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Arcadismo

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by

Felipe Viegas

on 29 October 2014

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Transcript of Arcadismo

Arcadismo
Arcadismo
A idealização da vida no campo
Conjuntura Histórica
Historia e Literatura
Referência Bibliográficas
Bosi, Alfredo. História Concisa da literatura Brasileira. SP: Cultrix, 1984.

Miguel, Jorge. Curso de Literatura 1: Das Origens ao Arcadismo. SP: Harper e Row do Brasil Ltda.1986.

Só literatura. Arcadismo. 2014. Disponível em: < http://www.soliteratura.com.br/arcadismo/index.php > Acesso em: 15 de out de 2014.

Literatura Brasileira. Arcadismo (ou Neoclassicismo). 2002.Disponivel em : http://educaterra.terra.com.br/literatura/resumao/resumao_4.htm Acesso 16 de out 2002.
Tomás Antônio Gonzaga (Dirceu)
Cláudio Manuel da Costa (Glauceste Satúrnio)
José Basílio da Gama (Termindo Sípílio)
Frei José de Santa Rita Durão
Cartas Chilenas
Amigo Doroteu, prezado amigo,
Abre os olhos, boceja, estende os braços
E limpa das pestanas carregadas
O pegajoso humor, que o sono ajunta.
5 -- Critilo, o teu Critilo é quem te chama;
Ergue a cabeça da engomada fronha,
Acorda, se ouvir queres coisas raras.
"Que coisas ( tu dirás ), que coisas podes
Contar que valham tanto, quanto vale
10 -- Dormir a noite fria em mole cama,
Quando salta a saraiva nos telhados
E quando o sudoeste e outros ventos
Movem dos troncos os frondosos ramos?"
É doce este descanso, não to nego.
Vila Rica
"Já desde quando no projeto vinhas
De encontrar as preciosas esmeraldas,
Eu te esperava deste monte às faldas.
O Deus destes tesouros impedia
Até aqui descobrí-los, e fingia
Meu rosto aso homens tão escuro e feio
Por que infundisse em todos o receio."
(Vila Rica. Canto VIII, v.189-195)
"Levados de fervor, que o peito encerra
Vê os Paulistas, animosa gente,
Que ao Rei procuram o metal luzente
Co'as próprias mãos enriquecer o erário.
Arzão é este, é este, o temerário,
Que da Casca os sertões tentou primeiro:
Vê qual despreza o nobre aventureiro,
Os laços e as traições, que lhe prepara
Do cruento gentio a fome avara.
A exemplo de um contempla iguais a todos,
E distintos ao rei por vários modos
Vê os Pires, Camargos e Pedrosos,
Alvarengas, Godóis, Cabrais, Cardosos,
Lemos, Toledos, Paes, Guerras, Furtados,
E os outros, que primeiro assinalados
Se fizeram no arrojo das conquistas,
Ó grandes sempre, ó imortais Paulistas!
Embora vós, ninfas do Tejo, embora
Cante do Lusitano a voz sonora
Os claros feitos do seu grande Gama;
Dos meus Paulistas honrarei a fama.
Eles a fome e sede vão sofrendo,
Rotos e nus os corpos vem trazendo,
Na enfermidade a cura lhes falece,
E a miséria por tudo se conhece."
(Vila Rica, Canto VI)
Canto I
De um varão em mil casos agitados,
Que as praias discorrendo do Ocidente,
Descobriu recôncavo afamado
Da capital brasílica potente;
Do Filho do Trovão denominado,
Que o peito domar soube à fera gente,
O valor cantarei na adversa sorte,
Pois só conheço herói quem nela é forte.
A lei do teu contrato não faculta
Que possas aplicar aos teus negócios
Os públicos dinheiros. Tu, com eles,
Pagaste aos teus credores grandes somas!
Ordena a sábia Junta, que dês logo
Da tua comissão estreita conta;
O chefe não assina a portaria,
Não quer que se descubra a ladroeira,
Porque te favorece, ainda à custa
Dos régios interesses, quando finge
Que os zela muito mais que as próprias rendas.
Porque, meu Silverino? Porque largas,
Porque mandas presentes, mais dinheiro.
Pretende, Doroteu, o nosso chefe
Mostrar um grande zelo nas cobranças
Do imenso cabedal que todo o povo,
Aos cofres do monarca, está devendo.
Envia bons soldados às comarcas,
E manda-lhe que cobrem, ou que metam,
A quantos não pagarem, nas cadeias.
Não quero, Doroteu, lembrar-me agora
Das leis do nosso augusto; estou cansado
De confrontar os fatos deste chefe
Com as disposições do são direito;
Por isso pintarei, prezado amigo,
Somente a confusão e a grã desordem
Em que, a todos, nos pôs tão nova idéia.
Gonzaga, Tomás Antônio, and Duda Machado. Cartas chilenas. EA, Editora Ática, 2006.


