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Saberes docente

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by

Rosiléia Almeida

on 12 December 2013

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Transcript of Saberes docente

Torta de amoras
Saberes docentes
Era uma vez um rei que chamava de seu todo poder e todos os tesouros da Terra, mas, apesar disso, não se sentia feliz e se tornava mais melancólico de ano a ano.
Então, um dia, mandou chamar seu cozinheiro particular e lhe disse: - Por muito tempo tens trabalhado para mim com fidelidade e tens me servido à mesa os pratos mais esplêndidos, e tenho por ti afeição.
Porém, desejo agora uma última prova de teu talento. Deves me fazer uma torta de amoras tal qual a saboreei há cinquenta anos, em minha mais tenra infância.
Naquela época, meu pai travava guerra contra seu vizinho, que acabou vencendo. Fugimos até uma floresta escura onde vagamos e estávamos quase a morrer de fome e fadiga quando encontramos uma choupana. Aí morava uma vovozinha que nos preparou uma torta de amoras.
Mal tinha levado à boca o primeiro bocado, senti-me maravilhosamente consolado, e uma nova esperança entrou em meu coração. Quando mais tarde mandei procurá-Ia por todo o reino, não se achou nem a velha nem qualquer outra pessoa que soubesse preparar a torta. Se cumprires agora este meu último desejo, farei de ti meu genro e herdeiro de meu reino. Mas, se não me contentares,
então deverás morrer.
Que analogia podemos estabelecer entre a impossibilidade de o cozinheiro preparar uma torta de amoras tão gostosa quanto a saboreada pelo rei durante sua infância, mesmo que ele seguisse à risca uma receita, e o papel que os referenciais curriculares, livros didáticos e outros materiais de natureza prescritiva exercem na prática docente?
Qual o lugar ocupado por materiais prescritivos para o ensino de Ciências na sua prática docente? Você poderia relatar episódios de ensino em que você tenha feito um uso crítico e criativo desses materiais?
Então o cozinheiro disse: - Majestade, podeis chamar logo o carrasco. Pois, na verdade, conheço o segredo da torta de amoras e todos os ingredientes (...) Contudo, ó rei, terei de morrer. Pois, apesar disso, minha torta não vos agradará ao paladar. Pois como haveria de temperá-Ia com tudo aquilo que, naquela época, nela desfrutaste: o perigo da batalha e a vigilância do perseguido,
o calor do fogo e a doçura do descanso,
o presente exótico e o futuro obscuro.
-Assim falou o cozinheiro...
Walter Benjamin
Boas situações de aprendizagem costumam ser aquelas em que: os alunos precisam pôr em jogo tudo o que sabem e pensam sobre o conteúdo que se quer ensinar; os alunos têm problemas a resolver e decisões a tomar em função do que se propõem produzir; a organização da tarefa pelo professor garante a máxima circulação de informação possível; o conteúdo trabalhado mantém suas características de objeto sociocultural real, sem se transformar em objeto escolar vazio de significado social (WEISZ; SANCHEZ, 2002, p. 66)
WEISZ, Telma; SANCHEZ, Ana. Como fazer o conhecimento do aluno avançar. In:_______. O diálogo entre o ensino e a aprendizagem. São Paulo: Ática, 2002. p. 65-82.
Os princípios metodológicos (para ensinar, para cozinhar) têm validade sempre remetida ao contexto e são sempre apropriados de forma inventiva.
Práticas cotidianas são encerradas em estranhas e vastas regiões de silêncio, envolvendo processos de (re)apropriação que fazem com que os "consumidores" façam uso a seu jeito de produtos que lhe são propostos/impostos pela ordem social. Importância de darmos atenção às variações nas práticas e as revoluções, invisíveis, nelas encerradas. (Certeau, A cultura no plural, 1995).
Para o autor, a improvisação diferencia-se da espontaneidade por envolver um conhecimento extraordinariamente sutil dos códigos. Nesse sentido, “a ocasião não existe por si mesma”, já que nós fazemos as ocasiões ao colocarmos “a memória em relação com o instante”. (Certeau, Teoria e método no estudo das práticas cotidianas, 1985, p. 17):

Morfologia das práticas (das operações)
- tentativa de apreensão das astúcias anônimas das artes de fazer, da "incrível abundância inventiva do cotidiano". Problema metodológico - Como encontrar as palavras exatas, palavras simples, comuns e precisas para contar aquelas sequências de gestos mil vezes entrelaçados que formam a teia indefinida de práticas culinárias na intimidade das cozinhas? Como escolher palavras tão verdadeiras, naturais e vivas que possam fazer sentir o peso do corpo, a disposição ou o cansaço, a ternura ou a irritação que se apoderam de nós diante desta tarefa continuamente recomeçada, onde quanto melhor o resultado, mais rapidamente tudo será consumido? Cada cozinheiro tem seu repertório e seu estilo, envolvendo um jogo sutil de substituições, de abandonos, de acréscimos, de empréstimos, de improvisos, de variações em torno das receitas.
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