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PLE II - Problemas de argumentação

Turma 1 - 27 de agosto de 2012
by

Glícia Tinoco

on 6 March 2015

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Transcript of PLE II - Problemas de argumentação

Nesse sentido, na aula de hoje, trataremos de alguns problemas relacionados à argumentação.

Verificaremos que, embora coerente, isto é, semanticamente plausível, um determinado argumento pode se tornar inaceitável. Isso ocorre pelo fato de não possuir consistência suficiente que lhe confira validade ou, ainda, por não ser apropriado à situação comunicativa em que é utilizado.

Vejamos então em que condições isso se dá. Como ponto de partida, leiamos o texto a seguir sobre o tabagismo no Brasil.
"A escola é o local onde o ser humano tem o primeiro contato com o mundo real à sua volta. Ao nascer, a criança vive em um mundo maravilhoso constituído por seus desejos, uma vez que os pais fazem de tudo para oferecer-lhes o que há de melhor."

(Candidato[a] em processo seletivo para o ensino superior. Natal, 2012).
Outro procedimento que invalida a argumentação é o uso de
falso pressuposto.
Observemos o fragmento textual que segue.
San Francisco
Budapest
Quero deixar clara a minha insatisfação e indignação para com o diretório acadêmico da Escola de Ciências e Tecnologia da UFRN (DAECT). Um bando de estudantes que deveria nos ajudar, no tocante à busca de espaços e direitos, mas passa o ano inteiro sem nada fazer, a não ser retirar dinheiro dos estudantes, seja com camisas, agendas, canetas e não se importando com o que de fato precisamos.

(Trecho de carta argumentativa escrita por um graduando do BCT no semestre 2011.4)
(cc) photo by Metro Centric on Flickr
(cc) photo by Franco Folini on Flickr
É possível perceber, também nesse trecho da carta, uma
generalização
: outro defeito de argumentação que deve ser evitado.
Problemas de
argumentação
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
ESCOLA DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA
PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA II (ECT 1205)

Profª Ada Lima, Profª Edna Rangel de Sá,
Profª Glícia Azevedo Tinoco e Prof. José Romerito Silva

Natal, 27 de agosto de 2012
Ratificando o que foi afirmado na primeira aula, a argumentação impõe-se como uma necessidade nas relações sociais em diversas situações do dia a dia.

Fazer uso adequado desse recurso constitui um importante passo para a realização de conquistas pessoais e/ou de um grupo. Por outro lado, não argumentar ou argumentar mal pode resultar em fracassos e perdas.
Respeito ao fumante
Se, por um lado, não há qualquer comprovação científica de que imagens desse tipo possam estimular as pessoas a pararem de fumar ou a diminuírem o consumo de cigarros; por outro, o uso do cigarro, no Brasil, não é proibido. Como ninguém é obrigado a deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei, respeitando-se os princípios da legalidade e da liberdade, não deve o Poder Público encarar o ato de fumar como atividade ilícita nem os fumantes como se fossem cidadãos inferiores.
Tese: “ [...] é necessário respeitar o direito de o cidadão ser (ou não) fumante”.
Estratégias argumentativas:

1) argumento de autoridade, citando a alegação do procurador da República em Blumenau, João Marques Brandão Neto;
2) relação causa-efeito, ao mostrar que a ação civil impetrada pelo MPF-SC baseou-se no fato de as gravuras nos maços de cigarro chocarem os cidadãos;

3) o estabelecimento de comparação entre as consequências do uso de cigarro e as da ingestão de bebidas alcoólicas.

4) o estabelecimento de confronto entre o fumo e as bebidas alcoólicas.
Esses procedimentos argumentativos são recursos importantes para imprimirem reforço à tese porque se ancoram em fatos comprováveis e na racionalidade.