Costa, Cláudio Manuel da. "Vila Rica." Vila Rica (1897).
Gama, José Basílio da. "O Uraguai." (2002).
Durão, José de Santa Rita. Caramurú: poema epico do descobrimento da Bahia. M. da C. Honorato, 1878.
Entram enfim na mais remota e interna
Parte de antigo bosque, escuro e negro,
Onde ao pé de uma lapa cavernosa
Cobre uma rouca fonte, que murmura,
Curva latada de jasmins e rosas.
Este lugar delicioso, e triste,
Cansada de viver, tinha escolhido
Para morrer a mísera Lindóia.
Lá reclinada, como que dormia,
Na branda relva, e nas mimosas flores,
Tinha a face na mão, e a mão no tronco
De um fúnebre cipreste, que espalhava
Melancólica sombra. Mais de perto
Descobrem que se enrola no seu corpo
Verde serpente, e lhe passeia, e cinge
Pescoço e braços, e lhe lambe o seio.
O rei é vosso pai: quer-vos felizes.
Sois livres, como eu sou; e sereis livres.
Não sendo aqui, em qualquer outra parte.
Mas deveis entregar-nos estas terras.
Ao bem público cede o bem privado.
O sossego da Europa assim pede.
Assim o manda o rei. Vós sois rebeldes,
Se não obedeceis; mas os rebeldes
Eu sei que não sois vós - são os "bons"
padres,
Que vos dizem a todos que sois livres,
E se servem de vós como de escravos,
E armados de orações vos põem no campo.
Se o rei da Espanha
Ao teu rei quer dar terras com mão larga
Que lhe dê Buenos Aires e Corrientes.
E outras, que tem por estes vastos climas;
Porém não pode dar-lhe os nossos povos (...)"
"Gentes de Europa, nunca vos trouxera
O mar e o vento a nós. Ah! não debalde
Estendeu entre nós a natureza
Todo esse plano espaço imenso de águas."
Só tu tutelar anjo, que o acompanhas,
Sabes quanta virtude ali se arrisca
Essas fúrias da paixão, que acende, estranhas
Essa de insano amor doce faísca
ânsia no coração sentiu tamanhas
Que houvera de perder-se naqu’hora
Se não fora cristão, se herói fora."
"Paraguaçu gentil (tal nome teve),
Bem diversa de gente tão nojosa,
De cor tão alva como a branca neve,
E donde não é neve, era de rosa;
O nariz natural, boca mui breve
Olhos de bela luz, testa espaçosa.
Origem
Havia na Grécia Antiga, uma parte central do Peloponeso denominada Arcádia, De relevo montanhoso, essa região era habitada por pastores e vista como um lugar especial, quase mítico entre os habitantes associavam o trabalho a poesia, cantando o paraíso rustico que viviam.

No século XVIII, o termo Arcádia passou a identificar as academias ou agremiações de poetas que se reuniam para restaurar o estilo dos poetas clássicos renascentistas, com o objetivo declarado de combater o rebuscamento barroco.

