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A condição Humana: Público e privado

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Igor Oliveira

on 17 April 2013

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Transcript of A condição Humana: Público e privado

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Images from Shutterstock.com Arendt faz uma distinção do que considera como dimensões centrais da condição humana ou a VITA ACTIVA: trabalho [labor], obra [work] e ação [action]. A autora sugere que essas dimensões devem ser examinadas acentuando o ponto de vista temporal da durabilidade dessas diferentes atividades humanas. Infelizmente, a tradução de Roberto Raposo para as edições brasileiras não nos ajuda, mas apenas dificulta, confunde e até impede a compreensão desta distinção segundo alguns autores (CALVET, 1984). Não entraremos na discussão aprofundada entre as distintas dimensões e nem nos problemas da tradução brasileira e sim ressaltar que duas são as atividades humanas fundamentais para entendermos o referido capítulo: TRABALHO - traduzido como labor e AÇÃO.
Hannah parte logo no início do capítulo de tratar da distinção entre trabalho/labor e ação. A condição humana, foi publicada em 1958, sete anos após outra obra conhecida da autora The Origins of Totalitarianism. Uma obra com a qual Hannah Arendt tornou-se conhecida internacionalmente e que tem como tema central pensar o que estamos fazendo da vida comum com a advento da modernidade. Tendo como origem a série de conferências proferidas, em 1956, na Universidade de Chicago sob o título Vita Activa, esta obra trata da vita activa, isto é, de três atividades humanas fundamentais .o trabalho, a obra fabricação e a ação. Ao privilegiar a ação e ao criticar a era moderna e a importância que foi atribuída nessa época ao trabalho, colocando-o acima de todas as outras atividades, Arendt tenta resgatar o que seria um verdadeiro espaço público, plural e autônomo, de deliberação e de iniciativa tendo como parâmetro fundamental o pensamento político da antiguidade, especificamente o grego. Capítulo II - As esferas pública e privada. A ação diz respeito a atividade genuinamente humana, criativa, livre e política por natureza - que nos distingue dos aninais (Arendt vai buscar essa idéia no pensamento antigo - Platão, Aristóteles.) Essa é a atividade que constitui a natureza humana e nos distingue dos outros seres vivos: o homem como Zoon Politikon, Animalis socialis. A atividade humana da ação está íntimamente relacionada ao surgimento da cidade estado grega– surgimento da segunda natureza humana – bios politikcidadeos. Materialização da vida do cidadão em duas ordens de existência – a do que lhe é próprio (privado) e do que lhe é comum com os outros (público).
Essas são ordens de existência opostas e contrárias: de um lado o espaço da Oika (casa), da família, do lar, do trabalho, o espaço privado, da privação; e de de outro lado a polis, o espaço da política, da criação, do discurso, da ação genuína, do pensamento, da liberdade. A polis se contrapõe ao parentesco, se opõe à família.
Aristóteles considerava duas atividades como constituintes do bios politikos: a ação (práxis) e o discurso (lexis). “Contudo, embora certamente só a fundação da cidade-estado tenha possibilitado aos homens passar toda a vida na esfera pública, em ação e em discurso, a convicção de que estas duas capacidades humanas são afins uma da outra, além de serem as mais altas de todas...” página 34 Distinção entre vida pública, isto é, política e vida pré-política:
“Em suas duas mais famosas definições Aristóteles apenas formulou a opinião corrente na polis acerca do homem e do modo de vida político; e segundo essa opinião, todos os que viviam fora da polis – escravos e bárbaros – eram aneu logou, destituídos, naturalmente, não da faculdade de falar, mas de um modo de vida no qual o discurso e somente o discurso tinha sentido e no qual a preocupação central de todos os cidadãos era discorrer uns com os outros.” – página 36. O problema colocado pela era moderna para Arendt:
- fim da distinção (fim do abismo) entre a esfera pública e a esfera privada tal como existiu na Atenas antiga - elevação da esfera privada ao status da vida pública ou ainda, submissão do público aos interesses privados (advento do capitalismo e imperativo da ciência enconômica.): “A distinção entre a esfera de vida privada e uma esfera de vida pública corresponde à existência das esferas da família e da política no sentido restrito do termo, é um fenômeno relativamente novo, cuja origem coincidiu com o surgimento da era moderna e que encontrou sua forma política no estado nacional.” E do fim entre a separação do público e privado que surge essa questão:
