro, tanto te privou,

Que na de ferro e d' armas te deitou: Descendentes de Adão já nascem desobedientes e com pecado. São expulsos de Éden por comer a maçã (querer saber mais do que devia) 99

«Já que nesta gostosa vaïdade

Tanto enlevas a leve fantasia,

Já que à bruta crueza e feridade

Puseste nome, esforço e valentia,

Já que prezas em tanta quantidade

O desprezo da vida, que devia

De ser sempre estimada, pois que já

Temeu tanto perdê-la Quem a dá As pessoas dizem "esforço e valentia" ao que é na realidade "bruteza, crueza e feridade". Referência ao pedido de Jesus ao pai mostrando que até Cristo teme a morte. 100

«Não tens junto contigo o Ismaelita,

Com quem sempre terás guerras sobejas?

Não segue ele do Arábio a lei maldita,

Se tu pola de Cristo só pelejas?

Não tem cidades mil, terra infinita,

Se terras e riqueza mais desejas?

Não é ele por armas esforçado,

Se queres por vitórias ser louvado? Alternativa concedida pelo velho do restelo:
combater os Mouros, que não são cristãos, têm riqueza e são um adversário digno. 101

«Deixas criar às portas o inimigo,

Por ires buscar outro de tão longe,

Por quem se despovoe o Reino antigo,

Se enfraqueça e se vá deitando a longe;

Buscas o incerto e incógnito perigo

Por que a Fama te exalte e te lisonje

Chamando-te senhor, com larga cópia,

Da Índia, Pérsia, Arábia e de Etiópia. Ambição:
Não combater os Mouros porque queremos ser donos das Índias e outros. 102

«Oh, maldito o primeiro que, no mundo,

Nas ondas vela pôs em seco lenho!

Dino da eterna pena do Profundo,

Se é justa a justa Lei que sigo e tenho!

Nunca juízo algum, alto e profundo,

Nem cítara sonora ou vivo engenho

Te dê por isso fama nem memória,

Mas contigo se acabe o nome e glória! Amaldiçoa os navegadores e que nunca venham a alcançar a fama e glória desejadas. 103

«Trouxe o filho de Jápeto do Céu

O fogo que ajuntou ao peito humano,

Fogo que o mundo em armas acendeu,

Em mortes, em desonras (grande engano!).

Quanto milhor nos fora, Prometeu,

E quanto pera o mundo menos dano,

Que a tua estátua ilustre não tivera

Fogo de altos desejos, que a movera! Até os deuses queriam ir sempre mais longe do que deviam e foram castígados por querer mais do que o seu elemento. 104

«Não cometera o moço miserando

O carro alto do pai, nem o ar vazio

O grande arquitector co filho, dando

Um, nome ao mar, e o outro, fama ao rio.

Nenhum cometimento alto e nefando

Por fogo, ferro, água, calma e frio,

Deixa intentado a humana geração.

Mísera sorte! Estranha condição!» O Homem é tentado por todos os elementos Volta a referir o descontentamento do Homem. Velho do restelo "Beatriz era a filha, que casada
Co'o Castelhano está, que o Reino pede,
Por filha de Fernando reputada,
Se a corrompida fama lhe concede.
Com esta voz Castela alevantada,
Dizendo que esta filha ao pai sucede,
Suas forças ajunta para as guerras
De várias regiões e várias terras.

(estrofe 7) "Não falta com razões quem desconcerte

Da opinião de todos, na vontade,

Em quem o esforço antigo se converte

Em desusada e má deslealdade;

Podendo o temor mais, gelado, inerte,

Que a própria e natural fidelidade:

Negam o Rei e a pátria, e, se convém,

Negarão (como Pedro) o Deus que têm.

(estrofe 13) - "Como!Da gente ilustre Portuguesa
Há-de haver quem refuse o pátrio Marte?,
Como!Desta província, que princesa
Foi das gentes na guerra em toda a parte,
Há-de sair quem negue ter defesa?
Quem negue a Fé, o amor, o esforço e arte
De Português, e por nenhum respeito
O próprio Reino queira ver sujeito?

(estrofe 15) "Eis ali seus irmãos contra ele vão,
(Caso feio e cruel!) mas não se espanta,
Que menos é querer matar o irmão,
Quem contra o Rei e a Pátria se alevanta:
Destes arrenegados muitos são
No primeiro esquadrão, que se adianta
Contra irmãos e parentes (caso estranho!)
Quais nas guerras civis de Júlio e Magno.

(estrofe 32) "O campo vai deixando ao vencedor,
Contente de lhe não deixar a vida.
Seguem-no os que ficaram, e o temor
Lhe dá, não pés, mas asas à fugida.
Encobrem no profundo peito a dor
Da morte, da fazenda despendida,
Da mágoa, da desonra, e triste nojo
De ver outrem triunfar de seu despojo.

(estrofe 43) E assim acaba... Nº Episódios: 3
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