Arcadismo /Setecentismo/Neoclassicismo
Século XVIII
A estética desenvolvida nessas academias de poetas passou a ser chamado Arcadismo tendo como característica principal a idealização da vida no campo. O desejo de seguir as regras da poesia clássica fez com que essa estética também fosse conhecida como neoclassicismo.
Principais Características
Influência da filosofia francesa;

Mitologia pagã como elemento estético;

O bom selvagem, expressão do filósofo Jean-Jacques Rousseau, denota a pureza dos nativos da terra fazem menção à natureza e à busca pela vida simples, bucólica e pastoril;

Tensão entre o burguês culto, da cidade, contra a aristocracia;

Pastoralismo: poetas simples e humildes;

Bucolismo: busca pelos valores da natureza;

Nativismo: referências à terra e ao mundo natural;
O resgate de temas clássicos
Fugere urbem : fuga da cidade; afirmação das qualidades da vida no campo.

Áureamediocritas: valorização das coisas cotidianas, simples, focalizadas pela razão e pelo bom senso.

Lócusamoenus : caracterização de um lugar ameno, onde os amantes se encontram para desfrutar dos prazeres da natureza.

Inutiliatruncat: eliminação dos excessos, evitando qualquer uso mais elaborado da linguagem.

Carpediem: cantar o dia; trata da passagem do tempo como algo que traz a velhice, a fragilidade e a morte, tornando imperativo aproveitar o momento presente de modo intenso.

Momento histórico
No Mundo:
Revolução Gloriosa (Inglaterra, 1688);

Revolução Industrial (Inglaterra, 1760);

Independência dos EUA (1776);

Revolução Francesa (1789);

Progressivo descrédito das monarquias absolutas;

Decadência da aristocracia feudal;

Crescimento do poder da burguesia.
No Brasil:
Inconfidência Mineira (1789).
PENSAMENTOS DA ÉPOCA
Iluminismo: O uso da razão como meio para satisfazer as necessidades do homem. Os movimentos pela independência do Brasil, como a Inconfidência Mineira, por exemplo, inspiraram-nas nas ideias iluministas.

Laicismo: Estado e igreja devem ser independentes, e as funções do Estado, como a política, a economia, a educação, exercidas por leigos.

Liberalismo: ideologia política que defende os sistemas representativos, os direitos civis e a igualdade de oportunidades para os cidadãos.

Empirismo: corrente filosófica que atribui à experiência sensível a origem de todo conhecimento humano.
Arcadismo no Brasil (1768-1836)
Segundo o crítico Alfredo Bosi em seu livro História Concisa da Literatura Brasileira (São Paulo: editora Cultrix, 1985) houve dois momentos do Arcadismo no Brasil:
a) poético: retorno à tradição clássica com a utilização dos seus modelos, e valorização da natureza e da mitologia.
b) ideológico: influenciados pela filosofia presente no Iluminismo, que traduz a crítica da

Burguesia culta aos abusos da nobreza e do clero.
Minas Gerais como centro econômico e político;
A descoberta do ouro, na região de Minas Gerais, forma cidades ao redor; ouro Vila Rica (atual Ouro Preto) se consolida como espaço cultural desde o Barroco (Aleijadinho);
A corrida pelo ouro se intensifica;
Influências das arcádias portuguesas nos poetas brasileiros;

Conflitos com o Império (Inconfidência Mineira);
O ciclo da mineração;
A expulsão dos jesuítas do Brasil - (1759);

MARCO INICIAL DO ARCADISMO NO BRASIL
Marco Inicial do Arcadismo no Brasil
Publicação das Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa (1768);
Fundação da Arcádia Ultramarina em Vila Rica (atual Ouro Preto, MG).

Características do Arcadismo no Brasil
História colonial muito valorizada;
Início do nacionalismo;
Início da luta pela independência - Tomás Antônio Gonzaga ("primeira cabeça da inconfidência" segundo Joaquim Silvério, delator da Inconfidência Mineira);
A colônia é colocada como centro das atenções.
Introdutor do Arcadismo no Brasil, estudou Direito em Coimbra. Patrono da cadeira número 8 da ABL (Academia Brasileira de Letras).

De volta ao Brasil, dedicou-se à advocacia, sendo nomeado secretário do governo de Minas Gerais, cargo que ocupou entre 1762 e 1765. Anos mais tarde, participou, ao lado de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, Inácio José de Alvarenga Peixoto e outros, da Inconfidência Mineira.