Apresentam-se, portanto, como razões bastante plausíveis, impondo-se como mais convincentes.
Há, porém, certos movimentos argumentativos problemáticos, os quais seguem uma linha de raciocínio, em alguns casos, discutível e facilmente refutável, prejudicando a defesa do ponto de vista. Sendo assim, devem ser evitados.

Vejamos alguns deles.
Problemas de argumentação

1) argumento ad hominem;
2) generalização;
3) falso pressuposto;
4) uso de noções/informações vagas e imprecisas;
5) comparação indevida.
Análise do raciocínio argumentativo
Há outros procedimentos argumentativos que, dependendo da situação comunicativa, são também problemáticos. Entre eles, temos:
1) recurso a crenças pessoais/dogma religioso;
2) uso de aforismos/provérbios populares;
3) argumento baseado no(a) individualismo/subjetividade;
4) falso prognóstico/hipótese incerta;
5) apelo à autoestima do interlocutor.
Percebam que o escrevente da carta ataca os componentes do DAECT, acusando-os de conduta incompatível com a importância de um grupo de representação discente universitária.
O escrevente não discute, em seu texto, os problemas que deveriam ser resolvidos pelo diretório acadêmico. Usa a carta para fazer um ataque aos representantes do diretório.
Esse problema argumentativo é denominado
argumento ad hominem
.
Nesse trecho, está implícita a falsa pressuposição de que, fora da escola, o ser humano vive em um mundo de fantasia.
Além disso, há o problema da generalização quanto ao fato de que todos os pais se esforçam para oferecer o que há de melhor para seus filhos.
Um movimento argumentativo também bastante problemático é o que se encontra na ocorrência a seguir, trecho de um artigo de opinião sobre a relação tecnologia-qualidade de vida.
"Temos, muitas vezes, de mudar as estratégias para conseguir nossos objetivos. Não podemos ficar calados diante das dificuldades que passamos. Temos de usar a voz alta, ou melhor, “gritar” para sermos ouvidos, pois temos exemplos de personalidades que sempre aparecem na mídia por algo que falaram, bobagem ou não."

(Graduando(a) do BCT/UFRN, 2012).
Nesse excerto, o(a) articulista não informa mais precisamente a que “estratégias” ele(a) se refere. Tampouco esclarece quais são os “objetivos” e as "dificuldades" enfrentadas.
Além disso, o escrevente usa o termo "algo", sem especificar o que foi dito pelas "personalidades" nem quem são elas.
Esses problemas dizem respeito ao uso de
noções/informações vagas e imprecisas
, que fragilizam a argumentação.
Vejamos agora este trecho do artigo de opinião de um graduando do BCT (2012), argumentando contra a instalação da usina hidrelétrica de Belo Monte.
"(...)Devido a possuir impacto ambiental e custo elevados, a instalação da usina hidrelétrica de Belo monte não deve ser apoiada. Se possuímos tecnologia suficiente para lançarmos, a cada ano, um novo e mais moderno celular, carro, computador, por que não investirmos também em tecnologia para fontes de energias renováveis?"
O problema argumentativo desse excerto é a
comparação indevida
entre duas situações de natureza e circunstâncias diversas.

Esse recurso argumentativo torna-se insustentável, uma vez que os estados de coisas comparadas requerem diferentes critérios de julgamento e validação.
Agora, vejamos outros problemas de argumentação que dependem do contexto em que são utilizados.

Isso significa dizer que, em determinadas situações comunicativas (mais subjetivas e informais), esses percursos argumentativos podem até ser aceitáveis; porém, tornam-se bastante inadequados em outras, principalmente em contextos que demandem um tratamento racional (não passional) e mais objetivo da questão em foco.
Um procedimento argumentativo frágil e de pouca ou nenhuma validade é o que se pode ver no seguinte excerto textual, retirado de um artigo de opinião sobre mudança de valores na sociedade atual.
"(...) Desde o princípio da história humana, o homem vive em maus costumes. Mas o livro (Bíblia sagrada), o qual eu leio, ele sim, me fala e prova a respeito disso. Agora, você me pergunta: para isso tem solução? Digo a você que sim. 'Jesus Cristo' (...)."