Estranhamento de Arendt de que a economia tenha ascendido à dimensão da política, ou seja, que a dimensão das necessidades, do carecimento humano ou o "império da necessidade" (assuntos da esfera privada) tenha se transformado em assunto público, assunto da vida comum: "
“(...) o que chamamos de sociedade é o conjunto de famílias economicamente organizadas de modo a constituírem o fac-símile de uma única família sobre-humana, e sua força política de organização é denominada ‘nação’. Assim, é-nos difícil compreender que, segundo o pensamento dos antigos neste particular, o próprio termo “economia política” teria sido, de certa forma, contraditório: pois o que fosse ‘econômico’ relacionado com a vida do indivíduo e a sobrevivência da espécie, não era assunto político, mas doméstico por definição” – página 37. O advento da era moderna (que é senão o advento do capitalismo), segundo a autora, provocou a confusão, a submissão e o recuo da esfera pública e privada a frente a dimensão do social - da tirania do social. “Desde o advento da sociedade, desde a admissão das atividades caseiras e da economia doméstica à esfera pública, a nova esfera tem-se caracterizado principalmente por uma irresistível tendência de crescer, de devorar as esferas mais antigas do político e do privado, bem como a esfera mais recente da intimidade. Este constante crescimento, cuja aceleração não menos constante podemos observar no decorrer de pelo menos três séculos, é reforçado pelo fato de que, através da sociedade, o próprio processo da vida foi, de uma forma ou de outra, canalizado para a esfera pública. A esfera privada da família era o plano na qual as necessidades da vida, da sobrevivência individual e da continuidade da espécie eram atendidas e garantidas. (até que ocorra o processo de acumulação primitiva do capital que Hanna deixa de colocar.) Uma das características da privaticidade, antes da descoberta da intimidade, era que o homem existia nessa esfera não como um ser verdadeiramente humano, mas somente como exemplar da espécie humana animal humana. Residia aí, precisamente, a razão última do vasto desprezo com que a encaravam os antigos. O surgimento da sociedade mudou a avaliação de toda essa esfera, mas não chegou a transforma-lhe a natureza. O caráter monolítico de todo o tipo de sociedade, conformismo que só dá lugar a um único interesse e uma única opinião, tem suas raízes últimas na unicidade da humanidade.” A realidade contemporânea das movimentações sociais – direitos de gênero não colocam essa afirmação em suspeita?” O que é problemático para Hannah Arendt, portanto, é o advento mesmo da sociedade moderna, ou seja, a idéia de que "a sociedade constitui a organização pública do próprio processo vital (...)" Temos então o diagnóstico da modernidade - concebida também ao longo do capítulo como sociedade de massas. O público significa o próprio mundo, na medida em que é comum a todos nós e diferente do lugar que nos cabe dentro dele. O problema da esfera pública em uma sociedade de massas é a da impossibilidade de reconhecimento da mesma. Onde estão os vínculos entre as pessoas que permitem o surgimento de uma dimensão comum, pública nas sociedades modernas? A partir dessas questões poderíamos dizer então que a prospectiva de Arendt tem que ver com um "retorno aos antigos" (ou mais contemporaneamente ao pensamento político do Renascimento - Elogio à Maquiavel - um retorno ao pensamento político clássico, uma refundação da política, do estado, da república, como condição para estabelecimento da esfera pública? Problematizações e questões:
1) Considerando que , a dimensão social – a sociedade moderna de massas a sociedade da unicidade – inibe para a autora a pluralidade (dos discursos e práticas na arena pública) condição conditio sine qua non de toda vida política, como Hannah Arendt analisaria os movimentos sociais se os mesmos trazem questões da ordem do social e/ou da esfera privada? Os movimentos sociais seguindo o pensamento da autora expressariam a decadência da vida pública – trazem questões da esfera privada – reconhecimento da ordem das identidades – da sexualidade, étnica, etc. ou trazem para a dimensão pública a questão das necessidades – ascesso à terra e aos bens materiais, democratização da riqueza e propriedade, etc?

2) Poderíamos pensar que as questões trazidas por Hannah Arednt a coloca numa posição anti-moderna, de "lamento" por uma dimensão genuínamente humana presente nos antigos e perdida na era moderna? A condição humana moderna, portanto, seria a condição de perda do que mais humano possuímos? Nesse sentido, segundo o pensamento da autora, existiria condições de possibilidade para a realização da cidadania e da própria existência de cidadãos na modernidade?
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