Compôs o clássico poema "Vila Rica". A poesia descreve a saga dos bandeirantes paulistas no desbravamento dos sertões e suas lutas com os emboabas indígenas, até a fundação da cidade de Vila Rica.

Patrono da cadeira no 37 da Academia Brasileira de Letras, nasceu na cidade do Porto, em Portugal. Era filho do brasileiro dr. João Bernardo Gonzaga e de dona Tomásia Isabel Clark.

No Brasil, foi indicado para ocupar o cargo de Ouvidor Geral na comarca de Vila Rica (atual Ouro Preto), em Minas Gerais.

As "Cartas Chilenas" correspondem a uma coleção de doze cartas, poemas satíricos que circularam em Vila Rica poucos antes da Inconfidência Mineira. Assinadas por Critilo (leia-se Gonzaga), habitante de Santiago do Chile (leia-se Vila Rica) e endereçadas a Doroteu (leia-se Cláudio Manuel da Costa). Critilo narra os desmandos do governador chileno, o Fanfarrão Minésio (leia-se, Luís da Cunha Meneses).
O poeta nascido em São João del Rei, MG. Estudou com os Jesuítas no RJ até a expulsão destes do Brasil pelo Marquês de Pombal.

Depois de passar por Coimbra e Lisboa, foi estudar em Roma, mas por ligações com os jesuítas, acabou sendo julgado pelo Tribunal da Inquisição e recebendo a pena de exílio em Angola. Depois, foi perdoado por Pombal, porque fez um poema à filha do Marquês, onde elogia o Ministro e ataca os jesuítas.

O poema Uruguai é um canto de louvor à política de Pombal, com dedicatória ao Ministro da Marinha, Mendonça Furtado, irmão do mesmo Marquês, que trabalhou na demarcação dos limites setentrionais entre Brasil e América Espanhola, cumprindo o Tratado de Madri.
Nasceu nas proximidades de Mariana, Minas Gerais. Estudou com os jesuítas no Rio de Janeiro e doutorou-se em Filosofia e Teologia por Coimbra.

O Caramuru faz um balanço da colonização em meio a uma descrição hiperbólica da natureza. Neste poema são exaltadas a fé e a defesa da terra contra os invasores. A obra de Durão pode ser vista tanto como expressão do triunfo português na América quanto das posições particularistas dos americanos; e serviria, em princípio, seja para simbolizar a lusitanização do país, seja para acentuar o nativismo.

Caramuru tem como subtítulo "Poema Épico do Descobrimento da Bahia" e conta as aventuras de Diogo Álvares Correia, o Caramuru. Entre outras personagens do poema estão Paraguaçu (Sua amada) e Moema (rival de Paraguaçu).

Caramuru
Nele vereis nações desconhecidas,
Que em meio dos sertões a Fé não doma,
E que puderam ser-vos convertidas
Maior Império que houve em Grécia ou Roma:
Gentes vereis e terras escondidas,
Onde, se um raio da verdade assoma,
Amansando-as, tereis na turba imensa
Outro Reino maior que a Europa extensa.
O Uruguai
"A exigência metodológica que se faz, contudo, para que não se regrida a posições reducionistas anteriores, são de que se preserve toda a riqueza estética e comunicativa do texto literário, cuidando igualmente para que a produção discursiva não perca o conjunto de significados condensados na sua dimensão social. Afinal, todo escritor possui uma espécie de liberdade condicional de criação, uma vezque os seu temas, motivos, valores, normas ou revoltas são fornecidos ou sugeridos pela sua sociedade e seu tempo – e é destes que eles falam. Fora de qualquer dúvida: a literatura é antes de mais nada um produto artístico, destinado a agradar e a comover; mas como se pode imaginar uma árvore sem raízes, ou como pode a qualidade dos seus frutos não depender as características do solo, da natureza do clima
e das condições ambientais?"
Sevcenko, 1999: 20:
SEVCENKO, N. Literatura Como Missão: tensões sociais e criação cultural na Primeira República. São Paulo: Brasiliense, 1999.
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