(Candidato(a) em processo seletivo para o ensino superior, 2011).
Independentemente de qualquer opção religiosa, deve-se levar em conta o fato de que, situando-se numa atividade discursiva de âmbito público e formal, como é o caso de um processo seletivo na esfera acadêmica ou de natureza profissional, o falante/escrevente deve cercar-se de argumentos sólidos, fundamentados no raciocínio lógico e na evidencialidade, não em
crenças pessoais/credo religioso
.
Declarações desse tipo, apoiadas no senso comum, como se fosse uma espécie de “sabedoria superior”, podem até parecer consensuais, inquestionáveis; porém, carecem de sustentação lógica e não resistem a evidências fatuais.
Essa mesma observação também é válida para o
uso de aforismos
/
provérbios populares
,

ou seja, máximas de domínio público, cristalizadas na memória cultural como “verdades absolutas”.

Uma amostra representativa disso é o que se pode ver no seguinte trecho, de um candidato em processo seletivo para o esnino superior em 2012.
"(...) daqui a alguns dias ou até mesmo anos, o mundo será dominado por máquinas, e as pessoas deixarão de ter utilidade no mercado. As pessoas serão desvalorizadas perante as circunstâncias."
Analisemos, agora, mais um excerto de um texto produzido por outro(a) candidato(a) em processo seletivo para o ensino superior, 2012, tratando da relação entre tecnologia e mercado de trabalho.
A escolha de uma linha argumentativa assentada em
prognóstico ou hipótese incerta
é o problema mais grave do texto desse graduando.

Isso porque o locutor não tem como garantir a veracidade e/ou a efetividade do evento ou do estado de coisas afirmado.

De fato, apoiar-se em previsões ou conjecturas que podem não se confirmar constitui-se um grave defeito de argumentação.
Agora, observemos o recorte textual a seguir para identificar mais um problema de argumentação.
"(...) Cada vez mais me espanto, e cada vez menos acredito. Não funciona comigo aquela conhecida frase dos mais velhos “a mim, nada mais me espanta”. A mim tudo ainda me choca, ou intriga, faz rir ou chorar ou me indignar como sempre (...). Seja como for, coisas bizarras acontecem neste Brasil nosso tão amado e tão negligenciado (...)."

(LUFT. L. In: Veja, 22 jun. 2011, p. 28).
Nesse excerto, podemos perceber que a linha argumentativa adotada se baseia na
subjetividade
, isto é, nas emoções pessoais da autora.

Essa estratégia de argumentação pode ser válida em um contexto de interlocução que permita uma postura mais intimista e sentimental. Porém, por ser balizada pelo
individualismo
, numa visão muito particular e passional do problema em debate, deve ser evitada em uma discussão que exija alicerces argumentativos mais consistentes.
Existe, ainda, outro tipo de argumento dependente do contexto para ter validade ou não. Trata-se do
apelo à autoestima do interlocutor
.

Esse percurso argumentativo caracteriza-se pelo tom intersubjetivo e passional, com forte tendência à persuasão.

É uma estratégia funcional no discurso publicitário, por exemplo. Todavia, é extremamente frágil e até desaconselhável em contextos que exigem mais racionalidade. Vamos conferir tal procedimento em um excerto textual sobre empregabilidade.
"(...) Você quer ser um profissional excelente, quer se destacar, quer sempre estar empregado? Então não tem jeito: muito estudo e, principalmente, coloque em prática o que você estudou. O mercado está muito seletivo; não existe mais lugar para enganadores. De nada adianta você ter ótimos conhecimentos se não for capaz de traduzi-los em resultados para a empresa. Lembre-se: você não é pago para ficar oito horas na empresa, você é pago para gerar resultados. Sem resultados = sem emprego."

(BATTISTI, J. Disponível em: http://www.juliobattisti.com.br/artigos/carreira/mercado.asp. Acesso 10/04/2010).
Observem que o autor argumenta em favor da relação entre resultados práticos na empresa e manutenção do emprego. Para tanto, ele procura impactar o leitor, apelando para a necessidade de ficar atento às exigências de produtividade no mercado de trabalho se quiser manter-se empregado.

Essa é uma forma de atingir diretamente o interlocutor, provocando nele uma dada reação emotiva, a fim de conquistar de imediato sua empatia e adesão.

Do mesmo modo, ao produzir um discurso de caráter argumentativo, devemos ser cautelosos, escolhendo justificativas que confiram bases seguras ao nosso posicionamento, sobretudo em se tratando de contextos que requerem uma atitude mais racional e madura frente à questão em pauta.
Portanto, sabedores dessas “armadilhas” argumentativas, precisamos estar mais atentos a certas razões apresentadas na defesa de um determinado ponto de vista.
Isso porque algumas fotos exibem cenas chocantes, tais como uma pessoa hospitalizada com câncer no pulmão e outra pessoa sofrendo infarto, ambas em decorrência do tabagismo. "Ao entrar em qualquer lanchonete, loja de conveniência, restaurante ou bar, os cidadãos são aterrorizados pela foto de um cadáver com o crânio rachado ou de um feto morto dentro de um cinzeiro", argumenta o procurador.

Fumar não é uma atividade ilícita no Brasil. Fumantes não são contraventores. É necessário respeitar o direito de o cidadão ser (ou não) fumante. Nesse sentido, restringir os locais onde se possa fumar significa respeitar o fumante e o não-fumante. Porém, obrigar as empresas tabagistas a comercializarem maços de cigarro com imagens de advertência extremamente apelativas é um erro.

Essa compreensão fundamenta uma ação civil que o Ministério Público Federal em Santa Catarina (MPF-SC) impetrou contra a União e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nessa ação, o procurador da República em Blumenau, João Marques Brandão Neto, alega que algumas gravuras expostas nos maços de cigarros agridem o fundamento constitucional da dignidade da pessoa humana.

É possível que as consequências da ingestão de bebidas alcoólicas sejam até piores do que o tabagismo. Contudo, a Anvisa não cumpre a determinação constitucional que manda alertar quanto aos riscos desse consumo que pode gerar acidentes no trânsito, violência doméstica, entre outros problemas. Como se vê, são dois pesos e duas medidas: rigor com os fumantes, permissividade com os que usam bebidas alcoólicas. Deve-se ter respeito ao fumante.

Artigo de opinião adaptado de notícia divulgada em
<http://www.dci.com.br/Ministerio-Publico-entra-com-acao-que-proibe-imagem-agressiva-em-cigarros-3-241124.html>. Acesso em 15 de julho de 2011.
Conforme vocês podem verificar, entre os excertos selecionados, não houve problema de comparação indevida (05) nem de uso de aforismo (07).
Vejamos mais um fragmento textual.
Isso não é fatual. Não pode ser considerado plausível.
“Visando bem o ditado popular 'semeando e plantando, no fim, terás o que colher', com essa força e garra de batalhar o vil-metal, teremos um bom desafio (...)”
Tal estratégia argumentativa é bastante comum na publicidade, no discurso político ou na pregação religiosa, por exemplo; daí a necessidade de ser vista com certo cuidado e restrição.
Argumentos problemáticos

(01) Argumento ad hominen
(02) Generalização
(03) Falso pressuposto
(04) Noções/Informações vagas e imprecisas
(05) Comparação indevida
(06) Recurso a crenças pessoais/dogma religioso
(07) Uso de aforismos/provérbios populares
(08) Argumento baseado no(a) individualismo/subjetividade
(09) Falso prognóstico/hipótese incerta
(10) Apelo à autoestima do interlocutor.
Atividade em trio
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